O Paraíso do Tuiuti deu uma demonstração contundente de força, tradição e identidade durante o último ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. A escola de São Cristóvão levou para a avenida uma ala de passistas que se consolida como referência no Carnaval carioca, destacando-se pela preservação do samba no pé raiz, pela leitura precisa do chão da escola e pela entrega coletiva que atravessa gerações.

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Foto: CARNAVALESCO

Identidade que se constrói no tempo

Sob a direção de Alex Coutinho, o segmento é resultado de um trabalho contínuo que valoriza união, disciplina e a malandragem clássica do samba. O desempenho consistente do grupo, frequentemente ovacionado pelo público, reforça o papel da ala como guardiã de uma estética tradicional que dialoga diretamente com a essência do Tuiuti.

Para o diretor, o grande diferencial está no histórico compartilhado entre os integrantes, muitos caminham juntos desde os tempos de Grupo de Acesso, criando uma sintonia que ultrapassa a técnica.

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Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“Somos uma ala de passistas que não está junta só no Grupo Especial, viemos desde o Grupo de Acesso. É um pelo outro, procurando levar a bandeira do samba e fazendo o máximo para ajudar nossa escola a chegar ao título do Carnaval”.

União que ultrapassa a avenida

A segurança apresentada na Sapucaí nasce dessa convivência prolongada. Grande parte dos componentes acompanha Coutinho há anos, o que fortalece vínculos e constrói uma dinâmica quase intuitiva na hora de riscar o chão. Para além do calendário carnavalesco, a ala mantém projetos sociais e atividades ao longo do ano, ampliando o papel cultural do segmento dentro da comunidade.

“Graças a Deus, eu acho que essa união é reflexo da escola. É um lugar onde todo mundo que chega vira família.”

Essa dimensão afetiva também se manifesta na diversidade do grupo. Entre os integrantes está a passista afro-caribenha Iman Shervington, que desfila pela escola há mais de cinco anos dois deles como passista. Em 2026, a conexão se torna ainda mais profunda, já que o enredo dialoga com a religiosidade de matriz cubana, aproximando narrativa e vivência pessoal.

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Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“É uma honra poder ser passista. A ancestralidade vive dentro de nós e, este ano, com esse enredo, isso me toca ainda mais, porque sou caribenha. Minha família é de lá, a gente carrega essa mesma energia que existe em Cuba. Poder representar isso é um orgulho imenso”.

Pertencimento que vira trajetória

Para Wellington Ricardo, a experiência no carnaval também é atravessada por ancestralidade e identidade. Há mais de uma década no Paraíso do Tuiuti, ele integra a ala masculina de passistas e traduz sua relação com a escola como um elo de vida.

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Foto: Vanessa Vicente/CARNAVALESCO

“Sou muito grato por tudo o que vivo aqui”.

Em 2024, essa relação ganhou um novo significado ao representar a agremiação na disputa pela Corte do Carnaval do Rio de Janeiro momento que ampliou seu sentimento de reconhecimento dentro do universo do samba.

“Isso faz muita diferença para mim”, afirmou, ao destacar a alegria de ocupar um espaço que celebra memória, resistência e cultura popular.