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Tijuca transforma Carolina em discurso potente e canta com propriedade no primeiro ensaio técnico

Por Marcos Marinho, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Guibsom Romão

A Unidos da Tijuca realizou, na Marquês de Sapucaí, o primeiro ensaio técnico rumo ao Carnaval 2026. A clareza dramatúrgica da comissão de frente, a afirmação elegante do casal de mestre-sala e porta-bandeira e o canto forte, já plenamente incorporado pela comunidade, desenharam um treino em que cada quesito parecia apontar para a mesma direção: a Tijuca reescreve a própria história na avenida. A escola será a última a desfilar na segunda-feira de carnaval, levando para a Sapucaí o enredo “Carolina Maria de Jesus”, assinado pelo carnavalesco Edson Pereira.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente da Unidos da Tijuca se destacou, desde o primeiro módulo de jurados, pela clareza dramatúrgica e pela coerência entre samba, coreografia e narrativa. Coreografada por Ariadne Lax e Bruna Lopes, a apresentação estabeleceu rapidamente para o público quem conduz a cena: Carolina Maria de Jesus.

Composta por 14 componentes, sendo uma pivô que encarna Carolina e outros 13 bailarinos com figurinos que dialogam com o da personagem principal, mesclados às cores da escola, a comissão construiu sua dramaturgia diretamente ancorada na letra do samba. No trecho do pré-refrão principal, “sou a liberdade, mãe do Canindé”, a pivô entrou em cena e se apresentou como Carolina. Em seguida, quando o samba convoca “muda essa história, Tijuca”, é ela quem chama os demais bailarinos para a cena, apresentando uma proposta cênica fundamental: é Carolina quem convoca a escola do Borel a reescrever sua própria história.

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A dupla de coreógrafas propôs uma transição bem delineada entre dor, lamento e superação. No trecho “dele herdei também a cruz”, a pivô foi erguida pelos bailarinos homens em uma imagem de censura e opressão, acompanhada por um grito de dor, gesto que sintetiza a violência estrutural e institucional vivida pela escritora. Mais à frente, em “sonhei sobre as páginas da vida”, o grito retornou, agora como gesto cênico transformado: não mais lamento, mas grito de libertação, de superação e afirmação política.

O ponto alto da apresentação se dá quando as mulheres assumem o protagonismo da cena. À frente, elas conduziram a ação enquanto, ao fundo, os homens abriram uma bandeira com a imagem de Carolina e a frase “A luta continua”. Nesse mesmo momento, surge um gesto de forte materialidade simbólica: as bailarinas tiram de seus figurinos exemplares de Casa de Alvenaria, livro escrito por Carolina após deixar a Favela do Canindé e se mudar para Osasco. A escolha articulou trajetória, ascensão, memória e permanência da luta.

A movimentação corporal reforçou essa dramaturgia ao explorar, inicialmente, planos baixos e médios, em momentos associados à opressão e ao sofrimento, para depois avançar a posições mais eretas, com punhos cerrados e gestos afirmativos, sublinhando a letra do samba. Há ainda um cuidado técnico perceptível na adaptação da coreografia aos módulos: na cabine espelhada, a centralidade do movimento se projeta para frente; na cabine única, a orientação se ajusta diretamente à visão dos jurados. No clímax da cena, a pivô abre um pano com a frase “Quem inventou a fome são os que comê”, atribuída à escritora, reforçando o caráter político e direto da mensagem.

A comissão não aposta em efeitos espetaculares nem em surpresas mirabolantes. Sua força está justamente na simplicidade propositiva, na leitura acessível e na capacidade de contextualizar Carolina dentro da própria história da Unidos da Tijuca. Não se trata apenas de apresentar a escritora, mas de sugerir o que a escola aprende com ela e como essa aprendizagem se inscreve no momento em que a Tijuca também busca reescrever seus caminhos.

Como ponto de atenção, fica registrado que o canto da comissão, com o avançar do desfile, perde volume. No mais, a expectativa é boa para o desfile oficial: a entrada dos figurinos definitivos e a possível inclusão de elemento cenográfico poderão potencializar ainda mais a proposta, ampliando impacto visual e densidade dramatúrgica. Ainda assim, o que se viu no primeiro ensaio técnico indica uma comissão segura, bem resolvida e com propostas claramente estabelecidas e de fácil leitura.

“Esse ensaio foi sensacional e arrepiante. A comissão arrasou, está brilhando com um enredaço e um samba incrível. A galera deu mais do que 100% de si. Já estamos dando alguns mini-spoilers e alinhando com a direção da escola ajustes para o próximo ensaio, mas é tudo surpresa. A princípio, vamos permanecer como estamos, apenas ajustando alguns detalhes”, citou Ariadne.

“A comissão quer emocionar o coração de cada Carolina que nós, mulheres, carregamos. Acredito que hoje a gente deu uma palhinha do que vamos levar para o desfile. É algo sentimental, que vai tocar direto no coração”, afirmou Bruna.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Se a comissão de frente operou pela transição entre dor e superação, o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca entrou em cena já pelo campo da superação e da cabeça erguida. Matheus Miranda e Lucinha Nobre apresentaram um bailado que apostou na exuberância, na elegância e na imponência como elementos de leitura.

Essa afirmação começa pelo figurino dourado, de forte impacto visual, que dialoga diretamente com o bailado clássico do casal. O desenho do traje potencializou a postura altiva dos dois e reforçou uma ideia de superação: um casal que dança com entrosamento, brilho, segurança e consciência do momento vivido pela escola. É um figurino que não apenas veste, mas sustenta dramaturgicamente a performance.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Lucinha, em especial, protagonizou momentos de grande beleza e sensibilidade na apresentação. No verso “Dos salões da burguesia aos barracos do Borel”, o gesto de encostar o rosto no pavilhão constrói uma imagem de carinho e amorosidade rara e muito potente. A porta-bandeira reverencia o símbolo máximo da escola como quem acolhe uma história que está sendo reescrita com cuidado e afeto. É uma cena que humaniza o pavilhão e conecta diretamente território, memória e pertencimento.

Outro momento de forte impacto ocorreu no trecho “Fui a caneta que não reproduziu a sina da mulher preta no Brasil”. Ali, Matheus se abaixa em reverência à sua porta-bandeira enquanto Lucinha bate no peito, num gesto direto de afirmação identitária. A cena opera em múltiplas camadas: Lucinha representa as mulheres pretas do Borel, evoca Carolina Maria de Jesus e reafirma, no corpo, a centralidade da mulher negra na narrativa do desfile. Trata-se de uma inteligência coreográfica que sublinha o samba com precisão performativa.

No módulo espelhado, o entrosamento do casal se mostrou ainda mais evidente. A apresentação do pavilhão é limpa, bem conduzida, e o cortejo de Matheus à Lucinha, especialmente no beijo na mão no trecho “Onde nascem Carolina”, evidencia delicadeza, respeito e parceria. Esse entrosamento não é casual: dançando juntos pelo terceiro ano consecutivo, Matheus e Lucinha vêm investindo em múltiplas frentes de aprimoramento, do treinamento físico ao refinamento do bailado, passando inclusive por um processo de terapia de casal, estratégia que se reflete claramente na pista.

Como ponto de atenção, à medida que o ensaio avança, sobretudo no último módulo, há uma leve perda de entrosamento. O olhar se torna menos presente, a graciosidade diminui e o casal parece mais concentrado na execução técnica dos movimentos do que na relação entre si. Não chega a comprometer a apresentação, mas sinaliza a necessidade de garantir que o vigor, a leveza e a vitalidade observados nos primeiros módulos se mantenham até o fim do desfile.

Ainda assim, o conjunto apresentado no primeiro ensaio técnico indica um casal em trajetória consistente de amadurecimento. Mantendo o nível de entrosamento e a qualidade do bailado vistos no início da apresentação, Matheus Miranda e Lucinha Nobre pavimentam um caminho sólido para alcançar boas avaliações no desfile oficial.

“É ensaio. Sempre tem testes, sempre há o que mudar e melhorar. A gente busca a perfeição, mesmo sabendo que ela não existe, mas é essa busca diária que importa. Se tiver algo para ajustar, mudar um pouco a mobilidade, a gente faz. Nossa fantasia está leve, aconchegante, mas sempre tem algum detalhe. É trabalhar, deixar tudo bem encaixadinho para chegar na hora e fazer o melhor”, disse o mestre-sala.

“Eu amei fazer essa coreografia junto com a Camille e o Matheus. Foi um quebra-cabeça, mas acho que conseguimos cumprir o pré-requisito, que era saudar toda a Sapucaí. Com essa energia, conseguimos fazer um trabalho bacana. A escola está muito animada. É muito bonito contar a nossa história e poder reverenciar tantas Carolinas que temos dentro da escola, no Brasil e no mundo”, completou a porta-bandeira.

SAMBA E HARMONIA

Antes que o canto coletivo tome a pista, o samba da Unidos da Tijuca se anuncia pela voz. Na introdução, a cantora de apoio Lissandra Oliveira entoa “Sou Carolina Maria de Jesus, aquela que venceu a fome, reescrevendo o Brasil”, em um gesto que ultrapassa a função musical e se afirma como convocação. A Sapucaí é chamada a entrar no universo do desfile e, mais do que isso, é convidada a cantar essa história com garra, potência e afirmação.

Essa abertura organizou a escuta e preparou o terreno para o crescimento orgânico do canto da escola. Quando o samba avança para o pré-refrão e encontra o refrão principal — “Sou a liberdade, mãe do Canindé / muda essa história, Tijuca” —, a resposta da comunidade é imediata. O canto explode com força, sustentado pela cadência da bateria e pela condução firme do carro de som, transformando esse trecho no motor emocional do desfile.

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A comunidade tijucana cantou com propriedade. O samba está na ponta da língua, claramente apropriado pelos componentes, resultado de um trabalho consistente nos ensaios de rua e nos ensaios setoriais ao longo da temporada. Há uma adesão coletiva à mensagem da obra, perceptível não apenas no volume do canto, mas na intenção com que ele é projetado ao longo da pista.

Alguns trechos se destacam de forma mais notória. Versos como “Fui a caneta que não reproduziu a sina da mulher preta no Brasil”, “Me chamo Carolina Maria de Jesus, dele herdei também a cruz” e o bloco mais denso — “Os olhos da fome eram os meios de justiça dos homens / meu quarto foi despejo de agonia, a palavra é arma contra a tirania” — surgem com canto firme, sustentado e atravessado por entendimento do que está sendo narrado.

Na harmonia, a condução de Marquinhos ArtSamba apostou na sobriedade como virtude. Sem firulas vocais ou excessos de arranjo, o carro de som manteve vigor constante, empurrando o samba para frente e convidando o componente a não abandonar a melodia. É um trabalho que privilegia continuidade e sustentação, mais do que impacto pontual.

Já nos metros finais do desfile, especialmente no trecho iniciado em “Sonhei sobre as páginas da vida”, percebe-se uma oscilação de intensidade em algumas alas. Não se trata de um quadro generalizado, mas localizado, possivelmente relacionado ao desgaste físico da apresentação. O contraste aparece em alas que mantêm o canto do início ao fim, como a ala da diversidade, dos passistas e das crianças, que seguem sustentando energia mesmo no encerramento.

Ainda assim, o conjunto revelou uma escola que comprou o samba e o carrega como discurso. De andamento dolente, mas espírito perseverante, a obra convoca o componente a seguir adiante, a evoluir, a insistir. Lapidar a sustentação do canto no trecho final pode elevar um trabalho que, em sua base, já se mostra sólido e plenamente incorporado pela comunidade tijucana.

“O balanço é positivo. Testamos algumas coisas para ver se vão dar certo ou não no dia do desfile, mas o saldo foi bom. Creio que foi um ensaio bacana. Na semana que vem, vamos ensaiar de novo para, no dia 16, estarmos prontos, se Deus quiser, para buscar o campeonato. O novo som é maravilhoso, não tenho nada a reclamar. É lógico que, dentro do possível, sempre há um reajuste aqui e outro ali, mas, no demais, foi maravilhoso”, garantiu o intérprete.

EVOLUÇÃO

A Unidos da Tijuca apresentou uma evolução marcada pela rapidez e pela fluidez. O andamento da escola se mostrou acelerado: em cerca de 36 minutos, a cabeça da escola já deixava a Marquês de Sapucaí, sinal claro de um fluxo veloz ao longo da pista.

No plano dos componentes, a evolução se constrói com naturalidade. As alas desfilaram à vontade, com espaço para brincar, interagir e ocupar a pista sem rigidez. Essa sensação de liberdade, indispensável à boa avaliação do quesito, aparece como um dos pontos fortes do ensaio técnico. A Tijuca encontra um equilíbrio entre deslocamento eficiente e leveza corporal, permitindo que a escola caminhe sem travas e sem perda de leitura.

Essa fluidez, já bastante positiva, ainda pode crescer. Há margem para ampliar a organicidade do conjunto, especialmente no ajuste de tempos entre alas, mas o que se apresenta é sólido e convincente, com uma escola confortável no próprio ritmo.

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O momento mais delicado surge na transição para o segundo recuo da bateria. Enquanto a bateria entra, o segundo casal avança para segurar o espaço, e a ala que deveria ocupar imediatamente a área demora alguns momentos para chegar. Não chegou a se configurar um buraco, em grande parte porque o segundo casal administrou bem o tempo e o espaço, mas houve uma leve aceleração da ala que carregava livros nas mãos para preencher o vazio iminente. É um ajuste pontual, que pede atenção no encaixe fino entre recuo e avanço do corpo da escola.

No conjunto, a Unidos da Tijuca entrega uma evolução segura, fluida e bem resolvida, mesmo em um desfile que atravessou a Sapucaí com rapidez. Com pequenos ajustes de sincronia nos momentos de transição, a escola tem potencial para elevar ainda mais um quesito que, já neste ensaio técnico, se apresentou em bom patamar.

“O saldo do ensaio é positivo. Ainda vamos conversar com a harmonia e entender o desfile como um todo, mas, pela minha percepção passeando pela escola, o componente conseguiu reproduzir o que a gente vem fazendo na rua nesses últimos meses. A escola cantou bastante, veio compacta, as pessoas se divertiram e transmitiram a emoção que acreditamos ser o trunfo do nosso projeto: emocionar e contar essa história de Carolina. Para um primeiro ensaio na Sapucaí, a primeira vez que pisamos aqui nesta temporada, o resultado é realmente positivo. Claro que ainda precisamos conversar, reunir cada responsável por setor e entender o que pode ser acrescentado para preparar um ensaio ainda melhor na semana que vem. A empolgação da arquibancada, das frisas e a emoção do componente mostram que o trabalho foi bem realizado, mas ainda não estamos no auge. O nosso auge será na segunda-feira de Carnaval. Vamos subindo de grau a cada semana para chegar lá e fechar de forma apoteótica”, explicou Elisa Fernandes, diretora de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

Sob a cadência segura de mestre Casagrande, a bateria “Pura Cadência” conduziu o samba com firmeza e regularidade, garantindo base rítmica consistente ao longo da apresentação. Mesmo enfrentando problemas técnicos no início do ensaio, especialmente ajustes de volume e questões de delay, mencionadas pelo próprio mestre ao microfone no aquecimento do desfile, a bateria manteve o controle e atravessou a Sapucaí com categoria, sem comprometer o rendimento musical da escola.

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“Foi bom. Não foi exatamente aquilo que eu estava esperando, mas ainda estamos em fase de testes: teste de som, ajustes. Tem muita coisa para ajustar ainda, e vamos conversar no meio da semana com a equipe técnica e com a direção da escola. Temos muito a melhorar, e ainda teremos outros ensaios. Para a bateria, hoje foi bom, mas precisamos melhorar bastante, principalmente na questão do som e da logística. É tudo novo para a gente. Sofremos no primeiro box, a audição estava muito alta, mas tivemos uma atenção muito grande do pessoal da logística de som. Isso tudo são ajustes; hoje foi o primeiro dia, então é natural. O som é novo, mais moderno, exige adaptação, mas a qualidade é excelente — tão boa que estava até alta demais. Agora é ajustar. O carro de som está bem encaixado; o Marquinho é um cantor clássico, perfeito para esse samba, parece que foi feito sob encomenda para ele. Pedi para o pessoal agrupar mais perto do carro de som e, no final, deu tudo certo: conseguimos finalizar bem o ensaio. Para o segundo ensaio, a expectativa é que o som já esteja mais definido, com as caixas instaladas. Gradativamente, até o dia do desfile, esses ajustes serão feitos. A ideia é chegar perto do ideal no próximo ensaio, na sexta-feira, dia 6, 100% só no dia, mas chegar a 90% ou 99% já será ótimo”, comentou mestre Casagrande.

Outro ponto alto foi a presença da rainha de bateria Mileide Mihaile, que surgiu com um figurino marcado por folhas. À frente da bateria, Mileide esbanjou simpatia e samba no pé, estabelecendo uma comunicação direta com os ritmistas e com o público, reforçando o clima de leveza e celebração que marcou o ensaio.

A ala de passistas também mereceu atenção especial, tanto pelo figurino quanto pela performance. Os malandros desfilaram com ternos e chapéus amarelos e sapatos azuis, enquanto as cabrochas surgiram em figurinos azuis, combinados com saltos prateados. A elegância visual se refletiu diretamente no samba no pé, com uma apresentação segura, vistosa e bem alinhada à proposta estética da escola.

Com brilho do casal e comunidade cantando forte, Mocidade respira novos ares na Sapucaí

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Por Luiz Gustavo, Matheus Morais, Guibsom Romão e Marcos Marinho

Tentando respirar novos ares e vislumbrando um desfile superior aos dos anos anteriores, a Mocidade Independente de Padre Miguel foi a segunda escola a realizar seu ensaio técnico na última sexta-feira, primeira noite da temporada de treinos do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí em 2026.

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A escola da Zona Oeste mostrou uma comunidade motivada, que cantou seu samba com alegria, em altos decibéis, e brincou na avenida com uma evolução contagiante durante a maior parte do ensaio, com componentes soltos, mexendo o corpo todo e saindo do engessamento das fileiras. A estrela teve o brilho do seu casal, Diogo e Bruna, que realizaram uma apresentação de excelência. A verde e branco abrirá a terça-feira de carnaval com sua homenagem a Rita Lee, com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido por Renato Lage.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão idealizada por Marcelo Misalidis trouxe figuras noturnas com roupas pretas, coturnos e capas, alguns com dentes de vampiros, relembrando “Doce Vampiro”, um dos grandes sucessos da carreira de Rita Lee. A comissão teve bom preenchimento da pista, com o volume da fantasia quando as capas se abriam como asas. A coreografia foi bem realizada e apresentou bastante troca de posição entre os componentes.

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A finalização da série ocorreu no mesmo plano sequencial de toda a apresentação, sem um gran finale ou algum efeito de surpresa. Uma comissão correta, sem grandes arroubos criativos.

“Foi um ensaio muito positivo, acredito que a gente fez um ensaio técnico com muita energia, com um canto forte da comunidade, com a alegria natural de uma escola que tem esse nome: Mocidade. Então creio que a coisa foi muito bem, o desenvolvimento de timing já dentro das perspectivas concretas do que a gente vai fazer no oficial, do meu ponto de vista, correu tudo bem. Para o próximo ensaio técnico, é justamente cada vez mais ganhando uma evolução dentro dos acertos, isso é uma coisa importante. Não tem nada para você pontuar como erro do ensaio de hoje. O que deve ser é cada vez você colocando mais pressão”, disse o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Irrepreensível o desempenho de Diogo Jesus e Bruna Santos no ensaio técnico da Mocidade, com uma apresentação arrojada, muito ágil e vibrante, característica do casal. A série já se iniciou com uma sequência de giros de Bruna, ganhando a pista, sucedida por uma condução conectada pelas mãos.

Depois de alguns gestos mais sutis e da apresentação da bandeira, o casal entrou no refrão central dando um show de bailado: Bruna, com seus rodopios enérgicos e cada vez mais técnicos; Diogo, com seus giros, usando muito os braços e ganhando agilidade.

Eles apresentaram alguns gestos de acordo com o samba, como no trecho “dedilha a guitarra”, na segunda parte da obra, em que Diogo mostrou um bom jogo de pernas, trabalhado em conformidade com seus movimentos de braços, sempre muito utilizados em seu bailado.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

No refrão de cabeça, finalizando a apresentação, Bruna evidenciou a qualidade de uma das principais porta-bandeiras da atualidade, realizando uma sequência de giros com extrema energia e beleza unidas, sempre com um desempenho visceral. Uma apresentação de muito entrosamento e qualidade absurda.

“Ficamos muito felizes com o resultado. Sabemos que sempre há ajustes a fazer, mas demos o nosso melhor hoje. Tudo o que foi proposto foi executado conforme o combinado, e foi emocionante sentir a força da nossa comunidade e o carinho de torcedores de outras escolas, todos se emocionando juntos”, disse a porta-bandeira.

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“Concluir esse primeiro ensaio técnico de forma positiva é muito importante. Agora é esfriar a cabeça, descansar, ouvir a equipe e ajustar o que for necessário. A gente já se sente preparado para o desfile e, na reta final, o objetivo é chegar no grande dia para fazer um grande desfile e transmitir ao público nosso amor pela dança e pela arte”, completou o mestre-sala.

EVOLUÇÃO

A Mocidade entendeu muito bem o que o regulamento pede em evolução após a inclusão dos subquesitos para o próximo carnaval. A escola realizou um excelente trabalho no quesito, com suas alas apresentando movimentos por todo o espaço, componentes trocando de posição, indo de um lado para o outro e se divertindo.

Foi um banho de ocupação de espaços e leveza em praticamente todas as alas. Já no ritmo de desfile, a estrela da Zona Oeste apresentou boa constância, sendo apenas um pouco mais lenta entre a segunda e a terceira cabines, com a cabeça da escola.

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Na ala de passistas, houve um movimento arriscado de abertura de espaço para a ala da frente, enquanto os passistas masculinos passavam pelas mulheres para ocupar esse vão. Na manobra feita próxima à última cabine de jurados, um espaço significativo foi aberto, o que pode ser entendido pelo jurado como uma falha.

A verde e branco terminou seu ensaio com força e tranquilidade, em 70 minutos completados.

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“Estou muito satisfeito com o que a escola apresentou hoje. O treino na Ministro Ary Franco surtiu efeito. Hoje veio uma Mocidade muito mais aguerrida, afim de vencer, cantando, vibrando e emocionando. A parte técnica, então, foi perfeição: a bateria conseguiu casar aqui com a terceira cabine. A Mocidade vem para brigar pelo Carnaval; é uma escola do povo, que vem representar a Zona Oeste. Nós nos preocupamos em deixar a evolução mais solta. A gente precisa fazer os componentes transitarem de um lado para o outro sem perder a fluidez e, além de transitar, eles têm que se divertir. É o que manda o regulamento, e conseguimos isso”, explicou Wallace Capoeira, diretor de carnaval.

HARMONIA E SAMBA

O leve samba da agremiação, apesar de algumas lacunas técnicas, possui uma letra fácil, que ajuda o canto dos componentes. Isso foi demonstrado durante a maior parte do ensaio da Mocidade, que contou com grande adesão das alas, cantando com muita potência não apenas os dois refrãos, mas também diversos outros trechos, como “transo rock e samba pra sentir prazer, agora só falta você, agora só falta você”.

Na segunda parte, o samba ganha uma subida de tom no trecho “se é caso sério, eu lanço perfume”, trazendo mais força ao canto da escola até o refrão de cabeça, que teve ótimo rendimento. Apenas nos minutos finais o canto apresentou alguma queda, mas, no conjunto, a harmonia funcionou com muita força e categoria.

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Igor Vianna teve um rendimento muito seguro junto com seus apoios, mostrando-se à vontade na condução da obra e crescendo durante o ensaio. O samba teve um ótimo desempenho na primeira metade da apresentação e um desempenho correto na parte final.

“Para o primeiro jogo-treino, eu sinceramente, com toda humildade, acho que fui bem, né? Agora é esperar o próximo jogo-treino na avenida, sempre querendo melhorar. Mas acho que precisa melhorar o som. Até antes do segundo recuo, nota mil. Do segundo recuo para cá na dispersão, ele deixou a desejar. Mas eu sei que a BMX e a rapaziada são bastante competentes e vão acertar isso aí. Não só para o desfile, mas já para o próximo”, comentou o intérprete.

OUTROS DESTAQUES

Mestre Dudu comandou mais um grande desempenho da bateria “Não Existe Mais Quente”, com inúmeras bossas e uma cadência bem estabelecida.

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A rainha Fabíola Andrade desfilou com uma peruca remetendo a Rita Lee e tapa-sexo nos seios, mostrando ousadia e desenvoltura à frente dos ritmistas.

O tripé utilizado pela Mocidade no ensaio trouxe várias mulheres vestidas como a homenageada, todas com a peruca vermelha.

Freddy Ferreira analisa bateria da Unidos da Tijuca no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico excelente da bateria Pura Cadência da Unidos da Tijuca, regida por mestre Casagrande. Uma conjunção sonora de raro valor foi exibida. Antes mesmo do início do samba do ano, mestre Casão pediu a palavra ao microfone para ajustar o volume altíssimo das caixas de som do recuo, que poderia, inclusive, tirar a referência sonora dos ritmistas e provocar desencontros. Uma atitude consciente e acertada de um mestre de bateria experiente, que garantiu uma subida segura e um primeiro recuo com ritmo enxuto.

Na cabeça da bateria Pura Cadência, um naipe de cuícas sólido marcou o samba com eficiência. Um naipe de chocalhos, com boa ressonância, exibiu-se de forma eficaz. Uma ala de tamborins de grande virtude coletiva mesclou, com precisão, os toques de “2 por 1” com o “3 por 1”, proporcionando, inclusive, um bom encaixe musical com o destacado naipe de caixas tijucano. Tamborins e chocalhos da Tijuca realizaram um trabalho conjunto de alto valor sonoro, entrelaçando-se musicalmente enquanto executavam desenhos rítmicos simples, porém bastante funcionais e com excelente execução coletiva.

Na cozinha da bateria tijucana, uma afinação de surdos absurdamente acima da média permitiu que os marcadores de primeira e segunda realizassem seu trabalho com classe e segurança. Os surdos de terceira imprimiram um balanço envolvente e único aos graves, inclusive nas bossas. Uma boa ala de repiques tocou em conjunto com um naipe de caixas de altíssimo nível técnico, demonstrando uma sonoridade coletiva bastante diferenciada. A consistência do toque das caixas da Tijuca serviu como base de sustentação para as demais peças, graças a uma disciplina musical nitidamente refinada.

Bossas seguindo as variações melódicas do samba tijucano também utilizaram, com perspicácia, dois artifícios musicais: a pressão sonora dos surdos e a diferença entre os timbres das afinações. Destaque para o belo arranjo da cabeça do samba, que ainda conta com uma subida de tamborins pontuada de modo eficiente. Impressiona a pressão que os surdos tijucanos imprimem nos arranjos apresentados e como o belo encaixe entre ritmo e a obra da escola do Borel ficou evidente, com uma criação musical bem pensada e executada com maestria.

Uma apresentação exemplar da bateria Pura Cadência da Unidos da Tijuca, sob o comando de mestre Casagrande. Um ritmo de exímia qualidade foi exibido, aliado a bossas de grande pressão sonora. A educação musical dos ritmistas tijucanos também merece destaque, inclusive nas retomadas das bossas. Um excelente treino em campo de jogo, mostrando uma bateria da Tijuca já pronta para brigar pela nota máxima após esse grande ensaio.

Freddy Ferreira analisa bateria da Mangueira no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma grande apresentação da ala de bateria da Estação Primeira de Mangueira, sob o comando dos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão. Um refinamento técnico apurado de todos os naipes se uniu a uma criação musical de bossas de alto impacto. Simplesmente brilhante a conjunção sonora de todos os instrumentos, aliada a uma equalização de timbres privilegiada, que permitiu perfeita fluência entre as peças.

Na parte da frente do ritmo mangueirense, uma ala de tamborins de qualidade técnica coletiva privilegiada executou, com maestria, um desenho rítmico complexo e de difícil execução. Um naipe de agogôs de duas campanas (bocas), eficiente e bem sincopado, deu um molho caprichado às peças leves. Uma ala de ganzás ressonante tocou com solidez. Logo à frente, vieram duas filas de xequerês, auxiliando o preenchimento musical da cabeça da bateria da Verde e Rosa. Uma ala de cuícas, com boa ressonância, também deu sua contribuição ao belo trabalho envolvendo as peças leves.

Na cozinha da bateria da Manga, percebeu-se uma potente afinação de surdos. Os marcadores de primeira tocaram com firmeza e segurança, enquanto os responsáveis pelo surdo-mor ficaram encarregados do balanço único mangueirense, com um luxuoso toque de seus ritmistas. Uma ala de repiques acima da média se uniu a um naipe de caixas de coletividade musical requintada. Impressiona a musicalidade destacada das caixas com o tradicional toque rufado da Estação Primeira, servindo como base sólida e preenchendo os médios com virtude sonora.

Na primeira fila da parte de trás do ritmo, um naipe de “timbaques” e timbales mangueirenses trouxe um swing especial, além de participação marcante nas bossas. Nas laterais da bateria, uma autêntica ala de marabaixos avançava para o corredor para executar uma bossa. Inclusive, vieram ritmistas amapaenses diretamente do estado do homenageado, mestre Sacaca, para dar um molho bem peculiar à sonoridade mangueirense, vinculando culturalmente o tema à música da Manga.

Bossas de musicalidade atraente foram apresentadas com precisão quase cirúrgica, todas seguindo fielmente o que o samba da Mangueira pedia, tanto em letra quanto em melodia. A encantadora bossa dos marabaixos é executada exatamente no trecho solicitado pela letra, evidenciando a integração impecável entre ritmo e música. Ela começa ainda no refrão do meio, com solo de “timbaques” e timbales, junto aos agogôs. Logo depois, entra um desenho pontual dos marabaixos, muito bem construído e fortemente atrelado à obra da escola. As demais bossas contaram com a técnica rítmica diferenciada de diversos naipes, além da pressão sonora causada pela pesada primeira marcação da Mangueira. Um conjunto de bossas de inegável impacto musical.

Um grande ensaio da bateria Tem que Respeitar Meu Tamborim da Estação Primeira de Mangueira, dirigida pelos mestres Taranta Neto e Rodrigo Explosão. Uma sonoridade de elevada qualidade técnica foi exibida em todas as peças, com musicalidade diferenciada nas paradinhas e forte integração com o samba mangueirense. O respeito ao solo de cada instrumento permitiu que cada peça tivesse seu momento específico para brilhar, demonstrando grande educação musical, tanto individual quanto coletiva. Um grande ensaio da bateria da Verde e Rosa, que retorna com seus instrumentos ao Palácio do Samba com esperança de um desfile exemplar, após esse tremendo sacode!

Freddy Ferreira analisa bateria da Mocidade no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria Não Existe Mais Quente (NEMQ), da Mocidade Independente de Padre Miguel, sob o comando do mestre Dudu. Um encaixe musical pleno entre bossas e samba foi obtido, propiciado por uma criação musical absolutamente acima da média. Uma bateria com seu típico andamento cadenciado, aliada a uma boa equalização de timbres, permitindo fluidez entre os mais diversos naipes.

Na cabeça da bateria da Estrela-Guia, uma ala de chocalhos — usando peruca vermelha de Rita Lee — tocou de modo exuberante, exibindo-se com classe, sem deixar de executar a popular subida cascavel nas retomadas das bossas. Um naipe de cuícas eficiente tocou junto a uma ala de agogôs sólida e funcional (vestindo arco de ovelha negra). Um naipe de tamborins de alta técnica musical desenhou ritmicamente, pontuando as nuances do melodioso samba independente e evidenciando uma coletividade rítmica acima da média.

Na parte de trás do ritmo independente, a peculiar afinação invertida dos surdos da Mocidade esteve exuberante. Tudo isso com marcadores de primeira e segunda realizando um ensaio seguro e firme. Os surdos de terceira, com seu balanço bastante envolvente, estiveram em nível exemplar, tanto no ritmo quanto nas bossas. Repiques de altíssima técnica musical tocaram junto a um naipe de caixas privilegiado, com sua batida tradicional característica, acentuando a “mão fraca”. Uma cozinha da bateria NEMQ em nível musicalmente muito bom.

Bossas altamente musicais e, até certo ponto, progressivas foram exibidas com garbo pela Não Existe Mais Quente. Todas se basearam nas variações da melodia do samba da verde e branca da Zona Oeste. Destaque para o belíssimo arranjo do estribilho, uma verdadeira aula de conceito criativo e execução precisa. Impressiona a adequação musical das paradinhas da bateria entre ritmo e samba. A musicalidade requintada da bossa do refrão do meio merece ser exaltada, assim como o encaixe perfeito na bossa da segunda parte do samba, com luxuoso auxílio das caixas. Tudo amplamente conectado à fluida obra independente. Absolutamente toda a criação conceitual do conjunto de paradinhas envolve conversas rítmicas bem apropriadas e altamente conectadas ao samba-enredo da agremiação.

Uma apresentação muito boa da bateria NEMQ da Mocidade Independente de Padre Miguel, dirigida pelo mestre Dudu. Um ritmo com conjunto de bossas bem atrelado ao que pedia a canção da Estrela-Guia. Com naipes de indiscutível nível técnico, as execuções desse amplo leque de paradinhas foram impecáveis. Pode-se dizer, inclusive, que o componente da escola foi impulsionado pelos arranjos dançantes e impactantes exibidos com qualidade nesse grande ensaio da bateria da Mocidade.

Freddy Ferreira analisa bateria da Acadêmicos de Niterói no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio próximo do correto da bateria Cadência de Niterói, na estreia do mestre Branco Ribeiro pela Acadêmicos de Niterói. A bem da verdade, a sonorização recente da Avenida esteve aquém do espetáculo, infelizmente. Logo na introdução para a subida do samba, ainda no primeiro recuo, o volume elevado das caixas causou um desencontro que poderia ter feito a bateria simplesmente subir torta. Nesse momento, mestre Branco Ribeiro foi enérgico, vindo pelo corredor no meio do ritmo e subindo a bateria Cadência de Niterói literalmente “no braço”. A atitude foi digna de aplausos, já que evitou um desastre ainda maior, diante de um processo de sonorização ainda embrionário e que necessita de certa ambientação.

Na parte da frente do ritmo da Cadência de Niterói, uma ala de cuícas tocou com bastante segurança, marcando o samba para as demais peças leves. Um naipe de chocalhos, com bom trabalho coletivo, se uniu a uma ala de tamborins de qualidade técnica, e ambos pontuaram as nuances rítmicas do ideológico samba da escola de Niterói com eficácia.

Na cozinha da bateria da Niterói, uma boa afinação dos surdos serviu de base para que os marcadores de primeira e segunda ensaiassem de modo correto. Os surdos de terceira foram o ponto alto da parte de trás do ritmo, com um trabalho sólido tanto no ritmo quanto nas bossas, nas quais foram bastante exigidos. Um naipe de caixas com bom volume tocou junto a repiques coesos, preenchendo a sonoridade dos médios com eficiência.

Bossas baseadas nas variações melódicas do samba foram exibidas. O ponto alto da musicalidade ficou por conta do belo arranjo da primeira parte do samba, encorpado e bem costurado à obra da agremiação. Uma bossa que começa com os ritmistas se abaixando e levantando após uma rápida subida com tapas progressivos, para depois aproveitar as diferentes timbragens dos surdos, além de contar com pressão sonora e uma caprichada conversa rítmica. Destaque também para a paradinha do pré-refrão antes do estribilho, com um eficaz trabalho envolvendo o naipe de caixas no arranjo. Ainda assim, é necessário cuidado e atenção nas retomadas, evitando eventuais desencontros rítmicos ao longo do cortejo.

Um ensaio da Cadência de Niterói que deixa margem para eventuais melhorias, visando o desfile oficial. Um ritmo bem vinculado ao samba-enredo da escola, aproveitando as variações da melodia para imprimir sua sonoridade. Com trabalho destacado dos surdos de terceira, inclusive nas paradinhas, as bossas integradas ao samba foram sendo apresentadas com firmeza cada vez maior ao longo do cortejo. Alguns desencontros nas retomadas das paradinhas foram percebidos, mas rapidamente ajustados por diretores atentos e bastante participativos. Um ensaio de estreia produtivo de mestre Branco Ribeiro pela Acadêmicos de Niterói.

Entre raízes, canto forte e evolução segura, Mangueira enfeitiça o Sambódromo

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Por Guibsom Romão, Matheus Morais, Luiz Gustavo e Marcos Marinho

Com uma comissão de frente primorosa, um casal de mestre-sala e porta-bandeira de excelência e um canto estonteante, a Mangueira deixou a Sapucaí encantada com a magia da Estação Primeira do Amapá. A Verde e Rosa, a terceira escola a ensaiar na primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial, fecha o domingo de carnaval, 17 de fevereiro, com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidney França.

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Fotos: Guibsom Romão/CARNAVALESCO

O enredo homenageia Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, que foi um curandeiro conhecido como um “doutor da mata”, pois transformou o saber empírico sobre ervas e raízes em uma ponte entre a ancestralidade e a ciência. Além da homenagem ao Mestre, o enredo enaltece as tradições afro-indígenas do Norte do Brasil, em específico o Amapá, a Amazônia Negra, onde o Mestre Sacaca viveu e fincou sua raiz.

O Amapá esteve evidente em todo o cortejo verde e rosa na Sapucaí, mas sobressaiu na bateria, na qual 15 caixeiros(as) de marabaixo, vindos diretamente do Amapá, inclusive, uma neta do mestre Sacaca, executaram uma bossa com o instrumento do estado nortista em evidência.

COMISSÃO DE FRENTE

Sob a coordenação dos coreógrafos Karina Dias e Lucas Maciel, os 15 componentes, dos quais 14 estavam vestidos de rosa da cabeça aos pés e um pivô representava um preto-velho, transmitiram, por meio de seus figurinos, a natureza mística, orgânica e encantada do enredo. A coreografia se baseou inteiramente no chão, como uma raiz que brota do solo e se fortifica: das folhas que cresceram, fez-se um chá medicinal para beber; das flores que desabrocharam, saiu um aroma encantado, que enfeitiçou a Sapucaí de ponta a ponta, das arquibancadas às frisas.

Foi uma dança executada com muita precisão diante das três cabines de jurados; tudo deu certo. A coreografia apresentava um alto nível de sofisticação e execução. Alguns elementos cênicos, como dois tecidos que se uniam por velcro e formavam um solo com raízes neon, e que precisavam ser desgrudados no momento exato, foram manipulados com maestria nas três apresentações, assim como uma bandeira que unia as bandeiras do estado do Amapá e da Mangueira e era entregue ao preto-velho, sendo repassada corretamente para que todos pudessem vê-la do lado certo.

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Ainda sobre o momento do tecido de raízes, no qual as luzes da avenida se apagavam e uma luz neon era acesa, deixando em evidência as raízes desenhadas no tecido, alguns componentes brotavam em seu meio, levantando o público presente, assim como no momento da entrega da bandeira.

Em suma, mais uma noite de gala para o casal de coreógrafos da Verde e Rosa e seus componentes. O conjunto coreográfico, aliado aos figurinos e aos elementos cênicos, construiu uma apresentação coesa e visualmente impactante, que traduziu com clareza o misticismo e a força orgânica do enredo. A precisão na execução, o sincronismo entre luz, movimento e cenário, além das interações que despertaram reação imediata do público, evidenciaram o alto nível técnico e artístico do grupo. Com isso, a performance se consolidou como um momento marcante do ensaio, unindo estética, narrativa e emoção em uma exibição segura e encantadora.

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“A execução é sempre um desafio. Quando a gente vem para cá, é um desafio enorme, mas eles conseguiram executar tudo o que a gente vem treinando, com o fôlego e a dinâmica da coreografia. Claro que não será a mesma coreografia do desfile, mas as dinâmicas são parecidas, justamente para treinar esse fôlego e essa resistência. A cabine espelhada acho que será uma grande surpresa, tanto na forma como cada escola vai trabalhar sua apresentação quanto na maneira como cada jurado irá avaliar. Na semana que vem, como estaremos muito perto do desfile oficial, não mudaremos muito. Claro que a gente sempre pensa em alguma coisa para ser diferente, mas deve ser praticamente a mesma ideia, com a mesma energia”, comentou Karina Dias.

“O ensaio técnico serve para trabalharmos tudo o que foi ensaiado, mas a gente não pode deixar de trazer uma surpresa que as pessoas esperam. O ensaio técnico virou um novo show, então pensamos em preparar algumas coisas especiais para a galera curtir. Pegamos os detalhes do minidesfile, um pouco do que vamos trazer para o oficial, juntamos e fizemos o espetáculo de hoje. A gente já tinha a característica de trabalhar uma coreografia de forma que todo o público pudesse participar desse trabalho com a gente. Óbvio que agora há momentos que precisarão de reverência para o jurado, mas nosso trabalho já abrangia todos os lados. Foi um acerto colocar a cabine espelhada para poder contemplar, de fato, os dois lados”, citou Lucas Maciel.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Vestidos de dourado, o casal-furacão da Visconde de Niterói, Matheus Olivério e Cintya Santos, entrou com o vigor de sempre para se apresentar nas cabines de julgadores. Está evidente o quanto o casal exala felicidade, sintonia e companheirismo; isso se reflete na notável e exemplar sintonia que demonstram a cada apresentação juntos. O encantamento mútuo entre eles, em alguns momentos, assemelha-se à atração de ímãs, pois suas mãos se juntam suavemente, mas com muita precisão e magnetismo.

Com uma coreografia vigorosa, porém muito delicada, o casal foi aclamado pelas arquibancadas e frisas do começo ao fim. Matheus, que apresentou uma dança madura, leve e sagaz, deslizou pela avenida com maestria; seu desempenho foi irretocável. Cintya, que poderia dançar com os olhos vendados, transmite a sensação de segurança no que faz e muito controle de todo o seu corpo.

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A clássica bandeirada da porta-bandeira, ao se despedir dos jurados no fim da apresentação, foi arrepiante. Se há um símbolo deste ensaio que ilustra o primeiro verso do samba, “Finquei minha raiz”, é essa bandeirada.

“É importante enfatizar que são quatro coreografias, e a gente está trabalhando desde junho, com coreógrafa nova e empenho máximo. Ainda mais porque o ano passado foi um trabalho de muita luta, mas também de vitória, já que a nossa entrega de dança foi maravilhosa. A despontuação foi em cima da fantasia. Está sendo muito gratificante confirmar a parceria e afirmar, no cenário, o casal Furacão, empenhando, colocando a grife e a nomenclatura de um casal da Estação Primeira de Mangueira, com características próprias, que defende sua identidade até o final e defende o seu trabalho em qualquer lugar. Ainda mais defendendo o pavilhão da Estação Primeira de Mangueira na avenida, em busca da nota máxima, que é o mais importante para a gente, para a nossa comunidade e para essa gestão inteligente da Guanayra, que dá todo o suporte possível. Estou muito feliz com tudo o que a gente entregou hoje e vou te falar, de coração: acho que nunca falei isso, mas a gente brincou”, disse o mestre-sala.

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“Brincamos hoje pela primeira vez em quatro anos. É o meu quarto ano na Estação Primeira de Mangueira, e fiquei feliz por me sentir em casa e poder dizer que hoje eu me diverti. Hoje o casal Furacão foi furacão. Vocês viram que ainda temos pontos para acertar; sempre há algo para melhorar, a gente sempre busca a perfeição, apesar de ela não existir. Então, sempre tem um detalhe, alguma coisa para acrescentar ou tirar. Sim, há observações a fazer, e na sexta-feira que vem vocês vão ver ainda melhor”, completou a porta-bandeira.

HARMONIA E SAMBA

O departamento musical da Mangueira, com Dowglas Diniz no comando do microfone principal, merece todos os louros. O canto da comunidade foi impecável, entoado com entusiasmo, nuances e muita garra. Para quem duvidava do desempenho do samba na avenida, a comunidade deu a resposta. O canto foi exemplar; a comunidade deu o tom do samba neste ensaio.

O carro de som estava, como sempre, em estado de graça. Dowglas fez uma apresentação de altíssimo nível em sua primeira vez sozinho no microfone principal da Mangueira na Sapucaí; a Mangueira do Amanhã produziu um fruto que veio para ficar.

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O trecho “Iyá, Benedita de Oliveira” é ovacionado e continua fazendo uma boa abertura para o refrão principal, trazendo o público junto, assim como já era notado nos ensaios de rua.

No entanto, é preciso atenção ao canto da escola como um todo, pois no paradão há uma quebra de expectativa quanto ao volume do canto.

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“Analisando a nossa passagem, o carro de som, juntamente com a bateria, conseguiu colocar em prática tudo aquilo que a gente vem ensaiando. Estou muito feliz com o resultado de hoje e acredito que, na sexta-feira, a gente tem que manter esse padrão para chegar ao dia do desfile como passamos aqui, cantando o samba e envolvendo todos que estavam na Marquês de Sapucaí. No som, está rolando um delayzinho no retorno, mas já estamos conversando com a equipe. Tenho certeza de que, até o dia do desfile, a gente conseguirá acertar isso e vai dar tudo certo. Mas, comparando ao som de antes, o som de hoje é, sem palavras, excelente”, assegurou o intérprete Dowglas Diniz.

EVOLUÇÃO

A Mangueira deu uma aula de evolução, pois nem estagnou nem correu. Sua experiência foi posta à mesa, e a escola soube administrar o tempo e a avenida. Com alas espaçadas, fluidas e com muitos componentes dançando, a Verde e Rosa transformou o percurso em um verdadeiro desfile técnico, demonstrando maturidade e consciência coletiva. Foi um ensaio com muitas nuances. Não houve buracos nem atropelos: cada setor parecia compreender exatamente o seu papel dentro do conjunto, permitindo que o espetáculo se mantivesse vivo do início ao fim. A cadência constante favoreceu o canto forte da comunidade. Foi uma evolução segura, mas sem acomodação, um equilíbrio que evidencia entrosamento e preparo, mostrando que a escola não apenas ensaia, mas constrói, passo a passo, uma performance pensada para brilhar na avenida.

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“Já estamos batendo papo aqui. Foi um ensaio bom, com bom canto e boa evolução; é o que a gente vem aprendendo na Visconde. Aqui a gente sente alguma diferença: já fizemos um tempo maior de avenida, mas não tem carro alegórico. Então, aquela inércia do carro, para sair aqui, é o empurrador que empurra a placa, e a gente estava dosando isso. Fizemos o tempo bem encostado na mão, para brincar mesmo, vamos usar o tempo inteiro e já estamos conversando sobre isso. Há correções a fazer. Na segunda-feira, vamos ter uma reunião no barracão, um bate-papo com a liderança. Tenho certeza de que a gente já está chegando ao topo da montanha para o próximo ensaio e, depois, para o grande desfile do carnaval”, explidou Dudu Azevedo, diretor de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

A ala das crianças é o resumo de tudo o que há de mais belo no cortejo da escola; elas performam nas bossas e imitam passos das rainhas e musas.

A rainha de bateria Evelyn Bastos é sempre um destaque quando a Mangueira está na avenida. Vestida de indígena, com penas verde e rosa e pintura corporal, Evelyn sambou como sempre e encantou o público, que a ovacionou.

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“Estou extremamente feliz com o que foi apresentado hoje. A galera absorveu muito bem tudo o que ensaiamos, o nervosismo natural do primeiro ensaio foi controlado e o resultado até superou a nossa expectativa. O som atendeu bem na nossa passagem, deu base para a bateria executar tudo como foi pensado. Com ajustes normais para o próximo ensaio, a tendência é vir ainda melhor, se continuar assim, vamos buscar os 40 pontos”, garantiu mstre Rodrigo Explosão.

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“A avaliação é super positiva. Já no primeiro box deu para sentir a energia: a escola evoluiu bastante e, principalmente, cantou. A bateria foi perfeita hoje; claro que sempre há detalhes para lapidar, como andamento e alguma bossa, mas tudo funcionou. Tivemos pequenos ajustes de retorno no início e um leve delay na avenida, nada que atrapalhasse. No geral, foi um ensaio muito positivo da Mangueira”, afirmou mestre Taranta Neto.

“Movidos pela emoção, guiados pela dança: Matheus e Cintya em um Carnaval de revolução”

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Em busca dos sonhados 40 pontos, o Casal Furacão encara a reta final para o próximo Carnaval com trabalho intenso. Em conversa com o site CARNAVALESCO, Matheus e Cintya falam sobre a preparação para o desfile e as adaptações para a apresentação diante da cabine dupla de jurados.

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Foto: Divulgação/Mangueira

 

Com a coreografia pronta para o grande dia, o casal garante que está intensificando os ensaios. “Está lindo. Pode ter certeza de que vai ser uma apresentação bonita. E, na cabine espelhada, será uma apresentação diferente também. Eu falo sempre que saímos da zona de conforto, mas estamos prontos”, comentou Cintya.

Refletindo sobre a mudança no julgamento, agora com cabine dupla de jurados, a porta-bandeira vê a novidade como uma forma de revolucionar a dança dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. “Eu saí da zona de conforto. Hoje a gente vai poder dançar para ambos os lados, revolucionar a dança. E, para a gente, pode ter certeza de que vai ser lindo. Vai ser uma apresentação bem bonita”, afirmou.

Defendendo juntos o pavilhão da Verde e Rosa desde 2023, o casal exalta a parceria e a emoção, e rasga elogios um ao outro. “Sobre o Matheus, tenho que destacar a parceria. Ele é um mestre-sala parceiro em todos os momentos, não só na dança, mas fora dela também. Não é só meu mestre-sala, hoje ele é meu irmão”, disse Cintya.

“Emoção e alegria. Ela traz emoção para a dança e para a parceria, e traz alegria também. Ela nasceu para isso. É muito maneiro olhar para a pessoa e admirar tanto talento, perceber que ela nasceu para isso. Vem de berço, vem de família. Então a gente cria uma referência, e ter essa referência do lado dançando é muito gratificante, só engrandece ainda mais a nossa dança”, compartilhou Matheus.

Conhecidos pela força no bailado, pelos giros precisos e pela icônica bandeirada de Cintya ao final da apresentação, o casal garante que fará jus ao apelido “Furacão” por mais um ano. “É uma união de respeito e parceria que está dando certo, e a gente promete continuar assim”, declarou Cintya.

“O retorno que abraça: Raphael e Dandara projetam emoção no desfile de volta para casa”

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As pessoas se apertam nas ruas estreitas do Boulevard 28 de Setembro para ver a Vila Isabel tomar a rua pela primeira vez em 2026. O primeiro casal, Raphael e Dandara, se posiciona alguns minutos antes do esquenta e, logo, crianças e torcedores se aproximam para desejar boa sorte e dar um abraço na dupla. Assim é a recepção do casal em mais um ensaio para o Carnaval que marca o retorno de ambos à Vila Isabel, abraçados pela comunidade. Em conversa com o site CARNAVALESCO, Raphael e Dandara falaram sobre as expectativas para o desfile e as novidades no julgamento do Carnaval 2026.

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

“Essa volta está sendo bem especial para nós dois, que vivemos momentos diferentes na Vila Isabel e estamos retornando juntos, mais amadurecidos, como casal também amadurecido. E viver esse momento, viver Heitor, que é um enredo que é a cara da Vila Isabel, que é o jeito da Vila Isabel desfilar, cantar, pulsar o coração do vila-isabelense… As expectativas são enormes. É trabalhar bastante para a gente poder chegar ao campeonato”, declarou Raphael.

Com foco total nos 40 pontos, o casal reflete sobre o trabalho que vem realizando e destaca o acolhimento da comunidade. “Estamos à vontade, satisfeitos com a coreografia que estamos criando, com o avanço que temos tido nesses ensaios, com a conexão com a escola, com a comunidade, com esse reencontro, esse reabraço. O balanço é 100% positivo, mas sempre existe algo para melhorar, um detalhe aqui, outro ali, que vamos ajustando nessa reta final”, avaliou a porta-bandeira.

Além disso, eles creditam o bom desempenho ao cuidado de uma equipe multidisciplinar. “Ninguém faz nada sozinho. A gente tem a nossa equipe: a Cátia Cabral, nossa coreógrafa; o Rafael Japa, nosso preparador; o Arnaldo Gomes, nosso fisioterapeuta; a Aline Almeida, nossa apresentadora. É um trabalho coletivo, cada um contribuindo um pouco para o resultado. Estamos trabalhando cada vez mais para, se Deus quiser, chegar ao êxito, que são os 40 pontos”, acrescentou o mestre-sala.

Ao falar dos desejados 40 pontos, o casal avalia que a nova forma de julgamento, com cabine dupla de jurados, será um momento emblemático para os casais. “A gente acha que é um momento muito importante, vai ser emblemático. Estamos criando novos parâmetros e veremos como isso vai funcionar, de fato, na avenida. Tivemos encontros com a LIESA durante a preparação, que nos deixaram muito entusiasmados, porque acreditamos que haverá uma valorização maior da dança do casal e da conexão entre mestre-sala e porta-bandeira. Estamos nessa busca”, afirmou Dandara.

Ainda refletindo sobre a avaliação, o casal resume a receita para os sonhados 40 pontos. “Trabalho. Tem que ter foco na entrega”, disse Dandara. “Essa é a chave. É o único lugar em que o trabalho vem antes do sucesso. É só trabalho”, completou Raphael.

Com cinco anos de parceria, o casal exalta as qualidades um do outro. “A Dandara é minha pedra preciosa. Então, preciso cuidar, cultivar, para que ela esteja sempre brilhando. É isso que eu preciso fazer”, declarou o mestre-sala.

“O principal é essa parceria. O Raphael é um mestre-sala com uma carreira incrível, um olhar sensível, e conseguimos construir juntos essa parceria. A generosidade dele nesse processo é uma das coisas que mais admiro”, ressaltou a porta-bandeira.

Pensando no desfile, o casal adianta novidades sobre as fantasias com as quais defenderão o pavilhão azul e branco. “A fantasia foi um grande presente dos carnavalescos, e estamos muito felizes. Também estamos com o ateliê do Bruno Oliveira, que chega ao Rio de Janeiro neste ano. Acompanhávamos o trabalho dele há muito tempo. Não posso dizer que nossas expectativas são apenas altas, porque já estamos vendo o resultado, mas elas são enormes para o grande dia. Essa união torna tudo ainda mais especial: a fantasia, o enredo, a dança. Vivemos um momento muito especial que reúne tudo isso”, compartilhou Dandara.

Foco na Harmonia: Mangueira se prepara para mudanças no julgamento

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No Carnaval 2025, o desejado gabarito no quesito Harmonia foi derrubado por uma única nota 9,7. Para este ano, a Mangueira se empenha em alçar voos mais altos. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o mestre Rodrigo Explosão falou sobre como a escola tem se debruçado sobre as novas exigências do quesito na preparação para o próximo Carnaval.

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“Fomos a uma plenária na Liesa em que explicaram tudo, como seria esse formato. Nós gostamos muito, achamos interessante, até para a gente e para todo mundo começar a entender, de fato, o que está sendo pedido. Desde que esse novo formato, com os subquesitos, foi apresentado, reunimos a bateria e trabalhamos as questões de bossa, de desenhos e de andamento. Tudo baseado no que eles estão pedindo, para alcançarmos a nossa nota”, disse.

Para o mestre, as mudanças são benéficas tanto para as baterias quanto para os jurados: “Eu acho que vai ser a melhor maneira possível de julgar. Os próprios jurados vão prestar mais atenção em cada detalhe que está sendo pedido nos subquesitos. Hoje você não chega lá para perder nota; hoje você tem que ganhar a sua nota. Então a gente está chegando para ganhar e botar o julgamento debaixo do braço para buscar o quarenta”, afirmou.

Como uma das mudanças para o próximo Carnaval, agora Dowglas Diniz dá voz aos sambas da Estação Primeira sozinho. Segundo Rodrigo, a decisão da presidente Guanayra Firmino foi um grande acerto, e ele destaca a ligação do intérprete com o carro de som e a bateria.

“Ele é oriundo da bateria, foi ritmista durante uns quatro ou cinco anos. Ele não queria sair da bateria para virar intérprete; foi a gente que insistiu muito. Graças a Deus ele está lá. É um cara muito colado com a gente, tanto ele quanto o Vitor e o Digão. Sempre vamos aos ensaios, estamos sempre ouvindo, sempre em conversa. Somos ligados um ao outro. Conversamos, debatemos e decidimos sobre as bossas, quantos acordes vão colocar, o que acham dos cacos do Dowglas, se vai atrapalhar a bateria ou não. Nos preocupamos com os mínimos detalhes. Eu acho que isso enriquece muito a musicalidade da Mangueira e está dando resultado”, compartilhou.

Para a Tem Que Respeitar Meu Tamborim, a criatividade exigida no julgamento não é problema e faz a equipe sair da zona de conforto: “É uma coisa que já vinha sendo utilizada. Agora somos obrigados a fazer paradinhas criativas, até com mais complexidade, que não fiquem só no comum, e a gente está puxando para esse caminho. Eu gostei, porque vai nos tirar da zona de conforto. Vamos precisar trabalhar um pouco mais para atender a todos os critérios do julgamento”, declarou.