O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

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Foto: Gabriel Radicetti / CARNAVALESCO

Plínio Santos, carnavalesco da Acadêmicos da Rocinha, da Série Prata, detalhou a criação do enredo da escola, que mistura elementos factuais e místicos.

“A Rocinha traz para o Carnaval 2026 um resgate da nossa ancestralidade no que diz respeito aos saberes de terreiro, às nossas raízes de matriz africana. Para isso, criamos um itan. Dentro da Rocinha, existia uma figueira e uma casinha de Exu que foram destruídas por presidentes passados sem pedir permissão, sem fazer oferendas, sem nada. Depois disso, a Rocinha começou a escurecer os seus caminhos, seus carnavais, e chegou a estar na Intendente Magalhães, como está hoje. A gente propõe, portanto, esse resgate, cultuando os orixás, agradando o nosso padroeiro e fazendo as oferendas necessárias para que os caminhos sejam abertos para a Rocinha”, explicou Plínio Santos.

Ele contou que a ideia inicial do enredo partiu do diretor de carnaval e cria da comunidade, Rafael Gonçalves, sendo depois desenvolvida pelo enredista Giovanni Ferreira e por toda a equipe de criação.

“Cada detalhezinho, cada coisa que nós estamos criando, nós pensamos na nossa comunidade. A gente, por exemplo, faz uma homenagem aos três blocos fundadores da escola. Quem descer o morro para vestir uma fantasia vai se identificar com todos os resgates que a gente está fazendo, tanto do morro quanto da própria escola”, revelou o carnavalesco.

Nesse sentido, Santos destacou que o apoio da comunidade é essencial para viabilizar um carnaval na Intendente Magalhães, onde as dificuldades financeiras são notórias.

“Quando você abraça seus segmentos, quando você deixa eles confortáveis, eles vêm, fazem vaquinha, oferecem mão de obra sem cobrar nada. Na Intendente Magalhães, se você não cativar a sua comunidade para que ela venha para a quadra, não há Carnaval. Para que comprem uma água e, através desses dois reais, você possa comprar um paetê. Para que a presença do público sensibilize os patrocinadores, os pequenos mercadinhos de bairro, sobre o quão importante é investir naquela comunidade. Só a subvenção não dá”, argumentou.

Apesar dos desafios, Plínio Santos prometeu uma Rocinha diferenciada e pronta para buscar o título.

“A escola não está negando nada em termos de material. A Rocinha vem como ninguém vem. Vai ser uma nova Rocinha na Intendente Magalhães”, finalizou.