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Parte musical se destaca, mas problemas na parte visual, no casal e em enredo comprometem desfile da Unidos da Ponte

Bateria e samba-enredo se destacam em desfile com erros da Azul e Branca de São João de Meriti

Segunda escola a entrar na avenida no Sábado de carnaval da Série Ouro, a Unidos da Ponte apresentou o enredo “Liberte Nosso Sagrado – O Legado Ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum”, desenvolvido pelos carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz. Em 54 minutos de desfile, a Azul e Branca de São João de Meriti realizou um desfile com destaque para o bom desempenho de sua parte musical, com o funcionamento do samba-enredo, o excelente desempenho do intérprete Kleber Simpatia e espetáculo da bateria “Ritmo Meritiense”. Problemas apresentados em enredo, na apresentação do primeiro casal, Thainara Matias e Emanuel Lima, e na parte visual, no entanto, comprometeram a apresentação da escola. * VEJA FOTOS DO DESFILE

Comissão de Frente

Comandada pela coreógrafa Alessandra Oliveira, a Comissão de Frente da Unidos da Ponte representou “Okutá – A Pedra Sagrada que encanta Orixá”. No enredo, o Okutá é um pedra sagrada associada a Oxum, orixá de cabeça da homenageada da escola. Na coreografia, 12 bailarinas vestiam uma roupa branca com saias de palha, 2 bailarinas portavam um recipiente na mão e 1 vestiam roupas douradas, nas cores da orixá Oxum. A apresentação possuía dois pontos tidos como altos, um no qual a dançarina de dourado aparecia com a pedra sagrada, Okutá e no outro, logos após os demais componentes terem deitado no chão, como no processo de iniciação nas religiões de matriz africana, a bailarina de dourado ia para trás das palhas e saia como a própria orixá Oxum.

VEJA ABAIXO MATÉRIAS ESPECIAIS
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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Unidos da Ponte, Emanuel Lima e Thainara Marias, vestiram uma fantasia em tons terrosos, representando “O Culto dos Alufás”, uma prática religiosa baseada nas tradições das religiões de matriz africana, sobretudo o candomblé e a umbanda. Os Alufás são considerados como os representantes dos Orixás e são vistos como os porta-vozes dos deuses africanos no mundo humano.

A coreografia do casal apostou em uma dança de muita garra e algumas alusões à letra do samba, como passos afro. Em sua apresentação na avenida, no entanto, o casal apresentou alguns problemas em frente às cabines de julgadores. O primeiro deles se deu na fantasia da porta-bandeira, que soltava penas ao longo da avenida, o que ocorreu nos julgadores dos módulos 1 e 2. Com o forte vento que acometeu a Sapucaí durante o desfile da escola, a porta-bandeira enrolou a bandeira na primeira cabine dos julgadores. De positivo, o fato de o casal cantar com muita força a letra do samba da escola durante suas apresentações.

Harmonia

A Harmonia da Unidos da Ponte também foi outro ponto que desejou a desejar em alguns momentos do desfile da escola. O desempenho do canto da comunidade de São João de Meriti foi irregular e não-uniforme entre as alas. As alas 5, “Tenda dos Milagres” e 11, “Mulheres de Axé”, por exemplo, passaram com diversos componentes sem cantar a letra do samba-enredo da escola. As alas 3, “Procópio D’Ogum” e 17, “ Liberte nosso Sagrado”, foram as que mais cantaram a obra. O refrão principal do samba-enredo da escola, “Eu vi a coroa de Oxum… Deixe em paz meu terreiro de Candomblé”, foi bem cantado pela comunidade de São João de Meriti.

Evolução

A evolução da Unidos da Ponte em seu desfile foi, de maneira geral, fluida e sem grandes sustos, como buracos ou clarões. Ao longo de 54 minutos, a Azul e Branca de São João de Meriti conseguiu avançar ao longo da Marquês de Sapucaí de maneira leve, solta e organizada, com as alas bem compactas. O único ponto de preocupação no quesito foi o tempo que a escola permaneceu parada na altura do segundo módulo, um pouco maior que o normal. A se destacar no quesito a animação e leveza apresentada pelas últimas alas da escola, 16, “Respeito o meu terreiro”, 17, “Liberte nosso sagrado” e a dos compositores.

Enredo

O enredo da Unidos da Ponte, “Liberte Nosso Sagrado – O Legado Ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum”, tem como ponto de partida Acervo Nosso Sagrado, coleção de objetos de religiões de matriz africana que estavam sob poder da Polícia Civil até poucos anos atrás, para homenagear a Mãe Meninazinha de Oxum, ialorixá que tem seu terreiro no bairro São Mateus, em São João de Meriti.

A história desenvolvida pelos carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz foi contada por meio de três carros, 18 alas e dividida em três setores. No primeiro setor, “Os Ancestrais de Mãe Meninazinha de Oxum”, foi retratada as raízes e a ancestralidade da homenageada do enredo, desde Marcolina de Oxum, que veio jovem ao Brasil escravizada. No segundo setor, “Da repressão à repatriação”, a escola abordou a coleção ‘Nosso Sagrado’ e toda história de luta pela libertação dos objetos apreendidos pela polícia. No terceiro e último setor, “Liberte Nosso Sagrado”, a escola retratou a luta da homenageada, junto com outros religiosos, para reaver os objetos apreendidos e terminou com uma mensagem de paz e tolerância religiosa.

A execução do enredo da escola, no entanto, apresentou graves problemas que afastaram a leitura da história a ser contada da boa proposta inicial dos carnavalescos. Algumas fantasias e alegorias da escola possuíam dificuldade de leitura, sem fazer referências tão claras ao que representavam, como na ala 5, “Tenda dos Milagres”, que contrastava com alas de entendimento mais claro, como a ala 8, “Documentação Fílmica e Iconográfica”, que possuía um elemento de mão com uma câmera colada.

Outro grave problema da Unidos da Ponte no quesito enredo se deu na inversão de elementos do desfile da escola, como a ala de Baianas, que estava vestida de “Ioruba à Ifá” e, segundo o Roteiro dos Desfiles, deviam estar logo após o primeiro casal da escola, mas no entanto, vieram após o tripé “Oriki”. Outro erro ocorreu no terceiro setor do desfile, onde o muso Bruno Fernandes, representando “A Magia do Candomblé”, deveria vir após o segundo casal da Azul e Branca e não estava. A ala de passistas da escola, prevista para desfilar após a bateria de “Mandingueiros e Feiticeiras”, não entrou na avenida por falta de fantasias.

Alegorias e Adereços

O abre-alas da escola, “A cidade da palha de Iyá Marcolina”, trouxe diversos elementos estéticos da cultura afro e apresentou uma bela escultura do orixá Omulu. A alegoria, no entanto, passou na avenida com óculos solto em cima, ao lado de um dos balaios com pipoca e integrantes descalços. A segunda alegoria, “Invasões, prisões e confiscos”, apostou em tons mais escuros e uma escultura com “Magia Negra” escrita em cima para representar a prisão dos objetos do Acervo Nosso Sagrado. A terceira alegoria, “ O legado ancestral de Mãe Meninazinha de Oxum”, teve o predomínio da cor dourada da orixá Oxum, esculturas de mulheres negras na frente e a coroa na parte de cima do carro. A alegoria, no entanto, passou apagada pelos três módulos de julgadores.

Fantasias

O conjunto de fantasias da Unidos da Ponte na homenagem à Mãe Meninazinha de Oxum apresentou irregularidades, alternando bons e maus momentos nos figurinos. Algumas alas da escola possuíam soluções mais simples, passando apenas com calças brancas e algumas até sem sapatos, como a ala 2, “Eleguns”, e alguns componentes da primeira e da última alegoria da escola. Outro ponto baixo no quesito fantasias foi a pouca leitura do enredo em alguns figurinos elaborados pelos carnavalescos Rodrigo Marques e Guilherme Diniz, com alas, como a “Tenda dos Milagres”, sem referências tão claras à mensagem passada. Porém, essas alas se contrastavam com outras com leituras mais claras e boas soluções, como a ala 8, “Documentação Fílmica e Iconográfica” e 12, “Cantigas e Toques”, como elementos que passaram com maestria a ideia do figurino. A ala das Baianas da Azul e Branca, representando “Saberes Silenciados no Culto Iorubá à Ifá” em um belo figurino branco, também foi destaque positivo.

Samba-Enredo

Composto por Bruno Castro, Carlos Kind, Junior Fionda, Léo Freire, Marcelinho Santos, Marcelo Adnet, Tem-Tem Jr, Tião Pinheiro e Vitor Hugo, o samba-enredo da Unidos da Ponte confirmou na avenida sua qualidade e funcionou perfeitamente para o andamento do desfile da escola. A se destacar o ótimo desempenho do estreante da noite na Sapucaí, o intérprete Kleber Simpatia, que apesar de um problema no som no início do desfile, desempenhou com maestria a função de conduzir o microfone principal da escola. A bateria “Ritmo Meritiense”, de Mestre Branco Ribeiro, também teve contribuição fundamental para o desempenho da obra. O refrão principal do samba-enredo, sobretudo a parte do “Deixe em paz meu terreiro de candomblé”, foi o principal destaque da obra e a mais cantada pelos componentes da Azul e Branca.

Outros Destaques

Comandados pelo segundo consecutivo pelo Mestre Branco Ribeiro, os ritmistas da bateria “Ritmo Meritiense” vieram vestidos de “Vagabundos, Vadios e Malandros”. A rainha de bateria da escola, Lili Tudão, vestiu uma fantasia de “Magia Negra”, enquanto a princesa, Denise Kaya, se vestiu de “Pombagira”.

Show à parte, os ritmistas da escola de São João de Meriti foram o ponto alto da apresentação da escola no carnaval 2023. Ao longo da avenida, a bateria executou paradinhas que levou o público ao delírio, sobretudo a do refrão do meio, na qual os ritmistas se movimentavam para o lado e se misturavam entre si. A “Ritmo Meritiense” provocou aplausos ao longo dos setores da Marquês de Sapucaí. A se destacar, também, a presença de Mestre Lolo, da Imperatriz Leopoldinense, a frente da bateria.

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