O Paraíso do Tuiuti deu uma demonstração contundente de força, tradição e identidade durante o último ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, realizado no sábado (07). A escola de São Cristóvão levou para a avenida uma ala de passistas que se consolida como referência no Carnaval carioca, destacando-se pela preservação do samba no pé raiz, pela leitura precisa do chão da escola e pela entrega coletiva que atravessa gerações.

Identidade que se constrói no tempo
Sob a direção de Alex Coutinho, o segmento é resultado de um trabalho contínuo que valoriza união, disciplina e a malandragem clássica do samba. O desempenho consistente do grupo, frequentemente ovacionado pelo público, reforça o papel da ala como guardiã de uma estética tradicional que dialoga diretamente com a essência do Tuiuti.
Para o diretor, o grande diferencial está no histórico compartilhado entre os integrantes — muitos caminham juntos desde os tempos de Grupo de Acesso, criando uma sintonia que ultrapassa a técnica.

“Somos uma ala de passistas que não está junta só no Grupo Especial, viemos desde o Grupo de Acesso. É um pelo outro, procurando levar a bandeira do samba e fazendo o máximo para ajudar nossa escola a chegar ao título do Carnaval.”
União que ultrapassa a avenida
A segurança apresentada na Sapucaí nasce dessa convivência prolongada. Grande parte dos componentes acompanha Coutinho há anos, o que fortalece vínculos e constrói uma dinâmica quase intuitiva na hora de riscar o chão. Para além do calendário carnavalesco, a ala mantém projetos sociais e atividades ao longo do ano, ampliando o papel cultural do segmento dentro da comunidade.
“Graças a Deus, eu acho que essa união é reflexo da escola. É um lugar onde todo mundo que chega vira família.”
Essa dimensão afetiva também se manifesta na diversidade do grupo. Entre os integrantes está a passista afro-caribenha Iman Shervington, que desfila pela escola há mais de cinco anos — dois deles como passista. Em 2026, a conexão se torna ainda mais profunda, já que o enredo dialoga com a religiosidade de matriz cubana, aproximando narrativa e vivência pessoal.

“É uma honra poder ser passista. A ancestralidade vive dentro de nós e, este ano, com esse enredo, isso me toca ainda mais, porque sou caribenha. Minha família é de lá, a gente carrega essa mesma energia que existe em Cuba. Poder representar isso é um orgulho imenso.”
Pertencimento que vira trajetória
Para Wellington Ricardo, a experiência no Carnaval também é atravessada por ancestralidade e identidade. Há mais de uma década no Paraíso do Tuiuti, ele integra a ala masculina de passistas e traduz sua relação com a escola como um elo de vida.

“Sou muito grato por tudo o que vivo aqui.”
Em 2024, essa relação ganhou um novo significado ao representar a agremiação na disputa pela Corte do Carnaval do Rio de Janeiro — momento que ampliou seu sentimento de reconhecimento dentro do universo do samba.
“Isso faz muita diferença para mim”, afirmou, ao destacar a alegria de ocupar um espaço que celebra memória, resistência e cultura popular.










