A Estação Primeira de Mangueira é mais do que uma escola de samba: é território, identidade e pertencimento. Com uma comunidade historicamente fiel, que vive o verde e rosa o ano inteiro, desfilar pela Mangueira representa honra, responsabilidade e continuidade de um legado construído no chão do morro e levado com orgulho para a Avenida. Dentro desse universo, a ala de passistas carrega um papel central: traduzir, no corpo e no samba no pé, a força da comunidade mangueirense.
À frente desse trabalho está Fernanda Oliveira, coordenadora da ala de passistas, que divide a função com Amanda Matos e Ramon Lero, amigos desde a infância e criados na Mangueira. Para ela, a responsabilidade vai muito além do desfile.

“É de muita responsabilidade. Não sou só eu, conto com o apoio da Amanda Matos e do Ramon Lero. Nós crescemos e vivemos na Mangueira. Em 1998, participamos de um concurso para sermos passistas da escola e, depois, fomos contemplados para coordenar a ala. Somos responsáveis pelo recuo da bateria, pela sanfona e pelo andamento. O carnaval, para a gente, não acaba nunca”, afirma.
Fernanda destaca ainda que o trabalho é contínuo e começa assim que o carnaval termina. “Assim que finaliza um carnaval, já estamos pensando no próximo. É ensaio, é cuidado, é manter o pique. A Mangueira é o ano inteiro.”
Essa construção de legado também aparece na trajetória de Gabriel Oliveira, de 27 anos, que desfila há 20 anos na Mangueira e, há três, integra a ala de passistas.

“Comecei como passista mirim, sempre fui da comunidade. Hoje também sou coordenador da Mangueira Mirim na área de fitas. É uma construção de legado de grande importância”, conta.
A emoção de vestir a fantasia e ocupar esse espaço tão simbólico atravessa gerações. Antonella Souza, de apenas 13 anos, desfila há seis anos e já entende o peso desse lugar.

“Eu me sinto muito grata. Sempre foi meu sonho participar da ala de passistas da Mangueira. Passar pela Avenida sendo passista dessa escola tão importante… é difícil conter a emoção. Dá ansiedade, mas é uma sensação muito boa”, relata.
Para Luciana da Silva, de 25 anos, gestora de RH e passista desde 2014, o sonho virou compromisso de vida.
“Sempre foi meu sonho ser passista da Mangueira. Desde 2016 realizo esse sonho todos os anos. É a escola que eu amo e quero viver o resto da minha vida desfilando aqui. Na Avenida, a gente tem que segurar o coração, porque quem é mangueirense sofre. É tão emocionante que a gente não sabe se samba ou se chora”, diz.
Já Luiz Cláudio, de 28 anos, com 15 anos de desfile, resume o sentimento coletivo da ala.

“A responsabilidade é muito grande porque a Mangueira tem uma força enorme. A gente repassa essa força da comunidade através do samba no pé. É uma honra e uma satisfação imensa pertencer a esse legado”, afirma.
Entre ensaios, tradição e emoção, os passistas da Mangueira seguem fazendo da Avenida uma extensão do morro, levando no corpo a história, a resistência e o orgulho de uma das escolas mais emblemáticas do carnaval carioca.









