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Mesmo com dilúvio, Imperatriz bota pra ferver e consolida rotina avassaladora de ensaios

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Por Lucas Santos, Marcos Marinho, Matheus Morais e Marielli Patrocínio

Por volta das nove da noite do último domingo, a cidade do Rio de Janeiro presenciou dois fenômenos de força avassaladora. Um foi a chuva que desabou sobre a cidade de forma torrencial. O outro, que já nem é algo tão atípico, pelo contrário, está bem rotineiro, foi a Imperatriz colocando para ferver em seu primeiro ensaio técnico na Sapucaí para o Carnaval 2026. E, aqui, fala-se “botou para ferver”, parafraseando a letra do samba, mas poderia até utilizar aquele palavrão no lugar de “ferver”, que talvez sintetizasse melhor o sentimento dos gresilenses após o show da escola, que passou por cima da chuva que começou a cair na Sapucaí e que só a Rainha de Ramos enfrentou neste domingo com essa intensidade.

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Desde o esquenta, o público não arredou pé das arquibancadas, esperando a Verde e Branca que fica aos pés do Morro do Alemão. Na pista, o que se viu foi uma escola quentíssima, sacana, sagaz, alegre, sensual, que canta muito até quando sabe que o samba é inferior aos que a Imperatriz vinha levando. Camaleônica, e não é de hoje. Excelência de quesitos, criatividade e uma agremiação que tem feito da rotina de seus ensaios, seja em Ramos ou na Sapucaí, verdadeiros acontecimentos.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Com o enredo “Camaleônico”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, a Imperatriz será a segunda escola a pisar na Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.

COMISSÃO DE FRENTE

Camaleônico, o título do enredo, definitivamente pode ilustrar a comissão que o coreógrafo Patrick Carvalho trouxe para este primeiro ensaio. Os componentes apresentavam a fantasia de uma entidade humanoide, mas com a pele de camaleão. Coloridos, a pintura do corpo se destacava quando a iluminação da Sapucaí diminuía. No centro, um pivô trazia Ney com a sua fantasia mais conhecida do “Secos e Molhados”, o rosto pintado de branco, as crinas e penas penduradas e um tapa-sexo.

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Os “camaleões” mostraram muita sensualidade na dança, trabalhando essa ideia de movimento corporal que o enredo também valoriza na obra do homenageado, e a todo momento interagiam com o pivô, chegando até a erguê-lo no alto. No clímax da apresentação, o grupo escondia o pivô e uma outra “entidade em pele camaleônica” aparecia para delírio do público. Depois, “Ney” retornava em outro momento, em que os componentes se uniam, agora com a bandeira da Rainha de Ramos nas costas.

Ótimas sacadas na apresentação, conceito muito bem definido e execução muito bem realizada. Além de tudo, trouxe o enredo, o homenageado e interagiu com o público. E a dança dos componentes trouxe muito dos movimentos de Ney e sua sensualidade. Tudo muito bem ensaiado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

A chegada da renomada coreógrafa Ana Botafogo só ajudou a consolidar o crescimento e o amadurecimento do casal Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, que já é latente desde o desfile do Lampião. E, a cada ano juntos, a dupla evolui cada vez mais e se mostra mais confiante quando pisa na Sapucaí.

Com a pista bastante molhada, com poças e mais poças, mesmo com chuva e vento, Phelipe e Rafaela não se intimidaram. Além do bailado clássico que a dupla tem como característica, neste ensaio, particularmente, o casal mostrou muita sensualidade e uma pitada do feitiço que Ney usa em suas danças para deixar o público atônito. Apresentação muito madura.

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Phelipe chegava a levantar água quando fazia seus movimentos, em um bailar e efeito que pareciam até ter combinado com a natureza. E Rafaela, segura e intensa nos giros, manteve a bandeira bem desfraldada durante todo o tempo. A roupa preta da dupla combinou com a elegância e a magia do homenageado que trouxeram para a Sapucaí. E os dois não só cumpriram bem o seu papel como entraram no espírito do homenageado.

HARMONIA E SAMBA

A maturidade que Pitty e Lolo atingiram no entrosamento e na qualidade musical é diferenciada. Mesmo com um samba que claramente está abaixo em relação às últimas obras que a escola levou para a Sapucaí, a dupla incrementou a música e fez ela crescer muito, destacando aquilo que tem de mais forte, com bossas e vocalizações, confirmando a espiral de crescimento que já vinha sendo notada nos ensaios na Euclides Faria, em Ramos.

O refrão de baixo, que certamente é o trecho de maior força da obra, está surgindo sempre com muita intensidade, em diversas vezes cantado apenas pela comunidade. No “Eu juro que é melhor”, a levada da bossa deixou o trecho “gostoso” de cantar e com um convite para dançar. A bossa de charanga no “se joga na festa” é outro ponto alto, sempre com a enorme qualidade do time de vozes, bem afinado, treinado e entrosado, que deixa Pitty à vontade e livre para conduzir com força, mas também com muita técnica e correção.

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E a comunidade, debaixo de um dilúvio no início do treino e com chuva moderada e constante em todo o ensaio, deu um show de canto, com firmeza, mostrando que a letra estava na ponta da língua. Algumas alas dançavam, faziam coreografias e, mesmo assim, não deixavam de cantar em nenhum momento. A resposta do público foi muito boa, cantando também, principalmente nas partes que a bateria e o carro de som jogavam para a galera.

EVOLUÇÃO

Como tem sido a tônica dos últimos anos e também neste carnaval, nos ensaios, a Imperatriz apresentou mais uma vez uma evolução muito espontânea, quente, livre e com muita alegria dos componentes. A escola brincava muito entre si, e era fácil encontrar desfilantes interagindo com o público das frisas, que adorava.

A chuva parece ter dado ainda mais energia e garra, e a Imperatriz teve muita fluidez e ritmo, na mesma pegada do samba, sem correria, e com as alas, no geral, bem livres. A escola passou pela Avenida sem apresentar problemas aparentes no quesito.

Algumas alas no início da escola traziam pequenas coreografias bem dentro da proposta do enredo, sem influir na espontaneidade dos componentes, produzindo um bonito efeito. Aliás, muitos se entregaram de alma ao enredo e passavam dançando com sensualidade, como uma ala de rosa que vinha antes da coroa da escola, com chapéu de vaqueiro. No final, uma ala com quepe de policial também roubou a cena nesse sentido. A antiga “Certinha de Ramos” segue quebrando seus próprios paradigmas e tem um dos ensaios mais quentes do carnaval carioca.

OUTROS DESTAQUES

Pitty conseguiu levantar a Sapucaí em um momento em que a chuva estava muito forte, cantando os últimos sambas que a escola levou para a Avenida no esquenta. “Cigana Esmeralda” e “Oxalá” obtiveram uma grande recepção do público e começaram a incendiar a Sapucaí antes do treino propriamente dito.

A rainha Iza esbanjou samba no pé e, com a fantasia “Jeito felino provocador”, com penugem preta e o verde da escola, além de uma imagem de onça dourada na cabeça, fez sua homenagem a Ney Matogrosso. A bateria Swing da Leopoldina, de mestre Lolo, além das bossas e da sonoridade primorosa, ainda mostrou repertório dançante com coreografias e realizou alguns movimentos de deslocamento interessantes, sempre em conformidade com o desenho que fazia na parte rítmica e sonora. A coroa de Ramos, toda iluminada, abriu o cortejo da escola neste ensaio, assim como no minidesfile.

Viradouro confirma excelência de seus quesitos em noite de devoção a Ciça

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Por Marcos Marinho, Matheus Morais, Marielli Patrocínio e Lucas Santos

Mesmo sob chuva e vento durante parte do ensaio, a Viradouro apresentou rendimento consistente na Marquês de Sapucaí e confirmou a excelência de seus quesitos no primeiro ensaio técnico para o Carnaval 2026. Com comissão de frente de leitura clara, casal de mestre-sala e porta-bandeira seguro, canto constante da comunidade, bateria precisa e evolução fluida, a escola atravessou as adversidades climáticas mantendo controle técnico em uma noite marcada pela homenagem ao mestre Ciça. A Viradouro será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval com o enredo “Pra cima, Ciça!”, assinado pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.

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COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Priscilla Mota e Rodrigo Negri, a comissão de frente da Viradouro apresentou uma proposta cênica ao mesmo tempo chamativa e divertida, apostando na clareza da leitura e na comunicação direta com o público. Em cena, 13 componentes vestem ternos bicolores, de um lado, vermelho; do outro, branco, que estruturam o principal jogo da coreografia.

No lado vermelho, os integrantes utilizam máscaras de caveira e gravatas; no branco, máscaras com o rosto do mestre Ciça e apitos pendurados no pescoço. À medida que os corpos giram e mudam de posição, as figuras se alternam diante do olhar do público, revelando ora a caveira, apelido pelo qual o mestre é conhecido entre seus ritmistas, ora o rosto afável e amplamente reconhecido no mundo do samba. A dinâmica cria uma brincadeira visual eficiente, de leitura imediata, que sustenta o impacto da apresentação.

A movimentação coreográfica privilegia o samba no pé como eixo expressivo, conectando passado e presente da trajetória do homenageado. A comissão evoca o início do percurso de Ciça no samba, como passista do São Carlos, em diálogo com a figura consagrada e reverenciada como mestre de bateria, que hoje ocupa lugar central na história do carnaval. Essa dualidade é conduzida com leveza, sem excessos, reforçando a inteligibilidade da cena.

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Um dos momentos mais expressivos ocorre no trecho do samba “Quando o apito ressoa, parece magia”: os componentes se organizam em duas filas e executam movimentos que remetem à regência de uma bateria, evocando diretamente a atuação de Ciça como mestre. A imagem é simples, precisa e simbólica, funcionando como síntese do enredo dentro do quesito.

Mesmo sob chuva e vento, a comissão manteve regularidade, vigor e clareza na execução dos movimentos, demonstrando segurança técnica e controle cênico em condições climáticas adversas. Ainda que não se trate da coreografia oficial do desfile, Priscilla Mota e Rodrigo Negri, em consonância com a Viradouro, optam por entregar ao público da Sapucaí uma apresentação do quesito completa, acessível e respeitosa ao enredo. A proposta honra quem esteve presente na noite de domingo na Sapucaí e cumpre, com eficiência, um papel fundamental da comissão de frente: convocar público e jurados a embarcar no enredo da escola. Nesse sentido, é um acerto pleno.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho e Rute realizaram uma apresentação de alto nível no primeiro ensaio técnico da Viradouro, confirmando a maturidade e a solidez de um casal que se destaca pela fina sintonia em cena. Há entre os dois um entrosamento evidente, construído ao longo de 18 anos de trajetória conjunta, perceptível no olhar, no sorriso, na sincronia dos movimentos e na precisão das finalizações coreográficas.

Julinho atua como um mestre-sala de perfil generoso. Seu bailado é marcado pelo cortejo atento e pela constante abertura de cena, conduzindo o foco da apresentação para a porta-bandeira e permitindo que o pavilhão se imponha com elegância. Não há disputa de protagonismo: sua dança está claramente a serviço de Rute e do símbolo maior da escola. Essa postura qualifica ainda mais a apresentação do casal.

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Rute, por sua vez, demonstra força, vigor e grande domínio na condução do pavilhão, especialmente diante das adversidades climáticas que marcaram o ensaio. Desde o primeiro módulo, o vento já se fazia presente, exigindo atenção constante. Ainda assim, a porta-bandeira conseguiu manter o controle da bandeira com segurança tanto no primeiro módulo quanto nos módulos espelhados.

No terceiro módulo, com a intensificação do vento e a chegada da chuva mais forte, o pavilhão chegou a enrolar em alguns momentos, consequência direta das condições adversas, episódio pontual que não compromete a avaliação geral da apresentação, sobretudo considerando que Rute enfrentou o vento desde o início do percurso.

A resposta do casal diante dessas dificuldades foi imediata e segura: a bandeira é rapidamente recomposta, a coreografia retomada e a fluidez da dança restabelecida sem sobressaltos. A apresentação se mantém firme, madura e tecnicamente bem resolvida, revelando categoria para atravessar situações adversas com naturalidade.

No ensaio técnico, Julinho e Rute pareciam ainda mais cúmplices do que de costume. A conexão entre os dois se impôs como um dos grandes trunfos da apresentação, reforçando o casal como referência no quesito e como um dos melhores do carnaval.

SAMBA E HARMONIA

O canto da Viradouro se mantém constante ao longo de todo o ensaio, revelando uma comunidade que conhece profundamente a obra e sustenta o rendimento do início ao fim da apresentação. O componente canta o samba inteiro, sem quedas de intensidade, assegurando uma base sólida de harmonia sobre a qual a escola constrói seus momentos de maior impacto emocional.

Os picos de volume surgem de forma clara e orgânica nos trechos de maior evocação ao mestre Ciça. O refrão principal, “Se eu for morrer de amor”, é cantado com paixão, devoção e forte implicação afetiva, funcionando como um gesto coletivo de entrega e reverência. O mesmo ocorre nos versos “Traz surdo, tarol e repique pro mestre bater” e “Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você”, momentos em que o canto cresce de maneira evidente e a Avenida é tomada por uma vibração afetiva compartilhada entre ritmistas, componentes e público.

Nesses trechos, o aumento de volume não é casual: está diretamente ligado ao caráter devocional do samba. São passagens em que a homenagem se explicita e o canto assume contornos de reverência, respeito e celebração, mobilizando a escola de forma coletiva. Fora esses momentos de exaltação, o canto permanece regular e bem sustentado, evidenciando um samba de arco dinâmico bem definido, com variações naturais de intensidade, sem oscilações bruscas ou perda de coesão.

Esse gesto de devoção também se materializa na atuação de Wander Pires ao longo de toda a Avenida. Cantando em homenagem a um amigo, o intérprete conduz o samba com segurança, vigor e controle. Sua interpretação não apenas sustenta a harmonia, mas transmite com clareza o afeto coletivo da escola pelo mestre Ciça. O canto carrega amor, respeito e reverência, elementos que estruturam emocionalmente o enredo e conferem densidade simbólica à apresentação da Viradouro.

EVOLUÇÃO

Antes mesmo da metade do tempo regulamentar, a Viradouro já começa a sair da pista, apresentando uma evolução fluida, coordenada e muito bem conduzida. A progressão da escola é inteligente: o desfile cresce aos poucos, sem atropelos, com todos caminhando juntos.

Mesmo com a pista molhada pela chuva que caiu, não há perda de vigor no canto nem desânimo na dança. O samba convida o componente a seguir para frente, e isso se reflete diretamente na evolução.

Na segunda metade do ensaio, a escola desfila ainda mais vigorosa, administrando o tempo com tranquilidade. A entrada no segundo recuo de bateria é organizada, com a bateria entrando de forma correta e a ala seguinte acompanhando sem ruptura, reforçando a leitura de uma escola que evolui com excelência.

OUTROS DESTAQUES

Destaque para a bateria “Furacão Vermelho e Branco”, precisa e segura ao longo de todo o ensaio. No trecho do samba que diz “Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você”, a bateria se divide ao meio, abaixa e abre caminho para que Ciça se encaminhe até o centro do próprio naipe, onde é reverenciado pelos ritmistas. O momento se impõe pelo desenho corporal da bateria e pela clareza da ação, criando uma imagem forte e facilmente legível na pista.

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Fora esse trecho específico, a bateria mantém andamento firme, bossas bem marcadas e regularidade de execução, projetando o desenho rítmico sempre para frente, com precisão e controle. A condução segura contribui diretamente para a fluidez da evolução e para a leitura musical do samba ao longo de toda a Avenida.

Freddy Ferreira analisa bateria da Beija-Flor no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Soberana” da Beija-Flor de Nilópolis, comandada pelos mestres Rodney e Plínio. Uma conjunção sonora de grande virtude musical coletiva foi exibida. A integração rítmica dos mais diversos naipes nilopolitanos impressionou pela excelente fluência entre as peças.

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Na parte da frente do ritmo da azul e branca de Nilópolis, um naipe de cuícas correto ajudou a complementar a sonoridade das peças leves. Uma ala de chocalhos de boa qualidade técnica se apresentou vestida de iaô, conectando-se ao aspecto religioso do grande enredo da Beija-Flor. Um naipe de tamborins com trabalho coletivo destacado executou um desenho rítmico simples e funcional, com bastante precisão. O casamento musical entre tamborins e chocalhos foi o ponto alto da cabeça da bateria da atual campeã do Carnaval.

Na cozinha do ritmo soberano, foi notada uma afinação privilegiada de surdos. Simplesmente sensacional a ressonância muito bem apurada do timbre do surdo de segunda. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza e absoluta precisão. Os surdos de terceira foram responsáveis pelo bom balanço dos graves. Uma ala de repiques extremamente coesa tocou integrada a um naipe de caixas de guerra consistente. O preenchimento musical dos médios formou uma camada rítmica bastante sólida na bateria “Soberana”. Próximo ao corredor, as tradicionais frigideiras de Nilópolis deram o toque metálico peculiar à sonoridade. Na parte de trás do ritmo, os atabaques ecoaram, como solicitava o próprio samba, conferindo um brilho sonoro diferenciado à bateria da Beija-Flor.

Bossas e nuances rítmicas bem vinculadas ao belíssimo samba da Beija-Flor foram executadas com precisão cirúrgica, todas baseadas nas variações melódicas da obra nilopolitana. Destaque para a participação especial dos atabaques, que tocaram com baquetas, fazendo referência ao aguidavi sagrado presente no Candomblé. O conceito criativo musical mostrou-se bem definido e pautado pela simplicidade: dar ao samba exatamente o que ele solicita, nada além. Merece menção musical positiva o trabalho diferenciado dos repiques-mor nos arranjos.

Uma apresentação muito boa da bateria da Beija-Flor de Nilópolis, dirigida pelos mestres Rodney e Plínio. Uma bateria equilibrada e muito bem equalizada, graças a uma afinação primorosa de surdos, com destaque para a qualidade da ressonância do surdo de segunda. O conjunto de bossas dançantes ajudou a impulsionar o componente nilopolitano. Uma bateria verdadeiramente “Soberana” ao acompanhar e servir o samba-enredo, oferecendo à obra da Deusa da Passarela exatamente o que ela pedia.

Freddy Ferreira analisa bateria da Grande Rio no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria do Acadêmicos do Grande Rio, sob o comando de mestre Fafá. Uma conjunção sonora destacada foi produzida, resultando em um ritmo bastante equilibrado e profundamente bem equalizado. Uma bateria da Grande Rio enxuta e com andamento confortável, evidenciando a boa educação musical de seus ritmistas.

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Na cabeça da bateria da Grande Rio, um naipe de tamborins de qualidade musical exibiu um desenho rítmico simples, porém profundamente funcional. Uma ala de chocalhos com exímia técnica coletiva tocou de forma interligada aos tamborins, demonstrando um belo casamento musical entre ambos os naipes. Uma boa ala de cuícas auxiliou na sonoridade das peças leves, junto de um naipe de agogôs simplesmente sublime. Impressionante o trabalho musical dos agogôs da Grande Rio: é como se a peça, pela ressonância espetacular, ajudasse a costurar o melodioso samba-enredo da escola de Duque de Caxias com um toque pra lá de privilegiado.

Na cozinha da bateria da Grande Rio, uma ótima afinação de surdos permitiu que os marcadores de primeira e de segunda realizassem um trabalho simplesmente impecável. Destaca-se a forma como os marcadores caxienses extraem som do instrumento sem recorrer a pancadas excessivas, evidenciando uma consciência musical acima da média. Os surdos de terceira, com balanço envolvente, contribuíram tanto para o ritmo quanto para as paradinhas e nuances rítmicas. Uma ala de repiques consistente tocou de forma reta e coesa, tudo isso sustentado por um naipe de caixas de guerra bastante sólido, que preencheu a sonoridade dos médios com um toque ressonante e equilibrado.

Bossas bem conectadas à obra da escola aproveitaram as variações melódicas para consolidar o ritmo. Na paradinha da cabeça do samba, a escolha conceitual foi construir um arranjo que explorou as diferenças entre os timbres dos surdos. No refrão do meio, outra bossa voltou a trabalhar com essas distintas timbragens, evidenciando a musicalidade apurada de marcadores com educação e disciplina musical irretocáveis. Essa mesma bossa do refrão do meio é finalizada com duas pancadas de forte pressão sonora dos surdos, após um rápido e eficiente carreteiro dos tamborins, conferindo profundidade ao arranjo.

Uma ótima apresentação da bateria da Grande Rio, dirigida por mestre Fafá. A equalização privilegiada dos timbres fez ressoar um ritmo tecnicamente virtuoso, com nítida consciência musical por parte dos ritmistas. Bossas bem vinculadas ao samba souberam explorar os diferentes timbres das marcações, deixando a musicalidade da Grande Rio requintada e evidente neste grande ensaio técnico da bateria tricolor caxiense.

Freddy Ferreira analisa bateria da Imperatriz no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria “Swing da Leopoldina” (SL), da Imperatriz Leopoldinense, comandada por mestre Lolo. Uma conjunção sonora possante foi apresentada, acompanhada de bossas impactantes e dançantes. Desde o esquenta, realizado sob uma chuva torrencial, o que poderia esfriar o clima acabou, na verdade, impulsionando ainda mais a energia dos ritmistas, inspirando a bateria da “SL” a promover um verdadeiro sacode.

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Na parte da frente do ritmo da “SL”, uma ala de tamborins fenomenal executou um desenho rítmico pautado nas nuances do melodioso samba da Rainha de Ramos. Um naipe de chocalhos de inegável qualidade técnica também se apresentou de forma consistente, assim como uma ala de cuícas bastante ressonante, que auxiliou no preenchimento da sonoridade da cabeça da bateria.

Na parte de trás do ritmo da “Swing da Leopoldina”, uma afinação primorosa de surdos garantiu pressão sonora, deixando os graves pesados na medida certa. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e muita precisão. Os surdos de terceira conduziram o balanço com brilhantismo, inclusive nas bossas. Repiques altamente técnicos tocaram em conjunto com um naipe de caixas de guerra poderoso, de toque uníssono, servindo como base musical para os demais naipes.

Bossas profundamente vinculadas ao samba da Imperatriz foram apresentadas de forma impecável. Arranjos com forte pressão sonora dos surdos, sustentados por conversas rítmicas bem trabalhadas, sendo a maioria bastante dançante. Destaque absoluto para a paradinha antes do refrão do meio, em que os ritmistas tocam dançando e girando. Uma sonoridade ímpar, que inicialmente parece desafiar o próprio tempo musical, mas que, na verdade, se aproveita de maneira sublime da síncope.

Uma apresentação exemplar, tanto em ritmo quanto em energia, da bateria da Imperatriz Leopoldinense, sob a direção de mestre Lolo. Um ritmo de alto refinamento técnico nos mais diversos naipes, com ótima fluência musical e bossas dançantes e impactantes. Em uma exibição energética, influenciada por uma chuva intensa, a bateria “Swing da Leopoldina” não apenas se mostrou musicalmente pronta para o Carnaval, como deixou claro que possui capacidade anímica de elevar o clima do desfile da Imperatriz ao mais alto nível.

Freddy Ferreira analisa bateria da Viradouro no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Furacão Vermelho e Branco”, comandada pelo mestre e enredo Ciça. Um ritmo impactante e pulsante foi apresentado, com bossas pautadas pela pressão sonora dos pesados surdos da Viradouro. A entrega energética dos ritmistas também merece destaque musical: foi possível presenciar inúmeros batuqueiros tocando de forma emocionada, alguns vindo às lágrimas durante o cortejo.

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Na cabeça da bateria da Unidos do Viradouro, um naipe de chocalhos de boa coletividade musical tocou de forma integrada a uma ala de tamborins de alta técnica, que exibiu convenções rítmicas pontuando a melodia do belo samba da escola do Barreto com eficiência. Impressiona o rejuvenescimento observado em ambos os naipes, que já contam com um número considerável de ritmistas oriundos da bateria mirim “Furacão do Futuro”. Um naipe de cuícas de imensa qualidade também contribuiu de forma luxuosa para o preenchimento das peças leves.

Na parte de trás do ritmo da “Furacão Vermelho e Branco”, notou-se uma afinação de surdos pesada e acima da média. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e segurança. O balanço envolvente dos surdos de terceira deu um molho caprichado aos graves, inclusive nas bossas. Repiques de boa técnica tocaram em conjunto com um naipe de caixas bastante sólido e ressonante, exibindo sua tradicional levada de partido alto.

Bossas muito bem encaixadas com a melodia do samba foram executadas de maneira cirúrgica. Um conjunto de paradinhas de grande impacto musical — impulsionado pela pressão sonora da afinação mais pesada dos surdos — também se destacou por seu caráter dançante. A criação musical potencializou a obra da Viradouro, auxiliando claramente o desempenho dos componentes ao longo da pista. O belo arranjo da segunda parte do samba, além de musicalmente funcional, mostrou-se um acerto energético, levantando o público. Trata-se de uma conversa rítmica extensa, que solta a segunda passada do estribilho para o canto em coro e fecha a bossa retomando com pressão.

Uma apresentação muito boa da “Furacão Vermelho e Branco” da Viradouro, dirigida pelo enredo e tema da agremiação sob o comando do mestre Ciça. Um ritmo profundamente identificado com a história musical do mestre, marcado pela potência sonora dos surdos e por paradinhas muito bem integradas como destaque. Uma passagem segura e energética de uma bateria da Unidos do Viradouro, aplaudida em praticamente todos os setores, diante de uma das mais belas homenagens do Carnaval.

Carnaval mirim estreia formato ao lado do Grupo Especial

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Por Rhyan de Meira e Juliana Henrik

Os desfiles das escolas mirins tiveram início no sábado, na Marquês de Sapucaí, inaugurando um novo formato para o Carnaval das crianças e adolescentes ligados às agremiações do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, as apresentações foram divididas em quatro datas e passaram a ocupar o mesmo dia do ensaio técnico das escolas do Grupo Especial, ampliando a circulação de público e a visibilidade das agremiações mirins.

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Na abertura da programação, Miúda da Cabuçu, Inocentes da Caprichosos e Império do Futuro levaram para a avenida não apenas seus enredos e sambas, mas também a experiência de desfilar em um ambiente tradicionalmente reservado às grandes escolas.

A mudança impactou diretamente a rotina de preparação dos componentes, que passaram a vivenciar a Sapucaí em um contexto diferente daquele que historicamente marcava os desfiles mirins.

Para mestres, cantores e integrantes dos casais, a oportunidade representou reconhecimento, aprendizado e, sobretudo, a sensação de que o carnaval mirim passou a ocupar um espaço mais central na festa. Na Império do Futuro, o desfile também foi marcado por uma homenagem carregada de significado para quem cresceu dentro da escola e carrega a tradição da bateria como identidade.

Responsável pela condução rítmica da agremiação, o mestre de bateria Luiz Gustavo destacou o simbolismo daquele momento, vivido diante de um público maior e em um dia de grande circulação na Sapucaí. A presença no ensaio técnico do Grupo Especial deu ainda mais peso à homenagem levada para a avenida e reforçou o vínculo entre o carnaval mirim e a história das escolas-mães.

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“Uma sensação muito boa. Vamos ter um homenageado aí que faz parte da nossa sala, que é o Edgar. Então é um privilégio muito grande estar homenageando um homem que criou o brilho da bateria do Império Serrano. E é isso, muito feliz, muito feliz de estar participando dessa homenagem. Estou preparado? Com certeza, sempre”.

Entre os integrantes dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, a mudança no calendário também trouxe novas expectativas.

Visibilidade maior para os mirins

Acostumados a desfilar em datas mais reservadas aos mirins, os jovens passaram a dividir o espaço com ensaios técnicos que tradicionalmente atraem grande público, alterando completamente a dinâmica do dia e a percepção sobre o desfile.

Porta-bandeira da escola, Isabela, de 20 anos, avaliou a experiência como um marco diferente na trajetória das escolas mirins. Para ela, a antecipação do desfile e a possibilidade de uma Sapucaí mais cheia deram um novo significado à apresentação, reforçando o sentimento de valorização das crianças e adolescentes que constroem o carnaval desde cedo.

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“Está sendo bem diferente. É um dia bem fora do comum do que nós, crianças, estamos habituados a fazer o nosso desfile. Então a expectativa é um pouco diferente também. Acredito que a pista vai estar um pouco mais cheia. Tomara que esteja cheia, assim como no dia dos mirins antecedendo ao desfile das campeãs, porque as crianças merecem de fato que essa pista esteja cheia. Mas acho que hoje vai estar diferente por serem os ensaios técnicos”.

“Por um lado, eu achei interessante, traz mais visibilidade de fato para o carnaval mirim. Então, como ela disse, é uma experiência nova. Pra gente é uma nova rotina”.

Já para o mestre-sala Paulo, de 17 anos, da Império do Futuro, o desfile no dia de ensaio técnico foi resultado de um longo processo de preparação que envolveu treinos intensos, dedicação e o compromisso de representar não apenas a escola mirim, mas também a tradição herdada da escola-mãe. O momento, segundo ele, foi vivido como um estímulo a mais para quem sonha em seguir no carnaval.

“A gente se treinou muito, a gente saiu muito, foi bastante esforço pra dar um resultado bom, porque a gente tem que levar o nosso nome com todo amor na Escola do Império do Futuro, assim como na Escola Mãe, que nós somos terceiros do Império Serrano, graças ao Império do Futuro”.

“É uma visibilidade muito grande e muito boa pras crianças, que muitas vezes têm poucos dias com público pra assistir. Colocar os desfiles das mirins antes do ensaio técnico é um gás, é um incentivo a mais. Você vê todo mundo ali, fica mais feliz, todo mundo te vendo, todo mundo te aplaudindo”.

“É um sentimento inexplicável você ser aplaudido. É o sonho de todo mundo. Então é isso, é felicidade, depositar toda a sua força enquanto você mostra que está feliz, porque isso é o carnaval: carnaval é felicidade”.

A participação dos intérpretes da Miúda da Cabuçu no mesmo dia do ensaio técnico do Grupo Especial também foi marcada por emoção e significado. Para Rafael Ídalo Correia dos Santos, estar na Sapucaí em um contexto diferente do habitual trouxe a sensação de pertencimento a um espetáculo maior, onde o samba mirim ocupou o mesmo espaço das grandes escolas. “A hora que eles vendem a palma… por favor!”, comentou, em tom empolgado, ao falar da resposta do público e da energia sentida na avenida.

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Já para Bruno Rezende, de 21 anos, a experiência teve um peso ainda mais profundo. Além de viver a emoção de cantar no mesmo dia das escolas do Especial, ele destacou a importância de dividir esse momento com Rafael, reforçando o caráter inclusivo do samba.

“A minha emoção de hoje é de poder ajudar ele a estar aqui e fazer ele se sentir feliz, se sentir incluído, porque o samba é isso, é inclusão”, afirmou. “O sentimento pra mim é o mesmo de passar com a Escola Mãe. É gratificante demais, ver o público interagindo, é uma coisa que eu guardo no fundo do meu coração”.

Outro intérprete da Miúda da Cabuçu também ressaltou o impacto de desfilar com a arquibancada cheia e no clima de ensaio técnico. Para ele, a sensação foi resumida em afeto e ligação eterna com a escola. “É amor, é carinho. Acho que minha escola é linda e acho que vou desfilar com ela até eu morrer”, disse. Ao falar sobre inspiração, destacou a base do samba no ritmo e na sintonia com a bateria: “Tem que seguir sempre o intérprete e seguir sempre a bateria, marcar na ponta do pé”.

Ao falar sobre referências, Paulo reforçou o caráter formador do carnaval mirim e como os exemplos vistos nas grandes escolas servem de base para a construção artística e técnica dos jovens sambistas. Para ele, a convivência com esses nomes alimenta sonhos e aponta caminhos para o futuro.

“Eu tenho ótimas referências dentro de casa. No Império Serrano teve um casal maravilhoso. Toda vez que eu falo dela quase choro, é a Raffaella Caboclo. Também tem Andrea Machado, Rita, Nara Matias. Cada vez mais as porta-bandeiras vêm inspirando a nova geração”.

“Hoje em dia a régua tá muito alta. Me inspiro no Rafael, da Vila; Felipe Lemos, da Imperatriz; e Matheus Oliveira, da Mangueira. Esses três pra mim são referência total. Minha dança é muito baseada neles”.

Na ala musical, o clima também foi de expectativa e emoção. Intérprete da Miúda da Cabuçu, Lucas Macumbinho destacou a ansiedade de desfilar em um contexto diferente do habitual, com a responsabilidade de conduzir o samba diante de um público maior.

“Cara, é meio estranho. Eu tô com um sentimento muito ansioso, sentimento de alegria. Acho que a galera pode pegar o samba. A gente tá com um ótimo samba e vamos fazer um ótimo desfile, graças a Deus”.

Na Inocentes da Caprichosos, o ensaio técnico teve um significado ainda mais especial para o intérprete Davi Fernandes. Em seu segundo ano na escola, ele assumiu o microfone principal, vivendo um momento de afirmação e responsabilidade dentro da agremiação mirim.

“Pra mim é um sentimento muito especial. É meu segundo ano desfilando aqui na Inocentes. E é mais especial ainda porque hoje eu sou o microfone número um. Então pra mim é carregar essa responsabilidade. É um sentimento muito grande, muito especial, só tenho a agradecer a todo mundo”.

Com entrada franca, os desfiles mirins seguiram ao longo do mês de fevereiro, reafirmando o papel dessas escolas como espaço de formação, pertencimento e continuidade do carnaval carioca. A experiência de dividir a Sapucaí com o ensaio técnico do Grupo Especial marcou um novo capítulo para o carnaval das crianças, aproximando ainda mais o futuro do presente da maior festa popular do país.

Público reage ao ensaio técnico de sábado e aponta sensações de Vila Isabel, Salgueiro, Tuiuti e Portela

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O ensaio técnico do último sábado levou à Marquês de Sapucaí um público diverso, atento e disposto a sentir o carnaval para além da técnica. Com Vila Isabel, Salgueiro, Tuiuti e Portela na avenida, a noite funcionou como um verdadeiro teste de impacto: quem passou conseguiu provocar reações imediatas na arquibancada, seja pela elegância, pelo canto, pela energia ou pela força da bateria. Entre estreantes no sambódromo e torcedores experientes, o sentimento foi de envolvimento coletivo e leitura espontânea do que cada escola apresentou neste momento de preparação.

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As impressões do público revelam não apenas preferências, mas também como o desfile foi absorvido por diferentes olhares.

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“É a primeira vez que assisto ao ensaio técnico e eu achei legal, achei interessante, cada um com a sua característica. A Vila Isabel foi a mais elegante e bonita. No enredo, eu escolho o Salgueiro. Todo mundo bastante animado e rendeu na avenida”, disse Carol Souza, de 18 anos, estudante, que não torce para nenhuma escola.

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“Me encantei com o ensaio do Salgueiro. A energia, a vibração, os jogos de luzes e o enredo da escola fizeram a arquibancada sair do chão. O trunfo do desfile, com certeza, foi a rainha de bateria do Salgueiro, a Viviane Araújo”, afirmou Débora Luz, de 35 anos, torcedora da Mangueira.

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“Todas as escolas fizeram um ótimo desfile, mas, mesmo sendo salgueirense, a Vila Isabel se destacou mais no samba. No desfile, o Salgueiro me surpreendeu, eu não imaginava a escola vindo tão bonita e elegante, com uma comissão de frente encantadora”, avaliou Marcos Vinícius Paulo, de 18 anos, estudante e torcedor do Salgueiro.

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“Só deu o Salgueiro na Sapucaí. Nenhuma outra superou minha escola do coração, por faltar animação dos torcedores em cantar o samba. O que mais surpreende no desfile do Salgueiro é a bateria Furiosa, é de arrepiar ouvir pessoalmente”, destacou Emerson Santos, de 34 anos, mecânico e salgueirense.

O ensaio técnico mostrou que o carnaval começa a ser medido também pela resposta imediata do público. Elegância, samba, energia, canto e bateria surgem como termômetros claros dessa noite em que Vila Isabel, Salgueiro, Tuiuti e Portela deixaram suas marcas e aqueceram ainda mais a expectativa para os desfiles oficiais.

Harmonia e casal se destacam no segundo ensaio técnico do Águia de Ouro

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira 

Águia de Ouro realizou seu segundo e último ensaio técnico visando ao Carnaval 2026. O treino da Pompeia teve como principais destaques o casal de mestre-sala e porta-bandeira e, como de costume, a forte harmonia apresentada pela escola na pista.

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A atuação de Alex Malbec e Monalisa Bueno foi mais do que satisfatória, demonstrando alta sincronia. Chamou atenção, sobretudo, a elegância da porta-bandeira, que parecia flutuar de tanta leveza em seu bailado, sem deixar o ritmo cair em nenhum dos módulos. O canto da comunidade voltou a se mostrar potente, como acontece tradicionalmente na agremiação. Por isso, é difícil imaginar um ensaio ou desfile em que o quesito Harmonia não figure entre os pontos altos da escola.

Outro aspecto que mereceu destaque foi a evolução dos componentes, apresentada de forma diferente em relação aos últimos anos: mais solta, leve e alegre. Foi, de fato, um ensaio bastante proveitoso, do qual o Águia de Ouro poderá extrair bons frutos para o desfile que acontece daqui a duas semanas.

O Águia de Ouro será a segunda escola a desfilar no sábado de Carnaval, com o enredo “Mokum Amsterdã, o Voo da Águia na Cidade Libertária”, desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada.

COMISSÃO DE FRENTE

Comandada por Robson Bernardino, a comissão de frente apresentou o mesmo jogo visto no ensaio anterior.

Os integrantes, aparentemente simbolizando personagens dos Países Baixos e do Brasil, dançavam sobre o elemento alegórico no ritmo do samba, saudando o público. A coreografia é inteiramente executada sobre esse elemento, que possui altura considerável. Vale ressaltar que pode haver dificuldade de visualização para o terceiro jurado, localizado no Setor H, embora isso só possa ser confirmado no dia do desfile.

Em 2025, ficou evidente que a escola “escondeu o jogo” nos ensaios técnicos, revelando todo o potencial apenas no desfile oficial. É verdade que o coreógrafo à época era outro, mas não se pode descartar que se trate de uma estratégia interna adotada pela escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi um dos grandes destaques do ensaio. Os giros horários e anti-horários foram executados com perfeição, chamando atenção a elegância no toque das mãos e a sintonia entre ambos.

Em qualquer escola por onde passa, Monalisa Bueno é uma atração à parte. Não à toa, está em seu terceiro ano na Pompeia, contribuindo com notas importantes para a agremiação. O mestre-sala, novo parceiro de Monalisa após a saída de João Camargo, demonstrou segurança e boa condução, acompanhando com precisão os movimentos da dançarina.

Era esperado observar a evolução da dupla nesses dois ensaios, especialmente pelo fato de o mestre-sala ter ficado fora do carnaval em 2025, após deixar o Camisa Verde e Branco no ano anterior. O resultado foi um ensaio seguro e satisfatório. Vale destacar, ainda, que o casal enfrentou a presença de muitos papéis picados no chão, resíduos deixados pela bateria da Mancha Verde, o que poderia gerar dificuldades na evolução, mas o obstáculo foi contornado com eficiência.

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“O nosso ensaio de hoje foi incrível. Mesmo no ensaio com chuva, a gente conseguiu colocar em prática tudo o que vinha treinando ao longo desses 12 meses. Hoje saiu tudo perfeito. Sem chuva, sem vento, a gente conseguiu cravar os jurados. Eu estou muito feliz com o que a gente apresentou aqui hoje. Acredito que o Alex também”, disse a porta-bandeira.

“De certa forma, a gente agradece à chuva. Primeiro porque é algo que a gente não controla. Se no dia do desfile cair uma chuva dessas, a gente precisa evoluir, não pode parar. No primeiro ensaio, diferente deste, conseguimos explorar um pouco mais da garra. Hoje conseguimos colocar mais em prática as questões técnicas de finalização. De qualquer forma, foi importante passar por isso para entender que estamos preparados para qualquer situação”, completou o mestre-sala.

HARMONIA

O forte canto da comunidade do Águia de Ouro é sempre digno de destaque. Se no ensaio anterior os componentes cantaram com intensidade mesmo sob forte chuva, neste treino o canto da Pompeia se mostrou ainda mais presente.

Os desfilantes aparentavam estar felizes, brincando carnaval e demonstrando satisfação com o samba-enredo para 2026, apesar das críticas que a obra recebe. Os sorrisos eram visíveis a cada verso, reforçando a sensação de que a comunidade abraçou o samba. O refrão de cabeça, que remete a uma marchinha dos anos 1960 em diante, foi o ponto alto do canto da escola.

O ritmo não caiu em nenhum momento desde a entrada pelo portão. Pelo contrário, parecia ganhar ainda mais força ao longo do percurso. Fica claro que se trata de uma comunidade consciente do que é necessário para alcançar um bom resultado no desfile que ocorre em duas semanas.

EVOLUÇÃO

A evolução foi um dos quesitos que mais apresentou mudanças neste ensaio. Se antes o Águia de Ouro era conhecido por um desfile mais “militarizado”, desta vez o cenário foi oposto. Entre as alas, foi possível observar componentes soltos, evoluindo de um lado para o outro no ritmo do samba.

Coletivamente, manteve-se a tradicional compactação para evitar buracos ou divisões entre as alas. Ainda assim, foi possível perceber uma verdadeira renovação no quesito, que tende a ser mantida no desfile oficial. O samba e o ritmo apresentados na pista pedem exatamente essa dinâmica.

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Vale ressaltar que não há coreografias definidas, apenas movimentos pontuais, como nos versos finais — “nos festivais pra celebrar, com o rei daqui e o rei de lá” —, quando os componentes movimentam os braços para a esquerda e para a direita.

SAMBA-ENREDO

A dupla Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto comandou o carro de som em mais um ensaio satisfatório. O entrosamento entre os intérpretes é evidente: as vozes se equilibram perfeitamente, sem que uma se sobreponha à outra, e ambos tiveram seus momentos de interação com o público e execução de cacos.

Cantando juntos há muitos anos, a sintonia é um dos pontos fortes da dupla. Embora o samba-enredo seja alvo de críticas, é inegável sua funcionalidade. Trata-se de uma melodia animada, com letra de fácil assimilação e bom casamento entre a ala musical e a bateria Batucada da Pompeia.

Destaque especial para o time de cordas na bossa em ritmo de reggae, que acompanha com precisão e confere um belo tom ao carro de som, evocando o clima característico da cidade libertária retratada no enredo.

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“O canto forte é a marca da Águia de Ouro. É uma escola que gosta de cantar, canta muito, não por obrigação, mas por gostar mesmo. Acho que o samba se comportou muito bem na avenida, que é o resultado que a gente esperava: um samba alegre, um samba solto, que fala de Amsterdã, a cidade libertária, e sobre o respeito. Acho que funcionou bem. Vamos ajustar algumas coisas, o que é normal, mas acredito que 98% já deu certo”, comentou Douglinhas.

“Ensaio é ensaio, assim como treino é treino e jogo é jogo. Mas a gente treinou muito bem, precisava disso. No nosso primeiro ensaio, pegamos muita chuva e o som da avenida ainda não estava ligado. Hoje viemos para fazer os ajustes e, graças a Deus, correu do jeito que a gente queria. Vamos embora, porque dia 14, se Deus quiser, estaremos aqui firmes e fortes”, declarou Serginho do Porto.

OUTROS DESTAQUES

A Batucada da Pompeia apresentou ritmo consistente, garantindo bom andamento ao samba e executando bossas com eficiência. O maior destaque ficou por conta da bossa em reggae, presente nos versos finais do samba, um arranjo repetido diversas vezes ao longo do ensaio e que funcionou muito bem.

“Comentei com a bateria, no final do ensaio, que estamos em uma evolução rápida e constante. Acho que evoluímos dentro dos nove quesitos. Fizemos ensaios de quadra, ensaios específicos, ensaios na avenida e ensaios de rua também. Em cada treino, vemos evolução em todos os aspectos, seja no canto ou em outros quesitos. Hoje ficou provada a evolução da escola no andamento contínuo, sem oscilações. A bateria executou tudo o que se propôs a fazer com a sonorização oficial. Claro que ainda vamos analisar áudios e vídeos, porque sempre dá tempo de ajustar algumas coisas, mas estamos felizes e satisfeitos. Foi o melhor dos ensaios que fizemos aqui. É um trabalho de sete meses, e estamos felizes com o que conseguimos construir até o momento”, explicou o mestre Moleza.

“Como sempre digo, é oração. A gente tem muita fé em Deus, mas também precisa de ação. É trabalhar, ter humildade e um bom coração. A expectativa é a mais alta possível. Estou feliz, acompanhado da minha filha, que está fazendo dez anos, do meu filho Luca, que tem quatro, e do caçula que está para nascer. É um carnaval diferente, especial, junto da minha família. E voltando para casa depois de 25 anos, onde tudo começou. Quando era pequeno, nem imaginava que um dia estaria aqui falando com vocês, comandando uma bateria com mais de 250 pessoas. É só agradecer e continuar trabalhando e honrando as oportunidades que Deus nos dá”, finalizou Moleza.

Mancha Verde cresce com comunidade quente no ensaio técnico

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Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Mancha Verde abriu os ensaios técnicos do último sábado no Sambódromo do Anhembi com um rendimento superior ao apresentado em sua primeira passagem. Com o sistema de som funcionando plenamente, a escola contou com uma comunidade mais quente, canto forte e resposta imediata aos chamados da bateria, o que transformou a avenida em um grande terreiro a céu aberto.

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O ensaio foi encerrado em 1h00, tempo confortável dentro do limite, e indicou uma escola organizada, animada e consciente do projeto que constrói para o Carnaval. Após a queda em 2025, a Mancha retorna ao Grupo de Acesso com certo favoritismo, apostando em um projeto robusto para brigar pelo retorno ao Grupo Especial.

A escola será a quarta a desfilar no domingo de Carnaval, pelo Grupo de Acesso, com o enredo “Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odu Obará: a Humildade”, uma releitura do desfile apresentado em 2012, agora sob a liderança do carnavalesco Rodrigo Meineirs.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente mostrou quem vai abrir caminho, como manda o enredo. No ensaio, foi possível observar a marcação de um tripé que contará com coreografias executadas em sua parte superior, enquanto outros componentes desenvolvem movimentos no chão.

A encenação apresenta personagens que remetem a diferentes orixás, como Oxalá, Exu e Oxum, entre outros. Em determinado momento, os bailarinos realizam saudações aos orixás, enquanto, no chão, os passos afro dialogam diretamente com a proposta do enredo e reforçam a atmosfera que a escola pretende levar para a avenida.

As referências ao desfile de 2012, especialmente ao abre-alas que reunia todos os orixás, aparecem de forma clara, mas os coreógrafos Marcos e Wander reforçam que se trata de uma releitura com outra linguagem e novos recursos. Wander explicou que a comissão atual incorpora ferramentas adotadas pelo carnaval nos últimos anos e que muitas das surpresas ficam reservadas para o desfile oficial.

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“Esse trabalho é legal porque foi um trabalho que nós fizemos como componentes da comissão de 2012. Refazer algo do qual você participou é muito interessante. Ele é bem diferente do que era naquele carnaval. Vamos usar muitos recursos que o carnaval adotou nesses últimos oito ou dez anos. A questão do enredo vai estar muito latente na comissão.

Muita coisa que vocês estão vendo nos ensaios talvez não apareça no dia do desfile. A ideia é confundir um pouco para surpreender”, afirmou.

Marcos reforçou o peso histórico do quesito e o impacto esperado na nova versão. “A comissão de 2012 foi muito marcante, era um xirê, a primeira vez em São Paulo com todos os orixás. A releitura é diferente. Não podemos dizer como será porque é surpresa, mas vai ser bem impactante.”

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA 

Adriana Gomes e Thiago Bispo farão sua estreia como primeiro casal da escola e já demonstram uma construção de trabalho com entrosamento crescente. Apesar de estilos distintos — Adriana com uma dança mais clássica e Thiago com uma movimentação mais contemporânea —, a dupla encontrou uma identidade em comum sem perder as particularidades individuais.

A evolução de um ensaio para o outro ficou evidente. Adriana destacou os ajustes realizados desde a primeira passagem. “Nós só melhoramos do primeiro ensaio para cá. Ajustamos o que entendemos que precisava ser ajustado e eu acho que rolou, deu tudo certo.”

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Thiago chamou atenção para a adaptação do casal às paradas propostas pela escola, especialmente no paradão da bateria. “No segundo ensaio tivemos uma parada que não imaginávamos, mas a escola resolveu fazer uma parada maior para o canto. Isso mostra que estamos muito sincronizados, colocando a coreografia em pauta quando é necessário e fazendo os encaixes durante a pista. Precisamos entender o que a escola está demandando, e conseguimos fazer isso.”

HARMONIA

A harmonia foi um dos grandes destaques do ensaio. A escola cantou forte ao longo de toda a pista, com resposta coletiva expressiva, especialmente durante o paradão da bateria, quando os componentes sustentaram o samba em uníssono.

No ensaio anterior, a ausência do sistema de som impediu uma leitura mais precisa do impacto musical. Com o equipamento instalado, o rendimento cresceu de forma visível, o que se refletiu em maior empolgação e regularidade de canto entre os setores.

O intérprete Fredy Vianna destacou o trabalho da ala musical e a segurança que o conjunto proporciona ao canto. “A ala musical só me dá orgulho. É um prazer cantar do lado deles, um profissional melhor que o outro. Eles me dão todo o suporte para eu ficar livre, fazer cacos, terças e aberturas de voz. É um samba já conhecido pela escola, e eles estão pintando e bordando. É uma ala muito consciente do que faz.”

EVOLUÇÃO

A evolução se apresentou organizada e fluida. Não foram observados buracos significativos, e as alas mantiveram bom espaçamento e andamento regular durante todo o percurso.
Destaque para as alas coreografadas, que desfilaram sempre no ritmo do samba, com movimentos bem amarrados. Mesmo com coreografias marcadas, os componentes mantiveram o canto forte, o que demonstra entrosamento entre evolução e harmonia.

SAMBA-ENREDO

Reeditado do Carnaval de 2012, o samba-enredo segue amplamente assimilado pela comunidade e é cantado com entrega do início ao fim do ensaio. A obra carrega forte memória afetiva e funciona como motor de empolgação da escola.

Um ponto simbólico é que o samba é defendido pelo intérprete Fredy Vianna, um dos compositores da obra, que estreou justamente no ano do desfile original. Sobre a expectativa para o retorno do enredo à avenida, ele afirmou que a escola executará exatamente o que vem sendo ensaiado e que ainda guarda uma surpresa para o desfile oficial.

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“Eu só projeto o melhor. Nós não vamos deixar de fazer nada do que ensaiamos. O que estamos fazendo fora, fizemos aqui dentro e vamos fazer um pouco a mais. A escola vai colocar uma surpresa na avenida.”

OUTROS DESTAQUES

A Bateria Puro Balanço, comandada por Mestre Cabral e Mestre Viny, teve atuação segura. O paradão foi bem sustentado e potencializou o canto da comunidade. As bossas apresentadas mostraram diferenças claras em relação à versão de 2012, o que indica uma atualização musical da releitura.
Cabral avaliou o desempenho da Puro Balanço:

“É um trabalho de formiguinha. A gente vê os resultados pouco a pouco e achamos o ensaio maravilhoso. Claro que foi só mais um ensaio. Ainda temos muito o que corrigir para chegar no dia do desfile, mas acreditamos que conseguimos buscar esse acesso ao Grupo Especial mais uma vez”, comentou Felipe Cabral.