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Brilha, São Carlos! Estacianos revelam suas expectativas para o Carnaval 2026

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Entre apostas e incertezas, os componentes da Estácio de Sá, Carla, Allan, Andréa e Luiz Carlos conversaram com o CARNAVALESCO e revelaram a ansiedade e o êxtase de integrar o maior espetáculo da Terra. A professora de Língua Portuguesa Carla Neves, de 48 anos, demonstrou confiança total na agremiação pela qual desfila desde os 15 anos.

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Carla Neves

“A Estácio vai ganhar. A confiança é total, porque a escola está muito bonita e a comunidade está se dedicando”, afirmou.

Quem também não titubeou ao cravar o título foi o administrador Allan Galdino, de 29 anos, em seu primeiro Carnaval defendendo a bandeira vermelha e branca.

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Allan Galdino

“A Estácio vai arrebentar a avenida, vai ser um grande desfile. A escola vem com tudo. A gente vem para conquistar o título”, projetou.

Andréa Soares, professora da rede municipal do Rio de Janeiro, de 52 anos, também celebrou a força estaciana.

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Andréa Soares

“A comunidade tem um canto muito forte, o povo vem com garra e com vontade de ganhar. A bateria é ótima. O pessoal aqui não brinca em serviço”, disse Andréa, que desfila na Estácio desde 1992, entre idas e vindas, e que, em 2026, retorna à agremiação após quatro anos afastada.

Na análise do aposentado Luiz Carlos dos Santos, de 62 anos, que caminha para o seu terceiro desfile pela Estácio, as coirmãs têm chances, mas a vermelha e branca não fica atrás.

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Luiz Carlos dos Santos

“Está concorrido, tem muita escola boa, mas estamos fazendo a nossa parte”, avaliou.

Sobre a competitividade, Andréa concorda: “Tem muitas escolas que também vêm com a mesma garra. Hoje em dia está difícil demais. Um milésimo faz muita diferença”.

Engana-se, porém, quem pensa que a Estácio chega despreparada ou alheia ao peso da disputa.

“O grande trunfo é o nosso enredo, sobre o pai de santo Tata Tancredo”, opinou Allan.

Já Andréa e Luiz Carlos apostam na força humana da escola. “Destaco o pé no chão e o amor que cada componente tem pela agremiação”, afirmou a professora.

“Vou citar a harmonia. Está todo mundo envolvido”, completou o aposentado.

Há, de fato, motivos para a animação dos entrevistados, considerando o histórico recente da escola do Morro de São Carlos.

“No último desfile, a gente quase ganhou. O título não veio por poucos décimos”, lembrou Luiz Carlos, ao comentar o vice-campeonato de 2025.

O estreante Allan, contudo, acredita que os ajustes necessários foram feitos para a tão aguardada vitória.

“A Estácio já realizou os acertos necessários para conquistar o campeonato e subir para o Grupo Especial”, concluiu.

Confiança, cautela e sonho do bi: os sentimentos de Nilópolis diante da Deusa da Passarela

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O CARNAVALESCO conversou com torcedores da Beija-Flor de Nilópolis para saber como estão as expectativas para o desfile de 2026. Com o enredo “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, a azul e branco da Baixada venceu o Carnaval 2025 e agora mira a conquista do bicampeonato.

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Diego Rufino

“Nós nunca vimos a nossa escola com um potencial tão grande como neste ano. Nunca vimos uma Beija-Flor tão forte para buscar o bicampeonato. Laíla resgatou a espiritualidade, a identidade da escola e a ancestralidade do povo preto da Baixada, e isso nos dá força para buscar esse bi”, afirmou o professor de Português, Literatura e Redação Diego Rufino, de 27 anos.

Para 2026, a agremiação mergulha na manifestação do Bembé do Mercado, considerado o maior encontro de candomblé de rua do mundo, realizado em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. A direção artística segue sob o comando de João Vítor Araújo, que, em 2025, tornou-se o primeiro carnavalesco preto retinto a vencer um desfile da principal divisão do Carnaval carioca com um trabalho solo.

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Anderson Gomes

“A Beija-Flor vem com um enredo muito potente, cheio de ancestralidade, originalidade e forte apelo emocional. A gente fala da libertação dos escravizados e da procissão do Bembé do Mercado, em Santo Amaro da Purificação, na Bahia. É evidente que a escola está com a expectativa lá em cima, torcendo muito para que o bicampeonato venha”, declarou o jornalista Anderson Gomes, de 40 anos.

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Simone Silva

“O enredo tem tudo para nos levar ao bicampeonato. O Bembé é um patrimônio do povo brasileiro e do povo baiano, do qual ninguém nunca falou no Carnaval. E ele tem a cara da Beija-Flor, porque, se você observar, todos os nossos títulos dialogam com a cultura afro”, pontuou a pedagoga Simone Silva, de 56 anos.

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Ismael Costa

“A comunidade, quando abraça o enredo — que é o mais importante no Carnaval —, não tem para ninguém. Isso vale para todas as escolas. Assim como abraçamos o enredo do Laíla, estamos abraçando o Bembé. Esse já é um passo importante rumo ao campeonato”, garantiu o empreendedor Ismael Costa, de 60 anos.

A comunidade nilopolitana, no entanto, reconhece que a falta de trabalho e o excesso de confiança podem custar caro na busca pelo tão sonhado bicampeonato.

“É preciso manter os pés no chão e fazer um bom trabalho. Somos os atuais campeões, vencemos em 2025, mas as coirmãs também desenvolvem trabalhos excelentes. É torcer pelo bi sem contar com ele. É fazer um trabalho gigantesco para que o bicampeonato venha naturalmente”, ponderou Anderson.

“Por mais que estejamos confiantes, temos que seguir com humildade, no sapatinho. Fazendo o nosso trabalho de forma correta e profissional, a gente pode alcançar o campeonato”, completou Diego.

Para a dona de casa Maria Lúcia Gonçalves, de 58 anos, o segredo do sucesso está na determinação e no esforço da comunidade nilopolitana.

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Maria Lúcia Gonçalves

“A Beija-Flor é trabalho, é muito trabalho. Às vezes as pessoas dizem que a gente é metido ou convencido, mas não é isso. A gente leva os ensaios muito a sério, desde os tempos em que Laíla ensinou isso, e seguimos assim até hoje. É um sonho para o nilopolitano e para a Beija-Flor, então a gente vai à luta, vai na garra”, explicou.

Além da humildade e do empenho, a escola precisa repetir, na visão dos torcedores, o chamado “rolo compressor” que marcou o último desfile.

“A gente conseguiu resgatar a potência da Beija-Flor de Nilópolis com um samba fabuloso, que viralizou no Carnaval, e com a energia do Laíla, que foi o nosso enredo. Se mantivermos esse rolo compressor que é a Beija-Flor, com certeza já temos meio caminho andado para o bicampeonato”, avaliou Anderson Gomes.

“É fundamental manter o chão, a comunidade nilopolitana, que é o grande diferencial da escola e foi resgatado no enredo do Laíla”, cravou Simone Silva.

“A Beija-Flor é garra, é comunidade. Se ela entrar comprando o barulho daquilo que a escola está propondo, não tem para quase ninguém. Com um bom samba — e a safra deste ano está maravilhosa —, desenvolvimento consistente e a comunidade abraçando o enredo, fica muito difícil para as outras”, garantiu Maria Lúcia.

“A mesma garra da comunidade, um bom samba e um bom desenvolvimento, como aconteceu no enredo do Laíla, é tudo”, finalizou Ismael Costa.

Entidades do Ifá afro-cubano na comissão de frente do Paraíso do Tuiuti

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O CARNAVALESCO entrevistou o novo coreógrafo da comissão de frente do Paraíso do Tuiuti, David Lima, e o bate-papo se debruçou sobre sua estreia na principal divisão do carnaval carioca e os preparativos para o desfile oficial. Durante a conversa, David Lima revelou os protagonistas da abertura do cortejo amarelo-ouro e azul-pavão.

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Foto: Gabriel Radicetti / CARNAALESCO

“Assim como trouxemos no minidesfile, a comissão de frente no dia oficial vai apresentar os eborais, entidades do Ifá afro-cubano que são pré-orixás e protegem as florestas. Por apresentarem certas deformidades, eles não conseguiram atingir o estágio de desenvolvimento pleno do orixá. Eles não são únicos, eles são vários. Quero que o público conheça essas figuras tão presentes na nossa apresentação”, confidenciou.

Com passagens por diversas escolas, como Unidos de Padre Miguel, Acadêmicos de Santa Cruz e São Clemente, David Lima estreia em 2026 no Grupo Especial.

“Chego agora com bastante experiência, no tempo certo. Nos últimos carnavais, pude mostrar grandes trabalhos, com nota máxima e o campeonato em 2024, com a UPM, na Série Ouro. Sempre trabalhei arduamente para construir um espetáculo que traga a essência dos enredos”, explicou o artista da dança.

David relatou as negociações com a diretoria do Paraíso do Tuiuti para coordenar um dos segmentos de maior visibilidade e expectativa no carnaval atual.

“Vim dar uma força para o presidente com algumas questões da escola, de coreografia. Ele gostou muito do trabalho que eu e minha equipe fizemos e, logo depois, me chamaram para uma reunião. O presidente perguntou se eu tinha interesse, se eu estava avaliando convites. Tive outras propostas, poderia ter passado por outras escolas, mas o meu coração é amarelo e azul”, recordou.

Uma vez acertado com São Cristóvão, o coreógrafo mergulhou de cabeça no Ifá cubano para montar uma apresentação coerente e representativa.

“Eu apresentei para a diretoria, para o presidente e para o carnavalesco dois projetos e o Jack, quando viu um deles, falou: ‘É isso, é isso aqui’. Vamos ter um trabalho forte, bem dentro do enredo, construído a várias mãos. Queremos que o público entenda o que é o Ifá. Avalio, pelo samba e pelos ensaios de rua, que estamos alcançando nosso objetivo. A gente só tem recebido elogios. Nesse minidesfile, percebi uma boa recepção do público. O pessoal quer ver, entender, gravar vídeos”, analisou o novo talento.

Em êxtase após a apresentação do minidesfile, David Lima comemorou a boa fase no Tuiuti e a conexão com a escola.

“Estou maravilhado e muito feliz de estar realizando esse trabalho aqui. Cheguei à agremiação no finalzinho deste ano, agora em 2025, e me senti tão em casa, sabe? O Jack (Vasconcelos) é um carnavalesco fantástico, e o Renato (Thor) é um presidente que escuta, traz uma ideia, acrescenta. A química que a escola está construindo para esse próximo carnaval vai ser incrível”, finalizou.

Novo Império aposta na força de cura das folhas e matas para estreia na Série Bronze

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O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

Alex Santiago
Foto: Gabriel Radicetti / CARNAVALESCO

Alex Santiago, que divide o cargo de carnavalesco da Novo Império com Elvis Luiz e Jorge Caribé, se debruçou, em detalhes, sobre o enredo “No canto sagrado dos pajés e curandeiros, a cura que brota da floresta”, defendido neste ano pela agremiação na Série Bronze.

“Em 2026, a Novo Império trabalha a cura por meio da força ancestral da floresta. A gente vai fazer uma exaltação de todo esse saber passado de geração em geração, utilizando as folhas e demais elementos empregados para que essa cura seja corporal, mental e espiritual. Além das flores e folhas, essa cura da qual falamos vem das matas, da espiritualidade, dos banhos, das bênçãos, da fala, do sorriso e da alegria”, explicou Alex.

O profissional recordou o processo de escolha do tema, que surgiu por sugestão de Ney Lopes.

“Ney Lopes trouxe essa proposta para mim a partir de uma foto e de uma música antiga. Aí eu falei: ‘Olha, dá para pensar em um novo enredo e um novo samba em cima desse projeto inicial’. A gente foi discutindo e começou a tecer uma linha, em que se entende que esse saber ancestral tem um viés indígena e outro africano. Ele atravessa o oceano e vem se unificar aos saberes dos povos indígenas brasileiros, juntamente com os saberes dos portugueses e da própria Igreja Católica, formando um grande sincretismo em prol da cura”, contou Alex.

O carnavalesco ainda detalhou o projeto do desfile.

“A escola vem colorida, com fantasias diversificadas, grandes e volumosas. Vamos levar dois tripés, um carro alegórico e 19 alas. No primeiro setor, eu venho trabalhando essa questão da travessia africana do oceano. Os ancestrais africanos trazem saberes que vêm parar no Brasil. O segundo setor traz a questão dos pretos-velhos Catende, que, no sincretismo, vinculam-se a São Benedito, santo católico que utilizava as raízes e as folhas das matas para curar as pessoas. No último setor, a gente vem trazendo a cura que ultrapassa apenas as folhas. Nos debruçamos sobre a alegria do Carnaval e dos Doutores da Alegria. Uma cura além dos remédios, que passa pelo espírito, pelo sorriso e pelo samba”, disse ele.

O desenvolvimento conceitual e estético do cortejo encontra limitações operacionais na Intendente Magalhães, como relatou Alex Santiago, mas, apesar disso, a Novo Império aposta cada vez mais em sua equipe para levar ao público da região um espetáculo do mais alto nível.

“O grande desafio é a gente conseguir o contingente. Acabamos competindo, às vezes, com escolas da Sapucaí. Seiscentos componentes é um quantitativo gigantesco. Também tem a questão da logística de chegar à Intendente. As ruas laterais são estreitas, então não se pode pensar em carro alto, carro grande. Isso limita a questão da escultura. A escola, no entanto, passa por um crescimento. A gente era do Grupo de Avaliação no ano passado; este ano, a gente está na Série Bronze e vem se fortalecendo cada vez mais. Foi feita uma reestruturação da equipe, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira. Os nossos três carnavalescos têm, cada um, o seu potencial. Construímos um carnaval competitivo, grande e esperançoso”, finalizou Alex.

Vai dar zebra! Acadêmicos do Dendê mistura carnaval e futebol para celebrar o Clube da Portuguesa

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O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

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Fotos: Gabriel Radicetti / CARNAVALESCO

Pablo Azevedo e Renato Vieitas, carnavalescos do Acadêmicos do Dendê, da Série Prata, falaram sobre o enredo da escola e também sobre a alegria e os desafios de trabalhar na Intendente Magalhães.

“O nosso enredo para 2026 é ‘No Carnaval de Sete Mares, Vai Dar Zebra’, uma homenagem ao Clube da Portuguesa, que tem uma mascote bem faceira, a zebra. Dado o histórico do clube de promover grandes carnavais, acompanhamos, no desfile, a jornada de sua mascote, uma apaixonada pelo carnaval, partindo dos mascarados de Veneza até chegar à Ilha do Governador, sede da Portuguesa e do Acadêmicos do Dendê. No caminho, a zebra pega uma gôndola e passa por diversas ilhas do Oceano Atlântico, conhecendo o carnaval de cada uma delas. Uma vez na Ilha do Governador, narra a gloriosa história do clube e termina com uma grande festa carnavalesca para brindar, nessa galhardia, como outrora, o gran finale”, explicou Pablo.

Renato contou que a ideia do enredo partiu da diretoria da escola e foi, então, abraçada pela dupla criativa, que adicionou seu tempero pessoal à construção do desfile.

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Renato Vieitas

“A ideia do enredo surgiu logo quando recebemos a confirmação de que seríamos os carnavalescos do Acadêmicos do Dendê. A homenagem foi uma proposta do presidente. Tivemos, então, a grande sacada de mobilizar a mascote da Portuguesa como fio condutor. Acredito que conseguimos explorar a história carnavalesca e futebolística do clube de uma forma bem lúdica, colorida e alegre”, disse.

Sob esse viés, Pablo pontuou que a união do carnaval e do futebol, as duas grandes paixões do carioca e do insulano, levará identificação e muita emoção à Intendente.

“Estamos com uma abertura de grande impacto, um final também de grande impacto e algumas surpresinhas no meio do desfile. Acredito muito que essa zebra ficará bastante feliz ao final do desfile”, declarou.

Para Renato, por sua vez, o grande diferencial do cortejo serão as cores, sobretudo no início do desfile.

Renato e Pablo comentaram ainda sobre a experiência profissional na Intendente Magalhães, via que serve de palco para os desfiles do Grupo de Avaliação, da Série Bronze e da Série Prata (quinta, quarta e terceira divisões do carnaval carioca, respectivamente).

“Fazer carnaval na Intendente é bem difícil, não somente pelo orçamento, mas também pela estrutura. Não há um barracão igual para todas as escolas, em nível de Cidade do Samba. Não se podem construir alegorias grandiosas; os carros são apertados, arrochados”, analisou Renato.

Pablo também descreveu as limitações impostas às últimas divisões do maior espetáculo da Terra.

“Fazer carnaval ali é reciclar, é reaproveitar. A gente não pode abusar muito das dimensões, nem para o lado, nem para cima — embora gostaríamos muito. É um misto de desafio e prazer ao mesmo tempo. É um Carnaval de raiz, do povão mesmo. A Intendente não tem a visibilidade da Sapucaí, mas é um carnaval que traz um pouco daquela nostalgia do passado, assim como o nosso enredo”, destacou.

Ambos reconheceram, no entanto, a potência de atuar nesses segmentos.

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Pablo Azevedo

“Não há camarotes grandiosos que abafam o som das escolas e afastam o público da avenida. É também uma grande escada para chegar ao topo. É uma escola de fazer escola de samba”, pontuou Pablo.

“Ver aquelas pessoas na arquibancada, quase tocando nos componentes, saindo de suas casas para ver e prestigiar a gente, é muito gratificante. Passar pelo trecho final, depois daquela curva, é a melhor coisa que tem”, compartilhou Renato.

Por fim, Pablo propôs ao poder público uma reflexão acerca das condições de atuação das escolas e dos profissionais da Intendente Magalhães.

“O poder público pode olhar com mais carinho e atenção para as escolas de lá, principalmente no que diz respeito às estruturas para a construção do carnaval. Quem sabe a Intendente não ganhe, no futuro, uma Cidade do Samba própria?”, questionou o condutor criativo da agremiação do Morro do Dendê.

Alegria de Copacabana aposta nos Tranca Ruas para voltar à Série Prata

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O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

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Foto: Gabriel Radicetti / CARNAVALESCO

Thiago Braga, carnavalesco da Alegria de Copacabana, da Série Bronze, revelou detalhes do enredo de 2026, “Tranca Rua”, e descreveu a experiência de estrear à frente de uma escola no Carnaval carioca.

“Esse enredo, embora tenha um nome bem curtinho, tem uma miríade de significados. Ele traz para o Carnaval a temática da religiosidade. Claro, com muito respeito, cuidado e pesquisa para não ficar caricato nem ofensivo, mas, ainda assim, de maneira carnavalizada, porque Carnaval é festa”, defendeu.

“Eu sou de axé, então tive que me consultar com os orixás antes de aceitar, para ter autorização deles para falar sobre eles. A recomendação foi que, desde que não seja caricato e desrespeitoso, está valendo”, complementou.

Para isso, o artista apostou na criação de uma entidade própria da escola, o Tranca Rua da Alegria, a ser homenageada e invocada pela avenida até sua coroação final.

Cultuados na Umbanda e na Quimbanda, os Tranca Ruas são uma linhagem de Exus que atuam como guardiões dos caminhos, abrindo e fechando estradas espirituais.

“O Tranca Rua é uma entidade muito cara à Alegria de Copacabana, é o Exu da escola”, pontuou Thiago Braga.

Em seu primeiro desfile com assinatura própria, Thiago contou que a ideia do enredo partiu da diretoria da escola.

“Eles queriam trazer essa força para ter um reencontro com a comunidade e com a história da Alegria. Eu topei o desafio e comecei a pesquisa em abril, ainda sem saber se seria mesmo o carnavalesco. Conforme a pesquisa foi avançando e a gente foi conversando, a gente fechou, e foi quando ficou decidido que seria Tranca Rua”, recordou.

Tradicional bloco de enredo do Carnaval carioca, fundado em 1964, a Alegria de Copacabana ingressou como escola de samba na Intendente Magalhães no ano passado, na Série Prata, após 37 anos longe das passarelas. A sorte de estreante, no entanto, não veio, e a agremiação acabou deixando a terceira divisão da disputa.

Neste ano, na Série Bronze, a escola aposta em novas estratégias para conquistar o público e os jurados, a começar pelo condutor do desfile.

Graduando em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Thiago Braga tem experiência anterior na pesquisa de enredos.

“Antes de ser carnavalesco, eu já era sambista. Sou da harmonia, torço pela Imperatriz Leopoldinense. Nesse sentido, a gente pensa em algumas questões que talvez outros profissionais que não vivem o samba não priorizem. A estética é importante, mas a liberdade de movimento do componente também, assim como o fôlego. Às vezes, há um equilíbrio maior quando já se esteve do outro lado”, argumentou.

Sua primeira experiência, no entanto, já foi suficiente para comparar o tratamento dado aos criadores da Intendente em relação aos da Sapucaí.

“A gente sente que a valorização do Carnaval começa do Acesso para cima; do Acesso para baixo, a conversa ainda é outra. Existe uma subvenção muito mais fraca, que passa por uma questão política. Quando há interesse e vontade de fazer o negócio acontecer desde a base, você tem iniciativas maiores do que as que existem hoje. Da mesma maneira que a arte sempre fez ao longo da história da humanidade, a gente continua fazendo e vai sendo visto aos poucos. A tendência é melhorar, acredito”, expressou.

Esperançoso quanto ao futuro da festa popular, Thiago se mostrou animado para o desfile da Alegria de Copacabana em 2026 e deu detalhes:

“Haverá muitas cores quentes. O primeiro setor vai tratar de uma canção de Lia de Itamaracá, ‘Mar de Fogo’. A gente começa com o Mar de Fogo se abrindo para a chegada desses Exus. Eles vêm no dendê, no fogo, na chama, na gargalhada. A gente finaliza com entidades da Umbanda Sagrada, como pretos-velhos, crianças e caboclos.”

O artista exaltou ainda a proposta conceitual e sociopolítica do desfile.

“Exu representa o favelado, o preto, o sambista, o macumbeiro, assim como o rico e o branco. Ele é a humanidade. O diferencial do desfile, sem dúvidas, é a emoção, porque o povo do samba, na sua origem, é um povo preto cuja religiosidade foi apagada durante muitos anos”, finalizou.

Villa Rica homenageia João do Vale na Intendente

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O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

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Foto: Gabriel Radicetti / CARNAVALESCO

Andy Rocha, enredista da Unidos do Villa Rica, da Série Bronze, defendeu o tema do desfile da escola — “O Poeta do Sertão: João do Vale” — além de relatar a emoção de estrear na Intendente Magalhães como parte do time de criação de uma agremiação.

“O enredo traz a trajetória de João do Vale desde Pedreiras, onde ele nasceu, no sertão nordestino, até sua chegada ao Rio de Janeiro, onde suas composições foram eternizadas nas vozes de ícones da música popular brasileira, como Maria Bethânia, que gravou ‘Carcará’”, disse.

Também músico, Andy contou que, ao escutar ‘Carcará’, ficou curioso para saber quem era o compositor da canção. Foi então que descobriu João do Vale e passou a se debruçar sobre sua vida pessoal e discografia.

“Me senti pertencente à história dele, que reflete a realidade da comunidade do Tabajara e toda a desigualdade que se vive no Brasil. É um enredo popular e muito próximo do público. Toda pessoa que estiver na Intendente Magalhães vai se identificar com figuras e momentos de vida retratados”, relatou.

Ao tomar conhecimento da homenagem, a família do poeta, falecido em 1996, ficou tão feliz que o neto, Gabriel do Vale, entrou em contato com a escola e se ofereceu para contribuir com o processo criativo.

“Estamos muito felizes de, além de agradar o pessoal do Nordeste e o povo do carnaval, proporcionar esse momento à família, que é o berço onde ele deixou seus descendentes”, celebrou o enredista.

Nascido na comunidade do Tabajara, da qual a Villa Rica faz parte e onde permaneceu até os 20 anos, Andy trilhou seus primeiros passos no mundo do samba por meio do Carnaval virtual, traduzindo em linguagem gráfica e digital a riqueza plástica da maior festa da Terra.

“Fui convidado pelo carnavalesco Marco para fazer parte da comissão de carnaval, por acaso, em uma escola de samba de onde sou cria. Para mim, está sendo muita felicidade. Estou em casa. Vou lembrar disso nos próximos anos. Vai ser uma grande experiência. Já está sendo, na verdade. Estou gostando bastante”, descreveu o jovem.

Para o desfile, Andy Rocha promete conquistar a Intendente Magalhães com muita potência e cultura.

“A comunidade e o público podem esperar um desfile muito colorido, alegre, de muita festa, de muita cultura, religiosidade e, principalmente, de muita emoção. Vai ter bumba-meu-boi, tambor de crioula, entre outras manifestações culturais com as quais ele teve contato durante sua vida. Se o Brasil não deu a devida valorização a João do Vale durante sua vida, a Villa Rica tem hoje a possibilidade de fazer isso”, finalizou o artista.

Rocinha abre caminhos, revisita raízes e se reconcilia com o próprio passado no enredo de 2026

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O CARNAVALESCO conversou com a equipe criativa das escolas da Série Prata e Bronze, diretamente da Academia Brasileira de Artes Carnavalescas (ABAC), no Centro do Rio, sobre os preparativos para os desfiles de 2026.

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Foto: Gabriel Radicetti / CARNAVALESCO

Plínio Santos, carnavalesco da Acadêmicos da Rocinha, da Série Prata, detalhou a criação do enredo da escola, que mistura elementos factuais e místicos.

“A Rocinha traz para o Carnaval 2026 um resgate da nossa ancestralidade no que diz respeito aos saberes de terreiro, às nossas raízes de matriz africana. Para isso, criamos um itan. Dentro da Rocinha, existia uma figueira e uma casinha de Exu que foram destruídas por presidentes passados sem pedir permissão, sem fazer oferendas, sem nada. Depois disso, a Rocinha começou a escurecer os seus caminhos, seus carnavais, e chegou a estar na Intendente Magalhães, como está hoje. A gente propõe, portanto, esse resgate, cultuando os orixás, agradando o nosso padroeiro e fazendo as oferendas necessárias para que os caminhos sejam abertos para a Rocinha”, explicou Plínio Santos.

Ele contou que a ideia inicial do enredo partiu do diretor de carnaval e cria da comunidade, Rafael Gonçalves, sendo depois desenvolvida pelo enredista Giovanni Ferreira e por toda a equipe de criação.

“Cada detalhezinho, cada coisa que nós estamos criando, nós pensamos na nossa comunidade. A gente, por exemplo, faz uma homenagem aos três blocos fundadores da escola. Quem descer o morro para vestir uma fantasia vai se identificar com todos os resgates que a gente está fazendo, tanto do morro quanto da própria escola”, revelou o carnavalesco.

Nesse sentido, Santos destacou que o apoio da comunidade é essencial para viabilizar um carnaval na Intendente Magalhães, onde as dificuldades financeiras são notórias.

“Quando você abraça seus segmentos, quando você deixa eles confortáveis, eles vêm, fazem vaquinha, oferecem mão de obra sem cobrar nada. Na Intendente Magalhães, se você não cativar a sua comunidade para que ela venha para a quadra, não há Carnaval. Para que comprem uma água e, através desses dois reais, você possa comprar um paetê. Para que a presença do público sensibilize os patrocinadores, os pequenos mercadinhos de bairro, sobre o quão importante é investir naquela comunidade. Só a subvenção não dá”, argumentou.

Apesar dos desafios, Plínio Santos prometeu uma Rocinha diferenciada e pronta para buscar o título.

“A escola não está negando nada em termos de material. A Rocinha vem como ninguém vem. Vai ser uma nova Rocinha na Intendente Magalhães”, finalizou.

Integrantes da Unidos de Bangu destacam emoção e alegria no enredo sobre Leci Brandão

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A Unidos de Bangu prepara para este carnaval um desfile que promete ser repleto de emoção. A escola da Zona Oeste do Rio de Janeiro escolheu como enredo a trajetória de Leci Brandão, uma das maiores vozes do samba e da resistência cultural brasileira. A homenagem mobiliza não apenas os integrantes da agremiação, mas também familiares e admiradores da artista, que veem na avenida um espaço de consagração e reconhecimento.

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Nuala e Letícia. Fotos: João Gabriel Rothier/Carnavalesco

Entre os mais entusiasmados estão as sobrinhas da sambista, Nuala Brandão, de 33 anos, e Letícia Cristal Brandão, de 29 anos. Ambas cresceram cercadas pela música da tia e destacam a importância de vê-la transformada em tema de carnaval.

Letícia, bióloga, revela que sua relação com as canções da tia também reflete experiências pessoais.

“Eu gosto muito de Natureza, Lá e Cá, Zé do Caroço. Desde que eu nasci, eu ouço ela. Natureza, para mim, é tudo, porque tudo que remete à natureza nas músicas dela me representa muito, como se ela estivesse falando por mim”.

Já Nuala, que também cresceu ouvindo e consumindo as obras da tia, destaca o caráter atemporal das composições: “Eu gosto muito de Assumindo. É uma música que fala muito sobre ela, muito importante na vida dela e muito atemporal, como todas as composições dela”.

Sobre a escolha de Leci como enredo, as sobrinhas não hesitaram ao falar da grandeza da homenagem. Nuala destacou a importância dessa atitude para uma pessoa que vem do samba.

“É uma consagração, sim. É um presente muito grande ser enredo de uma escola de samba. Isso quer dizer que uma comunidade olha para aquela pessoa e fala: vamos levar para a avenida e mostrar o quão grande essa pessoa é”.

Letícia ainda complementou, ressaltando a trajetória de Leci como compositora de sambas-enredo.

“No caso dela, acho realmente muito importante, porque ela cresceu nesse meio, construiu sua carreira no samba de avenida. É como se fosse uma condecoração do governo, quase um Nobel da Paz para o sambista”.

Quando perguntadas sobre o que não pode faltar no desfile, as sobrinhas foram unânimes: coração e alegria são fundamentais.

Nuala afirmou: “Não pode faltar o coração. A Bangu coloca o afeto em tudo, e é isso que representa minha tia”.

Letícia acrescentou: “A alegria e a energia. Mostrar esse lado dela que é alegre, além da luta. Um samba animado que brinda a vida”.

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Fotos: João Gabriel Rothier/ Carnavalesco

A emoção também é a palavra-chave para Regina Passaes, torcedora da Unidos de Bangu desde a década de 1960, quando a escola ainda desfilava de azul e branco. Para ela, a homenagem a Leci é um marco: “O Morro do Pau da Bandeira é um hino. Ser enredo é uma consagração, principalmente quando é em vida, quando não é um enredo póstumo. Não tem como não ficar extasiada”.

Regina acredita que o desfile precisa traduzir a força da artista: “A emoção é o que a Leci representa. Todo mundo tem que vir com a garra que ela sempre teve em defender o samba, principalmente o samba de morro”.

Cavalcanti responde, canta forte e faz a Em Cima da Hora crescer na reta final do Carnaval 2026

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Vivendo a expectativa de alcançar seu espaço no Grupo Especial, a Em Cima da Hora vai contar na Sapucaí, este ano, o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagiras”, em homenagem às pombagiras, entidades da umbanda e do candomblé. A escola realizou, na última quarta-feira, o seu primeiro e único ensaio de rua “em casa” nesta temporada. Diferentemente das últimas semanas, quando vinha utilizando as ruas do Centro do Rio para se preparar, a agremiação voltou às origens e ocupou a rua Laurindo Filho, em Cavalcanti, endereço de sua quadra. E, como manda a velha máxima do futebol, jogar em casa fez diferença. O ensaio apresentou pontos positivos logo no primeiro olhar: a bateria “Sintonia de Cavalcanti”, comandada pelo mestre Léo Capoeira, manteve o alto nível já conhecido; o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira exibiu sintonia e segurança; a comissão de frente mostrou energia e entrega; e, principalmente, o canto dos componentes apareceu com mais força e entrega.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente voltou a chamar atenção pela intensidade e pela interpretação. Os componentes executaram a coreografia com energia do início ao fim, demonstrando entrega emocional e entendimento do enredo. Um dos destaques ficou por conta da componente que representa a entidade incorporada, cuja interpretação deu ainda mais força simbólica à apresentação, dialogando diretamente com o universo espiritual proposto pelo enredo. O conjunto funcionou bem, sustentado pela expressividade corporal e pela conexão com o samba.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Marlon Flôres e Winnie Lopes, mostrou sintonia e maturidade no bailado. O mestre-sala se apresentou com calça preta e paletó preto adornado com pedraria dourada, transmitindo elegância e imponência. Já a porta-bandeira surgiu com um vestido amarelo-ouro, também com pedraria dourada na parte superior, chamando atenção pela beleza e pelo brilho.

No desempenho, a segurança e a intensidade dos movimentos do mestre-sala se destacaram, sempre atento ao pavilhão e à sua parceira. A porta-bandeira, por sua vez, exibiu um bailado leve e bem desenhado, com giros firmes e boa leitura musical, reforçando a sintonia do casal.

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HARMONIA E SAMBA

Se nos ensaios realizados no Centro do Rio o canto ainda não havia atingido todo o seu potencial, em Cavalcanti o cenário foi diferente. Atuando “em casa”, a Em Cima da Hora cantou mais e melhor. A empolgação foi evidente, especialmente nos momentos em que o carro de som silenciou e o samba foi cantado inteiro apenas pela comunidade.

A comparação com o futebol se encaixa perfeitamente: quando o time joga em casa, impulsionado pela força e pelo canto da torcida, o rendimento costuma crescer. Foi exatamente isso que se viu no ensaio desta quarta-feira. A comunidade abraçou o momento, e a harmonia ganhou um peso extra, mostrando que o samba já está assimilado e tem fácil comunicação.

O samba-enredo confirma suas qualidades: possui beleza melódica, letra bem construída e é de fácil canto, o que ficou ainda mais evidente neste ensaio. A resposta dos componentes mostrou que a obra está assimilada e tem potencial para crescer ainda mais na avenida, especialmente com a força da comunidade cantando junto.

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No carro de som, Igor Pitta teve atuação de destaque. O intérprete segurou muito bem a ausência de Carlos Júnior, conduzindo o samba com segurança, energia e boa leitura da bateria. Sua comunicação com os componentes foi clara e eficiente, contribuindo diretamente para o bom rendimento da harmonia ao longo do ensaio.

Fazendo um balanço da temporada, Igor destacou a evolução do samba e projetou um grande desfile: “O samba só cresceu. A gente vê não só nos componentes, mas fora da escola, as pessoas ouvindo bastante o samba, cantando bastante o samba, comentando bastante nas redes sociais. Aqui dentro da comunidade cresceu mais ainda, porque a galera foi comprando a ideia. Quando a comunidade canta, o cantor só segue o fluxo. Sem falsa modéstia, eu tenho certeza de que será o maior desfile da história da Em Cima da Hora”.

EVOLUÇÃO

No quesito evolução, a escola não apresentou problemas. As alas se deslocaram com naturalidade, sem correria ou buracos, mantendo um fluxo constante ao longo do ensaio. Em alguns momentos, espectadores entraram na pista para registrar imagens da escola, algo comum em ensaios de rua, especialmente na comunidade.

Essas interferências, no entanto, foram rapidamente resolvidas por membros da própria agremiação, que orientaram o público, sem que isso atrapalhasse o desempenho da escola ou comprometesse a evolução.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, do mestre Léo Capoeira, também foi um dos grandes destaques da noite. Mantendo a cadência do início ao fim, apresentou bossas bem encaixadas e precisas, com atenção especial para o trabalho dos atabaques, que deram identidade e força à musicalidade do ensaio e à representatividade do enredo.

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Ao analisar a temporada, o mestre demonstrou confiança no trabalho desenvolvido: “Estamos já a duas semanas do carnaval. Temos mais um ensaio e, graças a Deus, está tudo bem encaminhado, um saldo bem positivo de tudo o que a gente está pretendendo apresentar na Marquês de Sapucaí. Hoje o ensaio é na comunidade, o que é muito importante para a comunidade entender, conhecer e abraçar o nosso trabalho. Semana que vem é o último e depois é partir para a Vera, que é a Marquês de Sapucaí”.

O ensaio em Cavalcanti deixou claro que, mesmo com pouco tempo ensaiando em sua comunidade nesta temporada, a Em Cima da Hora soube aproveitar o momento. O canto mais forte, a energia dos componentes e a solidez dos quesitos reforçam a sensação de que a escola chega à reta final de preparação em curva ascendente, confiante para o grande dia na Marquês de Sapucaí.