Com o enredo “Lonã Ifá Lucumí”, desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, o Paraíso do Tuiuti apresentou um desfile de forte densidade simbólica na Marquês de Sapucaí. Apostando na tradição iorubá que perseverou em Cuba, na cosmogonia iorubá, na diáspora e na permanência da nação Lucumí nas Américas, a escola combinou teatralidade na comissão de frente, africanidade marcante nas fantasias e potência musical conduzida pelo intérprete Pixulé e pela bateria de mestre Marcão. A rainha Mayara Lima foi um dos pontos altos da noite. Ainda assim, falhas mecânicas em alegorias e um buraco expressivo na evolução interferiram diretamente no rendimento da apresentação.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

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COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por David Lima, a comissão investiu em teatralidade e impacto visual. Um tripé de grandes proporções abriu espaço para um corpo de bailarinos numeroso, com figurino escuro, compondo uma cena ritualística marcada pela presença simbólica dos Orixás e por efeitos de fumaça que reforçaram a atmosfera mística do enredo. A proposta foi grandiosa e coerente com a narrativa espiritual, mas a iluminação mais escura prejudicou a leitura em alguns momentos. A concepção cênica ficou confusa em trechos específicos, diluindo parte da força dramática que a coreografia propunha.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Vestidos em trajes brancos, Vinícius Antunes e Rebeca Tito iniciaram a apresentação com elegância e forte sincronia. O bailado foi clássico, seguro e bem marcado, demonstrando entrosamento e serenidade na condução do pavilhão. No módulo 1 de julgamento, Rebeca acabou enrolando a bandeira. Após o contratempo, o casal manteve firmeza, postura altiva e domínio técnico, concluindo a estreia com desempenho consistente e promissor nos módulos seguintes.

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HARMONIA E SAMBA

O desfile começou pulsante, com os primeiros setores cantando com vigor, porém houve momentos de queda no canto da comunidade no decorrer da apresentação. A potência vocal emocionante de Pixulé conduziu o samba com firmeza e entrega, chamando a comunidade para ir junto e sustentando a narrativa musical com intensidade e controle. A bateria de mestre Marcão apresentou cadência precisa, com bossa bem executada e efeito de luz cênica, criando um momento de impacto visual e sonoro. A caracterização dialogou com o enredo e reforçou a identidade do conjunto rítmico. As alas desfilaram bem espaçadas, favorecendo a leitura estética. No entanto, houve desalinhamento de alas no setor 3 e momentos de queda no canto, o que comprometeu a uniformidade da harmonia.

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EVOLUÇÃO

O Tuiuti iniciou o desfile com andamento fluido e ocupação equilibrada da pista. A escola parecia segura no ritmo e na organização dos setores até a metade do percurso. O principal problema ocorreu na altura da cabine espelhada, antes do carro da pirâmide, quando uma falha no mecanismo gerou um buraco grande e duradouro. A interrupção quebrou o fluxo da apresentação e impactou diretamente a leitura da evolução.

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ALEGORIAS E FANTASIAS

A escola apresentou diversidade de desenhos, colorido vibrante e forte presença de elementos ligados à africanidade e à latino-americanidade. As alegorias eram imponentes e apostaram em volumetrias distintas, com bonecos e tripés, especialmente no setor 5, reforçando a narrativa visual. Entretanto, falhas técnicas ficaram evidentes. No abre-alas, um refletor apagado no lado direito do terceiro chassi comprometeu a iluminação. No quarto carro, o primeiro coqueiro de palha apareceu parcialmente desencaixado. Já no carro 2, a pirâmide giratória apresentou problema: o pano enrolou durante o movimento, deixando um buraco visível na estrutura. Esses incidentes afetaram a continuidade estética do conjunto.

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OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria Mayara Lima foi um dos grandes momentos do desfile. Representando os ikins de Orunmilá, ela desfilou com imponência e energia à frente de uma bateria caracterizada como babalaôs, acompanhada por ogãs. Sua performance uniu simbologia e samba no pé, conquistando forte reação do público. A ala de passistas também se destacou pelo carisma e pela técnica, mantendo o samba firme e ajudando a sustentar a vibração da escola.

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