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Freddy Ferreira analisa bateria do Salgueiro no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio da bateria “Furiosa”, do Acadêmicos do Salgueiro, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Uma bateria salgueirense com forte impacto da pressão sonora do peso dos surdos nas bossas, apresentando um ritmo bem vinculado às suas principais características. O saudosismo envolvido nos novos surdos de acrílico serviu como estímulo emocional para a boa entrega energética dos ritmistas, além de prestar uma merecida homenagem ao eterno mestre Louro.

Na parte da frente do ritmo salgueirense, uma ala de cuícas seguras se exibiu com solidez. Um naipe de chocalhos, fazendo jus ao nome, apresentou um apurado nível técnico coletivo. Uma ala de tamborins de inegável qualidade sonora complementou as peças leves, realizando um desenho rítmico pautado pelas nuances melódicas do samba da escola branca e encarnada do bairro da Tijuca.

Na cozinha da “Furiosa”, uma excelente afinação pesada de surdos foi percebida, bem conectada à tradição salgueirense. Linda homenagem à própria história musical do Salgueiro foi o renascimento dos surdos de acrílico, tão famosos na época do lendário mestre Louro. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza característica e segurança, inclusive quando luxuosamente requisitados nas bossas. Os surdos de terceira deram um balanço envolvente aos graves, além de participarem de forma efetiva dos arranjos das bossas, sempre com requinte. Repiques coesos tocaram junto de um naipe de caixas sólido e de uma boa ala de taróis, contribuindo para o preenchimento dos médios e dando aquele molho “furioso” ao ritmo do Torrão Amado.

Bossas de boa musicalidade foram exibidas com precisão por ritmistas muito bem ensaiados. Sempre seguindo as variações melódicas do samba-enredo para consolidar o ritmo, contaram com pressão sonora proveniente do peso dos surdos, além de um trabalho caprichado dos surdos de terceira nos arranjos. Paradinhas de certa complexidade foram apresentadas com tamanha segurança que a fluência musical, mesmo diante de arranjos com elevada dificuldade de execução, manteve-se intacta.

Uma ótima apresentação da bateria “Furiosa” do Salgueiro no ensaio técnico, dirigida pelos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo possante, proporcionado por uma afinação de surdos bem pesada, plenamente inserida na tradição musical salgueirense. Bossas impactantes e dançantes foram exibidas com bastante precisão, com os ritmistas demonstrando segurança absoluta mesmo diante de arranjos complexos.

Freddy Ferreira analisa bateria da Vila Isabel no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria “Swingueira de Noel”, da Unidos de Vila Isabel, regida por mestre Macaco Branco. Uma conjunção sonora de raro valor musical foi obtida, graças a uma afinação pesada de surdos, à fluência impecável entre os naipes e a uma equalização de timbres privilegiada.

Na cabeça da bateria da Vila, uma ala de chocalhos primorosa executou com brilhantismo técnico um desenho rítmico, pontuando as melodias do belo samba da escola. Tudo interligado a um naipe de tamborins musicalmente muito acima da média. A convenção rítmica dos tamborins, mesmo com certo grau de dificuldade, foi executada de modo cirúrgico. Impressionante a coletividade musical de todo o naipe, em que, por toda a pista, parecia haver apenas uma peça tocando, graças à pulsação rítmica semelhante entre todos os ritmistas. Muita educação musical e coesão rítmica no casamento especial entre tamborins e chocalhos. Diferentemente de anos anteriores, as cuícas vieram enfileiradas por dentro da bateria, fugindo da organização tradicional e reverberando sua sonoridade ao longo de todo o ritmo. O feijão com arroz bem temperado dos cuiqueiros da Vila Isabel ajudou a marcar o samba com qualidade musical para os demais ritmistas.

A parte de trás do ritmo da Vila contou com uma afinação de surdos acima da média, conferindo o aspecto peculiar à bateria da escola do bairro de Noel. Surdos de primeira e de segunda tocaram com firmeza e segurança, contribuindo tanto para a marcação do ritmo quanto para a explosão sonora das bossas. Os surdos de terceira, com um balanço bastante envolvente, deram molho à sonoridade dos graves com eficácia, inclusive nas paradinhas. Um naipe de caixas tocando de forma reta e consistente atuou junto a uma ala de taróis tecnicamente privilegiada, com sua clássica batida rufada. Um naipe de repiques de alto valor técnico também auxiliou no preenchimento da musicalidade dos médios.

Bossas amplamente conectadas ao melodioso samba da Vila foram exibidas, sempre executadas de maneira impecável. Um conjunto de bossas que misturou a pressão sonora da afinação pesada dos surdos ao trabalho técnico apurado das mais diversas peças. São paradinhas sobretudo dançantes, como a conversa rítmica diferenciada no refrão do meio, que ainda conta com uma retomada clássica da Vila assim que entra a segunda do samba. Uma criação musical destacada pela boa integração com a obra vilaisabelense.

Uma excelente apresentação da bateria da Unidos de Vila Isabel, comandada por mestre Macaco Branco. Um ritmo autêntico da bateria da Vila, com marcações pesadas, caixas retas consistentes e um balanço inigualável no toque dos taróis. O casamento musical entre tamborins e chocalhos também merece menção, diante de tanta integração. Bossas dançantes auxiliaram a impulsionar os componentes, engrandecendo um dos mais lindos sambas do carnaval.

Opinião! Como foram os ensaios de sábado no Anhembi

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Dudu Azevedo fala sobre segundo ano como diretor de carnaval da Mangueira, organização interna e expectativas para 2026

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Pelo segundo ano consecutivo à frente da direção de Carnaval da Estação Primeira de Mangueira, Dudu Azevedo afirma viver um momento de grande responsabilidade e realização pessoal. Sambista de berço, ele destaca que ocupar o cargo em uma escola com a dimensão histórica e simbólica da Mangueira ainda é algo difícil de mensurar. “É muita honra e muita glória estar na Mangueira. Eu não sei mensurar a grandeza de ver que hoje eu estou na maior coisa chamada planeta, que é a Mangueira”, afirma.

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Dudu ressalta que fazer parte da escola representa integrar uma instituição marcada pela ancestralidade e pela identidade negra. “É uma escola de raiz, que respeita o samba e que representa, com certeza, a maior cultura do Brasil”, diz. Segundo ele, o trabalho na direção de Carnaval é coletivo e sustentado por um grupo de lideranças internas que participa ativamente das decisões estratégicas do desfile.

Ao comparar os carnavais de 2025 e 2026, Dudu aponta um avanço significativo na maturidade do projeto. “No ano passado, a galera acreditou. Este ano, a galera já faz”, resume. Para ele, a principal mudança está no nível de engajamento da comunidade e das equipes envolvidas. “O trabalho parece mais sólido. Existe cooperação, abraço ao projeto e uma sensação de que todo mundo já entendeu o caminho”, afirma. Dudu destaca ainda a rotina de reuniões semanais e debates internos como parte fundamental desse processo.

Outro ponto destacado pelo diretor é o momento financeiro vivido pela escola, que, segundo ele, tem impacto direto na qualidade do trabalho desenvolvido no barracão. “A Mangueira hoje tem a ministra do Planejamento, a presidente Guanayra Firmino. A forma como ela dá condições de infraestrutura e como todos os profissionais recebem em dia faz muita diferença”, explica. Ele cita ferreiros, carpinteiros, aderecistas e equipes de ateliê e barracão como parte de uma engrenagem que depende de organização e previsibilidade.

“O reconhecimento financeiro é fundamental para o trabalho artístico. O artista gosta do reconhecimento financeiro, e isso permite cobrar e exigir o trabalho com responsabilidade”, afirma. Segundo Dudu, a gestão da escola trata o cumprimento dos pagamentos como obrigação básica. “Quando a gente conversa, ela fala que não está fazendo nada demais, está fazendo o que é certo”, completa.

Dentro desse processo, o trabalho plástico desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França ganha centralidade. Dudu avalia que o artista chega ao segundo Carnaval com a Mangueira mais seguro de sua linguagem e mais conectado à identidade da escola. “O Sidnei já fez um Carnaval muito bonito no ano passado, e agora ele vem com uma assinatura ainda mais clara de Mangueira”, afirma. Para o diretor, o carnavalesco conseguiu assimilar pedidos e sensibilidades do mangueirense sem abrir mão de seus próprios traços. “Ele tem uma assinatura muito bela, com traços que só ele tem”, destaca.

Dudu ressalta que a estética do desfile de 2026 nasce do cotidiano do barracão e da convivência direta com o processo criativo. “É emocionante estar no barracão todos os dias acompanhando o trabalho dele”, afirma. Segundo ele, a leitura visual do desfile deve evidenciar identidade, acabamento e coerência plástica, pontos considerados fundamentais para a Mangueira.

Novo sistema de som da Sapucaí provoca avaliações, comparações e expectativas do público na primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial

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A primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí foi também um grande teste de escuta. Além das baterias afinadas, dos intérpretes aquecendo a voz e das arquibancadas voltando a pulsar, o público acompanhou atento a estreia do novo sistema de som da Passarela do Samba, que substitui o tradicional carro de som e promete uma experiência mais uniforme ao longo da avenida.

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A novidade, no entanto, ainda em fase de ajustes, provocou percepções diversas entre o público presente, que avaliou desde a distribuição do áudio nos setores até a clareza da bateria e da voz dos intérpretes. Para muitos, o primeiro impacto foi positivo; para outros, as falhas pontuais acenderam o alerta para a necessidade de correções antes dos desfiles oficiais.

Autônoma e torcedora da Portela, Alessandra Guedes acompanhou os ensaios mesmo com o coração dividido em casa — o marido é da Mocidade Independente. Para ela, o sistema ainda precisa de ajustes, mas o saldo da estreia é animador.

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“Tiveram muitas falhas no som e espero que a gente consiga corrigir a tempo, mas está muito bom. No geral, dá pra curtir”, avalia.

A análise mais técnica veio de Paulo Roberto Rodrigues, profissional da área de tecnologia e audiovisual e torcedor da Mocidade. Ele destacou que os problemas não foram generalizados, mas localizados.

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“O som pecou muito na hora da Niterói e no início da Mocidade. O esquenta não chegou até o setor 1, ficou um pouquinho a desejar”, explica. Ainda assim, ponderou que a experiência não foi comprometida por completo. “Teve falha, mas dá pra ouvir bem. Está maneiro.”

A questão da distribuição sonora entre os setores foi um dos pontos mais citados pelo público. Angela Rosa, empregada pública federal e portelense, chegou após as primeiras escolas, mas conseguiu perceber diferenças importantes durante o ensaio da Mangueira.

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“Consegui ouvir a voz do cantor, mas a bateria eu não consegui ouvir bem”, comenta, chamando atenção para o equilíbrio entre os elementos sonoros, fundamental para o julgamento e para a emoção do desfile.

Entre os mais jovens, a recepção foi marcada pelo entusiasmo. Letícia, de 25 anos, atendente de padaria e torcedora da Estação Primeira de Mangueira, aprovou a mudança logo de cara.

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“Eu estou achando espetacular do início ao fim. Mudou bastante, melhorou muito. Não tenho o que reclamar”, afirma. Segundo ela, não houve falhas tão perceptíveis, nem mesmo nos momentos mais sensíveis do ensaio técnico.

Na arquibancada, a comparação com o antigo carro de som foi inevitável. Valesca Cristina Siqueira de Figueiredo, de 43 anos, auxiliar administrativa e mangueirense, destacou que a principal melhoria está na continuidade do áudio ao longo da avenida. “Está muito melhor do que com o carro de som. Antes tinha aquele problema de a bateria passar e ficar sem som em alguns pontos. Agora a gente consegue escutar melhor a bateria e o intérprete”, avalia.

Apesar das avaliações distintas, o sentimento predominante entre o público foi de expectativa. A estreia do novo sistema de som é vista como um avanço estrutural importante para o espetáculo, mas também como um processo em construção, que exige testes, escuta ativa e ajustes finos.

Amazônia Negra ganha corpo e alma na comissão de frente da Mangueira para o Carnaval 2026

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Durante o primeiro ensaio técnico realizado na Marquês de Sapucaí, na última sexta-feira, a dupla de coreógrafos da Estação Primeira de Mangueira, Lucas Maciel e Karina Dias, conversou com o CARNAVALESCO sobre as expectativas para a comissão de frente no Carnaval 2026. Em meio ao clima de ajustes finais e intensa preparação, os dois falaram sobre o momento da carreira, o amadurecimento do trabalho no Grupo Especial e os desafios impostos pelo novo formato da cabine espelhada, além de comentarem o que o público pode esperar da performance da Verde e Rosa.

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A Mangueira levará para a Avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França. A proposta exalta os saberes ancestrais afro-indígenas, a medicina da floresta e o marabaixo do Amapá, homenageando Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, curandeiro e defensor das tradições amazônicas. Dentro desse universo simbólico, a comissão de frente terá papel central na apresentação da narrativa, traduzindo em movimento, imagem e emoção a força espiritual e cultural do tema.

Ao falar sobre o significado desse trabalho em suas trajetórias, Karina destacou o processo de construção contínua e o amadurecimento artístico.

“Acho que é uma crescente, não me sinto nem lá em cima, nem começando. Estamos numa escadinha que, graças a Deus, vem dando certo. Estamos construindo tijolinho por tijolinho”, afirmou.

Lucas reforçou a ideia de evolução constante e o aumento da responsabilidade a cada novo carnaval.

“Eu acho que a gente vem com um retorno muito positivo e, com isso, a cobrança vem maior. A gente se desafia a cada ano mais. E eu acho que cada ano é um ano diferente, então é um processo maravilhoso”.

Questionado sobre a consolidação do trabalho da dupla no Grupo Especial, Lucas fez questão de destacar que, apesar dos reconhecimentos recentes, o caminho ainda é longo.

“Eu acho que temos muito para crescer ainda, apesar de termos um Estandarte de Ouro. Foram três anos de trabalho. É um trabalho consistente, senão não estaríamos onde estamos, mas ainda vamos crescer muito”.

Um dos pontos mais comentados da entrevista foi a cabine espelhada, novidade que promete transformar a dinâmica das apresentações das comissões de frente. Para Lucas, o impacto será significativo tanto para os artistas quanto para o público.

“Acho que a cabine espelhada vai ser uma surpresa para todo mundo. É um novo módulo, uma nova apresentação, um novo estilo de apresentação. Cada coreógrafo vai interpretar da sua maneira, e este ano a gente vai ter muitas surpresas. Estou muito ansioso, acho que vai ser um ano muito diferente artisticamente”, afirmou.

Sobre a orientação da apresentação, se será mais voltada aos julgadores ou à Praça da Apoteose, o coreógrafo explicou que o objetivo é alcançar todos os olhares.

“De alguns anos para cá, a gente já vem trabalhando uma apresentação para que todo o público consiga ver. A ideia da cabine espelhada é bacana. Apesar de, no momento dos jurados, já termos esse instante de reverência, com coisas mais focadas para eles, o nosso trabalho, no geral, tem sido bem consistente para que todos consigam ver e participar”.

Ao ser indagado sobre possíveis surpresas, Lucas preferiu manter o mistério. “Vou deixar no ar se a apresentação da comissão será em 360°, para não dar muitos spoilers”, disse, aos risos.

Amor, respeito e protagonismo feminino: Ariadne Lax e Bruna Lopes aprofundam identidade artística da comissão de frente da Unidos da Tijuca

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Assumir uma comissão de frente na Marquês de Sapucaí nunca é apenas criar passos ou desenhar movimentos. É carregar uma história no corpo, traduzir um enredo em gesto, emoção e silêncio. É abrir caminhos. Desde 2025 à frente da comissão de frente da Unidos da Tijuca, Ariadne Lax e Bruna Lopes vêm transformando esse espaço em território de narrativa, sensibilidade e impacto. As coreógrafas agora encaram um dos enredos mais profundos e necessários da temporada: a vida e a obra de Carolina Maria de Jesus.

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Desde os primeiros esboços, o trabalho já nasce atravessado por emoção. Para Ariadne, contar a história de Carolina é mais do que um desafio artístico, é um marco pessoal, profissional e humano.

“Na carreira? É um enredaço. Não tem como não se emocionar. A gente está aproveitando cada etapa e vai fazer de tudo para entregar um trabalho com muito amor e respeito. A história da Carolina é incrível. É uma honra contar essa história em forma de balé. É importante não só para a nossa carreira, mas para a Tijuca, para o carnaval e para quem vai assistir”, afirmou.

O sentimento que guia a construção da comissão vai além da técnica. Há pertencimento, responsabilidade e consciência do lugar que essa história ocupa. Em 2026, a comissão de frente da Tijuca não apenas abre o desfile, ela abre um diálogo potente entre arte, política, memória e feminilidade.

Bruna Lopes fala desse impacto com a voz de quem se reconhece na narrativa. Carolina não é apenas personagem histórica; é espelho, é símbolo, é presença viva.

“Não tem como nós, mulheres, não nos emocionarmos com essa história. Ela toca no coração de cada Carolina que existe dentro de nós. Mexe com a nossa vivência, com a nossa luta, com a nossa trajetória. Esse trabalho é um momento muito importante não só na nossa carreira, mas na nossa vida”, destacou.

A renovação da dupla pelo segundo ano consecutivo também representa maturidade e confiança. Se em 2025 o desafio era se apresentar à escola, agora o sentimento é de pertencimento pleno, de liberdade criativa conquistada com entrega e trabalho.

“Esse é o nosso segundo ano na Tijuca. Hoje existe confiança, existe liberdade artística. Quando você chega, precisa mostrar quem é. Com o tempo, as pessoas veem o trabalho, acreditam, confiam. Este ano, a gente sente que o trabalho é nosso. A gente tem propriedade sobre o que está criando”, explicou Bruna.

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A novidade técnica da cabine espelhada, que transforma a Avenida em um espaço circular, surge como aliada da proposta artística. Para Ariadne, o novo formato amplia a potência do espetáculo.

“Eu acho que só engrandece. O desfile vira uma arena, um espetáculo em 360 graus. É para todos verem, para todos sentirem. A história da Carolina precisa ser vista de todos os ângulos”, avaliou.

O samba-enredo atua como fio condutor emocional da comissão, atravessando gênero, classe, história e política. Para Bruna, cada verso carrega uma ferida aberta e, ao mesmo tempo, um gesto de resistência.

“Toca no meu coração porque eu sou mulher. Falar de uma mulher que foi catadora de papel e se tornou escritora é falar de sobrevivência, de dignidade, de cultura. É falar de literatura, de política, de exclusão e de voz. Isso mexe profundamente com a gente”, afirmou.

Superação, entrega e tradição: Diogo Jesus e Bruna Santos vivem o carnaval 2026 como afirmação na Mocidade

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O Carnaval 2026 chega como mais um capítulo de resistência, amadurecimento e entrega para o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel, Diogo Jesus e Bruna Santos. À frente de um dos pavilhões mais tradicionais do samba, os dois encaram mais um desfile conscientes do peso que carregam e certos de que a evolução é diária, construída muito antes de a Sapucaí se abrir.

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Para Diogo, o sentimento que resume o momento é direto e simbólico: superação.

“Superação. Acho que, a cada ano que passa, a gente vem se superando, tanto aqui na Sapucaí quanto fora, nos nossos trabalhos, no dia a dia. É superação para mim, superação para o nosso trabalho e, com certeza, para o nosso espírito”, afirmou o mestre-sala, destacando que o crescimento não se limita à avenida, mas atravessa a rotina, os ensaios e a vida profissional do casal.

Bruna amplia esse olhar ao falar da responsabilidade assumida desde que chegaram ao posto. Para ela, a cobrança e o compromisso não são recentes.

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“A responsabilidade vem desde 2020, desde quando a gente assumiu o posto. Eu e o Diogo assumimos uma responsabilidade muito grande, até porque assumimos a condução de um casal. Essa cobrança já vem de muito tempo. A gente tenta, a cada ano, melhorar, a cada dia a mais, para superar o nosso trabalho e o nosso desempenho na Avenida”, explicou a porta-bandeira.

A busca pelos 40 pontos segue sendo um norte constante, mas o Carnaval 2026 traz um novo desafio técnico: a cabine espelhada. Diogo reconhece que a tensão aumenta, mas garante que o preparo acompanha a mudança.

“A busca é incansável o ano todo. Termina um carnaval e a gente já pensa no outro. Este ano são 60 pontos e cabine espelhada, então vai ser um pouco mais tenso, mas estamos preparados. Temos uma rede de apoio, pessoas trabalhando com a gente, e com certeza vamos dar o nosso melhor”, afirmou.

Bruna, por sua vez, enxerga a novidade como um ajuste, não como uma ruptura.

“Acredito que não muda muita coisa, até porque a gente já está acostumado a dançar em 360 graus na quadra. Isso já é comum para nós. A diferença é que o novo assusta, dá aquele friozinho na barriga por ser novidade. É preciso ter atenção para os dois lados, mas estamos trabalhando muito bem isso junto aos coreógrafos. A ideia é chegar aqui, fazer o melhor e que os jurados gostem da nossa coreografia”, disse.

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Sobre a fantasia, o casal mantém o mistério, mas deixa escapar um clima de exuberância. Entre risos, adiantam apenas que o visual terá brilho, muitas cores e a identidade verde e branca que representa a Mocidade, reforçando a expectativa para o desfile.

A construção da dança, ponto central da apresentação, é descrita por Diogo como um encontro entre tradição e contemporaneidade.

“Sou muito tradicional na minha dança, enquanto a Bruna vem com uma energia e uma modernidade muito fortes. Os coreógrafos trabalham bem isso com a gente. Conseguimos conciliar, mesclar, e com certeza sai uma dança bonita, porque a gente trabalha muito para isso”, afirmou.

Entre técnica, emoção e compromisso com o pavilhão, Diogo Jesus e Bruna Santos chegam ao Carnaval 2026 reafirmando não apenas a busca pela nota máxima, mas o respeito à história da Mocidade e à arte do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Um trabalho que segue sendo lapidado dia após dia, com a superação como princípio e a avenida como palco final.

Emerson Dias conduz a Acadêmicos de Niterói em um carnaval de homenagem e posicionamento na Sapucaí

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Intérprete da Acadêmicos de Niterói, Emerson Dias vive um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória no carnaval. À frente do microfone, ele será responsável por conduzir o samba-enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, figura central da história política brasileira e símbolo de luta popular. Mais do que cantar, Emerson entende o desfile como um ato de exaltação histórica e cultural.

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Conhecido por fugir do figurino tradicional, o intérprete já adiantou que o público pode esperar inovação também na avenida. “Fantasia, fantasia, fantasia”, resumiu. Para ele, a roupa precisa dialogar diretamente com o enredo.

“Eu não me vejo cantando de terno, não me vejo cantando tradicionalmente. Gosto sempre de vir com alguma coisa que caracterize o enredo, e é isso que vai ser”, afirmou.

Cantar um samba que homenageia Lula tem um peso especial para Emerson. Segundo ele, o desfile representa o reconhecimento de uma trajetória marcada pela resistência.

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“É um momento muito especial, um momento homenageado pela história, pela luta de um nordestino que veio do interior do Brasil e hoje é o nosso presidente. Então é para ser exaltado”, declarou.

Com a confirmação do enredo, surgiram especulações e comentários nas redes sociais questionando o posicionamento político do intérprete. Emerson, no entanto, foi direto ao negar qualquer incoerência. “Eu nunca fui fanático, mas sempre me posicionei ideologicamente nos partidos de esquerda”, explicou. Ele relembra sua trajetória política, desde o período de Leonel Brizola até o apoio ao Partido dos Trabalhadores, afirmando que mantém essa posição até hoje.

A polarização política no país também se refletiu nos debates em torno do samba, algo que Emerson encara com naturalidade. “O Brasil hoje é praticamente meio a meio, de 49% a 51% na divisão política. Foi assim nas eleições. É um tema que mexe com a polarização. Desde o anúncio do samba, já ganhei mais de 15 mil seguidores no Instagram”, avaliou.

Com maturidade, Emerson defende que o carnaval também pode ser um espaço de diálogo. “Nem todo mundo gosta do vermelho, tem gente que gosta mais do amarelo. A democracia funciona assim, a gente não precisa sair brigando com ninguém. Acho que esse é o momento de ter equilíbrio.” Para Emerson, o caminho mais sensato é evitar ataques e confrontos.

Na avenida, a Acadêmicos de Niterói promete unir música, narrativa e posicionamento, com Emerson Dias como porta-voz dessa história cantada. Um desfile que reafirma o carnaval como manifestação cultural, política e popular, sem perder o ritmo, a emoção e a potência simbólica que só a Sapucaí conhece.

Torcida Jovem realiza ensaio completo e mostra estar viva na briga pela volta ao Acesso I

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Por Gustavo Lima e Will Ferreira

Na noite desta sexta-feira, a Torcida Jovem realizou seu primeiro e único ensaio técnico visando o Carnaval 2026. A escola promoveu um treino consistente e completo, no qual todos os quesitos apresentaram bons níveis de desempenho. A comissão de frente traduziu com eficiência a proposta do enredo ao representar a fé presente na África Baiana. Outro destaque ficou por conta do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gabriel Vullen e Joice Prado, que demonstrou um bailado seguro e claramente pronto para o desfile. O forte canto da comunidade, aliado ao bom rendimento de todo o conjunto musical, também foi um fator animador para a agremiação. O ensaio marcou ainda a estreia do intérprete Ivanzinho com a Torcida Jovem no Sambódromo do Anhembi. Experiente no Carnaval de São Paulo, o cantor retorna a defender oficialmente uma escola da Liga-SP com a missão de reforçar o desempenho do carro de som.

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No entanto, o treino apresentou um ponto de atenção no quesito evolução. A bateria teve certa demora na realização da manobra do recuo, o que impactou o tempo cronometrado de pista, que chegou a 53 minutos e 58 segundos. Vale lembrar que, no Grupo de Acesso 2, o tempo máximo permitido para o desfile é de 50 minutos. Entretanto, a reportagem do CARNAVALESCO apurou que a largada da escola ocorreu com três minutos de atraso e, segundo a contagem interna da agremiação, o desfile teria sido encerrado dentro do limite, em aproximadamente 50 minutos. Ainda assim, o episódio serve como um alerta para ajustes finais.

De modo geral, o ensaio deixou uma impressão positiva e indicou que a Torcida Jovem tem potencial para brigar por uma vaga mais alta na classificação, no desfile que acontece na próxima semana.

A Torcida Jovem desfilará pelo Grupo de Acesso 2 no próximo sábado, com o enredo “Axé – Raízes e Ritmos da Cultura Afro-Baiana”, desenvolvido por uma comissão de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Fernando Lee, a comissão de frente da Torcida Jovem apresentou uma coreografia de alta complexidade e forte carga simbólica. No primeiro ato, Exu evoluía durante todo o percurso da passarela, enquanto os guerreiros bantos se alinhavam e executavam a coreografia em sintonia com o samba, realizando os movimentos obrigatórios do quesito: a saudação ao público e a apresentação da escola.

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Em um segundo momento, a comissão revelou bailarinos representando entidades espirituais, que surgiam a partir do tripé e realizavam movimentos característicos de cada figura, como Oxóssi, Ogum, Oxum e outros orixás. Dentro dessa encenação, destacava-se a presença de uma mulher mais velha acompanhada por uma criança, em uma representação simbólica da transmissão de saberes, como se ela apresentasse ao menino a África Baiana. A criança reagia com encantamento, demonstrando curiosidade e admiração por aquele universo cultural. Eles realizavam tal encenação em volta dos bailarinos que dançavam na pista.

Ao final da coreografia, o menino batia cabeça para Exu, simbolizando seu rito de iniciação. No tripé, que representava a árvore da vida, ocorria ainda a aparição de Oxalá em forma humana em determinados momentos, reforçando o caráter religioso da narrativa apresentada pela comissão de frente. A fé da África Baiana pôde ser vista de maneira clara.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Rumo ao segundo desfile com o pavilhão da entidade, o casal Gabriel Vullen e Joice Prado realizou um ensaio bastante positivo. O destaque ficou por conta da coreografia inspirada em saudações aos orixás, bem executada e com forte expressão. A porta-bandeira apresentou giros intensos e bem sustentados, sem perder o ritmo ao longo da avenida, sempre acompanhada com precisão por Gabriel Vullen.

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Outro ponto que merece destaque foi a situação ocorrida na cabine 3, no Setor H, quando a escola precisou parar para realizar a manobra do recuo da bateria.

Mesmo com a interrupção, o casal manteve a apresentação, repetindo os movimentos sempre que necessário e demonstrando segurança máxima. O sorriso constante no rosto e a sintonia nos toques entre os dois também marcaram o ensaio, reforçando a conexão e o entrosamento do casal, que está há oito anos junto.

HARMONIA

O canto da comunidade da Torcida Jovem foi um dos grandes destaques do ensaio. Todas as alas demonstraram domínio total do samba, sem exceções. Trata-se de uma obra com melodia mais cadenciada, marcada por três ou quatro versos de maior elevação, o que poderia comprometer o rendimento do canto. No entanto, a comunidade da Jovem sustentou a execução com muita força, sem deixar o samba cair em nenhum momento.
Mesmo com essa característica melódica, o samba não soou sonolento. A bateria, que se encaixou perfeitamente na obra, teve papel fundamental nesse desempenho. Mantendo o andamento acelerado durante todo o ensaio, a “Firmeza Total”, sob o comando do mestre Caverna, imprimiu o ritmo ideal para o conjunto musical, garantindo intensidade e empolgação.

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Entre os trechos mais cantados, destacam-se o refrão de cabeça e os versos “Êh Bahia, nas ladeiras o feitiço / Êh Bahia, dos afoxés embalando o destino”, momentos em que o canto se mostrou ainda mais forte e perceptível. Por fim, vale ressaltar o desempenho das últimas três alas, que representaram o ápice do canto da escola ao longo do ensaio.

EVOLUÇÃO

A evolução talvez seja o único quesito que mereça maior atenção por parte da escola em relação a este ensaio. Houve um momento de demora no recuo, o que resultou em um tempo excessivo de parada. Essa situação fez com que a escola estourasse o cronômetro instalado na pista e quase ultrapassasse o tempo oficial previsto pela própria contagem da agremiação.

Fora esse episódio, o desempenho foi bastante positivo. Os componentes evoluíram de forma solta, ocupando bem a pista, cantando e dançando o samba com muita garra. A ausência de coreografias obrigatórias contribuiu para uma evolução mais natural e espontânea. Além disso, foi possível observar uma escola compacta, sem a formação de buracos ou divisões, mantendo a coesão do conjunto durante todo o ensaio.

SAMBA-ENREDO

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Estreando na escola, o intérprete Ivanzinho se saiu bem no comando do carro de som da entidade. A ala musical se mostrou entrosada nos arranjos da bateria “Firmeza Total” e na condução para o canto da escola. Como dito anteriormente, o samba da Torcida Jovem tem melodia cadenciada, e o carro de som foi fundamental no trabalho para que o andamento não caísse. Conjunto musical com desempenho além do satisfatório no ensaio da escola.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Firmeza Total”, comandada pelo mestre Caverna, executou bossas estratégicas em frente às cabines, para mostrar os compassos necessários que o manual exige para a obtenção da nota 10. Porém, um arranjo que foi feito algumas vezes foi a bossa que apresentava um pequeno apagão na frase “O tambor da Jovem ninguém vai calar”.

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