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Grande Rio representa a infância de Zeca em seu segundo carro

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GR03A verde e vermelha de Caxias trouxe neste sábado, no desfile do Grupo Especial, as memórias infantis de Zeca em seu segundo carro. A alegoria colorida representa o tempo de criança do cantor, através de doces, erês e São Cosme e Damião.

Com cores em tons pasteis, a alegoria tem estatuas de crianças, animais coloridos, doces, rodas gigantes e brinquedos que representam a infância como a pipa e o pião.

Zeca, homenageado da Grande Rio, é devoto de São Cosme e Damião. “São Cosme e Damião eram médicos e tinham relação com a cura. Os erês são crianças e tem essa relação com a alegria e a doçura. Quando pedimos proteção aos erês, estamos pedindo pra nossa vida ser doce, alegre e leve. Eu estou muito feliz de estar neste carro pois acredito que a vida de todo mundo tem que ser leve e alegre”, disse Bia Aparecida, jornalista, integrante do carro.

GR04A alegoria é uma representação da infância do cantor, inspiradas em músicas como “Falange de Erê”, “Partido Doce”, Jeito Moleque, “Belo Encontro”, “Pixote” e “Patota de Cosme”.

Os integrantes vieram fantasiados como saquinhos de doces, idênticos aos sacos com doces distribuídos no dia de São Cosme e Damião. A fantasia é verde, vermelha e branca, como as cores da escola, com a imagem dos santos na frente. “O saquinho de São Cosme e Damião é bem típico, tem tudo a ver com erês. Eu já catei muitos doces na minha infância”, explicou Alexander Bridio, bancário, componente da Grande Rio há quinze anos.

A Grande Rio foi a segunda escola a desfilar neste primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. A escola homenageou o cantor e compositor Zeca Pagodinho.

Império Serrano homenageia centenária e ‘vizinha’ Portela em seu desfile

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Imperio Serrano04 4Uma das Paixões de Arlindo Cruz, a Portela foi homenageada pelo Império Serrano na ala “Portela, só pra contrariar”. Com a fantasia representando a águia da Azul e Branco, o Reizinho de Madureira trouxe uma mistura de portelenses e imperianos para a Marquês de Sapucaí.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes da ala falaram sobre a homenagem à coirmã e Arlindo, além da relação entre as duas escolas de samba de Madureira.

Imperio Serrano01 5Teresa Trajano, de 62 anos, é presidente da ala que homenageou a coirmã. Ela explicou a mensagem que a “Portela, só pra contrariar” passou na Avenida, além de falar da importância de homenagear Arlindo Cruz.

“Essa homenagem é tudo, porque o Arlindo é um ícone do samba e amado por todos. É muito emocionante e todo imperiano está emocionado. Entramos na Avenida com muita garra. Essa ala está homenageando a Portela porque é um dos amores de Arlindo. Nós estamos falando de Arlindo e dos lugares de Arlindo. Daí vem Portela, Império, o mercadão de Madureira. Essa ala vem toda azul e branco. A homenagem é muito boa, inclusive pela Portela estar em seu centenário. A Portela sendo homenageada representa para o mundo do carnaval a união das coirmãs. É muito importante para nós”, destacou a presidente da ala.

Imperio Serrano02 6Uma relação, de fato, de coirmãs. Teresa destacou que mesmo disputando o mesmo campeonato, não há rivalidade entre as duas escolas de samba de Madureira.

“A relação entre elas é muito boa, tanto é que antes do carnaval a Portela convida a gente e nós também convidamos. A rivalidade é como um concurso: cada uma caprichando para dar o seu melhor no campeonato, mas, no dia a dia, as escolas se ajudam”, disse Teresa.

Potira Lobo, empreendedora de 45 anos, é portelense e desfilou na Passarela do Samba. Para ela, ouvir o samba-enredo é lembrar de tudo que Arlindo Cruz fez pelo mundo do samba. Essa mistura de Império com Portela, para Potira, não possui palavras para definir.

Imperio Serrano03 5“Eu sou uma portelense nata e doente, inclusive vou desfilar no centenário. Foi muito importante vir para o Império porque é a minha segunda paixão. Eu moro próxima ao Império. Escutar o samba. Escutar este samba é remeter a tudo que Arlindo fez pelo mundo do samba. Ter vindo nessa ala da Portela mistura com o Império não tem explicação. O que fez eu vir foi o amor pelo samba, o fim da pandemia e a homenagem a Arlindo – principalmente depois de saber que a ala iria homenagear a Portela”, contou a componente da Império, que também desfilará na Portela.

Orgulhos do povo de Madureira e importante para o bairro. A componente também lembrou sobre a relação entre as duas escolas. Para ela, o Império merece ficar na elite do carnaval carioca.

“São coirmãs. Claro que há essa questão do campeonato, mas no final somos todas irmãs e filhas da mesma área. É de uma importância enorme para Madureira ter duas escolas de grande peso, grandes campeonatos e sambas. Não vejo nenhuma rivalidade entre Império e Portela. O que eu vejo é um respeito ao centenário e ao Reizinho. O Império merece estar entre as escolas do Grupo Especial e isso é fato. A escola subiu com excelência, acredito que vá permanecer e no sábado, vamos vir entre as últimas a desfilar, eu creio”, confiante, disse a componente da ala em homenagem à Portela.

Em meio ao centenário da Portela, a homenagem vir através de Arlindo Cruz deixou tudo ainda mais bonito. Assim definiu a componente Ana Paula, auxiliar administrativa de 40 anos e que desfilou pela primeira vez no Império. Para ela, Madureira é “verde e azul”.

“Homenagem vinda seja de quem for, a Portela sempre estará lisonjeada. E O Arlindo, tanto no mundo do samba como nas escolas, é referência. Toda e qualquer homenagem vinda dele deixaria qualquer pessoa honrada. O fato de ser uma homenagem para o Arlindo deixa essa homenagem para a Portela ainda mais linda, dá uma ênfase maior. É muito bonita essa homenagem entre as coirmãs. Trazer essa homenagem fica um legado muito bonito na história das duas escolas. Madureira é meio que verde e azul, a gente tem que se distribuir. Inclusive, essa ala é feita por muitos portelenses. A Portela se juntou com Império, duas paixões de Arlindo. Madureira se resume a isso”, falou Ana Paula.

Nelma Alves, de 58 anos, também é portelense, desfila na escola do coração desde 2009 e há dois no Império Serrano. Ela lembrou que não ter rivalidade é algo que só o carnaval consegue ter.

“O Arlindo como é muito conhecido, já passou por muitas escolas. Gostei muito do Império Serrano chamar a gente para essa homenagem. O Império está de parabéns. Não tem rivalidade nenhuma. Se o nosso futebol fosse igual às nossas escolas de samba, não haveria tanta briga”, destacou.

O Império Serrano foi a primeira escola a abrir o domingo de desfiles na Marquês de Sapucaí. A Portela, homenageada no enredo do Reizinho de Madureira, entrará na Avenida nesta segunda-feira, sendo a segunda agremiação a desfilar.

Imperianos celebram estreia de Ito Melodia no microfone oficial do Reizinho de Madureira

Por Diogo Sampaio

Imperio Serrano02 4Após duas décadas comandando o carro de som da União da Ilha, o intérprete Ito Melodia surpreendeu a muitos sambistas quando anunciou sua saída da escola e a ida para o Império Serrano. Por conta da forte identificação do cantor com a tricolor insulina, houve quem duvidasse que o casamento entre e Ito e o Reizinho de Madureira. Porém, a estreia comprovou que a relação está dando certo.

A prova disso é aceitação de Ito entre os componentes do Império Serrano. A secretária Cassia Alessandra, de 49 anos, desfila como baiana da verde e branca da Serrinha há sete anos. Para ela, a chegada do intérprete veio trazer um brilho a mais para o atual momento que a escola atravessa.

Imperio Serrano03 4“O casamento foi perfeito, ele é maravilhoso, ainda mais quando ele manda a gente incorporar. Parece que a voz entra na gente e nós faz evoluir que é uma beleza. Eu adorei o Império Serrano ter escolhido o Ito. Ele é ótimo. E acho que não tem estranhamento por ele ter ficado tanto tempo na Ilha, ele é uma pessoa muito boa, tem um coração muito bom que cabe a Ilha, cabe o Império. É um homem maravilhoso, não tem ninguém igual ao Ito Melodia”, declarou a baiana imperiana.

O aposentado Ícaro Fernandes, tem 70 anos, atualmente desfila na velha guarda, mas está na escola desde a infância. Na visão dele, Ito tem a cara e a alma do Império Serrano.

“A chegada do Ito na escola foi nota 10, não tinha pessoa melhor para ser o nosso intérprete. Ele tem muito para oferecer a escola. Hoje não se conta mais como puxador de samba, hoje é intérprete e ele tem qualidade para isso. A experiência dele já vem do pai dele, o dom também. É qualidade musical, se dedica, é um cara bom. Ele inflama a escola, ele sabe chamar o povo e caiu como uma luva no Império Serrano. Ele chama o povo do Império pra cantar com ele”, assegurou Ícaro.

Imperio Serrano01 4Mas não é só quem tem muito tempo de Império Serrano que aprovou a chegada de Ito Melodia. O contador Hildo Cristiano, de 39 anos, está desfilando pela primeira vez na agremiação e só tem elogios para o intérprete.

“Casou muito bem, é uma emoção muito grande termos ele aqui. É um grande profissional. O Império Serrano voltou para o Especial para ficar e o Ito, com certeza, vai ajudar muito isso. Ele sabe como balançar essa Sapucaí!”, disse Hildo.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Grande Rio no desfile

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A bateria da Acadêmicos do Grande Rio fez um desfile muito bom, sob o comando de mestre Fafá. Uma conjunção sonora impecável entre os naipes. Um ritmo que exibiu uma acentuada educação musical, com ritmistas buscando a leveza para consolidar a musicalidade.

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Na cozinha da bateria, marcadores de primeira e segunda tocaram com profunda leveza, evidenciando uma boa educação musical. Os surdos de terceira exibiram um balanço notável de forma educada, junto de repiques coesos e um naipe de caixas ressonante, que auxiliou no preenchimento musical privilegiado da parte da frente do ritmo.

A cabeça da bateria exibiu um ritmo profundamente destacado. Uma ala de tamborins altamente técnica tocou de forma entrelaçada com um naipe de chocalhos musicalmente poderoso. Ambos davam volume considerável à parte de frente do ritmo. Vale ressaltar o bom gosto do desenho rítmico dos tamborins, se aproveitando das nuances melódicas para consolidar a batida. Um naipe de cuícas de qualidade auxiliou no preenchimento da sonoridade da bateria da Grande Rio. Uma ala de agogôs primorosa apresentou uma convenção pautada pelas variações melódicas da obra da escola da tricolor de Caxias, contribuindo de forma efetiva tanto em ritmo, como em bossas.

A paradinha da cabeça do samba mesclou tapas em conjunto com o impacto sonoro dos surdos. Garantindo uma plena integração com a música, a sonoridade ganhou destaque. Foi possível perceber um swing envolvendo as marcações, numa convenção que consolidou o ritmo se aproveitando das diferenças de timbres.

No refrão do meio, uma paradinha exibiu complexidade musical, junto de um nível de dificuldade alto de execução. Um corte seco é realizado ainda na primeira, no trecho “Eu tenho”. Os tamborins executam imediatamente depois uma subidinha curta, num movimento rítmico que esbanjou disciplina. O arranjo ainda contou com destaques de surdos e caixas, evidenciando uma elaboração musical sofisticada, além de bom gosto inegável. Numa constituição requintada, por um momento somente os graves (surdos) ficavam tocando mantendo o compasso, para depois um ataque de outros naipes ser bem pontuado.

Um arranjo musical simples, mas eficiente foi utilizado travando a bateria na primeira do samba no trecho “homem da capa” e deixando os repiques realizarem um solo. O ritmo é retomado após o verso “É alvorada do seu padroeiro”, no tempo do samba.

A paradinha no final da segunda parou o ritmo, para fazer uma alusão ao Pagode, sendo retomado após movimento rítmico de solo entre tamborins e chocalhos. Apesar de desafiador, a convenção foi exibida de modo seguro durante toda a pista. Vale ressaltar que foi muito bem recebida pelo público, cada vez que era realizada. Um misto de sonoridade atrevida com ovação popular.

As apresentações em todas as cabines de julgadores foram muito boas e pautadas por um ritmo educado e enxuto. A melhor apresentação foi o espetáculo dado no último módulo de jurados, arrancado efusivos aplausos da plateia. Um grande desfile da bateria da Grande Rio, dirigida por mestre Fafá.

Carro ‘O show tem que continuar’ do Império Serrano trouxe Arlindo Cruz com amigos de longa data homenageá-lo

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Imperio Serrano01 3Para fechar o desfile com do Império Serrano, o carro “O show tem que continuar” celebrou a volta de Arlindo Cruz a Marquês de Sapucaí. A alegoria veio com o poeta maior sentado em um trono na dianteira acompanhado dos seus grandes amigos e familiares.

O carro contou com uma escultura imponente de Arlindo Cruz segurando seu banjo e vestido com as cores do Império Serrano. As cores da alegoria não fugiram também da paleta tradicional: verde, branco e dourado. A fantasia de todos presentes estava combinando com o carro alegórico.

Imperio Serrano02 3Em entrevista ao site CARNAVALESCO, grandes amigos de Arlindo Cruz comentaram a honra de estarem presentes nessa grande homenagem.

Délcio Luiz, compositor, foi parceiro de Arlindo no sucesso “O Bem”. O compositor se sentiu honrado e confiante para o desfile do Império Serrano.

“Para mim é uma alegria imensa fazer parte dessa homenagem aqui no desfile do Império Serrano. Celebrando meu poeta maior Arlindo Cruz que também é meu parceiro de música. Nós fizemos ‘O Bem’ juntos, entre outros sambas. Estou muito feliz. Com certeza vai ser campeão, eu acredito”, disse Délcio.

Quem não viu Tia Eulália dançar? A família da baluarte do Império Serrano eternizada em “Meu Lugar”, parceria de Arlindo Cruz com Mauro Diniz, esteve presente na homenagem. Eliana Dias, neta de Eulália, revelou detalhes da relação de sua avó com o poeta maior.

Imperio Serrano03 3“Minha avó tinha uma paixão por ele. Ela puxava a orelha dele, muito amor mesmo. É homenagem para ele em vida, tudo isso e muito mais. Nosso Arlindo, nosso amor, nosso imperiano de fé. Vamos lutar, vamos com garra”, expressou Eliana.

O cantor Péricles também esteve ao lado de Arlindo Cruz no carro alegórico. Parceiro de palco várias vezes, Péricles se emocionou com a volta de Arlindo a Sapucaí.

“Sensação é ótima, sensação de homenagear um grande amigo, uma figura nacional que merece muito. A expectativa é bem grande, o Império Serrano não veio para brincadeira não”, falou Péricles.

Com banho de ervas e a proteção de Xangô, terceira alegoria do Império celebra a religiosidade de Arlindo

Por Diogo Sampaio

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Ao longo de toda a sua carreira, o cantor e compositor Arlindo Cruz manteve uma relação bastante intrínseca entre a obra que produzia e a religiosidade. A música “Banho de fé”, composta ao lado de Sereno e Sombrinha, é um exemplo disso. A canção serviu de inspiração para o carnavalesco Alex de Souza desenvolver a terceira alegoria do Império Serrano, intitulada de “Vai lá na pedreira do meu pai Xangô, faço o favor e tome um banho de abô”. No carro em questão, uma enorme escultura de Xangô era erguida no alto, ao centro, para um banho de ervas sagradas.

O arquiteto Luís Pizzotti, 59 anos, é um dos componentes que desfilou nesta alegoria e antes mesmo de entrar na Marquês de Sapucaí, ainda na concentração, se mostrou encantado com o que viu. “O carro é um deslumbramento. A gente está desfilando na parte de baixo, como caboclos, dando a força toda para o Rei Xangô, que é o orixá de cabeça do Arlindo. Então, só posso dizer que é tudo de bom, é muita energia positiva, exatamente o que a gente quer passar para o Arlindo neste momento”, afirmou Luís.

Imperio Serrano07Fã de Arlindo Cruz, o dentista Rui Simões, de 61 anos, veio especialmente de Fortaleza, no Ceará, para participar da homenagem do Reizinho de Madureira ao maior baluarte vivo da escola. “O Arlindo foi um expoente, tanto na música, como na religião, no mundo artístico. É muito bacana estar aqui, desfilando, em homenagem a ele. Inclusive, estive na final do samba, em outubro do ano passado, na quadra do Império e foi algo inesquecível”, declarou.

O jornalista Diego Nascimento, de 31 anos, ainda ressaltou que a ligação íntima com a religiosidade não é só uma característica da obra de Arlindo Cruz, mas também do próprio Império Serrano. “O imperiano está sempre ligado a fé. Ele sempre expôs muito isso nas músicas dele. E a escola ao homenagear ele também homenageia toda a sua espiritualidade. Ele é filho de Xangô e é isso que esse carro representa. Xangô é o pai da justiça e nada mais justo do que trazer ele no desfile do Império, para também acabar com a intolerância religiosa que existe demais hoje em dia”, opinou.

Fotos: desfile do Império Serrano no Carnaval 2023

Imperianos celebram retorno do Império Serrano ao Grupo Especial

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Imperio Serrano01 1Com o enredo “Lugares de Arlindo”, que homenageou o grandioso sambista Arlindo Cruz, o Império Serrano marcou sua volta ao Grupo Especial. Em meio à euforia de voltar à elite do carnaval, os componentes do Reizinho de Madureira contaram, em entrevista ao site CARNAVALESCO, sobre a emoção deste retorno após alguns anos enfrentando problemas. Confiantes, alguns apostam que a agremiação briga para estar no Sábado das Campeãs.

Ana Cristina Miranda dos Santos, do lar e de 61 anos, contou que desfila no Império Serrano desde criança. Para ela, após tudo que a escola passou na Série Ouro, a agremiação veio para ficar no Grupo Especial.

“Eu estou no Império Serrano desde criança, frequentando a quadra e os ensaios, ainda mais porque moro perto da Serrinha. Há dois anos estou na ala das baianas e é uma ala fenomenal. Nós nos encontramos no Grupo Especial. Nós viemos de alguns dilemas, controvérsias e políticas, mas hoje o Império está no lugar em que ele realmente deve ficar”, disse a torcedora imperiana.

Imperio Serrano03 1Para ela, o retorno do Reizinho de Madureira para a elite do carnaval carioca representou a garra e o bom trabalho da equipe de carnaval e da diretoria da escola de samba. Confiante, Ana Cristina aposta que o Império retornará à Marquês de Sapucaí no Sábado das Campeãs.

“Essa fase representa que nós viemos para ficar. Estamos vindo com toda garra, com uma equipe de carnaval sensacional e um presidente que respeita os componentes. A gente veio com toda garra, porque queremos permanecer nesse grupo. Espero um futuro com tudo de bom e com muito progresso. Caminhos abertos e que Ogum abra os nossos caminhos junto com Exu, dando muita sabedoria para os que estão na direção. Temos certeza que o Império Serrano veio para ficar. Sábado estarei nas campeãs”, contou a componente.

Filha de Silas de Oliveira, um dos grandes nomes da história do Império Serrano, dona Elenice de Oliveira está em seu primeiro ano na velha guarda, já esteve em praticamente todos os segmentos e destacou a importância do retorno na agremiação. Segundo ela, não conseguir acompanhar a evolução rápida das escolas foi um dos problemas que dificultaram a permanência do Reizinho de Madureira na elite do carnaval.

Imperio Serrano04 1“A escola já se encontrou no Grupo Especial. Essa volta representa muita coisa, porque o Império tem uma história muito bonita. O que aconteceu com o Império foi o problema das ‘superescolas’ de samba, que ele não conseguiu acompanhar. Mas, agora, graças a Deus, nós estamos tentando e iremos conseguir”, destacou Elenice.

Para ela, a escola veio para ficar. Dona Elenice também falou sobre a relação de seu pai com a escola de samba da Serrinha e Madureira.

“A expectativa é que viemos para ficar. Eu tenho um orgulho enorme do meu pai, Silas de Oliveira, que fez muitos e sambas por muitos anos. Até hoje os sambas dele são cantados e lembrados aqui. Para mim, é uma história muito forte e temos que ficar”, comentou.

Michele Lorrana, empresária de 32 anos, desfila há três no Império Serrano e veio em cima do abre-alas. Para ela, o sentimento de estar no Grupo Especial é inexplicável. Campeão da Série Ouro de 2022, Michele disse que o Reizinho de Madureira veio para brigar pelo título na elite do carnaval.

Imperio Serrano02 1“Há anos a gente vinha trazendo desfiles atrás desse título e no acesso ao Grupo Especial. Mesmo com pandemia, pós-pandemia, colocamos um desfile para sermos campeãs e esse ano será a mesma coisa: rumo ao título. É uma sensação inexplicável, não dá para descrever. Há tempos a gente vinha tentando isso, então é a sensação de um sonho realizado. A expectativa para o desfile é muito grande, com o coração na boca. O Império veio para ficar”, confiante, disse Michele.

Já para Rojane Francisca, de 68 anos e componente da ala de compositores, o Império Serrano abriu os desfiles deste domingo com chave de ouro. Presente na agremiação desde os 12 anos de idade, Rojane disse estar emocionada com o desfile.

“A escola com certeza voltou ao seu lugar. Estou muito feliz. Esse retorno é uma glória, porque nós passamos por tanta coisa e agora é só alegria. Vamos ficar aqui e não iremos descer mais. Esse lugar é nosso. Os carros estão muito lindos, está tudo muito lindo. Estou muito emocionada, minha mãe até falou para eu ter cuidado com a pressão (risos). A homenagem para o Arlindo foi perfeita e enalteceu ele. Abrimos os desfiles com chave de ouro”, destacou.

Com uma linda homenagem a Arlindo Cruz, o Reizinho de Madureira abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial carioca.

Baianas do Império Serrano levam a força de São Jorge para a Avenida

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imperio serrano desfile 2023 20A ala das baianas do Império Serrano vem como devotas de São Jorge. Suas fantasias tinham referências ao santo, por causa da devoção de Arlindo Cruz. As componentes não sentiram o peso da fantasia, elas puderam girar confortavelmente por toda a Marquês de Sapucaí.

A paleta de cores da fantasia foi com vários tons de verde, além de conter alguns detalhes em dourado. Na Avenida, as saias das desfilantes quando giraram, causaram um belo efeito visual.

Imperio Serrano06Rosângela Santos da Silva, doméstica e seguradora de 66 anos, desfila no Império Serrano há quase 20 anos. Católica, Rosângela veio com toda força e fé de São Jorge para a Passarela do Samba.

“A fantasia está leve, linda (…) Sou muito devota de São Jorge, porque é um santo muito guerreiro. Ele cura doenças, defende a gente nas batalhas, é tudo”, afirmou Rosângela.

Geni Lopes, administradora de 56 anos, é a presidente da ala das baianas do Reizinho de Madureira. A presidente também achou a fantasia confortável. Desfilante da escola há 15 anos, crê na fé dos orixás para que tudo flua bem e o Império Serrano permaneça no Grupo Especial.

Imperio Serrano05“Ogum guerreiro, não é meu povo? Vamos junto com ele. É um enredo que estamos lutando para continuar no Grupo Especial, para dar tudo certo, a escola está bonita, as baianas estão lindas e satisfeitas. Isso que importa”, disse Geni.

Regina Rizzo, jornalista aposentada de 73 anos, desfilou no Império Serrano em 1998 e está retornando esse ano para a escola. O tempo distante se deve a uma outra profissão de Regina: bailarina. Ela se casou e morou na Europa durante anos, mas agora está de volta para brilhar pelo Reizinho de Madureira.

“A fantasia está suave, está tranquila. Eu sou filha de ogum na minha religião (…) Eu sou uma bailarina já aposentada, mas continuo no samba e no carnaval (…) A gente não faz promessa, a gente entrega para Deus, o que for do nosso merecimento, ele entrega nas nossas mãos”, falou Regina.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Império Serrano no desfile

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A estreia de mestre Vitinho no grupo Especial dirigindo a bateria do Império Serrano foi excelente. Uma boa conjunção sonora foi exibida, aliada a um leque de paradinhas bastante musical, que encantou o público da Marquês de Sapucaí. Uma sonoridade intimamente vinculada ao enredo da escola, com direito a Pagode e pegada africana.

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A cozinha da bateria exibiu um ritmo pautado por uma afinação de surdos particularmente grave, inserida nas características da escola da Serrinha. Marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos. Surdos de terceira deram um balanço invariável, principalmente em paradinhas. Repiques coesos e um naipe de caixas de guerra de qualidade técnica executou a batida rufada peculiar com classe.

A cabeça da bateria contou com os peculiares agogôs imperianos, adicionando um tom metálico precioso ao ritmo da “Sinfônica do Samba”, enquanto seguia as variações melódicas do samba para efetuar sua convenção rítmica. Uma ala de chocalhos de imensa qualidade musical foi percebida, assim como um naipe de cuícas de valor sonoro inegável foi notado. A ala de tamborins tocou de forma chapada um desenho rítmico que consolidou a batida através das nuances da melodia com eficácia e virtude técnica.

A ousada paradinha da cabeça do samba apresentou uma concepção musical diferenciada. Para fugir do lugar comum e exaltar o Pagode, a ideia foi usar os instrumentos da própria bateria do Império tocando fazendo alusão a uma peça presente numa roda de samba (um dos “Lugares de Arlindo”). Repiniques tocaram como se fossem repiques de mão. Chocalho fazendo alusão ao Reco Reco. Cuícas exibiram toque de pagode. Tamborins com alusão a batida na palma da mão na primeira parte e depois fando molho, chamando pro samba. O surdo de primeira marcava, o de segunda imitava o Tantan, com os surdos de terceira funcionando como repique de anel. As execuções durante a pista fluíram com naturalidade, tendo boa receptividade do público.

Após essa paradinha bem elaborada e concebida, por vezes era apresentado um breque que deu dinamismo sonoro à bateria do Império. Demonstrando uma versatilidade rítmica tanto de caixas, quanto de repiques. O arranjo era de elevado grau de dificuldade, mas exibiu uma execução privilegiada durante o desfile.

A bossa de maior extensão musical (mais longa) era iniciada a partir do verso “Numa porção de fé”, terminando no início da primeira do samba. O primeiro trecho do movimento rítmico remeteu a uma paradinha antiga do Império Serrano envolvendo agogôs, mas dessa vez os repiques que conduzem o arranjo, que ainda se aproveita da pressão das marcações. A convenção prossegue permitindo um balanço inconfundível, com ritmistas abaixados, sendo ovacionada de forma calorosa pela plateia. A bossa explorou todos os naipes do ritmo, finalizando com um toque de Candomblé chamado Cabula, conectando à musicalidade da “Sinfônica” com o enredo que explora o sincretismo religioso do homenageado.

Refinados toques para os dois Orixás citados nos refrões foram realizados. Primeiramente um toque para Xangô foi realizado, contando com dança pra lá e pra cá dos ritmistas imperianos, num movimento bem sincronizado e musicalmente encaixado. A finalização envolve um movimento rítmico atrevido, mas bem realizado das terceiras. Já no segundo refrão, a bateria tocou para Ogum. Mais uma vez as marcações exibiram grande virtude sonora, dando pressão à convenção. Um acerto religioso e cultural, altamente vinculado a Arlindo Cruz.

As apresentações nos módulos de julgadores foram impecáveis, limpas e garantindo boa receptividade visual do júri, além da nítida empolgação do público. As exibições na primeira cabine (dupla) e no último módulo ganharam contornos apoteóticos, levando todos que vivenciaram o verdadeiro espetáculo ao delírio. Uma estreia exemplar de mestre Vitinho no grupo Especial no comando da bateria “Sinfônica do Samba” do Império Serrano.