A Unidos do Peruche foi a sexta escola a desfilar neste sábado pelo Grupo de Acesso 2. A agremiação da Zona Norte teve como destaque a comissão de frente, além de prezar por outros pontos técnicos, o que fez com que a escola conseguisse um resultado de desfile satisfatório. A escola deve ter um ponto de atenção no quesito Evolução, pelo fato de ter acelerado os passos ao final do desfile. Mais uma vez, a pentacampeã do carnaval paulistano entra na apuração com o sonho de retornar ao Grupo de Acesso 1.

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A escola se apresentou na avenida com o tema “Oi! Esse Peruche Lindo e Trigueiro. Terra de Samba e Pandeiro, 70 Anos”, assinado pelo carnavalesco Chico Spinosa.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Carllos Alvez, a comissão de frente do Peruche representou a “Musicalidade Ancestral”. Os bailarinos desfilaram representando figuras da Antiguidade, já que o pandeiro tem origem nesse período. Todos estavam em sincronia; alguns utilizavam adereços nas mãos, enquanto outros não. Os que dançavam com os adereços davam um belo tom alaranjado à pista. Esses bailarinos, de forma muito clara, realizavam movimentos de saudação ao público e de apresentação da escola ainda no refrão principal.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

O ponto alto da coreografia foi o momento em que uma criança surgia atrás do elemento alegórico com um pandeiro. Ela entrava sambando, tocando o instrumento e, logo após, se juntava aos demais para realizar a encenação em sincronia. O elemento alegórico desfilou em tons rústicos, remetendo claramente à pré-história.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Daniel de Vitro e Taiene Caetano desfilou representando “O Mar Tenebroso”, com vestimentas predominantemente pretas. Estreantes na escola, a dupla teve um desempenho satisfatório, cumprindo os requisitos obrigatórios que o quesito exige para alcançar a nota máxima. Ambos conseguiram lidar com a pista molhada com segurança. A apresentação de Daniel e Taiene se destacou justamente pelo respeito ao que o regulamento exige.

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HARMONIA

Foi um dos destaques da escola. Apesar das mudanças repentinas que o samba sofreu após a gravação oficial, a comunidade assimilou bem e conseguiu apresentar um bom desempenho no canto. As partes mais cantadas foram os dois refrões, principalmente os versos finais do samba, que fazem alusão ao hino “Quando o repicar dos tamborins anunciar”. Ainda assim, apesar do canto forte, alguns componentes apresentaram dificuldades com a letra, o que não interferiu no desempenho do quesito. O que se viu foi um Peruche solto na pista, com a maioria dos desfilantes cantando com sorriso no rosto, dispostos a defender o pavilhão em busca do acesso ao Grupo de Acesso 1.

ENREDO

A proposta da escola foi falar sobre o instrumento pandeiro e fazer a ligação com os 70 anos da agremiação. Inicialmente, a ideia é válida, mas a conexão entre os momentos apresentados mostrou-se difícil. Até mesmo a letra do samba-enredo não cita diretamente a relação do Peruche com o pandeiro, trazendo os versos de forma fragmentada. Ainda assim, isso talvez não impacte diretamente os jurados. Trata-se de dois extremos distintos: a história de um instrumento que remonta ao período anterior a Cristo e os 70 anos da agremiação.

EVOLUÇÃO

É o quesito em que a escola precisa de maior atenção. Após o recuo da bateria, a escola precisou acelerar os passos, já que o tempo jogava contra. Com isso, alguns espaços foram criados e houve dificuldade no empurrar da segunda alegoria. Apesar disso, a escola não abriu buracos nem apresentou divisão de alas. Entre as fileiras, os componentes desfilaram corretamente. Com vestimentas leves, dançaram de um lado para o outro sem prejudicar o espaçamento.

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SAMBA

A escola contou com a estreia do intérprete Juninho Branco, que cantou o samba com empolgação durante todo o percurso na avenida. Como mencionado, a obra passou por algumas mudanças no período do pré-carnaval, inclusive após a gravação oficial. O cantor também chegou à escola apenas em novembro. Ainda assim, isso não foi um empecilho para o conjunto musical. Juninho Branco e sua ala conseguiram conduzir bem o samba do Peruche, empolgando a comunidade. Destacam-se os versos finais, que fazem alusão ao hino da escola, em sintonia com o enredo que celebra os 70 anos da agremiação. Tanto o contexto quanto o rendimento tiveram boa participação na avenida.

FANTASIAS

As fantasias da agremiação utilizaram materiais simples, mas com bom acabamento. Todos os componentes vestiram trajes leves, o que facilitou a evolução da escola. Vale ressaltar que a agremiação desfilou bastante colorida, sendo perceptível um investimento maior na fantasia da comissão de frente. O acabamento desse setor se destacou em relação ao restante da escola.

ALEGORIAS

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O abre-alas, intitulado “O Mar Tenebroso, Herança Lusitana e a Riqueza Africana”, desfilou com grande porte. O carro apresentou esculturas de grandes dimensões, movimentos e um significado forte, transmitindo claramente o clima da época das navegações entre negros e portugueses. A alegoria apresentou bom acabamento, configurando uma abertura digna de uma pentacampeã do carnaval paulistano.

A segunda alegoria simbolizou os “70 anos da Unidos do Peruche”, toda nas cores verde, azul e amarelo, remetendo ao Brasil, como a escola gosta de se denominar. O carro contou com a presença da velha-guarda e esculturas que fizeram referência a essa marca tão importante alcançada pela Filial do Samba.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, fantasiada de “Jackson do Pandeiro” e sob o comando do mestre Azeitona, executou bossas criativas em frente a todas as cabines.