A Viradouro reviveu um momento histórico e polêmico da carreira de Ciça. Em ‘Sete Pecados Capitais’, de 2001, a bateria “Furacão” se ajoelhou aos pés da rainha Luma de Oliveira, que protagonizou outros momentos icônicos ao lado do mestre em sua passagem pela escola. O desfile resgatou diversos momentos marcantes da vida do Mestre, e o feito foi recriado pela ala coreografada, vestida com fantasia inspirada em looks icônicos da musa.

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Mariana Vidal
Mariana Vidal. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O grupo de mulheres poderosas pode ser visto de longe. Cabelos longos padronizados para todas, unidos acima, na cabeça da fantasia. Costeiro vermelho, e muito ouro no biquíni que imita o modelo que foi usado por Luma diversas vezes à frente da bateria de Mestre Ciça. 

E em referência a outro momento histórico do Carnaval, a icônica coleira de Luma, agora, com o nome de Ciça. As componentes relatam o sonho de se verem como musas.

“É a realização de um sonho, porque querendo ou não, a gente não vem como destaque de Musa, mas só mais uma ala de Musa. E a Luma de Oliveira é um grande nome, uma grande representação de rainha”, disse Mariana Vidal.

Maria Claudia Ala Luma Viradouro
Maria Claudia. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O momento também foi de ressignificação. No auge dos anos 1990, Luma de Oliveira era referência de beleza: modelo, magra, pele branca e longos cabelos ondulados. Na Viradouro de 2026, as musas representam a diversidade da comunidade niteroiense e se revelam como grande trunfo da proposta.

“A ala Pecado Capital homenageia a Luma de Oliveira, uma mulher que foi modelo, uma mulher de pele branca, mas a Viradouro entrou no contexto da diversidade, de não ter só mulheres brancas. Tem mulheres de todos os corpos, mulheres de todas as cores, de todas as idades, isso que faz nossa ala ficar grandiosa”, declarou a componente Maria Claudia.

Maria, que desfila desde 1992 na agremiação, retornou cheia de sorte no campeonato “Arroboboi, Dangbe!”, em 2024. A oportunidade de desfilar representando uma musa, revela a possibilidade de olhar para si de outras formas, sob a ótica do protagonismo.

“Eu sempre venho em aula coreografada e nunca pensei vir como musa, como passista, que é o grande sonho de muitas mulheres, nunca pensei estar nesse protagonismo. E estando hoje, a gente se sente muito grandiosa”, compartilhou.

Priscila ribeiro ala luma viradouro
Priscila Ribeiro. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

A ala também evidência a relação afetuosa de Ciça com as mulheres que estiveram à frente da Bateria. Juliana Paes, Erika Januza, Luma de Oliveira são símbolos também do afeto que o mestre dos mestres tem com a comunidade da Viradouro.

Priscila Ribeiro, 32 anos, desfila na Viradouro desde os 9 anos de idade. Foi passista, se afastou da ala por 3 anos, e chegou a tocar tamborim na bateria do Mestre. Ao longo de sua história, testemunhou de perto a relação de Ciça com todos os componentes. Ela afirmou que a conexão de Ciça com as rainhas é um reflexo de seu vínculo com a comunidade.

“Ele tem uma relação muito boa não só com as rainhas, mas com todos nós da escola. E com as rainhas eu acho que deve ser melhor ainda, porque estão direto ali o tempo todo com ele, então deve ser perfeito. Ele é uma pessoa muito simpática, ele zoa, ele brinca. Quando eu fazia shows e o encontrava, ele me chamava de “minha criança”, porque como eu falei, eu desfilo desde de criança, então tentei vir na bateria uma vez tocando tamborim, mas cansei”, finalizou.