A Ala 13 da Unidos da Tijuca foi resultado de uma pesquisa profunda sobre a vida e a obra de Carolina Maria de Jesus. O setr tentou ir além do estereótipo da “catadora que escrevia” para revelar a dimensão intelectual, política e artística da autora.
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FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
O ponto de partida foi inevitável: Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada, publicado em 1960 e organizado por Audálio Dantas. Depois vieram Diário de Bitita, manuscritos inéditos, microfilmes, obras póstumas e o acompanhamento da consultora Fernanda Felisberto, doutora em Literatura Comparada. A pergunta que guiou o processo ecoava: quem é Carolina, afinal?
A resposta levou a escola a reconstruir sua trajetória antes e depois do sucesso editorial, denunciando silenciamentos, cortes e interferências que apagaram críticas contundentes ao racismo estrutural. Mais de mil páginas inéditas revelam uma escritora múltipla, poeta, dramaturga, romancista, pensadora.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Os papéis manuscritos se espalham pela roupa e pendem em varais no costeiro. Objetos reaproveitados surgem como adereços simbólicos. O enfermeiro auditor Wilson Teodoro da Silva, de 47 anos, enxerga potência política na fantasia.
“Hoje, desfilamos com uma fantasia que traz o lixo e, ao mesmo tempo, se transforma em luxo. Isso a torna potente. Fala sobre catar e reciclar, retomando o sentido de que o pobre e o preto também podem ter educação. Isso é a história do Brasil. O Carnaval é feito de contar histórias”, afirmou.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Para Thiago Leite, de 42 anos, gestor de RH e estreante na Tijuca, a homenagem tem peso simbólico: “Carolina de Jesus é simbólica. Tudo que ela passou é muito emblemático. Foi a minha primeira vez desfilando e é emocionante participar de um desfile com essa figura, que merece ser homenageada há muito tempo. Se for para falar da Tijuca de 2026, eu digo que é mudança e vitória. Espero que volte a ser a Tijuca que sempre foi”.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Já Ana Beatriz Mesquita, de 32 anos, professora de inglês e também estreante, decidiu entrar na escola por causa do enredo.
“Eu estudei Carolina Maria de Jesus na faculdade e, quando vi o enredo, me apaixonei tanto pela escola quanto pelo samba. Estar carregando um pedacinho dela, das suas palavras, significa muito pra mim. Mesmo eu não sendo uma mulher preta, espero que a gente nunca mais reproduza a cena da mulher preta no Brasil e que possamos mudar a história da Tijuca e de diversas Carolinas que existem pelo país. O samba e a Unidos da Tijuca mudaram a minha vida”, comentou a professora.









