Por Marielli Patrocínio, Guibsom Romão, Matheus Morais e Marcos Marinho

O Paraíso do Tuiuti realizou um primeiro ensaio técnico consistente na Marquês de Sapucaí, demonstrando segurança na execução do enredo “Lonã Ifá Lukumí”, que será apresentado no Carnaval 2026. A escola mostrou bom desempenho nos principais quesitos, com destaque para a comissão de frente, a harmonia e o conjunto musical, reafirmando sua identidade como quilombo do samba.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

COMISSÃO DE FRENTE

Um dos grandes destaques do ensaio, a comissão de frente apresentou uma coreografia forte, de leitura clara e bem resolvida para o julgamento. A encenação gira em torno de um tripé que representa Eleguá, entidade que surge viva acima da fumaça, criando uma imagem de impacto imediato e forte simbologia.

O corpo de bailarinos representa os eborais, entidades do Ifá afro-cubano consideradas pré-orixás e protetoras das florestas. Com caracterização precisa, os bailarinos carregam galhos que, em determinado momento da apresentação, são fincados no tripé, provocando a saída de fumaça no topo da estrutura. Dela surge um menino empunhando a bandeira Brasil–Cuba, síntese visual direta da proposta do enredo.

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A comissão conta ainda com a figura central do babalaô, sentado sobre uma esteira, que faz referência literal ao verso do samba “sentado à esteira de um babalaô”, expressão ligada ao conhecimento, à iniciação e à vivência ritualística no culto de Ifá. Bailarinos com trajes típicos cubanos completam a cena, reforçando a identidade estética da apresentação.

A coreografia foi estrategicamente pensada para as cabines de julgamento. Na primeira cabine, a apresentação se desenvolveu de forma lateral, dialogando diretamente com os jurados; já na cabine espelhada, ganhou frontalidade total. O conjunto apresentou impacto, emoção e plena funcionalidade para a avaliação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Vinícius Antunes e Rebeca Tito apresentou uma dança segura, elegante e de alto nível técnico. Com entrosamento evidente, a dupla aliou firmeza no chão à leveza dos movimentos, resultando em uma apresentação fluida e bem construída. Referências pontuais à dança afro-cubana surgiram de maneira sutil e natural, sem comprometer a coreografia tradicional do casal. A leitura do pavilhão foi clara, com excelente ocupação do espaço e ótimo aproveitamento da cabine espelhada.

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EVOLUÇÃO

A evolução do Paraíso do Tuiuti foi organizada e, em sua maior parte, fluida. Nos primeiros setores, a escola apresentou um andamento um pouco mais acelerado, mas rapidamente ajustou o ritmo e seguiu com maior controle.

A escola desfilou de forma mais compacta, o que chama atenção para uma agremiação que, historicamente, leva grande número de alas comerciais no desfile oficial, fator que pode interferir no tempo e na dinâmica da evolução. Ainda assim, o Tuiuti ocupou bem os espaços, manteve as alas preenchidas e concluiu o percurso dentro do tempo regulamentar.

HARMONIA E SAMBA

A harmonia foi um dos pontos fortes do ensaio. A escola cantou com intensidade e regularidade do início ao fim, sem oscilações perceptíveis. O samba já demonstra estar assimilado pela comunidade, que respondeu com canto forte e uniforme.

A ala musical vive um momento positivo. A bateria SuperSom, comandada por mestre Marcão, teve como principal destaque as bossas fortemente ancoradas na musicalidade afro-cubana. O desenho rítmico privilegiou a utilização dos atabaques, criando uma sonoridade orgânica e profundamente conectada à proposta do enredo.

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As bossas foram bem executadas, com entradas e saídas precisas, sem comprometer o andamento do samba. O diálogo entre a bateria tradicional e os elementos percussivos de matriz afro-cubana ampliou a identidade sonora da obra, conferindo personalidade e coerência ao conjunto musical.

O trabalho mostrou equilíbrio entre criatividade e funcionalidade para a avenida, valorizando o samba e potencializando o canto da escola, em perfeita sintonia com a condução do intérprete Pixulé e da ala musical. Esse conjunto se encaixou com precisão na condução de Pixulé, que liderou o canto com potência, boa afinação e excelente comunicação com a escola, ao lado de sua equipe musical.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria Mayara Lima foi um dos nomes mais celebrados do ensaio. Reconhecida como uma das principais rainhas da atualidade, brilhou à frente da SuperSom. Durante a bossa de inspiração afro-cubana, incorporou elementos da dança afro-caribenha, com repertório corporal amplo, preciso e expressivo.

Com fantasia dourada adornada por búzios, Mayara reforçou o impacto visual da bateria e contribuiu para o bom desempenho do conjunto.