A primeira escola a desfilar na Série Prata foi a Mocidade Unida do Santa Marta, que abriu a noite na Intendente Magalhães com o enredo “Samba é Minha Cachaça”, desenvolvido pela carnavalesca Carila Matzenbacher. A proposta celebrou a bebida símbolo da brasilidade, unindo duas paixões nacionais — o samba e a cachaça — em um desfile que exaltou a boemia, a alegria e a figura do malandro no bar com o copo cheio. O enredo também marcou o encerramento de uma trilogia apresentada pela escola.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

Na avenida, a agremiação evoluiu de forma lenta, abrindo espaçamentos entre alas e alegorias desde os primeiros módulos. Apesar disso, conseguiu concluir sua apresentação dentro do tempo regulamentar, com 38 minutos e 39 segundos.

COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando do coreógrafo Plínio Costa, a comissão retratou o trabalho nos canaviais e a descoberta da “santa cachaça”. Composta majoritariamente por integrantes negros, a apresentação trouxe sincronismo e energia, transmitindo com clareza a narrativa proposta.

Entretanto, em alguns momentos, elementos do figurino, especialmente os tecidos, comprometeram a execução coreográfica, com adereços caindo em cena e dificultando determinados movimentos. Em contrapartida, a utilização de espadas e a encenação da glorificação da bebida deram força e impacto visual ao conjunto.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Wagner Lobo e Érica Duarte apresentou-se com leveza, entrosamento e boa execução coreográfica. A sintonia e o domínio dos movimentos reforçaram a elegância da dupla, garantindo uma performance segura na defesa do pavilhão.

HARMONIA E EVOLUÇÃO

Visualmente, a escola trouxe alegorias coloridas e bem acabadas, contribuindo para um desfile vibrante. No entanto, a harmonia oscilou em alguns trechos, com perda de energia da comunidade e falhas no canto do samba.

Ao final, mesmo com problemas no sistema de som, a comunidade demonstrou garra ao iniciar o canto e manter a animação. Ainda assim, a evolução foi marcada por andamento desacelerado, o que provocou a abertura de buracos ao longo da apresentação.

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SAMBA

Comandada pelo mestre Caliquinho, a bateria apresentou uma cadência firme, com bossas que empolgaram o público presente. A interpretação de Raí Trovick mostrou-se alinhada ao samba-enredo, fortalecendo a comunicação com a arquibancada e contribuindo para os momentos de maior vibração do desfile.

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ALEGORIAS E FANTASIAS

O conjunto de fantasias apresentou boa harmonia estética e alinhamento com a proposta do enredo. A ala das baianas, com figurinos em tons de verde e marrom, contribuiu para a construção visual do desfile, ampliando a paleta de cores e criando contraste com as passistas, que desfilaram em preto e vermelho. Os tecidos leves e rendados favoreceram a fluidez dos movimentos, potencializando o samba no pé e a energia demonstrada na avenida.

As alegorias também foram um dos pontos altos da apresentação. Com carros de grande porte, bem iluminados e visualmente impactantes, a escola conseguiu elevar o nível do desfile e conquistar elogios do público. Em especial, a terceira alegoria, que representava o trabalho nos canaviais e o processo da cana-de-açúcar, destacou-se pelo realismo e pela carga dramática, contribuindo para momentos de forte emoção ao longo da apresentação.