Compositores: Abraão Santos, Pedro Carmo, Marcus Lopes, Cuca Peretto, Maderson Carvalho, Felipe Lima e Cezinha Sete Cordas
Intérpretes: Nino do Milênio
SACODE A POEIRA BALANÇA O ESPINHAÇO
SOU CABRA DA PESTE RAIZ DO CANGAÇO
DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ PRA FICAR “MIÓ”
CHEGOU COLORADO ARRETADA QUE SÓ
“ARREDA” MOÇO PRA FOLIA COMEÇAR
APROCHEGA SENHOR, SE AVEXE NÃO SINHÁ
E DE REPENTE, NUM REPENTE SONHADOR
EMBALADO NA VIOLA O SERESTEIRO ETERNIZOU
A MORTE-VIDA DE UM POVO APERREADO
QUE “DEU VOLTA” EM PORTUGUÊS
DEFENDEU SEU CHÃO RACHADO
OUVIA CAUSOS, DE O CORPO “ARRUPIAR”
E ROGUEI AO PADIM CIÇO PRO SERTÃO NÃO VIRAR MAR
DO AXÉ NA ENCRUZILHADA AO BONFIM
VOU REZANDO AOS PÉS DA SANTA
VALEI-ME CUIDA DE MIM
HERANÇA SAGRADA QUE NUNCA DESATA O NÓ
SOU NORDESTINO, TENHO FÉ, NÃO ANDO SÓ
NEM APERREIO TIRA O BRILHO DO MEU ROSTO
“INTÉ” COM POUCO ESSE POVO É FELIZ
NO ARRASTA PÉ, EMBOLADA VIRA E MEXE
VALENTE QUE SÓ A PESTE
O NORDESTE É MEU PAÍS
MANDACARU, É VIDA NESSE SOLO SAGRADO
RESISTE E VAI A LUTA COLORADO
ATÉ O CANGACEIRO FEZ CHORAR DE EMOÇÃO
CORAÇÃO DISPARA, E PUXA O FOLE DANADO DE “BÃO”
Compositores: Thiago Meiners, André Valêncio, Claudio Marros, Caca Back, Pitty de Menezes, Léo PZ, Nelson Valentim e Bruno Giannelli
Intérprete: Pitty de Menezes
QUANDO ESCUTO O SOM DE UM REPENTE
DE REPENTE, NOS ACORDES DO SERTÃO
RENASCE A RAIZ DO MEU NORDESTE
A FORÇA QUE RESISTE A INVASÃO
NAVEGANTE APORTOU NAS TERRAS DO MEU LUGAR
O DESTINO TE LEVOU PELAS BANDAS DE OUTRO MAR
OCEANO DE SEREIAS NA POEIRA DOS CRISTAIS
POESIA QUE JAMAIS SE APAGARÁ
ÓH MEU PADINHO, PEÇO TUA PROTEÇÃO
PRO MEDO NÃO ME PEGAR, SAI PRA LÁ ASSOMBRAÇÃO
SIMBORA, POVO! COMEÇOU A ROMARIA
CANDOMBLÉ, FEITIÇARIA, A LAVAGEM DO BONFIM
SE TEM FESTANÇA, VELA ACESA PARA O SANTO
OFERTANDO TODA FÉ QUE HÁ EM MIM
NORDESTINO NÃO SE AVEXA NEM UM POUCO
SORRISO NO ROSTO, ORGULHO NO OLHAR
A ALEGRIA É A NOSSA IDENTIDADE
PELAS QUERMESSES, OS QUITUTES DE SINHÁ
NO SÃO JOÃO, CANGACEIRO É FELIZ
DANÇA QUADRILHA E O POVO PEDE BIS
FLORESCE, MANDACARU, A FLOR DO NORDESTE
E HOJE O MEU POVO APAIXONADO
MOSTRA PRO MUNDO QUE É CABRA DA PESTE
TEM XAXADO E ARRASTA PÉ
NO ARRAIÁ DA COLORADO
É BOM DEMAIS SE TEM CHAMEGO E XODÓ
SANFONEIRO PUXA O FOLE A NOITE INTEIRA
BATE ZABUMBA NO BALANÇO DO FORRÓ
Compositores: Chitão Martins, Fredy Vianna, André Filosofia, Nando do Cavaco, Everton Barbosa, Bruno Jaú, Leandro Bata’s, Jorge Alckmista, Diley Machado, Edson Liz, Dema, Dr. Edson, Alcides Jr, Ronny Potolski e Xandinho Nocera
Intérpretes: Chitão Martins e Fredy Vianna
Se achegue mais “vou lhe” contar!
Histórias do meu sertão!
Minha terra, meu doce lar!
Me fez lutar, contra a invasão!
Um “oceano” “Tomou conta do meu ser”
Mas a “sede de vencer”
Do fundo das águas, me fez emergir
Pois tenho fé e esperança
Nossa Senhora guia meu caminho
Oxala é o axé, a herança
Com “Padim” nunca estou sozinho!
Etâ povo festeiro
Cabra da peste
Um filho do Nordeste
“Tempera” a vida com felicidade
Traz no sorriso “sua identidade”
Vai ter festança.. tristeza foi embora
Toca sanfona, chora viola
Tem cavalhada e congada!
Vem pro arraiá
Maria Bonita chegou pra dançar
Arte do cangaço, cultura do sertão
Bonecos de barro, a mais pura tradição
A lua brilha,o céu clareia
Tem fogueira e balão
Viva o meu São João
Mandacaru, flor do cangaço
Inspiração da Colorado
É força, raiz de um povo guerreiro
Arretado e Brasileiro!
Se aprochegue cabra macho
De repente vou contar
Sou raiz do chão rachado
Desde quando era mar
Lusitano errou caminho
Aportou com seu barquinho
Era tal da invasão cobiçando o meu sertão
Mas nosso povo é pai d’égua
De fibra e coragem, feito mandacaru
Resistência é sobrenome dessa gente
Que luta e segue em frente
Herança de Pajeú
Lá vai cortejo em romaria
Aos pés da escadaria do Bonfim
Ladainha pra santa no altar
E o batuque de Oxalá
Zela por mim
O nordestino não desanima
Mesmo sofrido segue a rima
Filho do barro, de Maria e Virgulino
Do clima quente e o sol a pino
Chegou à cavalhada, a redenção
Do mouro ou do cristão Importante é festejar
Um dengo ou um chamego acaricia
Envolvido na magia popular
Anarriê, Anarriê!
Puxa o fole sanfoneiro
Zabumbeia coração
Chapéu de palha e a princesa do lado, Colorado
Eita forró pra lá de bão
Compositores: Lico Monteiro, Richard Valença, Leandro Thomaz, João Perigo, Lucas Macedo, Jefferson Oliveira, Telmo Augusto, Felipe Zizou e Mingauzinho
Intérprete Oficial: Zé Paulo Sierra
Participação especial: Caboré
Meu chão rachado, areia de marola
Repente dessa história
Semente do meu lugar
No aperreio de um cabra lusitano
Maré baixa é oceano
Soprou o vento de além mar
A ambição aportou… ôô
Nordestino resistiu (resistiu)
Raiz forte de mandacaru
A essência desse meu Brasil!
As águas de Oxalá, pra lavar a escadaria
Na benção do Bonfim: tem axé, tem santaria
Benjoim, banho de cheiro, resistência vem da fé
A magia dos terreiros, batuque de candomblé
Do barro que moldou a criação
Nasce a arte em canto das trincheiras do sertão
Onde segue a cavalhada o destino está escrito
Nos festejos, na congada, abençoa Benedito!
Moça Bonita empodera meu repente
Tens o ventre dessa gente, esse povo encarnado
Ah que saudade da fulô da minha terra
Toca o fole sanfoneiro no forró da Colorado
Pula fogueira amor, que hoje eu tô que tô
Pegue seu par, vem dançar, Viva São João
Arraiá do Brás, bom demais que só
Minha escola, meu xodó, se avexe não
Compositores: Thiago Brito, Renne Campos, PH, Enzo Dhirie, Davison Jaime, Evandro Martins e Celso Love
Intérprete: Thiago Brito
Vamo “simbora” povo
arretado
Mostrar ao mundo como aqui fomos parar
Tão perseguido, resistente e aperreado
Dos devaneios que vieram de além mar
Quer me botar medo? Tenho valentia!
nordestino guerreiro, que batalha noite e dia
Com muita reza os caminhos são abertos
Pedido feito…não há maldade que chegue perto
É um tanto de fé que esse povo tem
Seguindo a romaria, clamando por amém
Todos os Deuses para louvar
Axé! na proteção do patuá
“Arrieguá”….Se soubessem que é difícil pra valer
Cabra da peste, osso duro de roer!
Mas “gradicido” e contente sempre estou
O céu está lindo, acendo a fogueira do meu São João!
Chamegar, festejar é tradição
Nossa cultura tão bonita fruto da raíz
Se “avexe” mais e venha ver
De peito aberto a cantar
Nunca deixei de crer
Voltarei ao meu lugar!
Vem lá do nordeste, esse xote arrochado
Toca sanfoneiro, pro forró da colorado
Mandacaru a flor mais linda do sertão
Quem é do Brás, tem orgulho desse chão
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) realizará uma Festa Julina inédita na Cidade do Samba nos dias 21, 22 e 23 de julho. Esse evento especial contará com shows de Lucy Alves, Falamansa e Forroçacana, além de deliciosas comidas típicas e um concurso de quadrilhas julinas. A Imperatriz Leopoldinense, atual campeã do Grupo Especial com um enredo sobre o Rei do Cangaço, também irá desfilar no local, trazendo o clima do último Carnaval. É proibido o acesso de menores de 05 anos de idade.
A Liga montou passaportes para os ingressos para os três dias. Os valores são: R$ 100 pista promocional, R$ 300 arquibancada promocional e R$ 3 mil o camarote para 10 pessoas. Os ingressos individuais para cada dia custam: R$ 50 pista e R$ 150 arquibancada. * CLIQUE AQUI PARA COMPRAR O INGRESSO
Além dos shows de artistas consagrados no ritmo nordestino, o local estará equipado com food trucks e barracas oferecendo comidas típicas, além de brincadeiras como o tradicional “touro mecânico”. Em todos os dias, haverá um concurso de quadrilhas juninas, com prêmios em dinheiro para as vencedoras em duas categorias: roça e salão.
Para encerrar o evento, o samba-enredo se misturará ao baião com direito a componentes fantasiados, bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira, além de outros segmentos que ajudaram a Imperatriz Leopoldinense a conquistar o Grupo Especial em 2023. A agremiação levou para a Sapucaí o enredo “O aperreio do cabra que o excomungado tratou com ‘má-querença’ e o santíssimo não deu guarida”, contando uma história vivida pelo cangaceiro Lampião.
SERVIÇO
Datas: 21, 22 e 23 de julho
Local: Cidade do Samba – Rua Rivadávia Corrêa, 60 – Gamboa
Abertura dos portões – 21 e 22 – 19h e 23 – 18h
Início do evento – 21 e 22 – 19h30 e 23 – 18h30
Encerramento – 21 e 22 – 02h e 23 – 0h
PROGRAMAÇÃO DOS SHOWS
Dia 21 de julho: DEIVID CASTRO/LUCY ALVES/MARIA FILÓ
Dia 22 de julho: MARIA FILÓ/FORRÓÇACANA/MARCO VIVAN
Dia 23 de julho: MARCO VIVAN/FALAMANSA/ENCERRAMENTO: IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE
CONDIÇÕES DE COMPRA
Todos os ingressos adquiridos pela venda online para acessar a passarela e seu setor serão exclusivamente digitais. Em hipótese alguma eles serão trocados por ingressos físicos. Para recebê-los será necessário baixar e instalar o App Rio Carnaval na sua loja de aplicativos (Apple Store ou Play Store). Somente após a instalação completa do aplicativo seus ingressos estarão disponíveis.
Será permitida uma única transferência de cada ingresso adquirido nesse site. Para efetivar a transferência o recebedor do ingresso também deverá baixar o App Rio Carnaval. Para acesso o comprador deverá utilizar o seu smartphone e o APP Rio Carnaval para exibir seus ingressos.
A Independentes de Olaria já tem um novo carnavalesco para o carnaval de 2024. Bruno de Oliveira assinará o desfile do lobo forte da Leopoldina no próximo ano. O artista é um dos nomes que chegam no elenco da azul e branca. Atualmente, Bruno também é carnavalesco da São Clemente, na Série Ouro.
Foto: Divulgação
Bruno iniciou sua trajetória como assistente de carnavalesco, desenhista e figurinista pela São Clemente em 2006. Durante a sua trajetória, contribuiu com a sua arte para renomados carnavalescos, tais como: Wagner Gonçalves, Mauro Quintaes, Cahê Rodrigues, Alex de Souza, Paulo Barros, Renato Lage e Leandro Vieira. Para o carnaval de 2022, Bruno atuou como auxiliar na produção de figurinos da carnavalesca e professora, Rosa Magalhães, na Imperatriz Leopoldinense. Bruno iniciou seu trabalho solo em 2020, na Caprichosos de Pilares conquistando o campeonato para agremiação na Intendente Magalhães.
“Minha expectativa é a melhor possível. Por ser uma escola nova e é o meu terceiro carnaval como carnavalesco, a expectativa é muito boa. Todos estão com o mesmo entusiasmo de fazer um belo desfile e por a mão no caneco, é claro! Agradeço o convite do Presidente Brenno Araujo e vamos à luta, vamos sem pedir licença”, revelou Bruno.
O lobo forte da Leopoldina está com seu time para o carnaval 2024 quase completo e em breve também anunciará seu enredo para o próximo desfile. Em 2023 a agremiação ficou no quinto lugar com o enredo “Merindilogun – a fala dos ancestrais”.
Com a queda nos termômetros no Rio de Janeiro, a Imperatriz Leopoldinense, campeã do Carnaval de 2023, antecipou a campanha “Imperatriz contra o frio”. Para levar um pouco de calor e carinho aos que mais precisam, a escola abre sua quadra de ensaios, a partir desta segunda-feira para receber doações de cobertores e roupas de frio.
“Nós seguimos atentos e com olhar cuidadoso para a nossa comunidade e, em especial, aos mais vulneráveis. A Imperatriz é uma escola de samba localizada aos pés do Complexo do Alemão e muito próxima do Complexo da Penha também. Por isso, pedimos a contribuição daqueles que possam ajudar. Nosso objetivo é formar uma corrente de solidariedade cada vez maior”, afirma João Felipe Drumond, coordenador do projeto social.
O ponto de coleta das doações é a quadra da escola, que fica na Rua Professor Lacê, 235, em Ramos, próximo à estação de trem. Para ajudar, basta levar a doação até o local, que funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, e, aos sábados, das 10h às 13h. A campanha vai até o dia 25 de junho.
A ação “Imperatriz contra o frio” faz parte do programa Imperatriz Social, que recentemente distribuiu flores no dia das mães, ovos de chocolate para as crianças da região na Páscoa, entre outras atividades.
Por conta do trabalho social realizado, o coordenador do projeto da verde, branco e ouro, João Felipe Drumond, recebeu o conjunto de medalhas Pedro Ernesto na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.
“Nós precisamos entender que as comunidades das escolas de samba não podem ser lembradas uma vez por ano, somente. É preciso olhar com um carinho maior para o subúrbio e para as favelas. As escolas de samba são referências nas artes e cultura, em projetos educacionais e esportivos. Precisamos entender que as escolas de samba podem mudar a vida de milhares de pessoas”, afirma João.
Artista sete vezes campeã do carnaval carioca, a carnavalesca Rosa Magalhães é a estrela do documentário “Rosa – A narradora de outros Brasis”, de Valmir Moratelli, em parceria com Libário Nogueira. A obra narra as dificuldades de uma mulher à frente de seu último desfile, no Paraíso do Tuiuti, em 2023. Temas como machismo e preconceito com a cultura popular permeiam o filme, que teve cenas rodadas na Sapucaí.
Diretores do filme com Rosa Magalhães na gravação do documentário
O documentário foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Cinema de Vassouras. Haverá exibição de gala na noite de 23 de junho, com homenagem à carnavalesca e cenógrafa. A previsão é que chegue no streaming até o final do ano. Confira abaixo o bate-papo com o diretor Valmir Moratelli sobre seu quarto longa.
Como surgiu a ideia de um filme sobre Rosa Magalhães em seu último ano de atuação na Sapucaí?
“Há algum tempo assisti ao documentário sobre Joãosinho Trinta, feito pelo Paulo Machlini há uns 15 anos, e fiquei matutando quem hoje mereceria algo nesse nível. A meu ver, somente Rosa. Propus ao Libário (Nogueira) para dividirmos a direção, como fizemos com “Prateados” e deu certo. A possibilidade da carnavalesca não atuar em 2024 foi uma coincidência”.
O que mais te chamou atenção nas pesquisas sobre a Rosa?
“Ela é uma grande professora, literalmente. Várias pessoas em depoimento ao filme, inclusive, preferem chamá-la de professora. É uma reverência a quem atuou tanto nas salas de aula quanto nos barracões. Como professora, ela ensina o tempo todo. Isso chama a atenção: há muito ensinamento em suas palavras”.
Cartaz do documentário sobre Rosa Magalhães
Foi preciso selecionar alguns desfiles ou um recorte da vida de Rosa?
“Esse foi outro desafio – o primeiro foi convencê-la do filme (risos). Rosa tem carnavais memoráveis, cada um com bastidor que já garantiria uma epopeia cinematográfica. Falamos da relação familiar, dos ensinamentos como discípula de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, até chegar na fase professora da Escola de Belas Artes da UFRJ. Rosa comenta seus desfiles, não só os que deram certo, além da carreira no teatro e TV”.
Ela tem fama de ser tímida em entrevistas. Como você quebrou essa barreira?
“Já a entrevistei outras vezes, sabia dessa fama. Mas um repórter quanto quer uma entrevista é como um diretor quando pensa no filme, não há quem o mova do foco. No set, sou a junção dos dois (risos)! Levei a equipe completa e já começamos a filmar no primeiro encontro”.
O título sugere que Rosa narre “outros Brasis”. Que Brasis o filme revela?
“Se eu fosse professor de História, passaria na sala de aula o desfile “Catarina de Médicis na Corte dos Tupinambos e Tabajeres” (1994); o da Chiquinha Gonzaga (1997); o “Brasil mostra a sua cara em Theatrum Rerum Naturalium Brasilie” (1999)… Há visões inovadoras de se discutir o Brasil nestes e em outros desfiles de Rosa que não constam em livros oficiais. O filme destaca essas interpretações, que nem sempre nos damos conta ao tentarmos definir nossa identidade a cada fevereiro”.
Rosa está fora do carnaval de 2024. O filme discute os motivos que levaram a isso?
“As cenas finais falam muito sobre essa sua possível aposentadoria que se avizinha da Sapucaí. É uma sequência forte, que dialoga com uma frase da própria Rosa que abre o filme, quando ela explica que o carnaval é “efêmero”. Tudo é feito para durar um momento. Quando acaba, já é hora de pensar no próximo. Como artista, ela vai sempre pensar no próximo desafio. Mas também sabe quando colocar ponto final. A previsão é que o filme estreie no streaming no começo do ano que vem, após um circuito de festivais. Então, de algum modo, teremos Rosa em fevereiro sim”.
Qual é a grande mensagem de “Rosa – A narradora de outros Brasis”?
“É um filme com várias camadas de reflexão. Mas é inegável que se trata de um filme sobre uma profissional mulher num meio como do carnaval, que é sim muito machista. A presença de Rosa num barracão é tão forte, que empodera mulheres em diferentes setores de um desfile. Isso fica claro na fala das entrevistadas. Talvez, nem ela tenha essa noção”.
Este é o seu quarto filme, o segundo sobre carnaval (o primeiro foi “30 dias – Um carnaval entre a alegria e a desilusão”, de 2019). Podemos esperar uma trilogia da Sapucaí?
“Infelizmente o carnaval, como cultura popular, é tido como algo menor pelas elites intelectuais que regem as artes chamadas nobres. Quando terminei “30 dias”, disse que não mais faria outro sobre carnaval – pela dificuldade que traz, além das já habituais para quem lida com cinema. Quatro anos depois, aqui estou eu falhando a promessa com “Rosa”! Então não sei o que virá. O que me move é contar boas histórias. “Rosa” foi uma dessas necessidades. E é incrível como este filme dialoga com outros trabalhos meus”.
Como é feito esse diálogo?
“Só tive essa noção no final da edição de “Rosa”. Meus dois últimos filmes após o “30 dias” foram sobre velhice (“Prateados”) e pessoas gordas (“Corpo São”, ainda inédito), codirigido com o Libário. “Rosa” faz ponte com essas produções ao discutir o lugar do corpo feminino. Mas também o da mulher idosa que, apesar de sua vitalidade, bate no contrafluxo etarista da sociedade. Ter pesquisado e defendido uma tese sobre envelhecimento na PUC-Rio (“Dois Antônios, várias velhices”) me ajudou nestes questionamentos”.
O carnaval é etarista?
“O carnaval, como produto cultural, é reflexo do seu meio. A sociedade é etarista, prioriza jovens em detrimento dos mais velhos. O carnaval reflete isso. Lugar de idoso é em cima da última alegoria para não atrapalhar evolução. Nem baiana idosa se vê mais com facilidade. Difícil ver idoso na gerência das escolas, pelo mesmo motivo que não se vê em vários setores da sociedade. Os carnavalescos mais antigos estão sendo substituídos sob discurso de que é preciso “inovar”. Acho ótimo inovar, mas sem desmerecer a capacidade de ninguém”.
Para terminar: na sua opinião, qual é o grande desfile de Rosa?
“Vários dos anos 1990, o auge do embate entre Imperatriz e Mocidade, como “Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube lá no Ceará” (bicampeonato de 1995). No filme, ela explica como teve a ideia desse enredo. E adoro a sensação provocada por “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo”, de 2013. Há uma nostalgia contemporânea nesse desfile, um Brasil que contraria o falso progresso que nos vendem diariamente. É mais um aulão da professora Rosa”.