O novo modelo de sonorização da Marquês de Sapucaí marcou uma mudança significativa na dinâmica dos desfiles. A principal alteração foi a retirada do tradicional carro de som, substituído por um sistema com os cantores posicionados no chão da Avenida. A proposta buscou melhorar a distribuição sonora e garantir maior fluidez visual às escolas, mas ainda gera avaliações distintas entre o público. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o público presente no sábado das campeãs elogiou o impacto estético da mudança. Para o torcedor Tiago Fernandes, 18 anos, a ausência do carro de som contribuiu para uma leitura mais contínua do desfile.

“Eu gostei muito dessa mudança. Acho que sem o carro de som a Avenida ficou mais limpa. Antes parecia que tinha um buraco ali no meio da escola, que a gente já até estava acostumado, mas quebrava um pouco a sequência. Agora não, você vê tudo fluindo melhor. A escola passa mais inteira”, avaliou.

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Tiago Fernandes, 18 anos, a ausência do carro de som contribuiu para uma leitura mais contínua do desfile

Se por um lado a nova configuração agrada visualmente, por outro ainda apresenta desafios na distribuição do áudio ao longo da Sapucaí. A artista Maria Borba, 46 anos, que acompanhou os desfiles do setor 1, apontou diferenças na intensidade do som em comparação a outros pontos da Avenida.

“Eu achei que o som melhorou, sim. Dá pra perceber mais clareza, principalmente nas vozes. No setor 1 ainda sinto falta de uma presença maior. Como aqui só tem caixas de som na cabine de imprensa, não chega com a mesma força que em outros setores, onde tem caixas distribuídas nos dois lados”, explicou.

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Artista Maria Borba, 46 anos, que acompanhou os desfiles do setor 1, apontou diferenças na intensidade do som em comparação a outros pontos da Avenida

A recepção positiva também aparece entre foliões com longa vivência no carnaval. A técnica de enfermagem Mercedes Costa, 76 anos, destacou a importância de experimentar novas soluções para o espetáculo. “Carnaval também é isso, é testar coisa nova. Não dá pra ter medo de mudar. Se for pra melhorar, tem que experimentar. Depois a gente vê o que funcionou, o que não funcionou, e ajusta. O importante é ir evoluindo sempre”, afirmou.

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Técnica de enfermagem Mercedes Costa, 76 anos, destacou a importância de experimentar novas soluções para o espetáculo

Do ponto de vista de quem desfila, a percepção também é de avanço, ainda que com necessidade de ajustes técnicos. O ritmista Miguel Gonçalves, 24 anos, avaliou que o sistema apresentou melhora em relação ao ano anterior, apesar de pequenas falhas pontuais. “A gente sempre sente alguma coisa diferente na Avenida. Esse ano ainda rola um ajuste aqui, outro ali, às vezes um pequeno delay, mas no geral achei que melhorou em relação ao ano passado. O som tá mais definido, ajuda até a gente na bateria a se orientar melhor em alguns momentos”, relatou.

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Ritmista Miguel Gonçalves, 24 anos, avaliou que o sistema apresentou melhora em relação ao ano anterior, apesar de pequenas falhas pontuais

Em fase de adaptação, o novo sistema de som da Sapucaí se apresenta como uma aposta na modernização do espetáculo, equilibrando ganhos visuais e desafios operacionais. A avaliação definitiva, no entanto, deve se consolidar ao longo dos próximos carnavais, à medida que os ajustes forem sendo incorporados à experiência da Avenida.