Por Luiz Gustavo e Júnior Azevedo

O Salgueiro realizou, na última quinta-feira, mais um ensaio de rua na preparação para o desfile oficial, que será realizado daqui a cerca de 30 dias, e corroborou suas credenciais mais fortes apresentadas a cada semana. Um casal primoroso, que é segurança de notas altas; uma comunidade evoluindo de forma leve e mais solta; um samba com excelente harmonia musical e bom funcionamento para a escola. A bateria, comandada por Guilherme e Gustavo, vive grande fase e tem potencializado muito o rendimento do samba. Um treino de ótimo nível, que mostra uma agremiação encorpada e com atributos para realizar um belo desfile na Marquês de Sapucaí. A Vermelho e Branco fechará o carnaval do Grupo Especial na terça-feira, apresentando o enredo “A Delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, do bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, homenagem a Rosa Magalhães.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Fotos: Luiz Gustavo e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Sidclei e Marcella são certeza de excelência, elegância e execução impecável, não sendo diferente neste ensaio. O casal se comunica no olhar, e toda a coreografia flui com extrema naturalidade. Marcella executou uma série de giros em progressão, sempre com postura ereta e total controle corporal. O momento da condução por parte de Sidclei foi pequeno, mas executado com muita precisão, além da qualidade demonstrada em seu bailado, ágil e técnico. Os giros em conjunto no refrão principal foram um destaque da apresentação do casal. Apresentação de alto nível, como de praxe.

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EVOLUÇÃO

Uma escola que aproveitou todo o espaço à disposição para brincar, se movimentar com lateralidade, uso de todo o corpo e trocas de posição entre os componentes: uma evolução completa apresentada pelo Salgueiro. Alas que progrediram pela pista de ensaio com total animação, desfilantes pulando, sambando, uma agremiação pulsante e contagiante, sem rigidez de espaço. Como ponto de atenção, houve uma aceleração acima do ritmo do restante da escola por parte das primeiras alas, na altura da segunda cabine de simulação de jurados, situação contornada com a sequência das alas, que voltaram ao andamento impresso pelo Salgueiro. A reta final do ensaio teve uma evolução explosiva, com as alas finais dando um banho de preenchimento de pista.

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Wilsinho Alves, diretor de carnaval da Vermelho e Branco, falou sobre o ensaio e a preparação do Salgueiro em seus quesitos. “A primeira etapa da preparação são os ensaios de canto na quadra, depois viemos pra rua, iniciando a evolução, marcações e tudo mais. Agora, esse último mês é pra soltar o componente, trabalhar essa lateralidade que está no manual do jogador e o Salgueiro utilizou bem, é uma escola muito pulsante. Estamos indo numa crescente, o minidesfile foi uma virada de chave não só pro salgueirense como para o mundo do carnaval, que viu que esse samba tem rendimento na pista. É um samba fácil, que tem dois refrões excepcionais, o da cabeça é uma explosão, um pré-refrão que também arrasa quarteirão e descreve completamente o que a gente vai levar pra pista. O Salgueiro tem uma equipe muito qualificada, a troca é diária, amanhã já teremos uma reunião para falar deste ensaio, hoje a comissão não veio porque está ensaiando em separado, algumas alas coreografadas também, tudo será lapidado até o carnaval, só chegaremos realmente prontos no dia 17 de fevereiro”, afirmou.

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HARMONIA E SAMBA

Difícil apontar algum componente salgueirense que não tenha cantado o samba com potência. Foi um canto em uníssono, como uma orquestra, regida por violinos, como o presente no carro de som da escola. Os dois refrões foram muito bem cantados, principalmente o de cabeça; a primeira parte flui muito bem também. Mas o ápice absoluto é o pré-refrão “mestra, você me fez amar a festa”, que foi entoado com força total em absolutamente todas as passadas do samba, principalmente nos momentos em que a bateria parava e o canto se fazia ainda mais destacado.

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Gerando esse desempenho espetacular da harmonia do Salgueiro, um samba poético, que descreve muito bem o enredo, além de crescer a cada semana em funcionalidade e explosão. O samba caiu na graça dos componentes e teve excelente rendimento, com uma harmonia musical de impressionar por parte do carro de som, comandado por um solto Igor Sorriso, e da bateria Furiosa, dos mestres Guilherme e Gustavo. Toda a roupagem do samba casa perfeitamente com o enredo contado e proporciona uma audição extremamente agradável.

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Os mestres falaram sobre o trabalho da bateria em cima do samba. “Hoje foi disparado o nosso melhor ensaio. A galera está começando a ficar mais firme com as convenções, as bossas, os arranjos, a galera está entendendo melhor a proposta de tudo que estamos fazendo e adaptando para o samba. Semana passada ensaiamos uma bossa pela primeira vez, fizemos um ensaio terça-feira só com a bateria, explicamos bastante e hoje já começou a sair tudo bem mais cravado. Deu um alívio de que está tudo certo. É continuar ensaiando, manter o trabalho, que a turma vai pegando mais precisão e confiança. A gente costuma dizer que o nosso ensaio no setor 11 é a virada de chave, dali pra frente que todos os nossos ensaios ficam com a bateria cravada no andamento perfeito”, declarou Gustavo.

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“Temos ainda alguns ensaios importantes: o do setor 11, dois ensaios técnicos. Temos feito ensaio só de bateria, tem o sábado, tem a feijoada, tem um monte de evento onde a bateria está sempre tocando, mesmo que não seja a bateria inteira. A agenda é pesada, é puxada, mas pelo menos a galera está tocando. Dentro desses ensaios show, a gente continua cobrando a galera, pedindo pra executar da forma certa, prestar atenção na diretoria, no andamento, estamos chegando lá. Eu costumo dizer que o ensaio da Maxwell é um ensaio com obstáculo. Quando a gente chega no nosso campo de jogo, a gente desfila nas medidas certas, consegue arrumar a bateria. Na Maxwell, a gente não consegue arrumar a bateria, pois, conforme vai apertando, o box que a gente faz fica mais apertado do que a própria rua. No fim das contas, isso é bom pra gente, porque no desfile, no ensaio técnico, não teremos esses obstáculos. Então, para chegarmos perfeitos lá, precisaremos desses ensaios”, afirmou Guilherme.

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OUTROS DESTAQUES

No meio de um time pesado de musas, Amanda Omin roubou a cena com muita simpatia, carisma e o samba no pé que marcou o seu período como passista. A ala de passistas do Salgueiro, além do característico samba no pé, não esqueceu de cantar forte durante sua passagem pela rua.

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