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Conheça a agenda de lançamento dos enredos em São Paulo para 2024

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O carnaval de 2024 em São Paulo segue a todo vapor, até o momento da matéria, apenas uma escola do Grupo Especial divulgou o seu enredo oficialmente, foi a Mancha Verde. Mas outras seis escolas já tem data para anunciar o enredo, vamos conhecer a seguir.

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Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Nesta semana, mais precisamente nesta quarta (19) teremos o lançamento de dois enredos, o Vai-Vai em um evento fechado, e a Acadêmicos do Tucuruvi via suas redes sociais, ambos pela noite.

Em seguida teremos em maio, outros lançamentos. O Camisa Verde e Branco fará uma festa na Fábrica do Samba, com a Mocidade Alegre como convidada, para lançar seu enredo em 2024, isso no domingo, dia 07/05.

A atual campeã, Mocidade Alegre, fará a Festa das Campeãs na Fábrica do Samba, e lançará seu enredo para o próximo carnaval. Neste evento, Vai-Vai e Imperatriz Leopoldinense marcarão presença.

A Independente Tricolor, sétima colocada em 2023, em seu retorno ao Grupo Especial, vai lançar o seu enredo no dia 20/05, um sábado, no período da noite em festa dentro da sua quadra.

Em seguida, é a vez de outra Tricolor, a Dragões da Real lança o seu enredo no dia 27/05 em sua quadra.

Por fim, duas escolas que não confirmaram oficialmente, mas devem lançar o enredo em maio, Águia de Ouro e Rosas de Ouro. No caso da comunidade da Pompeia, tem uma festa de aniversário no dia 13/05 e a roseira na sexta-feira, dia 26/05.

Além das duas citadas acima, restam divulgar datas sobre o enredo para 2024: Gaviões da Fiel, Barroca, Império da Casa Verde, Tatuapé e Tom Maior.

Os lançamentos divulgados oficialmente até o momento:

Tucuruvi – 19/04
Vai-Vai – 19/04
Camisa Verde – 07/05
Mocidade Alegre – 13/05
Independente – 20/05
Dragões – 27/05

Viradouro: Feijoada de São Jorge terá apresentação de Wander Pires e equipe de 2024

Viradouro SJ 03Neste domingo, dia 23, feriado de São Jorge, a partir das 14h, a Unidos do Viradouro promoverá a tradicional Feijoada em homenagem ao Santo Guerreiro, em sua quadra no Barreto, Niterói.

Durante o evento, acontecerá a apresentação oficial do novo intérprete da escola, o consagrado Wander Pires, e da equipe para o Carnaval 2024. Além do show dos segmentos, embalados pela bateria de mestre Ciça, haverá ainda participações do Projeto Criolice, com repertório que propaga a arte e a cultura do samba, e do DJ Natinho Negrada, executando sucessos de vários ritmos.

A quadra da Viradouro fica na Av. do Contorno, 16. A entrada é gratuita. O prato de feijoada, servido das 14h30 às 17h, custa R $25.

Feijoada de São Jorge na Viradouro

Atrações: Apresentação oficial de Wander Pires como intérprete oficial; show dos segmentos e da bateria de mestre Ciça; Projeto Criolice e DJ Natinho Negrada.

Data: 23/04 – domingo

Local: Av. do Contorno, 16, Barreto, Niterói

Horário: 14h

Entrada gratuita

Prato de feijoada – R$ 25 , servido das 14h30 às 17h

Classificação etária: 6 anos, com responsáveis legais.

Beija-Flor de Nilópolis celebra o Dia de São Jorge com alvorada e missa na quadra

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Beija SJ02A Beija-Flor de Nilópolis realiza no domingo (23) uma grande celebração pelo Dia de São Jorge. As comemorações terão início na quadra às 5h com uma alvorada, que será marcada pelo toque de clarins. Em seguida, a partir das 10h, acontecerá uma missa para louvar o santo, que é homenageado com um altar no estacionamento da quadra.

O santo, que é patrono de diversas escolas de samba, é associado a Ogum no sincretismo religioso, orixá que é deus da guerra, dos metais, do ferro, da agricultura e da tecnologia.

O evento será realizado na quadra da azul e branca, que fica na Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025, em Nilópolis. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3743-0340.

Unidos de Padre Miguel celebra São Jorge com feijoada e muito samba

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UPM SJ02O dia de São Jorge (23), será de muita animação na Unidos de Padre Miguel. A escola da Vila Vintém irá comemorar com uma superfesta o dia do Santo Guerreiro.

Os festejos para celebrar o dia do padroeiro da Vermelha e Branca da Zona Oeste terão início às 09h30h, com missa em ação de graças, na Igreja Matriz de Padre Miguel. Logo depois, a partir das 13h, acontece a tradicional feijoada de São Jorge com várias atrações, na quadra da escola.

A abertura do evento fica por conta do pagode do grupo PegaBlack, em seguida vai rolar a apresentação da equipe para o Carnaval 2024 e o show da UPM. Logo depois, as coirmãs Império Serrano e Unidos de Vila Isabel prometem um grande show de seus segmentos.

A entrada com direito a feijoada custa apenas R$ 20,00 e a mesa para 4 pessoas R$100,00 também com direito a feijoada. Os ingressos e as mesas já podem ser comprados na quadra da escola que fica na Rua Mesquita, 08, Padre Miguel. A camisa de São Jorge também pode ser adquirida na quadra ou na loja virtual da UPM por apenas R$ 40,00.

UPM SJ01Serviço:

Feijoada de São Jorge

Data: 23 de abril

Endereço: Quadra da Unidos – Rua Mesquita, 08 – Padre Miguel

PROGRAMAÇÃO:

09h30- Missa em ação de graças na Paróquia de Padre Miguel

13h – Feijoada

Atrações: Império Serrano, Unidos de Vila Isabel e Grupo Pega Black

Ingressos antecipados á venda na quadra da escola.

Entrada: R$ 20,00 (entrada + Feijoada)

Camisas: R$40,00

Mesas: R$ 100,00 (com entrada inclusa + Feijoada)

Classificação: Livre – menores de 12 anos, acompanhados dos responsáveis não pagam. Componentes que apresentarem a carteirinha de qualquer escola até às 15h , não pagam – Sem direito a feijoada.

Unidos da Ponte vai contar a história do dendê em 2024

63914030 E259 40BF 9285 C6B5ED80659CA Unidos da Ponte definiu o seu enredo para o Carnaval 2024. Seguindo a sua tradição de enredos afros, a escola vai levar para a Marquês de Sapucaí, na Série Ouro, o enredo “Tendendém – O axé do epô pupá”, que contará a saga do dendê desde a sua origem mítica em terras africanas, chegando no Brasil através da diáspora. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. Ele conta como surgiu a ideia para a escola meritiense:

O título nasceu de um jogo de palavras, criando o neologismo “temdendém”, junção de “tem” com “dendém” – que é a forma usada em Angola. Fui brincando com as palavras e percebendo a sonoridade… Tendendém lembra o toque do berimbau, então eu disse: “é isso!”. Juntei e criei esse nome novo – explica Renato, que completa:

Este é um enredo que literalmente nasceu do fogo. Para o carnaval da Imperatriz de 2018, tive o prazer de trabalhar na pesquisa e a oportunidade de passear pelas galerias do Museu Nacional, onde obtive acesso à biblioteca. Achei um livro fininho, mas que me chamou muito a atenção e pensei que poderia dar enredo. Meses depois, infelizmente, houve o fatídico incêndio, não pude devolvê-lo e ele está comigo até hoje, esperando a reabertura para poder entregá-lo. “Tem dendê, tem axé”, de Raul Lody, é o livro que inspirou o enredo que busca as raízes brasileiras acima de tudo, falando de um dos pilares da cultura afro-brasileira. Curioso como o dendê já foi citado em vários sambas, enredos, mas ele mesmo nunca tinha sido protagonista – destaca o carnavalesco estreante na Sapucaí. 

Na Unidos da Ponte, a história será desenvolvida através da influência do dendê nos mitos ritualísticos africanos, mostrando sua importância nos hábitos e na cultura brasileira, sobretudo na Bahia.

É impressionante como o dendê está enraizado na cultura do baiano, o quanto simbolicamente ele influencia os cultos de matrizes africanas Obviamente, não podemos deixar de falar nas comidas preparadas com dendê. É um enredo para dar fome, saciando o espírito e fortalecendo a alma. – conclui Renato.

O enredo foi escrito e desenvolvido pelo carnavalesco, Renato Esteves, Poster ilustrativo do enredo também idealizado pelo carnavalesco e conta a contribuição do artista Guilherme Kid. O vídeo da logo é uma produção do motion designer Leandro Thomaz.

Na Série Ouro, a Unidos da Ponte desfilará na sexta-feira ou no sábado de carnaval em busca do acesso ao Grupo Especial.

Inocentes de Belford Roxo renova com o casal Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro

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O presidente da agremiação, Reginaldo Gomes, na tarde de segunda-feira, renovou o contrato do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro, que defenderão juntos as cores da agremiação pelo segundo ano.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Nossa meta é realizar um trabalho perfeito como no último desfile, quando conseguimos a nota máxima. Fizemos um desfile lindo, nossa fantasia foi uma das mais bonitas e criativas. Não temos palavras para agradecer a toda direção da escola e em especial ao presidente Reginaldo Gomes, por permitir que continuemos defendendo essa honrosa bandeira. Na Inocentes temos respeito, carinho, logo nos sentimos em família”, disseram Matheus Machado e Jaçanã Ribeiro.

Matheus Machado irá desfilar pelo segundo ano na agremiação belforroxense. Ele é cria do Império Serrano. Seu primeiro desfile pela verde e branco aconteceu em 2013. Matheus é filho da ex-porta-bandeira Andrea Machado. Em 2022, foi campeão na Série Ouro. Jaçanã já teve passagem pela Alegria da Zona Sul, Unidos do Cabral e Império da Tijuca.

A Caçulinha da Baixada foi a terceira colocada no desfile da Série Ouro, no Sábado de Carnaval, no Sambódromo, no último desfile.

Alcione não é mais porta-bandeira da Estácio de Sá

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A porta-bandeira Alcione Carvalho publicou um texto nas redes sociais se despedindo da Estácio de Sá. Confira abaixo.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Carta de amor para o pavilhão do amor e a toda nação estaciana. Foram 15 longos e belos anos em que eu pude ter o previlégio de defender o pavilhão da pioneira e lá atrás eu nem de longe imaginava que essa se tornaria a grande história da minha vida.

Eu vivi momentos de glória em que por duas vezes pude conhecer a vitória, ter dois títulos com a escola e com toda essa família que a gente construiu ao longo desse tempo. Eu me orgulho disso mas me orgulho também de ter chegado até aqui e poder dizer: dever cumprido. E eu cumpri da melhor e mais honesta forma com que eu aprendi a lidar com as responsabilidades da vida e essa se tornou a maior ao longo destes anos. Mas é chegado o momento em que se faz necessário ir.. e eu tô indo. Cheia de emoção que esse momento me trás e tentando saber como vai ser a minha vida sem vocês assim tão perto… Mas tô cheia de coragem pra descobrir também (confesso).

Esse é um ciclo que se faz necessário encerrar e tive que percorrer um caminho pra entender que esse é o meu momento e que tô procurando me aventurar por outros caminhos e essa é a única verdade de toda essa história. Eu amo vocês e quero que saibam que fazer parte desta história muito me honra e com certeza será pra sempre umas das partes mais bonitas da minha vida.A todos aos quais pude conviver por todo esse tempo gratidão por todos os momentos, pela oportunidade e pela caminhada até aqui. Tô torcendo de perto e de longe ao mesmo tempo. Obrigada Estácio, obrigada”.

Confira sinopse do enredo do Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2024

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Enredo: GLÓRIA AO ALMIRANTE NEGRO!

Nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre País. Hoje o rubro lampejo da aurora acha irmãos, não tiranos hostis. Somos todos iguais! Brasil, entre o crepúsculo do século dezenove e a alvorada do século vinte.

tuiuti enredo2024

João Cândido Velho e Inácia Cândido Velho conheceram bem a escravidão e o suor cotidiano do trabalho duro insistia em não reconhecer diferença entre presente e passado; mas o filho deles, João Cândido Felisberto, nascera sob a sombra da liberdade que abriu as asas sobre nós, porém ele não escaparia de sua herança.

Altivo como um lanceiro negro de lenço encarnado lá se ia o menino montando o alazão pelas terras gaúchas da fazenda na vila da Encruzilhada. Negrinho do pastoreio na lida com a boiada de guizos e fitas, guri pés na terra, vento nas ventas, olhos no horizonte e cabeça nas embarcações que via flutuarem pelos rios levando arroz, trigo, animais… Vagando… Navegando… Era a vida, árdua labuta vestida de sonho para melhor ser cumprida.

Já rapazote, sem arreio que lhe coubesse e futuro que garantisse, seu fado foi ancorar na Marinha. Destino este, aliás, de muitos dos desamparados pela tal liberdade alada. Lutadores inglórios, piratas, farofeiros, cachaceiros, feiticeiros, os que não tinham a dignidade de um mestre-sala serviriam para serem marinheiros. Entre alistamentos desesperados, delegacias e casas de correção se recrutava a marujada, enquanto a boa cepa das classes sociais superioras estrelava os cargos de chefia, altas patentes.

Hierarquia distintiva tradicionalmente mantida à força bruta. Maus-tratos e pagamento vergonhoso aos marinheiros eram legitimados pela “casa grande”, sempre com sua estimada chibata em punho. Convés era altar para o fetiche colonial que sangrava as costas dos santos entre cantos e rufar de tambores em solenidade normalizada. Tronco tocaiado de mastro. Porão de negreiro. Tatuagens da escravidão que marcavam as carnes do pessoal do porão.

O tempo e o vento na capital federal fizeram o jovem João Cândido, habilidoso, dedicado, carismático entre os parças e bem aceito pelos oficiais, tornar-se marinheiro de primeira classe. A carreira militar o levou a singrar mares nunca dantes imaginados pelo menino da fazenda: conheceu portos de vários países, navegou pela Amazônia e até rompeu mata em luta armada na floresta pela expulsão dos bolivianos das terras acreanas. Viajou a Inglaterra para acompanhar a construção e aprender o manejo dos poderosos encouraçados ‘dreadnoughts’, batizados Minas Gerais e São Paulo, encomendados pelo Brasil para reforçar o poder de fogo e valorizar a Armada.

Considerada por muitos uma ação deveras ostentosa num cenário sem guerra iminente para enfrentar e com o quadro de praças tão debilitado. Lá assistiu com seus companheiros uma reunião sindical pela primeira vez. Os ouvidos da marujada foram semeados com histórias sobre greves, movimentos pela melhora da situação dos marinheiros, a grande rebelião ocorrida no encouraçado russo Potemkin, que se levantou contra a má alimentação a bordo. Sentiram soprar um vento fresco sobre seus cascos cansados de humilhações ao saberem das conquistas de melhores condições e tratamento pelos colegas estrangeiros. Com lições na bagagem e coragem no peito, voltariam diferentes. Determinados a se levantar contra as injustiças sofridas.

Ao cruzar a linha do Equador no regresso à pátria, a bordo do Minas Gerais, com galões de comandante nos punhos, João Cândido é aclamado deus Netuno pela guarnição na tradicional comemoração de retorno. Salve as sereias, baleias, tritões-marinheiros! Salve o Netuno negro! Era o símbolo de uma aliança. Nascia um líder.

A insatisfação da marujada ficaria cada vez mais evidente, externada até, e o movimento de insurreição foi tomando forma entre os porões dos navios e em comitês. Rebelar era preciso.

Foi então que um acontecimento fez precipitar os planos. Uma ordem de aplicar duas centenas e meia de chibatadas num marinheiro acusado pelo “crime” de levar cachaça para o navio avermelhou as águas da Guanabara em um espetáculo de crueldade. O sentimento de indignação, que há muito se represava, estourou e, como diz a famosa canção de gesta moderna, o Dragão do Mar do Ceará reapareceu no bravo marinheiro João Cândido em plena baía carioca. Naquela noite os toques de clarim do Minas Gerais não pediram recolhimento e sim combate. Bradando “liberdade” e “abaixo a chibata” os revoltosos travaram batalha contra os oficiais, rubras cascatas jorraram das fardas brancas, e tomaram o controle. Líder da revolta, João, de lenço vermelho no pescoço tal qual um lanceiro negro do Rio Grande, comandou as etapas. O Rio de Janeiro, então capital da República, se deparou com navios de guerra dos mais modernos e poderosos do mundo com os seus canhões direcionados para ele, de bandeiras vermelhas hasteadas e exigindo o fim da fome e da chibata. Os estrondos dos primeiros tiros de canhão tremeram a cidade. O recém-empossado presidente, marechal Hermes da Fonseca, deixou o baile no Clube da Tijuca à toque caixa para o Palácio do Catete onde recebeu o aviso vindo dos amotinados com suas reivindicações e a ameaça de bombardeio a cidade e as embarcações que não aderiram ao movimento em caso de recusa do governo. Foi um assombro tamanha audácia.

Pela manhã, a população se amontoou nas praias e morros para ver a movimentação magistral dos imponentes Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro pela baía, a maravilha daquele momento, mas a curiosidade logo cedeu assento para o desespero quando mais alguns tiros de canhões de baixo calibre foram disparados para assustar os governantes e provocou uma movimentação de fuga desesperada (dos mais abastados) para a região serrana e (dos menos favorecidos) para os bairros do subúrbio. Jornais e periódicos repercutiram a situação extraordinária mais alto que o som dos disparos. Rapidamente fizeram famosa a figura do tão comentado “almirante negro”, como o escritor João do Rio passou a chamá-lo no Gazeta de Notícias.

Depois de alguns dias de trapalhadas políticas frente a algo tão inusitado, o governo cedeu e prometeu melhorar as condições de tratamento, trabalho, e extinguiu a chibata do modus operandi da Marinha. O senado, apoiado pelo inflamado discurso de Rui Barbosa, aprovou uma lei de anistia para os marinheiros revoltosos. Com essas medidas as bandeiras vermelhas foram arriadas, os canhões se desarmaram. A marujada conseguiu. O almirante negro venceu. Ninguém mais passaria fome. Ninguém mais apanharia da chibata.

Só não contavam com a traição do marechal presidente em não cumprir o acordo de anistia e mandar parte dos revoltosos para prisão e o restante para tenebrosa viagem sem volta no navio Satélite. Jogado mais de uma dezena de companheiros numa pequena cela insalubre na ilha das cobras, João os viu sucumbir envenenados pela cal jogada no cárcere. Sobreviventes? Apenas ele e mais um. Mesmo com a saúde abalada continuou preso. Agrilhoado às alucinações e pesadelos daquela câmara do terror, devolveu ao mundo delicadeza bordando em velas-tecidos de esperança que desfraldavam seu “amôr” e desejo de liberdade. A forte tormenta que atravessava o marinheiro o fez atracar no Hospital de Alienados na praia Vermelha. Diziam estar louco aquele homem do mar.

Tempos depois, livre da fantasia da insanidade, sob o manto protetor da Irmandade da Igreja Nossa Senhora do Rosário que providenciou sua defesa, foi julgado pelo Conselho de Guerra. Finalmente absolvido, mas desligado da Marinha, continuou sendo perseguido pelas autoridades. O grande chefe rebelde que garantiu a vitória da revolta da esquadra passaria a ganhar a vida como pescador nas mesmas águas da baía que foi palco de sua aventura, nas pedras pisadas do cais da Praça XV. O mar era seu amigo, nunca deixou faltar.

Brasil, depois do século vinte e caminhando no século vinte e um.

João Cândido Felisberto conheceu a herança da escravidão, virou símbolo de luta contra injustiças, de liderança. É saudado no povo. Cantado, versado, escrito, representado, pintado, tatuado, homenageado em escolas de samba… Salve o Almirante Negro! O maior herói da NOSSA pátria. O herói do povo. Erguido em bronze, assentou praça de frente para a baía de Guanabara. Necessário monumento amplificador de vozes contra a chibata que ainda insiste em ser acionada em nossa sociedade atualmente.

Nós nem cremos que os escravos de outrora ainda sejam vistos e tratados como em tão nobre País. Hoje o rubro lampejo da aurora não acha irmãos, mas tiranos hostis. Não somos todos iguais!

Enquanto houver quem defenda ditaduras haverá uma chibata empunhada, afinal não faz muito tempo…

Jack Vasconcelos

REFERÊNCIAS:
ANDRADE, Edwilson da Silva. Um herói, uma história, uma canção. O discurso poético e os processos de significação em O mestre-sala dos mares, de João Bosco e Aldir Blanc. Cadernos da FaEL. Nova Iguaçu/RJ, vol. 2, no 5, 2009.
BOMFIM, Flávia. O adeus do marujo. Rio de Janeiro: Pallas, 2022.
CARVALHO, José Murilo de. Pontos e bordados: escritos de história e política. Rio de Janeiro: Topbooks, 2021.
CHEUICHE, Alcy. João Cândido, o almirante negro. Porto Alegre/RS: L&PM, 2020.
GRANATO, Fernando. João Cândido / Fernando Granato. São Paulo: Selo Negro, 2010.
MAESTRI, Mário. Cisnes negros: uma história da revolta da Chibata. São Paulo: Moderna, 2000.
MAESTRI FILHO, Mário José. 1910: a revolta dos marinheiros. São Paulo: Global, 1982.
MOREL, Edmar. A revolta da chibata / Edmar Morel; (organização Marco Morel). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.
NASCIMENTO, Álvaro Pereira. A ressaca da marujada: recrutamento e disciplina na armada imperial. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2001.
SILVA, Marcos Antonio. Contra a chibata: marinheiros brasileiros em 1910. São Paulo: Brasiliense, 1982.

Festa de premiação do Estrela do Carnaval do Grupo Especial é dia 7 de maio na Imperatriz

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Vem aí a 15ª edição da premiação do Estrela do Carnaval, oferecido pelo site CARNAVALESCO aos melhores do Carnaval 2023 no Grupo Especial. A festa está marcada para o dia 7 de maio, a partir das 13h, na quadra da Imperatriz Leopoldinense (Rua Professor Lacé, 235, em Ramos), com direito a tradicional feijoada da escola. Valores: Pista: R$ 20,00 (Primeiro lote) e Mesa (4 lugares): R$ 120,00 (Primeiro lote); Feijoada: Antecipado: R$ 30,00 e No dia: R$ 35,00; Reserva: (21) 98317-6137.

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Bora e Haddad foram os vencedores no Carnaval 2022

“É uma honra para Imperatriz receber, pelo segundo ano consecutivo, a festa de premiação do Estrela do Carnaval. Tenho certeza que, mais uma vez, será um grande evento, com a presença de grandes sambistas”, disse João Drumond, diretor executivo da Imperatriz.

Para celebrar as 15 edições do prêmio haverá uma premiação especial. O público poderá votar e escolher os melhores da história do prêmio nas categorias: “Desfile”, “Bateria”, “Intérprete”, “Samba-Enredo”, “Comissão de Frente” e “Mestre-Sala e Porta-Bandeira”.

“Temos que celebrar 15 edições do prêmio. Por isso, vamos premiar seis categorias históricas, além de homenagear algumas pessoas que são fundamentais nos 15 anos do CARNAVALESCO“, revelou Alberto João, diretor executivo do site.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

O Estrela do Carnaval do Grupo Especial contou com 16 categorias. O “Desfile do Ano” ficou com a Viradouro. A escola de Niterói ainda faturou mais dois prêmios: Tarcísio Zanon (melhor carnavalesco) e ala de baianas. A Imperatriz também conquistou três categorias: Bateria, Conjunto de Fantasias e Enredo.

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A Vila Isabel ganhou em quatro categorias: Marcinho e Cris (melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira), Conjunto de Alegorias, Tinga (melhor intérprete) e Originalidade para o carro de São Jorge.

O samba-erendo do ano ficou com a Estação Primeira de Mangueira. O intérprete Dowglas Diniz foi eleito a Revelação do Carnaval 2023. A Beija-Flor foi premiada em duas categorias: melhor Harmonia e Lorena Raissa (melhor Rainha de Bateria). O Paraíso do Tuiuti ganhou como melhor ala de passistas do Grupo Especial.

Vencedores do Estrela do Carnaval 2023 – Especial Rio
Desfile do Ano: Viradouro
Comissão de Frente: Unidos da Tijuca
Bateria: Imperatriz Leopoldinense
Mestre-sala e Porta-bandeira: Marcinho e Cris (Vila Isabel)
Samba-Enredo: Mangueira
Intérprete: Tinga (Vila Isabel)
Baianas: Viradouro
Ala de Passistas: Paraíso do Tuiuti
Conjunto de Alegorias: Vila Isabel
Conjunto de Fantasias: Imperatriz
Harmonia: Beija-Flor de Nilópolis
Enredo: Imperatriz Leopoldinense
Carnavalesco: Tarcísio Zanon
Rainha: Lorena Raissa (Beija-Flor)
Originalidade: Alegoria São Jorge (Vila Isabel)
Revelação do Carnaval 2023: Dowglas Diniz, intérprete da Estação Primeira de Mangueira

A festa de premiação do Estrela do Carnaval da Série Ouro 2023 será no dia 13 de maio, na quadra do Paraíso do Tuiuti.

Pixulé canta sambas-enredo do Tuiuti em apresentação oficial na escola

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