Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente da Liga-RJ, Hugo Junior, avaliou de forma otimista os ensaios técnicos da Série Ouro. Com um discurso confiante, destacou a importância da inovação tecnológica, comentou os desafios do novo sistema de som, e elogiou a entrega e a superação das escolas de samba.
O presidente da Liga-RJ elogiou o comprometimento das escolas da Série Ouro e se mostrou empolgado com o nível apresentado nos ensaios, destacando especialmente a presença das comunidades mesmo sob chuva. Para Hugo Junior, o campeonato promete ser um dos mais equilibrados dos últimos anos.
“A Série Ouro está realmente preparando um grande espetáculo para sexta-feira e sábado. O nível das escolas está maravilhoso. Escolas que até então eram medianas, digamos assim, ficavam ali no meio da tabela. Hoje eu coloco muitas na possibilidade de chegar ao G6 e até brigar pelo título. Tenho certeza de que, na quinta-feira, quando a gente apurar, vai ser uma apuração daquelas de coração bater forte, de torcer, porque vai ser nos mínimos detalhes que será definida a campeã e quem vai cair”, declarou.
Inovação e ajustes necessários no novo sistema de som
Ao ser questionado sobre a implantação do novo sistema oficial de som, Hugo Junior demonstrou tranquilidade diante dos imprevistos registrados no primeiro ensaio. Segundo o presidente, os ajustes fazem parte de um processo natural, especialmente por se tratar de uma tecnologia inédita no carnaval do Rio de Janeiro.
“Como já é um assunto muito falado nos últimos meses sobre o carnaval, o som é a maior inovação do carnaval de todos os tempos. A gente mudou todo um sistema. Aqui é a hora de errar e de consertar os erros. A gente está aqui reparando. A empresa também está conhecendo um novo sistema, a gente pede um pouquinho de paciência das escolas e do público que vem aqui desfilar, porque a gente está se adaptando. É algo novo. O momento de errar é agora. Tivemos um problema no início do Jacarezinho, que teve um problema na mesa de som e precisou ser substituída. Até você conectar todos os cabos, essas coisas requerem tempo. Foi esse o motivo do que aconteceu ontem, mas a gente tem certeza de que a empresa é supercapacitada, é uma empresa voltada para corrigir problemas e falhas, para que nos dias 13 e 14 não haja falhas. Ali é o dia em que realmente não pode ter erro”.
O presidente também comentou sobre os impactos do problema técnico na primeira escola e o atraso nas demais, reforçando que a Liga preza pela pontualidade e pelo respeito às agremiações, seus integrantes e ao público presente.
“A gente voltou com o tempo, porque o cronômetro já estava correndo. Quando teve esse problema do som, voltamos, zeramos o cronômetro e a escola voltou do zero, então não teve nenhum prejuízo. Tivemos um prejuízo no sentido da pontualidade, porque eu prezo muito por isso. A gente começou às 20h45, abrimos o portão para o Jacarezinho entrar com a sua bateria. Tivemos esse problema do som, que acarretou esse atraso, mas a pontualidade é sempre algo que a gente preza, assim como o respeito ao cidadão que vem aqui desfilar e a quem veio assistir, porque a gente tem que ter esse comprometimento”.
Questão da hidratação na Sapucaí
O presidente foi abordado sobre a parceria com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro), tradicional apoiadora da Série Ouro, responsável pela distribuição gratuita de água durante os desfiles. A ausência da empresa nos ensaios técnicos gerou questionamentos, mas Hugo Junior garantiu que a hidratação estará assegurada nos dias oficiais.
“A Cedae sempre foi muito parceira da Série Ouro. Temos certeza de que, nos desfiles oficiais, a questão da hidratação estará garantida”, declarou o presidente da Liga-RJ.
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) sorteou na noite de segunda-feira os módulos que os julgadores atuarão no Grupo Especial de 2026. Segundo o regulamento, serão 54 jurados, que estarão divididos em quatro módulos. Aqueles que ficaram nas cabines 1 e 4 ainda passarão por um novo sorteio, antes da apuração, na Quarta-feira de Cinzas, que definirá quem terá as notas abertas, totalizando quatro de cada quesito, onde a menor segue sendo descartada.
Outra novidade é que, pela primeira vez, a nota 10 também deverá ser justificada, assim como as demais. Os desfiles competitivos do Rio Carnaval 2026 acontecem nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro.
Confira os módulos sorteados:
HARMONIA
Bruno Marques – 1
Jardel Maia – 1
Rodrigo Lima – 2
Julia Félix – 3
Sinésio Silva – 4
Cainã Alves – 4
Por Luiz Gustavo, Mariana Santos, Guibsom Romão e João Gabriel Rothier
O Arranco do Engenho de Dentro foi a segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí no domingo de ensaios técnicos da Série Ouro, já sem a chuva que desaguou no início das apresentações. A pista mais seca deixou a escola à vontade para imprimir seu ritmo e realizar uma boa apresentação, calcada na leveza e na alegria do mundo circense, o que foi visto desde a comissão de frente. O ponto alto do ensaio foi o desempenho da ala musical, comandada pelos intérpretes Pâmela Falcão e Rodrigo Tinoco, num casamento impecável de vozes que potencializou o animado samba da azul e branco. Os componentes entraram na brincadeira e realizaram uma evolução solta, com bom canto na maior parte das alas, embora algumas destoassem no quesito. A agremiação do Engenho de Dentro pisará no sábado de carnaval como terceira escola a desfilar, com o enredo “A gargalhada é o xamego da vida”, celebrando a vida de Maria Eliza Alves dos Reis, a primeira palhaça negra do país. O enredo é de autoria da carnavalesca Annik Salmon.
Lipe Rodrigues e Márcio Dellawegah elaboraram uma comissão formada por 14 componentes vestidos de palhaços, numa caracterização de indumentária mais teatral, porém com uma coreografia inserida de elementos circenses, como cambalhotas e equilibrismo. A coreografia se mostrou criativa, e as interpretações foram boas, porém vários erros de sincronia foram visíveis, como no momento em que os integrantes formaram duplas e uma delas não interagiu corretamente. A execução da dança também teve alguns senões, deixando a apresentação irregular.
“O ensaio de hoje ainda está acontecendo, mas para a nossa comissão de frente foi um aproveitamento muito bom, de excelência no nível técnico. Sabemos que ainda há muito trabalho a fazer, e nossa estética, nossa sina — pela alegria do carnaval, pelo circo, pela história dessa palhaça negra — está sendo construída. Conseguimos trazer aqui um pouco desse vigor para o público. Estamos muito eufóricos, porque, de fato, é uma comissão de frente que vai trazer muita cena, alegria e algumas surpresinhas, simples, mas que vão chegar ao coração do público e, principalmente, ao dos jurados. Todo o trabalho está sendo pensado detalhadamente, não só por nós, mas com a carnavalesca e a direção da escola. O ensaio de hoje deu um gostinho do que vai acontecer no sábado de carnaval; quem viu, viu; quem não viu, vai ver na internet. Mas sem dúvidas, no dia do desfile, será outra coisa”, prometeu Márcio Dellawegah.
“Foi incrível, parando para pensar no trabalho que temos feito com nosso elenco e com a escola, é um resultado muito bom. Endosso o que o Márcio falou: é maravilhoso ver que conseguimos colocar todo o nosso trabalho e nossa mente em prática, e isso traz só alegria real. Mas também temos responsabilidade, não apenas porque o Arranco é uma escola de muita tradição, mas porque é uma escola de mulheres, e estamos falando da primeira palhaça negra. É uma história forte que fala muito sobre a nossa trajetória, nós, pretos periféricos, e nossa ancestralidade. Além de alegria, há grande responsabilidade, e vamos entregar um trabalho impecável, porque nossa geração e nossa história merecem isso”, completou Lipe Rodrigues.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Diego Falcão e Denadir tiveram um bom desempenho no ensaio técnico, com uma apresentação acertada e de boa interação entre ambos. Denadir transmite muita segurança nas suas ações e possui um rodopiar muito bonito, realizando seus gestos e seu bailado com naturalidade. Faltou um trabalho de pernas mais ágil para Diego em alguns momentos, principalmente na segunda parte do samba, quando ele baila para trás norteando os giros de Denadir, mas ele foi muito bem nos giros em torno do próprio eixo e no cortejo à Denadir. Na primeira cabine, na entrada da segunda parte, Diego fez o movimento de dar a mão para Denadir, mas não era esse o passo seguinte na série. Uma apresentação com pontos de correção, mas de bom nível.
“Somos perfeccionistas e sempre achamos que não está bom. Mas conseguimos executar tudo o que vínhamos ensaiando e identificar o que precisa ser ajustado, mesmo que seja um dia antes ou uma hora antes do Setor 1. Temos compatibilidade e afinidade para isso, e vimos que vai dar muito certo. Quanto à fantasia, hoje viemos como ciganos do Circo Guarani, para não ser óbvio, já que a escola trouxe palhaços em toda a agremiação. Escolhemos outra vertente, com uma energia leve e sutil, que estamos aprimorando na coreografia, pedindo também auxílio à aura cigana para ajudar no ensaio de hoje”, disse o mestre-sala.
“Para mim, nada está perfeito. O nome já diz: ensaio. Eu sempre saio daqui com a sensação de que ainda há muita coisa para ajustar, mas espero que tenha agradado a todos. Para mim, foi 75%, muito bom. Agora é continuar ensaiando, ensaiando, ensaiando, para fazermos algo ainda mais bonito no dia do desfile. Também vamos vir com a fantasia dentro do enredo, não na cor tradicional da escola”, completou a porta-bandeira.
EVOLUÇÃO
Leveza, corpo livre e bom uso da lateralidade da pista foram marcas da evolução que o Arranco apresentou neste ensaio. A primeira ala entrou um pouco mais travada na avenida, dando a impressão de que o avanço da escola seria morno, mas logo as alas seguintes mostraram qual seria a tônica da passagem da azul e branco. Componentes sorrindo, utilizando muito os braços, se movimentando sem engessamento e aproveitando as laterais, uma evolução solta e alegre, tal qual o samba da agremiação. O andamento também foi bem agradável, sem correria e mantendo tranquilidade para chegar ao final da Sapucaí. Um senão é que, pelo contingente pequeno, algumas alas vieram bem espaçadas para ocupar mais espaço, perdendo um pouco da compactação. Mas, no conjunto, o Arranco mostrou uma evolução leve, do jeito que a escola pretendia.
“A chuva atrapalhou um pouco, e alguns componentes não puderam vir, mas as pessoas que estiveram presentes ficaram alegres. O enredo pede leveza, brincadeira, e as pessoas vão ter uma surpresa no desfile oficial conosco. Hoje, a avaliação foi a mais positiva possível. Procuramos melhorar a cada ensaio. Se tudo fosse 100% hoje, seria uma falsa realidade; cabe a nós chegar à perfeição nos próximos ensaios, e no desfile oficial certamente será um show de bola. Esperamos transmitir muita risada, gargalhadas e felicidade. Vivemos em um mundo tão sofrido, e nosso enredo, que fala do palhaço Xamego, é tão alegre que queremos passar essa energia para o público e fazer um carnaval excelente, que com certeza faremos”, analisou Cosme Márcio, diretor de carnaval.
SAMBA E HARMONIA
O samba-enredo da escola teve ótimo desempenho, passando agradavelmente de ouvir durante todo o ensaio. Muito disso se deve à construção do enredo na letra, que facilita o canto, e à melodia que mantém o samba firme, além dos dois refrãos animados que a obra possui. Uma parte significativa se deve ao excelente rendimento da dupla de intérpretes. Pâmela e Rodrigo formam uma dupla na total acepção da palavra: as vozes não se atropelam ou se engolem, elas se somam, trocam forças e se unem. Um casamento impecável que levou o samba a alcançar um nível extremamente satisfatório. Belo trabalho da direção musical, comandada por Ledjane Motta.
A força demonstrada pelo samba na avenida também potencializou a harmonia da escola, embora algumas alas tenham pecado pela falta de canto, principalmente na meiúca da composição, só crescendo próximo ao refrão de cabeça. Foi assim com a primeira ala do Arranco, que pouco abria a boca quando o refrão acabava. Panorama bem diferente de várias outras alas que entoaram o samba com entusiasmo. A ala das baianas, que costuma apresentar mais dificuldade com o canto, levou todo o samba no gogó. A parte final da agremiação segurou bem e encerrou o ensaio cantando forte.
“Nossa! Mas foi uma das melhores avaliações possíveis. A comunidade cantou, a bateria veio junto, o carro de som alinhado, afinado. Internamente, eu não tenho do que reclamar, foi maravilhoso. A expectativa para o dia do desfile é das melhores possíveis. Hoje já tivemos um ótimo termômetro, com as frisas cantando e vibrando, e a arquibancada também. A comunidade vai abraçar a escola, e já abraçou, na verdade. Foi um samba escolhido de forma unânime pela escola e pela comunidade, e a gente só tem a chamegar na avenida. Sobre o novo sistema de som da avenida, é uma descoberta, um novo momento. Internamente, todos se ouviram, se comunicaram, o canal do nosso diretor musical funcionou perfeitamente, e ajustes foram feitos. Passagem de som e ensaio técnico são momentos diferentes, mas conseguimos superar as condições, mesmo com chuva. Esse processo vai se consolidar melhor no dia com a Sapucaí cheia, mas internamente, foi muito conciso e positivo”, afirmou Pâmela.
“Com certeza, foi uma energia incrível. Temos a sorte de ter um samba leve, consistente, que se manteve durante todo o ensaio. A bateria acompanhou, o samba pulsou o tempo inteiro, junto da comunidade e do carro de som. Estamos muito felizes e satisfeitos com o que aconteceu hoje. É emocionante ver a reação das pessoas, que nos transmitem energia e fazem a Sapucaí vibrar junto. A expectativa para o desfile também é das melhores, porque o Arranco foi cedo para a rua e tivemos uma resposta imediata do público; a crescente é maravilhosa. Sobre o novo sistema de som, concordo com a Pamela: é uma análise muito positiva. A diferença em relação ao ano anterior é clara, e essa técnica nos ajuda a aprimorar e evoluir. Ainda há ajustes a fazer, mas o desempenho foi incrível, e o som contribuiu muito para nossa evolução na avenida”, contou Rodrigo Tinoco.
OUTROS DESTAQUES
Citada anteriormente, a ala das baianas do Arranco mostrou muita disposição e energia, levando o samba da escola na ponta da língua até o final da apresentação, além de seus rodopios tradicionais.
A bateria, comandada pela mestra Laísa, animou a escola e o público presente com um ritmo gostoso, uma cozinha firme e uma bossa que emulava uma banda de circo, funcionando muito bem.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
“Exausta, mas com a certeza de que hoje entreguei tudo o que meus amigos e eu construímos nesta família chamada bateria Sensação. Estamos desde abril em uma escolinha, e muitas pessoas estrearam comigo na Sapucaí, algumas que nunca tiveram contato com a bateria de escola de samba. Hoje, estão aqui felizes, e só tenho a agradecer a eles por acreditarem no trabalho da minha diretoria, porque sem eles nada seria possível. São várias cabeças pensantes, e só tenho a agradecer à Bateria Sensação e, principalmente, às presidentes Diná e Tatiana, por me concederem a oportunidade de abrir portas para outras mulheres. Para o desfile, posso dizer que os pratos serão a cereja do bolo”, revelou a mestra.
Anderson Morango, mais uma vez, veio como segunda porta-bandeira do Arranco, mostrando talento, carisma e representatividade.
Em um final de semana marcado pela chuva que acompanhou os três dias de ensaios técnicos da Série Ouro, somente o Camarote King recebeu clientes e convidados com operação de carnaval. Mesmo com a chuva persistente durante todo o fim de semana, muita gente que estava nas arquibancadas buscou abrigo e conforto, o que aumentou o fluxo de público. No fim das contas, cerca de 3 mil pessoas passaram pelos três dias, resultado acima do esperado para um período tão afetado pelo clima.
Foto: Divulgação/Nelson Malfacini
“Quando abrimos para os ensaios técnicos, é a nossa forma de prestigiar não só as escolas do Grupo Especial, mas também as que aspiram retornar à elite do Carnaval. Além disso, é nesse momento que possibilitamos ao público a oportunidade de viver a experiência do camarote na Sapucaí”, explica Lilian Martins, diretora do camarote. “Os nossos ingressos são acessíveis, e o serviço de alimentação e bebida oferecidos dão mais conforto para quem busca assistir aos ensaios. Especificamente neste fim de semana, ainda nos tornamos abrigo da chuva, que caiu durante a apresentação de várias escolas”, completa.
A frisa do camarote ficou lotada, e a boate também teve seu espaço na programação, com shows de Jorginho Farias, dos grupos Na Farra e RDN, além das apresentações de Guga Nandes, Cardosão, Gebê, DG, Duduzinho, Sexy Love e Príncipe.
Para matar a fome, pizzas Oba-Oba, hambúrgueres do TJ Burger, sanduíches de churrasco grego e porções do Rei dos Salgados. Para beber, drinks de vodca, gin, whisky, refrigerantes, sucos e, é claro, o chopp Brahma Express.
Fazendo história
Em 2017, primeiro ano do Camarote King na Avenida, o espaço foi aberto durante os ensaios técnicos para receber clientes e convidados, até como uma forma de testar a operação.
O evento cresceu tanto nos anos seguintes que as pessoas começaram a procurar ingressos para acompanhar os ensaios. “Em 2023, os sócios investiram em atrações na boate durante os intervalos dos ensaios, e o encontro foi carinhosamente chamado de Samba da Abelhinha, em homenagem à matriarca da Família King”, explica Tadeu Silva, gerente-geral do camarote.
Em 2024, parte do faturamento do evento e mais de três toneladas de alimentos doadas pelos clientes foram destinadas para ajudar centenas de famílias afetadas pelas chuvas no Rio de Janeiro no início daquele ano.
Por Luiz Gustavo, João Gabriel Rothier, Guibsom Romão e Mariana Santos
A Inocentes de Belford Roxo abriu o domingo de ensaios técnicos da Série Ouro buscando se recuperar da má colocação de 2025 e teve um início impactante, com uma largada forte no canto da escola, uma competente comissão de frente e um casal de muita qualidade, apesar das dificuldades com a pista molhada, por conta da forte chuva que caiu no início do ensaio da agremiação. Após a ótima entrada, a escola não manteve a pegada e teve uma queda no canto e no desempenho do samba, com algumas alas deixando a desejar e acompanhando apenas os refrões. O final do ensaio deixou um gostinho de que a Inocentes poderia ter mantido o ritmo do começo, até porque a chuva diminuiu ao longo da passagem da escola na Sapucaí. A Tricolor da Baixada será a segunda escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, apresentando o enredo “O sonho de um tal pagode russo nos frevos do meu Pernambuco”, do carnavalesco Edson Pereira.
Sérgio Lobato e Patrícia Salgado trouxeram uma comissão com a estética da literatura de cordel, com fantasias em preto e branco. Algumas cenas foram teatralizadas, como um padre celebrando um casamento, enquanto os demais componentes realizavam passos inspirados em ritmos como baião, xaxado e, claro, o frevo. A coreografia realizada foi interessante e bem dinâmica, com boa sincronia entre os integrantes, apesar de alguns pequenos erros de timing na execução. Uma comissão divertida no embalo do samba da escola, um bom começo de ensaio da Inocentes.
“Acho que foi um bom ensaio. Choveu muito, como todo mundo pôde ver, mas os bailarinos passaram muito bem. O nosso foco foi o fôlego e a distância das cabines dos jurados, e eles conseguiram performar muito bem. Não tivemos problemas com a chuva, e isso fez deste um bom ensaio para que o grande espetáculo seja ainda melhor. Estamos muito animados, trabalhando bastante, e as expectativas são as melhores possíveis”, afirmou Patrícia Salgado.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
“A avaliação da comissão foi muito boa. Mesmo com a chuva e o chão escorregadio, eles performaram muito bem. Em relação ao desfile em si, acho que a escola está muito animada, com uma pegada muito boa. É claro que sempre há modificações, porque não temos os carros alegóricos e o tempo acaba aumentando para nós, mas foi um ótimo desfile. A expectativa para o dia do desfile oficial é máxima. Estamos trabalhando muito para preparar um grande espetáculo, que será um lindo espetáculo de brasilidade, com surpresas, e esperamos notas 10. Sobre o que não foi apresentado hoje, na verdade, nada do que mostramos aqui é do desfile oficial. Esse trabalho já estava programado desde o início para o ensaio e o mini desfile, homenageando a arte da xilogravura. No desfile oficial, vamos homenagear outra arte: viemos hoje no preto e branco e, agora, vamos voltar no colorido”, completou Sérgio Lobato.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Vinicius Jesus e Thainá Teixeira formam um casal de muita qualidade, e esse potencial novamente foi demonstrado no ensaio no sambódromo, mesmo com as condições adversas da pista, devido à forte chuva que caiu em parte da apresentação da agremiação. Uma série que mistura leveza, técnica, sintonia entre ambos e elegância. Alguns movimentos acabaram sendo feitos de forma mais lenta por conta do chão molhado, como certos giros de Thainá; mesmo assim, ela foi muito precisa em seu bonito bailado, como em uma sequência difícil de rodopios no refrão central, todos muito bem realizados. Vinicius conseguiu manter sua dinâmica e também realizou uma bela apresentação, com um ótimo jogo de pernas. A condução de mãos e o cortejo foram muito bem realizados; é um casal que se comunica bastante pelo olhar. Na primeira cabine, Vinicius errou uma das pegadas na bandeira; de resto, foi uma apresentação impecável do casal.
“Avalio o ensaio de forma muito positiva, principalmente por termos conseguido testar tudo o que queríamos no ensaio técnico, inclusive o andamento da escola com chuva, algo que já estava previsto e acabou acontecendo. São movimentos pensados para o desfile, embora algumas coisas só funcionem plenamente com a fantasia e, por isso, fiquem apenas para a avenida. Ainda assim, foi fundamental para testar nosso andamento, entrosamento e trabalho coreográfico. Estou muito feliz com a escola, com a alegria no final do ensaio, todo mundo pulando, vibrando e cantando. A chuva não atrapalhou em nada. Conseguimos entrar em todas as cabines com a mesma garra e energia, inclusive na última, que será uma cabine dupla, chegando com a mesma vontade da primeira. Agora é trabalhar, corrigir, sentar com calma, assistir aos vídeos e avaliar tudo junto com a nossa coreógrafa, Carol Vilanova. Sou muito grata a toda a equipe, aos amigos e à família, porque sem eles nada disso seria possível. Também estou muito ansiosa para a estreia oficial. A Inocentes é uma escola quente, enérgica, que abraça a gente, e isso só dá ainda mais força para defender esse patrimônio com todo amor que ele merece”, disse a porta-bandeira.
“A fantasia está linda. Já fizemos duas provas, uma delas com a fantasia completa, e seguimos ajustando alguns detalhes. Estamos muito felizes com o resultado. Ela está sendo confeccionada no ateliê do Edmilson Lima, que está fazendo um trabalho maravilhoso. A fantasia é bem alegre e traz uma cor diferente do que o público está acostumado a ver na Inocentes, totalmente ligada ao enredo”, completou o mestre-sala.
EVOLUÇÃO
A Inocentes apresentou uma evolução com alternâncias de ritmo neste ensaio, iniciando muito forte no embalo da firme arrancada do samba nos primeiros minutos. As primeiras alas partiram com vontade na pista, dando volume e pegada, mas, à medida que a escola avançou e foi parando para as apresentações de comissão e casal, o ritmo caiu. A evolução foi ficando mais morosa, com algumas alas apresentando componentes pouco participativos, desfilando de forma protocolar, com poucos movimentos de braços. Em termos de organização de espaço, a escola foi mais correta, sem problemas evidentes, buracos ou atropelos entre as alas, e chegou ao final do Sambódromo sem correria.
“Hoje foi para lavar a alma. Apesar do mau tempo e de termos aberto o dia, graças a Deus deu tudo certo. O resultado foi uma escola feliz, cantando, com a proposta executada. Agora é esperar o dia 13. A escola está pronta, começamos a entregar as fantasias já nesta semana, o barracão está em fase final. Claro que ainda vamos rever o ensaio, ajustar alguns pontos e alinhar detalhes em reuniões ao longo da semana. Espero que não tenha chuva, porque isso dificulta a comunicação, mas a escola evoluiu muito, cantou forte, o Ito foi excelente, o Washington está de parabéns e Belford Roxo inteira está feliz. O que podem esperar da escola é uma virada de chave: deixar o último carnaval para trás, seguir em frente e, se Papai do céu permitir, voltar ao Grupo Especial”, afirmou Julinho Fonseca, diretor de carnaval.
HARMONIA E SAMBA
Assim como em relação à evolução da escola, o canto da Inocentes teve um início forte, com os componentes entrando na avenida com bastante energia, apesar da água caindo de forma insistente. Com o passar do ensaio, o entusiasmo dos desfilantes foi diminuindo, e o canto passou a ser inconstante, com algumas alas mantendo o samba na ponta da língua e outras cantando apenas os refrões, que foram mais sustentados até o final do treino.
O samba da Inocentes possui uma letra de assimilação fácil e uma pegada animada, o que facilitou a forte entrada da escola, iniciando com uma passagem envolvente. Mas a obra não foi sustentada durante o desfile e apresentou sinais de cansaço da metade do ensaio em diante, excetuando o refrão principal, que conseguiu se manter firme. Uma passagem aquém da qualidade que o samba pode proporcionar.
“Foi um ensaio maravilhoso. Acho que ninguém melhor do que vocês, que observaram e acompanharam a escola, para perceber o canto forte, a evolução, a garra, o brilho do samba, da bateria e da comunidade. A Inocentes veio como se fosse um desfile oficial, com tudo o que foi combinado sendo executado e todos os quesitos atendidos. Agora é esperar o momento especial, porque no desfile oficial vamos fazer três vezes melhor. Se hoje já foi assim, imagina no dia: a escola vai voar, no bom sentido. O canto está muito forte, o chão está forte, o barracão está maravilhoso, assim como a coreografia, a comissão de frente e o casal de mestre-sala e porta-bandeira. O que mostramos aqui é cerca de 50% do que a Inocentes de Belford Roxo realmente tem para apresentar. Viemos para disputar o título, sem marra e sem animagogia. Sobre o novo sistema de som, houve uma pequena falha no final, algo já avisado pela direção, mas a expectativa é que tudo esteja ajustado até o desfile oficial, o que é fundamental para acompanhar o canto em toda a Marquês de Sapucaí”, comentou o intérprete Ito Melodia.
OUTROS DESTAQUES
A bateria comandada pelo mestre Washington imprimiu um ritmo agradável ao samba da Inocentes, com boas bossas, destaque para a que simula um frevo no refrão de cabeça.
As passistas da Baixada estiveram entre os componentes que mais cantaram o samba, além de sustentarem o samba no pé.
“Foi um ensaio muito positivo para a Inocente. A bateria respondeu bem, a comunidade cantou forte e conseguimos colocar na avenida tudo aquilo que vem sendo trabalhado desde o início da temporada. Ainda temos alguns ajustes finos a fazer, principalmente de encaixe e pressão, mas o caminho está muito bem desenhado. O importante é chegar ao dia do desfile com a bateria confiante, segura e conectada com o samba. Hoje foi para sentir a pista, testar bossas e mostrar que a Inocente vem com personalidade. Temos alguns dias importantes de trabalho pela frente, mas a base está pronta e a entrega vai ser grande”, explicou mestre Washington.
Por Guibsom Romão, Mariana Santos, João Gabriel Rothier e Luiz Gustavo
Sendo a terceira escola da noite a cruzar a Sapucaí no último dia de ensaios técnicos da Série Ouro, no último domingo, o Império Serrano pisou em peso na avenida, com quesitos fortes e canto alto. A Verde e Branco da Serrinha derrapou em evolução e estourou o tempo de desfile em 13 minutos.
Com o enredo “Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteve, em homenagem à escritora Conceição Evaristo, que esteve presente no ensaio desfilando em um carro, a escola, que é nove vezes campeã do Grupo Especial e tem uma comunidade apaixonada, mostrou que tem disposição para a disputa do título da Série Ouro, mas ainda precisa ajustar alguns pontos se quiser entrar na briga de fato.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Marlon Cruz, a comissão era composta por 15 mulheres, sendo uma pivô. Quatorze delas estavam vestidas de donas de casa, que trocaram o balde d’água na cabeça por livros e levavam os baldes nas mãos. Durante a apresentação, retiravam um tecido verde e branco molhado que, ao ser sacudido, produzia um efeito impactante dos pingos d’água no ar. A pivô representava a homenageada Conceição Evaristo.
Durante a coreografia, as mulheres vestidas de donas de casa aparentavam proteger e incentivar a pivô que representava Conceição Evaristo, que, na última parte da apresentação, pega um lápis e um caderno, como se fosse escrever algo. Sendo assim, é possível intuir que as mulheres do trabalho braçal e as lavadeiras de roupa foram importantes na trajetória da grande escritora que Dona Conceição Evaristo se tornou.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
Em suma, foi uma apresentação engajante, com uma dança ágil, bem sincronizada, que ocupava todo o espaço e promete ser emocionante no desfile oficial.
“É muito gratificante representar e ser representado ao mesmo tempo. Falar da Conceição Evaristo é falar do meu povo, da minha mãe, da minha irmã e do meu pai, até porque ela também fala deles. É representar sendo representado. Estou muito feliz com essa oportunidade de homenagear uma pessoa em vida e sei que sou apenas uma célula dessa escrevivência da Conceição Evaristo. A gente aprimora até o último dia; é um elenco forte, feminino, e até o último instante teremos muitas novidades”, comentou o coreógrafo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Matheus Machado e a estreante Maura Luiza apresentou uma dança bem solta, rápida e ágil. A coreografia é ótima, dialoga com o enredo e com o samba, porém carece de um refinamento nos movimentos dos dois. Ambos se apresentaram com um nível de rapidez levemente desnecessário, além de certa falta de delicadeza nos movimentos dos braços. Para uma apresentação impecável, é preciso deixar os braços um pouco mais soltos e controlados. No entanto, o casal aparenta ter sintonia e, como nada nasce pronto, basta um aprimoramento mais requintado nesses movimentos para que as apresentações tendam a render belas notas.
“Estou muito emocionada. Eu e o Matheus nos preparamos muito para esse momento, e não tem sido fácil: ensaios, ajustes aqui e ali, tudo para tentar levar um espetáculo bonito, à altura do que o Império merece. Ainda estou em êxtase, muito feliz mesmo. Espero que as pessoas tenham gostado do nosso trabalho, porque ele foi feito com muito amor e carinho. Sobre a fantasia, posso dizer que está muito bonita, linda mesmo”, afirmou a porta-bandeira.
“Foi um excelente dia de ensaio para a gente. Tudo o que planejamos durante os ensaios foi executado hoje. Eu estava muito tranquilo em relação ao que iria fazer e procurei passar essa confiança para a Maura, assim como ela passou para mim. Quando chegou a nossa vez, no setor 1, era eu, ela e o jurado, e graças a Deus tudo o que ensaiamos foi executado com perfeição. Saio daqui tranquilo, com a consciência muito limpa pelo trabalho que entregamos. A expectativa para o desfile oficial é nota 40 e o Império campeão, porque o trabalho está entregue. Sobre a fantasia, posso garantir que está linda. O Alex, que está confeccionando, chegou a mostrar um pouco em uma chamada de vídeo, e tenho certeza de que será belíssima, valorizando ainda mais o que vamos apresentar na avenida neste ano do Império Serrano”, completou o mestre-sala.
EVOLUÇÃO
No início, poderíamos dizer que o Império Serrano desfilava sem pressa, deixando o público contemplar o seu cortejo e seus componentes na Sapucaí. Porém, a escola andou devagar e, mesmo com a bateria não entrando no segundo recuo, encerrou o ensaio com 68 minutos de duração, 13 minutos a mais do que os 55 minutos, o máximo permitido. É fato que a escola da Serrinha havia apresentado o maior número de componentes até aquele momento da noite, porém fica o alerta de atenção para o tempo de desfile. A escola não correu e não aparentou ter se preocupado com o tempo durante o ensaio.
No fim, a “Sinfônica do Samba” teve que continuar tocando na dispersão para que as últimas alas terminassem de desfilar.
“Apesar da chuva forte que caiu hoje na cidade do Rio de Janeiro, graças a Deus a comunidade, sempre muito imperiana, atendeu ao nosso pedido e compareceu ao ensaio. Conseguimos realizar um trabalho com algumas demarcações importantes, e o balanço é positivo. Mesmo com adversidades e com algumas coisas ainda em processo de montagem na pista, o saldo final foi bom. A expectativa para o desfile oficial é grande, porque estamos contando a história da Conceição Evaristo, uma escritora popular que tem um carinho enorme pelo Império, assim como o Império tem por ela. A expectativa é de 100%, estamos ansiosos pela chegada do dia do desfile para fazer uma ótima apresentação. Em relação ao andamento do barracão, estamos em um ritmo legal, entre 80% e 90% prontos. Sabemos que a subvenção saiu há poucos dias e estamos correndo contra o tempo, mas tudo vai sair conforme o planejamento do carnavalesco, e vamos fazer um belíssimo desfile. Quanto ao atraso na saída, faz parte do ensaio técnico: estamos testando demarcações e combinações para que, no dia do desfile oficial, tudo flua perfeitamente”, afirmou Jefferson Carlos, diretor de carnaval.
HARMONIA E SAMBA
A escola apresentou um canto excelente que, ao lado de um samba ótimo, resultou em uma ótima performance. O intérprete Vitor Cunha e seu carro de som defenderam a obra com maestria e competência; os cacos estavam na medida, e tudo fluiu muito bem.
O trecho “A gente combinamos de não morrer! / Combinamos de não morrer!” funcionou como um grito de guerra pelas alas, apresentando potência e vigor ao canto da escola.
“Mesmo com chuva, a comunidade mostrou sua força na avenida, cantando muito o samba. A Sapucaí se entregou. Estamos prontos para o carnaval; o Império Serrano vai ser uma escola que todo mundo vai esperar passar. Como quarta escola de sábado, vamos levar esse samba maravilhoso que fala da Conceição Evaristo, e espero que quem estiver lendo esteja junto com a gente. O que precisamos melhorar é apenas o som da Sapucaí, que ainda falha bastante. Falta refinar esses detalhes de referência, porque em alguns momentos, como no final, não sabíamos se o som ainda estava ou não”, explicou o intérprete Vitor Cunha.
OUTROS DESTAQUES
A ala das crianças foi um trunfo neste ensaio, pois, além de numerosa, as crianças sabiam o samba inteiro e evoluíram muito bem durante a apresentação.
“Acho que fizemos uma boa passagem, até porque trabalhamos para isso ao longo da temporada. Houve muita dedicação e o que foi apresentado hoje é exatamente o que será mostrado no dia do desfile. Espero que gostem do nosso trabalho. O Império Serrano tem nome, força, comunidade e garra, e vamos fazer um belo desfile para contribuir com uma boa nota para a escola”, disse mestre Sopinha.
Por Allan Duffes, João Gabriel Rothier, Mariana Santos e Luiz Gustavo
O Tigre de São Gonçalo rugiu forte no ensaio técnico deste domingo. Nos 51 minutos de treino na Sapucaí, o Porto da Pedra mostrou a força da sua comunidade, que cantou o samba sem economizar na voz, em uma evolução pulsante e alegre em todas as alas. O samba-enredo teve ótimo rendimento, conduzido de forma magnífica por Wantuir, em uma de suas noites inspiradas. Também o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira foi um dos grandes destaques da passagem da escola no sambódromo. O Porto da Pedra será a penúltima escola da Série Ouro a desfilar, no sábado de carnaval, com o enredo “Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes.
Com um número montado sobre a letra do samba, o quesito coreografado por Aline Kelly fez boa apresentação no ensaio técnico. A comissão de frente apresentou a Dama do Cabaré como personagem central da dança. Com ela, 12 componentes trajados com os estereótipos de prostitutas. Eles interagem em uma ótima montagem, em que, em dado momento, rodam suas bolsinhas sincronizadamente. Muito jogo de corpo, muitas braçadas, como dançam as divas do pop, e muito carão nas poses. Tudo muito bem feito no quesito. A sintonia dos componentes e o bom humor da apresentação deram o tom de uma bela exibição nos módulos de jurados.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
“Eu acho que o ensaio foi melhor do que eu até esperava. A Porto é uma escola de muita garra, com uma comunidade aguerrida e disciplinada. Mesmo com todas as dificuldades para realizar ensaios de rua, que sabemos ser de suma importância, por questões de gestão da cidade conseguimos fazer apenas um. Ainda assim, a comunidade deu um show, como sempre, de canto, evolução e harmonia. A comissão de frente entrou pisando firme por aquele portão, representando essas mulheres, e a noite foi muito mais de celebração. O treino é importante, mas entramos na avenida com o intuito de celebrar a força, a vida e a dignidade dessas mulheres que estão na rua todos os dias. Ficamos felizes com o resultado, mas já vamos analisar todos os vídeos com atenção para identificar o que pode melhorar. Sabemos também que essa não é a coreografia inteiramente oficial, porque no dia do desfile teremos o tripé da comissão, outros momentos, nuances, elementos e recursos dramatúrgicos que aqui não foi possível usar. A intenção de hoje foi celebrar a cultura e o carnaval. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelas escolas da Série Ouro este ano, com falta de recursos e atraso no repasse de verba, estamos aqui, porque somos um povo que resiste. Vamos avaliar tudo hoje e amanhã para aprimorar para o grande dia. O público que vem assistir a essa grande festa do nosso povo merece ver o melhor, e com certeza vamos fazer o melhor”, garantiu a coreógrafa.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Rodrigo França e Joyce Santos deram um show. O mestre-sala, sempre muito enérgico, deixa na pista a vontade de ganhar mais um 10. A porta-bandeira, estreante na escola, já deixou o cartão de visitas da melhor qualidade na Sapucaí. Rodrigo, de terno branco, e Joyce, com vestido vermelho com detalhes em preto, fizeram excelente apresentação, com cortejo e giros precisos, mostrando que estão muito bem ensaiados e entrosados.
Destaque para o que fizeram após desfraldar a bandeira no refrão principal: Joyce se afasta de Rodrigo e faz duas voltas em torno dele com giros, fazendo alguns contra-giros nas meias-voltas.
Foto: João Gabriel Rothier/CARNAVALESCO
No primeiro módulo, o final da apresentação foi diferente dos demais. Na cabine 1, Joyce faz uma “bandeirada” no verso “tigresa que mata um leão por dia” e encerra a apresentação. Nas demais cabines, a bandeirada é mais tímida e no início do refrão principal. Segundo o mestre-sala Rodrigo, o casal testou dois momentos no ensaio de hoje. O primeiro é bem melhor.
“Vou te falar: foi sensacional, maravilhoso, como todos os anos. Graças a Deus, as minhas porta-bandeiras se entregam muito. Foi sucesso, sucesso mesmo. Minha porta-bandeira é nota 10. Eu me dedico muito todos os anos; já são 20 anos na Porto da Pedra e, graças a Deus, tem sido só sucesso. Há três anos perdi alguns décimos por conta da fantasia, mas as notas mostram o quanto a gente se entrega e ensaia. O resultado tem que vir, porque é muita dedicação. Hoje não foi diferente: nos dedicamos, nos entregamos, as quatro cabines foram maravilhosas. No dia do desfile oficial, quando realmente vale, sem sombra de dúvidas, vai ser sucesso também. Somos muito exigentes, e a nossa fantasia precisa vir impecável. Graças a Deus, a escola nos atende, e será mais um ano de sucesso. A fantasia vai casar com o casal; vamos formar um só”, disse o mestre-sala.
“Que isso! Quarenta pontos, né, gente? Vinte na dupla do final, dez na segunda e dez na primeira! Achei que ficaria mais nervosa, mas precisava desse ensaio para entender que estou tranquila e segura, tanto com o mestre-sala quanto com a escola que eu tenho. A expectativa para o desfile oficial é maravilhosa; não tem como dizer outra coisa a não ser que vai ser incrível. Sobre a fantasia, como já falamos para todo mundo que perguntou, é algo diferente, algo que vocês não viram nos últimos anos na Porto da Pedra. É uma fantasia que vai surpreender muito quando a escola entrar na avenida, principalmente por conta do enredo”, completou a porta-bandeira.
SAMBA-ENREDO
O samba composto por Bira, Rafael Raçudo, Oscar Bessa, Márcio Rangel, Eric Costa, Fernando Macaco, Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Miguelzinho, Jarrão e Pierre Porto teve ótimo rendimento neste ensaio técnico.
No canto da comunidade, eles enchem a boca para cantar o trecho “Uma puta mulher, que sabe o que quer”, que, com a tônica dada no adjetivo, ajuda a encher os pulmões e soltar a voz no verso. No trecho “sou Geni que se libertou / fiz um Porto da Pedra que você jogou”, também há uma variação na melodia que ajuda o componente a cantar melhor e a pegar energia para o refrão do meio.
Como de costume, Wantuir foi um show à parte e conduziu, com seu talento indiscutível, o samba do Porto da Pedra. “É maravilhoso estar representando essas mulheres incríveis, que nos trazem tanta alegria e satisfação, com todo respeito e prazer. Com toda certeza, se estivesse no Grupo Especial, seria o enredo do Carnaval de 2026. Muito obrigado à Porto da Pedra, ao Mauro Quintaes, por esse enredo maravilhoso, a essa parceria sensacional com o mestre Pablo, a Ritmo Feroz e toda a comunidade, além do meu presidente. Foi babado! Agora, acho que é só se fantasiar e vir para a avenida. O trabalho está bem feito, organizado, e, independentemente de disputa, isso aqui é carnaval: a gente vem para se divertir, brincar e ser feliz. E é isso que estamos fazendo”, afirmou Wantuir.
HARMONIA
O Porto da Pedra botou para ferver, e o Tigre passou bem com sua comunidade. Todas as alas cantando muito o samba da escola, de ponta a ponta. A melodia do samba ajuda bastante no trabalho da harmonia, e fica claro que a comunidade gosta do que está cantando. O entrosamento do carro de som reflete na atuação da comunidade. Também, com o canto da escola sendo liderado pela lenda Wantuir, é impossível não querer cantar junto.
EVOLUÇÃO
O Porto da Pedra ensaiou com poucas alas, e a bateria saiu do segundo recuo aos 34 minutos de ensaio. Isso fez com que a escola ficasse até o minuto 51 no último terço da avenida. Provavelmente estavam descontando tempo da escola completa no desfile. Tirando essa questão, usou bem a pista. O Tigre evoluiu feliz. As alas coreografadas deram movimento, e todos os componentes se divertiram durante o ensaio. Não foram registrados buracos ou qualquer tipo de correria ao longo da escola.
“A escola tá uns 80% pronta para desfilar. Hoje, viemos aqui para corrigir algumas coisas e foi ótimo. A escola evouiu bem, os componentes cantaram com vontade, o enredo é forte e ajuda. O samba rendeu muito bem, hoje eu daria 9.9 para o desempenho porque dez tem que ser no dia do desfile”, profetizou Aluizio Mendonça, diretor de carnaval.
OUTROS DESTAQUES
A indumentária de mestre Pablo é sempre um evento à parte. Hoje, ele ensaiou com uma bata com a estampa do corpo de uma mulher vestindo apenas lingerie, que encaixava no pescoço dele. Ainda sobre fantasia, a roupa dos passistas estava de puro bom gosto: mulheres com collant vermelho, com rosas na cintura, e homens de terno vermelho com capa preta. Luxo total.
“Gostei muito do ensaio de hoje. A comunidade veio cantando bastante, com muita garra, o que, para mim, não é novidade, porque sei que a comunidade de São Gonçalo canta, na verdade, eles gritam o samba. Fico bastante feliz com o resultado. Claro que ainda há coisas a ajustar, como em todas as escolas; vamos passar aquela ‘flanelinha’ para ir brilhando até o dia do desfile. Mas o saldo foi mega, mega, mega positivo. Parabéns à Ritmo Feroz e à Porto da Pedra. A expectativa para o desfile oficial é a melhor possível. O que vimos hoje foi só um aperitivo, porque no dia do desfile tudo envolve emoção, a galera estará fantasiada e o carnaval é completamente diferente. Não se espantem se o caneco atravessar a ponte Rio–Niterói e for direto para São Gonçalo; estou bastante otimista. Para o desfile, venho com duas bossas, bem bacanas, não são fáceis, mas estão super bem ensaiadas. A comunidade e toda a Ritmo Feroz estão presentes nos ensaios, e a gente quer entregar excelência na avenida. Podem esperar um show, não apenas uma bateria para jurado, mas uma bateria-show para todo mundo que for assistir, porque todos merecem esse espetáculo. Sobre o novo sistema de som, tudo ainda é muito novo para todo mundo. Estamos vivendo a primeira experiência, passando por vários testes, ajustando a cada ensaio para que, no dia do desfile, tudo seja perfeito. Não dá para dizer ainda se é bom ou ruim sem a experiência completa, mas a cada etapa está melhorando. Se Deus quiser, teremos excelência na avenida no dia do desfile oficial”, analisou mestre Pablo.
Por Guibsom Romão, Mariana Santos, João Gabriel Rothier e Luiz Gustavo
Fechando a última noite de ensaios técnicos da Série Ouro, a Estácio de Sá, no último domingo, fez um ensaio potente, aguerrido, organizado e com um canto impecável de sua comunidade. Com o enredo “Tata Tancredo: o Papa Negro no terreiro do Estácio”, assinado pelo carnavalesco Marcus Paulo, a Estácio de Sá será a quinta escola a desfilar no sábado de Carnaval e, se o desfile for semelhante ao ensaio técnico, o Leão está prontíssimo para a disputa do título da Série Ouro.
Sob o comando de Júnior Barbosa, a comissão de frente se apresentou com figurinos em azul-claro e branco, com pinturas corporais que referenciam a estética do universo afro-brasileiro. A apresentação coreográfica explorou gestos firmes e simbólicos, dialogando com a ancestralidade dos orixás e ocupando a pista de maneira equilibrada, com formações que se refletiam lateralmente e facilitavam a compreensão do público.
Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi quando o grupo se abaixou por completo, abrindo espaço para que a pivô girasse ao centro da formação, simbolizando a incorporação de uma entidade, traduzindo em cena a homenagem que a escola presta a Tata Tancredo. A leitura foi imediata e impactante, com forte carga simbólica, conectando o público das arquibancadas à narrativa proposta. A comissão mostrou clareza de conceito e potencial para emocionar ainda mais no desfile oficial.
“A minha avaliação do ensaio de hoje é sempre positiva, porque a gente vem entregando muita coisa nos ensaios, e hoje foi a prova disso: muita força, muita garra, muita sequência e muita entrega dos bailarinos em cena. A expectativa para o dia do desfile oficial está a mil, principalmente por conta de toda a logística que a gente prepara. Este é o meu segundo ano na Estácio, novamente vindo com dois elencos, trazendo sempre o que eu preciso levar para a avenida, que é a história de Tata, mostrando a força e a garra que precisamos apresentar. Sobre surpresas, não posso revelar, mas posso garantir que vai ser impactante e que vamos contar toda a história de Tata do início ao fim”, afirmou o coreógrafo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O experiente casal, Feliciano Júnior e Raphaela Caboclo, apresentou uma coreografia pronta, ágil, clássica, animada, leve, graciosa e bem executada. O casal demonstrou sintonia, sincronia e capacidade de gabaritar todas as cabines de jurados, pois, aparentemente, está tudo pronto. Os giros foram bem controlados e os cumprimentos respeitaram, com elegância, o pavilhão, sem excessos. A segurança demonstrada pelo casal reforça a impressão de um quesito sólido e altamente competitivo.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
“Na verdade, hoje foi um grande termômetro do que a gente vai mostrar na avenida. A gente se preocupa com cada detalhe e sentiu a energia e a vibração do público, que foi o grande ponto alto desse ensaio para nós. Agora o foco é total no desfile, que acontece em menos de um mês, e acho que a missão foi cumprida hoje. Cada dia é um dia: a gente assiste aos vídeos, observa cada detalhe, porque somos muito exigentes com o nosso trabalho. Temos a Marluce ao nosso lado, que também pega no pé e se preocupa com tudo. Quando você vê o vídeo, tem a noção geral, mas sentir o público vibrando é a confirmação de que chegamos ao nível do homenageado. Fazemos carnaval para a comunidade, e o Tata Tancredo merece essa vibração, esse calor e esse carinho, porque é uma referência de comunidade, raiz, força e ancestralidade”, disse o mestre-sala.
“Somos muito exigentes conosco enquanto casal, porque é um pavilhão e precisamos honrar o peso que ele carrega, tudo o que representa e todas as pessoas que ele traz. Acho que foi uma das melhores apresentações que fizemos depois de a coreografia estar montada, e agora é daqui para melhor. Até o dia 14 de fevereiro, é lapidar e massificar, para que, felizmente, seja mais um ano com nota máxima”, completou a porta-bandeira.
EVOLUÇÃO
Com um número grande de componentes, a Estácio de Sá fez um ensaio tranquilo. Controlando muito bem o seu tempo na pista, o Leão manteve seu andamento por toda a Sapucaí no mesmo ritmo; não houve nenhuma intercorrência. A escola encerrou seu ensaio com 54 minutos e com muita tranquilidade. As alas evoluíram de forma coesa, sem buracos ou correria, permitindo boa leitura do conjunto. A fluidez do cortejo reforçou a organização da escola ao longo de todo o percurso.
Mas fica um ponto de atenção para o número elevado de pessoas da escola andando nos cantos da pista, atrapalhando harmonias e outros profissionais que precisam se locomover pela Sapucaí.
“Saio muito satisfeito com o que vi e vivenciei. Foi exatamente o que a gente vem buscando. Como gosto de deixar claro, estamos passo a passo em um processo evolutivo para chegar prontos no dia 14 de fevereiro. Hoje, aquilo que viemos buscar aqui, eu saio feliz porque encontramos. Nada melhor do que o treino no campo de jogo; isso é muito importante para a gente, para sentir a escola, essa vibração. E essa escola realmente tem um chão que faz a diferença. Quero deixar aqui o meu agradecimento à comunidade e a cada segmento: vocês entregaram tudo o que pedimos. Estou sem voz, mas muito feliz”, citou Edvaldo Fonseca, diretor de carnaval.
HARMONIA E SAMBA
Com um samba ótimo e muito animado, a Estácio foi a escola que apresentou o melhor canto da noite, com todas as alas cantando. No refrão principal, “Macumba é macumba, canjerê, mojubá…”, foi cantado com explosão, sustentando o samba com firmeza ao longo do percurso, além do desempenho exemplar do carro de som comandado pelos intérpretes Tiganá e Serginho do Porto. A obra mostrou excelente comunicação com a comunidade, que respondeu de forma intensa e uniforme. A harmonia foi um dos grandes trunfos do ensaio, criando um ambiente de empolgação constante na avenida.
“A minha avaliação do ensaio de hoje superou todas as expectativas. A gente já vem ensaiando há bastante tempo na rua e na nossa quadra, e hoje mostramos a força do Leão, a força do Estácio na Sapucaí. No dia do desfile, pode ter certeza de que será um dos melhores desfiles; se Deus quiser, o Estácio de Sá vai usar esse desfile para chegar forte ao Grupo Especial. A expectativa para o desfile oficial está lá em cima, é a melhor possível. Toda a escola está feliz com o samba, com o trabalho feito na quadra e com o carnaval. Temos certeza de que o nosso presidente, junto com o carnavalesco e toda a diretoria, trabalha arduamente todos os dias para mostrar o que há de melhor na cidade. No ano passado já fizemos um bom desfile, e neste ano vamos fazer um três vezes melhor, mostrando à Sapucaí que merecemos o Grupo Especial. Sobre o novo sistema de som, é um teste, algo novo mesmo, diferente do modelo antigo com caminhão e passagem de som mais rápida. Estamos nos adaptando, não só a gente, mas todas as escolas. Hoje fizemos um tempo completo de desfile e, apesar de possíveis dificuldades, tenho certeza de que vai dar certo. É um bom som, com mais espaço para transitar, e acredito que será muito positivo para o carnaval”, comentou o intérprete Tiganá.
“A gente está muito feliz, porque é mais um passo de todo esse trabalho para o desfile principal. Viemos ensaiando todas as segundas-feiras, e hoje foi um momento importante para tirar dúvidas, além de ser a primeira vez com o som, que funcionou muito bem — não viemos apenas para passar som. Estamos ainda mais felizes por termos uma comunidade forte; a Marquês de Sapucaí é o quintal da Casa da Estácio. A expectativa para o desfile oficial é grande, apesar de sabermos o quanto é difícil fazer carnaval na Série Ouro. Temos uma comunidade forte, uma bateria maravilhosa e um chão muito consistente aqui no Complexo de São Carlos. Mesmo com as dificuldades, inclusive financeiras, estamos nos preparando, a trancos e barrancos, para buscar o primeiro lugar e voltar ao Grupo Especial. Sobre o novo sistema de som, ele é maravilhoso e ajuda bastante, tanto com o fone quanto com a sonorização da avenida. A única preocupação é o excesso de pessoas à frente e atrás da bateria, algo que precisa ser controlado, porque desfile vale ponto. Isso será tratado em reuniões internas até o dia do desfile. Fora isso, a avaliação é extremamente positiva”, assegurou o cantor Serginho do Porto.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Medalha de Ouro”, do mestre Chuvisco, deu um show de ritmo e bossas no ensaio. Com paradinhas bem encaixadas e pressão sonora na medida certa, a bateria levantou arquibancadas e componentes. A sintonia com o carro de som reforçou ainda mais o impacto musical da apresentação.
“Foi um ótimo ensaio, graças a Deus. A bateria está quase 100%, não vamos dizer que está pronta, porque ainda tem mais alguns dias, quase 20 dias para a gente poder aproveitar e ensaiar mais um pouco. Para chegar no dia 14 de fevereiro, aí sim, 100% pronta e mostrar o nosso melhor. Tudo que a gente está ensaiando ao longo desses meses, com esse samba maravilhoso que nossos compositores fizeram para a nossa escola, acho que tem tudo para ser um grande sucesso no dia 14 de fevereiro. Hoje foi um ensaio maravilhoso, que é para a gente ajustar algumas coisas, a gente sabe disso, mas falta muito pouco para estar próximo da excelência. São alguns detalhezinhos que a gente tem que consertar até o dia 14 estar realmente 100%. De bossa está tudo aí, largamos tudo hoje aqui, entregamos tudo”, garantiu mestre Chuvisco.
Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira
A Camisa 12 apresentou um ensaio técnico mais consistente e animado no Anhembi, demonstrando evolução em relação à primeira passagem pela pista. Com uma comunidade mais entregue e resposta vocal mais homogênea, a escola reforçou a proposta do enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil — A Origem da Fé, Herança de Ketu”, que promete uma imersão profunda nas raízes do candomblé.
A escola homenageia Iyá Nassô, Iyá Detá e Iyá Akalá, Princesas Nagô que deram início à história do candomblé no Brasil.
O ensaio contou com a ausência de Clóvis Pê, que se recupera de um acidente, mas teve Tim Cardoso sustentando bem a condução do samba. A Camisa 12 desfilará pelo Grupo de Acesso e mostrou, neste ensaio, sinais claros de crescimento.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente apresentou uma leitura simbólica e bem definida do enredo. Três componentes representaram as Princesas Nagô, posicionadas à frente do grupo, enquanto os demais integrantes, em determinados momentos, saudavam Exu.
A coreografia construiu a ideia da chegada dessas mulheres ao Brasil e da fundação das bases do candomblé. Em um dos momentos mais marcantes, os componentes rodeiam as três princesas e entoam gritos fortes, criando impacto sonoro e visual, reforçando a noção de ancestralidade e força coletiva. A leitura foi direta e de fácil compreensão para quem acompanha da arquibancada.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Luã e Estefany apresentaram uma dança com boa sincronia ao longo da pista. O casal executou os movimentos obrigatórios do quesito com correção técnica e apostou também em um gingado que dialoga com o samba e com o público, criando maior proximidade com a arquibancada.
Em um momento pontual, um lenço da fantasia do mestre-sala se desprendeu e caiu. Não houve prejuízo à dança nem comprometimento da apresentação, mas fica o ponto de atenção visando ao desfile oficial.
“O bom de ter dois ensaios é isso: conseguimos consertar o que estava faltando, reconstruir alguns pontos e ir melhorando o trabalho. Ter um segundo ensaio foi aquela gotinha que faltava para ficar perfeito. Acho também que qualquer escola que sobe para o acesso ao Especial carrega uma responsabilidade maior e exige um olhar diferente. A nossa intenção é passar a imagem de que estamos prontos”, afirmou o mestre-sala.
“A gente deu uma melhorada, não que no outro estivesse ruim, mas ajustamos o que precisava, e isso acaba funcionando como uma garantia a mais. Acho que o vento pode vir a qualquer hora, em qualquer momento; se a gente não conduzir, não vai, então precisamos ter controle”, completou a porta-bandeira.
HARMONIA
A harmonia foi um dos quesitos que mais evoluíram em relação ao primeiro ensaio. Se anteriormente algumas alas apresentaram canto mais tímido, desta vez a escola demonstrou maior dedicação ao quesito. As três primeiras alas vieram cantando com mais intensidade, puxando o restante da escola.
O carro de som e a bateria contribuíram para manter o canto constante, especialmente nos refrões, que favorecem a resposta coletiva. Não foram observadas oscilações graves de canto ao longo do desfile.
EVOLUÇÃO
A evolução da Camisa 12 se mostrou organizada. As alas vieram bem enfileiradas, com deslocamento regular pela pista. O uso de balões contribuiu para um efeito visual diferenciado, criando impacto no conjunto sem comprometer a fluidez do desfile.
As alas apresentaram coreografias bem executadas, mantendo alinhamento e ocupação correta do espaço. Ao longo do percurso, referências a Exu surgiram de forma recorrente, reforçando a identidade religiosa e simbólica do enredo.
SAMBA
O samba apresentou bom rendimento ao longo do ensaio, com destaque para os refrões, que funcionaram como pontos de explosão do canto coletivo. As bossas da bateria abriram espaço para que a escola crescesse, criando momentos de destaque para a harmonia.
A condução de Tim Cardoso foi segura, mantendo o andamento e garantindo que o samba não perdesse força, mesmo nos momentos de maior variação rítmica.
“Graças a Deus, demos o segundo passo para o Carnaval. Viemos de um ensaio árduo e espero que, na avenida, a gente venha com ainda mais garra. Hoje, o tempo nos ajudou um pouco à tarde; tomara que, no Carnaval, tudo aconteça direitinho. Também quero agradecer à comunidade, que foi maravilhosa — gostei muito. Sobre o samba-enredo, mando um abraço aos compositores, que fizeram uma obra-prima, e também ao Cove, que sofreu um acidente, mas está bem melhor e, na semana que vem, já estará com a gente”, disse o intérprete
OUTROS DESTAQUES
A bateria teve papel importante na dinâmica do ensaio, utilizando bossas que dialogaram bem com o samba e favoreceram a resposta do canto. O entrosamento entre bateria e harmonia foi mais perceptível neste segundo ensaio, contribuindo para um conjunto mais vibrante.
“Desde o ensaio da bateria na semana passada até o de hoje, conseguimos ajustar bastante coisa, limpar algumas partes que estavam meio sujas, tirar alguns detalhes e também acrescentar novas possibilidades. Agora podemos dizer que estamos prontos para o dia do desfile. Quando a gente pensa em bateria e em samba, pensa em família: o samba é agregação, é oportunidade, é inclusão, é tudo. Família é eu, meus irmãos e meu pai, que é o nosso maior ídolo e deixou essa referência para nós. Fazemos hoje aquilo que aprendemos lá atrás, na época do Camisa Verde e Branco. Tenho primo, irmão, cunhado; é uma bateria de família mesmo”, contou mestre Lipe.
Por Naomi Prado, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira
A Independente Tricolor realizou seu último ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, concluindo a preparação para o desfile de 2026. A escola encerrou sua apresentação em 55 minutos. Quesitos como harmonia e evolução foram ajustados neste último treino, superando o desempenho apresentado no primeiro ensaio técnico.
A agremiação manteve como destaques a comissão de frente, que apresentou uma coreografia complexa e sincronizada, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Jeff e Thaís, que apostaram em uma apresentação coerente, objetiva e criativa em relação a ciclos anteriores.
A Independente Tricolor será a oitava escola a desfilar no domingo de Carnaval pelo Grupo de Acesso 1 e levará para a avenida o enredo “N’Goma, a primeira festa na manhã do mundo”, assinado pelos carnavalescos Léo Cabral e Yuri Aguiar.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, coreografada por Edgar Júnior, desfilou com um tripé, no qual, durante a maior parte da apresentação, os bailarinos executaram a coreografia. Os movimentos foram marcados por forte expressão corporal e interpretação do enredo.
Os componentes também realizaram encenações no chão e contaram com dois personagens centrais. Todo o grupo, assim como o idealizador e coreógrafo Edgar Júnior, merece destaque por apresentar uma encenação fora do convencional, instigando o público a querer conferir o desfile oficial.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Jeff Anthony e Thaís Paraguassu inovaram na performance do casal, trazendo coreografias mais marcadas e diretamente ligadas ao samba e ao enredo da escola. Com passos objetivos e de fácil leitura, a dupla executou corretamente todos os movimentos obrigatórios previstos no manual de julgamento.
Demonstrando segurança e convicção, o casal realizou uma de suas melhores apresentações dos últimos anos, elevando o nível técnico do Grupo de Acesso 1.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
“No primeiro ensaio, sentimos bastante a falta da marcação das cabines de jurados. Entramos com uma tensão maior, tentando acertar uma posição que ainda não conhecíamos. Neste ensaio, a pista já estava exatamente como será no dia do desfile, e acho que isso foi um diferencial. As expectativas são as melhores. A nossa escola sempre vem muito bem, impecável em alegorias e fantasias. Nós, junto com a comissão de frente, estamos trabalhando muito aqui no Anhembi para conquistar a nota e levar a escola para o Grupo Especial”, afirmou Thaís.
“O andamento hoje foi o correto. A gente soube o tempo de todas as cabines, inclusive o recuo da bateria, que era algo que nos deixava um pouco apreensivos, porque não sabíamos o quanto ficaríamos expostos ali, próximos ao módulo. Mas deu tudo certo. Foi um ensaio que fecha esse ciclo de ensaios técnicos com chave de ouro. É uma escola que vibra muito, é uma energia muito forte. Hoje já deixou aquele gostinho; vocês podem esperar da gente essa vibração, que começou a ecoar hoje e vai estar ainda mais forte no dia do desfile. Vamos desfilar entre o amanhecer e o fim da madrugada, e tenho certeza de que vai ser um desfile lindo. Já estou ansioso para viver tudo isso. Não é o meu horário preferido, prefiro ali no meio termo, mas acho que o desfile da escola saindo no amanhecer traz um encerramento especial para o enredo”, garantiu Jeff.
HARMONIA
Diferentemente do ensaio técnico anterior, a Independente Tricolor mostrou evolução significativa no quesito harmonia. Os componentes cantaram com bom volume e regularidade, mantendo o mesmo tom do primeiro ao último setor, evidenciando maior assimilação do samba-enredo.
Nos momentos de apagão promovidos pela bateria e pelo carro de som nos refrões, o canto da comunidade se destacou ainda mais.
“O clima é o melhor possível. Estamos focados em fazer um bom desfile e em buscar o nosso objetivo, que é voltar para o Especial. Mas o clima é de alegria, pelo menos na nossa parte musical. Acho que é um quesito que precisa transmitir alegria, não só para nós, mas para o povo, para a bancada, para todo mundo, com muita responsabilidade. Estamos em um clima leve, feliz, sabendo que precisamos fazer um bom trabalho na pista. Este ano, o acesso está muito difícil; há muitas escolas que já passaram pelo Grupo Especial, então sabemos da dificuldade, mas estamos ali também para brigar. A parte do entrosamento com a bateria a gente deu uma ajustada bem legal, ficou muito bom hoje. Vi a escola cantando bastante e se divertindo muito, e acho isso importante. A parte do chão conta muito, principalmente em alguns quesitos, e faz total diferença lá no final. A escola está bem leve, alegre e cantando; acho que isso é o que importa. O resto é alegoria, fantasia; o barracão também está repleto e muito bonito”, comentou o intérprete Chitão Martins.
EVOLUÇÃO
Neste último ensaio, a escola fez jus ao forte samba-enredo que possui. Os componentes desfilaram de forma mais solta, dançante e com maior entusiasmo. O primeiro setor apresentou evolução superior em comparação ao último.
A Independente desfilou de forma compacta, com andamento adequado, encerrando o ensaio dentro do tempo, em 55 minutos.
SAMBA-ENREDO
O samba-enredo, composto por Cláudio Russo, Silas Augusto, Turko, Dário Silva, Zé Paulo Sierra, André Malheiros e Fábio Souza, é apontado como um dos melhores sambas do Carnaval paulistano de 2026. Com uma letra imponente, a obra ganhou ainda mais força na interpretação de Chitão, que contribuiu para a empolgação e o crescimento da melodia.
A expectativa é de que, no dia do desfile, a escola abrace ainda mais o samba e compreenda plenamente a proposta do time de canto, que, neste ensaio, cumpriu seu papel com excelência, incentivando tanto o público quanto os componentes a cantar e dançar a obra.
OUTROS DESTAQUES
A bateria, comandada pelo mestre Higor, corrigiu os problemas apresentados no ensaio anterior. Nesta apresentação, optou por realizar menos bossas, priorizando os apagões para evidenciar a harmonia da agremiação.
“O ensaio foi muito bom; ele veio em uma crescente do ensaio passado para este, fizemos algumas correções que precisávamos fazer, e tudo aconteceu como esperado. O que a gente fez hoje na avenida é o que vai vir no dia; essa é a certeza. Corrigimos o que tinha que ser corrigido, e é isso que vai acontecer. E o samba faz total diferença para a bateria”, disse Higor.
A rainha de bateria, Acássia Amorim, surgiu com tranças vermelhas e detalhes em dourado, demonstrando brilho e talento à frente dos ritmistas.
A ala das baianas reafirmou que não há idade para dançar. Do início ao fim do ensaio, especialmente nos refrões, as matriarcas giraram e bailaram com leveza e beleza, encerrando a apresentação com grande destaque.