A Acadêmicos do Tatuapé é uma das escolas mais competentes do carnaval paulistano. Ao analisar a tabela da última década, a escola deixou de figurar no Desfile das Campeãs em apenas duas ocasiões. Bicampeã, a agremiação também acumula dois vice-campeonatos. Todos os integrantes estão bastante animados com a crescente evolução que a Tatuapé vem apresentando desde 2023. O ano de 2022 foi marcado por problemas no abre-alas, o que resultou na perda de pontos na apuração e em um quase rebaixamento. Desde então, a escola conquistou o quarto lugar em 2023, a terceira colocação em 2024 e o vice-campeonato em 2025. Seguindo essa lógica de ascensão em busca da taça, 2026 desponta como um ano de briga direta pelo título. E quesitos não faltam na Rua Melo Peixoto. Para isso, a escola aposta em um enredo de reforma agrária, que luta pelas terras, fazendo o uso correto delas para o bem da agricultura.
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Dentro do barracão, a escola está produzindo um carnaval com alto investimento, com alegorias grandiosas, belo acabamento e uma mudança estética relevante em relação aos desfiles anteriores. Quem afirma isso é o próprio artista Wagner Santos, que abriu as portas do barracão para o CARNAVALESCO e falou sobre o projeto para o próximo desfile.
Com o enredo “Plantar para Colher e Alimentar – Tem Muita Terra Sem Gente, Tem Muita Gente Sem Terra”, a Tatuapé será a quarta agremiação a desfilar na sexta-feira.
Chegada do tema
O carnavalesco contou como o tema chegou à escola e falou sobre a importância do enredo que a Tatuapé levará para a avenida.

“O enredo chegou por meio da nossa diretoria. Foi uma escolha entre alguns temas que já haviam sido apresentados, mas é um enredo de que eu gostei muito. Gostei porque ele traz um olhar importante sobre a terra, o cuidado que precisamos ter com ela, já que é o nosso alimento. Por isso, devemos preservá-la e cuidar dela da melhor maneira possível, pois precisamos retribuir tudo o que ela nos oferece. Só estamos vivos porque temos a terra e as águas. Se não aprendermos a preservar a natureza, o meio ambiente e as plantações, com certeza não teremos futuras gerações saudáveis, com qualidade de vida suficiente para sobreviver neste mundo. Portanto, é importante que as pessoas enxerguem esse enredo por esse lado. Além de abordar a questão da reforma agrária, defendendo uma reforma justa no nosso país, o enredo também ajuda as pessoas a entenderem os cuidados necessários com a preservação e a manutenção da terra, os limites do que podemos explorar e o que podemos depositar nela. A Terra é um ser vivo, e tudo o que exploramos nela a enfraquece cada vez mais. O petróleo, por exemplo, é como se fosse o sangue de um ser humano. A Terra é um organismo vivo”, explicou.
Virada de chave no enredo
Wagner disse que, de início, houve certa resistência da comunidade com o tema, mas que, com o passar do tempo, ele foi abraçado, após ter sido dissecado para todos.

“No começo, algumas pessoas criticaram o enredo, inclusive membros da própria comunidade. Isso foi o que chegou até mim. No entanto, essas mesmas pessoas hoje já voltaram para a escola, você tem ideia? É sempre difícil apresentar um enredo para a comunidade, porque há quem concorde e quem não concorde. Ficamos sempre naquela situação entre a cruz e a espada, tentando decidir o melhor caminho, pois nunca conseguimos agradar gregos e troianos. Mas este ano não foi diferente, e estamos conseguindo avançar com luta e trabalho. Estamos preparando um grande carnaval. O investimento que a escola está fazendo é significativo, buscando apresentar um excelente trabalho para a comunidade e para o público que vai assistir”, comentou.
Ponto alto do desfile

Questionado sobre um clímax do desfile, Wagner não titubeou em falar da abertura. A comissão de frente e o abre-alas irão gerar um impacto positivo, de acordo com o artista. “Um ponto alto do desfile, eu acredito que vai ser o abre-alas. Vai ser um carro impactante. Junto com a comissão de frente, vai ser um impacto visual muito legal. O elemento alegórico da comissão de frente casando com o primeiro carro, acredito que será de ótimo valor para o nosso desfile”, disse.
Alegorias e fantasias de alto nível

Em 2025, a escola mudou o formato de sua estética de maneira significativa. Foram carros grandiosos e esculturas com mais detalhes, além de um enredo diferente. De acordo com o artista, esse tipo de trabalho voltará à tona. “Vai se repetir, porque eu tenho um presidente que ama o carnaval. Ele gosta de um carnaval grande. O presidente Erivelto trabalha muito dentro do barracão e junto com a gente, e sempre pede que os carros sejam grandiosos. Por isso, as alegorias vão vir muito volumosas e imponentes. Acredito que a proposta visual será muito bacana, algo que eu, particularmente, nunca fiz antes. É um tipo de trabalho e uma linha estética nova para mim”, contou.
Briga pelo título

Após o incidente com a alegoria no ano de 2022, a escola escalou na tabela nos anos seguintes. Em 2023, conquistou a quarta colocação; em 2024, ficou na terceira colocação; e, em 2025, foi vice-campeã. Para os mais supersticiosos, seguindo a lógica, a Tatuapé será campeã de acordo com essa escalada. Wagner comentou sobre a briga pelo título. “Claro que a gente almeja o título. Estaríamos mentindo se disséssemos que não, porque não haveria motivo para disputar. Todo mundo que está competindo quer ser campeão do carnaval, e conosco não é diferente. Temos, sim, o objetivo de conquistar o título e estamos trabalhando para isso. A comunidade está engajada, cantando muito, e as festas têm sido bonitas. Acredito que teremos um grande carnaval. Vamos ver como será essa nova relação com as mudanças no regulamento e como a cabeça dos jurados vai se comportar, como cada um vai interpretar essa nova forma de julgamento”, finalizou.
Setor 1
“O sopro de Tupã: a origem de toda a vida concebeu a agricultura para os povos originários, filhos desse chão”
Setor 2
“O invasor português chegou à ganância e imperou, tornando a terra onde a dor se instalou. Novos plantios brotaram pelas mãos de quem aqui aportou, mas foi da cobiça do invasor que floresceu a luta do povo, em rebeldia e resistência”

Setor 3
“O terceiro setor é a lição camponesa. A lição camponesa para a humanidade. A agroecologia, área de reforma agrária popular. Quando a natureza vira aliada da agricultura. O sonho que brota da terra se torna possível. E a recompensa é a festa da agricultura”
Ficha técnica
Quatro alegorias
2.600 componentes
Um elemento alegórico (comissão de frente)
Diretor de barracão – presidente Toninho










