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Presidente do Império da Tijuca explica decisão sobre ordem de desfile; escola já tem data para final de samba

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O Império da Tijuca escolheu uma ordem de desfile para o Carnaval 2024, segunda de sexta-feira, que causou estranhamento aos sambistas. Ao site CARNAVALESCO, o presidente Tê explicou a decisão da agremiação do Morro da Formiga. No ano que vem, a verde e branco levará para Avenida o enredo “Sou Lia de Itamaracá, cirandando a vida na beira do mar”, de autoria do carnavalesco autoria de Júnior Pernambucano e texto de Rodrigo Hilário. * VEJA AQUI: ORDEM DOS DESFILES DA SÉRIE OURO 2024

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Liga-RJ

“O meu enredo, a Lia de Itamaracá, é o mesmo enredo da Nenê de Vila Matilde, e ela deve desfilar no domingo, em São Paulo. Como a gente caiu na sexta, escolhi que fosse a segunda escola a desfilar, porque pelo menos a gente já passa e ela descansa mais para poder já no sábado ir para São Paulo. O grande motivo da troca é a idade da homenageada. Ela completa 80 anos em 2024, em janeiro. Achei melhor, para que não fosse muito tarde, que a gente poderia aproveitar melhor ela”, disse o presidente Tê.

Responsável pela direção de carnaval do Império da Tijuca, Luan Teles falou sobre o concurso de samba-enredo para o Carnaval 2024.

“A gente tem a ideia de permanecer conforme foi o ano passado, iniciando as eliminatórias final de agosto, fazer dois sábados de agosto, o primeiro sábado de setembro e a final na véspera de feriado que é 6 de setembro”.

Com enredo autoral para o Carnaval 2024, presidente da União da Ilha planeja disputa de samba

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A União da Ilha do Governador irá divulgar no sábado, em um evento realizado na quadra da escola, o enredo do carnaval de 2024. Segundo o presidente da Ilha, Ney Filardi, a agremiação insulana planeja realizar disputa de samba-enredo nos próximos meses. * VEJA AQUI: ORDEM DOS DESFILES DA SÉRIE OURO 2024

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Liga-RJ

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o dirigente falou sobre os preparativos para o anúncio do enredo, que será autoral, e sobre a ideia de realizar a disputa de samba. Ney reafirmou que o enredo de 2024 já está escolhido e mostrou confiança ao dar detalhes. Segundo ele, é um tema já abordado, mas que a Ilha levará para a Marquês de Sapucaí de um modo diferente.

“O nosso enredo está escolhido. Eu não vou ficar aqui contando historinha, mas vou me permitir esconder até sábado, que é a ocasião em que nós iremos anunciá-lo. De antemão, eu tenho certeza, com toda a humildade do mundo, que vai ser o enredo! Ele já foi abordado algumas vezes, não muitas. Será uma abordagem totalmente heterogênea às outras. É autoral”, contou o presidente da União da Ilha do Governador.

O presidente da agremiação também comentou sobre a escolha do samba. Ney revelou não gostar muito de samba encomendado, e disse que a União da Ilha planeja realizar a tradicional disputa de samba-enredo.

“Pretendemos fazer a disputa de samba sim. Não sou muito chegado a encomenda – tem o seu valor, nenhum desrespeito. Com a encomenda eu estou desprestigiando a ala dos compositores. Eu penso assim, mas nada contra quem goste de encomendar”, disse Ney Filardi.

O sorteio da ordem e dia dos desfiles deixou a escola insulana na quarta posição do sábado de carnaval, uma posição que era desejada pela a Ilha, segundo Ney: “A Ilha está muito satisfeita com a posição. O nosso desejo era que a gente fosse a quarta ou quinta de sábado, e o nosso desejo foi atendido. Estou muito feliz”, contou.

O enredo do carnaval de 2024 da União da Ilha do Governador será lançado neste sábado, às 13h, em uma feijoada na quadra da escola de samba.

Com tema sobre Nordeste, São Clemente deve anunciar enredo até sexta-feira

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A São Clemente irá divulgar o enredo do carnaval de 2024 até sexta-feira. O presidente da agremiação, Renatinho, contou ao site CARNAVALESCO que o tema do próximo carnaval abordará o Nordeste. A escola de Botafogo também terá disputa de samba, que deve começar em agosto. * VEJA AQUI: ORDEM DOS DESFILES DA SÉRIE OURO 2024

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

O presidente da escola de samba deu detalhes sobre o próximo carnaval da São Clemente e também comentou sobre a saída do mestre Caliquinho. Renatinho afirmou que o novo nome para comandar a bateria será da própria comunidade, que será anunciado em meados de junho.

Renatinho disse que o enredo foi uma descoberta feita por André Diniz e o carnavalesco, Bruno de Oliveira. Questionado se o samba-enredo seria disputa ou encomenda, o presidente afirmou que haverá disputa.

“Na sexta-feira teremos o enredo. É falando do nordeste, foram o André Diniz e o carnavalesco que trouxeram a descoberta bacana e a São Clemente irá colocar em prática. O samba será disputa e começaremos em agosto”, revelou Renatinho.

No último mês de abril a escola anunciou em suas redes sociais a saída do mestre Caliquinho. Segundo o presidente da agremiação de Botafogo, a saída foi tranquila e ocorreu devido ao cansaço do ex-ritmista, que estava à frente da bateria há mais de 12 anos.

“Foi tudo bacana. Ele está com dois filhos. Eu gosto muito dele, Caliquinho é uma cria nossa da escola. Todo mundo vai continuar desfilando e tocando. É sempre muito atarefado ser um diretor de bateria, porque é muito cobrado – não por mim, mas pela escola toda – e ele está cansado, já estava há 12 anos. Eu fiquei 17 anos e cansa; Ele começou já tarde, eu ainda era muito novo… Ele não deixou de ser amigo não, é uma paixão nossa”, afirmou o presidente da São Clemente.

Apesar de ainda não haver um substituto, que deve ser anunciado em junho, Renatinho adiantou que o nome escolhido será da própria escola, um desejo do povo de Botafogo: “A comunidade e Botafogo querem muito uma cria nossa. A gente vai decidir quem vai ser e em junho devemos lançar o nome – não está precisando agora mesmo. Será um nome da própria escola”, contou.

No carnaval de 2024 a São Clemente será a sexta escola a entrar na Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval.

Presidente Wallace Palhares confirma início das obras dos barracões da Liga RJ; ‘A Cidade do Samba II é uma realidade’

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Em meio ao evento com sorteio que definiu a ordem de desfiles da Série Ouro para o Carnaval 2024, o presidente da Liga-RJ, Wallace Palhares, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e revelou que o terreno aprovado para o projeto da Cidade do Samba II já começou a sofrer ações para o início propriamente das obras de construção dos barracões. O espaço fica em São Cristóvão.

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Liga-RJ

“O prefeito Eduardo Paes é um homem de muita palavra. Eu tenho acompanhado, aprovei o projeto e estou lá sempre que posso. Sempre vou lá ver o terreno. Já estou vendo os caminhões levando todo o material de demolição. Estou vendo o terreno já ficando pronto para as obras começarem e a ordem dele para já tocar a obra o mais rápido possível. A Cidade do Samba Dois já é uma realidade. Projeto todo aprovado, quatorze barracões. Com 16 escolas hoje, vamos ter que enxugar o grupo, não tem jeito”, admite o dirigente.

Ao ser questionado sobre eventos importantes que fizeram parte da agenda da Liga RJ pelo menos nos dois últimos carnavais, Wallace explicou que a organização para o mini-desfile no final do ano já começou e que busca parcerias para tornar o lancamento oficial dos sambas uma apresentação ainda mais esperada no calendário dos sambistas.

“O mini-desfile nós já estamos conversando. Estamos vendendo a marca do mini-desfile. Já tem bastante gente interessada. No caso do ensaio técnico a gente ainda vai conversar. Depende também do prefeito, o que ele vai organizar. Já que o carnaval é mais cedo esse ano, começa em 9 de fevereiro. A gente precisa de um planejamento o quanto antes para a gente organizar esse ensaio técnico, já que nós temos 16 escolas esse ano”, entende o mandatário.

Outro ponto que recebeu algumas críticas no ano passado foi a transmissão da Série Ouro pela TV Band. Com a renovação já acertada com a emissora para ter os direitos de mais um carnaval, o presidente da Liga RJ entende que as dificuldades eram imaginadas para um primeiro ano e garantiu que as duas insituições estão conversando bastante para acertar o que ficou fora da curva.

“O primeiro ponto é evitar muitos comentários no meio da transmissão. Até que no segundo dia melhorou bastante, o povo reclamou muito e isso é válido. A Band admitiu que teve alguns exageros, mas isso faz parte do primeiro ano. Ajustar, aprimorar a transmissão, acho que é muito válido. O ponto alto para mim foi ter mostrado o esquenta de cada escola. Eu estou pedindo agora que se filme ala por ala, mostra mais os detalhes, as pessoas de comunidade. Isso porque a Band nos escuta, está sempre junta com a gente em todas as decisões, e isso é importante”, definiu Wallace.

Por fim, o presidente afirmou que prepara muitas ideias para o regulamento do próximo ano, mas que tudo depende da apreciação em plenária e da permissão dos presidentes das escolas filiadas.

“Eu penso muitas novidades para o regulamento, mas tudo depende da plenária, dos presidentes. Vou conversar com todos eles, saber da proposta de cada um, ver melhorias para o grupo. E o balanço deste sorteio para mim foi muito positivo. Lógico, a gente tem um sábado bem fortalecido. Mas a sexta-feira também não vai ficar para trás. A gente tem escolas estreantes que vem com tudo, que não vão deixar a desejar. A gente está ouvindo muita coisa positiva”.

Em 2024, as escolas de samba da Série Ouro irão desfilar na Marquês de Sapucaí nos dias 09 e 10 de fevereiro.

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Opinião: Balanço da ordem dos desfiles da Série Ouro para o Carnaval 2024

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Como ficou a ordem dos desfile da Série Ouro 2024

Sexta
1 – Parque Acari
2 – Império da Tijuca
3 – Vigário Geral
4 – Inocentes de Belford Roxo
5 – Estácio de Sá
6 – União de Maricá
7 – Acadêmicos de Niterói
8 – Unidos da Ponte

Sábado
1 – Sereno de Campo Grande
2 – Em Cima da Hora
3 – Arranco
4 – União da Ilha
5 – Unidos de Padre Miguel
6 – São Clemente
7 – Unidos de Bangu
8 – Império Serrano

Definida ordem dos desfiles da Série Ouro para o Carnaval 2024

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A Liga-RJ definiu em sorteio, realizado na noite desta terça-feira, a ordem dos desfiles da Série Ouro para o Carnaval 2024. Os espetáculos acontecem nos dias 09 e 10 de fevereiro de 2024 (sexta e sábado), na Marquês de Sapucaí. Com o objetivo de dar mais equilíbrio, o sorteio foi definido a partir de seis pares pré-estabelecidos pela Liga-RJ em comum acordo com as 16 agremiações. Novamente, a transmissão dos desfiles será da Band.

sambodromo

Vale lembrar que o Sereno de Campo Grande (campeã geral dos desfiles da Série Prata em 2023) irá abrir o sábado de carnaval (10 de fevereiro de 2024), Parque Acari, terceira colocada nos desfiles da Série Prata, de 2023, irá abrir a noite de desfiles de sexta-feira (09 de fevereiro de 2024).

Confira abaixo como ficou a ordem oficial.

Sexta
1 – Parque Acari
2 – Império da Tijuca
3 – Vigário Geral
4 – Inocentes de Belford Roxo
5 – Estácio de Sá
6 – União de Maricá
7 – Acadêmicos de Niterói
8 – Unidos da Ponte

Sábado
1 – Sereno de Campo Grande
2 – Em Cima da Hora
3 – Arranco
4 – União da Ilha
5 – Unidos de Padre Miguel
6 – São Clemente
7 – Unidos de Bangu
8 – Império Serrano

Sinopse do enredo da Viradouro para o Carnaval 2024

Enredo: ARROBOBOI, DANGBÉ

 …Alafiou!

Caminhos abertos para a Viradouro! A predição do oráculo, senhor de todos os conselhos, prenuncia um tempo de grandes batalhas. Tempo de luta. E tempo de vitória!

A manutenção das crenças dos povos da região da Costa da Mina vive na perseverança das sacerdotisas voduns, mulheres escolhidas e iniciadas em ritos de louvor à serpente sagrada, cujas trajetórias místicas se entrelaçam em combates épicos, camuflagens táticas e resiliência vital.

Arroboboi: “Salve o espírito infinito da serpente”!

 DANGBÉ – O CULTO À SERPENTE

Um facho sinuoso desliza sobre o chão, chacoalha as folhas, estremece a terra e borbulha as águas. É Dangbé, o vodum da proteção, do equilíbrio e do movimento. Nele, nada principia nem finda, tudo avança, tudo retorna. É o constante rodopio do universo, o círculo fechado, sentido materializado pela imagem da cobra engolindo a própria cauda.

Foi assim que resplandeceu Dangbé entre os povos de Uidá, na Costa da Mina, após a épica batalha contra o reino vizinho de Aladá.

A serpente atravessou os campos onde estava o exército de Aladá, indo se unir ao lado adversário. O grande Sacrificador levantou o animal para que fosse visto pela tropa inimiga, prostrada diante da serpente. Após intenso ataque, foi consagrada a vitória de Uidá. A nação vencedora passou a levar oferendas e a realizar grandiosas procissões em direção ao templo erguido para reverenciar a divindade.

Mais tarde, a adoração a Dangbé se uniria aos demais cultos aos voduns ofídicos presentes no reino do Daomé, que expandiu seus domínios após intensas lutas contra os reinos próximos. Batalhas em que teve destaque um poderoso exército feminino, preparado espiritualmente pelas sacerdotisas voduns.

 O PACTO MÍSTICO DAS GUERREIRAS MINO

Como o rio que serpenteia inundando a mata, a tropa irrompe o horizonte. Rastro encarnado de sangue sobre a terra, na insanidade da guerra e na dignidade da luta. Língua de brasa e cipó de fogo que fazem crepitar a palha seca, ataque com destemor e fúria a revelar o poderio de mulheres-soldados consagradas na fé e nas batalhas, protegidas pelo sobrenatural.

As guerreiras Mino, as mulheres mais temidas do mundo, eram esposas e guardiãs do palácio do Rei do Daomé, além de audazes caçadoras de elefantes, cujos marfins eram utilizados como matéria-prima em cerimônias oficiais e religiosas.

Ao serem recrutadas, participavam de um ritual de iniciação conduzido pelas sacerdotisas voduns, senhoras do trono da magia e dos encantes. Nessa sagrada assembleia, realizavam um pacto místico para que nunca traíssem umas às outras. O espírito de coletividade forjava a arma mais poderosa de que dispunham: o valor inegociável da lealdade.

Com inteligência e fé, formavam mais que um exército: organizavam uma poderosa irmandade, aliança consagrada pela força encantatória dos voduns. Assim, tornavam-se belicamente implacáveis e espiritualmente invulneráveis. Atributos espalhados aos ventos por lideranças femininas do Daomé em outras lutas, desta vez pela manutenção do sagrado em novos territórios onde as herdeiras da serpente fincassem pés e pejis.

Os valores místicos das guerreiras atravessaram o Atlântico no baú de memórias e crenças de uma sacerdotisa do Daomé, que chegou ao Brasil em trono de Gu Rainha. Pouco se sabia sobre o seu passado. Mas muito se conheceria sobre o seu futuro.

LUDOVINA PESSOA E A HERANÇA VODUM NA BAHIA

Com a missão de perpetuar os cultos voduns no Brasil, Ludovina Pessoa ondeou pelo imenso oceano com a companhia mística dos seus antepassados. Tornou-se o pilar de terreiros consagrados aos voduns, entre eles o Seja Hundé, na cidade de Cidade da Cachoeira, no Recôncavo Baiano, e o terreiro de Bogum, erguido no coração de Salvador.

No Bogum, casa centenária de liderança feminina, foram plantadas sementes de liberdade, tornando-se importante local de apoio à Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador na primeira metade do Século XIX.

A palavra “bogum” historicamente remetia a um aldeamento próximo à Costa da Mina. Já segundo a tradição oral, o termo também se referia ao baú onde se guardavam o ouro e os donativos destinados a financiar a insurreição popular que reuniu o povo negro contra a escravidão.

Se por um lado a revolta foi sufocada, por outro, os laços entre as sacerdotisas e a fé dos povos trazidos ao Brasil se fortaleceram. Assim como as ancestrais guerreiras do Daomé, foi preciso lançar mão da lealdade para que suas práticas de magia atravessassem tempos e fronteiras nesse novo território marcado pela perseguição às suas crenças. Irmandades que contribuíram para a inserção social e religiosa dessas sacerdotisas, líderes de uma legião de irmãs de fé.

 ENTRE A CRUZ E A SERPENTE: TEMPLOS SINCRÉTICOS

Agora não só os voduns protegiam as mulheres. Com as irmandades, as mulheres também protegiam os voduns. Assim, tornaram-se senhoras da cura, da fortuna, da fertilidade, das adivinhações, dos conselhos e do destino. Orientações espirituais feitas inclusive a brancos e brancas que repudiavam publicamente o culto aos espíritos, mas que rogavam auxílio à magia nos fundos dos templos de adoração católicos.

Em Cachoeira, no terreiro do Seja Hundé, Ludovina foi o elo entre muitas das sacerdotisas reunidas em irmandades, estabelecendo laços de pertencimento entre os clãs. Unidas, teciam uma rede matriarcal associativa, erguida com devoção e lealdade, pacto firmado sob a cruz e a serpente para que nunca abandonassem umas às outras.

Entre batuques e rezas, tambores e ladainhas, reuniam-se em louvações e procissões aos santos católicos, sem abrir mão de preceitos ancestrais, dentre eles cozinhar e distribuir alimentos, perpetuando a missão de prover sua gente de fartura e proteção.

Professavam fés que não se excluíam ao mesclar ritos ligados às divindades da costa africana e à barroca expressão do catolicismo. Constituíam, assim, um tipo de devoção feminina e solidária que transbordava também no gestual, na língua, no cabelo, nos cheiros, nos talismãs, nos balangandãs, nos paramentos, nos alimentos, no jeito de dançar e de cantar, enfim, de ser e de estar no mundo. Poder que se eterniza na constante luta pela crença vodum, suas encantações, ritos e mistérios.

 TERRA, TERREIRO CÓSMICO

“Sem água e sem mata, o Jeje não sobrevive”

(Doné Runhó, sacerdotisa que liderou o Bogum até 1975, imortalizada em busto esculpido no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador).

E cá estamos nós, Viradouro e Jeje, cruzando energias e tambores. A formação do Candomblé na Bahia passa pelo legado da crença vodum, manifestada no aguidavi, que comanda o toque de guerra do adarrum. Está nos ritos e nas divindades que se religaram a outras matrizes religiosas africanas, fluindo como rio serpenteando pela mata, rumo ao mar. E, assim como as ofídicas, sobrevivem e se expandem em peles que se renovam.

Energia que renasce no culto aos voduns, hoje espalhado pelo Brasil em diversas casas consagradas às entidades. E se você se perguntar que força poderosa é essa, sinta que ela mora na dor e no prazer da criação, na natureza das coisas, na explosão sonora do trovão, na respiração das folhas e no correr das águas. Está na magia lunar. No calor do Sol. Vive no cair da chuva que rega o planeta, este terreiro mágico a flutuar no cosmos. Está no poder infinito da Serpente, dona de tudo o que não finda nem principia, no eterno rodopio do universo.

Arroboboi! Saudação e evocação da energia que transita entre o céu e a Terra! Entidade visível no encantamento do arco-íris, a ponte sagrada que liga os humanos às divindades voduns. E que nos conecta aos ensinamentos das eternas herdeiras de Dangbé: SABEDORIA, LUTA, UNIÃO e VITÓRIA!

Alafiou…

Carnavalesco e autor do enredo: Tarcísio Zanon

Texto: João Gustavo Melo

Aos compositores,

O desfile das escolas de samba se consolida como linguagem artística que alcança imensa repercussão. Não se pretende como verdade absoluta e irrefutável, mas se estabelece como poética original de uma obra coletiva baseada na vivência comunitária e herança histórica, tendo responsabilidade com a representação do sagrado dos povos da diáspora, que são base da comunidade da Unidos do Viradouro.

Alguns elementos dispostos nesta narrativa são frutos de estudos acadêmicos de incontestável qualidade. Entretanto, ao lado dessas pesquisas, está a força e grandeza da sabedoria oral que se cultiva nos terreiros, legítimos museus e bibliotecas do sagrado, instituições constituídas por quem se dedica ao longo de gerações às energias e aos preceitos ancestrais dos voduns.

Por meio de entrevistas, vivências, visitas e leituras, estamos construindo, em conjunto, um percurso narrativo que se encadeia na poética do enredo que revela o principal elemento e razão da existência da nossa agremiação: o SAMBA! É ele quem nos conduzirá por essa imersão artística, revolvendo imaginários sobre povos silenciados que erguem este Brasil-terreiro. Unindo a força dos cultos voduns aos saberes ancestrais, vamos construir juntos esse caminho, que amplia nosso horizonte rumo a um país verdadeiramente livre, religiosamente diverso e socialmente igualitário.

Avante, Viradouro!

Arroboboi, Dangbé!

REFERÊNCIAS:

EDGERTON, Robert B. Warrior Women: The Amazons of Dahomey and the Nature of War. Boulder, Col: Westview Press, 2000.

FALCÓN, Gustavo. Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte: Devoção Mariana no Recôncavo Baiano. Lauro de Freitas: Editora Solisluna, 2021.

LARANJEIRA, Lia Dias. O Culto da Serpente no Reino de Uidá: um estudo da literatura de viagem europeia: séculos XVII e XVIII. Salvador: EDUFBA, 2015.

LOPES, Nei. Enciclopédia Brasileira de Diáspora Africana. 4. ed. São Paulo: Selo Negro, 2011.

MAIA, Moacir; RODRIGUES, Aldair. Sacerdotisas Voduns e Rainhas do Rosário: Mulheres africanas e Inquisição em Minas Gerais (século XVIII) / organização Aldair Rodrigues, Moacir Maia. São Paulo, SP: Chão Editora, 2023.

SOGBOSSI, Hippolyte Brice. Contribuição ao estudo da cosmologia e do ritual entre os Jêje no Brasil: Bahia e Maranhão. Tese (Doutorado em Antropologia Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2004.

PARÉS, Luis Nicolau. A Formação do Candomblé: história e ritual da nação Jeje na Bahia. 3ª Edição: Revisada e Ampliada. Campinas, Editora Unicamp, 2018.

PARÉS, Luis Nicolau. O Rei, o Pai e a Morte: a religião vodum na antiga Costa dos Escravos na África Ocidental. 1ª Edição: São Paulo, Companhia das Letras, 2016.

REIS, João José. A Morte É Uma Festa: Ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do Século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

Agradecimentos: Durante a construção do enredo, foram consultadas lideranças dos terreiros do Bogum e do Seja Hundé, além dos professores Luís Nicolau Parés. Moacir Maia e Hamilton Barbosa.  A Unidos do Viradouro agradece imensamente pela participação e generosidade das casas e dos professores ao longo do processo de pesquisa.

Glossário:

Adarrum

Ritmo contínuo e frenético que evoca os voduns, provocando o transe.

Aguidavi

Varetas de árvores sagradas utilizadas para a percussão dos atabaques em cerimônias religiosas do candomblé Jeje e Ketu.

Alafiar

Confirmação ou permissão pelos oráculos, indicando caminhos abertos para determinado empreendimento ou ação.

Bogum

Terreiro em atividade até os dias atuais, que teve Ludovina Pessoa como liderança em meados do Século XIX, localizado no bairro do Engenho Velho da Federação, em Salvador. O nome africano do terreiro é Zoogodô Bogum Malê Rundó.

Crepitar

Produzir estalos pela ação de fogo ou brasa.

Daomé

Antigo reino da costa ocidental da África, onde hoje se localiza o Benin. Tinha como capital a cidade de Abomé. Seus habitantes se tornaram conhecidos como povo de Dan. Após intensas batalhas contra Uidá, foi incorporado a adoração à serpente Dangbé, ao lado de outras divindades ofídicas já cultuadas no reino.

Gu Rainha

Vodum no qual Ludovina Pessoa era iniciada. Também pode ser chamado de Ogum Rainha.

Jeje

O termo Jeje foi cunhado pelo iorubás, tendo como significado literal “estrangeiro” ou “forasteiro”. Refere-se aos povos originários da África Ocidental, da região onde se localizava o antigo reino do Daomé. O Candomblé Jeje se refere ao culto dos voduns trazidos por grupos étnicos da região, como o povo Fon.

Mino

Nome dado às guerreiras do Daomé, que significa “nossa mãe”, em português. As guerreiras Mino eram também conhecidas como ahosi ou ahwansi, que quer dizer “esposa do rei”. A tropa feminina também era denominada de Agoodjié, que, em fongbé, significa “última muralha de resistência que deve ser atravessada para se chegar ao rei”.

Ofídico

O que é relativo ou próprio das serpentes.

Peji

Altar sagrado onde se colocam imagens, moringas, alimentos e outras oferendas às divindades.

Sacrificador

Autoridade religiosa com poderes premonitórios, responsável pelas procissões e oferendas à serpente sagrada.

Seja Hundé

Terreiro erguido na Cidade da Cachoeira, na Bahia, cujo nome africano é Zoogodô Bogum Malê Seja Hundé, que teve participação ativa de Ludovina Pessoa em sua fundação. Também conhecido como Roça do Ventura.

Vodum

Para os povos do Golfo do Benin, vodum é o nome para usado para designar as divindades ou forças invisíveis do mundo espiritual.

Angelina Basílio revela mudanças em quesitos para o Carnaval 2024: ‘Estamos readequando os nove quesitos’

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É sabido que mudanças estão acontecendo no critério de julgamento para os próximos desfiles em São Paulo. Após muitas críticas feitas ao regulamento nos últimos anos, a Liga-SP reconheceu que precisa modernizar as regras. É o segundo ano consecutivo em que as reclamações foram feitas com veemência, principalmente, com o argumento de “chuvas de notas 10”.

Rosas de Ouro 6
Foto: Magaiver Fernandes/Site CARNAVALESCO

Devido a isso, a presidente da Rosas de Ouro, Angelina Basílio, revelou ao CARNAVALESCO os quesitos que estão sendo mudados.

“O regulamento já mudou bastante, principalmente no quesito enredo e samba-enredo. Provavelmente vamos mudar os quesitos fantasias e alegoria. Estamos readequando todos os nove quesitos”, contou.

Questionada sobre a exigência de mais criatividade das escolas nos desfiles, a presidente foi breve. “É. Pode se considerar assim”, completou.

Escolas da Série Ouro fazem hoje sorteio da ordem dos desfiles para o Carnaval 2024

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As escolas da Série Ouro vão conhecer nesta terça-feira, a partir das 20h, em eventos apenas para presidentes e representantes das agremiações, a ordem dos desfiles para o Carnaval 2024. Com o objetivo de dar mais equilíbrio ao espetáculo, que acontecerá nos dias 09 e 10 de fevereiro de 2024, o sorteio será definido a partir de seis pares pré-estabelecidos pela Liga-RJ em comum acordo com as 16 agremiações. A Unidos de Padre Miguel, por ser a vice-campeã, entrará no sorteio para saber qual dia irá desfilar, porém tem o direito de escolher a posição em que quer desfilar em 2024.

sambodromo 2022
Foto: Fernando Maia/Divulgação Riotur

Pares para o sorteio
Unidos de Padre Miguel x Inocentes de Belford Roxo
Império Serrano x Império da Tijuca
Acadêmicos de Niterói x União da Ilha
São Clemente x Estácio
Bangu x Vigário Geral
Ponte x Arranco

Vale lembrar que o Sereno de Campo Grande (campeã geral dos desfiles da Série Prata em 2023) irá abrir o sábado de carnaval (10 de fevereiro de 2024), Parque Acari, terceira colocada nos desfiles da Série Prata, de 2023, irá abrir a noite de desfiles de sexta-feira (09 de fevereiro de 2024), e União de Maricá, vice-campeã da Série Prata, será a segunda a desfilar na sexta-feira (09), seguindo o regulamento do carnaval de 2023. A Em Cima da Hora, 13ª colocada, neste carnaval, será a segunda escola a desfilar no sábado de carnaval.