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Parceria de Ricardo Góes vence disputa de samba na São Clemente para homenagear Zé Katimba

Raphael Lacerda, Matheus Vinícius e fotos de Nelson Malfacini

‘Vem, como é bom voltar… Guarabira em festa quer te abraçar’. Com três sambas na grande final, a São Clemente definiu seu hino oficial para o carnaval de 2024. A obra composta pelos compositores Ricardo Góes, Naldo, Serginho Machado, Sérgio Gil, Fadico, Orlando Ambrosio, Matias de Oliveira e Fernando Lima, superou os sambas de Marcelo Adnet e Cia e Robert Farrow e Cia. Com o samba definido, a agremiação de Botafogo agora se prepara para levar o enredo “Que grande destino reservaram para você, que vai homenagear a vida e a obra do compositor Zé Katimba, que não pode estar presente na grande final. Em 2024 a São Clemente será a sexta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval.

Ricardo Góes, que encabeça a composição escolhida para 2024, aposta que esse vai ser o melhor samba da Série Ouro e acredita na beleza melodia e na força do refrão:

“Esse samba vai ser um dos maiores sambas do Grupo de Acesso. É um samba com melodia gostosa, tem um refrão forte. É um samba realmente bonito. Graças a Deus, acertamos agora. Esse samba tem muitas partes bonitas, mas eu gosto muito da cabeça, do Nordeste: ‘Nordeste faz a festa e vem provar/O doce mel da sua melodia'”.

“É muito importante para mim. Apesar da idade, sou um compositor novo. É um enorme prazer estar na parceria de Fernando de Lima, um dos maiores campeões de samba-enredo, além de Ricardo Góes, Naldo. É uma satisfação muito grande. E eu emplaquei, porque a minha parceria ganhou também no Império da Tijuca. Graças a Deus este ano está maravilhoso. Agradeço a direção da escola, ao Renatinho. Estou doido para chegar na Avenida e ver esse samba maravilhoso homenageando um ícone do carnaval, que é o Zé Katimba. A entrada para a primeira parte, com a melodia. São dois refrões fortíssimos, mas eu gosto muito de melodia aberta, porque eu fui parceiro do Hélio Turco”, disse o compositor Sérgio Gil, que apesar de já ter ganhado seis sambas, venceu o primeiro pela São Clemente.

“Ter o samba na Sapucaí é a maior glória do compositor. Quando você faz o samba, já se espelha no que a galera vai cantar, já pensa na arquibancada cantando. Agradeço a toda a parceria, porque sem ela – que se uniu para fazer o samba – nada disso seria possível. O samba em si é todo bonito. A gente poetiza bastante e deixa os três refrões brincarem no samba. Na realidade ele todo é bonito”, comentou Fernando de Lima, vencedor de 94 sambas-enredo no carnaval e sete somente na São Clemente.

“É uma emoção muito grande. É como se fosse um filho, porque a gente viu nascer e agora ele está ganhando liberdade para voar. É muito gostoso e será uma emoção muito grande ver o nosso samba entoado na Marquês de Sapucaí. O refrão final é uma coisa muito emocionante”, contou Naldo, vencedor de 13 sambas pela São Clemente.

Matias de Oliveira ressaltou o trabalho coletivo em construir uma obra à altura da arte de Zé Katimba. Além disso, agradeceu à escola e ao homenageado por essa oportunidade.

“Muito obrigado, Zé Katimba! Muito obrigado pelo presente de poder compartilhar um pouquinho da nossa poesia com você. A São Clemente vem representando a pura melodia, a pura poesia. Falar de Zé Katimba é muito difícil, uma vez que, por mais que nos esforcemos, jamais vamos chegar ao nível maior do poeta que é o Zé. Mas nós, com muito trabalho e persistência, uma parceria com muito empenho conjunto, tentamos muito assemelhar a poesia do Zé. Estamos muito felizes e confiantes que nossa São Clemente volta para o lugar que jamais deveria ter saído, que é o Grupo Especial. Eu tive minha vida profissional baseada no bairro de Ramos, consequentemente a minha parte favorita é a que fala de Ramos”.

Presidente fala da saída de Leozinho Nunes

O presidente da preta e amarela da Zona Sul, Renato Gomes, revelou como a São Clemente chegou nessa homenagem. Renatinho também comentou sobre a troca de intérpretes – a saída de Leozinho Nunes e a entrada da dupla Vitor Cunha e Leandro dos Santos – e a troca de mestres de bateria, em que o mestre Caliquinho passou o bastão para o mestre Marfim.

“O André Diniz, da Vila Isabel, que pediu para eu fazer esse enredo. Ele achou que é um enredo rico, bacana. O mais interessante é, quando ele veio fazer a palestra aqui com a gente, ele falou de uma história de amor e nos deixou apasmado. Muito bacana. As escolas sofrem muito com a falta de verba. Tem umas 4 ou 5 escolas que respiram ainda um pouquinho. Não receber antecipado é muito complicado. A demora é muito chata. Nós já estamos fazendo protótipos, o barracão já vai começar segunda-feira e nós já estamos devendo entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, porque eu já tenho comprado tudo. Não tem como parar. Não posso parar. O Vitor [Cunha] e o Leandro [dos Santos] já foram cantores da São Clemente. Quando eu vi que eles não eram os primeiros em lugar nenhum, eu convidei eles. Sobre o Leozinho [Nunes], ele é um bom menino, mas tem coisas que não cruzam mais. Ele é uma pessoa importante, ele canta bem, mas eu acho que ele ainda acha que é do Especial, e aqui na Série Ouro é outra realidade. É isso. Não teve briga, foi essa questão de ser outra realidade. Já o Caliquinho pediu para sair mesmo, porque ele está com dois filhos. Foi bem cordial, tanto que ele está aqui. É meu amigo. Era um garotinho quando começou na São Clemente. Ele gosta muito da escola e está ajudando o Santa Marta que é a escola do coração dele. O mestre Marfim também é do Santa Marta. Os dois foram criados juntos. Foi só uma passagem, não houve problema nenhum”.

Com a responsabilidade de fazer o enredo sobre Zé Katimba, o carnavalesco Bruno de Oliveira citou que é a maior oportunidade da sua vida.

“É uma das grandes oportunidades da minha vida, hoje, estar na São Clemente. Foi a primeira escola a me dar oportunidade de emprego na vida e no carnaval. E, hoje, depois de anos, ser a primeira escola que desfila na Sapucaí que eu vou assinar se torna algo muito importante. O meu empenho e meu trabalho aqui tem sido bem árduo. De acordo com tudo aquilo que a escola pode contribuir anos atrás, agora eu estou podendo contribuir com meu trabalho e minha arte. Com esse enredo, eu quero passar a grande importânciado Zé Katimba para a história do carnaval das escolas de samba e para a musica popular brasileira. Chegou a hora de Zé Katimba, com seus 90 anos de idade, ser representado no palco onde ele foi e é consagrado. A São Clemente está dando esse grande momento de celebrar toda essa trajetória do Zé Katimba. E homenagear ele é também estar homenageando a Imperatriz. A Imperatriz foi a escola de samba que projetou para o carnaval. Eu passei muita tempo lá sendo assistente de vários carnavalescos, aprendendo a fazer e executar figurino, como por uma escola de samba na rua. É uma grande honra. O primeiro figurino de carnaval que eu vi na minha vida foi da Rosa Magalhães e, em 2022, eu pude trabalhar com a Rosa na Imperatriz homenageando o artista que é o Arlindo Rodrigues, que é uma grande referência para mim. Somar Rosa Magalhães com Arlindo Rodrigues na Imperatriz, naquele ano, para mim, se tornou algo muito importante para minha carreira dentro do carnaval”.

Novo comandante da “Fiel Bateria”, mestre Marfim falou sobre o trabalho que pretende desenvolver na São Clemente. “Na verdade, eu já diretor de bateria junto com o Caliquinho. Nós conversávamos muito. Já éramos diretores juntos com o mestre Gil. O Caliquinho virou mestre e eu continuei sendo diretor. E, com a saída do Caliquinho, eu passei a ser mestre. Já era da casa, então acredito que tenha sido uma ordem cronológica da coisa. Eu acabei assumindo essa responsabilidade. Para mim, é a maior honra ser mestre de bateria da minha escola. Eu me sinto realizado. O mestre Caliquinho tinha uma característica dele a qual nós trabalhávamos em cima da característica dele. E eu já coloco a bateria já com a minha cara, um pouco mais pegada, com um pouco mais de pressão. Mas como eu já fazia parte do trabalho, não tem muita coisa a ser mudada. Eu sou oriundo do repique, o instrumento que eu mais ‘puxo sardinha’ é ele”, revelou.

O primeiro casal da São Clemente Alex Marcelino e Raphaela Caboclo analisou o sucesso do quesito em 2023, mas guardou segredo para o que vem em 2024.

“O desfile de 2023 foi um carnaval que a gente trabalhou bastante. Foi um retorno, na verdade. Conseguimos obter os resultados. E já começamos a trabalhar muito para sustentar essas notas e tentar levar a São Clemente ao campeonato. Junto com a escola toda, vamos tentar fazer o dobro que já fizemos para chegar ao título. As fantasias de 2024 são um segredo. Nem eu sei [risos]. A parceira está acima de tudo e nós conquistamos isso alguns anos atrás. Começamos a trabalhar no Império Serrano e demos segmento até chegar aqui. Parceria é parceria. Se não tiver confiança, as coisas não fluem. Existem os contratempos do casal, mas é para buscar o melhor. Nós temos bastante cumplicidade, bastante confiança para se trabalhar”, disse o mestre-sala.

“Foi um carnaval muito importante especialmente para mim por conta do meu último desfile [2022]. Foi um carnaval de reencontro meu com Alex, com a comissão de frente. Poder exercer a minha função é uma prazer imenso e ter conseguido 100% de aproveitamento, pelo reconhecimento dos jurados foi incrível! E vamos continuar trabalhando para manter o resultado e dar a nota que a escola tanto precisa e tanto quer para retornar ao Grupo Especial. Para a fantasia de 2024, aguardem surpresas. Assim como toda dança, o casal precisa ter confiança. O Alex em todos os anos de conhecimento de dança, de amizade, ele esteve do meu lado em meus piores momentos. Ele é alguém que eu confio para exercer a minha função. Não adianta eu dançar muito bem, individualmente, se o casal não funciona e não se conecta. O Alex é parceria, um parceiro”, comentou a porta-bandeira.

A coreógrafa Bruna Lopes, estreante na São Clemente, disse que não pode revelar muito da sua comissão de frente, mas promete emocionar.

“Foi maravilhoso receber esse convite para ser coreógrafa. A São Clemente é uma escola que eu sempre admirei, sempre tive um carinho muito grande. Receber esse convite do presidente Renato, da comunidade, foi sensacional! Só aprimora e melhora a minha carreira como artista. A comunidade me abraçou, a escola me abraçou, maravilhosamente bem e eu sou muito grata, estou muito feliz. Já está tudo pensado e, como boa cria do “Casal Segredo” – Priscila Motta e Rodrigo Negri -, tudo continua sendo segredo. Mas o que eu posso falar um pouquinho é que a gente pretende emocionar as pessoas assim como do Zé Katimba emociona nas músicas, emocionou e emocionou até hoje com suas composições e com sua arte. Eu e Bruno de Oliveira (carnavalesco) estamos em uma sintonia muito forte. Ele é muito generoso. A nossa troca está sendo muito boa. Um escuta o outro, quer só somar. E pensamos já em tudo. Na verdade, eu não posso falar muita coisa, dar muito spoiler, mas eu tenho certeza que a comissão de frente vai emocionar a Sapucaí”.

Análises das apresentações das parcerias na final

Parceria de Marcelo Adnet: O primeiro samba concorrente a se apresentar foi dos compositores Marcelo Adnet, André Carvalho, Gustavo Albuquerque, Fabiano Paiva, Luizinho do Méier, Gabriel Machado, Baby do Cavaco, Rodrigo Alves e Igor Marinho. A canção foi conduzida pelos intérpretes Pitty de Menezes, da Imperatriz Leopoldinense, Vitor Cunha, Leo Simpatia e Dodô Ananias. Apesar do som não contribuir muito nas três apresentações, o grupo de cantores conseguiu conduzir muito bem o samba-enredo. A torcida levou balões nas cores da São Clemente e bandeiras com o nome de Zé Katimba. Apesar do destaque no trecho “Meu nome é Zé Katimba!// Ponteia cavaco, pandeiro e repente// Neste palco iluminado, obrigado São Clemente!”, alguns torcedores ficaram mais tímidos no restante da canção. Aos 15 minutos, a iluminação da quadra foi apagada e a plateia fez um show de luzes com bastões coloridos. A apresentação foi encerrada sob gritos de “É campeão”.

Parceria de Ricardo Góes: De autoria dos compositores Ricardo Góes, Naldo, Serginho Machado, Sérgio Gil, Fadico, Orlando Ambrosio, Matias de Oliveira e Fernando Lima, o segundo samba a se apresentar pegou na quadra e foi o destaque da noite. A condução foi feita pelos intérpretes Emerson Dias, Igor Sorriso, Vini Machado, Leandrinho e Tiago. Quase que em um coral com a torcida, os cantores conseguiram apresentar muito bem o samba eleito. Com bandeiras da São Clemente e balões nas cores da agremiação, a torcida também ganhou destaque e deu um show. O trecho mais cantado foi o refrão “A São Clemente traz Zé Katimba// Poeta de respeito faz brilhar as minhas rimas// No sonho uma sereia vem prever// Que grande destino reservaram pra você!”.

Parceria de Robert Farrow: Terceiro e último samba da disputa, a canção feita por Robert Farrow, César Ouro, Kleber Pastor, Marcelo Martins, Will Robson, Victor Lord e Nelson Amatuzz foi conduzida pelo intérprete Tiãozinho Cruz e foi a mais morna na quadra. A torcida utilizou bandeiras nas cores da São Clemente e balões que despencaram do telhado, além de chuva de confetes. Apesar da grande animação no centro da quadra, alguns torcedores não cantavam a canção. Uma das partes mais entoadas foi “DA PARAÍBA TROUXE A GARRA E A CATIMBA// QUEM BEBER DESSA CACIMBA// DESAFIA E FAZ REPENTE// CHORA CAVACO, TOCA VIOLA DE FITA// QUE HISTÓRIA TÃO BONITA// QUE NOS CONTA A SÃO CLEMENTE”.

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