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“Voltando a falar dos nossos”: Componentes da Vila Isabel falam sobre sua relação com o samba enredo de 2026

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A composição do trio André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho é sucesso nas redes e um dos sambas mais ouvidos do Carnaval 2026. A canção embalará a Vila Isabel na avenida no próximo ano, no enredo em homenagem a Heitor dos Prazeres — multi-instrumentista, alfaiate, ogã e pintor que traduziu a negritude, o samba e o subúrbio em suas obras. O tema foi abraçado pela comunidade, tem gerado identificação e despertado expectativa entre os sambistas. O site CARNAVALESCO conversou com componentes e torcedores sobre como “Macumbembê, Samborembá” os toca.

O fotógrafo e destaque da escola, Breno Santos, aponta a saudação a Oxum — “Ora yê yê ô, Oxum” — presente no refrão, como seu trecho preferido do samba. Ele afirma que quem pratica religiões de matriz africana se identifica imediatamente com a canção:

“A melodia do samba é muito gostosa. É envolvente, fácil de cantar, fácil de gravar. Acho que por isso o samba vem sendo o preferido de muita gente — e o meu também — por conta da identificação. A melodia, as rimas e toda a identidade de resistência. Acho que combinou tudo”, disse.

Dudu Pretinha, auxiliar de serviços gerais e cria da comunidade, faz parte da Vila Isabel há 30 anos. Para ele, o samba representa um resgate da ancestralidade da escola:

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“Este ano estamos voltando a afirmar nossa ancestralidade. Estamos voltando com tudo, mostrando para o nosso povo e para o Carnaval que a Vila Isabel vai brigar pelo título. Estamos fazendo um excelente trabalho, com ensaios maravilhosos. A comunidade abraçou o enredo e tudo o que a escola está proporcionando”, declarou.

Para o portelense Charles Nelson, professor e coreógrafo de dança afro, o apreço pelo samba ultrapassa as fronteiras das escolas. O artista não poupou elogios:

“É um samba magnífico, fico muito emocionado. Heitor foi tudo. Foi músico, pintor, cantor, fez muitas coisas na vida”, contou.

Com expectativas altas para o trabalho do intérprete Tinga e da Swingueira de Noel na avenida, Lúcio Fernando, passista da Vila Isabel e aderecista, acredita que o samba cresce ainda mais com o desempenho do cantor:

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“Quando um samba vai para a voz do Tinga, ele ganha outro sentido, outra garra. A bateria, nem se fala. O Macaco está todo ano trazendo um trabalho incrível de paradinhas”, disse.

Ele completa, ao recordar as notas baixas em samba-enredo no julgamento do último Carnaval, apontando que a saudade também é um fator para o sucesso do samba deste ano:

“Já fazia tempo que a escola não falava de enredo afro, e voltar agora, em 2026, é uma vitória para todo mundo. Todos estavam esperando esse momento da Vila, porque é uma escola que fala de afro. Saudar Oxum e dizer ‘pra você, Heitor’ no refrão traz muito da ancestralidade da escola e relembra coisas que precisavam voltar a ser ditas. Foi um tempo em que a escola deixou de falar dos seus para falar dos outros”, afirmou.

Serie Barracões: Porto da Pedra ousa em busca do retorno ao Especial

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O Tigre de São Gonçalo segue firme na luta pelo retorno ao Grupo Especial por mais um ano. Após o vice-campeonato em 2025, a escola ousa com o enredo “Das Mais Antigas do Mundo, o Doce e Amargo Beijo da Noite”. Idealizado pelo carnavalesco Mauro Quintaes e escrito pelo enredista Diego Araújo, o desfile abordará a vida das trabalhadoras sexuais. Em visita do site CARNAVALESCO ao ateliê onde o desfile ganha vida, Mauro Quintaes contou que o enredo foi pensado originalmente como uma trilogia para os carnavais da década de 1990, mas acabou sendo reescrito e atualizado para os dias atuais.

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Fotos: CARNAVALESCO

“Eu tinha três enredos para serem desenvolvidos quando fiz parte da escola entre 1994 e 1998: um sobre os ladrões, outro sobre os loucos e outro sobre as prostitutas. Saí da escola por cinco anos, e esse enredo acabou ficando esquecido de alguma maneira. Mas foi ideia do presidente de honra, Fábio Montebello, fazer o enredo das prostitutas neste ano. Eu falei que as prostitutas de 1997 não são as de hoje. Hoje, o enredo precisa ter outro olhar, um olhar político diferenciado. Existem várias categorias que precisam ser contempladas: as mulheres, os homens, as pessoas trans”, compartilhou.

Durante a pesquisa do enredo, Mauro destacou uma história que atravessa prostituição, machismo e questões religiosas: a das Polacas, mulheres que foram contrabandeadas para o Brasil com o objetivo de serem exploradas sexualmente e que acabaram formando o primeiro coletivo de profissionais do sexo.

“Elas saíam da Polônia casadas com homens que já vinham com essa intenção. Eles iam às aldeias, casavam com duas, três, quatro mulheres em locais diferentes e as traziam para o Brasil, onde elas se prostituíam. Passaram a ser conhecidas como Polacas por virem da Polônia. Eram mulheres de pele clara, cabelos ruivos e olhos claros. Ao chegarem ao Rio de Janeiro, onde a maioria das prostitutas era parda, preta e de classe baixa, tornavam-se muito requisitadas. O pior é que perdiam o direito de exercer sua religião, porque a comunidade judaica não aceitava mulheres judias que fossem prostitutas. Elas ficavam sem nada. Pela primeira vez, percebemos a existência de um coletivo de mulheres profissionais do sexo. Elas se reuniram e, de cota em cota, construíram a própria sinagoga e o próprio cemitério, já que não podiam ser enterradas nos mesmos espaços sagrados que os judeus que não se prostituíam. É uma história de dor e tristeza, mas que, no fundo, também carrega o sentido do prazer”, refletiu.

O carnavalesco aponta que o grande trunfo do enredo é o respeito, a leveza e a poesia com que o tema foi desenvolvido, o que garantiu a aceitação da comunidade.

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“O texto que o Diego Araújo escreveu foi tão bem recebido que não tive nenhuma crítica negativa. Tivemos um cuidado enorme na forma de apresentar isso à comunidade. Como chegar para uma mãe baiana e dizer: ‘Você vai ser prostituta’? No desfile, as baianas virão como Madame Pompadour, da corte francesa. Ela era uma cortesã, então há suavidade no personagem, e elas amaram. Além disso, não teremos crianças no desfile. Tudo foi alinhavado com muito cuidado e respeito. O objetivo do enredo é esse: levar para a avenida — que hoje é um grande espaço de fala política — uma reflexão respeitosa, mostrando que é uma profissão que precisa ser vista como profissão. Os corpos não são vendidos, são usados. Se conseguirmos diminuir um pouco o estigma das profissionais do sexo, a escola já terá cumprido seu papel político”, afirmou.

Entenda o desfile

A Porto da Pedra defenderá o enredo “Das Mais Antigas do Mundo, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, abordando a trajetória das trabalhadoras sexuais. Pensado como uma sequência dos lendários “No Reino da Folia, Cada Louco com Sua Mania” (1997) e “Samba no Pé e Mãos ao Alto. Isto é um Assalto!” (1998), o desfile foi adaptado às condições e demandas políticas da atualidade, contemplando a diversidade.

A proposta é percorrer figuras da cultura popular, a representação do trabalho na noite em suas formas contemporâneas e, por fim, a luta política das profissionais do sexo. A história será contada por meio de 16 alas, três alegorias e cerca de mil componentes.

Segundo o carnavalesco, a beleza do desfile estará na poesia, na leveza e na alegria com que o tema será abordado, começando pelo samba-enredo. Mauro afirma que a escola pretende tocar o público mais com “recursos sentimentais do que pirotécnicos” e relata a forte reação da comunidade de profissionais do sexo ao samba.

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“Antes da escolha do samba, participei de uma reunião com o Coletivo das Putas da Vida e, por acaso, estava com a letra do samba que eu acreditava que venceria. Entreguei para uma delas recitar. Enquanto recitava, algumas começaram a chorar. Ali percebi que o samba tinha uma mensagem que chegava a quem precisava chegar. As profissionais do sexo — mães, avós, filhas — que estão nessa luta, seja por prazer, aventura, necessidade ou obrigação, se emocionaram muito. Acho que estamos no caminho certo. ‘São tigresas que matam um leão por dia’”, declarou.

Quanto à plástica do desfile, Mauro adianta que apostará fortemente em cenários e esculturas — todas inéditas neste ano.

“Meu carnaval não é de frufru, nem de plaquinhas ou babados. É um carnaval de cenários. Um carro da Porto é um carro da Porto. Uma boate de Copacabana vai ser uma boate de Copacabana. Gosto desse tipo de carnaval: cenários alegres, vivos, bem feitos e bem acabados”, afirmou.

Setor 1

O desfile começa com a licença e as bênçãos das Pombagiras, na comissão de frente. Forças espirituais femininas e ancestrais, consideradas guardiãs das ruas e das mulheres, serão representadas em coreografia criada por Aline Kelly. O carro abre-alas mostrará a chegada das Polacas ao Brasil, simbolizando as mulheres contrabandeadas para a prostituição. A alegoria retratará o porto onde trabalhavam, com marinheiros que formavam a clientela, além de trazer a Velha Guarda da escola.

O primeiro setor também apresentará personagens populares como Tieta do Agreste e Perpétua, da obra Tieta, Madame Pompadour e outros ícones da cultura popular. A proposta é uma abertura suave, envolvente e de reconhecimento imediato com o público.

Setor 2

A segunda parte do desfile abordará o lado festivo da noite: boates, acompanhantes e as diversas formas contemporâneas de trabalho das profissionais do sexo. Estarão representadas as boates de Copacabana, as trabalhadoras das calçadas e aquelas que atuam no pole dance, retratadas na segunda alegoria, com barras de pole acopladas às laterais do carro.

Nesse setor, surgirão figuras como Monique Prada, escritora e profissional do sexo; Vivi Castelo, do coletivo Divas de Copacabana; Elisa Sanchez, ex-atriz pornô; a musa Andressa Urach; e Stela, representante das profissionais que exercem a atividade por escolha.

Setor 3

O último setor tratará da luta e do posicionamento político das profissionais do sexo. O carro final é assumidamente político e trará símbolos dessa luta, como Indianarae Siqueira, além de uma homenagem ao legado de Gabriela Leite, falecida em 2013. Também estarão presentes cerca de 40 militantes de coletivos de todo o Brasil, que atuam nas pautas de saúde, segurança e direitos das profissionais do sexo.

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Na plástica, o carnavalesco destaca esculturas femininas e uma pequena representação de um cabaré, criada a pedido de Lourdes Barreto, ativista de 83 anos que estará presente no desfile. Lourdes fundou o Coletivo Nacional de Prostitutas ao lado de Gabriela Leite e foi eleita uma das 100 mulheres mais importantes do Brasil.

“Vamos cumprir nosso papel com a sociedade, com as profissionais do sexo, com a escola, com o público e, principalmente, com o espetáculo como um todo. Vamos mostrar que é possível falar de temas historicamente apagados com leveza e na tentativa de diminuir o estigma”, concluiu o carnavalesco.

Série Barracões: União do Parque Acari transforma “Brasiliana” em espetáculo de cores, ilusão de ótica e homenagem a Aroldo Costa

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No Carnaval 2026, a União do Parque Acari levará à Sapucaí o enredo “Brasiliana”, em homenagem a esse teatro negro brasileiro que, mesmo em meio a críticas, foi pioneiro em levar a cultura popular brasileira mundo afora, com performances que retratavam o folclore nacional e figuras caricatas, como a do malandro. A ideia foi desenvolvida pelo carnavalesco Guilherme Estevão, que vai para seu segundo ano na agremiação e promete celebrar a potência da arte e da cultura afro-brasileira. Na visita do site Carnavalesco ao barracão da escola, Guilherme contou como surgiu o interesse pelo enredo:

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“O Brasiliana é um enredo que eu tenho guardado há muito tempo. Na verdade, era um enredo maior, sobre o Teatro Negro, mas, a partir do momento em que comecei a mergulhar no Brasiliana, entendi que ele, por si só, deveria ser enredo. Até porque algumas passagens do Teatro Negro muita gente conhece — as pessoas conhecem o Teatro Experimental, conhecem o Abdias —, mas muita gente não conhece o Brasiliana e a dimensão do seu pioneirismo no Carnaval, na cultura popular brasileira de maneira geral, e todos esses artistas que passaram por lá. Isso foi fundamental. Pensei: o Acari é uma escola de samba que tem uma relação muito forte com essa questão da brasilidade. Por mais que seja uma escola jovem, isso já virou uma identidade. E também a musicalidade, de forma mais intensa. Então nada mais oportuno do que trazer esse enredo para cá”.

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Foto: CARNAVALESCO

O carnavalesco afirmou que, durante o período de pesquisas, o que mais chamou sua atenção foi a quantidade de artistas renomados que fizeram parte desse movimento.

“O que foi mais incrível ao longo do enredo foi entender o universo de artistas que circularam pelo Brasiliana. Fui percebendo que foram mais de mil profissionais e diversos artistas que se tornaram notáveis em outros segmentos e iniciaram suas carreiras no Brasiliana. Por exemplo, Tony Tornado, ícone da black music, só vai conhecer a música negra americana quando entra no Brasiliana e consegue viajar para os Estados Unidos. Há também mudanças no Jongo da Serrinha com Darcy do Jongo, a partir do momento em que ele passa a entender outros tipos de musicalidade e a inserir isso no jongo. Existe uma série de artistas que fizeram parte do Brasiliana, que não estiveram na companhia por muitos anos, mas que influenciaram outros grupos culturais do Brasil a partir dessa experiência. Isso é muito bacana”, diz Guilherme.

Guilherme revelou que o desfile terá um significado que vai além do estético, atingindo o campo emocional ao despertar nos espectadores o sentimento de pertencimento, por retratar uma parte importante da história da cultura brasileira e homenagear a memória do ator Aroldo Costa, figura central do Brasiliana, falecido em dezembro de 2025.

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Foto: CARNAVALESCO

“Existe uma questão que vai além do artístico, uma questão emocional, principalmente depois que perdemos o Haroldo no final do ano. Ele é o idealizador de tudo isso. A gente gostaria muito de contar com a presença dele no desfile; infelizmente, não será possível, mas o enredo acaba sendo uma grande homenagem ao Haroldo após sua passagem. Então, para além de todo o universo cultural e artístico envolvido no Brasiliana, há agora um fundo emotivo muito forte e uma homenagem explícita no Carnaval para quem, de fato, idealizou tudo isso desde o início, primeiro com o Grupo dos Novos e depois com a colaboração de tanta gente importante”, afirma Guilherme Estevão.

Sobre as fantasias, o carnavalesco afirma que serão leves, porém abundantes, e destaca a diversidade de cores como ponto central, tendo a cultura brasileira como referência.

“As fantasias deste ano vêm um pouco mais volumosas, mas o principal é a pluralidade de cores. Vamos brincar muito mais com essa diversidade cromática, até porque é um enredo que pede um mergulho plural na cultura popular brasileira, e isso vai se refletir na estética das fantasias. O Acari estará muito mais colorido do que no ano passado. Como a Maria Augusta sempre definia, temos o luxo da cor. É nesse luxo da cor que vamos brincar mais do que propriamente com peso, volume e estruturas que limitem a mobilidade do componente. O componente precisa ter prazer em vestir a fantasia e brincar o Carnaval”, conta Guilherme.

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Foto: CARNAVALESCO

Ainda sobre a estética do desfile, Guilherme revelou uma das novidades que a escola levará à Sapucaí:

“Vamos trazer uma novidade no abre-alas. No ano passado, apresentamos uma estrutura eólica diferente. Agora, vamos trazer mais uma estrutura com movimento interessante, priorizando a ilusão de ótica. Já houve outras estratégias de ilusão de ótica na Sapucaí, mas acredito que a que vamos usar é uma novidade, logo no abre-alas da escola. Vocês vão ver duas grandes mandalas com esse trabalho. No restante, vamos valorizar a musicalidade, a dança e a interpretação teatral nos carros”.

Aproveitando o gancho da musicalidade, o carnavalesco falou sobre o trabalho dos compositores do samba-enredo e a missão de ajudar a contar a história do Brasiliana.

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Foto: CARNAVALESCO

“Felizmente, temos um dos sambas mais poéticos do grupo. Um samba muito bom, feito por Moacyr Luz, Fred e Gustavo Clarão. Eles conseguiram incorporar muito bem essa pluralidade cultural por meio da musicalidade. É um samba com muitas nuances melódicas, o que também favoreceu a bateria da escola a criar outras propostas de bossas, inspiradas em cada uma dessas referências musicais presentes tanto nos quadros quanto no samba. Isso potencializa ainda mais o samba do Acari”, afirma.

Guilherme também falou sobre suas expectativas para o desfile de 2026:

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“O Acari vem se superando a cada ano. Felizmente, no ano passado fomos bastante elogiados. A escola está em um processo de amadurecimento em todos os sentidos, não apenas no estético. Temos uma equipe ainda mais forte este ano: reforçamos a comissão de frente, a direção de harmonia, temos um novo casal. Estamos com um samba que acredito ser melhor do que o do ano passado. O enredo anterior foi muito elogiado, mas este traz um ineditismo interessante. Os carros estão um pouco maiores, principalmente mais altos. Estamos apostando realmente em nos superar. Esperamos agradar e atingir esse objetivo, fazendo um desfile ainda melhor do que o do ano passado”.

Entenda o desfile

A União do Parque Acari contará o enredo com três carros alegóricos, abre-alas acoplado e cerca de 1.400 componentes. Guilherme Estevão explica que o desfile será dividido em três momentos, em referência às três fases que formaram o Brasiliana: o Grupo dos Novos, a formação do Teatro Folclórico Brasileiro e, por fim, a consolidação do Brasiliana.

Primeira fase

“O Grupo dos Novos surgiu a partir de dissidentes do Teatro Experimental do Negro, de Abdias do Nascimento. Eles fizeram um mergulho intenso pelos terreiros da Baixada Fluminense, entendendo os batuques ancestrais e a contribuição da cultura afro-brasileira para um universo que nunca havia estado no teatro. O abre-alas vai retratar esse universo do candomblé e o batismo do Grupo dos Novos no terreiro de João da Gomeia, um babalorixá importantíssimo. Elementos como a saudação a Exu, figura historicamente demonizada, ganham outro olhar no Brasiliana. É um carro mais terroso, em tons quentes, com referências à estamparia africana e à materialidade dos terreiros”, explica Guilherme.

Segunda fase

“Na sequência, mostramos a formação do Teatro Folclórico Brasileiro, com um mergulho intenso na musicalidade do interior e, principalmente, do Nordeste. Entram números como o frevo, a festa do coco, a capoeira e, em especial, o maracatu, que encerrava as apresentações do grupo. O rei do maracatu era interpretado por Haroldo Costa. É um carro muito colorido, com estética nordestina levada aos palcos, sempre referenciada na cenografia da época”, diz o carnavalesco.

Terceira fase

“Por fim, chegamos à formação do Brasiliana. O Teatro Folclórico revolucionou a cena, mas acabou despertando o olhar da censura, que dizia que aquilo não representava a cultura brasileira. O Brasiliana bate o pé e afirma: ‘O Brasil é isso, e precisamos mostrar isso para o mundo’. O que era Teatro Folclórico vira Brasiliana — nome inspirado em um conjunto de documentos históricos do país. Essa brasilidade passa a ser apresentada ao mundo, tendo como espinha dorsal, além da cultura popular afro-brasileira, o samba”, afirma Guilherme.

“O Brasiliana constrói a imagem do samba brasileiro para o mundo, assim como a figura da cabrocha e do malandro. Essa estética é levada a mais de 80 países e molda a imagem da cultura festiva do Brasil internacionalmente. Hoje, grupos de passistas, malandros e dançarinos se apresentam pelo mundo inteiro, e tudo isso nasce com o Brasiliana”, conclui o carnavalesco.

Série Barracões: Lucas Milato fala sobre a importância de colocar as mulheres na posição de protagonistas

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A Unidos de Padre Miguel é uma escola que se destaca por colocar mulheres em posições de liderança e protagonismo. Foi pensando na importância de tê-las nesses espaços que surgiu o enredo de 2026: “Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema”, criado pelo carnavalesco Lucas Milato. O desfile contará a história de Clara Camarão, indígena potiguara que teve papel fundamental no embate contra as invasões holandesas no Recife e se tornou símbolo da resistência feminina e da força das mulheres indígenas.

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Milato vai para o seu terceiro ano na Unidos de Padre Miguel e pretende apresentar um desfile grandioso na Avenida, no dia 13 de fevereiro. Durante a visita do Site Carnavalesco ao barracão, o carnavalesco comentou sobre as expectativas:

“A gente sempre visa entregar o melhor e analisar o que fizemos no ano anterior, até para entender quais foram os erros e o que podemos melhorar. Estamos trabalhando para entregar algo melhor do que no ano passado, porque esse é o objetivo e é o que a nossa comunidade merece. Isso faz parte do nosso timing de entender o Carnaval, de entender os nossos desfiles, para evoluir de forma sequencial. Se tudo der certo, pretendemos apresentar novamente algo grandioso, bem feito e correto, para levar o melhor à nossa comunidade.”

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Foto: CARNAVALESCO

Lucas afirmou que, desde o início das pesquisas, a escola desejava abordar o protagonismo feminino como tema para 2026. A partir disso, surgiu a ideia de celebrar a vida de Clara Camarão, que se conecta diretamente com essa proposta.

“A Unidos de Padre Miguel é uma escola que tem pilares femininos. Temos a Lara como presidente, outros pilares femininos que sustentam a escola e segmentos importantíssimos liderados por mulheres. […] Falar dessa importância, dessa necessidade de colocar as mulheres em locais de protagonismo e dar a elas o devido destaque — algo que infelizmente ainda não acontece como deveria — é fundamental. Falar da Clara Camarão é, consequentemente, falar um pouco da Unidos de Padre Miguel e dessa nossa luta diária por valorizar as mulheres e a presença delas em posições de destaque. Esse foi o fator determinante para optarmos por esse enredo, porque é um tema urgente. Precisamos falar cada vez mais sobre isso e levar essa reflexão para o maior espetáculo da Terra, que também é espaço de manifesto, crítica e reflexão.”

Durante a pesquisa, Milato se deparou com um impasse que gerou questionamentos importantes: a escassez de registros históricos sobre Clara Camarão após a morte de seu marido. Esse apagamento levou à reflexão de que sua relevância parece ter sido reconhecida apenas enquanto havia uma figura masculina ao seu lado — uma realidade atemporal, considerando que a luta das mulheres por direitos ainda é constante.

“O que mais revoltou foi perceber que os registros sobre Clara Camarão são curtíssimos. Existem poucos documentos oficiais e, após a morte de Filipe Camarão, é como se a Clara também tivesse morrido, porque os registros simplesmente desaparecem. Isso nos fez refletir: será que ela só tinha importância enquanto estava atrelada a uma figura masculina? Uma mulher tão crucial para a história do país, que liderou um exército feminino em pleno século XVII. Isso foi extremamente revolucionário. Uma mulher comandar um exército naquela época era algo inimaginável. Essa reflexão nos moveu a trazê-la para o desfile.”

A Unidos de Padre Miguel tem uma relação muito forte com sua comunidade, formada por torcedores fiéis que acompanham a escola nos momentos de alegria e dificuldade. Para Lucas, esse é o maior trunfo da agremiação.

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Foto: CARNAVALESCO

“Quando falamos da Unidos de Padre Miguel, a comunidade é sempre um dos nossos principais trunfos. Ela nunca nos abandona. Está presente nas vitórias e nas tristezas. A plástica do desfile também será muito interessante, dentro do padrão da escola, com um caráter imponente e um discurso forte de crítica e manifesto, muito alinhado ao tema que está sendo contado.”

Sobre a participação da comunidade na produção do desfile, Lucas destacou a importância de ouvir os componentes:

“É fundamental escutar a nossa comunidade, refletir sobre o Carnaval que passou, entender os erros, minimizar esses erros e buscar sempre fazer um desfile o mais correto possível, dentro das nossas limitações e dos desejos dos componentes.”

A escolha do samba-enredo passa por um processo criterioso. Milato ressaltou a importância dessa etapa:

“O samba é crucial, porque é ele que conduz o desfile. É uma missão desafiadora para os compositores, que precisam entender exatamente o que queremos passar. Além da sinopse, realizamos diversos encontros para alinhar a mensagem. O samba, por meio da música e do ritmo, ajuda a contar o desfile. É uma fase fundamental do Carnaval.”

Segundo o carnavalesco, os sambas apresentados conseguiram traduzir bem a proposta do enredo.

“É por isso que existe a disputa. Recebemos os sambas e analisamos qual deles vai conduzir melhor o desfile, dentro dos nossos objetivos e da história que vamos contar na Sapucaí.”

Entenda o desfile

Para celebrar a vida de Clara Camarão na Sapucaí, a Unidos de Padre Miguel contará com uma comissão de frente, três alegorias e vinte e duas alas. Devido à escassez de registros históricos sobre a homenageada, a escola optou por unir os fatos conhecidos de sua trajetória à história da Jurema Sagrada, árvore de grande importância espiritual para os indígenas potiguaras.

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Foto: CARNAVALESCO

Setor 1

“Iniciamos o desfile falando da relação da Cunhã-eté com os indígenas potiguaras. Passamos pelo momento crucial da consagração da Cunhã-eté, quando a mãe-d’água, por meio das águas sagradas, a consagra como guerreira. Esse setor aborda essa conexão e marca esse momento de consagração.”

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Setor 2

“No segundo setor, ela conhece Filipe Camarão, se casa e é catequizada durante o processo de inserção dos espanhóis nas aldeias indígenas. É nesse momento que ela recebe o nome de Clara Camarão. Apesar disso, ela não abandona suas origens. É também quando passa a atuar nas batalhas, ao lado de outras mulheres, contribuindo de forma decisiva para a vitória do exército luso-brasileiro contra os holandeses. Encerramos o setor com a morte de Filipe e iniciamos a reflexão sobre o apagamento histórico da Clara.”

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“No terceiro setor, mais lúdico, mostramos Clara se tornando uma encantada, adentrando a floresta encantada para perpetuar sua mensagem e inspirar outras mulheres. Passeamos pelo universo místico dos encantados nordestinos, com muitas figuras folclóricas, cores e uma mensagem muito forte contra o apagamento histórico, especialmente das mulheres e dos povos originários”, concluiu Lucas.

Ao vivo: ensaios técnicos da Niterói, Mocidade, Mangueira e Tijuca

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Mulambö leva pintura ao vivo à Sapucaí em homenagem ao legado de Heitor dos Prazeres pela Unidos de Vila Isabel

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A Unidos de Vila Isabel promete um dos momentos mais simbólicos e contemporâneos do Carnaval 2026. O artista visual Mulambö desfilará na Marquês de Sapucaí representando o legado de Heitor dos Prazeres em uma ação inédita: Mulambö seguirá pela avenida em um tripé, realizando uma pintura ao vivo durante o desfile da escola.

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Foto: Divulgação vila

Mulambö construiu uma trajetória marcada pela valorização do território, da memória afetiva, da cultura popular e da ancestralidade negra. Sua obra transita entre pintura, objetos, bandeiras, instalações e o samba. Linguagens que dialogam diretamente com o universo de Heitor dos Prazeres, artista fundamental da cultura brasileira e da história do Carnaval.

A ação proposta pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora transforma a avenida em ateliê e o desfile em um gesto artístico vivo, aproximando o público da potência criativa que marcou tanto Heitor dos Prazeres quanto a produção contemporânea de Mulambö. Mais do que uma homenagem estética, o momento estabelece um elo entre gerações, reafirmando o samba como espaço legítimo de arte, memória e resistência.

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Foto: Divulgação vila

“Celebrar a vida de Heitor com esse gesto é a apoteose de uma homenagem que se completa no lugar onde ela faz mais sentido. Cantar o artista mais completo que este país já viu na maior festa de resistência negra em forma de arte que existe. Heitor é o samba, Heitor é o Carnaval, Heitor é o Brasil. E representar o seu legado fazendo uma pintura durante o desfile é manter viva e acesa a chama do homem que iluminou o caminho não só para mim, mas para tantos artistas que vieram depois dele”, afirma Mulambö.

Sob o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, a Vila Isabel vai exaltar a ancestralidade africana, os fundamentos do samba e a trajetória de Heitor dos Prazeres, ícone da cultura popular brasileira.

Especial Barracões SP: Primeira da Cidade Líder homenageará Paulo Barros através do seu legado

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O carnavalesco é o arquiteto responsável pelo projeto de um mundo de ilusões. É por meio de sua batuta que profissionais dedicados constroem carros alegóricos e fantasias que ilustram histórias carregadas de alegria, cultura e emoção. É o principal artista responsável pelo nascimento do enredo de uma escola de samba. Mas e se esse mago da folia se tornar tão essencial para a história do Carnaval a ponto de ele próprio merecer virar tema de um desfile? É exatamente isso que a Primeira da Cidade Líder fará em 2026, com o enredo “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, assinado por Anderson Rodrigues.

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Direto da mente criativa de Rodolfo

Paulo Barros é um dos principais responsáveis por transformar os desfiles das escolas de samba em um símbolo internacional da cultura brasileira. Em entrevista ao CARNAVALESCO para a série Barracões, o vice-presidente e diretor de Carnaval da Primeira da Cidade Líder, Rodrigo Minuetto, afirmou que ter o artista como enredo vai ao encontro de uma das principais pretensões da escola ao pisar na Avenida. A ideia, segundo ele, partiu de seu irmão, Rodolfo Minuetto.

“Nos últimos anos, temos feito alguns enredos diferentes. Essa ideia é do meu irmão, o Rodolfo. Foi ele quem teve a ideia. O Rodolfo é um cara que, para enredo, não gosta de fazer só por fazer. Ele procura ideias que possam atingir as pessoas de alguma forma, como fizemos com o Salgueiro, com a Portela e com o Pai Tinho no ano passado. Ele sempre busca temas que façam com que consigamos, de alguma forma, atrair as pessoas para a nossa escola”, afirmou.

A primeira reação à proposta foi de ceticismo, diante da grandiosidade do nome a ser homenageado. No entanto, segundo Rodrigo, Rodolfo provou que a Cidade Líder estava destinada a contar a história de Paulo Barros em um desfile no Carnaval de São Paulo.

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“Quando ele teve a ideia, até falamos: ‘Pô, Rodolfo, você está maluco? O cara não vai nem aceitar, não vai nem atender a gente!’. Mesmo assim, o Rodolfo procurou o Paulo Barros e mandou uma mensagem para ele pelo Instagram. O Paulo nos contou que raramente entra na rede, mas, por acaso, naquela semana, visualizou a mensagem. Chegamos a marcar de ir ao Rio de Janeiro para conversar, mas não conseguimos. Então, acabamos falando por chamada de vídeo. A única coisa que eu falei para o Rodolfo foi: ‘Para fazer esse enredo, precisamos que o Paulo venha receber essa homenagem’. De imediato, quando falamos com ele, o Paulo respondeu: ‘Vocês já viram homenageado não ir à própria homenagem? Com a maior honra, eu estarei lá com vocês’. Foi assim que surgiu o enredo”, contou.

A genialidade que mudou o Carnaval

Quem acompanha a carreira de Paulo Barros desde o início demonstra admiração por sua criatividade ímpar. O conceito das chamadas “alegorias humanas”, com grande volume de componentes coreografados sobre os carros, encantou o mundo do samba e marcou definitivamente a estética dos desfiles.

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“O Paulo está muito feliz, e nós também. Somos fãs do Paulo Barros. Quem não viu o Paulo Barros aparecer no Carnaval? Eu o conheci no desfile da Tuiuti, em 2003, naquele carro dos espantalhos, o abre-alas feito com latas do barracão. Somos muito felizes em falar dele”, destacou Rodrigo.

O dirigente revelou ainda que a família do homenageado vive grande expectativa pela passagem da escola no Anhembi.

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“Não é só o Paulo, mas toda a família, o companheiro dele, estão muito felizes e ansiosos por essa homenagem. Não é algo forçado, é tudo muito leve. Às vezes, nem acreditamos que o Paulo Barros está aqui com a gente, na Cidade Líder, uma escola que voltou a desfilar há dez anos no último grupo do Carnaval. Hoje ele está conosco, vai participar do desfile e aceitou ser o nosso homenageado. Estamos muito felizes e, se Deus quiser, vamos fazer um grande Carnaval”, afirmou.

Atenção, tripulantes: o sonho vai decolar

Antes de detalhar o desfile, Rodrigo fez questão de exaltar o carnavalesco Anderson Rodrigues, responsável pelo enredo.

“Quero mandar um abraço para o nosso carnavalesco Anderson Rodrigues. Ele foi, por muito tempo, coreógrafo de comissões de frente no Grupo Especial e já foi carnavalesco da Independente Tricolor. Quando surgiu essa ideia, a primeira pessoa em quem pensamos foi nele, porque é um cara revolucionário. Sempre sonhamos em ver o Anderson trabalhando com o Paulo Barros. Quando chamamos o Anderson, dissemos: ‘Vai dar casamento’. E foi assim que começamos a pesquisa”, lembrou.

Durante o processo, surgiu uma curiosidade marcante sobre o homenageado: antes de se tornar carnavalesco, Paulo Barros era comissário de bordo.

“Ele sonhava em ser carnavalesco até que conseguiu alcançar esse objetivo. Hoje, é um artista com estilo próprio, que não se contenta em fazer o tradicional”, comentou Rodrigo.

Questionado sobre a participação de Paulo Barros no desenvolvimento do desfile, o dirigente revelou que o artista preferiu ser surpreendido.

“O Paulo não quis saber de nada. Não veio ao barracão. Disse: ‘Vou deixar para ver só no dia, senão não vou aguentar’. Ele e a família estão muito emocionados. Tudo foi desenvolvido pelo Anderson. O Paulo só vai ver no dia do desfile. As loucuras dele feitas pela Cidade Líder”, contou.

Cidade Líder na Avenida: Paulo Barros e seu legado

O desfile será dividido em três setores, com leitura clara e direta para o público.

“O primeiro setor é o sonho do comissário de bordo em se tornar carnavalesco. O segundo é quando ele se torna carnavalesco e cria os grandes Carnavais que encantaram o Brasil e o mundo. O terceiro é a grande coroação: a Cidade Líder coroando o gênio Paulo Barros. É um Carnaval de leitura fácil, para qualquer pessoa entender o que está sendo contado”, explicou.

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A narrativa será baseada nos desfiles mais marcantes da carreira do homenageado, com forte apelo nostálgico.

“O desenvolvimento do Carnaval foi todo em cima dos grandes desfiles do Paulo Barros. Vai ser um desfile muito legal de assistir, tanto na arquibancada quanto em casa. Não vai dar para assistir sentado”, garantiu Rodrigo.

Durante os ensaios técnicos no Anhembi, a escola já deu pequenas amostras do que pretende apresentar, algumas delas viralizando nas redes sociais.

“No primeiro ensaio técnico, todo mundo foi à loucura. A bateria levou o ‘Acelera, Tijuca!’, de 2014, um dos títulos do Paulo Barros. Vai ter muita surpresa. Preparem o coração”, brincou.

Reconhecimento em vida ao gênio do Carnaval

Para Rodrigo Minuetto, homenagear Paulo Barros ainda em vida é o maior trunfo da Primeira da Cidade Líder na busca pelo título do Grupo de Acesso II.

“O grande trunfo é ter o Paulo Barros como homenageado, com seus grandes desfiles e ideias. Vamos mostrar as marcas que ele deixou no Carnaval. Nada melhor do que homenagear um gênio em vida”, destacou.

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Rodrigo finalizou ressaltando o respeito devido ao artista, citando o próprio samba da escola:

“Às vezes, grandes artistas acabam esquecidos. O Paulo Barros merece reconhecimento. Como diz o nosso samba: ‘tem que respeitar esse ser genial’. É Paulo Barros, muito mais que especial. Nosso povo está empenhado, a comunidade está animada. Vai dar certo. Vamos quebrar tudo”, concluiu.

Força da trajetória de Lula guiará comissão de frente emocionante da Acadêmicos de Niterói, garantem coreógrafos

Os coreógrafos Handerson Big e Marlon, responsáveis pela comissão de frente da Niterói, conversaram com o CARNAVALESCO e adiantaram que o público pode esperar uma abertura marcada pela emoção e pela força da trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, tema do desfile da escola em 2026. Questionados sobre qual caminho a comissão de frente seguirá, se emocional ou biográfico, Big garantiu que as duas dimensões caminham juntas.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“Eu acho que é pelo lado emocional. Mas que não deixa de ser uma biografia. A história de vida do presidente Lula emociona. O que ele passou e representou para o brasileiro emociona. O que a gente colocar sobre ele lá, com certeza, vai pegar todos pela emoção”.

Marlon completou, revelando como o enredo o atravessa pessoalmente: “Com certeza é emoção e biografia. Falar de uma pessoa que fez muito pela vida de muita gente me atravessa de verdade. Eu fiz parte do Bolsa Família, Bolsa Escola, ProUni… Por isso, falar de um cara que me trouxe tantos benefícios é motivo de muita alegria e emoção. Eu me sinto tocado todos os dias que ensaio essa comissão de frente com meu parceiro Big. Não consigo mensurar. É realmente arrepiante”.

Os coreógrafos também destacaram o que consideram indispensável transmitir ao público. Para Big, é impossível dissociar a imagem do presidente de sua defesa do país.

“O Lula representa a democracia, a defesa de um Brasil soberano, a defesa de que a gente não precisa de mitos falsos. Nada falta quando a gente fala de Lula, porque ele é necessário dentro dessa temática”.

Marlon reforçou o simbolismo de superação presente na trajetória do homenageado: “É possível para qualquer um. Esse cara mostrou que é possível vir do meio do mato, de Garanhuns para São Paulo, viajar 13 dias, trabalhar na metalurgia, virar líder sindical, chegar à presidência, ser preso, ser preso de novo e voltar a ser presidente. Se um cara conseguiu, é possível para qualquer um”.

A dupla também comentou o desafio de transformar a essência do enredo em espetáculo de abertura, responsabilidade sempre atribuída à comissão de frente. Big ponderou que, no caso da Acadêmicos de Niterói, o próprio homenageado facilita a missão.

“Esse é um grande debate. Mas, de certa forma, resumir o enredo na comissão de frente é bom. E, mesmo que a síntese não esteja toda ali, a comissão também conta uma parte do enredo. Para nós é supertranquilo, porque a história do Lula, qualquer espectro dela colocado na comissão, já pode ser entendido como síntese. Ele, por si só, é uma síntese”.

Marlon concordou de imediato: “É isso aí que meu parceiro falou. Ele (Lula) é muito grande”.

Entre emoção, homenagem e experiência pessoal, a comissão de frente da Acadêmicos de Niterói promete arrepiar a Sapucaí e abrir o desfile de 2026, extraindo toda a potência de um enredo que, segundo seus coreógrafos, fala diretamente ao coração do brasileiro.

Priscilla e Rodrigo revelam: ‘Mestre Ciça escolheu o nome da Comissão de Frente da Viradouro de 2026’

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Premiados e rumo ao quarto carnaval consecutivo na Unidos do Viradouro, o casal de coreógrafos Priscilla Mota e Rodrigo Negri terá a missão de comandar a abertura da homenagem a um dos principais nomes da história da escola, mestre Ciça. Em 2026, a Vermelha e Branca será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. A escola levará para a avenida o enredo “Pra cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo.

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Foto: Gabriel Gomes/CARNAVALESCO

O CARNAVALESCO conversou com a dupla de coreógrafos da Viradouro, que revelou alguns segredos do trabalho que levará para a avenida. Segundo Priscilla Mota e Rodrigo Negri, o homenageado, mestre Ciça, foi quem escolheu o nome da Comissão de Frente da escola, que serviu de ponto de partida para o desenvolvimento do projeto.

“O nome da comissão de frente, por exemplo, foi ele quem escolheu. Ele abriu a porta e falou: ‘Eu acho que o nome tinha que ser isso, isso e isso’. A gente registrou, guardou. Depois, nem ele lembrava que tinha falado, mas ficou aquela frase. A partir dali, iniciamos todo o processo de criação”, explicou Priscilla Mota.

“Ficou muito bacana, e acho que as pessoas vão entender exatamente o que a gente quer passar. Tudo começou com uma frase que ele comentou numa conversa informal, na nossa sala”, completou Rodrigo Negri.

Priscilla e Rodrigo definem enredo da Viradouro como ‘oportunidade única’

No carnaval de 2026, o casal Priscilla Mota e Rodrigo Negri vai criar a abertura do desfile sobre o histórico mestre Ciça. O casal definiu o enredo como uma “oportunidade única” na longa e vitoriosa carreira da dupla no carnaval.

“É homenagear o mestre, uma das maiores figuras da história do carnaval e da Viradouro. É uma emoção enorme poder viver isso ao lado dele neste momento da nossa carreira. A gente já viu muitas homenagens lindas, mas nunca dessa forma, com um quesito que representa o carnaval na sua essência, o ofício do sambista”, definiu Priscilla.

“É uma oportunidade única na nossa trajetória, com muita responsabilidade e também uma grande honra. Acho muito especial o fato de ele estar acompanhando todo o processo. Ele participa das criações, dá palpite, opina. Está sendo muito prazeroso poder homenagear uma pessoa viva e um ídolo nosso”, complementou Rodrigo.

O casal foi taxativo ao definir o que o público pode esperar do trabalho na Comissão de Frente da Viradouro para o carnaval de 2026: “Samba, carnaval e muita emoção. Acho que vai ser um desfile bem emocionante, as pessoas vão se identificar bastante. A tônica é essa: emoção”, definiu Priscilla Mota.

Sobre a novidade da cabine de jurados espelhada, que exigirá a atenção da comissão para os dois lados da avenida, a dupla se mostrou confiante e preparada. “Eu e o Rodrigo fomos pioneiros nessa ideia de espetáculo multilateral. A gente não pensa o desfile como algo em 360 graus, mas em dois lados: o público de um lado e do outro. Há muito tempo já trazemos a comissão pensando nisso. Para a gente, o julgamento bilateral é novidade, mas a apresentação, não”, disse Priscilla.

“A gente está mantendo aquilo que a gente já está acostumado a fazer. Claro que há alguns ajustes, mas nada muito diferente do que temos feito ao longo dos anos”, resumiu Rodrigo Negri.

Em 2026, a Unidos do Viradouro será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. A escola levará para a avenida o enredo “Pra cima, Ciça!”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo.

Série Barracões SP: Em busca do retorno ao Especial, humildade de Odu Obará volta à avenida como trunfo da Mancha Verde

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Após o rebaixamento, a Mancha Verde optou por reeditar um de seus carnavais mais marcantes, mas com uma proposta totalmente renovada. A escolha segue uma estratégia já adotada em outras ocasiões no Grupo de Acesso, quando a escola busca encurtar caminhos no desenvolvimento do enredo e na definição do samba, permitindo maior agilidade na construção do desfile. Para isso, desta vez a escola aposta no consagrado enredo de 2012, A Lenda de Odu Obará. Trata-se de um desfile recheado de momentos marcantes, com uma proposta estética deslumbrante, samba-enredo considerado um dos melhores do ano e segmentos de alto nível. Foi o primeiro ano em que, de fato, a Mancha Verde passou a ser vista pelo público como postulante à briga pelo título. Naquela oportunidade, a escola alcançou a quarta colocação.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Uma curiosidade é que foi o ano de estreia do intérprete Fredy Vianna, um dos compositores do samba, que permanece até hoje na agremiação. Também chamou atenção a bateria “Puro Balanço”, com uma apresentação ousada, e uma comunidade emocionada, cantando forte já pela manhã de sábado, sendo a Mancha a última escola a desfilar na sexta-feira de carnaval. Agora, para conquistar o retorno ao Grupo Especial, a “Mais Querida” aposta na reedição desse desfile histórico.

O CARNAVALESCO visitou o barracão para conversar com Rodrigo Meiners, integrante da comissão de carnaval e um dos artistas responsáveis pelo desenvolvimento do desfile.

A Mancha Verde será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval pelo Grupo de Acesso, com o enredo “Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odu Obará: a Humildade”, assinado por uma comissão de carnaval.

Encurtar caminhos: uma estratégia positiva

Rodrigo Meiners explicou a ideia do enredo e como está trabalhando essa reedição histórica do carnaval de São Paulo. “Esse enredo chega para mim após a confirmação do rebaixamento da escola. Sempre que esteve no Grupo de Acesso, a Mancha adotou a estratégia de reeditar grandes carnavais, pois a diretoria acredita que isso encurta alguns caminhos, especialmente no processo de divulgação da sinopse e na escolha do samba. Para mim, isso é muito válido. Sou uma pessoa ansiosa em relação ao trabalho e sinto muito prazer no que faço. Gosto de projetar e pensar o carnaval.

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Em meus trabalhos, utilizo o samba como uma legenda do que estamos transmitindo visualmente. Nos desfiles que assinei, apenas em 2024 houve disputa de samba, o que foi positivo, pois consegui dialogar com os compositores sobre a linha narrativa que eu queria seguir, permitindo que o samba contasse, de forma cronológica, o que viria no desfile. Em março, eu já sabia que estava fechado com a escola e qual seria o samba, e comecei a construir todo o processo e o projeto de carnaval pautado em sua letra, até porque, em 2012, tínhamos um carnaval muito maior, por ser no Grupo Especial.

A partir disso, utilizo a história do carnaval de 2012 para recriar a sinopse e a narrativa textual, sempre guiado pela linha do samba-enredo. Isso foi um grande facilitador”, disse.

Concepção diferente da lenda de Odu Obará

Naquele desfile houve momentos simbólicos, como o abre-alas simbolizando o caos e a destruição no início do desfile, e a mesma concepção de carro fechando o desfile, significando o mundo ideal no último setor — algo que ficou muito marcado. Porém, Meiners revelou que a proposta para 2026 é totalmente distinta de 14 anos atrás.

“Basicamente, é tudo diferente. Temos um tema, que é a lenda de Odu Obará, e o samba. A partir dessa lenda e da narrativa seguida pelo samba, criamos um novo roteiro. Geralmente, quando as escolas descem para o Grupo de Acesso, reaproveitam peças por questão de verba, mas não esperem nenhuma referência visual ao desfile de 2012. Foi um grande desfile, porém pertence a outra época, a outro carnaval, com outros materiais.

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Venho de uma linha profissional em que construo meus projetos no computador, com carros desenvolvidos em 3D, e tenho facilidade no uso dessas tecnologias. O mundo hoje é muito mais tecnológico. Trata-se de um carnaval com mais efeitos, mais tecido digital e estampas exclusivas. Em 2026, a proposta pede mais inovação do que em 2012. Não é uma crítica, longe disso, pois considero aquele um carnaval belíssimo, mas acredito que exista um movimento cada vez maior em direção aos efeitos especiais. Esse movimento é visível no carnaval como um todo, especialmente no Rio de Janeiro, com destaque para a iluminação e as comissões de frente. Por isso, essa reedição será completamente diferente, já que busco trazer fortemente esses elementos”, explicou.

Mostrando a imponência da escola

Questionado sobre o ponto alto do desfile da Mancha Verde, o carnavalesco revelou que a escola irá apostar muito na abertura. Comissão de frente, casal e abre-alas gerarão um impacto positivo para passar a impressão daquela agremiação imponente à qual o público se acostumou a ver nos últimos anos.

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“De forma proposital, a abertura do desfile será mais impactante. A escola ficou muito machucada com o rebaixamento, principalmente pela maneira como aconteceu. Houve um erro de jurada, mas o impacto foi gigantesco para a entidade, sobretudo no aspecto financeiro, e também para as pessoas. Ainda mais sendo uma escola de torcida, com muitos integrantes que vivem intensamente a Mancha Verde, onde a alegria e a tristeza estão diretamente ligadas à escola de samba.

Na primeira conversa que tive com o presidente, externei esse entendimento e disse que meu maior desejo era que, no momento em que a escola entrasse na pista para desfilar, todos percebessem que o padrão estético e de proporção da Mancha Verde não é o de uma escola do Grupo de Acesso. Investimos muito nessa abertura e tenho certeza de que, quando a escola apontar no portão, o público vai olhar e dizer que ali vem a Mancha que todos conhecem, a escola bicampeã do carnaval, que já proporcionou momentos de grandeza no Anhembi”, declarou.

Desejo de voltar ao Grupo Especial

Rodrigo Meiners esteve três anos como carnavalesco da Barroca Zona Sul e depois se transferiu para os Gaviões da Fiel. No último carnaval, o artista assinou pela Pérola Negra, retornando a escola ao Grupo de Acesso 1. Meiners não escondeu a vontade de estar entre os 14 carnavalescos do Grupo Especial trabalhando pela própria Mancha Verde e disse que o seu estilo casou com o que a escola busca.

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“A sensação é de que posso mais, e acredito que, aqui na Mancha Verde, houve um encaixe perfeito de equipe. Temos um material humano excepcional, com alguns dos melhores escultores, serralheiros, decoradores e ateliês do carnaval de São Paulo. São profissionais experientes, com títulos conquistados na Mancha Verde e em outras escolas da cidade. Soma-se a isso o meu amadurecimento pessoal, que resulta em crescimento profissional, aliado a uma grande equipe e à enorme vontade de ambas as partes em mostrar sua capacidade.

Tenho muita vontade de voltar ao Grupo Especial e de provar que mereço estar entre os 14 carnavalescos que integram a elite do carnaval. Acredito na minha capacidade e na da Mancha Verde, que também quer mostrar que merece estar entre as grandes, disputando o título no Grupo Especial. Por isso falo tanto da grandiosidade do nosso projeto. Pensando friamente no julgamento, isso pode até representar um risco, talvez não fosse a escolha mais conservadora, mas queremos voltar mostrando, de fato, a nossa capacidade de fazer carnaval”, afirmou.

Peso do favoritismo

Ao lado da Tucuruvi, não há dúvidas de que existe um favoritismo, ambas as escolas caíram em 2025 executando grandes projetos. Apesar de ser um grupo bastante traiçoeiro, qualquer deslize pode fazer a escola parar no Acesso 2. Perguntado se existe pressão dentro desse favoritismo, Rodrigo Meiners disse que gosta disso.

“Confesso que é legal esse sentimento de pressão, mesmo as pessoas estando esperando alguma coisa sua. Isso é o meu maior combustível. Me motiva todos os dias a tentar fazer o meu melhor. Tenho a felicidade de trabalhar com o que amo e sempre sonhei, mas brinco com a minha família e até nas minhas conversas comigo mesmo que, se eu estiver em um projeto em que não exista pressão, não tenho ânimo para a competição. Acho que, para mim, perde totalmente o sentido.

Sou um cara muito competitivo, não gosto de perder par ou ímpar, e estar pressionado a conseguir algum resultado me faz ser um profissional melhor. Eu funciono muito mais nessas situações, porque consigo transformar isso no meu combustível por ser um cara muito competitivo”, completou.

Setor 1

“A abertura do desfile retrata um mundo em destruição. O babalorixá, figura do pai de santo, recorre ao jogo de búzios para compreender tanta tragédia e desgraça na humanidade. Ao lançar os búzios, Exu responde. Exu é o orixá responsável por levar as mensagens da terra ao céu, atuando como mensageiro entre os seres humanos e os orixás. Ele traz a resposta de Olorum, o deus do candomblé, que passa a explicar por que o mundo está se destruindo”.

Setor 2

“O segundo setor mostra Olorum explicando como criou o mundo. Primeiro, ele cria os orixás; depois, a terra e seus elementos, para que os orixás se tornassem os guardiões da natureza. Em seguida, surge o ser humano, destinado a viver nessa terra criada por Olorum, seguindo os conselhos e ensinamentos dos orixás, especialmente o respeito à natureza e às suas riquezas.

Olorum então explica que a ganância humana é a causa das tragédias que assolam o mundo. Nesse momento, surge a lenda do Odu Obará, que simboliza a humildade. Obará era o Odú mais pobre e, certo dia, um babalaô convidou os Odús para uma visita. Obará não foi chamado por vergonha de sua pobreza. O babalaô, já ciente disso, presenteou os Odús com abóboras, e não com riquezas.

No caminho de volta, os Odús passam pela casa de Obará, sentem fome e lhe oferecem as abóboras, acreditando que não tinham valor. Mesmo sem ter sido convidado, Obará os recebe de forma cordial e serve tudo o que tinha para seus irmãos. No dia seguinte, sem nada para comer, ele resolve abrir as abóboras e descobre que, dentro delas, estavam as riquezas. A humildade transforma Obará em um rei africano e no Odú mais próspero. Essa é a grande mensagem do enredo”.

Setor 3

“No terceiro setor, ocorre o período de perdão do homem por Olorum e o acordo em que Olorum estabelece que todos os homens da religião se tornariam mensageiros da esperança, propagando a lenda de Obará para outros povos, para que as três criações de Olorum vivam em harmonia e o mundo não chegue ao fim.

O desfile se encerra com a última alegoria, que representa as três criações de Olorum convivendo em harmonia, em um mundo utópico segundo a visão do deus africano na lenda da criação dos orixás, do homem e da terra no candomblé”.