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Carnaval mirim estreia formato ao lado do Grupo Especial

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Por Rhyan de Meira e Juliana Henrik

Os desfiles das escolas mirins tiveram início no sábado, na Marquês de Sapucaí, inaugurando um novo formato para o Carnaval das crianças e adolescentes ligados às agremiações do Rio de Janeiro. Pela primeira vez, as apresentações foram divididas em quatro datas e passaram a ocupar o mesmo dia do ensaio técnico das escolas do Grupo Especial, ampliando a circulação de público e a visibilidade das agremiações mirins.

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Na abertura da programação, Miúda da Cabuçu, Inocentes da Caprichosos e Império do Futuro levaram para a avenida não apenas seus enredos e sambas, mas também a experiência de desfilar em um ambiente tradicionalmente reservado às grandes escolas.

A mudança impactou diretamente a rotina de preparação dos componentes, que passaram a vivenciar a Sapucaí em um contexto diferente daquele que historicamente marcava os desfiles mirins.

Para mestres, cantores e integrantes dos casais, a oportunidade representou reconhecimento, aprendizado e, sobretudo, a sensação de que o carnaval mirim passou a ocupar um espaço mais central na festa. Na Império do Futuro, o desfile também foi marcado por uma homenagem carregada de significado para quem cresceu dentro da escola e carrega a tradição da bateria como identidade.

Responsável pela condução rítmica da agremiação, o mestre de bateria Luiz Gustavo destacou o simbolismo daquele momento, vivido diante de um público maior e em um dia de grande circulação na Sapucaí. A presença no ensaio técnico do Grupo Especial deu ainda mais peso à homenagem levada para a avenida e reforçou o vínculo entre o carnaval mirim e a história das escolas-mães.

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“Uma sensação muito boa. Vamos ter um homenageado aí que faz parte da nossa sala, que é o Edgar. Então é um privilégio muito grande estar homenageando um homem que criou o brilho da bateria do Império Serrano. E é isso, muito feliz, muito feliz de estar participando dessa homenagem. Estou preparado? Com certeza, sempre”.

Entre os integrantes dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, a mudança no calendário também trouxe novas expectativas.

Visibilidade maior para os mirins

Acostumados a desfilar em datas mais reservadas aos mirins, os jovens passaram a dividir o espaço com ensaios técnicos que tradicionalmente atraem grande público, alterando completamente a dinâmica do dia e a percepção sobre o desfile.

Porta-bandeira da escola, Isabela, de 20 anos, avaliou a experiência como um marco diferente na trajetória das escolas mirins. Para ela, a antecipação do desfile e a possibilidade de uma Sapucaí mais cheia deram um novo significado à apresentação, reforçando o sentimento de valorização das crianças e adolescentes que constroem o carnaval desde cedo.

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“Está sendo bem diferente. É um dia bem fora do comum do que nós, crianças, estamos habituados a fazer o nosso desfile. Então a expectativa é um pouco diferente também. Acredito que a pista vai estar um pouco mais cheia. Tomara que esteja cheia, assim como no dia dos mirins antecedendo ao desfile das campeãs, porque as crianças merecem de fato que essa pista esteja cheia. Mas acho que hoje vai estar diferente por serem os ensaios técnicos”.

“Por um lado, eu achei interessante, traz mais visibilidade de fato para o carnaval mirim. Então, como ela disse, é uma experiência nova. Pra gente é uma nova rotina”.

Já para o mestre-sala Paulo, de 17 anos, da Império do Futuro, o desfile no dia de ensaio técnico foi resultado de um longo processo de preparação que envolveu treinos intensos, dedicação e o compromisso de representar não apenas a escola mirim, mas também a tradição herdada da escola-mãe. O momento, segundo ele, foi vivido como um estímulo a mais para quem sonha em seguir no carnaval.

“A gente se treinou muito, a gente saiu muito, foi bastante esforço pra dar um resultado bom, porque a gente tem que levar o nosso nome com todo amor na Escola do Império do Futuro, assim como na Escola Mãe, que nós somos terceiros do Império Serrano, graças ao Império do Futuro”.

“É uma visibilidade muito grande e muito boa pras crianças, que muitas vezes têm poucos dias com público pra assistir. Colocar os desfiles das mirins antes do ensaio técnico é um gás, é um incentivo a mais. Você vê todo mundo ali, fica mais feliz, todo mundo te vendo, todo mundo te aplaudindo”.

“É um sentimento inexplicável você ser aplaudido. É o sonho de todo mundo. Então é isso, é felicidade, depositar toda a sua força enquanto você mostra que está feliz, porque isso é o carnaval: carnaval é felicidade”.

A participação dos intérpretes da Miúda da Cabuçu no mesmo dia do ensaio técnico do Grupo Especial também foi marcada por emoção e significado. Para Rafael Ídalo Correia dos Santos, estar na Sapucaí em um contexto diferente do habitual trouxe a sensação de pertencimento a um espetáculo maior, onde o samba mirim ocupou o mesmo espaço das grandes escolas. “A hora que eles vendem a palma… por favor!”, comentou, em tom empolgado, ao falar da resposta do público e da energia sentida na avenida.

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Já para Bruno Rezende, de 21 anos, a experiência teve um peso ainda mais profundo. Além de viver a emoção de cantar no mesmo dia das escolas do Especial, ele destacou a importância de dividir esse momento com Rafael, reforçando o caráter inclusivo do samba.

“A minha emoção de hoje é de poder ajudar ele a estar aqui e fazer ele se sentir feliz, se sentir incluído, porque o samba é isso, é inclusão”, afirmou. “O sentimento pra mim é o mesmo de passar com a Escola Mãe. É gratificante demais, ver o público interagindo, é uma coisa que eu guardo no fundo do meu coração”.

Outro intérprete da Miúda da Cabuçu também ressaltou o impacto de desfilar com a arquibancada cheia e no clima de ensaio técnico. Para ele, a sensação foi resumida em afeto e ligação eterna com a escola. “É amor, é carinho. Acho que minha escola é linda e acho que vou desfilar com ela até eu morrer”, disse. Ao falar sobre inspiração, destacou a base do samba no ritmo e na sintonia com a bateria: “Tem que seguir sempre o intérprete e seguir sempre a bateria, marcar na ponta do pé”.

Ao falar sobre referências, Paulo reforçou o caráter formador do carnaval mirim e como os exemplos vistos nas grandes escolas servem de base para a construção artística e técnica dos jovens sambistas. Para ele, a convivência com esses nomes alimenta sonhos e aponta caminhos para o futuro.

“Eu tenho ótimas referências dentro de casa. No Império Serrano teve um casal maravilhoso. Toda vez que eu falo dela quase choro, é a Raffaella Caboclo. Também tem Andrea Machado, Rita, Nara Matias. Cada vez mais as porta-bandeiras vêm inspirando a nova geração”.

“Hoje em dia a régua tá muito alta. Me inspiro no Rafael, da Vila; Felipe Lemos, da Imperatriz; e Matheus Oliveira, da Mangueira. Esses três pra mim são referência total. Minha dança é muito baseada neles”.

Na ala musical, o clima também foi de expectativa e emoção. Intérprete da Miúda da Cabuçu, Lucas Macumbinho destacou a ansiedade de desfilar em um contexto diferente do habitual, com a responsabilidade de conduzir o samba diante de um público maior.

“Cara, é meio estranho. Eu tô com um sentimento muito ansioso, sentimento de alegria. Acho que a galera pode pegar o samba. A gente tá com um ótimo samba e vamos fazer um ótimo desfile, graças a Deus”.

Na Inocentes da Caprichosos, o ensaio técnico teve um significado ainda mais especial para o intérprete Davi Fernandes. Em seu segundo ano na escola, ele assumiu o microfone principal, vivendo um momento de afirmação e responsabilidade dentro da agremiação mirim.

“Pra mim é um sentimento muito especial. É meu segundo ano desfilando aqui na Inocentes. E é mais especial ainda porque hoje eu sou o microfone número um. Então pra mim é carregar essa responsabilidade. É um sentimento muito grande, muito especial, só tenho a agradecer a todo mundo”.

Com entrada franca, os desfiles mirins seguiram ao longo do mês de fevereiro, reafirmando o papel dessas escolas como espaço de formação, pertencimento e continuidade do carnaval carioca. A experiência de dividir a Sapucaí com o ensaio técnico do Grupo Especial marcou um novo capítulo para o carnaval das crianças, aproximando ainda mais o futuro do presente da maior festa popular do país.

Público reage ao ensaio técnico de sábado e aponta sensações de Vila Isabel, Salgueiro, Tuiuti e Portela

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O ensaio técnico do último sábado levou à Marquês de Sapucaí um público diverso, atento e disposto a sentir o carnaval para além da técnica. Com Vila Isabel, Salgueiro, Tuiuti e Portela na avenida, a noite funcionou como um verdadeiro teste de impacto: quem passou conseguiu provocar reações imediatas na arquibancada, seja pela elegância, pelo canto, pela energia ou pela força da bateria. Entre estreantes no sambódromo e torcedores experientes, o sentimento foi de envolvimento coletivo e leitura espontânea do que cada escola apresentou neste momento de preparação.

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As impressões do público revelam não apenas preferências, mas também como o desfile foi absorvido por diferentes olhares.

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“É a primeira vez que assisto ao ensaio técnico e eu achei legal, achei interessante, cada um com a sua característica. A Vila Isabel foi a mais elegante e bonita. No enredo, eu escolho o Salgueiro. Todo mundo bastante animado e rendeu na avenida”, disse Carol Souza, de 18 anos, estudante, que não torce para nenhuma escola.

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“Me encantei com o ensaio do Salgueiro. A energia, a vibração, os jogos de luzes e o enredo da escola fizeram a arquibancada sair do chão. O trunfo do desfile, com certeza, foi a rainha de bateria do Salgueiro, a Viviane Araújo”, afirmou Débora Luz, de 35 anos, torcedora da Mangueira.

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“Todas as escolas fizeram um ótimo desfile, mas, mesmo sendo salgueirense, a Vila Isabel se destacou mais no samba. No desfile, o Salgueiro me surpreendeu, eu não imaginava a escola vindo tão bonita e elegante, com uma comissão de frente encantadora”, avaliou Marcos Vinícius Paulo, de 18 anos, estudante e torcedor do Salgueiro.

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“Só deu o Salgueiro na Sapucaí. Nenhuma outra superou minha escola do coração, por faltar animação dos torcedores em cantar o samba. O que mais surpreende no desfile do Salgueiro é a bateria Furiosa, é de arrepiar ouvir pessoalmente”, destacou Emerson Santos, de 34 anos, mecânico e salgueirense.

O ensaio técnico mostrou que o carnaval começa a ser medido também pela resposta imediata do público. Elegância, samba, energia, canto e bateria surgem como termômetros claros dessa noite em que Vila Isabel, Salgueiro, Tuiuti e Portela deixaram suas marcas e aqueceram ainda mais a expectativa para os desfiles oficiais.

Harmonia e casal se destacam no segundo ensaio técnico do Águia de Ouro

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Letícia Sansão e Will Ferreira 

Águia de Ouro realizou seu segundo e último ensaio técnico visando ao Carnaval 2026. O treino da Pompeia teve como principais destaques o casal de mestre-sala e porta-bandeira e, como de costume, a forte harmonia apresentada pela escola na pista.

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A atuação de Alex Malbec e Monalisa Bueno foi mais do que satisfatória, demonstrando alta sincronia. Chamou atenção, sobretudo, a elegância da porta-bandeira, que parecia flutuar de tanta leveza em seu bailado, sem deixar o ritmo cair em nenhum dos módulos. O canto da comunidade voltou a se mostrar potente, como acontece tradicionalmente na agremiação. Por isso, é difícil imaginar um ensaio ou desfile em que o quesito Harmonia não figure entre os pontos altos da escola.

Outro aspecto que mereceu destaque foi a evolução dos componentes, apresentada de forma diferente em relação aos últimos anos: mais solta, leve e alegre. Foi, de fato, um ensaio bastante proveitoso, do qual o Águia de Ouro poderá extrair bons frutos para o desfile que acontece daqui a duas semanas.

O Águia de Ouro será a segunda escola a desfilar no sábado de Carnaval, com o enredo “Mokum Amsterdã, o Voo da Águia na Cidade Libertária”, desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada.

COMISSÃO DE FRENTE

Comandada por Robson Bernardino, a comissão de frente apresentou o mesmo jogo visto no ensaio anterior.

Os integrantes, aparentemente simbolizando personagens dos Países Baixos e do Brasil, dançavam sobre o elemento alegórico no ritmo do samba, saudando o público. A coreografia é inteiramente executada sobre esse elemento, que possui altura considerável. Vale ressaltar que pode haver dificuldade de visualização para o terceiro jurado, localizado no Setor H, embora isso só possa ser confirmado no dia do desfile.

Em 2025, ficou evidente que a escola “escondeu o jogo” nos ensaios técnicos, revelando todo o potencial apenas no desfile oficial. É verdade que o coreógrafo à época era outro, mas não se pode descartar que se trate de uma estratégia interna adotada pela escola.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi um dos grandes destaques do ensaio. Os giros horários e anti-horários foram executados com perfeição, chamando atenção a elegância no toque das mãos e a sintonia entre ambos.

Em qualquer escola por onde passa, Monalisa Bueno é uma atração à parte. Não à toa, está em seu terceiro ano na Pompeia, contribuindo com notas importantes para a agremiação. O mestre-sala, novo parceiro de Monalisa após a saída de João Camargo, demonstrou segurança e boa condução, acompanhando com precisão os movimentos da dançarina.

Era esperado observar a evolução da dupla nesses dois ensaios, especialmente pelo fato de o mestre-sala ter ficado fora do carnaval em 2025, após deixar o Camisa Verde e Branco no ano anterior. O resultado foi um ensaio seguro e satisfatório. Vale destacar, ainda, que o casal enfrentou a presença de muitos papéis picados no chão, resíduos deixados pela bateria da Mancha Verde, o que poderia gerar dificuldades na evolução, mas o obstáculo foi contornado com eficiência.

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“O nosso ensaio de hoje foi incrível. Mesmo no ensaio com chuva, a gente conseguiu colocar em prática tudo o que vinha treinando ao longo desses 12 meses. Hoje saiu tudo perfeito. Sem chuva, sem vento, a gente conseguiu cravar os jurados. Eu estou muito feliz com o que a gente apresentou aqui hoje. Acredito que o Alex também”, disse a porta-bandeira.

“De certa forma, a gente agradece à chuva. Primeiro porque é algo que a gente não controla. Se no dia do desfile cair uma chuva dessas, a gente precisa evoluir, não pode parar. No primeiro ensaio, diferente deste, conseguimos explorar um pouco mais da garra. Hoje conseguimos colocar mais em prática as questões técnicas de finalização. De qualquer forma, foi importante passar por isso para entender que estamos preparados para qualquer situação”, completou o mestre-sala.

HARMONIA

O forte canto da comunidade do Águia de Ouro é sempre digno de destaque. Se no ensaio anterior os componentes cantaram com intensidade mesmo sob forte chuva, neste treino o canto da Pompeia se mostrou ainda mais presente.

Os desfilantes aparentavam estar felizes, brincando carnaval e demonstrando satisfação com o samba-enredo para 2026, apesar das críticas que a obra recebe. Os sorrisos eram visíveis a cada verso, reforçando a sensação de que a comunidade abraçou o samba. O refrão de cabeça, que remete a uma marchinha dos anos 1960 em diante, foi o ponto alto do canto da escola.

O ritmo não caiu em nenhum momento desde a entrada pelo portão. Pelo contrário, parecia ganhar ainda mais força ao longo do percurso. Fica claro que se trata de uma comunidade consciente do que é necessário para alcançar um bom resultado no desfile que ocorre em duas semanas.

EVOLUÇÃO

A evolução foi um dos quesitos que mais apresentou mudanças neste ensaio. Se antes o Águia de Ouro era conhecido por um desfile mais “militarizado”, desta vez o cenário foi oposto. Entre as alas, foi possível observar componentes soltos, evoluindo de um lado para o outro no ritmo do samba.

Coletivamente, manteve-se a tradicional compactação para evitar buracos ou divisões entre as alas. Ainda assim, foi possível perceber uma verdadeira renovação no quesito, que tende a ser mantida no desfile oficial. O samba e o ritmo apresentados na pista pedem exatamente essa dinâmica.

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Vale ressaltar que não há coreografias definidas, apenas movimentos pontuais, como nos versos finais — “nos festivais pra celebrar, com o rei daqui e o rei de lá” —, quando os componentes movimentam os braços para a esquerda e para a direita.

SAMBA-ENREDO

A dupla Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto comandou o carro de som em mais um ensaio satisfatório. O entrosamento entre os intérpretes é evidente: as vozes se equilibram perfeitamente, sem que uma se sobreponha à outra, e ambos tiveram seus momentos de interação com o público e execução de cacos.

Cantando juntos há muitos anos, a sintonia é um dos pontos fortes da dupla. Embora o samba-enredo seja alvo de críticas, é inegável sua funcionalidade. Trata-se de uma melodia animada, com letra de fácil assimilação e bom casamento entre a ala musical e a bateria Batucada da Pompeia.

Destaque especial para o time de cordas na bossa em ritmo de reggae, que acompanha com precisão e confere um belo tom ao carro de som, evocando o clima característico da cidade libertária retratada no enredo.

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“O canto forte é a marca da Águia de Ouro. É uma escola que gosta de cantar, canta muito, não por obrigação, mas por gostar mesmo. Acho que o samba se comportou muito bem na avenida, que é o resultado que a gente esperava: um samba alegre, um samba solto, que fala de Amsterdã, a cidade libertária, e sobre o respeito. Acho que funcionou bem. Vamos ajustar algumas coisas, o que é normal, mas acredito que 98% já deu certo”, comentou Douglinhas.

“Ensaio é ensaio, assim como treino é treino e jogo é jogo. Mas a gente treinou muito bem, precisava disso. No nosso primeiro ensaio, pegamos muita chuva e o som da avenida ainda não estava ligado. Hoje viemos para fazer os ajustes e, graças a Deus, correu do jeito que a gente queria. Vamos embora, porque dia 14, se Deus quiser, estaremos aqui firmes e fortes”, declarou Serginho do Porto.

OUTROS DESTAQUES

A Batucada da Pompeia apresentou ritmo consistente, garantindo bom andamento ao samba e executando bossas com eficiência. O maior destaque ficou por conta da bossa em reggae, presente nos versos finais do samba, um arranjo repetido diversas vezes ao longo do ensaio e que funcionou muito bem.

“Comentei com a bateria, no final do ensaio, que estamos em uma evolução rápida e constante. Acho que evoluímos dentro dos nove quesitos. Fizemos ensaios de quadra, ensaios específicos, ensaios na avenida e ensaios de rua também. Em cada treino, vemos evolução em todos os aspectos, seja no canto ou em outros quesitos. Hoje ficou provada a evolução da escola no andamento contínuo, sem oscilações. A bateria executou tudo o que se propôs a fazer com a sonorização oficial. Claro que ainda vamos analisar áudios e vídeos, porque sempre dá tempo de ajustar algumas coisas, mas estamos felizes e satisfeitos. Foi o melhor dos ensaios que fizemos aqui. É um trabalho de sete meses, e estamos felizes com o que conseguimos construir até o momento”, explicou o mestre Moleza.

“Como sempre digo, é oração. A gente tem muita fé em Deus, mas também precisa de ação. É trabalhar, ter humildade e um bom coração. A expectativa é a mais alta possível. Estou feliz, acompanhado da minha filha, que está fazendo dez anos, do meu filho Luca, que tem quatro, e do caçula que está para nascer. É um carnaval diferente, especial, junto da minha família. E voltando para casa depois de 25 anos, onde tudo começou. Quando era pequeno, nem imaginava que um dia estaria aqui falando com vocês, comandando uma bateria com mais de 250 pessoas. É só agradecer e continuar trabalhando e honrando as oportunidades que Deus nos dá”, finalizou Moleza.

Mancha Verde cresce com comunidade quente no ensaio técnico

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Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Mancha Verde abriu os ensaios técnicos do último sábado no Sambódromo do Anhembi com um rendimento superior ao apresentado em sua primeira passagem. Com o sistema de som funcionando plenamente, a escola contou com uma comunidade mais quente, canto forte e resposta imediata aos chamados da bateria, o que transformou a avenida em um grande terreiro a céu aberto.

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O ensaio foi encerrado em 1h00, tempo confortável dentro do limite, e indicou uma escola organizada, animada e consciente do projeto que constrói para o Carnaval. Após a queda em 2025, a Mancha retorna ao Grupo de Acesso com certo favoritismo, apostando em um projeto robusto para brigar pelo retorno ao Grupo Especial.

A escola será a quarta a desfilar no domingo de Carnaval, pelo Grupo de Acesso, com o enredo “Pelas Mãos do Mensageiro do Axé, a Lição de Odu Obará: a Humildade”, uma releitura do desfile apresentado em 2012, agora sob a liderança do carnavalesco Rodrigo Meineirs.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente mostrou quem vai abrir caminho, como manda o enredo. No ensaio, foi possível observar a marcação de um tripé que contará com coreografias executadas em sua parte superior, enquanto outros componentes desenvolvem movimentos no chão.

A encenação apresenta personagens que remetem a diferentes orixás, como Oxalá, Exu e Oxum, entre outros. Em determinado momento, os bailarinos realizam saudações aos orixás, enquanto, no chão, os passos afro dialogam diretamente com a proposta do enredo e reforçam a atmosfera que a escola pretende levar para a avenida.

As referências ao desfile de 2012, especialmente ao abre-alas que reunia todos os orixás, aparecem de forma clara, mas os coreógrafos Marcos e Wander reforçam que se trata de uma releitura com outra linguagem e novos recursos. Wander explicou que a comissão atual incorpora ferramentas adotadas pelo carnaval nos últimos anos e que muitas das surpresas ficam reservadas para o desfile oficial.

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“Esse trabalho é legal porque foi um trabalho que nós fizemos como componentes da comissão de 2012. Refazer algo do qual você participou é muito interessante. Ele é bem diferente do que era naquele carnaval. Vamos usar muitos recursos que o carnaval adotou nesses últimos oito ou dez anos. A questão do enredo vai estar muito latente na comissão.

Muita coisa que vocês estão vendo nos ensaios talvez não apareça no dia do desfile. A ideia é confundir um pouco para surpreender”, afirmou.

Marcos reforçou o peso histórico do quesito e o impacto esperado na nova versão. “A comissão de 2012 foi muito marcante, era um xirê, a primeira vez em São Paulo com todos os orixás. A releitura é diferente. Não podemos dizer como será porque é surpresa, mas vai ser bem impactante.”

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA 

Adriana Gomes e Thiago Bispo farão sua estreia como primeiro casal da escola e já demonstram uma construção de trabalho com entrosamento crescente. Apesar de estilos distintos — Adriana com uma dança mais clássica e Thiago com uma movimentação mais contemporânea —, a dupla encontrou uma identidade em comum sem perder as particularidades individuais.

A evolução de um ensaio para o outro ficou evidente. Adriana destacou os ajustes realizados desde a primeira passagem. “Nós só melhoramos do primeiro ensaio para cá. Ajustamos o que entendemos que precisava ser ajustado e eu acho que rolou, deu tudo certo.”

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Thiago chamou atenção para a adaptação do casal às paradas propostas pela escola, especialmente no paradão da bateria. “No segundo ensaio tivemos uma parada que não imaginávamos, mas a escola resolveu fazer uma parada maior para o canto. Isso mostra que estamos muito sincronizados, colocando a coreografia em pauta quando é necessário e fazendo os encaixes durante a pista. Precisamos entender o que a escola está demandando, e conseguimos fazer isso.”

HARMONIA

A harmonia foi um dos grandes destaques do ensaio. A escola cantou forte ao longo de toda a pista, com resposta coletiva expressiva, especialmente durante o paradão da bateria, quando os componentes sustentaram o samba em uníssono.

No ensaio anterior, a ausência do sistema de som impediu uma leitura mais precisa do impacto musical. Com o equipamento instalado, o rendimento cresceu de forma visível, o que se refletiu em maior empolgação e regularidade de canto entre os setores.

O intérprete Fredy Vianna destacou o trabalho da ala musical e a segurança que o conjunto proporciona ao canto. “A ala musical só me dá orgulho. É um prazer cantar do lado deles, um profissional melhor que o outro. Eles me dão todo o suporte para eu ficar livre, fazer cacos, terças e aberturas de voz. É um samba já conhecido pela escola, e eles estão pintando e bordando. É uma ala muito consciente do que faz.”

EVOLUÇÃO

A evolução se apresentou organizada e fluida. Não foram observados buracos significativos, e as alas mantiveram bom espaçamento e andamento regular durante todo o percurso.
Destaque para as alas coreografadas, que desfilaram sempre no ritmo do samba, com movimentos bem amarrados. Mesmo com coreografias marcadas, os componentes mantiveram o canto forte, o que demonstra entrosamento entre evolução e harmonia.

SAMBA-ENREDO

Reeditado do Carnaval de 2012, o samba-enredo segue amplamente assimilado pela comunidade e é cantado com entrega do início ao fim do ensaio. A obra carrega forte memória afetiva e funciona como motor de empolgação da escola.

Um ponto simbólico é que o samba é defendido pelo intérprete Fredy Vianna, um dos compositores da obra, que estreou justamente no ano do desfile original. Sobre a expectativa para o retorno do enredo à avenida, ele afirmou que a escola executará exatamente o que vem sendo ensaiado e que ainda guarda uma surpresa para o desfile oficial.

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“Eu só projeto o melhor. Nós não vamos deixar de fazer nada do que ensaiamos. O que estamos fazendo fora, fizemos aqui dentro e vamos fazer um pouco a mais. A escola vai colocar uma surpresa na avenida.”

OUTROS DESTAQUES

A Bateria Puro Balanço, comandada por Mestre Cabral e Mestre Viny, teve atuação segura. O paradão foi bem sustentado e potencializou o canto da comunidade. As bossas apresentadas mostraram diferenças claras em relação à versão de 2012, o que indica uma atualização musical da releitura.
Cabral avaliou o desempenho da Puro Balanço:

“É um trabalho de formiguinha. A gente vê os resultados pouco a pouco e achamos o ensaio maravilhoso. Claro que foi só mais um ensaio. Ainda temos muito o que corrigir para chegar no dia do desfile, mas acreditamos que conseguimos buscar esse acesso ao Grupo Especial mais uma vez”, comentou Felipe Cabral.

Exu conduz Camisa Verde e Branco em ensaio técnico de impacto no Anhembi

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Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

O último dia de ensaios técnicos no Anhembi foi encerrado com chave de ouro pelo Camisa Verde e Branco. A escola apresentou uma proposta de leitura clara do enredo e forte conexão visual com a narrativa que pretende levar para a avenida.

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Os componentes desfilaram com tridentes pintados no corpo e também com o próprio elemento nas mãos, além do uso recorrente das cores associadas a Exu. O resultado foi um conjunto visual que dialoga diretamente com o enredo. O Trevo da Barra Funda também apostou em interações com o público e com os jurados.

Com o enredo “Abre Caminhos”, o Camisa Verde e Branco será a última escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial, no dia 14 de fevereiro, no Anhembi. A proposta gira em torno de Exu como força que abre caminhos, ideia que aparece de forma constante ao longo das alas, com referências visuais bem distribuídas.

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A comissão de frente partiu do princípio central do enredo: se Exu abre caminhos, a abertura precisa ser forte. A coreografia no chão já chama atenção logo de início, com um ator central representando Exu. Em determinados momentos, ele se posiciona de frente para a cabine de jurados, enquanto os demais componentes se organizam atrás, deixando Exu como figura principal e direcionando a leitura do enredo.

O trabalho conta ainda com um tripé que se desacopla em seis módulos. Em alguns momentos, os componentes ocupam o espaço central entre esses módulos e desenvolvem coreografias que reforçam a narrativa. Quando os módulos se unem, o mesmo ator sobe no elemento alegórico e passa a representar Exu no plano superior, compondo uma imagem de forte impacto visual.

A concepção remete, em certa medida, à comissão de frente da Grande Rio em 2022, especialmente pela centralidade do personagem e pela performance marcante. O quesito, porém, pede atenção. Em alguns momentos, os módulos apresentaram leves desalinhamentos, com giros que nem sempre aconteceram de forma totalmente sincronizada. Ao final de algumas movimentações, o conjunto também não se apresentou completamente alinhado, sem que fique claro se isso faz parte da proposta coreográfica.

Ainda assim, o tripé desperta expectativa e se coloca como um dos pontos que mais geram curiosidade para o desfile oficial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Marquinhos Costa e Lys Grooters mostraram rendimento superior em relação ao primeiro ensaio. Se na passagem anterior o casal se apresentou de forma mais contida, muito em função da chuva e do temporal, desta vez a dupla apareceu mais solta e confiante.

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“Foi muito prazeroso. Foi um período curto, como costuma ser o Carnaval do Camisa, feito em um tempo bem apertado, mas foi um carnaval prazeroso. Particularmente, estou muito feliz com o retorno da parceria. No começo, tivemos que nos reajustar, porque cada um dançou com outros parceiros e acabou adquirindo novas manias”, falou Marquinhos.

Os movimentos ganharam mais amplitude, com giros mais empolgantes e não restritos apenas às cabines de jurados. O casal distribuiu a dança ao longo da pista, executando os movimentos com maior fluidez e presença, o que contribuiu para valorizar o quesito como um todo.

HARMONIA

A Harmonia foi um dos grandes destaques do ensaio. O samba mais longo exige maior atenção ao fôlego da escola, especialmente nos trechos centrais. Ainda assim, a comunidade se fez presente nas alas e nas arquibancadas, sustentando o canto ao longo de toda a pista.

“Estamos cantando bem o samba, o canto funcionou, a harmonia funcionou, os casais mandaram muito bem. Hoje foi maneiro, mas sempre tem alguma coisa para acertar, que fica para o ensaio de rua. A expectativa é muito boa para o Carnaval. Todos os segmentos estão alinhados, vai dar certo para nós”, falou o mestre de bateria Jayson ao CARNAVALESCO.

Foi possível notar que todos os trechos do samba foram entoados em alto volume, inclusive nos momentos em que a obra poderia perder intensidade. As bossas da bateria contribuíram para valorizar o canto e favorecer a sustentação do samba, reforçando a identidade musical da escola.

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EVOLUÇÃO

A Evolução não apresentou erros significativos que comprometessem o desempenho da escola. O tempo de 1h04min59s ficou dentro do limite por pouco. No geral, as alas desfilaram soltas e com elementos visuais expressivos.

Algumas alas desfilaram em fileiras, o que, em determinados momentos, abriu pequenos espaços entre os componentes. Foi possível perceber uma leve aceleração na penúltima cabine, como forma de garantir o fechamento dentro do cronômetro.
Ainda assim, não houve buracos significativos que prejudicassem diretamente o quesito.

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No ensaio, o intérprete oficial foi Rogério Papa, responsável por conduzir o canto e levantar a arquibancada Monumental. Um destaque importante foi a ala musical feminina, que surge como um ganho significativo para a escola, tanto em presença quanto em sustentação vocal.

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Outro ponto alto foi o refrão do meio, que mostrou força equivalente à do refrão de cabeça, especialmente no trecho “Eu sou da rua, macumbeiro sim, senhor”, que cresceu de forma consistente e foi cantado com intensidade por alas e arquibancadas.

OUTROS DESTAQUES

A Bateria Furiosa da Barra manteve a identidade que marca o Camisa Verde e Branco nos últimos anos. A subida segue o estilo característico da bateria, sem uma chamada tradicional de repique. O conjunto sobe inteiro no verso “é olho que tudo vê”, em um jogo de surdos semelhante ao utilizado no encerramento de uma das bossas.
As bossas seguem alinhadas ao tradicionalismo da bateria do Camisa, respeitando a identidade construída ao longo da história da agremiação.

Outro destaque foi a presença de Camila Prins, cria do Camisa Verde e Branco, que retorna à escola e assume o posto de rainha. Camila é a primeira rainha trans do Carnaval de São Paulo e desfilou no último sábado representando Pomba Gira Sete Saias, uma das regentes do ano. Sua presença reforça o diálogo entre enredo, representatividade e identidade da escola.

Canto forte conduz Portela em ensaio de afirmação na Sapucaí

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Por Marcos Marinho, Guibsom Romão, Marielli Patrocínio e Matheus Morais

A Portela realizou mais um ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, apresentando como principal trunfo o canto forte e constante da comunidade, sustentado pelo bom entrosamento entre carro de som e bateria. Com evolução leve, alas soltas na pista e momentos de impacto rítmico protagonizados pela “Tabajara do Samba”, a escola reafirmou o momento de transição e rejuvenescimento que atravessa. Entre os destaques positivos, a apresentação segura do casal de mestre-sala e porta-bandeira, que, apesar de enfrentar uma dificuldade pontual no último módulo de jurados, manteve o controle e concluiu a dança com profissionalismo, e uma comissão de frente tecnicamente sólida. A Portela será a penúltima escola a desfilar no domingo de carnaval com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues.

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COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Cláudia Mota e Edifranc Alves, a comissão de frente da Portela aposta de forma consistente na movimentação como eixo central da apresentação. A coreografia acompanha de perto a letra do samba, sublinhando seus versos por meio de gestos contínuos e bem articulados, com forte referência à movimentação afro, perceptível tanto na qualidade dos movimentos quanto na organização dos corpos em cena.

O figurino reforça esse campo simbólico. Os bailarinos, vestidos de branco, evocam imagens ligadas à iniciação no Batuque, enquanto sete personagens em figurinos vermelhos, com saias, adereços de cabeça na mesma cor e uma chave nas mãos, atravessam a coreografia como Barás. A leitura estética é clara e coerente com o universo temático proposto pelo samba.

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Ao longo da apresentação, no entanto, a comissão opta menos por uma condução cênica narrativa e mais por uma sucessão de movimentos que acompanham a música. Não há, neste momento, uma contação de história propriamente dita ou um fio dramatúrgico que organize as ações como convite explícito ao público. A entrada do espectador se dá, sobretudo, pela qualidade da movimentação, bem executada, precisa e consciente, ainda que sem explosões cênicas ou momentos de grande impacto visual. Essa escolha sugere uma comissão que parece se colocar em estado de experimentação neste primeiro ensaio, preservando possíveis surpresas para um segundo momento ou para o desfile oficial.

O ponto alto da comissão surge no trecho do samba que diz “Portela, tu és o próprio trono de Zumbi”. Nesse momento, os bailarinos estendem um estandarte com a imagem de Gilsinho Conceição, histórico intérprete da escola por duas décadas, falecido em setembro, após complicações de uma cirurgia bariátrica. O gesto interrompe a dinâmica contínua da coreografia e cria um instante de forte carga afetiva com o público, estabelecendo uma conexão direta entre memória, identidade e enredo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Marlon Lamar e Squel Jorgea vêm demonstrando, ensaio após ensaio, um entrosamento cada vez mais sólido. A dupla se apresenta com um bailado clássico, sustentado por figurinos de acabamento brilhante e dourado, que conferem elegância ao conjunto e reforçam a leitura tradicional do quesito.

Squel se destaca pelos giros precisos e pela presença cênica constante: sempre sorridente, conduz a dança convocando o mestre-sala para a cena, estabelecendo um diálogo contínuo entre os dois. Marlon responde com segurança, acompanhando a condução da porta-bandeira e reforçando a sensação de parceria madura. O casal dá sinais claros de evolução conjunta, aprofundando um entrosamento que já havia sido consagrado no último Carnaval, quando alcançou a pontuação máxima.

O cortejo se mantém mais clássico, enquanto a coreografia se evidencia em momentos específicos do samba, como no trecho “Alumia o cruzeiro, chave de encruzilhada”, quando o casal executa um gesto direcionado ao chão, em sintonia com a letra e o sentido ritualístico do verso.

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Durante a passagem pelo quarto módulo de jurados, o casal enfrentou um momento delicado. No pré-refrão principal, quando Squel se preparava para a coreografia do refrão, o pavilhão acabou se dobrando e envolvendo brevemente sua cabeça, tocando no rosto da porta-bandeira. A situação foi rapidamente solucionada. O casal seguiu com profissionalismo e controle, mantendo a apresentação estável até o fim do percurso.

No conjunto, Marlon Lamar e Squel Jorgea reafirmam um trabalho pautado pela elegância, pelo amadurecimento técnico e pela leitura consciente do quesito, com margem para ajustes finos, mas sustentados por uma base segura e já consolidada.

SAMBA E HARMONIA

A harmonia se afirma como o grande ponto alto da passagem da Portela neste ensaio. O canto da escola é forte, consistente e bem distribuído ao longo de toda a pista, em diálogo direto com o trabalho desenvolvido por Zé Paulo Sierra à frente do carro de som e com o andamento proposto por mestre Vitinho no comando da bateria “Tabajara do Samba”.

O samba parece coroar o momento de transição e rejuvenescimento vivido pela escola. Há vigor renovado no canto da comunidade, que demonstra domínio da obra de ponta a ponta, sem quedas perceptíveis mesmo fora dos trechos mais explosivos.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

O pré-refrão “Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar”, seguido do refrão principal, concentra o ápice de resposta da pista. O componente canta com entrega, transformando esse momento em eixo de sustentação da harmonia. Outros trechos também se destacam pelo rendimento vocal, como “Alupo, meu senhor, Alupô!” e “Portela, tu és o próprio trono de Zumbi”, cantados com potência e reverência.

Gestos simples associados à letra, como o movimento de braços popularizado por Nilce Fran e a coreografia no trecho da coroa do Bará, ajudam a estimular a participação coletiva, reforçando a performance do samba na pista.

EVOLUÇÃO

A evolução da Portela se apresenta leve e fluida. O desenho do samba favorece deslocamentos soltos, permitindo que as alas avancem com naturalidade. Nota-se um ambiente de maior descontração, com alas que interagem entre si e harmonistas próximos dos componentes, estimulando canto e movimento.

A única queda perceptível ocorre no trecho final, entre as alas posicionadas entre as alegorias três e quatro, possivelmente em função do desgaste físico. Ainda assim, trata-se de um ajuste pontual.

A entrada no segundo recuo da bateria se destaca pela organização. A escola reduz levemente o andamento para recompor o conjunto, com a ala de passistas sustentando o tempo à frente da bateria. As alas seguintes entram preenchendo o espaço com fluidez, reforçando a sensação de continuidade.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Tabajara do Samba”, sob comando de Mestre Vitinho, se impõe como um dos pilares do ensaio, oferecendo leitura precisa do samba e sustentando o canto à frente da escola. O trabalho rítmico não apenas acompanha, mas convoca o componente a cantar.

Um dos momentos mais potentes ocorre quando os ritmistas se dividem ao meio e a rainha de bateria, Bianca Monteiro, assume o centro da formação. A coreografia coletiva, com abaixar e levantar sincronizados, cria forte impacto visual, evidenciando o entrosamento entre rainha e mestre de bateria.

Bianca Monteiro também se destaca individualmente. Com figurino dourado, apresenta muito samba no pé e reafirma uma identidade ligada ao samba de Madureira, sustentada pela qualidade da dança.

Outro destaque é a ala de passistas, que surge com figurino vermelho, em contraste com o azul tradicional da Portela. Mais do que a mudança cromática, o que sustenta o impacto é o desempenho: samba no pé, entrega e leitura clara do ritmo. Sob coordenação de Lucas Matheus, a ala preserva o legado de excelência construído ao longo dos anos, especialmente no período em que foi conduzida por Nilce Fran.

Projeto Sou Roseira impulsiona o canto da comunidade e reforça organização da Rosas de Ouro no segundo ensaio técnico

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Por Gustavo Lima e Will Ferreira 

A atual campeã do Carnaval, a Rosas de Ouro, realizou neste sábado seu segundo ensaio técnico. O grande destaque do treino foi, mais uma vez, o canto da escola. É nítida a evolução da comunidade no quesito Harmonia, sobretudo com a implantação do Projeto Sou Roseira, que consiste em ensaios específicos voltados aos componentes da escola.

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A comunidade vem abraçando plenamente tudo o que a diretoria propõe, e isso tem resultado em um alto nível de organização. Na pista, os componentes desfilaram soltos, corretos e confiantes. O clima remete bastante à Rosas de Ouro de 2025, ano em que a escola conquistou o título. O resultado oficial só será conhecido em cerca de duas semanas, mas o que se vê da atual campeã são mudanças significativas na pista e um ambiente claramente amistoso e positivo.

A Rosas de Ouro será a quinta escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, com o enredo “Escrito nas Estrelas”, desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Arthur Rozas, a comissão de frente da Rosas de Ouro cumpriu com precisão os requisitos estabelecidos pelo manual do julgador e se destacou pela excelente sincronia entre os bailarinos. Vestidos de alienígenas verdes, os integrantes executaram os movimentos de forma extremamente igualitária, com clara leitura coletiva, priorizando passos bem encaixados no ritmo do samba.

A pista foi bem preenchida durante toda a apresentação, e a vestimenta prateada contribuiu para um belo efeito visual na passarela. Assim como no primeiro ensaio, a escola levou para a pista seu elemento alegórico, que ainda não permite uma leitura completa de seu significado, já que deverá receber decoração futuramente. No entanto, o elemento possui movimentos e foi bastante explorado pelos integrantes.

Fato é que a comissão de frente da Rosas de Ouro parece “esconder o jogo” e promete surpresas para o dia do desfile. Tudo indica que a ala fará uma representação ligada ao espaço, com forte referência à astrologia e aos planetas do sistema solar.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Em seu terceiro ano juntos, Uilian Cesário e Isabel Casagrande ensaiaram com figurino inteiramente rosa e apresentaram uma performance segura e elegante. O casal realizou os movimentos obrigatórios em frente às cabines, com um bailado leve e bem executado.

Os giros, tanto no sentido horário quanto no anti-horário, foram realizados de maneira mais cadenciada, possivelmente como estratégia para reduzir o desgaste físico. No Carnaval de São Paulo, os casais de mestre-sala e porta-bandeira praticamente não param de evoluir e, com o novo sistema de cabines, a adaptação tornou-se necessária devido ao pouco espaço entre uma cabine e outra.

Ao que tudo indica, a estratégia de Uilian e Isabel é priorizar a técnica e investir fortemente nos movimentos obrigatórios exigidos pelo manual do julgador, algo que vem sendo adotado por diversos casais neste novo formato.

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“Fizemos ajustes simples. No primeiro ensaio, o chão estava muito molhado por conta da chuva e da garoa, o que gera insegurança. Neste ensaio foi mais tranquilo. Conseguimos sentir melhor a cadência e a evolução da escola. Ajustamos detalhes de mão, cabeça e acabamento, mas mantivemos grande parte da coreografia. O trabalho está bem limpo”, disse Uilian.

“Hoje foi bem melhor, sem chuva. Fizemos apenas alguns ajustes. Este foi o último ensaio técnico da escola, mas seguimos ensaiando na quadra e nos nossos fechados. Hoje foi show”, completou Isabel.

HARMONIA

A Rosas de Ouro já apresenta um canto forte há alguns carnavais, mas, com a inserção do Projeto Sou Roseira, o quesito Harmonia ganhou ainda mais consistência. Assim como no ano passado, a comunidade parece ter ignorado críticas negativas em relação ao samba-enredo e respondeu com um canto extremamente potente.

Trata-se de um samba que, em termos de melodia, remete bastante ao ano do título: andamento para frente, samba curto, refrões marcantes, rimas simples e letra de fácil assimilação. Todas as alas, do início ao fim do desfile, mantiveram a intensidade do canto desde a linha amarela até o fechamento do portão.

Vale ressaltar que o quesito Harmonia é avaliado até o final da apresentação, com uma das cabines posicionada próxima à saída dos componentes da avenida. É fundamental que, nesse ponto, o jurado consiga ouvir claramente o canto em sincronia com o carro de som e a bateria.

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“Existe um projeto no Rosas de Ouro que está dando muito certo, que é o Projeto Sou Roseira. Ele tem apenas dois anos, mas, se a escola investir, pode crescer muito. Dependendo do resultado, a Rosas de Ouro pode se tornar ainda maior por meio desse projeto. O que vi hoje foi algo que deu certo e que pode prosperar daqui para frente”, comentou o intérprete Carlos Júnior.

A escola se apresentou de forma compacta e extremamente organizada. Os tradicionais bastões com LED vermelho foram bem utilizados, especialmente durante a chegada da bateria ao recuo e no momento da parada para a entrada no box, evitando qualquer tipo de buraco ou divisão na escola.

Destaca-se o trabalho constante da equipe de Harmonia, que se comunicou o tempo todo com os componentes, incentivando o canto e auxiliando na organização, principalmente no momento da parada — considerado um dos mais tensos do desfile. O resultado foi uma atuação coletiva muito eficiente.

Entre as alas, viu-se uma comunidade alegre, solta e confiante, lembrando bastante a Rosas de Ouro do ano passado. Cantando forte, sorridentes e felizes, os componentes demonstraram evolução tanto coletiva quanto individual, pontos bastante positivos neste ensaio.

SAMBA-ENREDO

Como citado anteriormente, o samba-enredo dialoga diretamente com a obra apresentada no ano passado, que deu resultado. A escola aposta novamente nessa fórmula, e a comunidade parece, mais uma vez, comprar a ideia.

O intérprete Carlos Júnior teve atuação de alto nível, condizente com sua qualidade, contando com o suporte da ala musical para garantir a sustentação necessária. Os cacos animaram a comunidade durante todo o ensaio. Trata-se de um samba desafiador, direto e sem pausas, que exige participação constante do intérprete — algo que Carlos Júnior conseguiu executar com êxito.

“Conseguimos corrigir bastante coisa em relação ao primeiro ensaio. Estávamos com muita emoção e pouca técnica, o que é normal no primeiro contato, por conta da euforia. Além disso, a comunidade enfrentou cerca de uma hora e meia de chuva, o que prejudicou um pouco o nosso setor. Precisávamos empolgar o público, e a técnica acabou ficando em segundo plano. O planejamento, então, foi trabalhar a técnica, e acredito que atingimos o objetivo. Hoje consegui observar melhor a escola: as alas passaram cantando e dançando, e acredito que a Harmonia preparou bem a escola”, avaliou Carlos Júnior.

OUTROS DESTAQUES

A “Bateria com Identidade”, comandada por mestre Rafa, realizou diversas bossas e apresentou um ritmo consistente durante o ensaio. Destaque para o arranjo que começa no refrão principal e termina no início da primeira parte do samba, no trecho “A explosão do universo”.

Um dos diretores de bateria também avaliou o desempenho no ensaio:

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“O ensaio de hoje foi melhor que o primeiro. A escola está feliz e pronta para o bicampeonato. A gente depende só de nós mesmos. Se passarmos certinho, com a escola cantando, em harmonia e evolução, vamos brigar forte. A expectativa é enorme. Nossa bateria é um trabalho de anos, sempre em evolução. Este ano, as bossas serão um pouco menos ousadas, mais melódicas e pensadas para o samba. A escola abraçou a ideia, e vai ser um desfile incrível”, afirmou.

Paraíso do Tuiuti apresenta ensaio técnico poderoso, com comissão de frente impactante e harmonia em alto nível

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Por Marielli Patrocínio, Guibsom Romão, Matheus Morais e Marcos Marinho

O Paraíso do Tuiuti realizou um primeiro ensaio técnico consistente na Marquês de Sapucaí, demonstrando segurança na execução do enredo “Lonã Ifá Lukumí”, que será apresentado no Carnaval 2026. A escola mostrou bom desempenho nos principais quesitos, com destaque para a comissão de frente, a harmonia e o conjunto musical, reafirmando sua identidade como quilombo do samba.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

COMISSÃO DE FRENTE

Um dos grandes destaques do ensaio, a comissão de frente apresentou uma coreografia forte, de leitura clara e bem resolvida para o julgamento. A encenação gira em torno de um tripé que representa Eleguá, entidade que surge viva acima da fumaça, criando uma imagem de impacto imediato e forte simbologia.

O corpo de bailarinos representa os eborais, entidades do Ifá afro-cubano consideradas pré-orixás e protetoras das florestas. Com caracterização precisa, os bailarinos carregam galhos que, em determinado momento da apresentação, são fincados no tripé, provocando a saída de fumaça no topo da estrutura. Dela surge um menino empunhando a bandeira Brasil–Cuba, síntese visual direta da proposta do enredo.

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A comissão conta ainda com a figura central do babalaô, sentado sobre uma esteira, que faz referência literal ao verso do samba “sentado à esteira de um babalaô”, expressão ligada ao conhecimento, à iniciação e à vivência ritualística no culto de Ifá. Bailarinos com trajes típicos cubanos completam a cena, reforçando a identidade estética da apresentação.

A coreografia foi estrategicamente pensada para as cabines de julgamento. Na primeira cabine, a apresentação se desenvolveu de forma lateral, dialogando diretamente com os jurados; já na cabine espelhada, ganhou frontalidade total. O conjunto apresentou impacto, emoção e plena funcionalidade para a avaliação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Vinícius Antunes e Rebeca Tito apresentou uma dança segura, elegante e de alto nível técnico. Com entrosamento evidente, a dupla aliou firmeza no chão à leveza dos movimentos, resultando em uma apresentação fluida e bem construída. Referências pontuais à dança afro-cubana surgiram de maneira sutil e natural, sem comprometer a coreografia tradicional do casal. A leitura do pavilhão foi clara, com excelente ocupação do espaço e ótimo aproveitamento da cabine espelhada.

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EVOLUÇÃO

A evolução do Paraíso do Tuiuti foi organizada e, em sua maior parte, fluida. Nos primeiros setores, a escola apresentou um andamento um pouco mais acelerado, mas rapidamente ajustou o ritmo e seguiu com maior controle.

A escola desfilou de forma mais compacta, o que chama atenção para uma agremiação que, historicamente, leva grande número de alas comerciais no desfile oficial, fator que pode interferir no tempo e na dinâmica da evolução. Ainda assim, o Tuiuti ocupou bem os espaços, manteve as alas preenchidas e concluiu o percurso dentro do tempo regulamentar.

HARMONIA E SAMBA

A harmonia foi um dos pontos fortes do ensaio. A escola cantou com intensidade e regularidade do início ao fim, sem oscilações perceptíveis. O samba já demonstra estar assimilado pela comunidade, que respondeu com canto forte e uniforme.

A ala musical vive um momento positivo. A bateria SuperSom, comandada por mestre Marcão, teve como principal destaque as bossas fortemente ancoradas na musicalidade afro-cubana. O desenho rítmico privilegiou a utilização dos atabaques, criando uma sonoridade orgânica e profundamente conectada à proposta do enredo.

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As bossas foram bem executadas, com entradas e saídas precisas, sem comprometer o andamento do samba. O diálogo entre a bateria tradicional e os elementos percussivos de matriz afro-cubana ampliou a identidade sonora da obra, conferindo personalidade e coerência ao conjunto musical.

O trabalho mostrou equilíbrio entre criatividade e funcionalidade para a avenida, valorizando o samba e potencializando o canto da escola, em perfeita sintonia com a condução do intérprete Pixulé e da ala musical. Esse conjunto se encaixou com precisão na condução de Pixulé, que liderou o canto com potência, boa afinação e excelente comunicação com a escola, ao lado de sua equipe musical.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria Mayara Lima foi um dos nomes mais celebrados do ensaio. Reconhecida como uma das principais rainhas da atualidade, brilhou à frente da SuperSom. Durante a bossa de inspiração afro-cubana, incorporou elementos da dança afro-caribenha, com repertório corporal amplo, preciso e expressivo.

Com fantasia dourada adornada por búzios, Mayara reforçou o impacto visual da bateria e contribuiu para o bom desempenho do conjunto.

Comissão de Frente e andamento da bateria se destacam no segundo ensaio técnico da Estrela do Terceiro Milênio

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Por Lucas Sampaio e Will Ferreira 

A Estrela do Terceiro Milênio realizou, no último sábado, seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. A primazia da coreografia da comissão de frente e a ousadia no andamento da bateria foram os principais destaques da passagem da escola, encerrada após 62 minutos na Passarela do Samba. A Coruja do Grajaú será a quinta escola a desfilar no dia 14 de fevereiro, pelo Grupo Especial, com o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”, assinado pelo carnavalesco Murilo Lobo.

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O comprometimento da comunidade do Grajaú, que supera as longas distâncias — cerca de uma hora da quadra da escola até o Sambódromo — com alegria radiante, é uma demonstração da capacidade do samba de vencer desafios. Essa força popular se intensifica a cada passagem da Terceiro Milênio pelo Anhembi. Isso permite à escola ganhar corpo para alcançar degraus cada vez maiores no Grupo Especial. A força apresentada por uma série de quesitos neste segundo ensaio técnico mostra uma agremiação competitiva para alcançar posições na parte superior da tabela, e é isso que a análise a seguir se propõe a detalhar.

COMISSÃO DE FRENTE

O quesito comandado por Régis Santos, duas vezes laureado com o Prêmio Estrela do Carnaval, promovido pelo CARNAVALESCO, mais uma vez leva para a Avenida uma apresentação de leitura significativamente fácil. Já se tornou característica das comissões da Milênio desenvolver coreografias que ilustram visualmente o conteúdo da letra do samba, e, mais uma vez, isso acontecerá com zelo e criatividade.

Uma alegoria alta e volumosa serve de palco, mas o que realmente importa são os atores que, de acordo com o coreógrafo, representarão a vida e a obra de Paulo César Pinheiro por meio da dança. Os principais elementos da evolução acontecem na pista, iniciados por um ator mirim que interpreta “o menino e seu dom de compor” e que, gradativamente, vai narrando os acontecimentos descritos pelos versos com fidelidade excepcional. Tudo dialoga com a sinopse e, inclusive, com o conteúdo da entrevista que o homenageado concedeu ao CARNAVALESCO e que foi publicada recentemente no site. Mesmo com a cenografia ainda não finalizada, já está claro que o quesito reúne plenas condições de obter novamente os quarenta pontos no dia da apuração.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Seriam Waleska Gomes e Arthur dos Santos ou Clara Nunes e seu guia espiritual? O casal parecia inspirado pelas fantasias utilizadas e realizou uma apresentação de alto nível. Nos módulos em que foram observados, um parecia o espelho do outro, respondendo aos movimentos com sincronia e agilidade. O cumprimento das obrigatoriedades do quesito não foi meramente protocolar: foi executado com elegância, beleza e confiança. Há sinais evidentes de que os três anos de parceria favoreceram o amadurecimento da performance da dupla.

O casal fez um balanço sobre a evolução do desempenho ao longo do ciclo de ensaios técnicos da Terceiro Milênio, destacando as diferenças entre os dois treinamentos gerais.

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“Acredito que não tivemos mudanças drásticas. Mantivemos o trabalho bem-feito que planejamos, com calmaria e segurança no nosso trabalho, na nossa equipe e na nossa escola. Estamos muito positivos, porque vamos entregar no dia oficial, e o público pode esperar bastante coisa linda”, disse Arthur.

“O que mudou foi a responsabilidade e a atenção. Hoje também nos permitimos nos divertir um pouco por ser o último dia. Fizemos um trabalho realmente longo durante o ano todo. Tecnicamente, o que mudou foi a qualidade, porque sempre pode ser um pouquinho melhor. E a alegria de estar aqui representando a nossa escola e o Grajaú”, completou Waleska.

HARMONIA

Quando a escola opta por falar, na Avenida, sobre um poeta, é natural que um samba cadenciado, com poucos momentos de explosão, seja a escolha narrativamente mais adequada. Por outro lado, isso se torna um desafio para a equipe de Harmonia e para os quesitos musicais manterem os ânimos da comunidade constantemente acesos. Esse desafio se torna mais fácil quando a comunidade amadurece um senso de comprometimento ao longo de tantos anos, como é o caso do povo do Grajaú. A comunidade fez sua parte, brincou o carnaval com leveza, e a bateria “Pegada da Coruja” ainda colaborou com muitas bossas e até um longo apagão pagodeado. É esperado um bom desempenho no quesito no dia do desfile oficial.

EVOLUÇÃO

A Terceiro Milênio apresentou, neste segundo ensaio, um contingente suficiente para que, somado aos seis espaços destinados às alegorias — demarcados por faixas —, os portões da concentração fossem fechados em menos de meia hora de ensaio. O encerramento do treinamento ocorreu após 62 minutos, próximo do limite máximo, mas ainda assim houve diversos momentos que podem ser suprimidos em caso de necessidade.

Por exemplo, o fato de toda a escola ter permanecido imóvel por uma passagem inteira do samba, marcada sem bateria e ao som de um pagode — no estilo do que foi apresentado no minidesfile da Festa de Lançamento dos Sambas de Enredo — pode não se repetir da mesma forma no momento da avaliação oficial pelos jurados.

Mesmo com um volume geral pequeno, é preciso cautela. Entre os módulos três e quatro de julgamento, o espaço entre uma alegoria e o ponto em que a bateria retornou à pista após sair do recuo ficou perigosamente próximo do limite para caracterização de um buraco, algo que não ocorreu quando os ritmistas passaram pelo primeiro módulo. Fica a sugestão para que a escola evite cometer um deslize em um quesito que, em 2025, foi doloroso para algumas agremiações.

SAMBA-ENREDO

Como já citado, o samba da Estrela do Terceiro Milênio não é uma obra de explosão. É um samba poético, feito para falar de um poeta, e repleto de referências à obra de Paulo César Pinheiro. No carro de som, a escola conta com o comando dos intérpretes Darlan Alves e Grazzi Brasil, que possuem estilos de canto semelhantes, mais voltados à cadência. A obra é fácil de cantar, mérito dos versos simples e bem encaixados no andamento da bateria. Para levantar ainda mais o público, contudo, o ideal seria intensificar o vigor com que os intérpretes convocam a comunidade — e, por tabela, o público — a cantar junto. Isso não compromete necessariamente as notas do quesito, mas pode favorecer outros critérios ao manter a comunidade acesa por todos os módulos de julgamento.

Os intérpretes fizeram um balanço sobre a evolução do quesito ao longo do ciclo de ensaios técnicos, exaltando especialmente a força da comunidade do Grajaú.

Darlan Alves

“Esse foi aquele segundo ensaio em que geralmente tentamos corrigir o que ficou pendente da primeira apresentação aqui no Anhembi, quando ainda estávamos sem o som da Avenida. Hoje, já chegamos com essa oportunidade de ter o som instalado; isso muda completamente o clima. A adrenalina da galera está lá em cima. Corrigimos algumas coisas, sim, e foi um ensaio muito bom. A Milênio tem essa característica de, a cada ano, se firmar mais no canto e olhar muito para o chão da escola. É uma comunidade que canta, e hoje foi isso. Fizemos um apagão de uma passagem inteira e a escola toda cantou, foi lindo. Agora é colocar a fantasia, segurar a adrenalina e fazer uma grande homenagem ao Paulo César Pinheiro”, contou Darlan.

Grazzi Brasil

“Hoje foi de uma energia maravilhosa. Ensaiamos bastante, tentamos fazer um bom trabalho e o grande dia está chegando. A energia do desfile é outra, mas a intenção é sempre a mesma: fazer dar tudo certo. Estou feliz. Essa escola é maravilhosa. O Grajaú canta forte, e quando chega a hora do jogo é uma loucura. Fico apaixonada”, disse Grazzi.

OUTROS DESTAQUES

O conjunto da obra da bateria “Pegada da Coruja” foi sublime. Mestre Vitor Velloso comandou seus ritmistas com ousadia, aproveitando ao máximo as oportunidades que o samba oferece para a criação de bossas. A parte central da obra — somando os últimos versos da primeira parte, o refrão do meio e os primeiros versos da segunda — apresenta diversas variações rítmicas que exigem confiança e precisão, e tudo foi executado com excelência. Sávia David retornou ao Carnaval de São Paulo em 2026 e abrilhantou ainda mais o espetáculo do quesito, que também contou com um apagão de uma passagem inteira do samba, marcado pelo time de cordas. Grande apresentação instrumental da comunidade do Grajaú.

Vitor Velloso avaliou o último ensaio técnico da Estrela do Terceiro Milênio e falou sobre as expectativas para o desfile oficial.

“É sempre aquela ansiedade. Você faz o primeiro ensaio e depois vem o segundo para ajustar o que precisava. Conseguimos fazer esses ajustes. A principal questão agora era o andamento. Fizemos alguns acertos em uma bolsa ou outra e ainda temos mais uma semana de trabalho até o grande dia. O resultado foi positivo e seguimos firmes para o dia 14. No desfile oficial o clima muda muito. A galera fica mais ligada, mais atenta, porque é jogo valendo. Podem esperar uma bateria firme, com boa afinação, bom andamento e bom ritmo. É isso que vamos entregar.”

Mocidade Unida da Mooca apresenta conjunto de elite em seu segundo ensaio técnico

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Por Lucas Sampaio, Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira 

A Mocidade Unida da Mooca realizou, no último sábado, seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. Em um treino no qual o conjunto da obra se apresentou de forma positiva e equilibrada, o ritmo da dança e a sintonia entre samba e bateria foram os grandes diferenciais ao longo da apresentação da escola, encerrada após 65 minutos na Avenida. A MUM será a primeira escola a desfilar no dia 13 de fevereiro, pelo Grupo Especial, com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, assinado pelo carnavalesco Renan Ribeiro.

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A afirmação a seguir pode parecer um exagero aos olhos de quem não esteve no Anhembi para acompanhar o segundo ensaio de uma escola que fará sua primeira participação na elite da folia paulistana em 2026, mas é preciso encarar os fatos: a Mocidade Unida da Mooca realizou um dos melhores ensaios da temporada e apresentou uma volumetria comparável à de escolas que vêm sendo cotadas para o título do Carnaval de São Paulo.

A plástica da escola, até o momento, é desconhecida, e todos sabem da realidade que envolve uma estreia em um novo grupo, ainda mais abrindo a primeira noite dos desfiles. Mas a equipe de profissionais que a MUM montou — e que já trabalhou na apresentação que garantiu o acesso — não é pouca coisa. Há muito comprometimento técnico e o apoio de uma comunidade apaixonada, o que se refletiu na catarse que tomou conta da Avenida no sábado. Se voltar no Desfile das Campeãs, a escola já fará história e isso será muito celebrado, mas a realidade é que a Mooca não dá indícios de que essa será uma passagem breve pelo Grupo Especial.

COMISSÃO DE FRENTE

“A Criação do Mundo” é o tema da comissão de frente da MUM, coreografada por Sabrina Cassimiro. Em atos desenvolvidos ao longo de duas passagens do samba, o quesito representa, por meio da dança, a lenda iorubá da origem de tudo. Há dois personagens que se destacam nessa coreografia, que conta ainda com outros atores coadjuvantes, os quais ora atuam no chão, ora sobem na alegoria que acompanha o quesito. Trata-se de um carro de tamanho expressivo, no qual se vê uma grande mão erguida acima de um círculo ainda descaracterizado, que provavelmente representa o planeta Terra.

A dança se destaca especialmente pela forma como a coreografia foi desenvolvida sobre a letra do samba. Em momentos de maior impacto, como no verso “Num ritual de devoção”, nas duas passagens da obra, os dançarinos parecem balançar no ritmo da melodia. Em determinado momento, o cumprimento da obrigatoriedade de apresentar a escola ocorre logo após o fim do refrão do meio, quando a melodia sofre um breve apagão natural. É um movimento rápido e peculiar, fugindo do padrão habitual, que deixa muito claro o que se propõe a representar. O quesito já abre as apresentações fazendo o público entrar no ritmo viciante do samba e tem grandes chances de alcançar a nota máxima se for bem executado no dia do desfile oficial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Também com uma dança construída a partir do samba, o primeiro casal da Mooca, formado por Jefferson Gomes e Karina Zamparolli, teve ótimo desempenho nos módulos em que foi observado. A dança fluiu de forma natural, impulsionada pelo bônus empolgante que a melodia do desfile proporciona. É mais um casal que não se contenta em cumprir apenas o protocolo das obrigatoriedades e se dispõe a integrar, mesmo diante das responsabilidades do quesito, um espetáculo maior. O Carnaval se beneficia artisticamente de profissionais dotados dessa mentalidade.

O casal fez um balanço da evolução apresentada ao longo da temporada de ensaios técnicos no Anhembi, exaltando o conjunto formado com a escola nesse processo.

Jefferson e Karina

“Eu acho muito positivo. Hoje ventou um pouco, mas foi menos do que na outra semana. Conseguimos evoluir muitas coisas. A coreografia está bem fluida, o andamento da escola ajudou muito. Foi bom na semana passada, mas esta semana foi bem melhor. Se for nesse andamento, vamos conseguir desfilar bem felizes. Conseguimos sentir a escola pulsando muito. A escola fez uns três paradões em que conseguimos ouvir bem o canto, e toda vez que isso acontece dá uma energia a mais para nós. Tecnicamente falando, ainda vamos ensaiar mais. Ainda temos duas semanas e vamos aproveitar bem para vir 100% afiados, porque é uma estreia no Grupo Especial. Queremos desfilar à altura do Carnaval que a escola está propondo, e acho que pode ser uma das maiores aberturas do Carnaval de São Paulo”, avaliou Jefferson.

“É isso que ele falou. Deu para sentir bastante no primeiro e no segundo ensaio. Agora vamos fazer nossos ensaios particulares nessas últimas semanas para ajustar o que precisar. Saímos bem satisfeitos dos dois ensaios, com certeza”, completou Karina.

A dupla demonstrou otimismo em relação ao desfile de estreia da MUM no Grupo Especial, mas também se mostrou consciente e focada no objetivo primordial da escola.

“A gente tem sempre que sonhar e trabalhar para o maior. Estamos buscando a nota máxima. Do fundo do meu coração, desejo muito que a escola tenha a alegria de estrear tentando voltar para as Campeãs. São 14 escolas, mas acredito que temos condições, tecnicamente, de brigar por uma posição e tentar essa proeza”, disse Jefferson.

“Estamos trabalhando pelos melhores resultados e pela nossa realização pessoal. Sempre quisemos dançar juntos. Saímos do Acesso, chegamos ao Especial. Para nós, isso já é uma vitória. Agora é aproveitar, ser feliz e, se Deus quiser, trazer a nota para que a escola permaneça no Especial e, quem sabe, esteja entre as Campeãs”, concluiu Karina.

HARMONIA

Um dos lemas da Mocidade Unida da Mooca é “Escola que canta, ganha”. Quem acompanha a MUM há anos sabe da força da comunidade nesse quesito. O trabalho do diretor de harmonia Yves Alexeiv, iniciado ainda em 2025, manteve essa identidade. Todas as alas cantaram forte durante toda a Avenida, sem sinais de cansaço, demonstrando vibração e determinação dignas de aplausos.

EVOLUÇÃO

A seriedade do diretor ao longo de toda a Avenida, caminhando da comissão de frente à última ala e retornando pelo outro lado, só deu lugar a sorrisos quando o portão da dispersão se fechou após 65 minutos de ensaio. Mesmo com cinco minutos de atraso para iniciar a entrada na Passarela, a Mooca evoluiu com fluidez, controlando bem o ritmo e realizando paradas estratégicas para testar a resposta do canto da comunidade. Resta saber se essa segurança se repetirá no desfile oficial.

SAMBA-ENREDO

Um samba que nasceu antes mesmo da sinopse — algo raro nos dias atuais. A MUM optou por esse caminho inverso em plena estreia no Grupo Especial, e o resultado foi uma obra que conquistou o Anhembi nos dois ensaios técnicos. Antes mesmo da comissão de frente entrar na Avenida, o refrão de cabeça foi cantado à capela pela comunidade, com resposta imediata das arquibancadas.

Emerson Dias

“A escola está em um momento especial. A magia do Carnaval contagiou a Mocidade. O povo está cantando absurdamente, a escola cantando absurdamente. Estamos abusando da força do samba, fazendo paradões e provocando o canto. A resposta vem sempre. Evolução e harmonia são os pontos principais, e nisso a Mocidade tem nota 10”, explicou o intérprete Emerson Dias.

Durante a passagem da MUM, Emerson e Gui Cruz chegaram a subir na grade do Anhembi para interagir com o público. Ao lado da estreante Sté Oliveira, formaram uma equipe afinada e energética, conduzindo a obra com maestria.

“Não sei se vamos manter todas as paradas no desfile, mas a ousadia vai existir. Estamos chegando agora no Especial e precisamos chegar chegando”, completou Emerson.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Chapa Quente”, comandada por mestre Dennys Silva, empolgou o público com grande quantidade de bossas e apagões. Os ritmistas demonstraram alto nível de ensaio, atuando como uma única mente coletiva. Uma estreia no Grupo Especial com autoridade, ainda mais valorizada pela presença da rainha Valeska Reis.

Mestre Dennys

“Após o último ensaio, fizemos muitas reuniões para encontrar diferenciais. A bateria abraçou a ideia e ensaiamos bastante. Agora é manter os pés no chão, respeitar o grupo e focar nos detalhes. Estou muito feliz, mas principalmente concentrado para fazer um grande desfile”, afirmou mestre Dennys.