728x90
InícioSão PauloSérie Barracões SP: Dom Bosco exalta a arte circense e própria história

Série Barracões SP: Dom Bosco exalta a arte circense e própria história

No primeiro carnaval de Fábio Gouveia na azul e branco de Itaquera, agremiação completa 25 anos e usa a figura do 'saltimbanco de Deus' para propor uma viagem ao mundo do circo

Terceira colocada no Grupo de Acesso I logo na primeira vez em que a agremiação disputou tal pelotão na história, a Dom Bosco de Itaquera chega para o desfile em 2025 mais próxima do que nunca de chegar ao Especial. Para realizar o sonho da agremiação ligada à obra social católica de mesmo nome, Fábio Gouveia, carnavalesco estreante na agremiação, produziu o enredo “O Circo Místico das Ilusões”, que será o último a desfilar no domingo de carnaval (02 de março), já na manhã de segunda-feira. Para conhecer um pouco mais sobre o tal circo místico e, também, saber mais detalhes sobre o enredo apresentado pela agremiação itaquerense, o CARNAVALESCO foi entrevistar o profissional responsável pela produção do enredo para saber de tudo que envolve a azul e branca da Zona Leste.

728x90

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Circo?

Estreante na agremiação, Fábio Gouveia já falou ao CARNAVALESCO sobre como surgiu a ideia de falar do circo em 2025 na final do samba-enredo da agremiação, ainda em junho de 2024. A ideia foi complementada por ele próprio: “Quando eu vim para cá, eu não tinha uma ideia formada de qual enredo seria. E eles têm um projeto aqui que é visitar todas as ações da obra Dom Bosco. Eu fui convidado a ir em uma dessas ações, e ali eu comecei a formar a ideia do que poderia ser o enredo. Eu tinha algumas coisas na cabeça, mas nada formado. A partir do conhecimento da obra e identificar algumas situações com relação ao Dom Bosco propriamente dito, eu entendi que poderia ser o circo”. iniciou.

bomdosco barracao25 1

Vale destacar que uma das áreas sociais da Dom Bosco é, justamente, o Circo Social – localizado próximo da estação Corinthians-Itaquera do Metrô. A própria final de samba-enredo foi realizada no espaço.

O carnavalesco continuou: “Mas eu não queria que fosse apenas o circo da forma como todo mundo fazia, porque é muito clichê. Todo mundo já fez o circo e todo mundo vai ver as mesmas formas. Tem algo a mais na nossa história: Dom Bosco é o patrono do circo. Ele é o patrono dos mágicos e dos ilusionistas. Eu quis trazer essa atmosfera desse saltimbanco (ele é chamado de ‘saltimbanco de Deus’) para dentro dessa história. A narrativa parte daí. Surge esse circo místico a partir da narrativa que Dom Bosco vai contar essa história. Ele vai unir a história da união das famílias em torno da festividade, da musicalidade – como o povo cigano, que acabava se tornando os próprios artistas daquele lugar. Daí surgem as caravanas, os circos em movimento e os teatros mambembes”, contou.

bomdosco barracao25 2

A integração circense com a Dom Bosco foi citada logo na sequência: “Nós vamos viajar por esse caminho. E vamos de encontro com Dom Bosco sendo o grande narrador dessa história, de encontro com a própria história da escola de samba de 25 anos. O Padre Rosalvino, quando ele começa a escola, ele começa exatamente com o mesmo intuito de Dom Bosco com a música, com a arte e com a escola de samba. A partir disso, ele começou a unir as pessoas em torno da sua obra em torno de tudo aquilo que ele queria construir em Itaquera. Aí, surge a escola de samba. Era um jeito de reunir aquelas crianças, aquela molecada, na batucada. Aa gente une a história do santo, a própria história do Padre Rosalvino, cria-se essa alusão à história que a gente quer contar, de caravanas, de famílias, de pessoas que se uniam para fazer arte e atrair essas pessoas em torno da fé e do amor desse coração solar. É um enredo inteiro em primeira pessoa”, comentou.

bomdosco barracao25 3

Imagens valem mais que mil palavras

Ao ser perguntado sobre o que encontrou de mais interessante nas pesquisas para desenvolver o enredo, Fábio foi bastante específico: “O mais curioso de todo o desfile é uma fotografia que existe quando você entra na Obra Social da Dom Bosco. É ele se equilibrando na corda bamba da vida, tem uma corda e ele está brincando com essa corda. Ele usava esse artifício pra atrair as pessoas, trazer as pessoas para dentro de si. Vi a imagem e pensei que lá estava o enredo. Essa imagem vai e volta na minha cabeça e encerra o nosso desfile”, revelou.

bomdosco barracao25 4

Sempre presente em tudo que envolve não apenas a escola, mas, também, a obra social como um todo, o presidente da agremiação novamente foi citado pelo carnavalesco: “Eu já sabia o enredo porque eu já tinha feito essas visitas. Depois, em uma segunda visita, eu identifiquei aquele quadro, achei que era uma obra de arte que só existia naquele lugar, e eu fui perguntar para as pessoas o que era aquilo. Ouvi que era o Dom Bosco, o nosso saltimbanco. É a partir dessa imagem que surgiu toda a história dele. Eu pensei que aquilo tinha que estar no carnaval. Tudo foi se juntando: tivemos umas visitas do padre Rosalvino no barracão e ele começou a contar como ele iniciou a escola. Esse carnaval em si foi sendo construído de um projeto planejado, mas que teve acréscimos de algumas informações que ele mesmo foi me dando. A ideia do caminhão é outro desses acréscimos: quando ele começou a obra, tinha um caminhão que transportava as pessoas e o material da marcenaria. Isso está no desfile, porque faz parte da caravana o buscar e trazer pessoas, trazer essas pessoas para o entorno da obra”, comentou.

bomdosco barracao25 5

Nem um, nem outro

Cada vez mais carnavalescos em São Paulo falam que não seguem uma setorização pré-definida, preferindo montagens de desfile mais fluidos. Fabio optou por um terceiro caminho: “Eu tenho trazido uma proposta bem diferente de tudo isso que você falou. Tudo tem ligação. É impossível eu começar o desfile sem ter ligação com o final do desfile. Tudo aqui está ligado. Por mais que seja um enredo não-linear, a proposta que a gente está trazendo é de que as pessoas vejam algo na comissão de frente e elas consigam repetir o olhar dela para outra coisa que acontece em outro instante da apresentação. Eu sou artista, então eu tenho que mexer com o seu imaginário, não posso cansar a sua vista. Eu tenho que brincar com o lúdico, e é essa a proposta do enredo. Eu vou na contramão de tudo isso. Se vai dar certo, aí é outra história”, intrigou.

bomdosco barracao25 6

Trunfo

Sempre direto, Fábio foi perguntado sobre qual era o grande ponto positivo da agremiação para 2025: “A escola é muito jovem, ela tem um espírito muito jovem. Não estou falando na questão de idade, tenho falado muito isso para as pessoas sobre o espírito da agremiação. Ela tem um espírito muito jovem, é uma escola muito alegre, e o enredo propõe uma alegria ainda maior do que a gente está planejando. Eu falo muito para as pessoas aqui que o trunfo maior da escola é ser a escola. Ela alcançou o êxito que ela alcançou graças ao chão dela, graças à comunidade dela. Eu só vim para cá para dar uma pincelada na plástica, dar um outro visual para a escola, que é algo que eles queriam. Eu venho pra entregar isso. Meu trabalho se resume a dar beleza, um pouco mais de carinho com essa questão plástica”, disse.

bomdosco barracao25 7

Início de relação

Ao ser perguntado sobre o andamento dos trabalhos no barracão da Dom Bosco, Fábio foi extremamente sincero: “A escola passou por um processo muito rápido de crescimento – e isso acaba gerando uma cobrança ainda maior sobre a escola e, também, sobre o profissional que vem aqui. A escola vem de um terceiro lugar no Grupo de Acesso I, a cobrança se torna muito maior e eu tentei, de todas as maneiras, colocar isso na cabeça deles. O processo de adaptação, tanto do Fábio para a escola, quanto da escola para o Fábio, foi muito complicado, foi bem difícil. Eu às vezes estou lá na frente e a escola está aqui; ou, às vezes, a escola está lá e eu estou aqui. A gente patinou muito, e eu sou muito verdadeiro nesse ponto, mas a gente conseguiu se equilibrar, conseguiu se entender, e estamos caminhando para a finalização desse projeto. Foi um processo que a escola não tinha equipes formadas de barracão, a escola não tinha o costume de ter equipes fixas, então ela contratava grupos que vinham realizar o seu projeto em horários determinados, mas não tinha uma função. Hoje, nós temos um barracão reestruturado e eu criei um grupo de trabalho real, diário, com horário certinho, para que esse projeto acontecesse”, destacou.

bomdosco barracao25 8

O profissional prosseguiu: “A escola passou por esse processo e não é fácil. A escola não tinha esse costume, então ela teve também que aprender nesse sentido. A escola não tinha um ateliê – tinha um prédio, mas não funcionava. Tinha uma outra forma de produzir fantasias, e nós passamos a produzir dentro da escola. A escola tinha um anseio de aprender, os diretores me cobraram muito o fazer, o início, a modelagem, a costura, a primeira peça, o arame. A escola tinha necessidade desse aprendizado. Eles me pediram para que eu seguisse esse caminho. Tudo que é novo, tudo que exige uma grande mudança, gera dores, confusões e brigas. E a gente teve muito disso, falamos abertamente a respeito. Mas a escola, para entender o tamanho do projeto que ela quer entregar, tem um anseio, tem um sonho, e ela sabe que, para isso ela precisava se adaptar a muita coisa. Eu também tive que me adaptar, porque eu venho de um outro processo de carnaval, com uma outra leitura carnavalesca, com uma outra ideia”, disse.

bomdosco barracao25 9

Ele próprio, entretanto, destacou o bem que a instituição o fez e o quanto os diálogos são francos entre as duas partes: “O Fábio não se resumia só àquele tipo de projeto. O Fábio é outro tipo de projeto, também. A gente se adaptou, foi fazendo, e estamos entregando. O Fábio é isso, gente. Não adianta: é isso. E eu falo isso com eles. A gente tem uma conversa muito aberta. Eu e a Dom Bosco, a gente tem uma conversa muito aberta. Foi um processo de um ano de aprendizado para a escola e um ano de aprendizado para o Fábio. Agora, a gente espera alcançar um bom resultado”, comentou.

bomdosco barracao25 10

Indagado sobre o quão feliz estava com o primeiro ano dele na Dom Bosco, o carnavalesco, como é de praxe, foi bastante sincero: “Eu chego com 80% de satisfação. Eu acho que só o resultado completa isso. A gente está trabalhando para alcançar um resultado bacana para a escola, a gente vem de um estar em um grupo que a posição se tornou ingrata para a escola, porque ela precisa trabalhar mais. Mas a gente está em um grupo que já era difícil e se tornou mais difícil ainda – com escolas que são monstruosas. A Dom Bosco tem que ser correta, eu falo muito isso com o meu diretor de harmonia, o Ricardo Fervorini. A escola é jovem, você tem o chão na mão, a gente está conseguindo resolver a plástica em todos os campos. Nós vamos simplesmente passar com essa caravana, é esse movimento que a gente tem que ter. Quem quiser brigar pelo título, brigue lá em cima. Nós só vamos passar”, finalizou.

Ficha técnica
Enredo: “O Circo Místico das Ilusões”
Componentes: 1200
Alas: 14
Número de carros: 03
Número de tripés: 01 (comissão de frente)
Diretor de ateliê: Ninho Zago
Diretor de barracão: Dimas Antunes

- ads-

De olho nos quesitos: mudanças no manual do julgador de bateria vão colocar a prova a excelência

Não é segredo de ninguém que ritmo de bateria de escola de samba, no grupo especial do Carnaval Carioca, é sinônimo de excelência. As...

Resíduos orgânicos da Sapucaí vão virar adubo pela primeira vez

Em uma iniciativa inédita, cerca de 60 toneladas de descarte de resíduos orgânicos provenientes de cozinhas e lanchonetes dos camarotes da Marquês de Sapucaí,...

Conheça as sete escolas e os enredos da primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo

Chegou o grande dia, nesta sexta-feira, dia 28 de fevereiro, sete escolas estarão na pista do Sambódromo do Anhembi, abrindo a primeira noite de...