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‘Um grito de liberdade!’ Com comunidade engajada, Independente Tricolor apresenta samba-enredo para o Carnaval 2024

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Por Gustavo Lima e Will Ferreira

A Independente Tricolor apresentou na noite de domingo o samba-enredo que irá embalar a escola no desfile de 2024. A festa, realizada na quadra, começou pela tarde e encerrou com a apresentação da trilha sonora, cantada pelo novo intérprete oficial, Chitão Martins. Assim como em 2023, a agremiação optou por fazer a obra por encomenda. Os compositores responsáveis pelo hino são Evandro Bocão, André Diniz, Maradona e Chitão Martins.

O evento também contou com outro fator importante para a Independente. A porta-bandeira Thais Paraguassu teve que se desligar da agremiação por estar grávida, e, nesta noite, recebeu homenagens da diretoria e do mestre-sala Jeff Antony. Além disso, ela passou o pavilhão oficial para a sua substituta, Graci Araujo, em uma grande cerimônia junto ao presidente do conselho, Danilo Zamboni.

Além disso, houve a apresentação de um grande conhecido da comunidade. Rafael Pinah, intérprete que não desfilou pela escola no último carnaval, agora fará parte do carro de som da Independente Tricolor.

Planejamento

Luciana Moreira, diretora de carnaval, disse que a ideia de fazer os sambas encomendados é totalmente pensando tecnicamente. De uma forma geral, a escola já está antecipada perante ao regulamento de 2024. De acordo com Luciana, o estudo e a sinopse foram fundamentais.

“A ideia foi exatamente essa na construção do samba: Não abrimos eliminatórias justamente para fazer como pede a parte técnica do carnaval e como pede a nossa comunidade. A ideia foi muito bem elaborada e estudada para atingir corações e nota. A nossa ideia do samba encomendado é antiga, já que há muitos anos a Independente não faz eliminatórias. Se tornou uma característica nossa. Quando estudamos um samba, conseguimos agregar sentimento e razão. Essa é a nossa ideia: De acordo com a nossa expectativa, fazer um samba dentro do que pede a nossa sinopse, sempre com muito estudo”, disse.

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Luciana Moreira, diretora de carnaval

Com samba, enredo e tudo definido, a diretora falou sobre o rumo da escola. “Ainda vamos ter alguns eventos mensais na escola, não pensamos em ter ensaios gerais, ainda. Vamos ter alguns ensaios de quesitos, trabalhar os departamentos. Os nossos ensaios gerais serão mais para o final do ano”, completou.

Danilo Zamboni, presidente de honra e membro da direção de carnaval da Independente Tricolor, é uma das pessoas mais atuantes dentro da escola. Está sempre dando a palavra no pré ensaio, eventos e colocando a comunidade para cima. Danilo falou sobre o crescimento da Independente e projetou o próximo carnaval.

“A Independente vem forte como sempre, fazemos carnaval e chegamos em um momento de amadurecimento. Não viemos mais para fazer parte de um grupo, viemos para disputar os primeiros lugares, esse é o nosso objetivo. Sempre respeitando nossas coirmãs, a raiz do samba, mas a Independente vem para brigar, sempre pelos primeiros lugares. O mais importante em tudo isso é que a nossa comunidade está dedicada e feliz, a comunidade incorporou os guerreiros e a luta, já que passamos por ‘n’ problemas. Agora, com a colocação que tivemos no carnaval 2023, comemoramos e muito. Abrir o carnaval em uma sexta-feira e ficar em sétimo lugar, ficando à frente de tantas escolas campeoníssimas e tradicionais foi um título para a Independente. A gente tem que comemorar muito mais, o amadurecimento e o trabalho que o presidente Batata faz junto à comunidade”, declarou.

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Danilo Zamboni, presidente de honra e membro da direção de carnaval da Independente Tricolor

Resultado e a briga por coisas maiores

Zamboni comentou o samba. Para ele, se trata de guerreiros e, também, está muito feliz com as primeiras impressões e a recepção que a comunidade teve para com o hino da escola tricolor. “A primeira recepção da comunidade em relação ao samba agradou totalmente, superou todas as expectativas. É um samba forte, que tem que ser trabalhado porque tem muitas palavras africanas no meio, mas isso, nos nossos ensaios (e a Independente ensaia muito), nos próximos meses, vamos assimilar, se Deus quiser. Uma coisa já é importante: houve a chegada da comunidade feliz com o samba, já cantando mesmo sem saber o samba e pegando na nossa primeira apresentação. Nunca fizemos uma audição com público, então foi muito importante. Já deu para ver que é um samba forte e que a comunidade abraçou. Nossa alegria enquanto componentes, diretores, presidente, ritmistas… Todos estamos muito felizes com o samba. Também estamos muito felizes com o retorno do Rafael Pinah no departamento musical e com a chegada da Graci Araújo como primeira porta-bandeira para substituir a Thais Paraguassu por motivos de maternidade. Estamos muito bem representados. Temos que trabalhar com o pé no chão e focar no carnaval 2024, que é um carnaval de guerreiros e guerreiras”, disse.

O presidente de honra ainda falou da importância que é trabalhar em conjunto. Segundo Danilo, tudo foi feito em conjunto entre compositores e diretoria, mas sem nenhum pedido especial. Ainda aproveitou para opinar sobre a posição de desfile. A quarta colocação na sexta de Carnaval, como já analisada positivamente pelo CARNAVALESCO, fará da escola algo mais livre e confortável para o componente da Independente, planejando as primeiras colocações.

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“Não houve pedido nenhum para os compositores: aqui, tudo nós fazemos em conjunto. O presidente, o departamento musical, a diretoria… agora, é só fazer alguns acertos, alguns detalhes. Foi a nossa primeira audição, com o público e com a bateria. Não fizemos isso antes. Quando falamos de acerto, não falo de samba: falo de entonação, parte musical. É o casamento. Mas, na primeira vez, já explodiu – e isso é muito positivo. E, agora, sendo a quarta escola, faremos um trabalho muito legal. Não é fácil abrir o carnaval, mas temos que estar preparados para abrir ou fechar. Mas, sendo a quarta escola nesse ano, dá para chegar mais tranquilo no Anhembi – seja componente ou departamento. Com certeza a Independente vem para brigar pelos primeiros lugares”, finalizou.

Voz do samba

O intérprete oficial, Chitão Martins, que é um dos assinantes do samba-enredo, falou como é cantar um samba encomendado e prometeu levantar o Anhembi. “Falar desse samba da Independente é só elogios. Um samba leve, valente e gostoso de cantar. Eu tenho certeza que vai emocionar todo povo do samba e vai levantar o Anhembi. Não tenho dúvidas disso. É um samba encomendado, foi a minha primeira experiência com isso. Eu achei super válido, porque a escola que encomenda o samba tem a certeza que vai sair de agrado da comunidade e diretoria”, explicou.

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De acordo com o cantor, é uma obra afro que foge dos padrões. Tem uma melodia pulsante e forte. Realmente é isso. A bateria acompanha tal ritmo. “Por um samba ser afro, o pessoal espera um tom menor, com lamento, voltado para o emocional, mas essa proposta é totalmente diferente. É alegre, tem uma melodia que impulsiona a escola. Você quer estar cantando e pulando ao mesmo tempo. Pra mim é isso. É um samba que tem as minhas características, energia e agora é trabalhar para impulsionar cada vez mais a escola e brigar por posições maiores”, declarou.

Por fim, Chitão contou como está sendo a sua nova casa. “Estrear na Independente Tricolor é um deságio enorme. Subiu para o Especial e por pouco não voltou para o desfile das campeãs. Eu tenho certeza que vai ser tornar uma potência. Eu espero conquistar meu espaço, a comunidade, diretoria, fazer história, um grande desfile e ‘prepara o capacete que lá vem pedrada’”, comentou.

Bailado que promete

“Nós já tínhamos recebido antes para ter uma interação e foi amor à primeira-vista! Gostei muito porque ele tem uma pegada muito diferente dos últimos sambas da Independente quanto à melodia, acho que é um samba mais melódico e com uma cara bem diferente para a escola. Não só por conta do Chitão, que tem uma voz maravilhosa e muda bastante, mas pela canção mesmo, vai ter uma cara diferente. Quando a Independente chegar, vão falar que estamos diferentes”, disse o mestre-sala, Jeff Antony, que opinou sobre o samba-enredo.

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Ainda não se sabe de fato como serão as mudanças no quesito de mestre-sala e porta-bandeira. Porém, pelas palavras e atitude, dá para notar que o casal está preparado, mesmo com o pouco tempo de parceria. Segundo Graci, o samba-enredo apresentado tem uma grande criatividade e mostrou animação ao ver. “Achei um samba bem para cima! Nesse ano, como o quesito vai requisitar um pouco mais de interação com a coreografia com foco em criatividade, achei que vai dar para criar bastante. Estou bastante animada e o samba é bastante para cima, então dá para ter bastante desenvoltura para inovar. Gostei bastante!”, comentou a porta-bandeira.

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Novo casal da Independente Tricolor

Novamente Graci se mostrou tecnicamente bastante correta. Falou de bossas, pegada afro e entre outras coisas que se deve considerar ao olhar um bailado em análise dentro do quesito. “Já estamos pensando em algo especial e diferente, com certeza. Quando escutamos o samba pela primeira vez, em alguns trechos, o Jeff falava coisas que ele achava bacana de fazer e eu também pensava em entradas e saídas de acordo com a melodia. Já vislumbramos bastante coisa. Como temos um ano bastante intenso para criar afinidade, já trabalhamos muito pensando no foco e já deu bom assim na primeira vez que ouvimos o samba. “Temos bossas diversificadas e vamos conseguir transitar bem nos traços do samba. Tanto em traços afro quanto em alguns mais melódicos, com interpretação e emoção. Não só a coreografia dançada em tons mais acima, tem muita interpretação também”, explicou.

“É isso! Agora é trabalhar. Em relação ao que a Graci falou, estamos muito empolgados com o samba por ele ter muita abrangência para trabalharmos muito em cima dele com uma coreografia afro, será que vem algo assim?”, completou o mestre-sala.

Composição da obra

O compositor Maradona é um dos mais experientes do Carnaval paulistano. Ele é um dos responsáveis por escrever o samba-enredo da Independente para 2024. O músico, que também faz parte da ala musical da escola, rasgou elogios ao enredo e enalteceu o sistema de encomenda. “Já fiz vários sambas em várias escolas. Essa história das Agojis é sobre o primeiro exército de mulheres africanas que não aceitaram a escravidão. Elas lutaram contra a opressão. Quando eu comecei a entender o enredo, eu achei sensacional. Tanto é que o samba saiu uma letra emocionante. Eu participei de muitos concursos e mais perdi do que ganhei, mas quando o samba é encomendado, você tem a oportunidade de fazer e mostrar para a diretoria. Se tiver alguma situação, a gente pode alterar para ficar ao gosto de todos”, disse.

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Compositor Maradona

Juntando um grande escritor, que é o Maradona com André Diniz e Evandro Bocão, a porcentagem de sucesso é muito alta. O compositor paulistano contou como foram as reuniões para a música sair do papel. “O ano passado eu fui até o Rio, sentamos com o André Diniz e fizemos lá. Este ano foi feito pela internet mesmo. A gente tem que tentar entrar em sintonia. O André é um compositor sensacional, escreve muito e a gente foi alinhando para sair desse samba maravilhoso”, declarou.

Como já dito anteriormente, apesar de ter sido um samba feito para os compositores, houve uma participação conjunta entre os departamentos. Segundo Maradona, houve um caso em que houve mudança. “Quando nós entregamos, houve uma observação no refrão de pé. Como fala de um enredo de liberdade, nós não tínhamos dado ênfase nisso. Apenas no exército africano. Nós mudamos apenas isso. ‘sou Independente… um grito de liberdade”, finalizou.

Na sexta-feira de Carnaval, a agremiação será a quarta escola a passar pelo Anhembi com o enredo “Agojie, a Lâmina da Liberdade”.

Império da Tijuca 2024: parceria de Bola

Compositores: Bola, Daniel Katar, Igor Federal, Vagner Mariano, Bello, Rodrigo Bola e André Cabeça
Participação Especial: Márcio André

Ê CIRANDEIRA DA BEIRA DO MAR
AIE E Ô MAMÃE OXUM, ODOIÁ IEMANJÁ
SALUBA NANÃ CIRANDEIRA, SALUBA NANÃ CIRANDEIRA
OS POEMAS NA AREIA A ONDA BEIJA
E O CANTO DA SEREIA NA MENINA FOI MORAR
A PEDRA QUE CANTA, A ILHA QUE ENCANTA
ESSE É O SEU LUGAR
CRIADA ENTRE VERDES COQUEIRAIS
NA REALEZA E NA DOÇURA DOS CANAVIAIS
OS DEVOTOS A SAUDAR NOSSA SENHORA DO PILAR
APRENDEU COM SUA MÃE A SER GUERREIRA
A TEMPERAR A VIDA COM AMOR
UMA HUMILDE MERENDEIRA
A VOZ DE UM POVO SOFREDOR

É SÃO JOÃO NO CALOR DE UMA FOGUEIRA
TEM MAXIXE, TEM FANDANGO E REISADO A NOITE INTEIRA
CAVALO MARINHO, CÔCO DE RODA
E MUITA FOLIA … CHAMA A LIA, CHAMA A LIA

CANTANDO NAS MARUJADAS E CANTIGAS DE CORDÕES
NOS FESTEJOS E TERREIROS, VIU NO MESTRE AS LIÇÕES
E NO TOQUE DO TAROL
CONHECEU SEU GRANDE AMOR
SORRISO COM BRILHO DE SOL
ORNADA DE AXÉ E COR
RECIFE, OLINDA …
BLOCOS, FREVOS E MARACATUS
GIGANTES, GALO DA MADRUGADA,
CABOCLINHOS E OS PAPANGUS
DESCE A FORMIGA A FESTEJAR
COM A VOZ PRETA DA CIRANDA DA ILHA DE ITAMARACÁ

ABRE A DANÇA DE RODA
TODO MUNDO DE MÃOS DADAS
NO IMPÉRIO DA TIJUCA
LIA VAI SER COROADA
SE ELA CANTA AGENTE SAMBA
“PATRIMÔNIO NACIONAL”
SALVE A RAINHA NO ALTAR DO CARNAVAL

Império da Tijuca 2024: parceria de Samir Trindade

Compositores: Samir Trindade, Julio Pagé, Wagner Zanco, Osmar Fernandes, Jota, Almeida Sambista Ney Baiano
Participação especial: Alfredo Maio

SOU FILHA DAS ÁGUAS QUE SE ABRAÇAM
NA IMENSIDÃO DO VERDE MAR
MANGUE DE NANÃ, RIO DE OXUM
QUEM LEVA MEU PRANTO É IEMANJÁ
NO BALANÇO DAS ONDAS NASCE A INSPIRAÇÃO
CADA RISCO NA AREIA
DÁ VOZ AO MEU CORAÇÃO
DOCES LEMBRANÇAS DO CORTEJO DA BUSCADA
SOPRA O VENTO NA JANGADA
E BALANÇA OS COQUEIRAIS
ÓH MÃE SENHORA DO PILAR E DA CONCEIÇÃO
A PEDRA CANTA E ENCANTA MINHA GENTE
A ARTE É NEGRA, OFERENDA EM DEVOÇÃO

CIRANDEIRA, CIRANDEIRA
DE MÃOS DADAS VAMOS CELEBRAR
GANZÁ COM ZABUMBA CHAMOU
COCO DE RODA DANCEI
COM A BRASILIDADE ME CASEI

GIRA A SAIA NO MARACATU
NAS RUAS DE OLINDA O MESMO AMOR EM CADA ESQUINA
CLARINS DO FREVO, OBA!
PELAS LADEIRAS, CORDÕES
QUANTA ALEGRIA NO “GALO” DAS MULTIDÕES
HOJE A MULHER PRETA É COROADA NESSE ALTAR
E RESISTÊNCIA SEMPRE FOI O MEU LUGAR
ALIMENTEI A SEMENTE DO AMANHÃ
E FESTEJAR, NA “SINFONIA” DOS TAMBORES, VESTIDA DE CORES
NO MEU IMPÉRIO ASSIM, CANTA O CARNAVAL PRA MIM

ESSE SAMBA QUEM ME DEU FOI LIA
QUE É DA FORMIGA E DE ITAMARACÁ

Ouça o samba-enredo do Império da Tijuca para o Carnaval 2024

Compositores: Eduardo Katata, JC Couto, Henrique Badá, Ferreti da Ponte, Sérgio Gil, Gilsinho Oliveira, Gabriel Machado e Gabriel Gavião
Intérpretes: Emerson Dias, Marquinhos ArtSamba, Vini e Gustavo Pipico

SALVE AS IABÁS, ORA IE IE Ô
SALUBA NANA, ODOCIABÁ
SOU A CIRANDA, TENHO A MELODIA
E MORO NA ILHA DE ITAMARACÁ
POVO DO SAMBA, EU ME CHAMO LIA
TRAGO A POESIA DESSE MEU LUGAR…

VIM AQUI ME APRESENTAR
SOU FILHA DAS ÁGUAS MULHER GUERREIRA
A INSPIRAÇÃO VEM DO MAR
COM AS ONDAS NA BRANCA AREIA
A BRISA SOPRA MAIS FORTE
NA CANA E NOS COQUEIRAIS
LUA PRATEIA SERENA
NOS RIOS E MANGUEZAIS
PULSA MINH’ALMA DE ARTISTA
NO FOLCLORE DO MEU CHÃO
O TOM E AS CORES DA ILHA
VIVEM NA MINHA CANÇÃO

CIRANDEIRO AH, CIRANDEIRO Ê
RAINHA PRETA, A VOZ QUE TEM PODER
CIRANDEIRO Ê, CIRENDEIRO AH
ENTRA NA RODA VAMOS CIRANDAR…

REIS E RAINHAS NA LIDA AO SOL
GANHAM A VIDA COM PROPRIO SUOR
SALVE A PADROEIRA, AS FESTAS, A PESCA E A PAIXÃO
TEMPERO E SABOR MAINHA DEIXOU
HERANÇA PRO MEU DIA A DIA
A MINHA FOLIA O POVO ABRAÇOU
COM AMOR…NESSE CLIMA DE ALEGRIA
E NO CARNAVAL SOU ESTRELA
MEU COLORIDO É AXÉ
NO IMPÉRIO DA TIJUCA, BRILHANDO NA AVENIDA
EU SOU A NEGRITUDE, A MÚSICA
E A CIRANDEIRA TÃO QUERIDA

Império da Tijuca 2024: parceria de Zezinho Professor

Compositor: Zezinho Professor
Arranjo e produção da gravação: Vinícius Bola
Intérprete: Tiãozinho Cruz

O Império hoje é Lia de Itamaracá
Nasceu em Pernambuco, entre o mangue, o rio e o mar,
Cresceu ouvindo as ondas roçando a branca areia,
Aprendeu ciranda no colo de mamãe sereia.
Brincou desde menina de poesia sob o sol,
Ouvia Janaína na folia do tambor,
Com fé na Senhora da Conceição.
As águas são a sua inspiração.

O verde nascente de Oxum
Se mistura com o azul de Iemanjá;
O encontro das ondas acolhe Nanã,
Soberana e serena, a Velha Iabá

Veio da “pedra que canta”, dos coqueirais
O Forte de Orange, os canaviais,
A Igreja do Pilar, a Santa Padroeira
De Itamaracá, onde Lia foi merendeira.
Brincava, assim, do carnaval até o Dia de Reis:
Fandango, coco e no São João,
Nas marujadas e no Pastoril;
Lá ia ela, cantando no reisado, no terreiro,
Festa o povo faz o ano inteiro,
Queria ser artista do Brasil.
Com Lia eu vou atrás do frevo do Galo,
Vou aos Caboclinhos, de Rei ou Rainha;
Visto o papangu, toco o maracatu,
Seguindo os clarins do Elefante de Olinda

Descendo a ladeira, eu vim da Formiga,
Trouxe a Sinfonia Imperial
Vim de verde e branco sambar com alegria:
Folias de Lia é meu carnaval.

Império da Tijuca 2024: parceria de Juan Andrade

Compositores: Juan Andrade, Leonardo Bessa e Gilmar Luiz
Intérpretes: Leonardo Bessa, Luan Lima, Rodrigo Carvalho e Julia Alan

Mulher, preta e rainha
Cirandeira,grande artista
A luz das Yabás coroada de estrelas
Nas aguas sua imagem refletia
E ao som da sua voz
Sua dança e melodia

Abre a roda, ela vem e vai
E as pedras que cantam
Na sombra dos coqueirais
A fé que lhe abençoou
No altar Nossa Senhora
Um rosário de amor (Mas ela é…)
Negra de origem humilde (ÔÔÔ)
Enfeitada de corais (Uma flor)
Brilha sempre onde passa (ê laiá)
De Guiné seus ancestrais

Ô Lia Menina faceira
Ô Lia, Maria do mar
Ô Lia já foi merendeira
Ô Lia faz o sol brilhar

Fez do Folclore um poema
A Guerreira entra em cena,
Cantando, dançando e sorrindo
Do Maracatu ao Boi Bumbá
O Galo da Madrugada vem te abraçar
Na areia ela escreve,
A maré vem apagar
Odoyá Odoyá
É o canto da Sereia
Murmúrios do mar
Odoyá Odoyá

Vem cirandar Ô Vem cirandar
No Império da Tijuca… Lia de Itamaracá
Vem cirandar Ô Vem cirandar
Desce o Morro da Formiga… Lia de Itamaracá

Sambistas elogiam Arraiá da Cidade do Samba e pedem por mais eventos no local

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A Cidade do Samba abriu as portas, no último sábado, para o segundo dia da festa julina promovida pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Assim como no primeiro, o evento contou com brincadeiras, como o touro mecânico, food trucks e barracas de comidas típicas. Além disso, houve a disputa entre quadrilhas de salão e um show da banda Forroçacana encerrando a noite.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Liesa

Sambistas de diversas agremiações e dos mais variados segmentos marcaram presença neste segundo dia de arraiá. A dupla de carnavalescos da Grande Rio, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, estão entre os nomes que compareceram e aprovaram o evento.

“A festa está muito organizada. A Liga conseguiu criar uma estrutura muito boa para receber todo mundo que está chegando. As apresentações de quadrilha também são muito interessantes. É um evento que possibilita que as comunidades das escolas se encontrem, que a gente consiga ter uma integração também com as pessoas que trabalham nos outros barracões. A gente se esbarra o ano todo por aqui e eventos de confraternização são um pouco raros. E, um arraiá como esse, é uma oportunidade muito legal para integrar todo mundo”, afirmou Haddad.

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Gabriel Haddad e Leonardo Bora, da Grande Rio. Foto: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“O arraiá aqui é interessante porque há um intercâmbio muito grande. Muitos profissionais do Carnaval trabalham nas quadrilhas, muitas técnicas são compartilhadas. É um evento muito importante para isso. No meu caso, eu não venho de um estado que tem uma cultura junina tão intensa, tão rica, tão diversa quanto a gente encontra no Rio de Janeiro e obviamente nos estados do Nordeste do Brasil. Então, é um universo, em algumas dimensões, novo para mim. Estou muito encantado com tudo. Tomara que a gente tenha muitos arraiás na Cidade do Samba daqui pra frente”, declarou Bora, que é natural do município de Irati, no interior do Paraná.

A dupla de artistas, que em 2024 também fará expediente na Acadêmicos do Cubango na Série Prata, falou ainda da importância de se estabelecer um calendário regular de eventos na Cidade do Samba. Para Leonardo Bora, o local precisa ser ocupado com frequência tanto por sambistas quanto por turistas.

* LEIA AQUI: Pela primeira vez na Cidade do Samba, público fica fascinado com o local

“Quanto mais a Cidade do Samba for utilizada para eventos que mobilizem os diferentes cenários culturais do estado do Rio de Janeiro, melhor. É um espaço muito grande, que precisa ser conhecido por muito mais pessoas. É impressionante o número de motorista de aplicativo ou de taxista que a gente encontra vindo trabalhar aqui e fala que nunca entrou, que não sabe como é dentro. É um espaço que ainda precisa ser conhecido pelo carioca, ser ocupado, porque é um equipamento cultural muito poderoso”, pontuou.

Já Gabriel Haddad mencionou algumas das formas de explorar mais a Cidade do Samba durante o ano. “São muitas possibilidades. A gente tem como fazer mesas de debate sobre o próprio desfile das escolas de samba, sobre o Carnaval de maneira geral, fazer oficinas, encontros… As próprias escolas podem se apresentar aqui, cada semana uma agremiação. É possível fazer com que essa estrutura seja utilizada regularmente. Eu acho que é isso que falta, porque você vai criando a cultura das pessoas virem para Cidade de Samba”, elencou.

A falta de opções na praça de alimentação foi outro ponto de reflexão. “A gente entende que como não tem essa cultura do turista chegar a Cidade do Samba, de frequentar com mais intensidade, a gente sabe que vai ser difícil ter algum estabelecimento que fica aqui por mais tempo ou com mais opções. Sabemos que é difícil, porque senão tem só as pessoas que frequentam e trabalham nos barracões para consumirem. Mas, se conseguirmos criar a cultura da visitação na Cidade do Samba, assim como ela foi pensada, isso ajuda a ter mais estabelecimentos com mais variedades”, avaliou Haddad.

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João Vitor, da Beija-Flor. Foto: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

Outro artista presente no segundo dia de festa julina na Cidade do Samba foi João Vitor Araújo. O carnavalesco da Beija-Flor de Nilópolis corroborou com os discursos de Gabriel Haddad e Leonardo Bora.

“É muito bom ver essa praça de alimentação, que fica meses parada, pulsando dessa forma alegre e pujante. A Cidade do Samba é um dos melhores espaços que existe para eventos no Rio de Janeiro. Fico olhando para o palco, imaginando shows, espetáculos , eventos e mais eventos aqui dentro… Esse arraiá mostra a capacidade que esse lugar tem para ser muito mais usado e aproveitado”, destacou João Vitor.

* LEIA AQUI: Primeira noite do Arraiá da Cidade do Samba é aprovada por Perlingeiro: ‘não pode ser somente uma fábrica de alegorias’

O carnavalesco nilopolitano traçou ainda um paralelo entre samba e quadrilha. “Tal como o Carnaval, a festa junina, julina, é um evento popular. Acho que esse clima de arraiá deveria rolar o mês inteiro, pelo menos até agosto. Afinal, é algo que tem tudo haver com a energia que é o Carnaval. Se você reparar, a confecção, o material, o estilo de figurino das quadrilhas é muito parecido com o Carnaval. O brilho, o capricho, há um esmero muito grande envolvido. Só de olhar, a gente percebe o investimento. Conheço muita gente que dança em quadrilhas e sei que as pessoas às vezes gastam verdadeiras fortunas ali para que o resultado seja o melhor possível, como o que foi visto aqui na Cidade do Samba”, ressaltou.

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Mayara Lima, rainha de bateria do Tuiuti, Foto: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

A rainha de bateria da Paraíso do Tuiuti, Mayara Lima, foi mais uma que compareceu ao arraiá e gostou do que encontrou na Cidade do Samba. A beldade elogiou a iniciativa da Liesa em criar o evento e defendeu que seja algo duradouro.

“Acho incrível. Assim como a gente, sambista, tem o nosso espaço na Marquês de Sapucaí, este evento abre a Cidade do Samba para acolher o povo da quadrilha. Conheço muitas pessoas que estão aqui dançando, se apresentando, e que fazem parte do mundo do samba. Elas sempre me disseram que não tinham espaço para poder mostrar o trabalho para um público geral, além daquelas pessoas que gostam realmente da quadrilha. Então, a gente está aqui para poder ver realmente a força da quadrilha, a energia positiva. Eu estou maravilhosamente encantada com as quadrilhas que estão se apresentando aqui. Com certeza, vou vir no último dia para ver a final, porque eu amei”, relatou Mayara.

E ao ser indagado sobre o que mais lhe chamou a atenção, a rainha dos ritmistas da Super Som citou justamente os figurinos das quadrilhas. “As roupas são bem luxuosas. Eu já assisti quadrilha, mas fazia bastante tempo que eu não via assim de perto como estão funcionando as de hoje em dia. A forma como eles levam a sério isso e transmitem na roupa, na energia ao dançar, me deixou impactada. Tem roupa que parece de porta-bandeira de tão grande que é”, destacou.

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Júri da segunda noite do Arraiá da Cidade do Samba. Foto: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

Quatro quadrilhas de salão se apresentaram neste segundo dia de evento. Os conjuntos Aiacá, Shock do Painho, Araquém Forró Show e Julina Vlá foram avaliados pelos corpo de jurados formado por Mauro Quintães, Miriam da Costa Mendes, Luis Gustavo Mostof, Lucinha Nobre e Pierri Carvalho. As duas quadrilhas que receberam as maiores notas foram Araquém e Shock e, com isso, conseguiram uma vaga na final que será realizada neste domingo (23).

Além da conclusão do concurso de quadrilha, a terceira e última noite da festa julina na Cidade do Samba contará com outras atrações especiais. Entre elas, o show da banda Falamansa e uma apresentação da Imperatriz Leopoldinense, atual campeã do Carnaval carioca. A Rainha de Ramos fará um minidesfile no local com direito a componentes fantasiados, bateria, casal de mestre-sala e porta-bandeira, além de outros segmentos.

A festa julina na Cidade do Samba é fruto de uma parceria da Liesa com Prefeitura do Rio e Riotur. O evento trata-se de uma iniciativa inédita e conta com o apoio do Sesc, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Cerveja Império e Prefeitura de Maricá.