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Com data da final prevista para outubro, Grande Rio projeta padrão de qualidade dos últimos anos da disputa de samba

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Segundo Thiago Monteiro, diretor de carnaval da Acadêmicos do Grande Rio, a disputa de samba deste ano seguirá o mesmo modelo dos anos anteriores. De acordo com o cronograma divulgado após a leitura da sinopse de 2024, na última quinta-feira, a final deve ocorrer no dia 7 de outubro. A entrada continua sendo gratuita, mas haverá controle de distribuição de ingressos. * LEIA AQUI A SINOPSE DA GRANDE RIO PARA 2024

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Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Thiago comentou os detalhes da disputa que, segundo ele, terá poucas exigências para os compositores. Veja o cronograma da disputa de samba no final da matéria.

“A gente vai manter a disputa como nos três últimos anos. Uma disputa enxuta e bem barata para os compositores. Já estamos fazendo o cronograma de datas só com a ideia da final – se vai ter ou não o programa ‘Seleção do samba’. Seguindo nosso regulamento, a final, a princípio, será no dia 7 de outubro”, contou o diretor de carnaval da agremiação de Caxias.

O diretor de carnaval também explicou algumas exigências do regulamento. Como nos últimos anos, todos os sambas candidatos deverão ser gravados pelo intérprete Evandro Malandro. O palco da disputa não poderá ter cantores do Grupo Especial. Thiago destacou que “o que queremos é o samba”.

“No palco não pode ter cantor do Grupo Especial, o Evandro Malandro tem que gravar todos os sambas. É a mesma disputa e a mesma forma. Não exigimos torcida, mas se os compositores quiserem colocar, é bem vinda. O que a Grande Rio tem buscado e vai buscar para 2024 é o samba. A nossa estrela não é a torcida nem a parceria, é o samba. Volto a dizer: é uma parceria muito pouco onerosa. Não exigimos clipe e nada disso. Se o compositor quiser fazer, pode fazer”, contou.

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Thiago Monteiro e o presidente Milton Perácio

“Esperamos que o samba venha forte. É uma linguagem totalmente diferente da que foi do Zeca. Estamos buscando algo totalmente diferente”, completou.

Uma das poucas agremiações que não cobram ingressos na disputa de samba, a Grande Rio manterá a entrada gratuita, mas com controle de entrada. “Seguirá com portão aberto, mas dessa vez iremos distribuir ingressos para ter um controle”, explicou Monteiro.

Saída do pesquisador Vinícius Natal

Thiago comentou sobre a saída do pesquisador Vinícius Natal, que foi para a Vila Isabel. Apesar de reconhecer o talento do jovem, Monteiro destacou o trabalho dos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad.

“Quem tem Gabriel Haddad e Leonardo Bora tem craques (risos). Na verdade, o Vinicius Natal é um grande artista e enorme talento. Mas com todo respeito, nós também temos o Gabriel Haddad e o Leonardo Bora que são fantásticos. A sinopse é muito rica e forte, como o nosso enredo pede. Não temos o que falar sobre eles, são sem comentários”, comentou o diretor de carnaval.

Veja o cronograma da disputa de samba da Grande Rio:
15 de junho: 1º Tira dúvidas com os carnavalescos
22 de junho: 2º Tira dúvidas com os carnavalescos
29 de junho: 3º Tira dúvidas com os carnavalescos
06 de julho: 4º Tira dúvidas com os carnavalescos
24 de julho: Inscrição dos sambas – Das 20h às 00h, na quadra da escola
04 de setembro: Divulgação dos sambas classificados para apresentação na quadra
12 de setembro: 1ª Eliminatória, às 20h
19 de setembro: 2ª Eliminatória, às 20h
30 de setembro: Semifinal – 22h
07 de outubro: Final – 22h

A Grande Rio ressaltou que caso haja alguma determinação da Liesa para a realização da final em uma data fixa, o dia 7 de outubro passará a ser a semifinal da disputa.

Luis Carlos Magalhães é o presidente de honra da Cabuçu

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A Unidos do Cabuçu tem novo presidente de honra. É Luis Carlos Magalhães, ex-presidente da Portela. A partir deste domingo, a escola terá um novo presidente. A chapa “Avante Cabuçu” foi a única inscrita na eleição e o carnavalesco Laerte Gulini será o presidente da agremiação. Ao site CARNAVALESCO, ele falou da homenagem.

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“Quero ajudar minha escola-mãe. É como voltar à infãncia. A escola é afilhada da Portela e também é azul e branco”, disse.

Artigo: Talento dos carnavalescos e gestão qualificada no barracão são fundamentais para o Carnaval 2024 da Portela

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A Portela completou 100 anos e tem muito o que comemorar. Primeiro, porque é uma instituição que “sobreviveu” a devastação cultural que todo setor passa, teve momentos complicados, mas segue viva, forte e ainda gerando muitos frutos. Segundo, ela formou muitos e muitos sambistas para o mundo. Quantos foram “concebidos” na Majestade do Samba? Diversos. Terceiro, porque em seu papel de escola de samba forneceu educação e lazer para diversas pessoas, que não conseguem ter acesso em outros espaços da sociedade.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Porém, o ano do centenário não foi fácil para o portelense na pista da Marquês de Sapucaí. O desfile, infelizmente, foi traumático. O sonho de uma apresentação inesquecível foi por água abaixo. Agora, com enredo definido para 2024, novos carnavalescos, reforços para direção de carnaval e para harmonia, nova porta-bandeira, sem dúvida, o sonho do portelense é pisar novamente na Avenida e esquecer o que houve em 2023.

É verdade que os problemas em um desfile podem/devem gerar soluções para o outro. Dificuldades financeiras são sempre citadas, principalmente, em uma escola que não tem um patrono para segurar quando o calo aperta. Do lado de fora, todo mundo tem uma solução. Dentro, a coisa é sempre mais difícil.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Eleito para mudar a Portela, o grupo “Verdade” foi fundamental na volta do protagonismo portelense no Grupo Especial. Após gestões desatrosas, a Águia Redentora devolveu o patamar de desfile vencedor. Através de Marcos Falcon e depois de Luis Carlos Magalhães, o torcedor voltou a sonhar com título e chegou ao topo no ano de 2017.

Os últimos desfiles, principalmente, 2020, 2022 e 2023 foram muito aquém do que a gestão vinha produzindo na Portela. Como uma agremiação que não possui verba “infinita”, como acitado acima, a Azul e Branco de Oswaldo Cruz e Madureira necessita ter uma gestão impecável dos recursos para que proporcionem a condição do trabalho no barracão fluir de maneira adequada na elaboração de fantasias e alegorias. As penhoras, vindas de dívidas de gestões anteriores, também massacram os cofres.

Caso a gestão não funcione de forma impecável, o que não é fácil ser obtido, ano após ano, o desfile acaba sofrendo e o resultado é sempre complicado na quarta-feira de cinzas. Por exemplo, do lado de fora, posso estar errado, mas sinto que a Portela conta com “muito falatório” em disputa de samba-enredo, o que acho sempre prejudicial, afinal, quem vota, geralmente, não está totalmente por dentro do enredo, não possui o conhecimento musical, ou ainda pior, infelizmente, pode julgar por amizade. A disputa gera trauma e que acaba não refletindo no julgamento, mas abala o noticiário do pré-carnaval. Totalmente desnecessário.

Passando pelo desfile de 2023, confesso que antes da apresentação já esperava grande dificuldade para escola brigar pelo sábado das campeãs. O título achava praticamente impossível. Veio a arrancada da escola. Senti algo que não sei explicar até agora, vendo tudo passar na minha frente, comecei a acreditar que a Portela surpreenderia. Durou pouco. Logo recebi a informação dos problemas na pista, principalmente, da alegoria colidindo com a frisa e o buraco, e, dali para frente, todo mundo sabe que desandou. Em nenhum momento, acreditei em rebaixamento. A escola tinha quesitos fortes, como Harmonia, Enredo, Bateria e por aí vai. O próprio casal de mestre-sala e porta-bandeira tinha certeza que ponturia bem pela qualidade da apresentação da dupla.

O tempo passou e os portelenses depositam suas fichas na dupla André Rodrigues e Antônio Gonzaga. Talento, eles possuem e muito. Dialogam com o moderno e valorizam os fundamentos tradicionais. Lançaram o enredo que inicialmente saiu muito bem na crítica especializada, embora, apenas na pista será possível comprovar sua eficiência. Agora, o que o torcedor quer saber é se a dupla terá condição de realizar tudo o que vai projetar nas fantasias e alegorias.

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Foto: Divulgação/Portela

Em uma disputa cada vez mais alta no Grupo Especial é fundamental sair na frente. A primeira verba financeira (TV Globo) cai nas contas das escolas de samba em julho. Assim, quem já compra material consegue produtos especiais, e, principalmente, com valores mais favoráveis. Acredito que neste ponto, como André Rodrigues já fez carnavais em São Paulo, ele saberá sair na frente, já que a cidade tem “nichos” especiais de materiais para alegorias e fantasias.

Em quesitos técnicos, a Portela voa em um céu de brigadeiro. Ninguém falou, mas o intérprete Gilsinho foi muito sondado para outras agremiações pós-desfile de 2023. Ficou! É patrimônio. Merece e muito ser cada vez mais valorizado pela diretoria e torcedores. A “Tabajara do Samba” também merece muitos e muitos elogios. Segura a onda o tempo inteiro. Mantém o nível de qualidade lá no alto. Mestre Nilo Sérgio, seus ritmistas e Gilsinho com a equipe do carro de som formam um conjunto musical de alto gabarito.

Sempre quesitonado, o quesito Comissão de Frente da Portela não é mais o calcanhar de aquiles. Os coreógrafos Leo Senna e Kelly Siqueira enfrentaram pressão, mataram no peito os desafios, superaram e ganharam muito crédito para o desfile de 2024.

O quesito de Mestre-sala e Porta-bandeira, na minha visão, estava consolidado na Portela. Sem viver a parte interna da escola, eu não mexeria em nada. Agora, é inegável que a opção pela entrada de Squel mantém a qualidade e gera expectativa imensa para apresentação com Marlon. A primeira exibição oficial da dupla na quadra já arrancou aplausos portelenses. Na roda da vida, os ciclos acontecem e a direção optou por novos tempos.

Considero que o maior desafio da Portela no Carnaval 2024, de acordo modelo atual do Grupo Especial do Rio de Janeiro, é ter a gestão focada em finalizar todos os processos de elaboração do desfile com o projeto estipulado indo na íntegra (ou quase) para Sapucaí e não passando por nenhum problema grave na pista, se colocar como postulante ao título ou o que parece ser mais viável que é a vaga no sábado das campeãs.

União do Parque Acari escolhe o Ilê Aiyê como enredo para o Carnaval 2024

Para estrear na Série Ouro, no Carnaval 2024, a União do Parque Acari levará para Marquês de Sapucaí o enredo “Ilê Aiyê, 50 anos de luta e de resistência”, que será desenvolvido pelo carnavalesco André Tabuquine. Veja abaixo o texto de divulgação do enredo.

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“Alô, Comunidade!!!

Já temos enredo…

Em 2024, levaremos para a avenida da Marquês de Sapucaí a história dos 50 anos de luta e resistência do Primeiro bloco afro do Brasil. Fundado em 1° de novembro, de 1974, em Salvador, Bahia, o bloco tinha como objetivo lutar a favor dos negros contra o racismo, além de dar representatividade às raízes africanas, divulgando a arte, a música e a dança.

“Que bloco é esse?…

Quem é que sobe a ladeira?”

Das ladeiras do Curuzu para Marquês de Sapucaí”.

Carnaval 2024: Inscrição para autorização de desfiles e caderno de encargos devem ser divulgados até junho

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Vereadores, representantes de ligas e blocos carnavalescos e da Riotur participaram de uma audiência pública, na última sexta-feira, para discutir os desafios e as perspectivas de realização do carnaval de rua do ano que vem. Burocracia para conseguir autorizações de desfiles, garantia de fomento para os blocos menores e atenção aos ambulantes que trabalham na folia foram alguns dos pontos levantados.

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Foto; Divulgação/Riotur

Na próxima semana, a Prefeitura do Rio deverá lançar o caderno de encargos e contrapartidas, e pretende iniciar no dia 19 de junho o cadastro dos blocos interessados em pedir autorização para desfilar no carnaval de 2024. A Comissão já solicitou que o novo caderno de encargos seja enviado à Câmara do Rio e deve realizar uma nova audiência pública após a sua publicação. O vereador Alexandre Beça (PSD), relator da Comissão Especial, também esteve presente na audiência pública.

A presidente da Comissão, vereadora Monica Benicio (PSOL) destacou que o número de blocos autorizados a desfilar vem caindo ao longo do tempo, passando de 608, em 2018, a 498 em 2019 e reduzindo para 415 este ano. Ela acredita que este momento é a oportunidade de fazer ajustes e resolver demandas antigas de blocos e ligas.

“Temos a chance agora de iniciar uma nova fase, com o lançamento de um novo caderno de encargos e um cronograma com melhor prazo e melhor articulado com blocos e ligas para autorização dos desfiles de 2024”, acredita Benicio.

Sobre o cadastramento dos blocos, Gustavo Mostof, diretor de operações da Riotur, explicou que a partir do dia 19 de junho o sistema estará liberado para as inscrições dos blocos interessados em participar do carnaval e a previsão é que até setembro sejam liberadas as autorizações preliminares, podendo se estender até outubro para aqueles cujos recursos dos pedidos precisem ser analisados. “A partir daí, os blocos têm esse período de final de setembro, começo de outubro para correr atrás das autorizações da Polícia Militar, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros”, detalhou Mostof.

Representantes dos blocos alegaram que o fato da autorização definitiva da Riotur estar atrelada a órgãos estaduais de segurança acaba atrasando a liberação dos desfiles e pedem para que os pedidos sejam dissociados para facilitar os trâmites burocráticos. Presidente da liga Amigos do Zé Pereira, Rodrigo Resende, trouxe o exemplo da vizinha São Paulo, em que a própria prefeitura daquele município discute as autorizações com os outros entes.

“Em São Paulo você vai na prefeitura e ela conversa com Estado, fazem uma visita técnica no percurso do bloco, junto com o representante da agremiação, o Corpo de Bombeiros, a PM e a Secretaria de Cultura”, conta Rodrigo.

Para o vereador Celso Costa (Rep), vogal da Comissão, é importante afinar este diálogo para garantir que os blocos possam sair de forma organizada, garantindo a realização do melhor evento para os foliões cariocas e os turistas que visitam a cidade neste período do ano.

“O carnaval passou a ser não só aquele da Marquês de Sapucaí, mas a folia de rua cresceu bastante e hoje temos o maior carnaval de rua do país. A gente não pode deixar que esse crescimento seja desordenado”, conclui Celso Costa.

Caderno de encargos

Previsto para ser lançado ainda no mês de maio, o caderno de encargos e contrapartidas é um documento que serve como orientação para as empresas que pretendem apresentar propostas de produção e implementação de infraestrutura de suporte aos desfiles de rua da cidade em 2024.

Gustavo Mostof detalhou que esta parceria público-privada permite que a Prefeitura tenha condições de garantir organização, disciplina, limpeza e atendimentos de saúde sem utilizar verbas públicas.

“São necessárias 3 mil diárias de operadores de trânsito para suportar a organização dos desfiles, a CetRio não tem equipe suficiente para organizar o trânsito durante o período inteiro. Fora as questões relacionadas à parte médica, como as mais de 200 ambulâncias, os maqueiros, os quase 34 mil banheiros químicos, o apoio à Guarda Municipal com veículos para os agentes se deslocarem”, pontua o gestor.

Os participantes destacaram, no entanto, a importância de dar mais transparência à prestação de contas da empresa que executa as contrapartidas do caderno em troca de isenção fiscal e patrocínio oficial do evento.

Outra questão levantada foi a necessidade de garantir a liberdade dos blocos na busca por investimentos por conta própria. Rita Fernandes, presidente do bloco Sebastiana, pede que o documento não impeça a possibilidade dos blocos independentes conseguirem outras fontes de financiamento para que possam colocar o desfile nas ruas.

“O caderno de encargos não pode ser impeditivo para que a gente vá atrás de patrocínio para nossos blocos, a gente tem que ter essa liberdade”, pede Rita.

Situação dos trabalhadores ambulantes

A representante do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA), Maria dos Camelôs, lembra que os camelôs já fazem parte dos eventos realizados na cidade e pede que haja um cadastramento daqueles que já trabalham para garantir que possam atuar nas ruas também durante o carnaval.

“A gente quer ser cadastrado pelo Poder Público, queremos ser reconhecidos como trabalhadores que precisam dessa cidade para levar o sustento da sua família”, revela Maria dos Camelôs.

A Prefeitura afirmou que as inscrições para cadastro de trabalhadores ambulantes que queiram trabalhar durante o carnaval são realizadas pela Secretaria de Ordem Pública, mas reconheceu que este ano tiveram cerca de 30 mil inscritos para apenas 10 mil vagas, sendo necessária a realização de sorteio.

Participante do debate, Ruan Leal acredita que o Município precisa encontrar formas de lidar com este problema, uma vez que o Rio de Janeiro é a cidade com o maior índice de informalidade entre as capitais do país.

“O carnaval é um momento crucial de renda para esses trabalhadores informais, para os camelôs e ambulantes. É preciso que a Riotur pense num cadastramento para garantir que todos possam trabalhar. É bom para quem está trabalhando, mas também é bom para a empresa que está financiando o carnaval, pois sua marca vai estar circulando e mais produtos sendo vendidos”, reforça.

CARNAVALESCO premia no domingo os melhores de São Paulo do Carnaval 2023 com festa no Pratifaria Bar

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Domingo é o dia da festa de premiação do Estrela do Carnaval do Grupo Especial de São Paulo 2023. O evento será no Pratifaria Bar (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2627) e terá entrada franca de 17h às 20h, depois o valor é R$ 30. Além do Estrela, o site CARNAVALESCO premiará os melhores do ano, eleitos através de votação popular, e as duas escolas que voltaram para elite do carnaval paulistano: Camisa Verde e Branco e Vai-Vai.

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A festa contará com as apresentações dos premiados que prometem relembrar os grandes momentos vividos no Sambódromo do Anhembi no Carnaval 2023. Veja abaixo a lista dos premiados do Estrela do Carnaval 2023 e os concorrentes ao prêmio melhores do ano.

Estrela do Carnaval 2023
Desfile do Ano: Mocidade Alegre
Samba-Enredo: Império de Casa Verde
Intérprete: Carlos Jr.
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Tatuapé
Carnavalesco: Jorge Silveira (Mocidade Alegre)
Conjunto de Alegorias: Mancha Verde
Conjunto de Fantasias: Mancha Verde
Baianas: Águia de Ouro
Comissão de frente: Estrela do Terceiro Milênio
Bateria: Império de Casa Verde

Melhores do Ano (votação encerra e resultado será divulgado durante a festa)
Desfile do Ano: Mocidade Alegre, Mancha Verde, Tatuapé, Império de Casa Verde e Vai-Vai
Samba-Enredo: Mocidade Alegre, Império de Casa Verde, Tom Maior, Dragões da Real e Barroca Zona Sul
Intérprete: Igor Sorriso, Carlos Junior, Pixulé, Celsinho Mody e Ernesto Teixeira
Bateria: Império de Casa Verde, Mocidade Alegre, Vila Maria, Tatuapé e Rosas de Ouro
Sambista do ano: Jorge Silveira, Dona Guga, Mestra Rafa, Rhaeane Izidoro e Camila Prins
Gestor do Ano: Solange Cruz, Rafael Falanga, Paulo Serdan, Mestre Carlão e Padre Rosalvino

Grande Rio doará prótese para passista que teve braço amputado em internação para retirada de mioma

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A Acadêmicos do Grande Rio doará uma prótese para a passista Alessandra dos Santos Silva, de 35 anos, que teve o braço amputado durante internação para a retirada de um mioma. A informação foi revela ao site CARNAVALESCO pelo presidente de honra da agremiação, Helinho de Oliveira, e pela passista, nesta quinta-feira, durante a leitura da sinopse do enredo para o Carnaval 2024.

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Alessandra dos Santos com integrantes da Grande Rio. Foto: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Alessandra foi homenageada pelos presidentes da escola de Caxias com um buquê de flores e convidada a compor a mesa da leitura da sinopse de 2024. Durante o discurso de homenagem, o presidente Milton Perácio disse que ela seguirá na ala de passistas.

Ao CARNAVALESCO, Helinho contou que a Grande Rio ofereceu apoio jurídico para Alessandra e apoiará a passista no que for preciso. O presidente da escola disse esperar que haja punição e explicou a doação da prótese.

“A Grande Rio se sentiu muito triste. Fizemos aquele desfile a todo momento pensando nela e conversando com a família. Demos todo apoio jurídico. Ela trabalhava com o seu próprio salão de beleza e agora como é que vai fazer? Quem fez tem que pagar. A Grande Rio vai estar junto com ela para o que der e vier. A escola faz questão de arcar com isso (prótese). A escola vai dar a prótese e fazer tudo que for preciso. É merecido, ela é uma estrela nossa, é a nossa artista. Todas elas são nossas artistas daqui de Caxias. Como vamos esquecer uma pessoa dessa? Não temos dúvidas – nem gosto de ficar divulgando – mas ela sabe que a Grande Rio está com ela para o que der e vier”, disse Helinho.

Se recuperando e com o psicológico bastante abalado, Alessandra agora tenta se aceitar e sair de casa. A passista recebeu alta em abril, após meses de internação, e atualmente faz sessões de fisioterapia para recuperar os movimentos da mão. Impedida de trabalhar e com sequelas da anestesia, a passista contou que não teria condições para comprar uma prótese. Segundo ela, o processo de aceitação está sendo difícil.

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Alessandra dos Santos foi homenageada na Grande Rio. Foto: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

“Ainda não estou 100%. Estou tendo que fazer fisioterapia em casa e também não posso ficar muito tempo em pé. Estou me recuperando aos poucos. Eu não tenho nem palavras para agradecer o que eles estão fazendo por mim. É uma coisa (prótese) que eu não poderia comprar mesmo, porque é bastante cara. Eu fui pesquisar e a mais barata custa R$ 10 mil. Quem está oferecendo a prótese é a minha escola, o meu presidente Helinho. Eu, como pobre – que era trancista e implantista e não posso mais trabalhar com a minha profissão e não tenho outra. Meus dedos ficaram dormentes por conta da anestesia e eu estou tendo que fazer fisioterapia. A prótese não vai devolver o meu braço, mas esteticamente e falando como mulher e passista, ela vai melhorar muito o meu psicológico. Até eu me acostumar a me olhar da forma que me encontro hoje… está sendo muito difícil. Eu fiquei boa parte do tempo em coma. Depois que eu acordei, a minha diretora (da ala de passistas) Marisa Furacão sempre me perguntava se eu estava precisando de medicamento ou de alguma outra coisa. Ela e a irmã dela, às vezes, iam à minha casa. A assessoria da escola também ficou em contato para saber como estava a situação sobre médicos, hospital…”, afirmou.

Há 19 anos na agremiação caxiense, Alessandra começou na ala da comunidade e tentou ir para a ala de passistas por cinco vezes – quando recebeu o convite do presidente Milton Perácio. Uma relação de amor entre ela e Grande Rio que surgiu durante as disputas de samba.

“O meu amor pela Grande Rio veio aos poucos. Começou com escolha de samba – eu comecei a vim junto com o meu vizinho. Nisso eu me apaixonei por ver a torcida, aquelas mulatas lindas e maravilhosas sambando na minha frente. Daí eu falei: eu quero isso pra minha vida. Eu amo muito essa escola e o pessoal da comunidade. Essa comunidade é um povo que sai todo mundo correndo do trabalho, vem direto do trabalho ensaiar com uma imensa alegria. É amor”, comentou.

Seguindo como passista para o próximo carnaval, Alessandra pensa agora na expectativa para o próximo desfile. Ela comentou sobre a decisão da diretoria que a manteve na ala: “dar valor para quem é da comunidade”.

“Escola de samba é isso: dar valor pra quem é da comunidade. Eu estou muito feliz com essa notícia de que vou continuar na ala, porque não é fácil ser passista não. Eu me inspiro em muitas dessas passistas – que crescem na comunidade e estão lá ensaiando com sol e chuva. Eu só tenho que agradecer esse reconhecimento de poder continuar na ala e receber essa homenagem hoje”, ressaltou.

Alessandra operou no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, que faz parte da rede estadual de saúde. Ela afirma não ter recebido nenhum suporte do hospital e do poder público. A passista vive, agora, com a ajuda de uma vaquinha.

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Foto: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

“O Hospital da Mulher até agora não entrou em contato comigo em momento nenhum. Eles disseram, em uma das entrevistas, que iriam entrar em contato comigo, mas até agora nada. Ninguém ligou pra gente para dar apoio nenhum – nem psicológico, prótese, nada. Fisioterapia estou fazendo por conta própria. Fizeram uma vaquinha para mim e as pessoas estão me ajudando – todo mundo que você possa imaginar do mundo do carnaval e da festa junina – porque eu danço lá também. Essa vaquinha que está me ajudando financeiramente, porque eu não estou trabalhando e a minha mãe não é aposentada. Do Poder Público, ninguém me ofereceu ajuda. Coloquei na Justiça e o caso está em andamento’, afirmou Alessandra.

A Fundação Saúde, órgão ligado ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, instaurou uma sindicância para avaliar os procedimentos realizados no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluninense. A Polícia Civil, através da 64ª DP (São João de Meriti), investiga o caso.

Leia a sinopse do enredo da Unidos de Padre Miguel para o Carnaval 2024

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Enredo: “O redentor do sertão”

JUSTIFICATIVA

Exaltando um dos maiores símbolos de identificação e devoção do povo nordestino, o G.R.E.S. Unidos de Padre Miguel apresenta “O Redentor do Sertão”, no ano em que o Padre Cícero completa 180 anos. O enredo apresenta uma narrativa a partir da visão do imaginário popular sobre a vida do religioso, com grande influência da literatura de cordel.

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Cícero Romão Batista veio ao mundo no ano de 1844, na cidade do Crato, no sul do Ceará. Mesmo muitos anos depois, o Nordeste jamais esqueceria esse nome. Filho de um pequeno comerciante, Ciço teve uma infância simples, mas contam os relatos sobre a sua existência que, desde cedo, o menino possuía um dom e, com certa frequência, tinha visões e revelações sobre o futuro. Os milagres que o padre realizou durante sua vida terrena o tornaram uma grande personalidade, conhecida mundialmente, e uma espécie de líder místico, reunindo milhares de fiéis que peregrinavam em sua devoção.

O texto da sinopse é um conto livremente inspirado nas visões populares sobre o padre, não se atendo aos reais fatos da biografia do homenageado. O desfile será desenvolvido a partir de três manifestações do povo sertanejo: a esperança, o medo e a fé.

SINOPSE

A ESPERANÇA
Nasceu! O Deus menino nasceu! Todos sabiam que um dia Ele voltaria, mas não imaginavam que a salvação viria do sertão. Após padecer na cruz pelo seu povo, Cristo escolheu retornar à Terra no interior do Ceará. Ou teria sido escolhido? Sertanejo sempre carregou uma dádiva chamada esperança, porque naquelas bandas a vida não era nada fácil. O céu era brasa de dar gastura, e tinha vez em que as gotas d’água que molhavam a terra eram apenas suor. Foi um chamado dessa gente: nove meses antes do Natal, uma forte explosão de luz iluminou o Crato num grande rebuliço vindo dos céus. Chegou o iluminado! O clarão era tão grande que Joaquina, que tinha acabado de parir, não percebeu que fazia parte de um milagre: não se sabe se foi um anjo ou a própria Virgem Santíssima em seu manto incandescente. O que contam os cordéis é que um mensageiro divino desceu lá do alto para realizar uma misteriosa troca de bebês. No lugar do recém-nascido da jovem Quinô, esse ser de luz trouxe o Deus vivo encarnado do firmamento, sem a marca do pecado original. Era o menino Cícero Romão, que podia ainda não ter noção da sua missão, mas havia de mudar a história do Cariri.

Como seria a infância de um predestinado? Entre visões reveladoras e escaladas nas árvores para ouvir os passarinhos, ele tinha o dom de quem parecia conversar diretamente com o reino celestial. Sua forte ligação com as palavras, no universo dos livros e das suas orações, mostrava que era mesmo um ser especial. Não corria com as outras crianças, pois, no fundo, já sabia que sua vinda ao mundo não era uma simples brincadeira do destino. O pequeno cabra era um santo! Pense só quantas tentações aquela terra escondia. Envolto num véu de castidade, o menino virou homem, e sem nunca pestanejar em seu caminho, o homem se tornou padre. Tinha acabado de ser ordenado, quando foi convidado a rezar uma missa em um lugarejo. Montado em um jumento, chegou o padre naquele povoado. Foi na capela da vila do Juazeiro que, com seus olhos que enxergavam além do mundano, ele viu na sua frente a materialização do seu chamado: “Cícero, tome conta
desse povo”, disse Jesus a ele sentado à mesa da Santa Ceia junto aos doze apóstolos, enquanto uma multidão se aproximava da porta da capela. Os sertanejos clamavam pela libertação de tantas dores e penitências. Como explicar o encontro da encarnação de Cristo com a sua própria imagem? Eis o mistério da fé.

O MEDO
Antes de toda libertação, há uma provação. O prenúncio do fim dos tempos! Por que, Deus, tanto sofrimento? Seria a fúria assombrosa do Senhor? O juízo final das profecias? Era como se o sertão fosse o cenário escolhido para um novo apocalipse. As aflições do sertanejo ganhavam formas aterrorizantes: gritos esganiçados de lobisomens, rastros de caiporas, ardentes coices de mulas sem cabeça. Luas de sangue, cabeças de fogo. Oh, Padim, como o teu povo padecia, mas não podia deixar de acreditar na salvação!

Os profetas da chuva perceberam os sinais da natureza: os fios rentes ao solo feitos pelas aranhas, os ninhos baixos dos pássaros, os formigueiros perto dos rios. O grande inferno estava por vir à Vila do Juazeiro. Em três anos infernais, três cavaleiros do Apocalipse: a Fome, a Peste e a Morte trouxeram caos e destruição ao Ceará. Urubus sobrevoavam as mazelas causadas pela doença. Parecia o castigo divino do qual a Igreja sempre avisou. Os fiéis carregavam o medo no olhar. Mas por que essa gente teria pecado tanto assim? Qual o motivo de tanta dor? Se até mesmo Cristo Romão, acima da heresia original, um dia seria excomungado pela Igreja Católica, era sinal de que o caminho era seguir o verdadeiro salvador, além de qualquer dogma ou instituição. O
padim resistiu às provações, enfrentou canhões e exércitos das autoridades e procurou até a paz no cangaço para proteger os seus milhares de filhos. A fé que vem do povo é imbatível, nada pode controlar.

A FÉ
A redenção veio da fé, das almas devotas que resistiram aos tempos difíceis, e se revelou na face de um líder que não mediu esforços para proteger os moradores do povoado de Juazeiro. O povo foi libertado pela verdadeira crença, que o transformou em testemunha de uma vida de grandes obras e milagres. Era a tão sonhada redenção. O céu, emocionado, deixou cair as suas lágrimas como resposta. Os profetas, dessa vez, balbuciavam bons prenúncios. Não, não era o fim dos tempos. Era o início de um novo momento no lugarejo. Das mãos do padim, uma beata de puro coração, de mesmo nome da Virgem Santíssima, recebeu a comunhão do corpo de Cristo.

Milagre! Valha-me, meu Padim Ciço! Quando tocou a língua de Maria, a hóstia se derramou em sangue. O mundo precisava saber disso! Jesus não teria se esquecido dessa gente. O padre milagreiro estava de frente com a sua Nova Jerusalém. Êta, Juazeiro, terra prometida! Virou até notícia do jornal – brasileiro é mesmo bicho curioso. Formaram-se as primeiras romarias ao novo paraíso dos milagres. Cícero seguiu com suas benfeitorias num grande cortejo de fé, que aumentava enquanto cada vez mais fiéis passavam a acompanhar a sua jornada. O milagreiro virou conselheiro de todo esse rebanho, e também curandeiro. Tinha receita para espinhela caída, meizinha pra dor de cabeça, conselhos pras injúrias da vida. A cura vinha da fé, era preciso acreditar. A sabedoria do padre fez desse lugar a sua embaixada do céu na terra: o paraíso do Cariri. Para uma vida de dádivas, mais do que crer, era necessário cultivar os bons frutos. “Em cada casa, um altar. Em cada quintal, uma oficina.”, bem dizia o padim.

Quando viu que a missão de suas andanças em terra tinha se cumprido, Cícero arrumou suas malas. Colocou na bagagem os sorrisos do nordestino, os olhares impressionados dos que testemunharam seus milagres. Levou consigo só um pouco disso tudo, porque o seu legado permaneceu em terra, se fez semente. Iria para um lugar onde poderia continuar vigiando seus fiéis, muito menos distante do que vocês imaginam. Partiu sem muito alarde, voltou outra vez ao reino lá de cima. Em cada oração ou verso de cordel, a voz de Ciço ainda ecoa. É só fechar os olhos e ele estará lá: na luz das candeias, no luto e nos pedidos por esperança, nos festejos à Nossa Senhora das Dores. O padim vive no simples anseio por uma vida abençoada. Está no sonho de uma comunidade apaixonada, que assim como ele, conhece as bênçãos da persistência. Chegou o ano do milagre da Vintém, afinal ele jamais deixa o trabalho sem recompensa. Padre Cícero, Redentor do Sertão, tome conta desse povo e da Unidos de Padre Miguel.

CARNAVALESCOS: Edson Pereira e Lucas Milato | ENREDISTA: Leandro Thomaz
PESQUISA E DESENVOLVIMENTO: Edson Pereira, Lucas Milato, Caio Araújo, Caio Cidrini, João Francisco Dantas e Marcelo Fraga

Confira a sinopse da Grande Rio para o Carnaval 2024

Antes de tudo:

Incontáveis são as histórias que narram a origem do mundo. Criação, destruição, recriação – eterno retorno. Aqui, falaremos do “eterno devir”. Imortalidade e futuro! Nos rastros, pelas trilhas de Alberto Mussa, o mito Tupinambá restaurado é um mosaico de cosmovisões de nações indígenas que habitavam (e habitam) o Brasil há milhares de anos. O próprio autor afirma, no início de “Meu destino é ser onça”:

enredo granderio2024

“Há pelo menos 11 mil anos – data bem antiga para a América do Sul – a Amazônia brasileira passou a ter ocupação humana. (…) Há muitos indícios de que os povos da floresta influenciaram profundamente a vida de outras populações ameríndias, estendendo sua penetração intelectual até os Andes, antes que surgissem as ‘evoluídas’ civilizações andinas. Numa época ainda muito difícil de identificar, por razões ainda também ignoradas, um desses povos abandonou sua região nativa para iniciar um dos maiores processos migratórios das Américas. Falo dos tupi-guarani. (…) Não é difícil imaginar que tomaram o sentido norte-sul, em direção às bacias do Paraguai e do Paraná, alcançando mais tarde o litoral sul do Brasil, para voltar a se expandir no sentido sul-norte, até o Ceará – sempre fugindo do cerrado e preferindo as matas mais fechadas.”

Ocupando posição central nas narrativas míticas dos povos tão complexos que desenharam os contornos do litoral do Brasil e se conectavam tanto ao coração da Amazônia quanto às demais sociedades ameríndias do que hoje se entende por latinoamérica, eis o signo deste enredo: a onça. Metáfora viva dos rituais antropofágicos, é a onça uma chave para que sejam pensadas as disputas identitárias brasileiras e a nossa eterna capacidade de devorar para recriar – e renascer, rebrotar, revidar, deglutir. Insurgência e potência! Mais do que o animal em si, o bicho, a ideia de “devoração” – jaguara. O ser divino, sagrado, que ergueu reinos, em nosso imaginário. Bordou de força e bravura as narrativas de matriz oral dos povos originários, as lendas costuradas em folguedos e canções, os cordéis do motor Armorial, o próprio carnaval do Rio de Janeiro, em algumas de suas melhores apresentações. Hoje, expressa as lutas de muitas gentes – e, com os dentes e as garras à mostra, há de expressar, também, a vitória da Grande Rio!

Ao final da narração do mito, Beto Mussa entoa:

“Quando, no fim das chuvas, aparece uma estrela muito vermelha, chamada Jaguar, é Sumé transformado em onça (…). E os homens batem no chão com seus cajados e, para assustar a onça, gritam eicobé xeramói! eicobé xeramói güé! – “viva, meu avô.”

E Jaci, então, se regenera – porque é um grande caraíba.

Os covardes choram, porque sabem que se o mundo acabar a angüera deles será devorada por anhanga.

Mas nós, que somos fortes, não tememos.”

Que venha um samba valente, de teor lendário, com força e encantamento, voz aguerrida – devo(ra)ção que se faz folia, nossa eterna brincadeira!

Texto explicativo do enredo (“sinopse”):

NOSSO DESTINO É SER ONÇA

Tu me convoca e eu venho em todas as pelagens, venho na pelagem de estrela, Suaçurana, eu venho. Venho na pelagem de onça-pintada, na pelagem de onça-branca, na pelagem de onça-parda, na pelagem de onça-preta. Venho, Jaguaretê, eu venho. Acanjaruna, eu venho. Ianovare, eu venho. Jaguapinima, eu venho. Ñanguarichã, eu venho. Nigucié-do-senjo, eu venho. Pacová-Sororoca, eu venho. Mingoê-do-sengue, eu venho. Jagoareté-apiaba, eu venho. Onça Tigre, eu venho. Canguçuzinho-do-campo, eu venho. Maracajá, eu venho. Jagoacucu, eu venho. Jaguatyrica, eu venho. Jaguapitangussu, eu venho. Iaguar, iauaretê, eu venho. Tipai uu, eu venho.

Venho e te dou o que é teu por direito, tua roupa de onça.

Micheliny Verunschk – “O som do rugido da onça”

1. O primeiro rugido do mundo

Rugem, enfim, os tambores!

Assim contou o valente tupinambá: no princípio, a escuridão pintava os talvezes – asas de morcegos ancestrais, sombras de corujas primitivas. Caos. Quem reinava, envolto em mistério, era o Velho, aquele que segurava um cajado e caminhava, solitário, sobre o céu. Sábio. Bebeu o néctar no bico de um colibri. O Velho criou os homens e era adorado por eles, mas aos poucos percebeu a terrível ingratidão: desiludido com a própria criação, destruiu o que havia esboçado em uma chuva devastadora de fogo. Para apagar o fogo, criou o trovão, Tupã, que orquestrou um aguaceiro. Depois do fogo e da água, o mundo adquiriu cicatrizes – mares, grotas, cordilheiras. Nesse tempo, onde tudo era noite, a humanidade renasceu. Povoando a terra-sem-mal, os descendentes da primeira mulher e do único sobrevivente do dilúvio, o primeiro dos sábios pajés, cresceram e se multiplicaram. E aprenderam com Maíra a dominar o fogo – herói civilizador. E aprenderam com a vida a respeitar a onça: espírito maior, sonho e constelonções.

2. A terceira humanidade

Mas não há criação sem conflito e toda saga tem sua disputa: o avesso de Maíra, Sumé, detinha muitos poderes – entre eles, o de se transformar em onça. Um não existia sem o outro. Os filhos de ambos correram matas, enfrentando assombrações! Poxi, parente de Maíra, foi morar no céu e virou Cuaraci, senhor do cocar de fogo – a origem do Sol, que iluminou as trevas. Jaci, um dos filhos do enigmático Andejo, virou a Lua, depois de derrotar uma aldeia de jaguares, parentes de Sumé. Maíra e Sumé, opostos complementares, são os pais do trabalho e da guerra. Um novo dilúvio consumiu o mundo, postas as desavenças. Brotou, então, a terceira humanidade! Maíra, transmutado em curumim, reensinou o homem a cultivar o solo – da luta diária pela comida. Sumé, destemido caraíba, saltou oceanos e sangrou o firmamento, misturando-se ao Sete-Estrelo. Ruge, voraz, no céu, perseguindo eternamente a Lua, a fim de vingar seus parentes. Por isso é preciso comer o inimigo: devorar é tornar-se outro. Vingonça. Vingar é sobreviver. Incisões no couro terrestre. Devorar é seguir adiante.

3. As visões dos homens-onças

Fumaça e cuias sagradas, xuatês e maracás. Visões trançadas em palhas ou incrustadas de jade. Os rios, veias deste imenso corpo, levam e tragam memórias. Tudo, enfim, religado – bocas de onças-carrancas, navegando… gargantas! Nas brasas do xamanismo, o jaguar era cultuado em altares e cachimbos. Incas, maias e astecas ergueram templos ao seu louvor, coração-caverna, girar celeste. Pelos vales espoliados, os povos originários perpetuavam narrativas de onças e homens em transe: a ganância e a ignorância do invasor não conseguiam traduzir o que ensinavam os pajés. Tentativa em vão, o apagar das pegadas. Os ritos permanecem vivos nos cantos e mitos dos povos Araweté, Asurini, Kamayurá, Parakanã, Wari’, Guajajara, Juruna, Xipaia, Mawé, Bororo, Apinajé, Kayapó, Ofayé, Pankararu, Baniwa, Apalai, Yawalapiti, Pataxó, Arara, Bacaeri, Tukano, Guarani Kaiowá, entre outros, tantos, bravos!, cada um com a sua cosmovisão e os seus pensamentos mágicos. Urucum e jenipapo. “Onça sabe quem mecê é”: no Brasil, terra indígena, bulha é pintura e máscara. Onça Grande é mãe e pai.

4. Pintas, pontos e ponteios: reinados

O tempo que pinta as pedras retorce os mitos em causos, tramas a pé celebradas, vivas feito cachoeiras. Onças se fazem memórias e viram histórias sortidas, cordelista e pescador, atravessando tudo, na gira, no cruzo, palavra (en)cantada: ponto de caboclo, ponta de flecha, ponta de dente, ponteio caipira. Encantarias! Tudo se funde e confunde nas troças do versador. Vem onça-maneta, onça-cabocla, onça-da-mão-torta, onça-pé-de-boi, onça-de-bode, onça-borges, onça-mijadeira. Onceiro vira onça e se apaixona, na sanha rosiana do sertão. O escudo do manto do Rapaz-do-Cavalo-Branco! Caetana, Castanha, Onça-Loba que amamentou o herdeiro do trono do Sol, o Quinto Império da Pedra do Reino. Onças aladas, colares de cobra coral. Não as onças sacrificadas dos romances de cavaleiros, mas onças que rasgam o peito dos ditos assinalados. O Circo da Onça Malhada, na rua: onça que ensina e cura, transfigura, onças que somos nós!

5. O nosso destino é ser onça

Quem não brincou de onça-pintada, ao som e ao sabor das toadas? Quem não foi tupinicopolitano, naquele amanhecer rugindo? E quem não se deixou morder pela prosa dentada, indócil, duma Rosa antropofágica? A folia é antena e recado e fareja o que está na trilha. Os destemores, as alegrias. Reantropofagias. Bafio de fera! Hoje, artistas recriam a Terra e fazem da onça o estandarte. Lambe, demarcação: símbolo do que virá, para devorar as ignorâncias. Vencendo demandas! Recontando a história, bafejando saberes. Onças-entidades que arranham as lisuras do presente. Contra a colonialidade que aprisiona, na jugular do atraso. Em defesa dum futuro ancestral, múltiplo e diverso. Pajé-Onça que hackeia, brabo, a história da arte: denuncia o roubo e celebra a liberdade! Para que a floresta brote do asfalto e do vidro e aço e ferro e fuligem – as novas incisões, Felinas. Para que o “ser selvagem” seja redesenhado, no samba que acende a alma. Onças travestis guerreiras, panteronas, onças que redefinem os mantos tupinambás, onças que devoram a morte e fulguram feito estrelas. Onças da diferonça! Nos seixos da eternidade.

Eclipse!
Batemos os cajados no solo para adiar o fim do mundo. (R)Evolução.
Enquanto ela, a Onça, não comer a Lua.

Abrindo os caminhos
sem medo do tombo.
Nasci do encontro de luta
entre a aldeia e o quilombo.

Oxóssi Karajá – “Sete Flechas”

Narrativa em devoração e desdobramento de “Meu destino é ser onça”, de Alberto Mussa
Enredo, pesquisa e texto: Gabriel Haddad e Leonardo Bora – carnavalescos

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Bruno Chateaubriand, comentarista da Band, diz que apenas escolas podem decidir sobre julgamento e explica que prefeito Paes precisa reavaliar decisão sobre o Acesso

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Comentarista da Série Ouro no Carnaval 2023, pela TV Band, Bruno Chateaubriand, gravou um vídeo nesta quinta-feira e abordou a decisão do prefeito Eduardo Paes da Prefeitura do Rio assumir o julgamento da Série Ouro e da Superliga. Em seu comentário, Bruno Chateaubriand apresentou a explicação que apenas o quadro associativo das Ligas pode em votação decidir sobre mudanças no comando do julgamento.

bruno chateaubriand
Foto: Divulgação/Band

“Tem questão delicada. As escolas estão dentro de uma liga, uma associação. Para modificação de qualquer regimento é preciso de voto em uma assembléia e os associados aprovem a decisão. As escolas de samba são as únicas com competência para essa decisão. Eu diria ao nosso prefeito que ele precisa reavaliar. Ele está abrindo um precente muito sério e entrando em uma instituição privada. Os repasses da prefeitura não dão o direito de determinar o julgamento. Existe o Estatudo. As associações possuem o direito e dever de criarem os métodos. Na questão básica do carnaval, temos métodos muito específicios de um grupo para outro. O prefeito está isolando uma questão que não é feita dessa forma. Ele fez um comunicado em uma rede social, sei do engajamento e da presença dele no carnaval, mas acho que ele tomou uma atitude precipitada. Sem ter sido aprovado em assembleia pode gerar dor de cabeça monstruosa, porque podem ser contestados e anulados judicialmente”.