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Imperianos celebram estreia de Ito Melodia no microfone oficial do Reizinho de Madureira

Por Diogo Sampaio

Imperio Serrano02 4Após duas décadas comandando o carro de som da União da Ilha, o intérprete Ito Melodia surpreendeu a muitos sambistas quando anunciou sua saída da escola e a ida para o Império Serrano. Por conta da forte identificação do cantor com a tricolor insulina, houve quem duvidasse que o casamento entre e Ito e o Reizinho de Madureira. Porém, a estreia comprovou que a relação está dando certo.

A prova disso é aceitação de Ito entre os componentes do Império Serrano. A secretária Cassia Alessandra, de 49 anos, desfila como baiana da verde e branca da Serrinha há sete anos. Para ela, a chegada do intérprete veio trazer um brilho a mais para o atual momento que a escola atravessa.

Imperio Serrano03 4“O casamento foi perfeito, ele é maravilhoso, ainda mais quando ele manda a gente incorporar. Parece que a voz entra na gente e nós faz evoluir que é uma beleza. Eu adorei o Império Serrano ter escolhido o Ito. Ele é ótimo. E acho que não tem estranhamento por ele ter ficado tanto tempo na Ilha, ele é uma pessoa muito boa, tem um coração muito bom que cabe a Ilha, cabe o Império. É um homem maravilhoso, não tem ninguém igual ao Ito Melodia”, declarou a baiana imperiana.

O aposentado Ícaro Fernandes, tem 70 anos, atualmente desfila na velha guarda, mas está na escola desde a infância. Na visão dele, Ito tem a cara e a alma do Império Serrano.

“A chegada do Ito na escola foi nota 10, não tinha pessoa melhor para ser o nosso intérprete. Ele tem muito para oferecer a escola. Hoje não se conta mais como puxador de samba, hoje é intérprete e ele tem qualidade para isso. A experiência dele já vem do pai dele, o dom também. É qualidade musical, se dedica, é um cara bom. Ele inflama a escola, ele sabe chamar o povo e caiu como uma luva no Império Serrano. Ele chama o povo do Império pra cantar com ele”, assegurou Ícaro.

Imperio Serrano01 4Mas não é só quem tem muito tempo de Império Serrano que aprovou a chegada de Ito Melodia. O contador Hildo Cristiano, de 39 anos, está desfilando pela primeira vez na agremiação e só tem elogios para o intérprete.

“Casou muito bem, é uma emoção muito grande termos ele aqui. É um grande profissional. O Império Serrano voltou para o Especial para ficar e o Ito, com certeza, vai ajudar muito isso. Ele sabe como balançar essa Sapucaí!”, disse Hildo.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Grande Rio no desfile

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A bateria da Acadêmicos do Grande Rio fez um desfile muito bom, sob o comando de mestre Fafá. Uma conjunção sonora impecável entre os naipes. Um ritmo que exibiu uma acentuada educação musical, com ritmistas buscando a leveza para consolidar a musicalidade.

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Na cozinha da bateria, marcadores de primeira e segunda tocaram com profunda leveza, evidenciando uma boa educação musical. Os surdos de terceira exibiram um balanço notável de forma educada, junto de repiques coesos e um naipe de caixas ressonante, que auxiliou no preenchimento musical privilegiado da parte da frente do ritmo.

A cabeça da bateria exibiu um ritmo profundamente destacado. Uma ala de tamborins altamente técnica tocou de forma entrelaçada com um naipe de chocalhos musicalmente poderoso. Ambos davam volume considerável à parte de frente do ritmo. Vale ressaltar o bom gosto do desenho rítmico dos tamborins, se aproveitando das nuances melódicas para consolidar a batida. Um naipe de cuícas de qualidade auxiliou no preenchimento da sonoridade da bateria da Grande Rio. Uma ala de agogôs primorosa apresentou uma convenção pautada pelas variações melódicas da obra da escola da tricolor de Caxias, contribuindo de forma efetiva tanto em ritmo, como em bossas.

A paradinha da cabeça do samba mesclou tapas em conjunto com o impacto sonoro dos surdos. Garantindo uma plena integração com a música, a sonoridade ganhou destaque. Foi possível perceber um swing envolvendo as marcações, numa convenção que consolidou o ritmo se aproveitando das diferenças de timbres.

No refrão do meio, uma paradinha exibiu complexidade musical, junto de um nível de dificuldade alto de execução. Um corte seco é realizado ainda na primeira, no trecho “Eu tenho”. Os tamborins executam imediatamente depois uma subidinha curta, num movimento rítmico que esbanjou disciplina. O arranjo ainda contou com destaques de surdos e caixas, evidenciando uma elaboração musical sofisticada, além de bom gosto inegável. Numa constituição requintada, por um momento somente os graves (surdos) ficavam tocando mantendo o compasso, para depois um ataque de outros naipes ser bem pontuado.

Um arranjo musical simples, mas eficiente foi utilizado travando a bateria na primeira do samba no trecho “homem da capa” e deixando os repiques realizarem um solo. O ritmo é retomado após o verso “É alvorada do seu padroeiro”, no tempo do samba.

A paradinha no final da segunda parou o ritmo, para fazer uma alusão ao Pagode, sendo retomado após movimento rítmico de solo entre tamborins e chocalhos. Apesar de desafiador, a convenção foi exibida de modo seguro durante toda a pista. Vale ressaltar que foi muito bem recebida pelo público, cada vez que era realizada. Um misto de sonoridade atrevida com ovação popular.

As apresentações em todas as cabines de julgadores foram muito boas e pautadas por um ritmo educado e enxuto. A melhor apresentação foi o espetáculo dado no último módulo de jurados, arrancado efusivos aplausos da plateia. Um grande desfile da bateria da Grande Rio, dirigida por mestre Fafá.

Carro ‘O show tem que continuar’ do Império Serrano trouxe Arlindo Cruz com amigos de longa data homenageá-lo

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Imperio Serrano01 3Para fechar o desfile com do Império Serrano, o carro “O show tem que continuar” celebrou a volta de Arlindo Cruz a Marquês de Sapucaí. A alegoria veio com o poeta maior sentado em um trono na dianteira acompanhado dos seus grandes amigos e familiares.

O carro contou com uma escultura imponente de Arlindo Cruz segurando seu banjo e vestido com as cores do Império Serrano. As cores da alegoria não fugiram também da paleta tradicional: verde, branco e dourado. A fantasia de todos presentes estava combinando com o carro alegórico.

Imperio Serrano02 3Em entrevista ao site CARNAVALESCO, grandes amigos de Arlindo Cruz comentaram a honra de estarem presentes nessa grande homenagem.

Délcio Luiz, compositor, foi parceiro de Arlindo no sucesso “O Bem”. O compositor se sentiu honrado e confiante para o desfile do Império Serrano.

“Para mim é uma alegria imensa fazer parte dessa homenagem aqui no desfile do Império Serrano. Celebrando meu poeta maior Arlindo Cruz que também é meu parceiro de música. Nós fizemos ‘O Bem’ juntos, entre outros sambas. Estou muito feliz. Com certeza vai ser campeão, eu acredito”, disse Délcio.

Quem não viu Tia Eulália dançar? A família da baluarte do Império Serrano eternizada em “Meu Lugar”, parceria de Arlindo Cruz com Mauro Diniz, esteve presente na homenagem. Eliana Dias, neta de Eulália, revelou detalhes da relação de sua avó com o poeta maior.

Imperio Serrano03 3“Minha avó tinha uma paixão por ele. Ela puxava a orelha dele, muito amor mesmo. É homenagem para ele em vida, tudo isso e muito mais. Nosso Arlindo, nosso amor, nosso imperiano de fé. Vamos lutar, vamos com garra”, expressou Eliana.

O cantor Péricles também esteve ao lado de Arlindo Cruz no carro alegórico. Parceiro de palco várias vezes, Péricles se emocionou com a volta de Arlindo a Sapucaí.

“Sensação é ótima, sensação de homenagear um grande amigo, uma figura nacional que merece muito. A expectativa é bem grande, o Império Serrano não veio para brincadeira não”, falou Péricles.

Com banho de ervas e a proteção de Xangô, terceira alegoria do Império celebra a religiosidade de Arlindo

Por Diogo Sampaio

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Ao longo de toda a sua carreira, o cantor e compositor Arlindo Cruz manteve uma relação bastante intrínseca entre a obra que produzia e a religiosidade. A música “Banho de fé”, composta ao lado de Sereno e Sombrinha, é um exemplo disso. A canção serviu de inspiração para o carnavalesco Alex de Souza desenvolver a terceira alegoria do Império Serrano, intitulada de “Vai lá na pedreira do meu pai Xangô, faço o favor e tome um banho de abô”. No carro em questão, uma enorme escultura de Xangô era erguida no alto, ao centro, para um banho de ervas sagradas.

O arquiteto Luís Pizzotti, 59 anos, é um dos componentes que desfilou nesta alegoria e antes mesmo de entrar na Marquês de Sapucaí, ainda na concentração, se mostrou encantado com o que viu. “O carro é um deslumbramento. A gente está desfilando na parte de baixo, como caboclos, dando a força toda para o Rei Xangô, que é o orixá de cabeça do Arlindo. Então, só posso dizer que é tudo de bom, é muita energia positiva, exatamente o que a gente quer passar para o Arlindo neste momento”, afirmou Luís.

Imperio Serrano07Fã de Arlindo Cruz, o dentista Rui Simões, de 61 anos, veio especialmente de Fortaleza, no Ceará, para participar da homenagem do Reizinho de Madureira ao maior baluarte vivo da escola. “O Arlindo foi um expoente, tanto na música, como na religião, no mundo artístico. É muito bacana estar aqui, desfilando, em homenagem a ele. Inclusive, estive na final do samba, em outubro do ano passado, na quadra do Império e foi algo inesquecível”, declarou.

O jornalista Diego Nascimento, de 31 anos, ainda ressaltou que a ligação íntima com a religiosidade não é só uma característica da obra de Arlindo Cruz, mas também do próprio Império Serrano. “O imperiano está sempre ligado a fé. Ele sempre expôs muito isso nas músicas dele. E a escola ao homenagear ele também homenageia toda a sua espiritualidade. Ele é filho de Xangô e é isso que esse carro representa. Xangô é o pai da justiça e nada mais justo do que trazer ele no desfile do Império, para também acabar com a intolerância religiosa que existe demais hoje em dia”, opinou.

Fotos: desfile do Império Serrano no Carnaval 2023

Imperianos celebram retorno do Império Serrano ao Grupo Especial

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Imperio Serrano01 1Com o enredo “Lugares de Arlindo”, que homenageou o grandioso sambista Arlindo Cruz, o Império Serrano marcou sua volta ao Grupo Especial. Em meio à euforia de voltar à elite do carnaval, os componentes do Reizinho de Madureira contaram, em entrevista ao site CARNAVALESCO, sobre a emoção deste retorno após alguns anos enfrentando problemas. Confiantes, alguns apostam que a agremiação briga para estar no Sábado das Campeãs.

Ana Cristina Miranda dos Santos, do lar e de 61 anos, contou que desfila no Império Serrano desde criança. Para ela, após tudo que a escola passou na Série Ouro, a agremiação veio para ficar no Grupo Especial.

“Eu estou no Império Serrano desde criança, frequentando a quadra e os ensaios, ainda mais porque moro perto da Serrinha. Há dois anos estou na ala das baianas e é uma ala fenomenal. Nós nos encontramos no Grupo Especial. Nós viemos de alguns dilemas, controvérsias e políticas, mas hoje o Império está no lugar em que ele realmente deve ficar”, disse a torcedora imperiana.

Imperio Serrano03 1Para ela, o retorno do Reizinho de Madureira para a elite do carnaval carioca representou a garra e o bom trabalho da equipe de carnaval e da diretoria da escola de samba. Confiante, Ana Cristina aposta que o Império retornará à Marquês de Sapucaí no Sábado das Campeãs.

“Essa fase representa que nós viemos para ficar. Estamos vindo com toda garra, com uma equipe de carnaval sensacional e um presidente que respeita os componentes. A gente veio com toda garra, porque queremos permanecer nesse grupo. Espero um futuro com tudo de bom e com muito progresso. Caminhos abertos e que Ogum abra os nossos caminhos junto com Exu, dando muita sabedoria para os que estão na direção. Temos certeza que o Império Serrano veio para ficar. Sábado estarei nas campeãs”, contou a componente.

Filha de Silas de Oliveira, um dos grandes nomes da história do Império Serrano, dona Elenice de Oliveira está em seu primeiro ano na velha guarda, já esteve em praticamente todos os segmentos e destacou a importância do retorno na agremiação. Segundo ela, não conseguir acompanhar a evolução rápida das escolas foi um dos problemas que dificultaram a permanência do Reizinho de Madureira na elite do carnaval.

Imperio Serrano04 1“A escola já se encontrou no Grupo Especial. Essa volta representa muita coisa, porque o Império tem uma história muito bonita. O que aconteceu com o Império foi o problema das ‘superescolas’ de samba, que ele não conseguiu acompanhar. Mas, agora, graças a Deus, nós estamos tentando e iremos conseguir”, destacou Elenice.

Para ela, a escola veio para ficar. Dona Elenice também falou sobre a relação de seu pai com a escola de samba da Serrinha e Madureira.

“A expectativa é que viemos para ficar. Eu tenho um orgulho enorme do meu pai, Silas de Oliveira, que fez muitos e sambas por muitos anos. Até hoje os sambas dele são cantados e lembrados aqui. Para mim, é uma história muito forte e temos que ficar”, comentou.

Michele Lorrana, empresária de 32 anos, desfila há três no Império Serrano e veio em cima do abre-alas. Para ela, o sentimento de estar no Grupo Especial é inexplicável. Campeão da Série Ouro de 2022, Michele disse que o Reizinho de Madureira veio para brigar pelo título na elite do carnaval.

Imperio Serrano02 1“Há anos a gente vinha trazendo desfiles atrás desse título e no acesso ao Grupo Especial. Mesmo com pandemia, pós-pandemia, colocamos um desfile para sermos campeãs e esse ano será a mesma coisa: rumo ao título. É uma sensação inexplicável, não dá para descrever. Há tempos a gente vinha tentando isso, então é a sensação de um sonho realizado. A expectativa para o desfile é muito grande, com o coração na boca. O Império veio para ficar”, confiante, disse Michele.

Já para Rojane Francisca, de 68 anos e componente da ala de compositores, o Império Serrano abriu os desfiles deste domingo com chave de ouro. Presente na agremiação desde os 12 anos de idade, Rojane disse estar emocionada com o desfile.

“A escola com certeza voltou ao seu lugar. Estou muito feliz. Esse retorno é uma glória, porque nós passamos por tanta coisa e agora é só alegria. Vamos ficar aqui e não iremos descer mais. Esse lugar é nosso. Os carros estão muito lindos, está tudo muito lindo. Estou muito emocionada, minha mãe até falou para eu ter cuidado com a pressão (risos). A homenagem para o Arlindo foi perfeita e enalteceu ele. Abrimos os desfiles com chave de ouro”, destacou.

Com uma linda homenagem a Arlindo Cruz, o Reizinho de Madureira abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial carioca.

Baianas do Império Serrano levam a força de São Jorge para a Avenida

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imperio serrano desfile 2023 20A ala das baianas do Império Serrano vem como devotas de São Jorge. Suas fantasias tinham referências ao santo, por causa da devoção de Arlindo Cruz. As componentes não sentiram o peso da fantasia, elas puderam girar confortavelmente por toda a Marquês de Sapucaí.

A paleta de cores da fantasia foi com vários tons de verde, além de conter alguns detalhes em dourado. Na Avenida, as saias das desfilantes quando giraram, causaram um belo efeito visual.

Imperio Serrano06Rosângela Santos da Silva, doméstica e seguradora de 66 anos, desfila no Império Serrano há quase 20 anos. Católica, Rosângela veio com toda força e fé de São Jorge para a Passarela do Samba.

“A fantasia está leve, linda (…) Sou muito devota de São Jorge, porque é um santo muito guerreiro. Ele cura doenças, defende a gente nas batalhas, é tudo”, afirmou Rosângela.

Geni Lopes, administradora de 56 anos, é a presidente da ala das baianas do Reizinho de Madureira. A presidente também achou a fantasia confortável. Desfilante da escola há 15 anos, crê na fé dos orixás para que tudo flua bem e o Império Serrano permaneça no Grupo Especial.

Imperio Serrano05“Ogum guerreiro, não é meu povo? Vamos junto com ele. É um enredo que estamos lutando para continuar no Grupo Especial, para dar tudo certo, a escola está bonita, as baianas estão lindas e satisfeitas. Isso que importa”, disse Geni.

Regina Rizzo, jornalista aposentada de 73 anos, desfilou no Império Serrano em 1998 e está retornando esse ano para a escola. O tempo distante se deve a uma outra profissão de Regina: bailarina. Ela se casou e morou na Europa durante anos, mas agora está de volta para brilhar pelo Reizinho de Madureira.

“A fantasia está suave, está tranquila. Eu sou filha de ogum na minha religião (…) Eu sou uma bailarina já aposentada, mas continuo no samba e no carnaval (…) A gente não faz promessa, a gente entrega para Deus, o que for do nosso merecimento, ele entrega nas nossas mãos”, falou Regina.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Império Serrano no desfile

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A estreia de mestre Vitinho no grupo Especial dirigindo a bateria do Império Serrano foi excelente. Uma boa conjunção sonora foi exibida, aliada a um leque de paradinhas bastante musical, que encantou o público da Marquês de Sapucaí. Uma sonoridade intimamente vinculada ao enredo da escola, com direito a Pagode e pegada africana.

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A cozinha da bateria exibiu um ritmo pautado por uma afinação de surdos particularmente grave, inserida nas características da escola da Serrinha. Marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos. Surdos de terceira deram um balanço invariável, principalmente em paradinhas. Repiques coesos e um naipe de caixas de guerra de qualidade técnica executou a batida rufada peculiar com classe.

A cabeça da bateria contou com os peculiares agogôs imperianos, adicionando um tom metálico precioso ao ritmo da “Sinfônica do Samba”, enquanto seguia as variações melódicas do samba para efetuar sua convenção rítmica. Uma ala de chocalhos de imensa qualidade musical foi percebida, assim como um naipe de cuícas de valor sonoro inegável foi notado. A ala de tamborins tocou de forma chapada um desenho rítmico que consolidou a batida através das nuances da melodia com eficácia e virtude técnica.

A ousada paradinha da cabeça do samba apresentou uma concepção musical diferenciada. Para fugir do lugar comum e exaltar o Pagode, a ideia foi usar os instrumentos da própria bateria do Império tocando fazendo alusão a uma peça presente numa roda de samba (um dos “Lugares de Arlindo”). Repiniques tocaram como se fossem repiques de mão. Chocalho fazendo alusão ao Reco Reco. Cuícas exibiram toque de pagode. Tamborins com alusão a batida na palma da mão na primeira parte e depois fando molho, chamando pro samba. O surdo de primeira marcava, o de segunda imitava o Tantan, com os surdos de terceira funcionando como repique de anel. As execuções durante a pista fluíram com naturalidade, tendo boa receptividade do público.

Após essa paradinha bem elaborada e concebida, por vezes era apresentado um breque que deu dinamismo sonoro à bateria do Império. Demonstrando uma versatilidade rítmica tanto de caixas, quanto de repiques. O arranjo era de elevado grau de dificuldade, mas exibiu uma execução privilegiada durante o desfile.

A bossa de maior extensão musical (mais longa) era iniciada a partir do verso “Numa porção de fé”, terminando no início da primeira do samba. O primeiro trecho do movimento rítmico remeteu a uma paradinha antiga do Império Serrano envolvendo agogôs, mas dessa vez os repiques que conduzem o arranjo, que ainda se aproveita da pressão das marcações. A convenção prossegue permitindo um balanço inconfundível, com ritmistas abaixados, sendo ovacionada de forma calorosa pela plateia. A bossa explorou todos os naipes do ritmo, finalizando com um toque de Candomblé chamado Cabula, conectando à musicalidade da “Sinfônica” com o enredo que explora o sincretismo religioso do homenageado.

Refinados toques para os dois Orixás citados nos refrões foram realizados. Primeiramente um toque para Xangô foi realizado, contando com dança pra lá e pra cá dos ritmistas imperianos, num movimento bem sincronizado e musicalmente encaixado. A finalização envolve um movimento rítmico atrevido, mas bem realizado das terceiras. Já no segundo refrão, a bateria tocou para Ogum. Mais uma vez as marcações exibiram grande virtude sonora, dando pressão à convenção. Um acerto religioso e cultural, altamente vinculado a Arlindo Cruz.

As apresentações nos módulos de julgadores foram impecáveis, limpas e garantindo boa receptividade visual do júri, além da nítida empolgação do público. As exibições na primeira cabine (dupla) e no último módulo ganharam contornos apoteóticos, levando todos que vivenciaram o verdadeiro espetáculo ao delírio. Uma estreia exemplar de mestre Vitinho no grupo Especial no comando da bateria “Sinfônica do Samba” do Império Serrano.

Acompanhe ao vivo o primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial

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Primeira noite do Especial tem atual campeã, escolas tradicionais, homenagens a ícones do samba e musicalidade baiana

Após acontecer em abril em 2022, a folia voltou ao seu período tradicional no calendário e agora tem o seu momento de maior espera, as apresentações das agremiações que pertencem ao principal grupo do carnaval carioca. Neste domingo, seis escolas vão passar pela Sapucaí buscando retomar uma normalidade na folia, após a pandemia e alguns anos de muita dificuldade por questões financeiras advindas de administração políticas. Império Serrano, Grande Rio, Mocidade, Unidos da Tijuca, Salgueiro e Mangueira querem contrariar a mística que aponta maiores chances de título para as escolas de segunda-feira e conquistar o caneco mais uma vez. A noite vai começar com homenagens a grandes sambistas e ícones da música brasileira: Arlindo Cruz através do Império Serrano, e logo em seguida, Zeca Pagodinho virá na Grande Rio, que busca um bicampeonato após o título inédito no ano passado. Logo depois, a Mocidade vai trazer os discípulos de mestre Vitalino e a arte do Alto do Moura. A sequência tem a Unidos da Tijuca apresentando a Baía de Todos os Santos e o Salgueiro, com estreia de Edson Pereira, propondo uma nova versão do paraíso. A noite vai ser encerrada pela Estação Primeira de Mangueira com toda a musicalidade baiana dos cortejos afros e seu protagonismo feminino. Em 2023, seis escolas voltam no desfile das campeãs e a última colocada será rebaixada para a Série Ouro. Os desfiles terão início às 22h. O site CARNAVALESCO preparou um guia contando mais sobre o que cada agremiação vai trazer para a Sapucaí.

Império Serrano

De volta ao Grupo Especial, a Serrinha abre a primeira noite de desfiles com o enredo “Lugares de Arlindo” que apresenta vida e obra de um dos maiores cantores e compositores do samba e da música brasileira em geral, além de um apaixonado pela Verde e Branca. O enredo desenvolvido pelo carnavalesco Alex de Souza usou o sucesso “O meu lugar” para nortear o desfile que pretende além da homenagem a Arlindo Cruz, inflamar ainda mais o orgulho do imperiano na Sapucaí apresentando um grande baluarte da Serrinha. O desfile vai mostrar todas as facetas musicais de Arlindo, desde o lado romântico, passando por um samba mais divertido, até chegar a uma versão mais engajada, de preocupação social. E por fim, também apresentar a religiosidade do artista, a fé no candomblé, mas também seu jeito ecumênico, encontrando o catolicismo na música dele e outras referências a várias religiões.

Para o retorno ao Especial, o Império Serrano tem novidade no carro de som. O intérprete Ito Melodia faz sua estreia comandando o microfone principal da Serrinha. Na comissão de frente, Júnior Scapin está de volta à escola. Para o primeiro casal, Marlon Flores e Danielle Nascimento foram contratados após ano passado terem desfilado pela União da Ilha. No comando da Sinfônica do Samba, mestre Vitinho permanece após o bom desempenho em 2022 na Série Ouro. A direção de carnaval é de Wilsinho Alves. A obra para este desfile foi composta por Aluísio Machado, Ambrosio Aurélio, Carlitos Beto Br, Carlos Senna, Rubens Gordinho e Sombrinha.

Fique de Olho: A bateria de mestre Vitinho vem preparando muitas bossas, coreografias e outras surpresas para a Sapucaí. A expectativa é de que seja um grande show de ritmo e pirotecnias. A escola também virá bem grande e pretende ser uma das maiores que já abriram o desfile do Grupo Especial. Só no carro abre-alas que trará o padroeiro da escola, São Jorge, serão três chassis acoplados. Ito Melodia vai fazer sua estreia pela Serrinha depois de mais de 20 anos de União da Ilha. E claro, há a expectativa pela participação do homenageado, Arlindo Cruz, no desfile, além de sua esposa a ex porta-bandeira Babi Cruz e o filho, o cantor e compositor Arlindinho.

Grande Rio

Campeã em 2022 encerrando a segunda noite de desfiles, a Grande Rio agora terá o desafio de defender o título inédito na posição de segunda escola da primeira noite. O enredo ” Ô Zeca, o pagode onde é que é? Andei descalço, carroça e trem, procurando por Xerém, para te ver, para te abraçar, para beber e batucar!” vai trazer mais que a vida e a obra de Zeca Pagodinho. Em formato de crônica, vai encontrar pelo subúrbio carioca e pela Baixada Fluminense lugares que fazem sentido tanto para a vida pessoal do artista quanto para sua obra. Zeca é vizinho da Grande Rio e já havia sido lembrado no carnaval de 2007 quando a escola fez um desfile sobre o município de Duque de Caxias, hoje lugar de moradia e refúgio deste grande sambista. Pelo terceiro ano consecutivo, os carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad estão responsáveis pelo carnaval da Grande Rio, até aqui conquistaram um título e um vice-campeonato.

A tricolor de Caxias manteve sua equipe campeã do carnaval passado e segue com mestre Fafá à frente da Invocada, Daniel Werneck e Taciana Couto, como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, além de Evandro Malandro comandando o carro de som e o casal Hélio e Beth Bejani coreografando a comissão de frente da agremiação. A direção de carnaval segue com Thiago Monteiro. O samba de 2023 foi composto por Arlindinho, Diogo Nogueira, Gusttavo Clarão, Igor Leal, Mingauzinho e Myngal.

Fique de olho: O homenageado do enredo, Zeca Pagodinho, virá no desfile da Grande Rio no último carro da escola, o que deverá ser o ponto alto do desfile e momento de maior comoção do público. Zeca participou do ensaio técnico. O entrosamento entre Evandro Malandro e Mestre Fafá cada vez é mais evidente, a expectativa é que a dupla faça crescer ainda mais o bom samba da Grande Rio para 2023. Com um enredo tão cultural, tão ligado à música, ao samba, e pela grande admiração que Zeca tem no mundo da música, há a expectativa pela participação de diversos cantores e compositores do samba e do partido alto em geral. No ensaio técnico a escola distribuiu cerveja na Sapucaí, o que será que vem para o desfile? As alegorias de Leonardo Bora e Gabriel Haddad prometem seguir impressionando com soluções diferentes e que fogem do lugar comum da folia carnavalesca. A rainha Paola Oliveira é muito ovacionada em todos os eventos da Grande Rio que participa. Expectativa pela fantasia da bela e pela participação do marido Diogo Nogueira no desfile. O cantor é um dos compositores do samba 2023 da Tricolor de Caxias.

Mocidade Independente de Padre Miguel

Tentando apagar o oitavo lugar do ano passado e repleta de novidades, a Mocidade será a terceira escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial apresentando o enredo “Terras de meu céu, estrelas de meu chão” que foi desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira, agora a frente do carnaval da Verde e Branca da Zona Oeste. Depois dos dois últimos desfiles a Mocidade apostar em enredos que tinham uma ligação maior com sua própria história, a ideia para este carnaval é valorizar o legado da obra daqueles considerados por Marcus como os primeiros discípulos de mestre Vitalino, que começaram a colocar a arte figurativa como grande expoente das artes plásticas brasileiras pelo mundo a fora, e dessa forma, levar para a Sapucaí um pouco do que é produzido no Alto do Moura, um vilarejo de Caruaru, em Pernambuco.

Além de Marcus Ferreira, a Mocidade trouxe Nino do Milênio para comandar o microfone oficial da escola e apostou no coreógrafo Paulo Pina para a comissão de frente, fazendo sua estreia no Grupo Especial. Em outros quesitos a escola manteve profissionais que já vem dando certo há alguns anos. Como primeiro casal, Diogo Jesus e Bruna Santos seguem defendendo o pavilhão da Mocidade. Já o mestre Dudu vai completar 11 carnavais à frente da Não Existe Mais Quente. A direção de carnaval é de Marquinho Marino. O samba de 2023 é uma composição de Diego Nicolau, Cabeça Do Ajax, Gigi Da Estiva, Leandro Budegas, Orlando Ambrosio, Richard Valença, W Correa.

Fique de Olho: Marcus Ferreira vai repetir na Mocidade um enredo impregnado de brasilidade, fórmula que deu certo na Viradouro em 2020 quando conquistou o título ao lado de Tarcísio Zanon no enredo sobre as ganhadeiras. O carnavalesco também prometeu durante todo o desfile a utilização de materiais alternativos ao que se costuma usar na folia carnavalesca, trazendo um pouco do Alto do Moura para o desfile. A comissão de frente de Paulo Pina promete grandes surpresas, o coreógrafo fez uma grande apresentação na Porto da Pedra em 2022 na Série Ouro o que lhe rendeu o convite da Mocidade. O samba, se não foi tão aclamado como as obras de 2020 e 2022, tem um formato bastante melódico que se encaixa perfeitamente nas características do estreante intérprete Nino do Milênio, além de casar bastante com um melhor andamento da Não Existe Mais Quente de mestre Dudu.

Unidos da Tijuca

Mordida pelo nono lugar em 2023 e desde 2016 sem voltar nas Campeãs, a Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar com o enredo “É onda que vai… É onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, que está sendo produzido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos em seu segundo ano na escola do Borel. A Tijuca pretende trazer de forma lúdica a cultura, a história e a musicalidade da Baía de Todos os Santos com a narrativa das próprias águas da baía. Depois da complexa e criativa construção narrativa do enredo sobre o guaraná no carnaval passado, o carnavalesco agora se deslumbra com um enredo que tenta fugir da concepção óbvia chamada de C.E.P e dar vida a toda a multiplicidade cultural da Baía de Todos os Santos, região de muitos encantos naturais do estado da Bahia, mas também da pesca e da população ribeirinha, das lendas e da religiosidade, da música, e das festas.

A dupla de intérpretes Wantuir e Wic, juntos desde o carnaval passado, vão continuar à frente do microfone principal da agremiação, assim como mestre Casagrande, comandante da Pura Cadência desde 2008. Outro que continua no Pavão é o coreógrafo Sérgio Lobato que segue à frente da comissão de frente. Mudanças só no primeiro casal. Matheus André foi promovido a primeiro mestre-sala e vai dançar com Denadir Garcia, que segue como primeira porta-bandeira da Unidos da Tijuca. Fernando Costa é o diretor de carnaval. O samba tem como autores Júlio Alves, Claudio Russo e Tinga.

Fique de Olho: A narrativa implementada pelo carnavalesco Jack Vasconcelos neste enredo promete divertir bastante o público já que de forma lúdica, a própria água da Baía de Todos os Santos vai contar essa história. Matheus André, cria da Tijuca, anteriormente segundo mestre-sala, fará sua estreia no primeiro casal ao lado de Denadir. A bateria de mestre Casagrande vai trazer muitas bossas e paradinhas que vão trazer um pouco da musicalidade baiana para a Sapucaí. Há mais de dez anos, a Pura Cadência só leva notas 10 se contarmos apenas as notas válidas, sem o descarte da mínima. Wantuir e Wic, pai e filha, voltam a cantar o samba da Tijuca juntos depois de serem muito aclamados em 2022. A dupla agora busca a excelência nas notas máximas em harmonia.

Salgueiro

O Salgueiro não fica fora do desfile das campeãs desde 2007. Mas não ganha o título desde 2009. Após o sexto lugar em 2022, a Academia do Samba apostou no carnavalesco Edson Pereira para desenvolver o enredo autoral “Delírios de um paraíso vermelho”. Incomodado com um rumo que o carnaval vem tomando em relação ao julgamento e um certo aprisionamento do fazer criativo da festa, Edson buscou inspiração em João Trinta para formular um enredo que passa muito por essa crítica aos pré-julgamentos, a intolerância, ao apontamento dos erros das outras pessoas, e dessa forma, olhando para alternativas, tentar criar um paraíso salgueirense, não algo perfeito, mas que valoriza o respeito para com o próximo.

Quinta a desfilar, em geral, a escola manteve seus principais quadros: Emerson Dias segue como intérprete principal, agora sem Quinho que teve que se afastar deste carnaval por problemas de saúde. Sidclei Santos e Marcella Alves vão para o seu nono carnaval juntos como mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, Patrick Carvalho estará responsável mais uma vez pela comissão de frente da Vermelha e Branca, assim como os mestres Guilherme e Gustavo que dão continuidade ao trabalho desenvolvido na Furiosa. A direção de carnaval ficou com Julinho Fonseca. O samba foi composto pelos autores Moisés Santiago, Líbero, Serginho Do Porto, Celino Dias, Aldir Senna, Orlando Ambrosio, Gilmar L Silva e Marquinho Bombeiro.

Fique de olho: A comissão de frente de Patrick Carvalho já foi um show a parte tanto no mini desfile, quanto no ensaio técnico, a expectativa é o sarrafo alto para o desfile por parte do cobiçado coreógrafo do Salgueiro. O carnavalesco Edson Pereira estreante na Academia do Samba prometeu um carnaval grandioso. O carro abre-alas da agremiação deve ser um dos maiores que vão passar pela Sapucaí este ano, se não for o maior, quase 100 metros de comprimento. A rainha de bateria Viviane Araújo vai para o seu primeiro carnaval após ser mãe e promete a simpatia e o samba no pé de sempre. Com um enredo mais lúdico e menos ligado a alguma referência musical, a dupla de mestres Guilherme e Gustavo tiveram mais liberdade para investir na musicalidade do samba e tem realizado nos ensaios nossas bastante entrosadas com a métrica da obra.

Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira de presidente nova, Guanayra Firmino, vai encerrar a noite promovendo um encontro bastante esperado pelos mangueirenses já há alguns anos. A Verde e Rosa junto com a Bahia em um enredo afro. “As Áfricas que a Bahia canta” foi desenvolvido pelos estreantes na tradicional agremiação, Annik Salmon e Guilherme Estevão, ambos vindos de carnavais na Série Ouro. A dupla vai levar para a Sapucaí toda a musicalidade baiana através dos Cortejos Afros, enfatizando o lado feminino. Essa cronologia parte ainda do período escravocrata, indo logo depois para um período pós-abolição em que os direitos da mulher e do negro ainda não eram garantidos, inclusive o direito de brincar carnaval. Também será representado o processo de “reafricanização” do carnaval baiano no início com os afoxés e depois com os blocos afros. E por fim, será apresentada a expansão que vem da negritude baiana dentro do carnaval a partir do axé e da musicalidade contemporânea.

Com presidente nova, a escola também renovou seus quadros. No carro de som, Dowglas Diniz, cria da comunidade, vai estar ao lado de Marquinhos Art’Samba que segue para este carnaval. Na bateria entraram os mestres Rodrigo Explosão, que volta ao posto depois de cinco anos, e divide com Taranta Neto o comando da Tem Que Respeitar Meu Tamborim. Na comissão de frente, Cláudia Mota substitui o “Casal Segredo”. Cintya Santos vai dançar ao lado de Matheus Olivério após a aposentadoria de Squel. E a principal já citada é a dupla de carnavalescos Annik e Gui Estevão. A direção de carnaval é de Amauri Wanzeler. O samba tem como autores Lequinho, Paulinho Bandolim, Júnior Fionda, Guilherme Sá e Gabriel Machado.

Fique de olho: Com carnavalescos novos, a Mangueira deve apresentar uma plástica diferente dos últimos anos, ainda mais que é uma parceria que se formou para este carnaval da Mangueira, dois artistas que não haviam trabalhado juntos. Annik e Gui terão a missão de substituir Leandro Vieira, que fez seis carnavais na escola. O samba de Lequinho e Companhia é um dos mais aclamados da safra e já está na boca dos sambistas neste pré-carnaval. Cintya Santos, apelidada de Cintya Furacão viveu grandes momentos na Série Ouro pela Porto da Pedra. Em sua estreia no Especial já vem recebendo muito carinho da comunidade Verde e Rosa. A rainha Evelyn Bastos é sempre um espetáculo à parte por seu samba no pé e engajamento, e sempre vem trajada com alguma personagem importante do enredo. A ministra da cultura Margareth Menezes, que fez uma participação na gravação oficial, confirmou presença no desfile.

Regulamento

De acordo com o regulamento do Carnaval 2023 ficou definido pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) que o tempo de duração do desfile de cada escola de samba será de, no mínimo, 60 (sessenta) minutos e, no máximo, 70 (setenta) minutos. As escolas de samba, cuja posição na ordem de desfiles correspondam à numeração par, deverão se concentrar a partir da lateral do setor 01 da Avenida dos desfiles no sentido do edifício “Balança Mas Não Cai”. As escolas de samba, cuja posição na ordem de desfiles correspondam à numeração ímpar, deverão se concentrar a partir do prédio do Juizado de Menores, no sentido dos prédios da Cedae e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. A primeira escola de samba a desfilar em cada um dos dias de desfiles poderá se concentrar a partir da Área de Armação (Área anterior ao portão de início de desfile.

Outros aspectos importantes a se destacar no regulamento são as obrigatoriedades: número mínimo de 60 baianas; comissão de frente com o mínimo de 10 e máximo de 15 componentes; mínimo de 200 ritmistas agrupados na bateria; mínimo de 04 e o máximo de 06 alegorias, podendo no máximo 01 alegoria acoplada, além do número máximo de 03 tripés, sem contar os elementos cenográficos que eventualmente possam ser apresentados pela Comissão de Frente.

Pelo regulamento de 2023, “qualquer escola de samba do Grupo Especial que não entregar sua prestação de contas, com a devida aprovação, até o mês de agosto de 2022 ficará desclassificada do Grupo Especial da Liesa e, em consequência, será rebaixada para o Grupo de Acesso – Série Ouro da Liga RJ e ali permanecerá até que conquiste o título de campeã, e demonstre já ter concluído o processo de regularização de todas as pendências junto à Liesa e aos órgãos públicos”.

Manual do julgador

Este ano, o júri passou de 45 para 36 membros, com quatro deles para cada quesito (Evolução, Bateria, Harmonia, Comissão de Frente, Fantasia, Enredo, Alegorias e adereços, Mestre-sala e Porta-bandeira). Agora, cada quesito terá quatro notas e não mais cinco. Como já é feito a menor nota de cada quesito será descartada. Os julgadores serão distribuídos em quatro cabines espalhadas ao longo da pista de desfile da Sapucaí. Em cada cabine haverá nove jurados, um de cada quesito. O primeiro módulo localizado abaixo do setor 03 será duplo. A Liesa está se organizando para divulgar as justificativas das notas diferentes de 10 menos de 48 horas após a Apuração, que acontecerá na quarta-feira de Cinzas, dia 22, às 16 horas, na Praça da Apoteose. A expectativa é que os textos estejam liberados na sexta-feira dia 24 de fevereiro.