A segunda noite de desfiles do Grupo Especial reuniu rock, ancestralidade, celebração ao samba e literatura na Marquês de Sapucaí, com apresentações de Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Viradouro e Unidos da Tijuca. Em enredos que homenagearam Rita Lee, o Bembé do Mercado, o mestre de bateria Ciça e a escritora Carolina Maria de Jesus, as escolas transformaram a avenida em um mosaico de memória, resistência e emoção, mantendo aberta a disputa pelo título.
Entre arquibancadas cheias e reação intensa do público, o CARNAVALESCO ouviu torcedores, que destacaram a força das homenagens, o impacto visual dos desfiles e o equilíbrio técnico da noite, indicando um julgamento ainda imprevisível.
Mocidade Independente de Padre Miguel
A primeira escola a passar pela Marquês de Sapucaí apostou em um enredo homenageando a cantora Rita Lee, seu desfile misturou rock com samba, mostrou a essência da Vila Vintém e o legado da homenageada, abordando suas canções famosas, as lutas que defendeu e sua estética rock-star.

O concurseiro, Samuel dos Santos, esteve pela primeira vez no Sambódromo e se surpreendeu com o desfile da Mocidade. Segundo ele, a agremiação superou suas expectativas, pois imaginava que seria bom, mas na verdade, na sua percepção, foi magnífico.
“A comunidade chamou muita atenção, mas nos carros alegóricos deste ano, eles tiraram muita onda”, declarou Samuel.

Juliane Ribeiro, recepcionista de 28 anos, assistiu ao desfile no primeiro setor e se sentiu muito emocionada com a homenagem, sobretudo, por ter um amor pela agremiação.
“Eu achei lindo o carro dos cachorrinhos, porque ela era uma defensora dos animais e isso é uma causa muito importante, achei fantástico”, disse Juliane.
Beija-Flor de Nilópolis
Segunda escola a se apresentar, a Beija-Flor levou para a Avenida o enredo “Bembé”, que exaltou o Bembé do Mercado, maior celebração pública de candomblé do mundo, realizada em Santo Amaro, na Bahia. O desfile destacou a ancestralidade, a resistência cultural e a ocupação do espaço público pelo povo preto, em uma apresentação marcada pela força simbólica e pelo apuro técnico característico da azul e branca de Nilópolis.

João Pedro da Silva, 17 anos, torcedor da Mocidade, acompanhou atentamente a passagem da atual campeã e fez elogios à apresentação. Segundo ele, a Beija-Flor manteve o alto nível que o público já espera da escola. “Muito lindo, excelente. A Beija-Flor é sempre muito forte, muito correta. Não à toa é a atual campeã. Fez um desfile muito correto e muito técnico, como já era de se esperar”, afirmou.
Sobre o samba-enredo, o jovem destacou a popularidade e a força da obra. “Não é por acaso que esse samba é o mais executado das plataformas digitais. O samba é potente e empolga. Além de tudo é fácil de cantar, e eu acho que passou muito bem aqui hoje”, declarou. Para ele, a escola está na briga. “É claro que ainda tem as outras, e no carnaval tudo pode acontecer. Mas a Beija-Flor, sem dúvidas, fez um desfile para brigar pelo título”, concluiu.

A mergulhadora Lenusa Almeida Couto, 42 anos, que tem a Unidos do Viradouro como escola de coração, fez questão de chegar cedo ao Sambódromo para assistir à apresentação da azul e branca de Nilópolis. Ela se encantou com o conjunto visual da escola. “Eu achei um desfile maravilhoso, visualmente foi um espetáculo muito bonito de se ver”, disse.
Apesar dos elogios, Lenusa apontou uma pequena ressalva no desempenho musical. “Eu achei que a bateria estava um pouco fraca hoje, mas, tirando esse detalhe, todo o restante do desfile estava maravilhoso”, avaliou. Ainda assim, acredita no potencial da agremiação. “Sim, com certeza. A escola tem muita chance de vencer, o conjunto da obra permite que eles sonhem com esse título”, afirmou.
Acadêmicos do Viradouro
Viradouro homenageou seu ilustre componente, Mestre Ciça, personagem que há anos vivencia a trajetória da agremiação. O desfile foi uma celebração aos 70 anos de vida do mestre e de sua trajetória dentro do carnaval, destacando sua relevância no samba e trabalho na bateria “Furacão Vermelho e Branco”.

Michele Jacinto, pedagoga de 48 anos, veio de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, para prestigiar o maior espetáculo da Terra. Michele se encantou com o desfile, sobretudo, com a bateria da Viradouro.
“Eu amei o desfile da Viradouro, embora eu torça para uma coirmã, até a data de hoje, eu daria o título para a Viradouro, porque foi um show à parte. A batera foi a cereja do bolo, um diferencial, muita ousadia. O mestre Ciça e toda a escola estão de parabéns”, destacou Michele.

Alcione Rosa, atendente de telemarketing, de 43 anos, assistiu ao desfile da agremiação e também se encantou com a bateria de Mestre Ciça, porém, percebeu um obstáculo que a agremiação enfrentou.
“Eles foram muito bons, porém, eu acho que foram prejudicados pelo último carro, que tava quebrando um pouco do lado. Mas estava tudo maravilhoso, eles arrasaram muito na avenida”, declarou Alcione.
Unidos da Tijuca
A Unidos da Tijuca fechou a noite com o enredo em homenagem à escritora Maria Carolina de Jesus, trazendo temas como desigualdade, resistência e potência feminina. A escola apostou em uma narrativa sensível e impactante para contar a trajetória da autora que deu voz às periferias do Brasil.

Jessica Borja, 26 anos, cabeleireira e torcedora da Mangueira, acompanhou o desfile da azul e amarela do Borel e se emocionou com a proposta apresentada.
Sobre a apresentação, Jessica avaliou de forma positiva.
“Eu achei um desfile muito emocionante. A Unidos da Tijuca conseguiu contar a história da Maria Carolina de Jesus com muita delicadeza, mas também com muita força. Foi um desfile que fez a gente pensar e sentir ao mesmo tempo”, afirmou.
Em relação ao samba-enredo, ela destacou a conexão com o público.
“O samba era forte, tinha uma letra muito bonita e consciente. Não era só um samba para cantar, mas um samba para prestar atenção na mensagem. E mesmo assim era envolvente, a arquibancada cantou junto”, disse.
Questionada se a escola pode brigar pelo título, Jessica ponderou.
“O carnaval é sempre imprevisível, mas a Tijuca fez um desfile muito consistente. Se os jurados valorizarem o enredo e a emoção que eles passaram, tem, sim, chance de estar entre as primeiras”, concluiu.

Já Carolina Alves, 44 anos, socióloga e torcedora da Portela, analisou o desfile com um olhar mais técnico e social. Para ela, a escolha do enredo foi potente e necessária.
“A homenagem à Maria Carolina de Jesus foi extremamente relevante. Ela é uma das maiores vozes da literatura no Brasil, e trazer essa história para a avenida é um ato político e cultural muito importante”, afirmou.
Sobre o desempenho musical da escola, Carolina elogiou a coerência entre samba e narrativa.
“O samba estava muito alinhado com a proposta do enredo. A letra dialogava com a trajetória da escritora, e a bateria sustentou bem a emoção que o desfile pedia. Foi uma apresentação coesa”, declarou.
Quanto às chances de título, a socióloga acredita que a escola entra na disputa.
“É um desfile que une conteúdo e estética. Se o julgamento reconhecer essa construção e a relevância do tema, a Unidos da Tijuca pode até sonhar com o campeonato”, concluiu.
Título em aberto
Com propostas distintas e identidades bem marcadas, Mocidade, Viradouro, Beija-Flor e Unidos da Tijuca encerraram a noite mostrando que o Grupo Especial segue equilibrado e competitivo. Entre homenagens emocionantes, exaltação à ancestralidade e desfiles tecnicamente consistentes, as quatro escolas apresentaram boas credenciais para figurar nas primeiras colocações, deixando a disputa pelo título completamente em aberto.









