A primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial do Carnaval 2026 movimentou a Marquês de Sapucaí nesta sexta-feira, com desfiles marcados por enredos potentes, sambas bastante cantados e forte resposta das arquibancadas. A Acadêmicos de Niterói abriu a programação com “Do alto do Mulungu surge a espera: Lula, o operário do Brasil”. Na sequência, a Mocidade Independente de Padre Miguel levou à Avenida o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”. A terceira escola a ensaiar foi a Estação Primeira de Mangueira, com “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. Fechando a noite, a Unidos da Tijuca apresentou seu ensaio em homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus.

Com a pista pulsando e o público envolvido do início ao fim, o CARNAVALESCO foi à galera ouvir quem acompanhou tudo de perto. Torcedores de diferentes escolas analisaram os ensaios, comentaram os sambas, destacaram surpresas da noite e apontaram os momentos que mais emocionaram na Avenida.

Jonathan Firmino, 35 anos, relações públicas do MEC e torcedor da Mangueira, avaliou a noite sob o ponto de vista político e simbólico. Para ele, duas escolas se destacaram. “A Tijuca, que está com esse enredo muito forte de Carolina Maria de Jesus, que fala muito sobre o Brasil”, afirmou. Jonathan também ressaltou a coragem da Acadêmicos de Niterói. “E a Niterói, que foi revolucionária, falando do presidente Lula no meio de um país muito polarizado. Ter a coragem de trazer um enredo desses é muito forte para o momento que a gente vive”, contou.

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Jonathan Firmino

Quando o assunto foi samba-enredo, Jonathan não teve dúvidas. “Foi esse que acabou de tocar na avenida, o de Carolina Maria de Jesus. Esse samba é muito bom, é muito forte, é poético, faz a gente sambar, traz energia para a avenida”, destacou. Sobre a surpresa da noite, exaltou a escola do coração. “A Mangueira levanta a galera, faz a arquibancada tremer. É uma escola que, ainda que o samba não seja o melhor da noite, faz a galera tremer mesmo assim”, disse. Para o desfile oficial, arriscou um palpite: “Eu acho que quem vai levar vai ser a Beija-Flor. O Bembé está tomando a rua mesmo”.

Quem também acompanhou a noite com atenção foi Alisson Silva, 32 anos, barman e torcedor da Unidos da Tijuca, que chegou ao fim da primeira escola, mas não deixou de se impressionar com o que viu na Avenida. “Consegui pegar um pouco da Niterói. Depois veio a Padre Miguel, que estava maravilhosa. As alas, as musas, a bateria… tudo muito maravilhoso”, relatou.

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Alisson Silva

Sobre a Mangueira, Alisson falou com empolgação. “Mangueira veio com tudo! Nem sei se podia falar palavrão, mas veio com tudo!”, disse, aos risos. Mesmo sendo tijucano, explicou o motivo da admiração. “Mangueira, para mim, tem um primor, porque as musas são da comunidade. E ter musa preta da comunidade, para mim, é tudo”, destacou.

Ao comentar a Unidos da Tijuca, falou com emoção. “A Tijuca, que é o meu amor, vem falando de um tema, de uma escritora que ainda está muito viva para todo mundo que gosta de literatura. É muito essencial tudo o que ela escreveu”, afirmou. Questionado sobre a escola que mais gostou, reforçou sua conexão com o samba de raiz. “Por esse amor às pretas da favela, às pretas do samba, eu gosto muito de ver preta sambando, de ver samba de verdade. E a Mangueira traz muito isso, traz muito samba autêntico”, contou.

Sobre o samba que mais o marcou na noite, Alisson destacou a Mocidade. “Eu não ouvi muitos sambas esse ano, mas o que mais me tocou hoje foi o da Rita Lee. Me pegou muito”, afirmou.

Representando a nova geração de torcedores, Raica Silva Nascimento, 18 anos, estudante e torcedora da Unidos da Tijuca, avaliou o ensaio de forma positiva. “Achei o ensaio muito surpreendente. Todas as escolas foram ótimas, as fantasias estavam lindas. Algumas vieram com tripés, alas das baianas… coisas que eu não esperava. Foi tudo muito bonito”, afirmou.

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Raica Silva Nascimento

Mesmo declaradamente tijucana, Raica admitiu o impacto de outra escola. “Hoje eu torço pela Unidos da Tijuca, mas a que eu mais gostei foi a Mangueira, não tem jeito. A mais bonita sempre vai ser a Mangueira. É a escola do povo”, pontuou. Entre as surpresas, citou a Acadêmicos de Niterói. “A Niterói me surpreendeu muito. Eles estão fazendo valer a pena ter subido para o Grupo Especial”, contou.

No quesito samba-enredo, Raica foi direta. “A Unidos da Tijuca, com Carolina Maria de Jesus, sem dúvida. Foi um dos melhores sambas que eu já ouvi. A letra é muito atual, fala sobre tudo, sobre muitos jovens morrendo hoje em dia, sobre mães que tiveram seus filhos crucificados. A gente vê isso nas comunidades todos os dias”, destacou.

Na mesma linha de entusiasmo, Luana Moraes, 32 anos, torcedora da Unidos da Tijuca, resumiu a noite. “Maravilhoso! Não só a minha escola, mas todas as quatro brilharam, fizeram muito bonito. A minha Tijuca veio com garra, veio com sede, veio focada, veio para a briga, veio para ganhar”, declarou.

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Luana Moraes

Mesmo assim, Luana reconheceu uma surpresa. “Niterói. Não esperava… por mais que eu seja tijucana, Niterói me surpreendeu”, contou. Para fechar, escolheu o samba da Tijuca como destaque. “Claro, maravilhoso! Um enredo necessário”, afirmou, cantando um trecho que a marcou: “Muda essa história, Tijuca / Tira do meu verso a força pra vencer / Reconhece o seu lugar e luta / Esse é o nosso jeito de escrever”.

Encerrando os depoimentos, Jean Lucas Jesus, 27 anos, estudante e torcedor da Vila Isabel, elogiou a organização do ensaio técnico. “Gostei muito da organização, tudo bem tranquilo. Ainda bem que acabou essa parada do ingresso por QR Code, isso viabilizou melhor o ensaio e deixou tudo fluir”, afirmou.

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Jean Lucas Jesus

Sobre as escolas, Jean foi direto. “Muito bacana. Só escola absurda. Gostei demais”, disse. Mesmo sem sua escola na Avenida, apontou a que mais o impactou. “Foi a Tijuca. Gostei muito do enredo e de ouvir a bateria ao vivo pela primeira vez aqui. O andamento lá para frente… achei incrível”, contou.

A Acadêmicos de Niterói também apareceu como destaque. “Eu já tinha visto em Niterói, mas cheguei aqui e gostei bastante também. Achei que foi um samba que pegou legal na galera, todo mundo cantou bastante”, afirmou. Para ele, o samba da noite foi claro. “O que mais me pegou foi o da Tijuca. O andamento maneiro e a letra muito linda. Acho que foi uma baita canetada”, concluiu.