Locutor oficial da LigaRJ na Sapucaí, Robson Santos descreve a experiência de apresentar desfiles e apurações como uma mistura de nervosismo, respeito e controle técnico. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele falou sobre a influência de Perlingeiro em sua postura profissional, as diferenças de tom entre a Sapucaí e a Intendente Magalhães, os cuidados com a voz durante o Carnaval e o sonho de anunciar a volta de sua escola ao Grupo Especial.

Robson lembra que a primeira vez na cabine foi marcada por ansiedade, mas que a repetição trouxe calma e domínio ao longo dos anos.
“Quando eu fui sentar ali a primeira vez, eu fiquei muito nervoso, muito ansioso. Mas agora, né? A gente já tem um pouquinho mais de calma, mais de controle”.
Ele ressalta que cada apresentação carrega uma emoção distinta, especialmente quando se trata da Tradição, escola onde começou na locução e da qual é torcedor.
Ao citar Perlingeiro, locutor oficial do Grupo Especial há mais de 40 anos, Robson destaca a segurança e a seriedade do veterano como modelo para sua atuação na Sapucaí.
“Aquela segurança dele, aquela força. Eu assisti muitas apurações quando me convidaram pra fazer a primeira vez. E eu tentei pegar pelo lado sério dele, mais concentrado, né? Porque lá na Intendente Magalhães, onde eu trabalho há mais tempo, vai mais descontraído, a gente tá mais em casa. Aí acaba sendo um pouquinho menos formal. Mas aqui na Sapucaí, eu tento manter a linha do que já é feito há muito tempo pelo nosso Perlingeiro”.
Para Robson, a ênfase correta é ferramenta de envolvimento do público.

“Sim, por exemplo, na apresentação, né? ‘Colorindo a Sapucaí de azul e branco…’. Aí, quando grita o nome da escola: ‘UNIDOS DA PONTE!’, o povo todo vai à loucura. A gente dá aquela ênfase no nome da escola, na cor da escola, no nome do enredo. Aí o povo vai junto com a gente”.
A rotina intensa do Carnaval exige cuidados específicos com a voz. Robson conta que recebe orientações da porta-bandeira do Império Serrano, onde também trabalha como locutor, Maura Luiza, que é fonoaudióloga, e adota medidas práticas: nebulizador nos intervalos, evitar bebidas geladas e reduzir conversas fora do trabalho nos dias de desfile.
“A Maura, minha porta-bandeira do Império Serrano, ela é fonoaudióloga, ela me dá umas dicas. Eu tô sempre aqui com o nebulizador, eu não tomo nada gelado, evito falar no telefone, evito conversar muito pra poder estar com a voz em dia, porque cansa muito. São dois dias na Sapucaí e os outros dias na Intendente Magalhães, mas já emenda pra apuração de uma, apuração de outra. É bem corrido”.
A carreira de Robson teve início na Tradição e ganhou escala com convites para a Liesb e, depois, para a LigaRJ. Ele recordou os primeiros momentos e parcerias que o levaram à Sapucaí e à televisão.
“Nunca pensei (em ser locutor dos desfiles), nunca pensei. Resumidamente, eu era locutor da Tradição, uns 8, 10 anos que eu trabalhei na escola. Saí da escola, teve umas mudanças, eu saí. Falei: vou voltar a desfilar, que eu sempre desfilei em várias. Sandra Vellar criou, junto com amigos, a Liesb e me convidou pra ser locutor. Era um dia só. Eu falei: ‘Ah, não vou, não’ (risos). Falei: ‘Não, não vou’. Ela: ‘Não, vai sim, vou te ensinar, vou te ajudar’. Fui. Depois, no outro ano, já assumi todos os dias de lá (na Intendente). Então eu fui fazendo o trabalho na Intendente Magalhães com eles, até chegar o convite do presidente Wallace Palhares pra assumir aqui o microfone da Lierj… E eu trabalhei junto com ele uns dois anos. E depois a LigaRJ optou por manter somente a mim, me manter somente no cargo. E eu estou aí até hoje fazendo com a LigaRJ”.
“O maior sonho eu já realizei, que é poder trabalhar na Sapucaí. Eu tô há uns 15 anos na Intendente Magalhães, maravilhoso. Comecei no Carnaval na Intendente, desfilando na Intendente. Comecei como locutor trabalhando na Tradição e depois como locutor de liga na Intendente Magalhães. E eu cheguei aqui na Sapucaí, realizei o sonho de estar na TV Globo, estou na série ‘Encantados’. Então, meu sonho como locutor é conduzir minha escola, minha Tradição, de volta pro Grupo Especial. Anunciar, como eu anunciei anos atrás, ela voltando aqui pra Sapucaí. Agora eu quero de novo anunciar mais uma vitória pra ela ir pro Grupo Especial”.
Fora da cabine, Robson mantém duas ocupações que surpreendem quem o vê apenas no Carnaval: é sacristão na Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, e confeiteiro durante a semana, produzindo doces e salgados sob encomenda.
“As pessoas acham curioso o fato de um trabalhador do Carnaval, um locutor, ser sacristão de uma igreja. Eu sou sacristão da Igreja de São Pedro, no Rio Comprido, aos finais de semana. Durante a semana eu trabalho como confeiteiro na minha casa. Faço doces, salgados. Por encomenda, né? Pra vender, pra fornecer pra lojas e vender pra particulares”.










