Por Guibsom Romão, Marcos Marinho, Matheus Morais e Marielli Patrocínio
Sendo a segunda escola da noite a ensaiar no sábado, o Salgueiro levará para a Sapucaí uma das homenagens mais honradas e necessárias de todos os tempos, um tributo à carnavalesca Rosa Magalhães. Com o enredo intitulado “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira, o Salgueiro fechará o carnaval de 2026, sendo a última escola da terça-feira, 17 de fevereiro.
No seu segundo ano à frente do quesito pelo Salgueiro, Paulo Pinna e seus 15 componentes apresentaram uma coreografia saudosista, relembrando a icônica comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense, criada pelo coreógrafo Fábio Mello em 2004, no enredo “Breazail”. Vestidos de bruxa, com um figurino que remete diretamente ao utilizado em 2004, que era verde, as personagens que antes faziam feitiçaria para transformar o pau-brasil em vermelho passaram a usar a tinta para avermelhar o próprio figurino, em um jogo simbólico de inversão cromática.
Assim como a comissão original de 2004, a do Salgueiro se apresentou sem elementos cênicos, apostando exclusivamente na força da coreografia. A apresentação foi impecável naquilo a que se propôs, com uma dança solta, expansiva e que ocupou toda a pista, revelando semelhanças claras nos gestos e desenhos coreográficos da obra original.
Trata-se de uma coreografia que exige alto grau de alinhamento e sincronia entre os componentes, tarefa sempre complexa nesse tipo de proposta, mas que o Salgueiro executou com maestria e segurança. O entrosamento do grupo e a leitura clara dos movimentos reforçaram a narrativa proposta, sem ruídos ou descompassos.
A caracterização facial de bruxa ficou primorosa, contribuindo decisivamente para a construção estética da cena e para a ambientação mística pretendida pela comissão.
Em suma, com uma proposta baseada na memória afetiva do carnaval e na valorização da dança como elemento central, a comissão de frente do Salgueiro apresentou uma coreografia limpa, bem executada e carregada de significado.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O sempre excelente casal do Torrão Amado, Sidclei Santos e Marcella Alves, que já tem gabaritado o quesito por três anos seguidos, fez uma apresentação esplêndida.
Com um figurino branco, com algumas rosas vermelhas, o casal arrancou gritos e aplausos de quem assistiu, tamanho foi o afinco e a destreza contidos na apresentação.
O casal é imbatível junto, mas, se colocassem uma parede dividindo os dois ou se vendassem os olhos deles, nada mudaria, pois a sintonia e a sincronia são perceptíveis de longe nessa dupla.
Sidclei desempenhou o papel de um galanteador em torno de Marcella, conduzindo de maneira segura, técnica e charmosa o seu bailado.
Já Marcella, com o seu longo mastro, que nem lhe permite segurar um pedaço da bandeira, dançou com enorme segurança, mantendo-a o tempo todo desfraldada. Além de conduzir o pavilhão com um controle impecável, ela executa todo o bailado com enorme elegância e delicadeza.
Para coroar a apresentação, o casal reafirmou por que é referência absoluta no quesito. Com técnica apurada, leitura precisa da coreografia e uma conexão que dispensa artifícios, Sidclei Santos e Marcella Alves entregaram um bailado de altíssimo nível. Uma atuação madura, impactante e digna de quem, ano após ano, transforma excelência em marca registrada na Sapucaí.
HARMONIA E SAMBA
Com uma comunidade comprometida como a salgueirense, abraçando o samba como sempre, foi fácil a obra de Rafa Hecht, Marcelo Motta e suas respectivas parcerias cair na boca do povo. Parece que a Sapucaí entendeu a importância de homenagear Rosa Magalhães nesta oportunidade e canta o samba com a alma. Da avenida às arquibancadas, é notável que todos estão brincando de carnaval com esse samba.
O desempenho do intérprete Igor Sorriso é elogiável, assim como o trabalho magistral do diretor musical Alemão do Cavaco.
Como síntese desse momento, o Salgueiro mostrou que a comunhão entre comunidade, obra e execução ainda permanece, e o resultado transcende a técnica. O samba ganhou vida própria na avenida, impulsionado por um canto coletivo forte e emocional.
EVOLUÇÃO
O andamento da escola na pista oscilou e de maneira acentuada. Ora a escola andava morosamente, ora estava em um ritmo mais rápido, o que, após a bateria entrar no segundo recuo, fez a escola acelerar o passo. Em alguns momentos, algumas alas ficaram bem espaçadas para evitar clarões na pista.
Fica o ponto de atenção para o ensaio técnico do sábado seguinte. São correções possíveis e esperadas em ensaios técnicos que, uma vez sanadas, tendem a garantir uma evolução mais fluida e segura na avenida. Destaque positivo para a vibração dos componentes e a espontaneidade durante todo o ensaio técnico.
OUTROS DESTAQUES
A rainha Viviane Araujo em estado de graça, foi mais uma noite em que ela deu um show à parte. Vestida de cisne, toda de branco, homenageando a comissão de frente feita por Rosa Magalhães na Imperatriz Leopoldinense em 2005, no enredo ‘Uma Delirante Confusão Fabulística’, Vivi saudou todo o público e esbanjou simpatia pela avenida.
O paradão da bateria, com o violino sendo tocado, emocionou o público. Em um dos momentos, os componentes soltaram bexigas vermelhas, brancas e rosas que voaram pelo ar, enquanto uma luz rosa iluminava a avenida, causando um efeito emocionante, como se estivessem enviando aqueles balões pra celebrar alguém que está no céu.
Por Marcos Marinho, Guibsom Romão, Marielli Patrocínio e Matheus Morais
Antes mesmo de a Vila Isabel pisar oficialmente na pista, a Marquês de Sapucaí já havia sido transformada em terreiro e quintal azul e branco. O canto catártico da comunidade e do público, sustentado desde os primeiros versos por Tinga à frente do carro de som, e a atuação de excelência do casal de mestre-sala e porta-bandeira marcaram o primeiro ensaio técnico da escola para o Carnaval 2026. Em um treino de forte adesão coletiva e alto rendimento musical, a Vila apresentou domínio do samba de ponta a ponta e performances que consolidaram a escola como um dos grandes destaques da noite. A escola será a segunda a desfilar na terça-feira de Carnaval, com o enredo “Macumbebê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, com pesquisa do enredista Vinícius Natal.
A comissão de frente da Vila Isabel, apresentada no primeiro ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, parte de uma proposta dramatúrgica que remonta ao fundamento da relação entre samba e macumba. Coreografada por Alex Neoral e Márcio Jahú, a abertura do desfile encontra na trajetória de Heitor dos Prazeres o eixo para afirmar que samba e religiosidade se constituem mutuamente na história da cultura negra carioca.
Essa leitura se organiza já na composição do elenco e nos figurinos. A maior parte dos bailarinos surge vestida de branco, com indumentárias que remetem aos paramentos de pessoas iniciadas no candomblé, configurando a cena como um espaço ritual. No centro da narrativa está o personagem-pivô, representação de Heitor dos Prazeres, vestido com colete e calça azuis, camisa e sapatos brancos, cores que dialogam com a identidade visual da Vila Isabel. Ao seu redor, dois bailarinos incorporam a ancestralidade do homenageado: Oxum, em figurino dourado e com um espelho cobrindo o rosto, e Xangô, em tons vermelhos, empunhando seus oxês.
Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval
A comissão entra nos módulos de julgamento no trecho “Nossa favela branca e azul do céu” e encontra no refrão principal, “Ora yê yê ô, Oxum / Kabecilê Xangô”, o eixo da construção coreográfica. A cada saudação, o orixá citado assume o centro da cena, executando movimentos associados à sua simbologia ritual. Oxum protagoniza sua dança; em seguida, Xangô entra em cena. Desde esse primeiro momento, a Vila Isabel estabelece com clareza a ideia de retorno ao terreiro, ao quintal, ao espaço onde samba e macumba se misturam sem separação.
Outros trechos do samba aprofundam essa leitura. No verso “Negro Príncipe de Ouro”, seguido por “Um Ogã Alabê, macumbeiro”, a cena se reorganiza em roda: o personagem de Heitor samba no centro, interage com os iniciados e estabelece um diálogo corporal que traduz com precisão a relação entre samba e religiosidade. O movimento da roda, os gestos e a ocupação do espaço reafirmam que essas manifestações se formam no mesmo chão.
Há, portanto, uma afirmação clara: é nesse quintal-terreiro que Heitor dos Prazeres se forma, articula sua espiritualidade e se torna sambista. A comissão traduz essa origem comum em cena, construindo uma leitura fina sobre a indissociabilidade entre samba e macumba, sem recorrer ao didatismo ou a efeitos grandiosos.
O destaque individual fica para o personagem-pivô, que estabelece comunicação direta com o público e assume com clareza o papel de eixo narrativo da comissão. Em comparação aos ensaios de rua, a apresentação na Sapucaí torna a leitura da proposta mais evidente, sobretudo pela entrada dos figurinos e acessórios, que organizam e potencializam o sentido da cena.
Não se trata de uma comissão baseada em impactos espetaculares, mas de um trabalho consistente, de leitura clara e bem resolvida, que aposta na força simbólica e na coerência dramatúrgica. Ao abrir seu desfile retomando o fundamento da relação entre samba e macumba, a Vila Isabel transforma a Sapucaí, simultaneamente, em terreiro e quintal, gesto que sintetiza com precisão o que o enredo propõe e o que a escola afirma logo nos primeiros passos de sua apresentação.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane viveram uma grande noite na Marquês de Sapucaí. Com uma performance de alto nível, marcada por entrosamento, vigor e refinamento estético, o casal se afirmou como um dos grandes destaques do ensaio. A dança da dupla se destaca pela beleza do cortejo, pela condução segura da cena e pela forma elegante e potente com que defenderam o pavilhão da Vila Isabel, entregando uma apresentação que desde já se inscreve entre as mais consistentes desta segunda noite de ensaios técnicos.
Vestindo prata, Dandara conduziu o pavilhão com graciosidade e elegância, enquanto Raphael, em terno branco, apresentou uma condução firme e precisa. Juntos, defenderam o pavilhão da Vila Isabel com domínio pleno da cena, articulando cortejo, bailado e apresentação do pavilhão de forma orgânica e envolvente. A dança do casal se impôs pela sintonia nos movimentos, pela presença cênica e pela clareza com que dialoga com o enredo.
A observação da coreografia nos módulos de julgamento se estrutura a partir do trecho do samba “Sonhei Macumbembê, sonho Samborembá”. É nesse momento que Dandara entra em cena com rápidas bandeiradas e giros velozes, instaurando uma dimensão onírica que atravessa toda a apresentação do casal. Esse gesto inicial funciona como um disparador dramatúrgico: a porta-bandeira parece abrir um portal que transporta a Sapucaí para outra dimensão temporal, alinhando o bailado à proposta narrativa do enredo.
No refrão principal, “Ora yê yê ô, Oxum / Kabecilê, Xangô”, o casal oferece um dos momentos mais marcantes da noite. Na primeira execução do trecho, Raphael e Dandara apresentam um bailado clássico de mestre-sala e porta-bandeira, com giros rápidos, desenho limpo e rigor técnico. Na repetição do refrão, a coreografia se transforma: Dandara passa a incorporar gestos associados à simbologia de Oxum, enquanto Raphael responde com movimentos ligados à simbologia de Xangô, acompanhando as citações do samba.
Esse momento ganha ainda mais potência com a alteração da iluminação da pista, que passa a destacar exclusivamente o casal. A Sapucaí parece suspender o fluxo para observar a cena, criando um efeito de encantamento que acrescenta densidade à performance. Trata-se de um instante de grande impacto sensorial e simbólico, em que bailado, luz e música se alinham com precisão.
Outro trecho de grande beleza acontece quando o samba diz “Pintar a Unidos de Vila Isabel”. Nesse momento, Raphael e Dandara simulam o gesto de pintar o próprio pavilhão, incorporando o verso à coreografia de forma inventiva e sensível. É um detalhe que reforça a relação entre dança e narrativa, sem quebrar a fluidez do bailado.
Dandara se destaca especialmente pela elegância e pela qualidade dos giros, que nos ensaios de rua apareciam mais leves e que, na Sapucaí, ganharam força, vigor e projeção. Os giros são executados sem hesitação, com finalizações precisas e sincronização absoluta com Raphael. O casal chega junto aos pontos de marcação, mantém o olhar vivo e estabelece uma comunicação intensa entre si e com o público, evidenciando um trabalho consistente de ensaio e lapidação coreográfica.
A coreografia encontra seu fechamento simbólico no trecho “Pode até fazer quizumba, só não pode separar”, posicionando o casal como tradução viva da indissociabilidade entre samba e macumba que atravessa o enredo. Raphael e Dandara flutuam pela Sapucaí com leveza e controle, sustentando a proposta ao longo de toda a pista.
A dupla apresenta, sim, todos os elementos necessários para alcançar a pontuação máxima no desfile oficial. A apresentação no primeiro ensaio técnico credencia Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane à prateleira de cima dos casais de mestre-sala e porta-bandeira do Grupo Especial, pavimentando desde já uma defesa de pavilhão capaz de emocionar público e jurados no Carnaval de 2026. Trata-se de uma atuação de excelência, que combina rigor técnico, sensibilidade cênica e leitura fina do enredo, confirmando um trabalho maduro, preciso e profundamente conectado à proposta da Vila Isabel.
SAMBA E HARMONIA
Foi arrebatador o início do ensaio técnico da Vila Isabel. Já nos primeiros versos cantados por Tinga, antes mesmo de a escola entrar na avenida, a Sapucaí veio abaixo, cantando em plenos pulmões o samba de 2026. O impacto inicial revela uma comunidade com a obra na ponta da língua e um samba que estabelece, desde a largada, uma relação direta e explosiva com público e componentes.
O canto da escola é indiscutivelmente forte, sobretudo nos momentos centrais da obra. Pré-refrão e refrão principal explodem na boca do componente da Vila Isabel, criando sucessivas ondas de resposta ao longo da pista. Há potência, volume e, principalmente, entrega coletiva. A sensação é de que o samba já foi completamente incorporado pela comunidade, que canta de ponta a ponta com segurança e convicção.
À frente do carro de som, Tinga dá um show à parte. Desde o aquecimento, o intérprete atua como verdadeiro condutor do canto, impulsionando a Sapucaí a cantar junto. Ele demonstra domínio absoluto da obra e sabe como poucos incentivar o público a responder no momento certo, especialmente na convocação do refrão principal, que cresce e explode sob sua condução. Tinga também reconhece os instantes em que precisa dialogar diretamente com o componente da Vila para manter o vigor do canto, equilibrando comunicação, comando e musicalidade.
O carro de som sustenta esse trabalho com eficiência, oferecendo base para que o intérprete possa brincar com a obra, convocar o público e mobilizar o povo do samba. Um dos momentos mais marcantes do ensaio acontece aos 38 minutos, quando a escola executa um paradão e toda a Sapucaí canta, em volume impressionante, o refrão principal. A cena sintetiza a força do samba e o grau de adesão coletiva alcançado pela Vila Isabel.
De forma geral, o canto da escola se mantém forte ao longo de toda a apresentação e se destaca como o mais potente da noite. O componente canta tudo, sem quedas abruptas ou dispersão, revelando um nível elevado de assimilação da obra. Há, no entanto, um ponto de atenção: na segunda metade do ensaio, percebe-se uma leve queda de rendimento no canto. A força se mantém, mas com menor intensidade, o que indica a necessidade de ajustes para garantir sustentação plena de ponta a ponta.
Ainda assim, o saldo é amplamente positivo. O rendimento do samba, a resposta da comunidade e a relação construída com o público confirmam a potência da obra. O canto da Vila Isabel é forte, envolvente e profundamente coletivo, um samba que convoca, que emociona e que transforma a Sapucaí em um grande coro.
EVOLUÇÃO
A evolução da Vila Isabel no primeiro ensaio técnico se sustenta, antes de tudo, na segurança com que a comunidade domina o samba. Com a obra na ponta da língua, as alas evoluem com confiança e fluidez, permitindo que os corpos estejam mais livres e disponíveis para brincar, interagir entre si e dialogar com o público. Essa familiaridade com o samba se traduz diretamente em uma evolução leve, solta e prazerosa de acompanhar.
No início do desfile, a escola apresenta uma evolução mais rápida, especialmente até a passagem da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira pelos módulos espelhados. Após esse momento inicial, o ritmo da evolução se torna mais cadenciado, permitindo maior acomodação das alas e melhor organização do conjunto na pista.
Na metade do tempo de apresentação, a Vila Isabel cria um forte impacto visual ao iluminar a Sapucaí com luzes azul e branca, enquanto os totens que representam as alegorias soltam fogos de artifício. O recurso funciona não apenas como efeito visual, mas como elemento dinamizador da evolução, renovando a energia dos componentes e criando novos picos de envolvimento ao longo do desfile.
Um dos pontos positivos do ensaio é justamente a capacidade da escola de propor diferentes momentos dentro da evolução. Paradões, efeitos de luz e fogos são utilizados de maneira estratégica para evitar uma apresentação linear e estimular o componente a manter o canto, a presença e a entrega corporal. Esses recursos ajudam a sustentar o rendimento da escola e apontam caminhos importantes para equilibrar evolução e harmonia, especialmente na segunda metade do desfile, quando o canto apresenta leve queda de intensidade.
Vale destacar a condução do segundo recuo da bateria, realizada com tranquilidade e boa leitura de pista. A escola reduz momentaneamente o ritmo da evolução para permitir a entrada da bateria no recuo, enquanto a ala de passistas ocupa o espaço de forma orgânica. Os componentes seguem cantando, brincando e interagindo, mantendo a fluidez do conjunto sem rupturas ou desorganização.
O saldo da evolução é amplamente positivo. A Vila Isabel evolui com naturalidade, controle e segurança, construindo uma apresentação fluida, bem distribuída no tempo e marcada por momentos de renovação de energia.
OUTROS DESTAQUES
Destaque para a bateria “Swingueira de Noel”, comandada por Mestre Macaco Branco, que teve papel central no rendimento da escola. Em diálogo direto e afinado com a ala musical, a bateria apresentou um desempenho de alto nível e se consolidou como um dos pilares da noite. Com domínio absoluto do samba, executou bossas pensadas para a obra e sustentou com segurança a pulsação da escola ao longo de todo o percurso, garantindo base rítmica consistente para canto, evolução e interpretação.
Outro ponto que chamou atenção foi a presença da rainha de bateria Sabrina Sato, que desfilou com fantasia nas cores do Brasil. Além da presença cênica, Sabrina protagonizou momentos de afeto e descontração ao interagir com Gael, filho do mestre Macaco Branco, criando momentos de muita fofura na Avenida. Detalhes que ajudam a compreender a força afetiva deste ensaio técnico da Vila Isabel.
Uma grande apresentação no ensaio técnico da bateria “Tabajara do Samba”, da Portela, marcando a estreia do mestre Vitinho. Uma bateria portelense com seu característico peso de surdos, musicalidade refinada nas bossas e nível técnico apurado nos mais diversos naipes.
Na parte da frente do ritmo da Portela, um naipe de chocalhos de nítida virtude sonora coletiva tocou interligado a uma ala de tamborins de alta qualidade técnica. O casamento musical entre chocalhos e tamborins — ambos uníssonos — foi o ponto alto do belo trabalho das peças leves portelenses, que ainda contaram com um naipe de agogôs sólido, executando convenções rítmicas e pontuando as variações melódicas do samba da escola. Uma ala de cuícas segura tocou de forma ressonante, auxiliando também no preenchimento musical da cabeça da bateria. Na primeira fila do ritmo, um naipe de xequerês se exibiu de modo correto, assim como ritmistas tocando tambor de ilú, que também deram sua contribuição rítmica às peças leves.
Na cozinha da Águia, percebeu-se uma afinação de surdos extremamente acima da média. Os marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos, enquanto os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo típico balanço da bateria da Portela. Uma ala de repiques tocou de forma coesa junto a um naipe de caixas bastante consistente, com toque coletivo de destaque e a clássica rufada portelense bem pontuada.
Bossas de alto impacto musical foram exibidas com segurança durante todo o cortejo. Sempre baseadas nas nuances melódicas do samba, imprimiram musicalidade e se aproveitaram da pressão sonora dos surdos para a construção da sonoridade. Conversas rítmicas envolvendo os mais diversos naipes fizeram parte das paradinhas, ajudando a impulsionar os componentes da agremiação com bossas dançantes. Destaque para o belo arranjo do refrão do meio, com direito à bateria abrindo no centro para um momento coreografado e dançante. Esse, aliás, foi um dos instantes em que a “Tabajara” mais se movimentou, atraindo forte ovação popular. As movimentações coreografadas em meio ao ritmo provocaram aplausos sempre que exibidas, evidenciando um conjunto que alcançou alta performance técnica aliada a uma entrega energética.
Um grande ensaio técnico da “Tabajara do Samba”, na estreia de Vitinho como mestre de bateria da Portela. Um ritmo genuinamente portelense foi apresentado, aliado a bossas dançantes e impactantes. A coletividade musical apurada de todas as peças foi um dos grandes destaques da bateria da Águia. Um ensaio técnico que renova a esperança de uma “Tabajara” pronta para brigar pela pontuação máxima no desfile oficial, após uma exibição segura, técnica e vibrante.
Um ensaio técnico muito bom da bateria “Super Som”, do Paraíso do Tuiuti, sob o comando do mestre Marcão. Uma conjunção sonora de destaque foi exibida. Bossas com boa musicalidade auxiliaram a impulsionar o melodioso samba da escola de São Cristóvão, garantindo boa receptividade do público quando executadas.
Na parte da frente do ritmo do Tuiuti, um naipe de chocalhos de exímia qualidade técnica tocou interligado a uma ala de tamborins com trabalho coletivo bem caprichado. O casamento musical integrado entre tamborins e chocalhos contribuiu para o brilho sonoro das peças leves, que também contou com o luxuoso auxílio de um naipe de cuícas ressonantes.
A cozinha da “Super Som” apresentou uma afinação de surdos acima da média, auxiliando marcadores de primeira e segunda a realizarem um trabalho sólido e preciso. Os surdos de terceira deram um balanço único aos graves. Repiques de boa técnica musical tocaram junto de um naipe de caixas bem consistente, evidenciando o grande trabalho envolvendo os médios. Na parte de trás do ritmo, surgiram as congas, utilizadas magistralmente em uma bossa específica.
Bossas altamente musicais foram executadas de forma cirúrgica pela “Super Som”. O belo solo das congas no refrão do meio tem potencial para ser arrebatador no dia do desfile oficial. Exibido junto de chocalhos e cowbell, promete ser um dos pontos altos da musicalidade da escola. A conversa rítmica dos diversos arranjos, aproveitando-se das nuances do melodioso samba do Tuiuti, mostrou-se apropriada e funcional durante todo o cortejo.
Uma apresentação muito boa da bateria “Super Som”, dirigida pelo mestre Marcão. Um ritmo bem vinculado à bela obra da escola do bairro imperial foi exibido. Uma bateria do Tuiuti que esbanjou classe ao tocar, executou arranjos requintados e apresentou ótima fluência entre os mais diversos naipes, graças a uma boa equalização de timbres. Mestre Marcão, seus diretores e ritmistas têm motivos de sobra para saírem satisfeitos e otimistas desse grande treino no campo de jogo, visando o desfile oficial.
Um ótimo ensaio da bateria “Furiosa”, do Acadêmicos do Salgueiro, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Uma bateria salgueirense com forte impacto da pressão sonora do peso dos surdos nas bossas, apresentando um ritmo bem vinculado às suas principais características. O saudosismo envolvido nos novos surdos de acrílico serviu como estímulo emocional para a boa entrega energética dos ritmistas, além de prestar uma merecida homenagem ao eterno mestre Louro.
Na parte da frente do ritmo salgueirense, uma ala de cuícas seguras se exibiu com solidez. Um naipe de chocalhos, fazendo jus ao nome, apresentou um apurado nível técnico coletivo. Uma ala de tamborins de inegável qualidade sonora complementou as peças leves, realizando um desenho rítmico pautado pelas nuances melódicas do samba da escola branca e encarnada do bairro da Tijuca.
Na cozinha da “Furiosa”, uma excelente afinação pesada de surdos foi percebida, bem conectada à tradição salgueirense. Linda homenagem à própria história musical do Salgueiro foi o renascimento dos surdos de acrílico, tão famosos na época do lendário mestre Louro. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza característica e segurança, inclusive quando luxuosamente requisitados nas bossas. Os surdos de terceira deram um balanço envolvente aos graves, além de participarem de forma efetiva dos arranjos das bossas, sempre com requinte. Repiques coesos tocaram junto de um naipe de caixas sólido e de uma boa ala de taróis, contribuindo para o preenchimento dos médios e dando aquele molho “furioso” ao ritmo do Torrão Amado.
Bossas de boa musicalidade foram exibidas com precisão por ritmistas muito bem ensaiados. Sempre seguindo as variações melódicas do samba-enredo para consolidar o ritmo, contaram com pressão sonora proveniente do peso dos surdos, além de um trabalho caprichado dos surdos de terceira nos arranjos. Paradinhas de certa complexidade foram apresentadas com tamanha segurança que a fluência musical, mesmo diante de arranjos com elevada dificuldade de execução, manteve-se intacta.
Uma ótima apresentação da bateria “Furiosa” do Salgueiro no ensaio técnico, dirigida pelos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo possante, proporcionado por uma afinação de surdos bem pesada, plenamente inserida na tradição musical salgueirense. Bossas impactantes e dançantes foram exibidas com bastante precisão, com os ritmistas demonstrando segurança absoluta mesmo diante de arranjos complexos.
Um excelente ensaio técnico da bateria “Swingueira de Noel”, da Unidos de Vila Isabel, regida por mestre Macaco Branco. Uma conjunção sonora de raro valor musical foi obtida, graças a uma afinação pesada de surdos, à fluência impecável entre os naipes e a uma equalização de timbres privilegiada.
Na cabeça da bateria da Vila, uma ala de chocalhos primorosa executou com brilhantismo técnico um desenho rítmico, pontuando as melodias do belo samba da escola. Tudo interligado a um naipe de tamborins musicalmente muito acima da média. A convenção rítmica dos tamborins, mesmo com certo grau de dificuldade, foi executada de modo cirúrgico. Impressionante a coletividade musical de todo o naipe, em que, por toda a pista, parecia haver apenas uma peça tocando, graças à pulsação rítmica semelhante entre todos os ritmistas. Muita educação musical e coesão rítmica no casamento especial entre tamborins e chocalhos. Diferentemente de anos anteriores, as cuícas vieram enfileiradas por dentro da bateria, fugindo da organização tradicional e reverberando sua sonoridade ao longo de todo o ritmo. O feijão com arroz bem temperado dos cuiqueiros da Vila Isabel ajudou a marcar o samba com qualidade musical para os demais ritmistas.
A parte de trás do ritmo da Vila contou com uma afinação de surdos acima da média, conferindo o aspecto peculiar à bateria da escola do bairro de Noel. Surdos de primeira e de segunda tocaram com firmeza e segurança, contribuindo tanto para a marcação do ritmo quanto para a explosão sonora das bossas. Os surdos de terceira, com um balanço bastante envolvente, deram molho à sonoridade dos graves com eficácia, inclusive nas paradinhas. Um naipe de caixas tocando de forma reta e consistente atuou junto a uma ala de taróis tecnicamente privilegiada, com sua clássica batida rufada. Um naipe de repiques de alto valor técnico também auxiliou no preenchimento da musicalidade dos médios.
Bossas amplamente conectadas ao melodioso samba da Vila foram exibidas, sempre executadas de maneira impecável. Um conjunto de bossas que misturou a pressão sonora da afinação pesada dos surdos ao trabalho técnico apurado das mais diversas peças. São paradinhas sobretudo dançantes, como a conversa rítmica diferenciada no refrão do meio, que ainda conta com uma retomada clássica da Vila assim que entra a segunda do samba. Uma criação musical destacada pela boa integração com a obra vilaisabelense.
Uma excelente apresentação da bateria da Unidos de Vila Isabel, comandada por mestre Macaco Branco. Um ritmo autêntico da bateria da Vila, com marcações pesadas, caixas retas consistentes e um balanço inigualável no toque dos taróis. O casamento musical entre tamborins e chocalhos também merece menção, diante de tanta integração. Bossas dançantes auxiliaram a impulsionar os componentes, engrandecendo um dos mais lindos sambas do carnaval.
Pelo segundo ano consecutivo à frente da direção de Carnaval da Estação Primeira de Mangueira, Dudu Azevedo afirma viver um momento de grande responsabilidade e realização pessoal. Sambista de berço, ele destaca que ocupar o cargo em uma escola com a dimensão histórica e simbólica da Mangueira ainda é algo difícil de mensurar. “É muita honra e muita glória estar na Mangueira. Eu não sei mensurar a grandeza de ver que hoje eu estou na maior coisa chamada planeta, que é a Mangueira”, afirma.
Dudu ressalta que fazer parte da escola representa integrar uma instituição marcada pela ancestralidade e pela identidade negra. “É uma escola de raiz, que respeita o samba e que representa, com certeza, a maior cultura do Brasil”, diz. Segundo ele, o trabalho na direção de Carnaval é coletivo e sustentado por um grupo de lideranças internas que participa ativamente das decisões estratégicas do desfile.
Ao comparar os carnavais de 2025 e 2026, Dudu aponta um avanço significativo na maturidade do projeto. “No ano passado, a galera acreditou. Este ano, a galera já faz”, resume. Para ele, a principal mudança está no nível de engajamento da comunidade e das equipes envolvidas. “O trabalho parece mais sólido. Existe cooperação, abraço ao projeto e uma sensação de que todo mundo já entendeu o caminho”, afirma. Dudu destaca ainda a rotina de reuniões semanais e debates internos como parte fundamental desse processo.
Outro ponto destacado pelo diretor é o momento financeiro vivido pela escola, que, segundo ele, tem impacto direto na qualidade do trabalho desenvolvido no barracão. “A Mangueira hoje tem a ministra do Planejamento, a presidente Guanayra Firmino. A forma como ela dá condições de infraestrutura e como todos os profissionais recebem em dia faz muita diferença”, explica. Ele cita ferreiros, carpinteiros, aderecistas e equipes de ateliê e barracão como parte de uma engrenagem que depende de organização e previsibilidade.
“O reconhecimento financeiro é fundamental para o trabalho artístico. O artista gosta do reconhecimento financeiro, e isso permite cobrar e exigir o trabalho com responsabilidade”, afirma. Segundo Dudu, a gestão da escola trata o cumprimento dos pagamentos como obrigação básica. “Quando a gente conversa, ela fala que não está fazendo nada demais, está fazendo o que é certo”, completa.
Dentro desse processo, o trabalho plástico desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França ganha centralidade. Dudu avalia que o artista chega ao segundo Carnaval com a Mangueira mais seguro de sua linguagem e mais conectado à identidade da escola. “O Sidnei já fez um Carnaval muito bonito no ano passado, e agora ele vem com uma assinatura ainda mais clara de Mangueira”, afirma. Para o diretor, o carnavalesco conseguiu assimilar pedidos e sensibilidades do mangueirense sem abrir mão de seus próprios traços. “Ele tem uma assinatura muito bela, com traços que só ele tem”, destaca.
Dudu ressalta que a estética do desfile de 2026 nasce do cotidiano do barracão e da convivência direta com o processo criativo. “É emocionante estar no barracão todos os dias acompanhando o trabalho dele”, afirma. Segundo ele, a leitura visual do desfile deve evidenciar identidade, acabamento e coerência plástica, pontos considerados fundamentais para a Mangueira.
A primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí foi também um grande teste de escuta. Além das baterias afinadas, dos intérpretes aquecendo a voz e das arquibancadas voltando a pulsar, o público acompanhou atento a estreia do novo sistema de som da Passarela do Samba, que substitui o tradicional carro de som e promete uma experiência mais uniforme ao longo da avenida.
A novidade, no entanto, ainda em fase de ajustes, provocou percepções diversas entre o público presente, que avaliou desde a distribuição do áudio nos setores até a clareza da bateria e da voz dos intérpretes. Para muitos, o primeiro impacto foi positivo; para outros, as falhas pontuais acenderam o alerta para a necessidade de correções antes dos desfiles oficiais.
Autônoma e torcedora da Portela, Alessandra Guedes acompanhou os ensaios mesmo com o coração dividido em casa — o marido é da Mocidade Independente. Para ela, o sistema ainda precisa de ajustes, mas o saldo da estreia é animador.
“Tiveram muitas falhas no som e espero que a gente consiga corrigir a tempo, mas está muito bom. No geral, dá pra curtir”, avalia.
A análise mais técnica veio de Paulo Roberto Rodrigues, profissional da área de tecnologia e audiovisual e torcedor da Mocidade. Ele destacou que os problemas não foram generalizados, mas localizados.
“O som pecou muito na hora da Niterói e no início da Mocidade. O esquenta não chegou até o setor 1, ficou um pouquinho a desejar”, explica. Ainda assim, ponderou que a experiência não foi comprometida por completo. “Teve falha, mas dá pra ouvir bem. Está maneiro.”
A questão da distribuição sonora entre os setores foi um dos pontos mais citados pelo público. Angela Rosa, empregada pública federal e portelense, chegou após as primeiras escolas, mas conseguiu perceber diferenças importantes durante o ensaio da Mangueira.
“Consegui ouvir a voz do cantor, mas a bateria eu não consegui ouvir bem”, comenta, chamando atenção para o equilíbrio entre os elementos sonoros, fundamental para o julgamento e para a emoção do desfile.
Entre os mais jovens, a recepção foi marcada pelo entusiasmo. Letícia, de 25 anos, atendente de padaria e torcedora da Estação Primeira de Mangueira, aprovou a mudança logo de cara.
“Eu estou achando espetacular do início ao fim. Mudou bastante, melhorou muito. Não tenho o que reclamar”, afirma. Segundo ela, não houve falhas tão perceptíveis, nem mesmo nos momentos mais sensíveis do ensaio técnico.
Na arquibancada, a comparação com o antigo carro de som foi inevitável. Valesca Cristina Siqueira de Figueiredo, de 43 anos, auxiliar administrativa e mangueirense, destacou que a principal melhoria está na continuidade do áudio ao longo da avenida. “Está muito melhor do que com o carro de som. Antes tinha aquele problema de a bateria passar e ficar sem som em alguns pontos. Agora a gente consegue escutar melhor a bateria e o intérprete”, avalia.
Apesar das avaliações distintas, o sentimento predominante entre o público foi de expectativa. A estreia do novo sistema de som é vista como um avanço estrutural importante para o espetáculo, mas também como um processo em construção, que exige testes, escuta ativa e ajustes finos.
Durante o primeiro ensaio técnico realizado na Marquês de Sapucaí, na última sexta-feira, a dupla de coreógrafos da Estação Primeira de Mangueira, Lucas Maciel e Karina Dias, conversou com o CARNAVALESCO sobre as expectativas para a comissão de frente no Carnaval 2026. Em meio ao clima de ajustes finais e intensa preparação, os dois falaram sobre o momento da carreira, o amadurecimento do trabalho no Grupo Especial e os desafios impostos pelo novo formato da cabine espelhada, além de comentarem o que o público pode esperar da performance da Verde e Rosa.
A Mangueira levará para a Avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França. A proposta exalta os saberes ancestrais afro-indígenas, a medicina da floresta e o marabaixo do Amapá, homenageando Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, curandeiro e defensor das tradições amazônicas. Dentro desse universo simbólico, a comissão de frente terá papel central na apresentação da narrativa, traduzindo em movimento, imagem e emoção a força espiritual e cultural do tema.
Ao falar sobre o significado desse trabalho em suas trajetórias, Karina destacou o processo de construção contínua e o amadurecimento artístico.
“Acho que é uma crescente, não me sinto nem lá em cima, nem começando. Estamos numa escadinha que, graças a Deus, vem dando certo. Estamos construindo tijolinho por tijolinho”, afirmou.
Lucas reforçou a ideia de evolução constante e o aumento da responsabilidade a cada novo carnaval.
“Eu acho que a gente vem com um retorno muito positivo e, com isso, a cobrança vem maior. A gente se desafia a cada ano mais. E eu acho que cada ano é um ano diferente, então é um processo maravilhoso”.
Questionado sobre a consolidação do trabalho da dupla no Grupo Especial, Lucas fez questão de destacar que, apesar dos reconhecimentos recentes, o caminho ainda é longo.
“Eu acho que temos muito para crescer ainda, apesar de termos um Estandarte de Ouro. Foram três anos de trabalho. É um trabalho consistente, senão não estaríamos onde estamos, mas ainda vamos crescer muito”.
Um dos pontos mais comentados da entrevista foi a cabine espelhada, novidade que promete transformar a dinâmica das apresentações das comissões de frente. Para Lucas, o impacto será significativo tanto para os artistas quanto para o público.
“Acho que a cabine espelhada vai ser uma surpresa para todo mundo. É um novo módulo, uma nova apresentação, um novo estilo de apresentação. Cada coreógrafo vai interpretar da sua maneira, e este ano a gente vai ter muitas surpresas. Estou muito ansioso, acho que vai ser um ano muito diferente artisticamente”, afirmou.
Sobre a orientação da apresentação, se será mais voltada aos julgadores ou à Praça da Apoteose, o coreógrafo explicou que o objetivo é alcançar todos os olhares.
“De alguns anos para cá, a gente já vem trabalhando uma apresentação para que todo o público consiga ver. A ideia da cabine espelhada é bacana. Apesar de, no momento dos jurados, já termos esse instante de reverência, com coisas mais focadas para eles, o nosso trabalho, no geral, tem sido bem consistente para que todos consigam ver e participar”.
Ao ser indagado sobre possíveis surpresas, Lucas preferiu manter o mistério. “Vou deixar no ar se a apresentação da comissão será em 360°, para não dar muitos spoilers”, disse, aos risos.