Por Juliana Henrik e Mariana Santos
A Unidos da Tijuca realizou seu primeiro ensaio de rua de 2026, na noite da última quinta-feira, e. deixou claro, desde os primeiros acordes, que vem disposta a reescrever sua história. Na Via D1, a escola apresentou um ensaio marcado por emoção, canto potente e uma entrega coletiva que arrepiou quem esteve presente. Com um enredo que homenageia Carolina Maria de Jesus, a Tijuca transformou a rua em palco de resistência, memória e identidade. A cada verso do samba, era possível sentir que a comunidade não apenas ensaiava: vivenciava o enredo. A escola veio grande, cantando muito forte, com alegria, verdade e emoção, confirmando que o verso “muda a sua história, Tijuca” já começa a ganhar forma. A agremiação mostrou organização, intensidade e um conjunto que promete emocionar no desfile, quando será a última escola a se apresentar na segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, pelo Grupo Especial.
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COMISSÃO DE FRENTE
Um dos pontos altos do ensaio foi, sem dúvida, a comissão de frente, coreografada por Ariadne Lax e Bruna Lopes. Formada por mulheres, a apresentação impactou pela força, pelo grito e pela entrega corporal. Os movimentos bruscos no chão, os gestos marcados com as mãos, os saltos e a elevação de uma das integrantes criaram imagens potentes e simbólicas.
Cada execução era acompanhada pelos gritos das próprias componentes, intensificando a cena e arrebatando o público. Foi uma comissão de frente que não apenas apresentou uma coreografia, mas contou uma história com o corpo, traduzindo em movimento a dor, a luta e a força presentes na trajetória de Carolina Maria de Jesus.
SAMBA E HARMONIA
O canto da Unidos da Tijuca foi um espetáculo à parte. A escola cantou com volume, emoção e alegria, transformando o ensaio em um grande coro coletivo. O samba foi entoado de forma vibrante por praticamente todos os componentes, criando uma atmosfera contagiante e intensa.
No carro de som, o intérprete Marquinho Art’Samba conduziu o samba com potência e sensibilidade, puxando o canto de maneira monstruosa, sempre integrado à escola. A harmonia se mostrou presente e eficiente, sustentando o canto forte do início ao fim do ensaio.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Matheus André e Lucinha Nobre apresentou um bailado de extrema elegância e sintonia. A parceria entre a juventude de Matheus e a experiência de Lucinha resultou em uma dança leve, charmosa e com identidade própria.
Lucinha flutuava pela pista com suavidade, enquanto Matheus imprimia presença e carisma, formando um conjunto harmonioso, bonito e diferenciado. Um casal que demonstra maturidade artística e promete momentos especiais na Avenida.
EVOLUÇÃO
A evolução da Unidos da Tijuca foi outro ponto de destaque no ensaio. A escola desfilou de forma organizada, fluida e alegre, com os componentes utilizando acessórios, como leques, que enriqueceram o visual e ajudaram na leitura da movimentação.

A presença da comunidade foi massiva, criando um impacto visual forte e uma sensação de unidade. A evolução dialogou com o canto e com a bateria, fazendo da Tijuca um bloco coeso e pulsante na rua.
Visivelmente emocionada, a diretora de carnaval, Elisa Fernandes, destacou a força desse primeiro ensaio do ano.
“Este é o nosso primeiro ensaio de rua do ano, e a comunidade compareceu em massa. O ensaio está lotado, acredito que seja o maior contingente desde o início da temporada. A escola e a ala das crianças estão cantando com muita energia, é uma cena emocionante. Estou até emocionada. A Tijuca está pronta para fazer história”.

Ela também reforçou o trabalho contínuo rumo ao desfile: “Nosso objetivo, com um samba e um enredo tão grandiosos, é que toda a escola tenha a oportunidade de aprender e cantar a letra com entusiasmo. Se conseguirmos isso, tudo estará perfeito. Estamos preparados para fazer um grande carnaval e reescrever nossa história”.
OUTROS DESTAQUES

Comandada pelo mestre Casagrande, a bateria da Unidos da Tijuca veio grande, encorpada e extremamente impactante. Próximo a ela, era possível sentir cada instrumento pulsar, preenchendo o espaço e arrepiando quem acompanhava o ensaio.
Sobre o trabalho desenvolvido, o mestre destacou o bom momento vivido pela escola, sem perder o olhar atento para os ajustes necessários.

“A escola está cantando muito. Nós faremos três bossas: uma na cabeça do samba, no refrão do meio e na segunda do samba, no trecho ‘sou a liberdade’. Nesse trecho, a bateria faz um contracanto com a escola e o carro de som integrados, e está funcionando maravilhosamente. Mas, claro, a gente ainda tem mais um ensaio de rua aqui, temos dois ensaios técnicos. É hora de pezinho no chão. Está legal, mas sabemos que ainda pode melhorar. A gente espera chegar no dia do desfile com 100%”.










