O Vai-Vai levou à avenida um desfile de forte impacto simbólico, unindo história, trabalho e representatividade feminina no Carnaval 2026.
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No Carnaval 2026, o Vai-Vai apresentou o enredo “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, construindo uma narrativa que exaltou o trabalhador, a formação de São Bernardo do Campo, as greves operárias e a força coletiva responsável por erguer a cidade e moldar sua identidade. À frente da bateria “Pegada de Macaco”, a madrinha Rosiane Pinheiro e a rainha Madu deram corpo, voz e emoção a esse discurso, transformando a avenida em espaço de memória, resistência e pertencimento.
TRAJETÓRIA, MATURIDADE E REPRESENTATIVIDADE NA FRENTE DA BATERIA
Madrinha da bateria “Pegada de Macaco”, Rosiane Pinheiro falou sobre o significado pessoal e simbólico de ocupar esse posto no Vai-Vai.

“Para mim, este evento representou um marco significativo. Originária do Rio de Janeiro, mas criada em Salvador dos dois aos quarenta e sete anos, e agora residente em São Paulo, o Vai-Vai significou muito. Os dois primeiros anos foram como uma transição marcante. Quando o presidente me viu no camarote aqui em São Paulo e me convidou, senti-me extremamente honrada, sendo uma mulher negra com quase cinquenta anos na época, e hoje, com mais de cinquenta, na frente da bateria”, disse Rosiane Pinheiro.
A madrinha destacou o impacto dessa vivência na sua relação consigo mesma e com outras mulheres.
“Com 52 anos, esta oportunidade permitiu que eu demonstrasse o valor das mulheres, independentemente da idade, da forma física ou de qualquer outra característica. Já me viram em diversas formas, com cabelo raspado, enfrentando crises de depressão e ansiedade. Hoje, isso me trouxe amor, realização, paz e união”, disse a madrinha.
VAI-VAI COMO FAMÍLIA E ESPAÇO DE ACOLHIMENTO
Rosiane Pinheiro definiu o Vai-Vai como um ambiente de convivência, aprendizado e afeto, marcado por conflitos naturais e reconciliações.

“O Vai-Vai foi como uma família, onde nos apoiamos mutuamente, nos aproximamos e, às vezes, tivemos desentendimentos, mas sempre houve reconciliação. Sem conflito não existe união verdadeira. Aqui, tudo sempre se resolveu. Este foi meu terceiro ano na frente da bateria como madrinha. Prefiro ser chamada de ‘Dinda’ ou ‘Madrinha’”, disse Rosiane Pinheiro.
Ao avaliar sua passagem pela avenida neste desfile, a madrinha ressaltou a evolução pessoal ao longo dos anos.
“Este ano foi o melhor que vivi. Nos anos anteriores, cobrei-me muito em relação ao samba e à forma física. Trabalhei intensamente nesses três anos. Passei por aqui hoje sabendo que a comunidade me abraçou, primeiro como musa de destaque e depois como madrinha, e isso me fez sentir muito valorizada. Retornar à frente de uma escola como o Vai-Vai foi uma honra. Acreditei e acredito que conquistaremos mais um título”, disse a madrinha.
‘O SONHO DO OPERÁRIO’ COMO IMAGEM E DISCURSO
A fantasia de Rosiane Pinheiro dialogou diretamente com o enredo apresentado pela escola.
“A fantasia representou ‘O Sonho do Operário’. Os parafusos, as chaves de fenda, as correntes e todo o maquinário da fábrica de carros simbolizaram o sonho de cada trabalhador. Todo sonho teve valor. Viajar, comprar uma casa, estudar, cuidar de si. O sonho do operário representou dignidade, respeito, uma boa condição de vida, um lar confortável, uma família, um salário justo e reconhecimento no trabalho e em casa”, disse Rosiane Pinheiro.
EMOÇÃO E PERTENCIMENTO NA COROA DA “PEGADA DE MACACO”

Rainha da bateria “Pegada de Macaco”, Madu falou sobre a intensidade emocional vivida durante o desfile.
“Ainda estive tomada pela emoção. Foi uma experiência carregada de sentimentos. Vi muitos colegas da escola na plateia e, em diversos momentos, precisei me conter para não chorar. Isso mostrou a força e a união da nossa escola. Independentemente de estarmos na escola ou na avenida, somos um grupo forte e coeso. É sentir que aquele é o seu lugar, a sua base, onde você cresceu”, disse a rainha.
Ao comentar a passagem pela avenida, Madu destacou a fluidez do desfile e a troca com o público.
“Senti muita emoção quando tudo fluiu bem. Tudo correu perfeitamente, e o olhar e a energia das pessoas me deixaram muito satisfeita com o que apresentamos”, disse Madu.
FANTASIA, OPERÁRIOS E IDENTIDADE COLETIVA
A rainha explicou o conceito da fantasia e sua relação direta com o enredo do Vai-Vai.
“Minha fantasia representou os operários. A bateria também simbolizou os operários, e eu, como figura feminina, representei esse grupo. O enredo abordou a luta dos trabalhadores de São Bernardo do Campo, as greves e toda a contribuição que eles deram para a construção da cidade”, disse Madu.
Com Rosiane Pinheiro e Madu à frente da bateria “Furiosa”, o Vai-Vai transformou o enredo em um desfile de forte carga simbólica, onde memória operária, identidade popular e representatividade feminina caminharam juntas, reafirmando a avenida como espaço de luta, sonho e pertencimento.








