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Tatuapé fecha ensaios com forte harmonia e excelência no quesito mestre-sala e porta-bandeira

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Por Naomi Prado, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Acadêmicos do Tatuapé concluiu sua temporada de ensaios técnicos no Sambódromo do Anhembi. A agremiação realizou seu ensaio em 1h04min. O grande destaque ficou por conta da harmonia e do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os componentes cantaram em alto volume, demonstrando determinação em alcançar seus objetivos, enquanto Diego e Jussara, por mais um ano, apostaram no equilíbrio entre técnica e criatividade durante as apresentações nos módulos.

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O Tatuapé será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, levando para a avenida o enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente. Tem muita gente sem terra”, assinado pelo carnavalesco Wagner Santos.

COMISSÃO DE FRENTE

Os bailarinos, liderados pelo coreógrafo Leonardo, ensaiaram caracterizados com figurinos coloridos e asas de borboleta. Acompanhada por um tripé, a coreografia apresentou uma proposta lúdica, com dança contemporânea que representa o enredo de forma literal.

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Cumprindo os movimentos obrigatórios do quesito, saudar o público, apresentar a escola e o enredo, os componentes simbolizaram o ato de “semear”. Durante a apresentação, uma personagem central ganhou destaque ao interagir com os demais bailarinos, representando o sopro de Tupã.

Enquanto encenavam no tripé, utilizaram um adereço em forma de plantas para complementar a coreografia.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Diego e Jussara mostraram, mais uma vez, a importância que têm para a Acadêmicos do Tatuapé. O casal executou corretamente todos os movimentos obrigatórios do quesito.

A dupla apostou no equilíbrio entre criatividade e técnica durante as apresentações nos módulos. Vestidos de azul, demonstraram preparo e segurança para buscar o resultado almejado.

O casal analisou o ensaio e comemorou o êxito. “Hoje a gente entrou totalmente diferente do primeiro. Como era o primeiro, semana passada, a gente entrou um pouquinho tenso. Ainda tivemos alguns imprevistos, mas hoje a gente entrou muito mais focado, com a energia lá em cima. E hoje, não posso falar a palavra, mas foi do caramba, a gente gostou muito. Graças a Deus, deu tudo certo! É nessa energia e empolgação que, se Deus quiser, no dia três a gente vai entrar nessa pista para dar tudo certo. Hoje foi impecável”, diz Diego.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“A gente teve algumas coisas que aconteceram no primeiro, mas, graças a Deus, a gente conseguiu resolver e alinhar nos ensaios durante a semana, e hoje aqui a gente fechou com chave de ouro. Graças a Deus, estamos prontos”, vibra Jussara.

HARMONIA

A harmonia do Tatuapé segue, há alguns anos, como um dos principais pontos positivos da escola. Os componentes cantaram em alto volume do início ao fim do ensaio, do primeiro ao último setor.

Com a mudança de posição das cabines, os diretores de harmonia incentivaram ainda mais o canto dos componentes na parte final da pista, ação que elevou de forma significativa o desempenho vocal da escola.

No trecho do samba que entoa “Que a esperança está no amanhã”, o canto se destacou de maneira ainda mais evidente.

EVOLUÇÃO

Os componentes desfilaram de forma dançante, soltos e empolgados. Encerrando o ensaio em 1h04min, o único ponto de atenção em relação ao andamento foi o espaçamento do casal de mestre-sala e porta-bandeira. O regulamento permite um afastamento máximo de até 12 grades, e o casal desfilou exatamente nesse limite. É necessário cuidado para que esse espaçamento não se transforme em um buraco prejudicial ao conjunto.

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Esse foi o único ajuste observado, considerando que a escola conseguiu equilibrar técnica e diversão ao longo do percurso.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo, fruto de uma junção de obras, apresentou funcionamento satisfatório. A composição possui melodia linear e letra de fácil assimilação. O intérprete oficial, Celsinho, conduziu a obra com eficiência durante o ensaio.

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Ao final, o CARNAVALESCO conversou com o cantor, que fez um balanço positivo da temporada de ensaios visando o Carnaval de 2026.

“Todo mundo sabe que, no carro de som, a gente não consegue ver tudo. Só consigo ver o andamento da bateria, que foi excelente. O povo cantando mais do que nos outros anos, o samba está bem encaixado, a melodia bem dividida. Estamos dentro de todos os balizamentos que são pedidos para o samba, a harmonia e a evolução”, conta Celsinho.

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“Agora é o seguinte: manter o respeito e trabalhar alguns pontos que ainda temos que melhorar, já que tudo pode sempre melhorar. Mas estou muito feliz. É um lindo samba, e a comunidade está a fim de fazer um grande desfile e viver o carnaval. O carnaval é alegria. Estamos competindo, mas é alegria. Estamos felizes para brindar mais um ano que Deus nos deu. E tem um segredo que vou dar como spoiler, apenas uma palavra: formiga. Prestem atenção”, diz.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre estreante Cassiano, realizou uma apresentação de qualidade. Durante o ensaio, já com o sistema de som ligado, foi possível perceber todos os instrumentos bem afinados. As bossas executadas dialogaram com a ala musical e contribuíram para a evolução da escola.

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A ala das baianas vestiu figurinos com a imagem de Tupã na parte frontal e alimentos na barra das saias. Além da representatividade das vestimentas, as baianas dançaram do início ao fim do ensaio, reforçando o impacto visual e simbólico da ala.

Marlon Lamar e Squel Jorgea vivem novo começo da Portela em enredo de ancestralidade e resistência

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A Portela se prepara para o Carnaval 2026 atravessando um tempo de recomeço. Com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, a escola mergulha na ancestralidade negra do Sul do país para contar a história de Príncipe Custódio Joaquim de Almeida, africano do Benin que se tornou símbolo religioso, político e de resistência no Rio Grande do Sul. Um desfile que fala de fé, identidade e permanência.

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Na condução desse pavilhão carregado de história estão Marlon Lamar e Squel Jorgea, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da águia altaneira, vivendo um momento que vai além da técnica e da coreografia: é simbólico, político e profundamente emocional.

Para Marlon, o desfile de 2026 representa um marco de virada dentro da própria Portela.

“O início de tudo, né? É um novo começo, uma nova história. Eu acho que tudo começa em um sonho. E a Portela está realizando um sonho depois de uma eleição difícil. O Júnior lutou bravamente para que esse resultado chegasse. É um cara destinado, acho que estava entrelaçado com a história dele virar presidente da Portela”.

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A leitura do mestre-sala não se restringe à administração, mas alcança toda a escola e seus segmentos.

“Sinto que é um começo para todos nós. Para nós, mestre-salas e portas-bandeiras; para ele, como presidente; para a escola como um todo. E, claro, essa energia maravilhosa que a gente está sentindo em Oswaldo Cruz e Madureira, na Portela inteira”.

Quando o assunto é fantasia, Marlon preserva o mistério, elemento essencial do carnaval, mas deixa escapar o sentimento que o figurino carrega.

“Ah, eu acho que faz parte do segredo. O carnaval ainda tem essa peculiaridade de você não saber de fato… de deixar para o momento. Mas posso garantir que, como portelense, vai emocionar a nossa nação. Isso, para mim, é irrefutável. Vai ser muito linda. Aos modos da Portela”.

Outro desafio que atravessa o trabalho do casal em 2026 é a cabine espelhada, que amplia o número de jurados e exige uma dança pensada em múltiplas direções. Marlon encara a mudança com maturidade e bom humor.

“Com certeza muda o posicionamento. Agora a gente evita ficar muito de costas para uma cabine. Elaboramos uma coreografia com movimentos em 360 graus, para que haja uma ampla visão e uma expressão corporal muito mais definida.

Para quem está julgando, não pode ficar a sensação de falta de sincronismo ou de expressão. É um grande desafio para 2026. Essa cabine espelhada traz um desafio enorme, mas estamos movidos a desafios. Eram quatro jurados, agora são seis. É um presente de grego maravilhoso”, disse, aos risos.

Do outro lado do pavilhão, Squel Jorgea traduz esse novo cenário com clareza e serenidade. A responsabilidade aumenta, mas a essência permanece.

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“A responsabilidade é a mesma. O que aumenta é a adrenalina, por sermos julgados por seis pessoas, seis olhares distintos. Aí, sim, é o desafio de agradar seis jurados. Antes eram quatro, agora são seis”.

Sobre a dança em si, Squel aponta para um carnaval em constante transformação e para um casal que soube acompanhar esse movimento.

“Hoje isso já se tornou algo natural para a gente. O carnaval mudou, e a nossa coreografia também, assim como a nossa passagem pela avenida. A gente acabou se adequando a novos métodos”.

Com canto em alta e forte carga simbólica, Colorado do Brás evolui e ganha corpo no Anhembi

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Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A bruxa realmente está solta, e quem estava no Sambódromo do Anhembi sentiu o feitiço lançado pela Colorado do Brás no segundo ensaio técnico. Em comparação com a primeira passagem, a escola apresentou crescimento evidente, especialmente no canto da comunidade e no entrosamento entre os quesitos, e encerrou seu último ensaio técnico dentro do tempo, em 1h03

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Com o enredo “A Bruxa Está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, a escola mostrou mais segurança na condução do desfile e reforçou a proposta de um carnaval carregado de simbologia, teatralidade e força ancestral. A Colorado será a segunda escola a desfilar na sexta-feira, pelo Grupo Especial, no Carnaval de 2026.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Paula Gasparini, a comissão de frente manteve a proposta teatral já apresentada no primeiro ensaio, mas com leitura ainda mais clara. O tripé da escola vem com um caldeirão, de onde sai fumaça e cria um visual diferente na avenida. Ao redor dele, os componentes desenvolvem coreografias que remetem à feitiçaria.

Em alguns momentos, o caldeirão aparece desacoplado e é levado mais à frente. Em outros, ele retorna acoplado ao tripé, ampliando o impacto visual das coreografias no chão.

No ponto alto da apresentação, o ator Taiguara é suspenso no alto do elemento alegórico, criando a imagem de uma entidade, e “voa”.

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Taiguara representa Hécate, deusa ancestral ligada à magia e às encruzilhadas. Ao longo da coreografia, o ator desce do tripé, interage com o caldeirão e com o público, como quem lança a poção em direção às arquibancadas. A leitura simbólica se fortalece quando se considera o sincretismo religioso, no qual Hécate se aproxima de figuras como Exu e Pombagira, entidades que também regem as encruzilhadas e as transformações.

O conjunto apresentou boa fluidez e forte impacto visual, o que coloca a comissão de frente como um dos pontos altos do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Brunno Mathias e Jéssika Barbosa farão sua estreia como casal e já mostraram um trabalho leve e muito bem entrosado. A dança do casal dialoga diretamente com o enredo, com movimentos que remetem à ideia de encantamento, como se um enfeitiçasse o outro ao longo da apresentação.

Os passos têm leitura clara, o conjunto se mantém fluido e a conexão entre os dois aparece de forma constante, sem que um se sobreponha ao outro. O casal apresentou uma atuação segura.

HARMONIA

A harmonia apresentou evolução significativa em relação ao primeiro ensaio. Se antes algumas alas do meio para o fim da escola ainda precisavam ajustar o canto, neste segundo dia o desempenho foi mais regular. Todas as alas cantaram com intensidade. Isso também foi notório para o intérprete Léo do Cavaco:

“Cara, a escola cresceu do último ensaio para cá e hoje cantou mais, já tinha cantado muito no primeiro. A gente fez alguns ajustes nos ensaios também, então a escola vem crescendo, e é bom que cresça aos poucos e chegue e cante no desfile. Porque, às vezes, a gente faz um grande ensaio aqui, mas chega no desfile e não consegue repetir. Então eu prefiro que seja essa crescente, porque as coisas têm que acontecer no desfile. Ensaio técnico é legal, mas é só um ensaio; o que vale mesmo é o desfile”, disse o cantor.

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Além disso, a interpretação corporal dos componentes reforçou a proposta do enredo. Em diversos momentos, os integrantes dançavam com gestos e expressões que remetem diretamente à bruxaria.

Outro ponto que chama atenção é a presença de coreografias em elementos alegóricos, com componentes encenando rituais e, em determinados momentos, soltando gritos que chegam a surpreender quem está mais próximo da pista. Esses recursos ajudam a construir a atmosfera de feitiço que a Colorado pretende levar para a avenida.

EVOLUÇÃO

Na evolução, o principal ponto de atenção ficou por conta do primeiro carro, que vinha logo após o casal de mestre-sala e porta-bandeira e apresentou um deslocamento levemente torto em alguns momentos.

No geral, porém, a escola desfilou de forma organizada. Não houve erros graves ou situações que comprometam de maneira direta o quesito. O conjunto mostrou melhor controle de andamento em relação ao primeiro ensaio, fechando o tempo de forma segura.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O samba-enredo funcionou melhor neste segundo ensaio em relação à primeira passagem. A escola mostrou mais segurança na execução da obra, com canto mais firme e resposta coletiva mais homogênea ao longo da pista.

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Ele apresentou bom rendimento; em nenhum momento houve queda. A comunidade sustentou todos os trechos, com destaque para o refrão do meio, que cresce bastante nas arquibancadas.

O intérprete Léo do Cavaco conduziu o samba com clareza, mantendo a escola ligada ao canto e à narrativa apresentada na avenida.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Acerola de Angola, mostrou mais entrega neste segundo ensaio. Os ritmistas apareceram mais animados, com recursos cênicos que dialogam com o enredo, como os gritos coletivos que antecedem retomadas do samba.

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Outro ponto interessante acontece no trecho “Vem ver, vai ferver o caldeirão”. A bateria realiza uma parada estratégica alguns compassos antes e explode exatamente na entrada do refrão. A retomada acontece com a bateria inteira voltando junta, sem alteração rítmica.

“A bateria evoluiu cada vez mais com o samba, e a nossa ideia sempre foi essa. Desde o começo, montamos o samba junto com a bateria para que ela crescesse junto, e ele está crescendo. Para o dia, a gente tem mais surpresas ainda, inclusive outros estilos de bateria”, diz o mestre.

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Portela leva o batuque à Sapucaí e transforma a comissão de frente em manifesto de ancestralidade

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Terceira escola a desfilar no domingo de Carnaval, a Portela promete abrir caminhos na Marquês de Sapucaí em 2026 ao levar para a avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. A proposta mergulha na ancestralidade e na resistência negra no Sul do país, a partir da história de Príncipe Custódio Joaquim de Almeida, africano do Benin que se tornou um importante símbolo religioso no Rio Grande do Sul.

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Durante a concentração da escola para o ensaio técnico realizado neste sábado, os coreógrafos da comissão de frente, Edifranc e Cláudia Motta, falaram sobre o significado do trabalho, os desafios do novo carnaval e a força de um enredo que une religiosidade, política, memória e espetáculo.

Para Cláudia Motta, estar à frente da comissão de frente da Portela representa a concretização de um sonho e um momento simbólico na trajetória da dupla.

“Em primeiro lugar, é a realização de um sonho, porque a Portela é a nossa matriarca no samba. Ela carrega uma potência histórica muito grande e sempre apresenta enredos muito fortes. Esse é mais um deles. A gente está muito feliz por poder viver essa nova era da Portela e muito grata pelo convite do Júnior, porque esse é, sem dúvida, um dos momentos mais importantes da história recente da escola”, afirmou.

Edifranc destacou o caráter histórico da proposta ao levar o Batuque para a avenida, algo inédito na Sapucaí, especialmente a partir do olhar da maior campeã do carnaval carioca.
“É um grande acontecimento a Portela trazer o Batuque para a avenida e apresentar uma comissão de frente batuqueira. Isso vai trazer muito axé, muita beleza, mas também respeito e ressignificação. A Portela transforma o Batuque em um movimento nacional, não apenas do Rio Grande do Sul. O Brasil vai conhecer o Batuque de forma plena, e ele vai deslizar pela primeira vez na Marquês de Sapucaí”, declarou.

Ao falar sobre a evolução do trabalho em relação ao carnaval anterior, Cláudia ressaltou o amadurecimento artístico da dupla e o suporte oferecido pela escola.

“Todo ano é diferente, e cada enredo exige um estudo novo. Não costumo comparar trabalhos, mas hoje temos muito mais maturidade. São 21 anos de carnaval, o que nos permite ter uma visão mais ampla, saber onde gastar energia e onde não é necessário. E temos um apoio incondicional da escola e do Júnior. Tudo o que precisamos está nas nossas mãos, o que eleva muito a qualidade do trabalho e nos aproxima de um resultado de excelência”, comentou.

Edifranc reforçou que a principal marca do trabalho da dupla é a coerência conceitual, sempre construída a partir do enredo.

“A gente criou, ao longo do tempo, uma congruência de trabalho. Tudo parte do enredo, mas sempre a partir de um conceito bem definido, para que o projeto tenha coerência. Esse enredo é muito importante, é político-social, traz a negritude do Rio Grande do Sul, a história do Príncipe Custódio, do Negrinho do Pastoreio, do Bará Lodê. A gente traz para a avenida as religiões de matriz africana do Sul, para não ficar restrito ao eixo Bahia–Rio. O Brasil é negro, e as religiões de matriz africana são brasileiras. O que a Portela está fazendo é unir essas negritudes de todas as regiões, dando as mãos a partir do Batuque. Isso é muito bonito e muito potente”, afirmou.

Os coreógrafos também comentaram sobre uma das grandes novidades do Carnaval de 2026: a cabine espelhada dos julgadores, que altera a dinâmica das apresentações das comissões de frente.

“Não tem como saber ainda qual será o padrão. A gente resolveu a nossa comissão de acordo com o que vamos apresentar. Cada escola, com seu enredo e sua proposta, vai buscar a melhor forma de fazer com que jurados e público vejam o espetáculo”, avaliou Cláudia.

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Edifranc destacou o impacto da mudança para o público e os desafios para os criadores.
“Essa nova configuração vem atender a uma demanda do público, que muitas vezes se sentia desassistido ao ver a comissão de costas. Agora teremos um espetáculo em 360 graus, o que é incrível do ponto de vista visual. Mas é um experimento, é algo novo para todos nós. Todo mundo teve que quebrar a cabeça para resolver. A gente mergulhou nessa ideia e está trazendo a nossa proposta”, explicou.

Para fechar, a dupla falou sobre o samba-enredo, que vem crescendo de forma consistente e já caiu no gosto do público.

“Esse samba está mexendo com o Brasil inteiro. A gente recebe vídeos de crianças, idosos, todo mundo fazendo o bracinho. Pessoas de outras escolas vão aos nossos ensaios, à quadra, querem estar perto. Pegou. Já é um sucesso”, afirmou Cláudia.

Edifranc reforçou a força popular e narrativa da obra. “É um samba magnífico, muito potente e muito pop. Ele já tomou o Rio de Janeiro e acredito que vai tomar o Brasil. Ele traz todas as nuances da ancestralidade do povo rio-grandense, do Batuque, do Negrinho do Pastoreio, do Bará Lodê e do Príncipe Custódio. É um samba que não cansa, a gente quer ouvir mais e mais. Estamos todos muito felizes”, concluiu.

Conjunto musical funciona, comunidade responde à altura e Tom Maior fecha ensaios técnicos com chave de ouro

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias e Will Ferreira

a Tom Maior celebrou literalmente o dom da vida. Com uma comunidade empolgada, o quesito Harmonia se sobressaiu em relação aos demais. Embalados pelo intérprete Léozinho Nunes, os componentes vibravam a cada verso cantado. Outro destaque foi a comissão de frente, coreografada por Gandhi Tabosa, artista do Amazonas que vive sua primeira experiência no carnaval de São Paulo. Os bailarinos representaram de forma satisfatória o que está por vir na homenagem à cidade de Uberaba, remetendo à antiguidade da terra. Uma bateria bem equalizada contribuiu para o conjunto musical apresentado pela agremiação em seu segundo e último treino. Agora, resta saber como a escola se apresentará com fantasias e alegorias, especialmente nos setores que retratam Chico Xavier. Com andamento tranquilo, a escola encerrou o ensaio no tempo de 1h04.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A Tom Maior levará para a avenida o enredo “Chico Xavier – Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba”, desenvolvido pelo carnavalesco Flávio Campello.

COMISSÃO DE FRENTE

Vindo diretamente do Festival de Parintins e do carnaval manauara, esta é a primeira experiência do coreógrafo Gandhi Tabosa no carnaval de São Paulo. No treino, a comissão de frente apresentou suas credenciais. Com os bailarinos pintados de vermelho, toda a coreografia foi executada sobre o elemento alegórico. Foram contemplados os requisitos previstos no manual do julgador, como a saudação ao público e a apresentação da escola durante o cortejo.

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A encenação no tripé remete à pré-história e à era paleolítica, com movimentos típicos dos homens daquele período. A escolha dialoga diretamente com a cidade de Uberaba, que possui forte ligação com esse tema, já que abriga um geoparque com fósseis de dinossauros, importante atração turística local. Esse contexto pode ter inspirado o coreógrafo a retratar os primeiros habitantes da região e o surgimento da terra.

O ponto de atenção fica para o tamanho do elemento alegórico, considerando que há uma cabine de jurados no Setor H praticamente ao nível do chão. Fica a dúvida sobre como será a visibilidade da comissão de frente nesse ponto específico da avenida. Ainda assim, a proposta de destacar os primeiros habitantes como eixo central se mostrou bastante satisfatória.

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O casal Ruhanan Pontes e Ana Paula Sgarbi realizou um ensaio marcado inicialmente pela dificuldade da pista molhada, situação que foi bem contornada ao longo da apresentação. A dupla sempre se destacou pelas coreografias integradas ao samba e pela sincronia existente entre ambos, qualidades que ficaram evidentes no treino. Em todas as cabines, o casal obteve êxito nas tentativas de giros horários e anti-horários. Em resumo, o ensaio foi satisfatório, superando as dificuldades iniciais e alcançando os objetivos propostos.

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“Acho que fechamos com chave de ouro. Hoje foi melhor que o outro ensaio. No anterior, ainda estávamos estranhando as cabines, foi tenso, mas agora é só guardar a ansiedade para o dia do desfile. Graças a Deus, hoje foi incrível. Se fosse hoje, era nota 40”, celebrou Ana Paula.

“Eu estava muito ansioso, e a Ana não. Hoje fiquei bem tranquilo e realmente me diverti. Acho que a galera conseguiu entender o que faltava e ficou muito feliz. Consegui agir quase como um psicólogo comigo mesmo, porque estava muito ansioso e hoje aproveitei. Ensaio nota 10, perfeito. Vamos para as cabeças”, comemorou Ruhanan.

HARMONIA

“Vamos cantar, cantar, cantar!” Foi o pedido do presidente e mestre Carlão antes da entrada da escola na pista. Sem dúvida, este foi o principal destaque da Tom Maior no ensaio. O samba-enredo, de melodia cadenciada, foi cantado com força pela comunidade. Apesar do tom melódico mais baixo, os componentes compensaram com vozes potentes, especialmente nos trechos de maior intensidade. A obra foi cantada do início ao fim sem erros, mantendo consistência e energia constantes.

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Os refrães se destacaram, assim como o verso final da segunda parte: “Quem corre atrás do que gosta não cansa jamais!”. O intérprete Léozinho Nunes foi fundamental para o desempenho do quesito, executando cacos durante todo o ensaio e elevando ainda mais o ânimo da comunidade. Também merece destaque o trabalho da equipe de harmonia e dos coordenadores de alas, que incentivaram os componentes o tempo todo. Outro ponto alto foram os apagões realizados pela bateria Tom 30. A equipe de harmonia e os chefes de ala sinalizavam com as mãos, fazendo com que o canto ecoasse ainda mais forte.

EVOLUÇÃO

A evolução da Tom Maior foi bastante satisfatória neste ensaio técnico. A escola desfilou compacta, sem abrir buracos ou provocar divisões. Dentro das alas, os desfilantes cumpriram bem seu papel, mantendo a compactação e evitando espaços entre as fileiras. No ritmo do samba, os componentes desfilaram soltos, evoluindo de um lado para o outro, sempre com alegria e sorriso no rosto. Não houve coreografia durante o samba, apenas no refrão do meio, com movimentos de braços para a esquerda, direita e para frente. Os pompons, bexigas e outros adereços de mão utilizados pelas alas criaram um belo contraste visual na pista.

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Com pouco tempo de escola, Léozinho Nunes mostrou, nesses dois ensaios, que sua contratação foi mais do que acertada. Ele tem se dedicado intensamente ao comando da ala musical, chamando a comunidade, interagindo com o público e exaltando a escola o tempo todo. Foi uma grande atuação do cantor carioca, que vive sua primeira experiência no carnaval de São Paulo. A ala musical apresentou boa equalização, com destaque também para a voz feminina entre os apoios. Esse trabalho vem sendo desenvolvido desde a época de Gilsinho e, agora, a escola encontrou um substituto totalmente disposto a se dedicar à Tom Maior.

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“Quero dizer que, a cada dia, a gente aprimora mais alguma coisa. No ensaio técnico, nos ensaios de quadra, no estúdio e nos ensaios da bateria, sempre melhoramos algum detalhe. Até o dia do desfile, vamos evoluir cada vez mais. Foi um ensaio emocionante para a ala musical. A gente não consegue ver todo mundo cantando, mas dá para sentir a energia do público”, contou Léozinho.

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“Esse samba era muito subestimado, mas, no primeiro ensaio técnico, foi muito elogiado por todos os sites. Agora demos uma cara nova, trouxemos outra nuance, mais garra, e estamos construindo esse coral. Estão cantando muito, o samba está lá em cima”, completou o intérprete.

OUTROS DESTAQUES

A bateria Tom 30, comandada pelo mestre Carlão, apresentou um ritmo contagiante e cadenciado, com destaque para o apagão no refrão principal.

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Nas três primeiras marcações de alegorias, passaram caminhões com componentes realizando coreografias, cada um com uma cor e uma dança diferente. Apenas na última marcação veio a velha-guarda da escola.

Beija-Flor faz ensaio técnico de rolo compressor, exalta a ancestralidade e deixa claro o desejo pelo bicampeonato

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Por Marielli Patrocínio, Lucas Santos, Marcos Marinho e Matheus Morais

A Beija-Flor de Nilópolis entrou na Marquês de Sapucaí já sob um signo simbólico poderoso. O ensaio técnico aconteceu no dia 2 de fevereiro, Dia de Iemanjá, e a escola fez questão de abrir sua apresentação saudando a orixá, levando à frente do desfile uma imagem dedicada à Rainha do Mar. O gesto antecipou o tom do que viria a seguir: um ensaio forte, ancestral e avassalador. Com o enredo “Bembé”, sobre o maior candomblé de rua que acontece todo 13 de maio em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, a azul e branca da Baixada Fluminense mostrou por que é historicamente reconhecida como o “rolo compressor” da Sapucaí e deixou evidente que quer, mais uma vez, brigar diretamente pelo título.

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COMISSÃO DE FRENTE

Assinada pelos coreógrafos Jorge Teixeira e Saulo Finelon, a comissão de frente da Beija-Flor foi um dos grandes pontos altos do ensaio técnico. A apresentação se destacou pela potência dos movimentos e pela sincronia impecável dos 15 bailarinos, que atuaram com extrema precisão.

A coreografia começa com movimentos concentrados nos braços, de forte carga simbólica, e evolui para ações mais diretas e ágeis com o corpo inteiro, demarcando claramente o espaço da comissão e ocupando a pista com autoridade. As constantes trocas de posição garantem dinamismo e leitura fácil, característica fundamental para o julgamento e o entendimento do público.

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Um dos elementos de maior impacto visual foi o recurso cenográfico que simulava a continuidade do corpo de uma bailarina posicionada no topo, realizando movimentos mais sutis, porém carregados de simbolismo e força estética, evocando a ancestralidade como eixo central da narrativa. Os figurinos, em tons terrosos e com estampas que remetem à herança africana, reforçaram o conceito da apresentação.

Foi uma comissão com performance de desfile oficial, que funcionou de maneira exemplar para a cabine espelhada, demonstrando maturidade e alto nível de acabamento.

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O casal Claudinho e Selminha Sorriso, o mais longevo em atividade atualmente na Marquês de Sapucaí, apresentou uma dança segura, refinada e de forte caráter tradicional, sem abrir mão da leitura temática do samba.

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Vestida de Iemanjá, Selminha Sorriso realizou uma dança em saudação à orixá no trecho “Iemanjá alodê no mar, no mar”, enquanto Claudinho a reverenciava com precisão e respeito ritualístico. A coreografia alternou momentos de cortejo, interações mais próximas entre o casal e passagens de grande leveza, equilibradas com trechos de maior vigor, acompanhando as variações do samba.

Uma apresentação madura, bem construída e tecnicamente segura, com excelente aproveitamento da pista e leitura clara.

HARMONIA E SAMBA

A Beija-Flor reafirmou uma de suas marcas históricas: o chão. A comunidade cantou o samba do início ao fim com força, entrega e harmonia uníssona, sem oscilações perceptíveis. O ponto alto foi o paradão, em que a escola sustentou o canto apenas na voz dos componentes, em volume alto e impressionante, evidenciando o entrosamento entre comunidade e samba.

Os intérpretes Nino do Milênio e Jéssica Martin conduziram o samba com extrema competência, exibindo uma sintonia vocal que se encaixa perfeitamente com a ala musical. Destaque para a potência vocal de Jéssica, que imprimiu força e emoção à condução da obra.

EVOLUÇÃO

A evolução da Beija-Flor foi segura e impactante em todos os setores. A escola tomou a Marquês de Sapucaí com autoridade, justificando plenamente o apelido de rolo compressor. As alas desfilaram cantando forte, bem posicionadas, enfileiradas e ocupando corretamente os espaços.

Os componentes demonstraram alto nível de animação e entrega, atravessando a Avenida em verdadeiro estado de êxtase, o que contribuiu para a fluidez do desfile e para o impacto do conjunto.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Soberana”, comandada por mestre Rodney e Plínio, deu um verdadeiro espetáculo. As bossas se destacaram especialmente nos trechos “atabaque ecoou, liberdade que retumba, isso aqui vai virar macumba”, com os sons dos atabaques ecoando com força pela Sapucaí, e em “Iemanjá alodê no mar, no mar”, quando a bateria executou uma bossa inspirada no toque da orixá. Uma bateria de identidade clara, pulsante e carregada de força ancestral.

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Fotos: Vítor Melo/Divulgação Rio Carnaval

A rainha de bateria Lorena Raíssa foi um dos grandes nomes da noite, com muito samba no pé, carisma e uma performance que reforça a ideia de que o samba é ancestralidade em movimento.

As alas coreografadas também chamaram atenção, adicionando ainda mais força ao conjunto e reforçando a imagem de uma escola que atravessa a Sapucaí com potência, organização e impacto visual.

O ensaio técnico da Beija-Flor de Nilópolis deixou uma mensagem clara de que a escola está preparada, segura de suas escolhas e disposta a lutar com força total pelo bicampeonato em 2026.

Grande Rio atravessa a chuva com força ancestral e confirma consistência na disputa pelo topo

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Por Matheus Morais, Marcos Marinho, Lucas Santos e Marielli Patrocínio

Evocando a cultura pernambucana do Manguebeat e a força ancestral da lama, a Grande Rio veio firme em seu primeiro ensaio técnico na Sapucaí nesta temporada, entrando na Marquês de Sapucaí após a maior parte da chuva que tomou conta da cidade nesta noite de domingo. Saudando Nanã em sua comissão de frente, a escola de Caxias demonstrou uma participação ativa de sua comunidade por meio do canto e da desenvoltura dos componentes ao longo da pista, com merecido destaque também para o casal Daniel Werneck e Taciana Couto, que abrilhantou a Avenida durante sua passagem. Com o enredo “A Nação do Mangue”, a Grande Rio será a terceira escola a se apresentar na terceira noite de desfiles do Grupo Especial, na terça-feira de carnaval.

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COMISSÃO DE FRENTE

A apresentação comandada por Hélio e Beth Bejani apresentou uma narrativa em torno de Nanã e do mangue, com os bailarinos representando viventes e sobreviventes desse tipo de bioma, além da própria orixá, que tem profunda relação com a lama e funciona como ponto de partida do enredo. A história encenada teve recepção muito animada do público das arquibancadas, iniciando-se a partir da metade do refrão do meio e percorrendo uma trajetória guiada pela orixá, que passa pela pobreza, pela diversidade dos viventes do mangue, incluindo os animais, por suas lutas e desafios.

A coreografia se destaca por movimentos mais diretos, com uso frequente dos braços e da cabeça, remetendo aos caranguejos, e ganha nova dinâmica na segunda parte da apresentação com a utilização da luz roxa na Sapucaí, focando mais na dimensão social do enredo. O deslocamento rápido do elenco dominou bem o espaço da Avenida, com movimentos bem sincronizados e até uma queda muito bem executada, que obteve boa resposta do público.

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O figurino utilizado pelos bailarinos da comissão também foi muito bem realizado, com referências aos pescadores e a outros profissionais que têm na lama e no mangue sua forma de sustento. Houve bom uso de elementos como redes e tecidos que remetem a trapos, com Nanã surgindo na mesma linguagem estética dos demais integrantes.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Em uma noite encantada, Daniel e Taciana viveram um grande momento protegendo e portando o pavilhão tricolor de Caxias. Com uma apresentação segura em todos os módulos, o casal demonstrou muita garra ao desfilar após a chuva e ainda sob vento forte na Avenida. A coreografia foi muito bem executada, com destaque para os giros precisos de Taciana e para a dança e o cortejo de Daniel, ambos de perfil tradicional, mas incorporando com propriedade elementos relacionados a trechos do samba ao longo da apresentação, como nos gestos que remetem a Nanã durante o refrão do meio.

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O casal apresentou figurinos coerentes com a proposta: o terno de Daniel trouxe referências mais ligadas à arte, enquanto Taciana vestiu um traje mais tradicional, em tons de roxo e lilás escuro, cores associadas a Nanã.

SAMBA E HARMONIA

Demonstrando canto forte e consistente, a comunidade caxiense leva seu hino para 2026 muito a sério e canta com alegria e verdade a obra que estará na Sapucaí. O samba se mostrou poético, carregando a escola e convidando à reflexão, sendo interpretado com maestria por Evandro Malandro, que demonstrou grande segurança na condução da obra, assim como os componentes da Tricolor de Caxias.

O domínio do samba ficou evidente e reforça a profundidade da identidade que a Grande Rio vem construindo nos últimos carnavais. Um dos destaques foi, mais uma vez, o trabalho de Evandro Malandro em conjunto com o carro de som, impecável dentro da proposta, inclusive nos momentos em que a condução deixou espaço apenas para a voz da comunidade se destacar nas paradinhas. Trechos que já viralizaram foram bem cantados e bem recebidos pelas arquibancadas, como os refrões e a subida “Freire, ensine um país analfabeto / Que não entendeu o manifesto da consciência social”, que marcaram claramente o ensaio.

EVOLUÇÃO

A Grande Rio passou leve e correta pela Passarela do Samba, demonstrando uma evolução tranquila, sem deixar de se movimentar e de se divertir, mesmo sustentando um forte grito social. As alas desfilaram sem atropelos, com boa comunicação com o público, especialmente aquelas que apresentaram coreografias ou elementos mais inusitados, como as plaquinhas com trechos do samba.

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Fotos: Vítor Melo/Divulgação Rio Carnaval

De ponta a ponta, a escola de Caxias mostrou bom manejo dos momentos de avanço e de pausa realizados ao longo do ensaio deste domingo.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria da Grande Rio veio pulsando com muita força sob o comando de mestre Fafá, que utilizou com propriedade as bossas e convenções apresentadas na Sapucaí diante da comunidade, reforçando o bom trabalho desenvolvido à frente do naipe. A rainha Virgínia Fonseca também esteve presente em seu primeiro ensaio técnico na Passarela do Samba.

Mesmo com dilúvio, Imperatriz bota pra ferver e consolida rotina avassaladora de ensaios

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Por Lucas Santos, Marcos Marinho, Matheus Morais e Marielli Patrocínio

Por volta das nove da noite do último domingo, a cidade do Rio de Janeiro presenciou dois fenômenos de força avassaladora. Um foi a chuva que desabou sobre a cidade de forma torrencial. O outro, que já nem é algo tão atípico, pelo contrário, está bem rotineiro, foi a Imperatriz colocando para ferver em seu primeiro ensaio técnico na Sapucaí para o Carnaval 2026. E, aqui, fala-se “botou para ferver”, parafraseando a letra do samba, mas poderia até utilizar aquele palavrão no lugar de “ferver”, que talvez sintetizasse melhor o sentimento dos gresilenses após o show da escola, que passou por cima da chuva que começou a cair na Sapucaí e que só a Rainha de Ramos enfrentou neste domingo com essa intensidade.

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Desde o esquenta, o público não arredou pé das arquibancadas, esperando a Verde e Branca que fica aos pés do Morro do Alemão. Na pista, o que se viu foi uma escola quentíssima, sacana, sagaz, alegre, sensual, que canta muito até quando sabe que o samba é inferior aos que a Imperatriz vinha levando. Camaleônica, e não é de hoje. Excelência de quesitos, criatividade e uma agremiação que tem feito da rotina de seus ensaios, seja em Ramos ou na Sapucaí, verdadeiros acontecimentos.

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Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Com o enredo “Camaleônico”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, a Imperatriz será a segunda escola a pisar na Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.

COMISSÃO DE FRENTE

Camaleônico, o título do enredo, definitivamente pode ilustrar a comissão que o coreógrafo Patrick Carvalho trouxe para este primeiro ensaio. Os componentes apresentavam a fantasia de uma entidade humanoide, mas com a pele de camaleão. Coloridos, a pintura do corpo se destacava quando a iluminação da Sapucaí diminuía. No centro, um pivô trazia Ney com a sua fantasia mais conhecida do “Secos e Molhados”, o rosto pintado de branco, as crinas e penas penduradas e um tapa-sexo.

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Os “camaleões” mostraram muita sensualidade na dança, trabalhando essa ideia de movimento corporal que o enredo também valoriza na obra do homenageado, e a todo momento interagiam com o pivô, chegando até a erguê-lo no alto. No clímax da apresentação, o grupo escondia o pivô e uma outra “entidade em pele camaleônica” aparecia para delírio do público. Depois, “Ney” retornava em outro momento, em que os componentes se uniam, agora com a bandeira da Rainha de Ramos nas costas.

Ótimas sacadas na apresentação, conceito muito bem definido e execução muito bem realizada. Além de tudo, trouxe o enredo, o homenageado e interagiu com o público. E a dança dos componentes trouxe muito dos movimentos de Ney e sua sensualidade. Tudo muito bem ensaiado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

A chegada da renomada coreógrafa Ana Botafogo só ajudou a consolidar o crescimento e o amadurecimento do casal Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, que já é latente desde o desfile do Lampião. E, a cada ano juntos, a dupla evolui cada vez mais e se mostra mais confiante quando pisa na Sapucaí.

Com a pista bastante molhada, com poças e mais poças, mesmo com chuva e vento, Phelipe e Rafaela não se intimidaram. Além do bailado clássico que a dupla tem como característica, neste ensaio, particularmente, o casal mostrou muita sensualidade e uma pitada do feitiço que Ney usa em suas danças para deixar o público atônito. Apresentação muito madura.

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Phelipe chegava a levantar água quando fazia seus movimentos, em um bailar e efeito que pareciam até ter combinado com a natureza. E Rafaela, segura e intensa nos giros, manteve a bandeira bem desfraldada durante todo o tempo. A roupa preta da dupla combinou com a elegância e a magia do homenageado que trouxeram para a Sapucaí. E os dois não só cumpriram bem o seu papel como entraram no espírito do homenageado.

HARMONIA E SAMBA

A maturidade que Pitty e Lolo atingiram no entrosamento e na qualidade musical é diferenciada. Mesmo com um samba que claramente está abaixo em relação às últimas obras que a escola levou para a Sapucaí, a dupla incrementou a música e fez ela crescer muito, destacando aquilo que tem de mais forte, com bossas e vocalizações, confirmando a espiral de crescimento que já vinha sendo notada nos ensaios na Euclides Faria, em Ramos.

O refrão de baixo, que certamente é o trecho de maior força da obra, está surgindo sempre com muita intensidade, em diversas vezes cantado apenas pela comunidade. No “Eu juro que é melhor”, a levada da bossa deixou o trecho “gostoso” de cantar e com um convite para dançar. A bossa de charanga no “se joga na festa” é outro ponto alto, sempre com a enorme qualidade do time de vozes, bem afinado, treinado e entrosado, que deixa Pitty à vontade e livre para conduzir com força, mas também com muita técnica e correção.

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E a comunidade, debaixo de um dilúvio no início do treino e com chuva moderada e constante em todo o ensaio, deu um show de canto, com firmeza, mostrando que a letra estava na ponta da língua. Algumas alas dançavam, faziam coreografias e, mesmo assim, não deixavam de cantar em nenhum momento. A resposta do público foi muito boa, cantando também, principalmente nas partes que a bateria e o carro de som jogavam para a galera.

EVOLUÇÃO

Como tem sido a tônica dos últimos anos e também neste carnaval, nos ensaios, a Imperatriz apresentou mais uma vez uma evolução muito espontânea, quente, livre e com muita alegria dos componentes. A escola brincava muito entre si, e era fácil encontrar desfilantes interagindo com o público das frisas, que adorava.

A chuva parece ter dado ainda mais energia e garra, e a Imperatriz teve muita fluidez e ritmo, na mesma pegada do samba, sem correria, e com as alas, no geral, bem livres. A escola passou pela Avenida sem apresentar problemas aparentes no quesito.

Algumas alas no início da escola traziam pequenas coreografias bem dentro da proposta do enredo, sem influir na espontaneidade dos componentes, produzindo um bonito efeito. Aliás, muitos se entregaram de alma ao enredo e passavam dançando com sensualidade, como uma ala de rosa que vinha antes da coroa da escola, com chapéu de vaqueiro. No final, uma ala com quepe de policial também roubou a cena nesse sentido. A antiga “Certinha de Ramos” segue quebrando seus próprios paradigmas e tem um dos ensaios mais quentes do carnaval carioca.

OUTROS DESTAQUES

Pitty conseguiu levantar a Sapucaí em um momento em que a chuva estava muito forte, cantando os últimos sambas que a escola levou para a Avenida no esquenta. “Cigana Esmeralda” e “Oxalá” obtiveram uma grande recepção do público e começaram a incendiar a Sapucaí antes do treino propriamente dito.

A rainha Iza esbanjou samba no pé e, com a fantasia “Jeito felino provocador”, com penugem preta e o verde da escola, além de uma imagem de onça dourada na cabeça, fez sua homenagem a Ney Matogrosso. A bateria Swing da Leopoldina, de mestre Lolo, além das bossas e da sonoridade primorosa, ainda mostrou repertório dançante com coreografias e realizou alguns movimentos de deslocamento interessantes, sempre em conformidade com o desenho que fazia na parte rítmica e sonora. A coroa de Ramos, toda iluminada, abriu o cortejo da escola neste ensaio, assim como no minidesfile.

Viradouro confirma excelência de seus quesitos em noite de devoção a Ciça

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Por Marcos Marinho, Matheus Morais, Marielli Patrocínio e Lucas Santos

Mesmo sob chuva e vento durante parte do ensaio, a Viradouro apresentou rendimento consistente na Marquês de Sapucaí e confirmou a excelência de seus quesitos no primeiro ensaio técnico para o Carnaval 2026. Com comissão de frente de leitura clara, casal de mestre-sala e porta-bandeira seguro, canto constante da comunidade, bateria precisa e evolução fluida, a escola atravessou as adversidades climáticas mantendo controle técnico em uma noite marcada pela homenagem ao mestre Ciça. A Viradouro será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval com o enredo “Pra cima, Ciça!”, assinado pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.

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COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Priscilla Mota e Rodrigo Negri, a comissão de frente da Viradouro apresentou uma proposta cênica ao mesmo tempo chamativa e divertida, apostando na clareza da leitura e na comunicação direta com o público. Em cena, 13 componentes vestem ternos bicolores, de um lado, vermelho; do outro, branco, que estruturam o principal jogo da coreografia.

No lado vermelho, os integrantes utilizam máscaras de caveira e gravatas; no branco, máscaras com o rosto do mestre Ciça e apitos pendurados no pescoço. À medida que os corpos giram e mudam de posição, as figuras se alternam diante do olhar do público, revelando ora a caveira, apelido pelo qual o mestre é conhecido entre seus ritmistas, ora o rosto afável e amplamente reconhecido no mundo do samba. A dinâmica cria uma brincadeira visual eficiente, de leitura imediata, que sustenta o impacto da apresentação.

A movimentação coreográfica privilegia o samba no pé como eixo expressivo, conectando passado e presente da trajetória do homenageado. A comissão evoca o início do percurso de Ciça no samba, como passista do São Carlos, em diálogo com a figura consagrada e reverenciada como mestre de bateria, que hoje ocupa lugar central na história do carnaval. Essa dualidade é conduzida com leveza, sem excessos, reforçando a inteligibilidade da cena.

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Um dos momentos mais expressivos ocorre no trecho do samba “Quando o apito ressoa, parece magia”: os componentes se organizam em duas filas e executam movimentos que remetem à regência de uma bateria, evocando diretamente a atuação de Ciça como mestre. A imagem é simples, precisa e simbólica, funcionando como síntese do enredo dentro do quesito.

Mesmo sob chuva e vento, a comissão manteve regularidade, vigor e clareza na execução dos movimentos, demonstrando segurança técnica e controle cênico em condições climáticas adversas. Ainda que não se trate da coreografia oficial do desfile, Priscilla Mota e Rodrigo Negri, em consonância com a Viradouro, optam por entregar ao público da Sapucaí uma apresentação do quesito completa, acessível e respeitosa ao enredo. A proposta honra quem esteve presente na noite de domingo na Sapucaí e cumpre, com eficiência, um papel fundamental da comissão de frente: convocar público e jurados a embarcar no enredo da escola. Nesse sentido, é um acerto pleno.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Julinho e Rute realizaram uma apresentação de alto nível no primeiro ensaio técnico da Viradouro, confirmando a maturidade e a solidez de um casal que se destaca pela fina sintonia em cena. Há entre os dois um entrosamento evidente, construído ao longo de 18 anos de trajetória conjunta, perceptível no olhar, no sorriso, na sincronia dos movimentos e na precisão das finalizações coreográficas.

Julinho atua como um mestre-sala de perfil generoso. Seu bailado é marcado pelo cortejo atento e pela constante abertura de cena, conduzindo o foco da apresentação para a porta-bandeira e permitindo que o pavilhão se imponha com elegância. Não há disputa de protagonismo: sua dança está claramente a serviço de Rute e do símbolo maior da escola. Essa postura qualifica ainda mais a apresentação do casal.

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Rute, por sua vez, demonstra força, vigor e grande domínio na condução do pavilhão, especialmente diante das adversidades climáticas que marcaram o ensaio. Desde o primeiro módulo, o vento já se fazia presente, exigindo atenção constante. Ainda assim, a porta-bandeira conseguiu manter o controle da bandeira com segurança tanto no primeiro módulo quanto nos módulos espelhados.

No terceiro módulo, com a intensificação do vento e a chegada da chuva mais forte, o pavilhão chegou a enrolar em alguns momentos, consequência direta das condições adversas, episódio pontual que não compromete a avaliação geral da apresentação, sobretudo considerando que Rute enfrentou o vento desde o início do percurso.

A resposta do casal diante dessas dificuldades foi imediata e segura: a bandeira é rapidamente recomposta, a coreografia retomada e a fluidez da dança restabelecida sem sobressaltos. A apresentação se mantém firme, madura e tecnicamente bem resolvida, revelando categoria para atravessar situações adversas com naturalidade.

No ensaio técnico, Julinho e Rute pareciam ainda mais cúmplices do que de costume. A conexão entre os dois se impôs como um dos grandes trunfos da apresentação, reforçando o casal como referência no quesito e como um dos melhores do carnaval.

SAMBA E HARMONIA

O canto da Viradouro se mantém constante ao longo de todo o ensaio, revelando uma comunidade que conhece profundamente a obra e sustenta o rendimento do início ao fim da apresentação. O componente canta o samba inteiro, sem quedas de intensidade, assegurando uma base sólida de harmonia sobre a qual a escola constrói seus momentos de maior impacto emocional.

Os picos de volume surgem de forma clara e orgânica nos trechos de maior evocação ao mestre Ciça. O refrão principal, “Se eu for morrer de amor”, é cantado com paixão, devoção e forte implicação afetiva, funcionando como um gesto coletivo de entrega e reverência. O mesmo ocorre nos versos “Traz surdo, tarol e repique pro mestre bater” e “Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você”, momentos em que o canto cresce de maneira evidente e a Avenida é tomada por uma vibração afetiva compartilhada entre ritmistas, componentes e público.

Nesses trechos, o aumento de volume não é casual: está diretamente ligado ao caráter devocional do samba. São passagens em que a homenagem se explicita e o canto assume contornos de reverência, respeito e celebração, mobilizando a escola de forma coletiva. Fora esses momentos de exaltação, o canto permanece regular e bem sustentado, evidenciando um samba de arco dinâmico bem definido, com variações naturais de intensidade, sem oscilações bruscas ou perda de coesão.

Esse gesto de devoção também se materializa na atuação de Wander Pires ao longo de toda a Avenida. Cantando em homenagem a um amigo, o intérprete conduz o samba com segurança, vigor e controle. Sua interpretação não apenas sustenta a harmonia, mas transmite com clareza o afeto coletivo da escola pelo mestre Ciça. O canto carrega amor, respeito e reverência, elementos que estruturam emocionalmente o enredo e conferem densidade simbólica à apresentação da Viradouro.

EVOLUÇÃO

Antes mesmo da metade do tempo regulamentar, a Viradouro já começa a sair da pista, apresentando uma evolução fluida, coordenada e muito bem conduzida. A progressão da escola é inteligente: o desfile cresce aos poucos, sem atropelos, com todos caminhando juntos.

Mesmo com a pista molhada pela chuva que caiu, não há perda de vigor no canto nem desânimo na dança. O samba convida o componente a seguir para frente, e isso se reflete diretamente na evolução.

Na segunda metade do ensaio, a escola desfila ainda mais vigorosa, administrando o tempo com tranquilidade. A entrada no segundo recuo de bateria é organizada, com a bateria entrando de forma correta e a ala seguinte acompanhando sem ruptura, reforçando a leitura de uma escola que evolui com excelência.

OUTROS DESTAQUES

Destaque para a bateria “Furacão Vermelho e Branco”, precisa e segura ao longo de todo o ensaio. No trecho do samba que diz “Sou eu, mais um batuqueiro a pulsar por você”, a bateria se divide ao meio, abaixa e abre caminho para que Ciça se encaminhe até o centro do próprio naipe, onde é reverenciado pelos ritmistas. O momento se impõe pelo desenho corporal da bateria e pela clareza da ação, criando uma imagem forte e facilmente legível na pista.

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Fora esse trecho específico, a bateria mantém andamento firme, bossas bem marcadas e regularidade de execução, projetando o desenho rítmico sempre para frente, com precisão e controle. A condução segura contribui diretamente para a fluidez da evolução e para a leitura musical do samba ao longo de toda a Avenida.

Freddy Ferreira analisa bateria da Beija-Flor no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Soberana” da Beija-Flor de Nilópolis, comandada pelos mestres Rodney e Plínio. Uma conjunção sonora de grande virtude musical coletiva foi exibida. A integração rítmica dos mais diversos naipes nilopolitanos impressionou pela excelente fluência entre as peças.

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Na parte da frente do ritmo da azul e branca de Nilópolis, um naipe de cuícas correto ajudou a complementar a sonoridade das peças leves. Uma ala de chocalhos de boa qualidade técnica se apresentou vestida de iaô, conectando-se ao aspecto religioso do grande enredo da Beija-Flor. Um naipe de tamborins com trabalho coletivo destacado executou um desenho rítmico simples e funcional, com bastante precisão. O casamento musical entre tamborins e chocalhos foi o ponto alto da cabeça da bateria da atual campeã do Carnaval.

Na cozinha do ritmo soberano, foi notada uma afinação privilegiada de surdos. Simplesmente sensacional a ressonância muito bem apurada do timbre do surdo de segunda. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza e absoluta precisão. Os surdos de terceira foram responsáveis pelo bom balanço dos graves. Uma ala de repiques extremamente coesa tocou integrada a um naipe de caixas de guerra consistente. O preenchimento musical dos médios formou uma camada rítmica bastante sólida na bateria “Soberana”. Próximo ao corredor, as tradicionais frigideiras de Nilópolis deram o toque metálico peculiar à sonoridade. Na parte de trás do ritmo, os atabaques ecoaram, como solicitava o próprio samba, conferindo um brilho sonoro diferenciado à bateria da Beija-Flor.

Bossas e nuances rítmicas bem vinculadas ao belíssimo samba da Beija-Flor foram executadas com precisão cirúrgica, todas baseadas nas variações melódicas da obra nilopolitana. Destaque para a participação especial dos atabaques, que tocaram com baquetas, fazendo referência ao aguidavi sagrado presente no Candomblé. O conceito criativo musical mostrou-se bem definido e pautado pela simplicidade: dar ao samba exatamente o que ele solicita, nada além. Merece menção musical positiva o trabalho diferenciado dos repiques-mor nos arranjos.

Uma apresentação muito boa da bateria da Beija-Flor de Nilópolis, dirigida pelos mestres Rodney e Plínio. Uma bateria equilibrada e muito bem equalizada, graças a uma afinação primorosa de surdos, com destaque para a qualidade da ressonância do surdo de segunda. O conjunto de bossas dançantes ajudou a impulsionar o componente nilopolitano. Uma bateria verdadeiramente “Soberana” ao acompanhar e servir o samba-enredo, oferecendo à obra da Deusa da Passarela exatamente o que ela pedia.