A superstição deu lugar ao espetáculo na Marquês de Sapucaí. Nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, o primeiro dia de desfiles da Série Ouro transformou expectativa em vibração, arquibancadas cheias e análises apaixonadas do público que acompanhou cada detalhe das apresentações.

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Sete escolas passaram pela Avenida levando enredos marcados por identidade, território, ancestralidade e disputa por uma vaga no Grupo Especial. Mais do que assistir, o público avaliou, comparou e reagiu da comissão de frente ao último módulo da bateria.

A Unidos do Jacarezinho abriu a noite e trouxe a comunidade para o centro da cena. A agremiação levou à Sapucaí o enredo “O ar que respira agora inspira novos tempos”, idealizado pelo carnavalesco Bruno de Oliveira, em homenagem à trajetória do cantor Xande de Pilares.

Douglas Gomes, de 30 anos, assistente administrativo, avaliou a apresentação da escola da Zona Norte do Rio.

“Muito bom, o enredo muito bom, a construção também muito boa, a bateria estava ótima. Eu acho que a história que eles contaram e tudo mais sobre o Xande de Pilares ficou ótima. Não faltou nada, eu acho que a bateria foi 100%. A escola vem para subir. Eu acho que, dentre todas, foi a melhor de hoje”, confiante, afirma.

douglas gomes
Douglas Gomes, de 30 anos
FOTO: CARNAVALESCO

Na sequência, a Inocentes de Belford Roxo apostou em um desfile vibrante e reforçou a sua identidade na tentativas de convencer os jurados e as arquibancadas. A Caçula da Baixada levou para a Avenida o enredo “O sonho do tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco”, idealizado pelo carnavalesco Edson Pereira, em homenagem à cultura pernambucana e ao músico Luiz Gonzaga.

O jornalista Rodrigo Coutinho, de 39 anos, revelou ter ficado surpreso com a apresentação da agremiação da Baixada Fluminense.

“Foi um desfile que me surpreendeu. Achei visualmente a escola estava com boas soluções. Óbvio, não tinha luxo, mas não tinha nada mal acabado. Tinha leitura, estava com fantasia e acho que a escola foi bem no chão. Foi um dos melhores desfiles de chão da Inocentes nos últimos anos. Gostei muito. Não só a escola cantando, mas o carro de som também junto com a bateria”, analisou o jornalista.

O jornalista Rodrigo Coutinho
O jornalista Rodrigo Coutinho, de 39 anos
FOTO: CARNAVALESCO

A União do Parque Acari levou para a Avenida a força de sua narrativa e manteve o ritmo da disputa acirrado. A agremiação apresentou o enredo “Brasilidades”, pensado pelo carnavalesco Guilherme Estevão, em homenagem ao Teatro Folclórico Brasileiro, que anos depois se tornou o Brasiliana e foi responsável por levar a cultura brasileira mundo afora.

Josiane Martins, 40 anos e bibliotecária: “Achei um desfile morno, não teve nada deslumbrante na escola e senti falta dos componentes cantando, agitando e sacudindo a avenida, poderiam ter entregado mais neste desfile”.

Josiane Martins 40 anos e bibliotecaria
Josiane Martins, 40 anos e bibliotecária
FOTO: CARNAVALESCO

Vinicius Assis, é contador e tem 42 anos. “Achei a plástica do desfile ótimo, foi muito bonita. Mas o enredo não agitou o público. Houve uma falta de empolgação ou algo que causasse mais alegria na Avenida. Por outro lado, o carnavalesco fez ótimas escolhas e foi muito bonito”.

Vinicius Assis e contador e tem 42 anos
Vinicius Assis, é contador e tem 42 anos
FOTO: CARNAVALESCO

Já a tradicional Unidos de Bangu apresentou o enredo “As coisas que mamãe me ensinou” com garra, dividindo opiniões e arrancando aplausos em pontos estratégicos da Sapucaí. O tema foi planejado pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val, e celebra a vida e trajetória profissional da cantora Leci Brandão.

Zelma Silva, 74 anos e secretária executiva da Bolsa: “Eu gostei, estava bonitinho. O desfile dela estava um desfile, assim, animado. Estava simples, mas os componentes estavam bem animados. Eu gostei da porta-bandeira e do mestre-sala. Fizeram uma graça aqui, se esforçaram muito e fizeram muito bonitinho”, comentou.

Zelma Silva 74 anos e secretaria executiva da Bolsa
Zelma Silva, 74 anos e secretária executiva da Bolsa
FOTO: CARNAVALESCO

Um dos momentos mais comentados da noite foi a passagem da Unidos de Padre Miguel, que investiu em impacto visual e emoção para marcar seu retorno e reafirmar sua potência na Série Ouro. A agremiação levou um enredo que aborda a potência feminina: “Kunhã-Eté: O sopro sagrado da Jurema”, pensado pelo carnavalesco Lucas Milato, em homenagem a Clara Camarão, indígena Potiguara que se tornou símbolo da resistência feminina após liderar batalhas contra as invasões holandesas.

Sueli Loureiro, 77 anos e professora aposentada. “Eu adorei. Para mim, é a melhor escola que passou hoje. Eu não vi a primeira, mas das outras que eu vi, foi a melhor. Gostei muito da Comissão de Frente da UPM, me emocionou. Foi muito linda, perfeita”.

Sueli Loureiro 77 anos e professora aposentada
Sueli Loureiro, 77 anos e professora aposentada
FOTO: CARNAVALESCO

A União da Ilha do Governador manteve o alto nível da disputa, com um desfile técnico e envolvente que gerou debates nas arquibancadas.

Érica Valentino, 38 anos e auxiliar de serviços gerais: “A União da ilha fez um desfile bonito. Teve harmonia, mas faltou um pouco de conexão com o público, principalmente no Setor 1, que nós somos a comunidade raiz. A apresentação foi boa, mas o enredo deixou a desejar para levantar a arquibancada”.

Erica Valentino 38 anos e auxiliar de servicos gerais
Érica Valentino, 38 anos e auxiliar de serviços gerais
FOTO: CARNAVALESCO

Thiago Tononi, 25 anos, é bailarino: “A União da Ilha veio bem bacana. A escola estava grande, e as fantasias volumosas. Por mais que seja uma fantasia grande e bonita, eu acho prejudicial para o componente. A escola surpreendeu e mostrou que veio para competir, mas referente ao enredo, estava confuso. O intérprete tem uma voz boa de se ouvir, porém eu não consegui conectar as alas com a história do enredo”.

Thiago Tononi 25 anos e bailarino
Thiago Tononi, 25 anos, é bailarino
FOTO: CARNAVALESCO

A última escola desta sexta-feira foi a Acadêmicos de Vigário Geral. A agremiação fechou a Avenida com energia intensa, deixando a sensação de que a disputa está completamente aberta. O enredo escolhido foi o “Brasil Incógnito: O que seus olhos não veem, a minha imaginação inventa”, formulado pelos carnavalesco Alex Carvalho e Caio Cidrini. A obra faz uma releitura da história do Brasil Colônia, por meio de um ponto de vista decolonial.

Fernando da Silva, 59 anos e professor: “A Vigário se apresentando por último é meio complicado, porque a arquibancada está mais vazia. Isso influencia em saber se o público gostou do enredo, e a grande maioria já gastou muita energia. Acredito que, dentro das escolas de disputa desta noite, a Vigário fez uma boa apresentação. Está em um bom patamar”.

Fernando da Silva 59 anos e professor
Fernando da Silva, 59 anos e professor
FOTO: CARNAVALESCO