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Série Barracões SP: Devorando Zé Celso, Vai-Vai promete encerrar desfiles do Grupo Especial com a sua essência

Como diz o samba-enredo, a escola vai ‘clamar’ pela volta do artista a terra, pedindo a assinatura da cultura popular

Após 15 anos, o Vai-Vai irá fechar uma noite de carnaval. Em 2010, com o enredo exaltando principalmente os seus 80 anos, fechou a sexta-feira. Porém, desta vez, irá encerrar os desfiles do Grupo Especial no sábado de carnaval. A Saracura, como é carinhosamente conhecida, levará para a avenida uma homenagem ao ator, dramaturgo e escritor, Zé Celso. ‘O Exú das Artes’, como ele se auto intitulava, era uma figura da Bela Vista, fundador do Teatro Oficina e, indiretamente, tem uma ligação com a escola. Ambos são raízes do local. Este é um tema que estava engavetado há anos na agremiação e que, para 2025, a diretoria juntamente ao carnavalesco Sidnei França resolveu abordar.
O CARNAVALESCO visitou o barracão do Vai-Vai e conversou com Sidnei França, conhecendo todo o projeto do próximo desfile.

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O enredo do Bixiga para o próximo carnaval é intitulado como “O xamã devorado e a deglutição bacante de quem ousou sonhar desordem”. A agremiação alvinegra será a sétima escola do sábado.

“Para o carnaval de 2025, o Vai-Vai leva para o Sambódromo do Anhembi o enredo ‘O xamã devorado e a deglutição bacante de quem ousou sonhar esordem’. É uma homenagem justa, necessária, cabida, principalmente pelo Vai-Vai, uma escola de samba da Bela Vista, mesmo local onde o Zé Celso se consagrou com o seu Teatro Oficina. Desde o ponto zero do desenvolvimento desse enredo eu já tinha comigo que não podia ser um enredo linear, um enredo cartesiano, porque o Zé Celso foi uma figura muito ousada e muito transgressora. Ele quebrou paradigmas, ele desafiou a ditadura, por exemplo”, disse Sidnei França.

Surgimento do enredo

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De acordo com o carnavalesco, o tema homenageando o artista, já estava há um tempo no pensamento da agremiação e, o início para isso, foi ao ver uma foto do caixão de Zé coberto pelo pavilhão do Vai-Vai, sendo um ato raiz de Bela Vista. Além disso, há a questão financeira, onde foi buscado parceiro para temas, mas não foi conseguido, segundo o profissional. “É um enredo que há muito tempo já se ouvia no Vai-Vai. Não é uma questão nova, mas nunca aconteceu. O lampejo é realmente na morte do Zé Celso. A diretoria do Vai-Vai foi até o velório no Teatro Oficina e tem fotos lindíssimas emocionantes do elenco do Oficina louvando a chegada do pavilhão e principalmente o pavilhão cobrindo o caixão do Zé Celso. Tem uma imagem lindíssima, iluminada e aquilo mexeu muito comigo a ponto de eu comentar com a diretoria da escola que por mim seria o próximo enredo da escola. O Vai-Vai tem suas raízes totalmente fincadas, os seus fundamentos no Bixiga. Havia algumas possibilidades, mas nada concreto no âmbito financeiro. A escola tentou sim negociar com empresas, até porque não é segredo para ninguém que o Vai-Vai após dois acessos saiu dessa fase da sua história com bastantes problemas estruturais, financeiros e vem se restabelecendo. Eu acho que é muito tranquilo falar sobre isso. A gente tentou até enredos patrocinados, mas não deram certo, essa homenagem ao Zé Celso será um presente”

O insano Zé Celso com o insano Vai-Vai

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O artista é marcado por seu estilo ousado de ser. O Vai-Vai, especialmente com Sidnei França, não tem medo de colocar a alma do que irá falar dentro da pista, vide o tema do hip-hop. O ‘insano ritual Vai-Vai’ irá se fazer presente, de acordo com o carnavalesco. “No início do nosso desfile, da nossa narrativa, a proposta é do Vai-Vai devorar o Zé Celso. Uma vez devorando as suas vísceras, a sua intelectualidade, a sua arte, a sua inteligência, a sua genialidade, o Vai-Vai ganha força e potência para poder a partir dessa deglutição, contar tantas histórias incríveis desse homem. O enredo começa com um grande banquete cultural e profano. Cultural no sentido de devorar a arte e a cultura de Zé Celso, e profano porque o Zé Celso sempre falou: ‘Eu sou o Exú das artes e eu quando morrer eu quero ser comido, devorado’. O que o Vai-Vai está fazendo é atender ao pedido de um artista que ela própria homenageia. A partir daí, essa devoração do Zé nos dá força, condição e estofo intelectual para ter a autoridade de contar suas obras”, abordou.

Teatro Oficina, lar importante de Zé Celso

O Teatro Oficina, fundado pelo homenageado, é um dos grandes palcos de arte espalhadas pelo Brasil, inclusive reconhecido mundialmente por sua bela e diferente arquitetura. Sidnei contou que o Vai-Vai irá realizar uma homenagem forte ao tão importante local, que obviamente fica na Bela Vista. “O que o desfile pretende, para além de homenagear o Zé Celso, é justamente isso: Ampliar, colocar uma lupa sobre o Teatro Oficina para que as pessoas entendam o que aquele local representou e ainda tem muito a representar, porque o legado do Zé não se foi com ele. Foi deixado um legado que está sendo cultivado por quem ficou naquele local. Nós convidamos o Oficina para o desfile. Nesse desfile nós vamos ter num carro alegórico, por exemplo, o Marcelo Drummond que é viúvo do Zé Celso, Renato Borghi e o Amir Haddad. A escola já convidou todo o Teatro, eles já aceitaram e nós estamos definindo figurino para que seja algo grandioso. Desde o primeiro momento eles nos apoiam com pesquisas, informações iconográficas, biográficas, bibliográficas, fonográficas, muito áudio do Zé Celso. A gente chegou através do próprio Teatro Oficina que tem um acervo gigantesco onde eles guardam todo o acervo de guarda-roupas de todas as peças e eles abriram esse espaço a nós para que a gente pudesse pesquisar e entender essa história. O Teatro Oficina está estritamente dentro desse projeto e totalmente integrado com o Vai-Vai”, contou.

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Pesquisa de enredo

Qualquer enredo deve ter uma pesquisa bastante profunda e contar com pessoas de confiança para isso. França contou como foi feito e deu os créditos às pessoas e departamentos que participaram. “Quando veio a definição minha com a diretoria da escola pelo tema do Zé Celso, eu acho que a gente precisa sempre se amparar em pessoas que sabem mais que nós em determinados aspecto, principalmente quando você quer excelência. Eu não sou ator, não sou teatrólogo, ator, diretor… Hoje eu tenho o Kleber di Lazzare, que é um professor de teatro, é um autor e diretor teatral também, faz montagens teatrais, eu tenho a Tati Gregório, que ela é do próprio Vai-Vai e me auxilia com pesquisas desde o hip-hop, e tem o Bessem. Ele é um rapaz também muito ligado com a cena do teatro, principalmente teatro negro. Ele sabe o que é discursar sobre preconceito e opressão na classe teatral. O Vai-Vai também tem o próprio departamento de comunicação, que lá atrás produziu textos para lançar esse enredo, que são flashes de textos que foram parar na sinopse, tem o departamento cultural que é muito atuante, é muito presente. É um grande coletivo interno para poder levar esse enredo para a avenida, como ele deve ser conduzido”, declarou.

Estética do desfile

Sidnei apresentou uma estética totalmente diferente no desfile do hip-hop em 2024. Era um desejo e algo correto, pois naquela oportunidade havia muito grafite e pichação. Agora, o artista promete se adequar ao estilo de Zé Celso: Uma estética teatral em suas fantasias. “As pessoas que assistirem o desfile do Vai-Vai, primeiro que podem esperar uma escola muito teatral, no termo mais amplo da palavra. Muita maquiagem, muita indumentária com características mais de teatro do que de carnaval. Nós não vamos ter, por exemplo, leques de pluma, porque não é um enredo onde você resvala no luxo pelo luxo do carnaval. É um enredo que caminha pela teatralidade. Nós pesquisamos toda a obra do Zé Celso para decodificar na linguagem carnavalesca cada obra em cada período da sua vida. Teve a fase mais politizada, teve a fase mais sensualista, teve a fase mais feminina. Tem alas que vão apresentando, então a visualidade das fantasias atendem à proposta cênica da peça de teatro a qual ela se refere. Por exemplo, nós temos uma ala que se chama As Bacantes, que é uma das peças mais famosas do Teatro Oficina. Bacante vem de bacanal, são mulheres seminuas que estavam no cortejo de Deus Baco, Deus do vinho, da galhofa, da gargalhada, da orgia. É uma ala, no desfile do Vai-Vai que ela traz essa linguagem feminina, o seio. Mostra a ligação com o Baco, com a uva, as parreiras, o vinho. É um desfile que apela para uma cena teatral nos seus mínimos detalhes, pela maquiagem, pela indumentária, pelos adereços de mão. As alegorias idem. Todas elas têm uma recorrência, todos os quatro carros têm a intenção de reproduzir momentos do teatro oficina. É tudo muito teatral. Portanto, a estética do Vai-Vai é essencialmente uma pensada para contemplar uma expectativa teatral”, comentou.

Ponto alto no Anhembi

Perguntado sobre o que, na opinião dele, mais vai impactar no desfile, o carnavalesco falou de alguns momentos. “Acho que vai ter alguns pontos altos. A comissão de frente promete muito, porque ela já vem com uma força cênica muito potente, o que ela representa já traz uma chave que entrega para todo o restante do desfile uma força e uma dramaticidade muito acentuadas. O abre-alas é um momento muito bacana, muito forte. E o último carro também. Tem alguns momentos bacanas de chão também, onde a bateria vai ser um momento interessante. Não tem problema falar porque já foi publicado: Eles vem de ‘Exus das artes’, como o Zé Celso se auto anunciava. E pensar que o Vai-Vai é uma escola da rua, de uma encruzilhada da Bela Vista e de Exú, a sua bateria, o seu contingente rítmico vem para louvar um outro Exú. Também o dia deve estar amanhecendo. Acho que vai uma ser magia no ar muito forte”, contou.

Setores

“Não vai ser um desfile marcado por setorização. A gente vai discorrendo. Cada carro ele vai impulsionando essa história para outro momento do desfile, porque setor parece que assim olha agora vamos como o ano passado que era muito marcado em setor esse é o setor do rap, esse é do grafite, e tudo é hip hop. Dessa vez não, é uma narrativa que ela vai se entrecruzando. Aliás, como estrutura, alguém do Vai Vai estava me falando que parece muito com o Elis, que também era um desfile que era muito marcado por fases. da Elis no decorrer da sua vida artística então mais uma vez o Vai Vai vem com essa verve artística e muito aflorada numa linguagem de desconstrução desse formato que o carnaval foi meio que testando e estabelecendo”, finalizou.

Ficha técnica
Quatro alegorias
Elemento alegórico (comissão de frente)
Dois tripés
26 alas
Diretor de ateliê: Marcão
Diretor de barracão: Renato

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