A comunidade leopoldinense desfilou nesse domingo, durante o teste de luz o som na Sapucaí, vestida com camisas brancas, em referência à Oxalá, entidade que recebe destaque no enredo deste ano da escola de Ramos. O CARNAVALESCO conversou com o diretor de carnaval Pedro Henrique Leite e com componentes, pouco antes do início do desfile, para entender melhor essa iniciativa e a importância de levar a energia de matriz africana para a Passarela do Samba.
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“A Imperatriz vai realizar um cortejo fun fun. Fun fun é o branco. É Oxalá, o Orixá de tudo que é branco, de tudo que é alvo, de tudo que é límpido. Hoje, a Imperatriz vem para Marquês de Sapucaí com essa energia. Uma iniciativa da presidente Cátia Drumond. Ela tem esse lado criativo para o ensaio técnico durante os nossos encontros, nas reuniões, nas conversas. Ela falou: “Eu queria que a escola fosse toda de branco para o ensaio técnico”. E é isso. Escola de Samba precisa falar sempre, sempre, de matriz religiões de matriz africana. Precisa falar sempre, sempre da sua ancestralidade”, disse o diretor de carnaval Pedro.
Em 2025, a Imperatriz leva à avenida o enredo “Omi Tútú ao Olúfon – Água Fresca para o Senhor de Ifón”, sobre a jornada de Oxalá, o pai da criação, ao reino de Oyó para visitar o orixá e rei Xangô. Advertido pelos búzios quanto à desgraça trazida pela viagem, Oxalá é, durante o percurso, dado como ladrão e aprisionado. Depois de sete anos sofridos, é reconhecido pelo amigo Xangô, que ordena a seus súditos que limpem e acolham Oxalá. O enredo marca o primeiro enredo afro-religioso da verde e branco da Leopoldina, conhecida por temáticas históricas, desde 1979.
“A escola não deixa de lado o seu legado, a sua característica de contar história. Na verdade, a Imperatriz nos anos 90, nos anos 2000, contou muitas histórias de reis e rainhas, mas de um lado eurocêntrico. Desta vez, a gente optou por contar histórias de reis da mitologia urubá, da mitologia africana”, declarou Pedro.
A iniciativa no segundo ensaio técnico agradou os leopoldinenses. “Para a Imperatriz, que é uma escola que não via um enredo afro a mais de 50 anos, trazer a energia de Oxalá para a avenida, através do branco, é recomeçar com o pé direito. É também uma forma de apresentar para muitas pessoas que são distantes da religião. É uma energia de muito respeito, de colaboração, comunidade, família, que é uma coisa que a gente tem muito na Imperatriz. Tem sido muito bonito essa jornada de ver pessoas que não são da religião, que não conheciam, mergulhando nesse universo e se encantando realmente com essa história e com o Itan, que é uma história muito bonita”, expressou a publicitária Manoela Setta, de 25 anos, que desfila há 4 pela Imperatriz. Manoela diz não ter uma religião, embora simpatize com crenças de matriz africana.
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“Oxalá representa paz, sabedoria, calma. Pai Oxalá é caminho aberto. E amor, prosperidade que ele oferece para gente. A gente vem simbolizando isso”, afirmou a balconista Jacqueline Alencar, de 30 anos, que vai para seu segundo ano como componente da Imperatriz. Ela é da umbanda.
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“Trazer Oxalá para a avenida é mostrar para as pessoas a representatividade dele, da religião e trazer uma paz para as pessoas também. Mostrar essa divindade que é a divindade maior do candomblé, da religião. É muito importante as pessoas conhecerem essa história, ainda mais a história que o Leandro tá contando da forma que ele tá contando. É bem bacana por esse sentido”, encerrou o contador espírita, criado no catolicismo, Alexandre Balon, de 55 anos. Alexandre desfila há três anos pela Imperatriz.
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