Por trás de muito samba no pé que encanta multidões pela Avenida, há emoções. Emoções que, além de carregarem o amor e o respeito pela escola do peito, trazem histórias de luta, pertencimento e relembram à ala de passistas da Unidos de Vila Isabel o porquê de fazerem aquilo que mais amam. É em enredos como “Macumbembê, Samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África” que a Azul e Branca de Noel dá espaço para que esses sentimentos transbordem e ganhem ainda mais força na Sapucaí, traduzindo-se em verdadeiros espetáculos que ficam eternizados na memória do público.

Passistas Vila
Fotos: Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

No dia 17 de fevereiro, terça-feira de Carnaval, a Vila Isabel trará a figura do grandioso sambista e pintor carioca Heitor dos Prazeres para mergulhar o coração da escola em um resgate à religiosidade e às raízes ancestrais na África. A letra do samba deixa o recado claro: “Macumba é samba e o samba é macumba, pode até fazer quizumba, mas não pode separar”.

Em conversa com o CARNAVALESCO, no último ensaio técnico da agremiação, o passista Léo Cardoso, de 41 anos, compartilhou o sentimento que o samba deste ano lhe trouxe:

Leo Vila
Fotos: Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

“Esse samba traz um pertencimento para buscar a nossa ligação com a Antiga África. Eu, como pessoa preta, me sinto representado nele.”

A história de Heitor, que construiu sua vida no berço da antiga região da Praça Onze, coincide com a de milhares de jovens negros de morros e periferias que vivem do Carnaval do Rio, como Dandara Barreto, de 19 anos. “Cria” do Morro dos Macacos, ela encontrou paixão no samba ainda na infância, aos 7 anos de idade: passou pelos Herdeiros da Vila, foi musa da comunidade e, hoje, traduz seu encanto pela agremiação na ala de passistas.

Dandara Vila
Fotos: Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

“O que me faz seguir na escola é esse amor todo que eu sempre tive desde pequena. E é um enredo muito lindo, é muito gratificante a Vila Isabel estar trazendo esse tema sobre o Heitor dos Prazeres. É a história de um homem bom e totalmente talentoso”, afirmou.

Assim como o homenageado da noite seguiu os passos do tio Hilário Jovino Ferreira, compositor de referência dos tempos antigos do Carnaval, a jovem Rafaela Xavier, de 23 anos, encontrou sua inspiração dentro da própria árvore genealógica, seguindo os passos da mãe.

Rafaela Vila
Fotos: Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

“É uma coisa ancestral, está no sangue da família. Meu avô foi compositor da escola e minha mãe foi passista da nossa coirmã, a Beija-Flor. Tudo isso me motivou. Ela foi passista por muitos anos, o que me incentivou, ao longo do tempo, a querer isso e a estar na Vila”, comentou.

A coordenadora da ala de passistas, Kelly Simpatia, contou que o samba deu força ao longo dos meses de preparação:

Ala de passistas Vila

“A nossa ala está igual à escola toda, a gente já abraçou o samba. Foi uma coisa muito fácil, veio do coração.”

As expectativas de Kelly para o dia oficial do desfile também estão no topo. A Unidos de Vila Isabel está na busca do seu quarto título no Grupo Especial.

“A gente quer botar o nosso carnaval, tudo o que está acontecendo no barracão, todo o trabalho da harmonia, da diretoria… a gente quer mostrar na avenida”, finalizou.