Por Luiz Gustavo e Juliane Barbosa
O Paraíso do Tuiuti abriu sua temporada de ensaios de rua em 2026 na última segunda-feira, com um grande público presente prestigiando a escola de São Cristóvão, e entregou aos espectadores mais um excelente desempenho de seu belo samba, extremamente contagiante, comandado por um intérprete em estado de graça. Pixulé vive um momento especial na carreira e entrega todo o seu talento, afinação e interpretação à obra, que está na prateleira de cima dos sambas do Grupo Especial para 2026. A parte musical foi o grande destaque de um ensaio redondo, que mostra uma escola encorpada para realizar um belo desfile. Essa missão será posta à prova na terça-feira de carnaval, apresentando o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, de autoria do carnavalesco Jack Vasconcelos.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão, comandada por David Lima, tem mostrado uma coreografia bastante interessante, com muito dinamismo e uma dança constante, com elementos da vertente afro-cubana. A figura central da comissão, representando Changó Lukumi, integrou-se muito bem aos demais membros, formando uma teatralização muito bem executada e com ótima sincronia. Uma comissão vibrante e performática, que cria boas expectativas para a apresentação no desfile oficial.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Vinicius Antunes e Rebeca Tito formam o único casal do Grupo Especial que dançará junto oficialmente pela primeira vez em 2026. Quem assiste ao desempenho de ambos não diz que a parceria é recente, já que, em meses de trabalho, eles alcançaram um ótimo nível de entrosamento e similaridade na dança. Rebeca mostra muita suavidade e graciosidade nos giros, aliando precisão e leveza, além de grande firmeza na condução da bandeira. Vinicius acompanhou bem o ritmo de sua porta-bandeira, mostrando um bailado cortejador, com meneio preciso e um bonito sapateado, sobretudo nos giros em ponto fixo. Uma apresentação de bastante elegância.

EVOLUÇÃO
A escola de São Cristóvão exibiu uma evolução segura em seu ensaio, com um ritmo de avanço constante e componentes evoluindo com firmeza. Faltou soltar um pouco mais as alas para andarem pelas laterais e preencherem melhor os espaços, não apenas no caminhar para a frente, mas, dentro do modelo treinado pela agremiação, uma boa organização se fez presente. A limitação do espaço físico, tomado pelo numeroso público, travou um pouco a passagem da bateria, que seguiu pela rua de forma mais lenta. Com mais espaço na reta final do ensaio, a evolução foi mais solta e vibrante, terminando o treino com muita força.

Leandro Azevedo, diretor de carnaval da Tuiuti, falou sobre o ensaio e a preparação para o desfile. “O primeiro ensaio de 2026, mas voltamos com força total, assim como terminamos 2025. Esse ensaio aqui é muito importante: conseguimos testar a harmonia, ensaiar o andamento, o canto principalmente. A Tuiuti está cantando absurdamente, e depois de cada ensaio a gente fala que esse foi o melhor; aí vem o ensaio seguinte e já mudamos de ideia. A escola está muito madura, a comunidade está feliz. O samba faz diferença. Os críticos do carnaval estão colocando o samba da nossa escola como um dos top 3, isso ajuda muito o trabalho. Não determina, mas ajuda, e o Tuiuti está em estado de graça com ele. Ainda temos dois ensaios técnicos, mas acredito que a escola tem tudo para chegar ao desfile oficial e surpreender. Estamos no caminho certo”, afirmou.
HARMONIA E SAMBA
Um samba de tamanha qualidade como o do Tuiuti merece um canto à altura, e a escola tem entregado isso. Mesmo com alguns termos específicos da cultura afro-cubana e da vertente Lukumi, a melodia é tão agradável e a obra flui tão bem que o canto dos componentes naturalmente se potencializa. A comunidade cantou com entusiasmo na maior parte do ensaio, com exceção das últimas alas, que em alguns momentos arrefeceram o canto, obtendo crescimento novamente na parte final do treino. As alas que vieram antes da bateria sustentaram o samba com bastante força.
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O samba foi executado de forma espetacular por Pixulé e seu carro de som. O intérprete se emocionou na largada do ensaio e teve um desempenho de alto nível do início ao fim, brincando com os componentes, usando e abusando da qualidade melódica, passeando pelas notas e mostrando o momento técnico soberbo que atravessa. A obra não cansa, tanto que, mesmo após a passagem da última ala, o samba seguiu por mais um tempo, levantando o público e os componentes. Ressalta-se o entrosamento sensacional de Pixulé com a bateria, comandada por mestre Marcão, resultando em uma impressionante qualidade musical.
“Olha, nesse final de trabalho não falta lapidar nada. A escola está toda perfeita, cantando, o samba na boca do povo e não tem mais o que lapidar é só eu chegar na avenida e executar. Até rimou, é executar, cantar e lapidar”, comentou o intérprete Pixulé.
OUTROS DESTAQUES
A bateria do Paraíso do Tuiuti tem sido um show à parte nos ensaios da agremiação, com muito swing, ritmo e ousadia. Mestre Marcão é craque e tem explorado todas as soluções que o samba lhe proporciona.

“Energia positiva, eu acho que saímos do veste branco que foi uma coisa bem positiva e no nosso retorno agora mais ainda. Sobre lapidar… Falta ainda alguma coisa. Nunca posso falar que está bom. Nunca pode! Tenho meus 98%, mas preciso dizer a você que é 70% porque às vezes tem alguma coisinha e algumas notinha que falta um toque, porque agora está mais rígido. A gente está tentando, não tentando minimizar mais um pouco, porque a gente já viu como é que é, é muito sacrifício durante meses mesmo. Tu vai de sol, vai de chuva e fala ‘pô pelo amor de Deus me ajuda’. No ensaio de rua dá pra pegar melhor. É muito legal eu tenho que agradecer imensamente minha diretoria e ao presidente que me dá o maior apoio e diz ‘meu irmão, a bateria está na tua mão’, disse mestre Marcão.
À frente da “SuperSom”, Mayara Lima mostrou o brilho que possui como uma das rainhas mais queridas do público que acompanha o carnaval.









