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Série ‘Barracões’: Em casa, Edson Pereira quer deixar recado para o mundo do samba com desfile da Unidos de Padre Miguel

Com carnaval emocionante, Boi Vermelho de Padre Miguel quer conquistar o tão sonhado acesso ao Grupo Especial

Cinco anos depois de encantar a Marquês de Sapucaí em um desfile sobre o orixá Ossain, o carnavalesco Edson Pereira retornou à Unidos de Padre Miguel. Para o carnaval de 2022, o Boi vermelho quer fazer um novo xirê na avenida, em homenagem a Iroko, a árvore-orixá. Com a promessa de um desfile carregado de emoção, a UPM quer mostrar sua grandeza para o mundo do samba, como revelou Edson, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

“A mensagem que eu quero passar com esse enredo, é que a Unidos de Padre Miguel é uma escola que, de fato, é uma escola de samba. Ao meu ponto de vista, é uma escola que me ensinou tudo que eu sei. Falar da Unidos e deixar uma mensagem, eu deixaria especificamente para o mundo do samba, que olhe para Unidos de Padre Miguel como a grande escola que ela é e a respeite como tal porque é esse lugar que ela merece”, afirmou.

Retorno à Unidos de Padre Miguel e resgate das características plásticas

Nos últimos anos, em que a Unidos se consolidou como uma das principais escolas do Grupo de Acesso do Rio de Janeiro, a escola da Zona Oeste sempre apresentou carnavais grandiosos, com muito volume, características essas que são compartilhadas com o carnavalesco Edson Pereira. Depois de quatro carnavais afastado da escola que o projetou, Edson retorna ao Boi Vermelho, do qual se diz torcedor, para resgatar as características de carnaval da escola.

“Na verdade, não é uma volta, eu nunca saí da Unidos de Padre Miguel. A UPM, pra mim, é uma comunidade na qual eu nasci, cresci como profissional e respeito muito. A Unidos sempre esteve dentro de mim e estou voltando para fazer este trabalho, esse ano, porque acredito que o grupo da Série Ouro se fortaleceu e eu não podia deixar minha escola de coração sem ter uma representação forte nesse carnaval. A gente discutiu, conversamos muito sobre isso e queríamos fazer um carnaval forte e, por isso, estou aqui presente para dar apoio máximo para Unidos de Padre Miguel poder conquistar o título tão sonhado”, disse.

“Eu aprendi a fazer carnaval na Unidos de Padre Miguel, agradeço muito a escola por ter me dado a oportunidade de crescer como profissional e essas características que hoje são da UPM, também são de propriedade minha, eu me apropriei disso e a Unidos também se apropriou. Hoje, a gente se vê como uma coisa só. A gente pode esperar, sim, que a Unidos de Padre Miguel vai vir grandiosa, fazendo a diferença, mais uma vez, no grupo de acesso e lutando por uma vaga no Grupo Especial”, completou.

Ideia do enredo

Justamente pensando no último carnaval da parceria Edson Pereira-Unidos de Padre Miguel, o sucesso com “Ossain-o poder da cura”, o carnavalesco e a comunidade da escola pensaram em um enredo com a mesma pegada, para tentar repetir o sucesso de 2017. Para manter a linha do enredo, Edson aposta na homenagem a outro orixá, Iroko, pouco difundido no Brasil. Em exaltação à árvore-orixá, o Boi Vermelho promete fazer um xirê, festa em culto aos orixás, na avenida.

“O enredo é autoral. O último carnaval que eu fiz na Unidos de Padre Miguel, que foi Ossain, marcou muito e a comunidade tinha muito desejo de fazer um carnaval com essa mesma pegada, essa mesma perspectiva de afro. Para não fazer algo como Ossain, a gente preferiu fazer Iroko, um orixá pouco difundido no Brasil, com uma característica muito própria que, cada terreiro de cultura afro no Brasil, tem uma árvore de Iroko plantada, que é um orixá muito respeitado. A gente pretende fazer esse xirê na avenida porque Iroko é detentor do tempo e o tempo é o que a gente mais precisa hoje, aprender a respeitar o tempo. E Iroko vai nos mostrar isso, através desse enredo, que é de uma cultura e importância muito grande e o carnaval, mais uma vez, prova a responsabilidade de como se fazer carnaval de como ensinar fazer carnaval e Iroko e Unidos de Padre Miguel só tem a agradecer por um carnaval de tanta qualidade”, contou Edson.

Emoção como trunfo

Com um enredo aclamado pela comunidade e as características plásticas que casam com a escola, a Unidos de Padre possui um grande trunfo para o carnaval de 2022: a emoção. É o que garante o carnavalesco Edson Pereira.

“O grande trunfo da Unidos de Padre Miguel para o próximo carnaval é a emoção, será um carnaval de muitas emoções, de estar voltando ao grande templo do samba. A prova disso foi o nosso ensaio técnico, com a comunidade muito bem preparada, que está muito aguerrida e com muito desejo de conquistar seu objetivo maior, que é ser campeã do carnaval”, afirmou.

Quanto questionado a respeito do momento mais emocionante do carnaval da Unidos de Padre Miguel para 2022, Edson Pereira afirma não conseguir classificar os momentos de seus desfiles, os quais considera “um filho”. Apesar disso, o carnavalesco promete um desfile marcado por grandes momentos na avenida.

“Se você perguntar isso para um pai ou para uma mãe, você vai estar sacrificando esse pai e essa mãe porque o carnaval é como se fosse o nosso filho, todos os momentos vão ser muito importantes. É só a gente ter o olhar de espectador e de sambista e vamos ver que o carnaval da Unidos de Padre Miguel será um carnaval de grandes momentos, de grande emoção”, disse.

Entenda o desfile:

Para contar o enredo “Iroko-É tempo de Xirê”, a Unidos de Padre Miguel contará com três alegorias, um tripé de pede-passagem e 2200 componentes.

Abertura: “A gente abre o carnaval com um tripé, que é aonde a gente fala do princípio da vida, no olhar místico africano, no qual a galinha cisca a terra e expande o mundo para criar o universo, que é uma mensagem de Oxalá e nosso boi vermelho vai estar inserido em tudo isso”.

Primeiro setor: “A gente já vai falar desse grande momento, que é a criação do mundo. Na primeira alegoria, a gente vai falar que é tempo de xirê e para que existe o xirê e a gente possa falar do nosso culto afro-brasileiro, precisa de Iroko, a árvore sagrada, porque ela é detentora dessa folha, que é única e necessária para qualquer culto africano e o xirê é o ritual onde todos os orixás estão ali, juntos, para fazer desse momento, uma grande festa”.

Segundo setor: “Nós vamos de Iroko propriamente, o tempo, que é o que determina tudo que a gente precisa fazer na nossa vida. A gente precisa acreditar que o tempo é responsável não só por aquele específico momento, mas pela responsabilidade que você tem em todos os momentos, em cada passo da sua vida. É tempo de xirê porque nós vamos mostrar que o culto africano precisa respeitar a natureza para que o tempo nos devolva os nossos grandes e melhores momentos. A segunda alegoria fala sobre isso”.

Terceiro setor: “A terceira alegoria fala sobre o ritual africano, no qual a família ingena, que é detentora do céu e da terra, onde são fincadas as raízes da árvore de Iroko e faz essa ligação do céu e a terra. As raízes estão fincadas na terra, mas os galhos estão apontados para o céu. Essa é a mensagem que a gente vai deixar com Iroko. E o pássaro sagrado,
que seria o Irilé, vai estar no topo do nosso desfile, olhando por nós e por todos que estarão na Marquês de Sapucaí, deixando essa mensagem de paz, liberdade e saúde para todo mundo, que é o que mais almejamos nesse momento”.

A Unidos de Padre Miguel será a quinta escola a desfilar na segunda noite de desfiles da Série Ouro.

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