Segunda escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Colorado do Brás apresentará o enredo “A Bruxa está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, assinado pelo carnavalesco David Eslavick. Após o décimo lugar na elite da folia paulistana em 2025, ano em que retornou ao pelotão de elite da cidade, a agremiação do Centro da capital conta com a força de um enredo elogiado para alçar voos ainda mais altos na temporada vigente.

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Foto: Divulgação

Para saber mais sobre o que a Colorado do Brás trará para o Anhembi em 2026, o CARNAVALESCO entrevistou o carnavalesco da agremiação para trazer mais informações a respeito da apresentação da vermelho e branco do Centro de São Paulo.

Experiência que foi semente

Ao ser perguntado sobre o que o motivou a tratar de temática tão diferente no Carnaval, Eslavick foi bastante franco – e aproveitou para destacar que uma antiga ocupação lhe deu uma fagulha: “A ideia do enredo, sendo bem sincero, eu não vou saber te explicar. Foi uma coisa que batia na minha cabeça, ficava suando na minha mente logo que eu estava fazendo o desfile do ano passado. Eu já trabalhei com eventos de terror no Hopi Hari e no Playcenter, e esse mundo de magia e encantamento é uma coisa que eu gosto muito, eu gosto do lúdico. A história por si só é linda, é uma história que teve suas ocorrências, uma história de perseguições. Mas, se aprofundando na temática, é um enredo rico e lindo de se falar. Essas mulheres precisavam que a Colorado retratasse elas novamente. Foi uma coisa meio surreal: toda vez em que eu começava a pensar, vinham elas na minha cabeça. Parecia que elas estavam mexendo comigo. Nisso veio essa ideia de falar delas. Por que não falar? É um mundo que eu gosto, que eu tenho conhecimento… logo, eu vou falar. E assim foi e saiu – está saindo, na verdade”, revelou.

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Foto: Divulgação

Pesquisa global

Para tratar do tema em um desfile, Eslavick destacou que, além dos óbvios meios de busca de informações e histórias, também utilizou a intuição: “Dificuldade para pesquisar sobre esse enredo eu não tive nenhuma! Eu me senti em casa para fazê-la, inclusive. Lógico, com muito estudo, muita pesquisa, muito livro, muito documentário e muita coisa da minha cabeça – muita coisa eu faço, vejo e bate. É meio louco isso, mas eu também funciono dessa maneira. Eu fui desenvolvendo junto com o Thiago Morganti, que é o meu enredista. A gente ficou nessa conversa, eu mandava minhas coisas para ele, ele mandava para mim e a gente foi trocando uma ideia bem legal. A partir daí foi surgindo toda a história, começo, meio e fim. Foi bem bacana esse processo, que culminou no samba-enredo da Colorado do Brás de 2026”, comentou.

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Foto: Divulgação

Se, à priori, ele tinha comentado que dificuldades não faziam parte da pesquisa do enredo, pouco depois ele comentou quais pontos para a produção do desfile foram mais surpreendentes: “Tinham muitos lugares que eu não sabia que tiveram essas ocorrências de caça às bruxas – na Oceania, na Índia e no Egito, por exemplo. Confesso quem achei que fossem só as bruxas de Salem. Eu até retrato esses lugares no enredo. Eu não conhecia muito, e também não sabia que a bruxa tinha inventado a cerveja. Essas pesquisas todas vão trazendo muita coisa, vão agregando muita coisa. Trabalhando no enredo, a gente foi pensando no que achávamos legal para colocar. A gente foi criando essa história todinha, retratando tudo que essas mulheres fizeram e o que elas retratam hoje. Elas trouxeram muitos benefícios, como a farmacologia. Poucos sabem, mas essa e outras tantas situações e áreas do conhecimento foram as bruxas que fizeram e trouxeram lá atrás, com um resultado que nem todo mundo sabe hoje em dia”, afirmou.

Sequência cronológica

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Foto: Divulgação

Para desenvolver o desfile, o carnavalesco preferiu dividir a agremiação em grupos com representações semelhantes em cada um deles: “A gente dividiu em quatro setores, por assim dizer – a divisão de quase todas as escolas será de quatro setores, pelo que sei. A gente abre com o olhar das bruxas visto pela igreja, que é a parte da demonização. Aí, a gente passa justamente por esses setores, que eu te falei, desse conhecimento histórico e de outros lugares que tiveram pontos de demonização. A gente vem contando lugares que as pessoas não conheciam e que existiam bruxas e o que elas fizeram lá. Depois, passamos pelo setor de filmes, de desenhos animados, de teatro e musicais; até chegar no hoje, na mulher, com o empoderamento feminino. Na verdade, esse último setor são as conquistas, são os feitos das bruxas. Essa é a finalização do enredo, são esses quatro setores em que a gente dividiu a história”, afirmou.

Cabeça dark

Ao longo do minidesfile e dos ensaios técnicos, a Colorado do Brás chamou atenção com os primeiros setores inteiros trabalhados em cores escuras. Eslavick comentou que tudo isso estará, também, no desfile oficial – mas a agremiação irá muito além disso: “Geralmente, quando você fala de bruxa, você vê umas cores mais escuras. Eu tenho esse setor, realmente, mas a escola, no geral, vem bem colorida. Tem setores bem diversos, bem coloridos. Mas a parte da frente é uma parte mais trabalhada com preto e roxo, de fato… essas cores um pouco mais frias. Agora, lá para trás, é tudo bem colorido. Em relação a material, os meus dois primeiros carros são cenários. Não é que é galão, não é que é espelho, é bem mais que isso: é juta, são estopas, é algodãozinho cru, entre outros tipos de materiais mais alternativos”, comentou.

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Ao ser perguntado sobre o que acredita que será o ponto alto da passagem da Colorado do Brás no desfile oficial em 2026, o carnavalesco voltou a citar os primeiros segmentos da agremiação: “Todo o contexto é bem interessante, mas eu acho que o meu primeiro setor, a parte da demonização, é bem legal. Vai ter muita coisa bacana! Não que não tenha lá atrás, vai ter sim: eu dividi muito bem isso, eu gosto de pontuar em cada setor alguma coisa para que eu não possa passar despercebido. Todos os meus setores têm alguns pontos bem bacanas e interessantes de ser visto, mas eu acho que a minha abertura é bem legal, vai ser bem impactante. Por eu abrir o carnaval com uma visão e manipulação das bruxas pela igreja, eles achavam que elas tinham pacto com o demônio. A gente abre essa parte do enredo com essa dramatização, com o grande Sabá que é a minha comissão de frente. E, com essa parte da demonização e a sentença, vem o abre-alas – mas não é nada pesado, é interessante de se ver: é o que aconteceu realmente. Eu não posso falar muita coisa, mas é bem bacana”, observou.

Lembranças e recados

Ao olhar para alguns meses atrás, Eslavick relembrou que o primeiro contato de muitos na escola com a temática foi pouco convidativo: “De início, assim que eu trouxe a ideia, eles ficaram meio receosos. Eles acharam que ia cair em algo mais irreverente e engraçado. Não é que o enredo não traga isso, até traz, mas, depois, eu fui mostrando um pouco mais, explicando que seria algo totalmente voltado para a história, para referências históricas. Vai ser uma surpresa para as pessoas, elas vão estar esperando algo que eu não vou apresentar, que não é o óbvio. É um enredo bem histórico. Depois de ter feito tudo isso, de ter conseguido convencer o meu presidente, eles compraram a ideia e foi super bacana”, comemorou.

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E, pensando em quem estará assistindo ao desfile da Colorado do Brás, o carnavalesco deixou um recado: “Vão para assistir a Colorado, porque vocês não vão se arrepender. A escola está bem bacana, diferente de tudo que vocês tenham visto da escola. Não vou fazer comparativo com outras escolas, mas a gente está bem legal e diferente. Vamos trazer novidades, vamos trazer os carros bem mais dinâmicos e mais teatralizados. Vai ser bem bacana, o Anhembi vai ser um espetáculo legal para você sentar na arquibancada ou na sua sala e assistir a Colorado”, finalizou.

Ficha técnica

Alegorias: 04

Alas: 17

Componentes: 1800

Diretor de barracão: Rodrigo Vilaverde