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União na Portela: portelenses falam sobre nova gestão e o time para Carnaval 2026

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Em 2026, a Portela vive um momento de profundas transformações. A principal mudança foi a chegada da nova presidência, comandada por Junior Escafura. Para integrar a bateria, assumiu o mestre Vitinho, e na ala musical, como intérprete oficial, chegou Zé Paulo. A comunidade portelense mantém uma relação histórica e afetiva intensa com a agremiação: escola e comunidade se reconhecem como partes essenciais uma da outra, complementares em sua existência. Juntas, atravessam esse processo de renovação com paixão, respeito e união, sendo força mútua em cada mudança.

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A Portela encerrou no último sábado com maestria a segunda noite de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. No Carnaval 2026, a agremiação levará para a Avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará: a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, que contará a história de Custódio Joaquim de Almeida, figura fundamental para o movimento negro, especialmente na região Sul do Brasil.

Jane Garrido, contadora aposentada, tem 79 anos de vida, sendo 63 deles dedicados à Portela. Ela falou sobre as mudanças vividas pela escola. Portelense apaixonada e sempre atenta ao futuro da agremiação, Jane inicialmente não recebeu bem a entrada de Escafura na presidência, mas, com o passar do tempo, sua percepção mudou.

Jane Garrido Portela

“Meu desejo é que consiga conquistar o título, porque eu fui oposição a ele, mas estou achando que ele está fazendo um trabalho muito bom. Ele está unindo a comunidade, ele está unindo a escola. Eu espero que chegue aonde eu quero, porque, independente de quem é quem, eu sou Portela. Eu tenho 63 anos de escola, minha mãe foi baiana da época de Paulo. Tudo que eu quero é o melhor para a Portela. E eu acho que está no caminho certo”, afirmou Jane.

Jane também contou que conhece o mestre Vitinho desde pequeno e elogiou seu trabalho à frente da bateria Tabajara do Samba.

“Vitinho é minha cria ali também da Portela. Eu também comandei os Filhos da Águia, e o Vitinho veio dos Filhos da Águia, ele começou ali. Excelente garoto, está fazendo um trabalho excelente. Modernizou a bateria, porque hoje quem não acompanha o modernismo, perde. Não falando mal do Nilinho, porque o Nilinho era um excelente mestre de bateria, mas o Vitinho está no caminho certo.”

Além disso, Jane recebeu de forma positiva a chegada do novo intérprete e acredita que Zé Paulo já estava bem encaixado no samba, justamente por ter defendido a obra durante a disputa.

“O Zé Paulo encaixou o samba com a escola, porque, inclusive, ele foi quem defendeu o samba na disputa. E o nosso intérprete faleceu, então é um cara que já estava encaixado no samba. Foi excelente. Ele está levando o samba em comum acordo com o Vitinho, encaixou tudo. Eu acho que a Portela está na hora de arrebentar. É tudo nosso”, afirmou Jane Garrido.

A biomédica Eliane de Santanna, de 48 anos, desfila na Portela há cinco anos e está confiante de que, com essa nova gestão, a escola tem plenas condições de conquistar o título.

Eliane de Santana Portela

“Com essa nova gestão, vamos conquistar esse título que a Portela e Madureira esperam levar para casa. Estamos muito ansiosos, felizes com essa gestão, alegres, e a Portela vai chegar com muita surpresa, muita alegria e muita entrega”, disse Eliane.

A perda de Gilsinho ainda é recente e profundamente sentida pela comunidade portelense. Por isso, foi de extrema importância a forma como Zé Paulo chegou à agremiação, acolhendo a comunidade e deixando claro que não veio para substituir ninguém, mas para somar. Eliane comentou sobre essa recepção:

“O Zé Paulo é super povão. Ele está junto com a comunidade, e a comunidade abraçou o Zé Paulo. Como ele diz, ele não veio para substituir o Gilsinho, mas sim para somar com a Portela como um bom portelense. E toda a Portela o abraçou com muito carinho.”

Sobre a bateria, Eliane também destacou a atuação do novo mestre:

“O mestre Vitinho trouxe inovação, trouxe um ar novo para a bateria. A Tabajara está diferente, mais potente, mais alegre e vai surpreender na avenida.”

Márcio Henrique, de 28 anos, assistente logístico, também estreou na bateria da Portela neste ano. Apesar da chegada recente, ele já conhece o mestre Vitinho de outros carnavais, inclusive tendo trabalhado com ele anteriormente. Márcio acredita que o trabalho do presidente Escafura levará a escola a mais uma conquista.

Marcio Henrique Portela

“Ele, o Junior Escafura, rejuvenesceu a Portela, a equipe, tudo. E eu já tinha trabalhado com o Vitinho também, então, para mim, eu estou em casa”, contou Márcio.

Sobre a chegada de Zé Paulo, ele também comentou:

“O cara tirou onda. Foi pego de surpresa pelo que aconteceu, mas está sabendo carregar a Portela nas costas. Todo mundo gosta do trabalho dele. A gente não pode fazer muita cobrança, porque foi tudo muito repentino, mas, por enquanto, ele está sabendo se sair bem.”

A administradora Josi Mascarenhas, de 44 anos, está na Portela há 11 anos e percebe a nova gestão como mais humana, próxima da comunidade e presente no dia a dia dos portelenses. Para ela, trata-se de uma administração que dá voz à comunidade e fortalece a união da escola.

Josi Mascarenhas Portela

“Eles são mais humanos, mais comprometidos com a comunidade, parceiros e realmente presentes no nosso dia a dia. Eles se importam com as pessoas, e é isso que o Carnaval precisa. A gente precisa fazer uma boa entrega, mas também precisa de humanidade, companheirismo e compreensão. Essa gestão é excelente. Eu sou apaixonada por eles. A Nilce, inclusive, é minha irmã de santo, então eu só tenho a agradecer e ficar muito feliz com essa nova gestão da Portela”, afirmou Josi.

Com muita fé e amor pela agremiação, Josi contou como recebeu a chegada de seu amigo de infância, mestre Vitinho:

“O mestre Vitinho é excelente. Eu fiz uma novena para a gente ganhar o Estandarte de Ouro. Conheço o Vitinho desde criança, somos amigos, e eu estou muito feliz. Eu rezei muito, e isso se concretizou, para o bem do Carnaval e para o bem de nós, portelenses.”

Por fim, Josi falou sobre o novo intérprete:

“Eu acho uma voz que se encaixa com a Portela. O Gilsinho é hors concours, não tem como comparar. Mas é uma voz que se encaixa, ele é muito humilde, interage com a gente o tempo inteiro e faz questão de fazer parte da família. E ele é da família. É espetacular. Só tenho a agradecer.”

‘A gente sente o que canta’ Componentes reafirmam o Tuiuti como quilombo do samba

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Durante a concentração da Paraíso do Tuiuti para o ensaio técnico realizado neste sábado, a identidade da escola como “O Quilombo do Samba” ganhou contornos ainda mais nítidos a partir do olhar e da vivência de quem constrói o desfile na prática. Componentes da agremiação, todos desfilantes anônimos, foram ouvidos pela reportagem e reafirmaram a força do slogan da escola, além da importância de a Tuiuti seguir apostando em temas que exaltam a negritude, a ancestralidade e a diáspora africana.

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Fotos: Marielli Patrocínio e Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para o Carnaval 2026, a escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, que promete mais do que um desfile: uma verdadeira experiência imersiva na cultura do Ifá cubano, abordando seus aspectos históricos, espirituais e a forte noção de comunidade que atravessa o povo preto em diferentes partes do mundo. Um tema que, segundo os entrevistados, dialoga diretamente com a identidade que a Tuiuti vem construindo ao longo dos anos.

Músico percussionista e educador musical, Douglas Jorge, de 37 anos, faz seu primeiro desfile pela Paraíso do Tuiuti. Apesar de estreante na escola, ele carrega uma trajetória sólida no carnaval, tendo sido criado na Portela, onde chegou a ocupar o cargo de diretor de bateria. Para Douglas, o conceito de quilombo ultrapassa limites geográficos e se manifesta onde quer que a cultura preta esteja viva.

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“Com certeza a Tuiuti é o quilombo do samba. Tem muita coisa que as pessoas ainda não entendem sobre esse enredo e sobre essa proposta. No Brasil, os negros se juntaram e formaram o candomblé, misturando Angola, Benin, Sabá. Em Cuba foi a mesma coisa: os negros chegaram e se cultuou a Lukumi, que é o Ifá, que vem da África e permaneceu lá. Em Cuba também é quilombo. Em todo o mundo existe o quilombo. Nos Estados Unidos, em vários lugares, você vê espaços onde a cultura preta se mantém viva. Às vezes muda o nome, muda a forma de falar, mas é quilombo. A cultura preta nunca vai sumir, ela está no mundo inteiro”, afirmou.

Ao comentar a tradição da Tuiuti em levar para a avenida enredos que falam de negritude, o percussionista destacou a importância pedagógica e emocional dessas narrativas.

“É muito bom a gente poder falar de nós, trazer conhecimento, porque muita gente não tem. A Tuiuti faz isso muito bem. Quando o samba desse ano saiu, muita gente criticou, mas quando traduziram o que ele dizia, as pessoas choraram, se emocionaram e entenderam a mensagem”, comentou.

Ligado diretamente à ancestralidade por meio dos tambores, Douglas explicou que desfilar em um enredo afro provoca uma sensação única.

“Não é à toa que eu estou aqui com os tambores. Eles carregam a minha descendência, a minha cor. Quando o enredo fala de negritude, é totalmente diferente. Eu sei que estou no lugar certo”, concluiu.

Pela primeira vez vestindo as cores da escola, a estrategista de marketing Luciana Dias Domingues, de 41 anos, ressaltou que a Tuiuti se diferencia por manter a negritude não apenas como discurso, mas como prática cotidiana dentro da agremiação.

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“É uma escola onde a gente observa um número muito grande de componentes pretos. Isso aparece na bateria, nos tambores, na forma como a escola se organiza. Existe respeito e cultivo à cultura e aos nossos ancestrais. Outro ponto importante é a representatividade preta em destaque na escola. A Mayara é um grande exemplo desse processo. Uma menina preta, da comunidade, que está ali se destacando de forma brilhante. Isso diz muito sobre a escola e sobre o que ela defende”, afirmou.

Para ela, a insistência da Tuiuti em exaltar a negritude nos enredos é fundamental para a preservação da cultura preta dentro do carnaval.

“O carnaval é uma cultura preta. Não que pessoas brancas não possam estar nele, mas ele nasce da nossa cultura. Então nada mais justo que pessoas pretas ocupem esses lugares de poder. Isso serve de referência para as novas gerações e mantém essa cultura viva”, comentou.

Ao falar sobre a experiência de desfilar em um enredo afro, Luciana foi direta ao descrever o impacto emocional.

“É tudo. É o que dá axé, dá molho, dá swing. A batida da bateria dentro de um enredo preto faz o coração vibrar. Como mulher preta retinta e mãe de um menino preto, isso é preservação da nossa cultura”, concluiu.

Professor e desfilante pelo segundo ano consecutivo, Jorge Cardoso Paulino, de 36 anos, acompanha a Tuiuti como torcedor desde 2018 e associa o slogan da escola às escolhas artísticas e políticas feitas nos últimos carnavais.

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“Eu reafirmo esse slogan principalmente pelos enredos que a escola vem trazendo. Pela presença do Pixulé, um cara preto, com uma voz gigante puxando o samba, e pela nossa rainha de bateria, que é uma menina preta da comunidade. Eu só queria ver mais gente preta nas harmonias, botando ordem. Muitas vezes são pessoas brancas gritando com a gente para organizar, e isso não é muito legal. Ainda assim, eu confirmo: a Tuiuti é o quilombo do samba”, comentou.

Para ele, o carnaval cumpre um papel educativo essencial.

“O carnaval é pedagógico. Ele ensina a comunidade e a sociedade por meio dos sambas e dos enredos. A Tuiuti dá visibilidade a personagens negros que muitas vezes não são lembrados e não fica só na narrativa da escravidão, mas também fala de resistência e de glória”, destacou.

Ao comentar a sensação de desfilar em um enredo preto, Jorge reforçou a identificação com a escola.

“Quando o samba fala de resistência, o canto sai com muito mais força. A gente sente o que está cantando. A parte do ‘Canta Tuiuti’ vem da alma. Arrepia de verdade”, concluiu.

Também professor e estreante na Paraíso do Tuiuti, Leonardo Avelar, de 37 anos, afirmou que o slogan “O Quilombo do Samba” traduz com precisão a identidade que a escola vem construindo.

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“A Tuiuti é uma escola que acolhe e defende temas ligados à identidade preta e à ancestralidade. Esse slogan conversa diretamente com o que ela vem construindo como identidade para o seu carnaval. A gente precisa reafirmar a potência do povo preto. Não é só uma história marcada por dor e tristeza, mas também por luta, resistência e muita glória que precisa ser contada”, comentou.

Ao comparar a experiência de desfilar em enredos distintos, ele destacou o sentimento de pertencimento proporcionado por temas afrocentrados.

“Quando o enredo é preto, a identificação é outra. A gente se sente pertencente à história que está sendo contada e cantada na avenida”, concluiu.

Império de Casa Verde cresce no último ensaio, embala a avenida e fecha preparação em clima de celebração

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Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

O Império de Casa Verde fechou a temporada de ensaios técnicos do Carnaval 2026 em clima de festa. Última escola a se apresentar no último domingo de ensaios no Sambódromo do Anhembi, o “Tigre” encerrou a noite com uma avenida vibrante. Após o ensaio, a comunidade seguiu em cortejo tradicional para a Barcelona do Samba, bar da bateria localizado do outro lado da rua, e estendeu a celebração.

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Em comparação com o primeiro ensaio, a escola mostrou crescimento evidente, especialmente na entrega da comunidade e na fluidez do desfile. O Império será a primeira escola a desfilar no sábado, pelo Grupo Especial, com o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, que celebra a força ancestral feminina e o empoderamento das mulheres negras da Bahia.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Sérgio Cardoso, a comissão de frente narra a história de Dona Fulô, mulher negra que utilizava as joias como símbolo de resistência e liberdade. A encenação aposta em uma leitura teatral clara, com forte carga simbólica.

No tripé, componentes executam coreografias tanto em cima quanto nas laterais. Por vezes, descem para executar movimentos à frente do carro e depois retornam. A dinâmica cria movimento constante e mantém a atenção do público.

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Um dos momentos mais marcantes acontece quando duas mulheres se encontram no alto do tripé e se abraçam em cena. Ambas representam Dona Fulô: uma ligada ao passado, outra ao futuro. Em determinado ponto, a figura do passado se liberta e oferece flores coloridas à Dona Fulô do futuro, em uma transição carregada de ancestralidade.

Durante toda a apresentação, os demais componentes saúdam essas duas figuras, reforçando a ideia de continuidade e resistência. A coreografia mescla teatro e danças afro, com gestos amplos direcionados ao público.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Estreantes como primeiro casal, Patrick Vicente e Sofia Nascimento apresentaram uma dança que dialoga diretamente com o samba e o enredo. Além dos giros rápidos e bem executados, o casal incorpora passos afro e batidas de palma, reforçando o “gingado carregado de axé” pedido pelo samba-enredo.

A leitura do casal é coerente com a proposta da escola, com identidade bem definida, o que contribui para a construção narrativa do desfile.

“Hoje foi um dia muito emotivo para todos nós, porque, no primeiro ensaio técnico, a gente veio focado, já que houve essa mudança das cabines. Então, a gente ainda estava estudando. Hoje, voltamos mais preparados, não que não estivéssemos no último ensaio, mas viemos com mais razão. Hoje a gente veio com mais emoção, então nos permitimos chorar e sentir todas as vibrações do universo possíveis. O Império merece esse momento e merece muito amor, muita emoção. A gente comentou no outro ensaio que o tigre pode estar ferido, mas não está morto: ele está vivo. E hoje a gente provou mais uma vez isso, que ele está aqui, vivíssimo, em pé. É com essa garra que a gente vai levar para o dia 14. Vamos tirar onda da mesma forma”, disse Sofia.

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Seu parceiro, Patrick, também comemorou o desempenho e completou: “A alegria e a emoção já nos contagiam só pelo fato de ser carnaval. Pode até existir uma responsabilidade, mas a gente acaba se divertindo, porque ama o que faz. Estamos nisso desde pequenos, sempre se divertindo e batalhando. Ter essa felicidade é algo de muita honra mesmo, estar fazendo parte da nossa Imperiana. Uma comunidade que nos abraçou de uma forma inexplicável. Acho que é isso: essa sensação dá para perceber, vendo esse calorzinho de felicidade”.

SAMBA-ENREDO

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O samba foi completamente abraçado pela comunidade e manteve rendimento alto do início ao fim. O canto coletivo se sustenta com facilidade, e a obra funciona tanto musicalmente quanto como fio condutor da narrativa.

Os intérpretes Tinga e Tiago Nascimento formam uma dupla muito bem ajustada, que se completa na condução do samba e dispensa maiores comentários pelo entrosamento apresentado.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos altos do ensaio. A comunidade mostrou envolvimento real com o samba, pulando, dançando e cantando todos os trechos.

Um dos momentos de maior impacto acontece quando o samba pede palmas. A escola inteira responde de forma imediata, criando um efeito sonoro e visual na avenida e nas arquibancadas. O mesmo foi notado pelo Mestre Zoinho, que comanda a Barcelona do Samba.

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“A comunidade cantou bastante. Tivemos até uma paradinha que não estava programada. Foi feita na hora, por orientação do presidente, para testar o canto da escola, e a resposta da escola, do público e de todo mundo foi muito boa.”

Um destaque em ambos os ensaios foi a ala casaverdense, que cantou forte do início ao fim, com empolgação visível e resposta coletiva consistente.

EVOLUÇÃO

A evolução aconteceu de forma fluida e organizada. A escola desfilou com andamento regular, sem registros de buracos ou embolações que comprometessem o quesito. Os componentes ocuparam bem o espaço da pista.

A leitura geral é de uma escola leve, feliz e consciente do percurso que constrói na avenida. A sensação é de uma comunidade que gosta de estar ali e entende o desfile como celebração.

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OUTROS DESTAQUES

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A bateria, comandada por Mestre Zoinho, confirmou mais uma vez sua marca registrada: limpeza e clareza. Todos os naipes são ouvidos com nitidez, sem sobreposição excessiva, o que valoriza o samba e potencializa o canto da comunidade.

“Tivemos uma evolução do primeiro para o segundo. Nesse intervalo, fizemos ensaio de bateria e conseguimos acertar algumas coisas que precisavam de ajuste. Acho que estamos chegando em um nível alto para o desfile. A preparação foi muito boa. Estamos nos preparando desde maio e hoje conseguimos um desempenho dentro do que imaginávamos”, comemorou o mestre.

Quando o Tempo Dança com a Ancestralidade: Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues no Carnaval 2026

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A Unidos de Vila Isabel se prepara para o Carnaval 2026 com um enredo que mergulha nas raízes do samba e na força da ancestralidade negra. “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África” conduz a escola por um território onde memória, sonho e identidade se encontram, em uma homenagem à obra e ao legado de Heitor dos Prazeres. A proposta, assinada pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, valoriza o samba como expressão artística, espiritual e popular, reafirmando a essência da Vila Isabel na Marquês de Sapucaí.

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A azul e branca do bairro de Noel desfila na terça-feira, 17 de fevereiro, sendo a segunda escola a entrar na avenida. Dentro desse contexto, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues, surge como um dos pilares da construção desse Carnaval, unindo técnica, emoção e identidade.

Para Dandara, o retorno à Vila Isabel representa um momento de maturidade e reencontro.

“É a nossa maturidade. Eu acho que é um momento muito bom nosso e de maturidade da escola também. É um grande reencontro. Para mim, voltar para a escola depois de dez anos é voltar depois da menina que saiu daqui. Está sendo, a cada dia e a cada momento, escrever um pedacinho dessa nova história”.

A fala revela o peso simbólico desse retorno e o vínculo afetivo que atravessa o tempo.

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Raphael Rodrigues também traduz em palavras a responsabilidade de defender o pavilhão da escola.

“É uma sensação incrível, é uma responsabilidade imensa, porque a Vila Isabel é uma escola especial na minha vida. É a escola que me projetou, a escola que me amadureceu. Estar aqui nesse momento está sendo incrível e depende da gente. O que estamos fazendo é trabalhar para chegar ao objetivo, que são os 40 pontos”.

Para ele, a missão exige entrega diária, disciplina e comprometimento absoluto.

A emoção também esteve presente quando a dupla teve contato com as fantasias.

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“É uma sensação de que a gente percorre um caminho e quer sempre evoluir. Quando esse momento chega, é quase inacreditável. É um passo muito grande para a gente, que, como dupla, já almejava isso há muito tempo. Está sendo a realização de um grande momento”.

O relato evidencia o simbolismo desse Carnaval na trajetória de ambos.

Sobre a cabine espelhada, Raphael explica que a novidade técnica não altera a essência do trabalho desenvolvido pelo casal.

“Para mim e para a Dandara, a cabine espelhada não muda muito, porque já faz parte do nosso estilo de dança, do que a gente vem propondo nesses anos de amadurecimento e nesses seis anos de dupla. A gente propõe uma dança muito tradicional, que acaba favorecendo todos os lados da avenida e também o salão”.

A escolha reforça a clareza dos movimentos e o diálogo direto com o público.

O samba-enredo ocupa papel central na construção emocional do desfile. Dandara Ventapane destaca a força espiritual da obra:

“Eu acho que o samba tem uma energia ancestral e leve do Carnaval. É poder brincar, é poder saudar, é poder reverenciar. Ele é esse olhar do passado para o futuro, e é com essa energia que a gente está indo para a Sapucaí”.

Raphael Rodrigues complementa com uma percepção visceral: “O samba toca. Ele simplesmente toca. É uma coisa que vem de dentro para fora e que eu não sei explicar. A gente só sabe sentir e viver esse momento”.

Assim, a Vila Isabel segue seu caminho rumo ao Carnaval 2026 unindo tradição, maturidade e ancestralidade. Com Dandara Ventapane e Raphael Rodrigues conduzindo o pavilhão, a escola transforma a avenida em espaço de memória, emoção e celebração, reafirmando sua identidade e sua ligação profunda com o samba.

Pixulé e a potência do samba do Tuiuti que ecoa na Sapucaí

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Paraíso do Tuiuti chega forte ao carnaval com um enredo que dialoga diretamente com a ancestralidade, a espiritualidade e a potência da cultura afro-brasileira. Na avenida, esse discurso ganha corpo, voz e emoção na interpretação de Pixulé, um dos grandes nomes do carnaval carioca, que vive um dos momentos mais significativos de sua trajetória à frente do carro de som da escola.

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O samba-enredo do Tuiuti construiu sua força ao longo da temporada. Chegou desacreditado para alguns, cresceu nos ensaios, ganhou a rua e hoje figura entre os mais cantados do ano, alcançando o posto de segundo samba mais tocado no Spotify, reflexo direto da conexão estabelecida com o público e com a comunidade.

Para Pixulé, cantar esse samba tem sido uma experiência especial. Ele define o momento como algo maravilhoso e relembra a trajetória da obra até alcançar o patamar atual.

“Cantar esse samba, pra mim, está sendo uma coisa maravilhosa. É um samba que chegou desacreditado e, de repente, foi crescendo, crescendo, crescendo, e virou esse samba querido, na voz de todo mundo. A Sapucaí está esperando esse samba”.

O primeiro contato com a obra também foi marcante. Pixulé lembra da emoção ao ouvi-la pela primeira vez e da responsabilidade de representá-la na avenida.

“Eu fiquei em êxtase. Fiquei maravilhado e feliz ao mesmo tempo. Um samba desse, pra mim, não é qualquer um que canta”.

A fala revela o respeito e a consciência do peso que carrega ao interpretar o hino do Tuiuti.

A ligação espiritual com o enredo intensifica ainda mais essa entrega. Pixulé, que é do candomblé e babalorixá, explica que cantar um samba afro toca diretamente sua essência.

“Mexe mais comigo, sim. Como eu sou da religião, tem tudo a ver. A gente que é do candomblé, cantar um samba afro fala direto com a nossa história e com a nossa fé”.

Essa conexão se reflete na forma como ele conduz o samba: sempre com firmeza, emoção e verdade.

A expectativa para a apresentação na Sapucaí passa, sobretudo, pela reação de quem está na arquibancada e na pista. Para Pixulé, esse é o verdadeiro termômetro do samba. Ele explica de forma simples, com os pés no chão: “Estou esperando a resposta do público. Quando a gente começar o samba na avenida, a gente vai ver qual vai ser a resposta”.

Aula de canto e evolução marcam ensaio técnico impactante da Dragões da Real

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Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Dragões da Real realizou seu segundo ensaio técnico rumo ao Carnaval 2026. Foi um treino completo, em que tudo funcionou de forma satisfatória, mas com destaque especial para os quesitos Harmonia e Musicalidade, que deram total suporte para um canto forte e constante. Também foi possível ver uma verdadeira aula de evolução, com componentes soltos, alegres e brincando de carnaval com responsabilidade. Destaque para o intérprete Renê Sobral, que defende o primeiro samba indígena de sua carreira e vem liderando o carro de som com maestria. Um ensaio para marcar história. O Carnaval de São Paulo não se baseia em comparações, mas, sem dúvida, a Dragões da Real está no panteão das grandes escolas da folia paulistana.

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COMISSÃO DE FRENTE

Liderada por Ricardo Negreiros, a comissão de frente da Dragões da Real representou de forma satisfatória as Guerreiras Icamiabas. As mulheres, vestidas de onça, assim como os demais personagens, demonstraram garra ao evoluir, transmitindo a sensação de serem, de fato, guerreiras da Amazônia.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A comissão contou também com a presença de uma criança, na figura de um menino, que realizou movimentos de atuação e utilizou o elemento alegórico em diversos momentos. O garoto representa a alma da Amazônia, o que leva à interpretação de que as Guerreiras Icamiabas lutam pela preservação do território em defesa da criança.

Além disso, quatro homens participaram da comissão, representando os espíritos da floresta. Dessa forma, a ala conseguiu transmitir com clareza a importância das Guerreiras Icamiabas na preservação da Amazônia. Agora, resta aguardar o desfile oficial para conferir o impacto das alegorias completas e do tripé da comissão de frente totalmente revelado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Rubens de Castro e Janny Moreno ensaiou utilizando as fantasias do Carnaval 2025, o que proporcionou maior sustentação durante a evolução na pista e permitirá fácil adaptação à nova vestimenta no dia do desfile.

A apresentação ocorreu de maneira satisfatória, com uma coreografia discreta, porém alinhada ao que o manual do julgador exige. Em todas as cabines, o casal executou corretamente os movimentos obrigatórios e deixou o treino com avaliação positiva.

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“Hoje o nosso ensaio foi mágico, foi emocionante e tranquilo, e é isso. Não consigo falar muito hoje, estou muito emotiva hoje. Além da competição, tem um amor muito grande pela nossa arte. Já temos 28 anos de dança, e cada ano é novo e mágico. Hoje só tenho a agradecer a Deus por tudo, estou muito feliz”, diz Janny.

“Hoje a gente está tomada por emoção, estamos felizes por executar e dar um presente para esse público que está aqui no domingo. Fizemos o que estava proposto, todos os ajustes, mas sempre vai ter novos ajustes, até porque a gente é muito metódico e queremos o teste completo, entendeu? Então a gente está preparado para isso, preparado para viver esse pavilhão, preparado para poder defender a nossa arte. A nossa arte nunca vai deixar de ser tradicional, sempre trabalhando. O trabalho nunca acaba, só acaba no dia em que chegarmos aqui na dispersão”, comenta Rubens.

HARMONIA

O canto da comunidade da Dragões da Real foi um verdadeiro espetáculo. Impressiona a forma como a escola abraça seus sambas, e neste ensaio isso ficou ainda mais evidente. Com andamento acelerado, o intérprete Renê Sobral manteve os componentes animados do início ao fim.

A bateria “Ritmo que Incendeia”, comandada por mestre Klemen, realizou diversos apagões com precisão. O quesito apresentou linearidade, com a escola cantando forte desde a faixa amarela até o encerramento do cortejo.

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Destaque para os últimos versos do samba, a partir de “Valentes guerreiras”, até o fim da segunda parte, já explodindo no refrão principal. Todas as alas tiveram ótimo desempenho, mas a Ala Sítio merece menção especial. Vestidos de branco, seus integrantes refletiram de forma exemplar a harmonia da escola.

Baianas, alas coreografadas e passistas mostraram domínio total da letra. Também foi visível a atuação constante da equipe de harmonia e dos coordenadores de ala, cobrando rendimento dos componentes a todo momento.

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“A expectativa é a máxima possível, porque estamos vendo a entrega da comunidade, do barracão e de todos os departamentos da escola, como a bateria e a ala musical. Acreditamos que vamos apresentar um lindo espetáculo, que vai marcar a história da Dragões e também do Anhembi. Esse samba é um divisor de águas, assim como foi em 2017. Acredito que esse samba também vem para transformar a história da Dragões”, diz Rêne.

EVOLUÇÃO

Mais uma vez, a Dragões da Real demonstrou possuir uma das melhores evoluções do Carnaval de São Paulo. Enquanto muitas escolas adotam movimentos laterais, os componentes da Vila Anastácio enfatizam ainda mais essa dinâmica.

A evolução foi solta, alegre e descontraída. Há responsabilidade por parte dos componentes para evitar buracos ou desorganização entre as fileiras, mas existe liberdade para brincar o carnaval. A impressão para quem acompanha o ensaio de perto é de entrega total ao samba, com extravasamento, canto forte e amor pela escola.

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Chama atenção a alegria dos integrantes em estar no Anhembi defendendo as cores da Dragões da Real. Não é obrigação, mas prazer. Coletivamente, não houve riscos de buracos ou divisão de alas. Cada ala utiliza sua camisa com cor específica, criando um grande mosaico colorido que remete a um desfile oficial. Uma verdadeira aula colocada em prática pelos componentes.

SAMBA-ENREDO

Renê Sobral vem dando um show à parte no comando do carro de som da escola. Trata-se do primeiro samba indígena que o intérprete defende no Anhembi em sua longa carreira e, ainda assim, seu desempenho é exemplar.

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Ele mantém a comunidade empolgada o tempo todo e demonstra entrosamento de alto nível com a bateria “Ritmo que Incendeia”, especialmente nas bossas de apagão. Destaque também para a introdução feita pela cantora Mayara, que ajudou a ambientar o público no clima do enredo com a frase “sente o cheiro das matas”.

Na sequência, Mayara interpretou os versos “Onça-silva é resistência, guardiã em todo canto / Amazonas com espírito que é santo / Leva o nome de Maria, mulheres comuns / No peito amor, na pele urucum”, demonstrando ótima presença vocal como apoio do carro de som da Dragões da Real.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Ritmo que Incendeia”, sob o comando de mestre Klemen, executou bossas com precisão e apresentou excelente andamento dentro do samba. A forte harmonia da escola passa diretamente pela atuação segura da bateria.

A corte de bateria também merece destaque, com fantasias bem elaboradas e totalmente alinhadas ao enredo. Estiveram presentes a rainha Karine Grum, a princesa Yohana Obyara e a madrinha Lexa.

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No setor monumental, foram distribuídas bandeirinhas ao público. Também foram vistas belas bandeiras com a logomarca do enredo, contribuindo para o clima festivo do ensaio.

Comissão de frente da Vila Isabel aposta em identidade, ancestralidade e espetáculo circular para o Carnaval 2026

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A Unidos de Vila Isabel chega ao Carnaval 2026 mergulhada em memória, arte e ancestralidade com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, uma homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres. Desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, o tema propõe um diálogo profundo entre o samba, a cultura afro-brasileira e a vida cotidiana do Rio de Janeiro, a partir da ideia de que samba é macumba e macumba é samba.

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Na linha de frente desse espetáculo, a escola aposta novamente na assinatura artística de Alex Neoral e Márcio Jahu, coreógrafos que acumulam mais de duas décadas de trajetória na dança e que, em 2026, encontram no enredo um espelho direto de suas próprias vivências criativas.

Para Márcio Jahu, o projeto tem um significado especial justamente por essa conexão íntima entre vida, arte e desfile.

“O enredo dessa comissão fala muito do que a gente gosta de desenvolver. Nós trabalhamos com dança há mais de 20 anos, e acho que essa comissão dialoga diretamente com o que a gente faz na vida. Não que nas outras vezes não tivesse sido assim, mas agora sentimos que tem muito mais a nossa cara”.

A fala traduz um sentimento recorrente ao longo da preparação: o de pertencimento. A comissão não surge apenas como uma solução coreográfica para abrir o desfile, mas como uma extensão da identidade artística da dupla, em sintonia direta com a proposta simbólica da Vila Isabel.

Alex Neoral destaca que essa sintonia também se reflete no ambiente interno da escola e na relação construída ao longo do tempo.

“A diferença de 2025 para 2026 é que estamos tendo mais liberdade criativa. Mais confiança da escola. Acho que, a cada ano, a gente afina mais essa parceria”.

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Essa confiança permite ousar mais, aprofundar conceitos e assumir riscos criativos — algo fundamental para um enredo que atravessa espiritualidade, música, corpo e território. A comissão de frente, nesse contexto, se transforma em um ritual de abertura não apenas do desfile, mas da própria narrativa que a Vila Isabel deseja apresentar.

Outro elemento que reforça essa proposta é a estreia da cabine espelhada, que transforma a apresentação em um espetáculo verdadeiramente circular. Para Márcio Jahu, a novidade chega para validar uma escolha artística que já fazia parte da linguagem da dupla.

“Em relação à cabine espelhada, estamos muito confiantes. Acho que é algo que veio para contribuir. A gente já tinha essa preocupação de privilegiar todos os lados, e, se as pessoas observarem nossos últimos trabalhos, vão perceber que não viramos de frente apenas para um jurado. Essa mudança valida uma crença que já era nossa. É muito bom, porque todo espetáculo ganha com isso”.

A fala revela uma concepção de espetáculo que rompe com a lógica frontal e hierárquica, propondo uma experiência mais democrática, em que todos veem e são vistos. Um conceito que dialoga diretamente com a obra de Heitor dos Prazeres, artista que transformou o cotidiano do povo negro em arte, dança e resistência.

Tatuapé fecha ensaios com forte harmonia e excelência no quesito mestre-sala e porta-bandeira

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Por Naomi Prado, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Acadêmicos do Tatuapé concluiu sua temporada de ensaios técnicos no Sambódromo do Anhembi. A agremiação realizou seu ensaio em 1h04min. O grande destaque ficou por conta da harmonia e do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os componentes cantaram em alto volume, demonstrando determinação em alcançar seus objetivos, enquanto Diego e Jussara, por mais um ano, apostaram no equilíbrio entre técnica e criatividade durante as apresentações nos módulos.

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O Tatuapé será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de Carnaval, levando para a avenida o enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente. Tem muita gente sem terra”, assinado pelo carnavalesco Wagner Santos.

COMISSÃO DE FRENTE

Os bailarinos, liderados pelo coreógrafo Leonardo, ensaiaram caracterizados com figurinos coloridos e asas de borboleta. Acompanhada por um tripé, a coreografia apresentou uma proposta lúdica, com dança contemporânea que representa o enredo de forma literal.

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Cumprindo os movimentos obrigatórios do quesito, saudar o público, apresentar a escola e o enredo, os componentes simbolizaram o ato de “semear”. Durante a apresentação, uma personagem central ganhou destaque ao interagir com os demais bailarinos, representando o sopro de Tupã.

Enquanto encenavam no tripé, utilizaram um adereço em forma de plantas para complementar a coreografia.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Diego e Jussara mostraram, mais uma vez, a importância que têm para a Acadêmicos do Tatuapé. O casal executou corretamente todos os movimentos obrigatórios do quesito.

A dupla apostou no equilíbrio entre criatividade e técnica durante as apresentações nos módulos. Vestidos de azul, demonstraram preparo e segurança para buscar o resultado almejado.

O casal analisou o ensaio e comemorou o êxito. “Hoje a gente entrou totalmente diferente do primeiro. Como era o primeiro, semana passada, a gente entrou um pouquinho tenso. Ainda tivemos alguns imprevistos, mas hoje a gente entrou muito mais focado, com a energia lá em cima. E hoje, não posso falar a palavra, mas foi do caramba, a gente gostou muito. Graças a Deus, deu tudo certo! É nessa energia e empolgação que, se Deus quiser, no dia três a gente vai entrar nessa pista para dar tudo certo. Hoje foi impecável”, diz Diego.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“A gente teve algumas coisas que aconteceram no primeiro, mas, graças a Deus, a gente conseguiu resolver e alinhar nos ensaios durante a semana, e hoje aqui a gente fechou com chave de ouro. Graças a Deus, estamos prontos”, vibra Jussara.

HARMONIA

A harmonia do Tatuapé segue, há alguns anos, como um dos principais pontos positivos da escola. Os componentes cantaram em alto volume do início ao fim do ensaio, do primeiro ao último setor.

Com a mudança de posição das cabines, os diretores de harmonia incentivaram ainda mais o canto dos componentes na parte final da pista, ação que elevou de forma significativa o desempenho vocal da escola.

No trecho do samba que entoa “Que a esperança está no amanhã”, o canto se destacou de maneira ainda mais evidente.

EVOLUÇÃO

Os componentes desfilaram de forma dançante, soltos e empolgados. Encerrando o ensaio em 1h04min, o único ponto de atenção em relação ao andamento foi o espaçamento do casal de mestre-sala e porta-bandeira. O regulamento permite um afastamento máximo de até 12 grades, e o casal desfilou exatamente nesse limite. É necessário cuidado para que esse espaçamento não se transforme em um buraco prejudicial ao conjunto.

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Esse foi o único ajuste observado, considerando que a escola conseguiu equilibrar técnica e diversão ao longo do percurso.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo, fruto de uma junção de obras, apresentou funcionamento satisfatório. A composição possui melodia linear e letra de fácil assimilação. O intérprete oficial, Celsinho, conduziu a obra com eficiência durante o ensaio.

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Ao final, o CARNAVALESCO conversou com o cantor, que fez um balanço positivo da temporada de ensaios visando o Carnaval de 2026.

“Todo mundo sabe que, no carro de som, a gente não consegue ver tudo. Só consigo ver o andamento da bateria, que foi excelente. O povo cantando mais do que nos outros anos, o samba está bem encaixado, a melodia bem dividida. Estamos dentro de todos os balizamentos que são pedidos para o samba, a harmonia e a evolução”, conta Celsinho.

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“Agora é o seguinte: manter o respeito e trabalhar alguns pontos que ainda temos que melhorar, já que tudo pode sempre melhorar. Mas estou muito feliz. É um lindo samba, e a comunidade está a fim de fazer um grande desfile e viver o carnaval. O carnaval é alegria. Estamos competindo, mas é alegria. Estamos felizes para brindar mais um ano que Deus nos deu. E tem um segredo que vou dar como spoiler, apenas uma palavra: formiga. Prestem atenção”, diz.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre estreante Cassiano, realizou uma apresentação de qualidade. Durante o ensaio, já com o sistema de som ligado, foi possível perceber todos os instrumentos bem afinados. As bossas executadas dialogaram com a ala musical e contribuíram para a evolução da escola.

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A ala das baianas vestiu figurinos com a imagem de Tupã na parte frontal e alimentos na barra das saias. Além da representatividade das vestimentas, as baianas dançaram do início ao fim do ensaio, reforçando o impacto visual e simbólico da ala.

Marlon Lamar e Squel Jorgea vivem novo começo da Portela em enredo de ancestralidade e resistência

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A Portela se prepara para o Carnaval 2026 atravessando um tempo de recomeço. Com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, a escola mergulha na ancestralidade negra do Sul do país para contar a história de Príncipe Custódio Joaquim de Almeida, africano do Benin que se tornou símbolo religioso, político e de resistência no Rio Grande do Sul. Um desfile que fala de fé, identidade e permanência.

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Na condução desse pavilhão carregado de história estão Marlon Lamar e Squel Jorgea, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da águia altaneira, vivendo um momento que vai além da técnica e da coreografia: é simbólico, político e profundamente emocional.

Para Marlon, o desfile de 2026 representa um marco de virada dentro da própria Portela.

“O início de tudo, né? É um novo começo, uma nova história. Eu acho que tudo começa em um sonho. E a Portela está realizando um sonho depois de uma eleição difícil. O Júnior lutou bravamente para que esse resultado chegasse. É um cara destinado, acho que estava entrelaçado com a história dele virar presidente da Portela”.

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A leitura do mestre-sala não se restringe à administração, mas alcança toda a escola e seus segmentos.

“Sinto que é um começo para todos nós. Para nós, mestre-salas e portas-bandeiras; para ele, como presidente; para a escola como um todo. E, claro, essa energia maravilhosa que a gente está sentindo em Oswaldo Cruz e Madureira, na Portela inteira”.

Quando o assunto é fantasia, Marlon preserva o mistério, elemento essencial do carnaval, mas deixa escapar o sentimento que o figurino carrega.

“Ah, eu acho que faz parte do segredo. O carnaval ainda tem essa peculiaridade de você não saber de fato… de deixar para o momento. Mas posso garantir que, como portelense, vai emocionar a nossa nação. Isso, para mim, é irrefutável. Vai ser muito linda. Aos modos da Portela”.

Outro desafio que atravessa o trabalho do casal em 2026 é a cabine espelhada, que amplia o número de jurados e exige uma dança pensada em múltiplas direções. Marlon encara a mudança com maturidade e bom humor.

“Com certeza muda o posicionamento. Agora a gente evita ficar muito de costas para uma cabine. Elaboramos uma coreografia com movimentos em 360 graus, para que haja uma ampla visão e uma expressão corporal muito mais definida.

Para quem está julgando, não pode ficar a sensação de falta de sincronismo ou de expressão. É um grande desafio para 2026. Essa cabine espelhada traz um desafio enorme, mas estamos movidos a desafios. Eram quatro jurados, agora são seis. É um presente de grego maravilhoso”, disse, aos risos.

Do outro lado do pavilhão, Squel Jorgea traduz esse novo cenário com clareza e serenidade. A responsabilidade aumenta, mas a essência permanece.

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“A responsabilidade é a mesma. O que aumenta é a adrenalina, por sermos julgados por seis pessoas, seis olhares distintos. Aí, sim, é o desafio de agradar seis jurados. Antes eram quatro, agora são seis”.

Sobre a dança em si, Squel aponta para um carnaval em constante transformação e para um casal que soube acompanhar esse movimento.

“Hoje isso já se tornou algo natural para a gente. O carnaval mudou, e a nossa coreografia também, assim como a nossa passagem pela avenida. A gente acabou se adequando a novos métodos”.

Com canto em alta e forte carga simbólica, Colorado do Brás evolui e ganha corpo no Anhembi

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Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A bruxa realmente está solta, e quem estava no Sambódromo do Anhembi sentiu o feitiço lançado pela Colorado do Brás no segundo ensaio técnico. Em comparação com a primeira passagem, a escola apresentou crescimento evidente, especialmente no canto da comunidade e no entrosamento entre os quesitos, e encerrou seu último ensaio técnico dentro do tempo, em 1h03

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Com o enredo “A Bruxa Está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, a escola mostrou mais segurança na condução do desfile e reforçou a proposta de um carnaval carregado de simbologia, teatralidade e força ancestral. A Colorado será a segunda escola a desfilar na sexta-feira, pelo Grupo Especial, no Carnaval de 2026.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Paula Gasparini, a comissão de frente manteve a proposta teatral já apresentada no primeiro ensaio, mas com leitura ainda mais clara. O tripé da escola vem com um caldeirão, de onde sai fumaça e cria um visual diferente na avenida. Ao redor dele, os componentes desenvolvem coreografias que remetem à feitiçaria.

Em alguns momentos, o caldeirão aparece desacoplado e é levado mais à frente. Em outros, ele retorna acoplado ao tripé, ampliando o impacto visual das coreografias no chão.

No ponto alto da apresentação, o ator Taiguara é suspenso no alto do elemento alegórico, criando a imagem de uma entidade, e “voa”.

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Taiguara representa Hécate, deusa ancestral ligada à magia e às encruzilhadas. Ao longo da coreografia, o ator desce do tripé, interage com o caldeirão e com o público, como quem lança a poção em direção às arquibancadas. A leitura simbólica se fortalece quando se considera o sincretismo religioso, no qual Hécate se aproxima de figuras como Exu e Pombagira, entidades que também regem as encruzilhadas e as transformações.

O conjunto apresentou boa fluidez e forte impacto visual, o que coloca a comissão de frente como um dos pontos altos do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Brunno Mathias e Jéssika Barbosa farão sua estreia como casal e já mostraram um trabalho leve e muito bem entrosado. A dança do casal dialoga diretamente com o enredo, com movimentos que remetem à ideia de encantamento, como se um enfeitiçasse o outro ao longo da apresentação.

Os passos têm leitura clara, o conjunto se mantém fluido e a conexão entre os dois aparece de forma constante, sem que um se sobreponha ao outro. O casal apresentou uma atuação segura.

HARMONIA

A harmonia apresentou evolução significativa em relação ao primeiro ensaio. Se antes algumas alas do meio para o fim da escola ainda precisavam ajustar o canto, neste segundo dia o desempenho foi mais regular. Todas as alas cantaram com intensidade. Isso também foi notório para o intérprete Léo do Cavaco:

“Cara, a escola cresceu do último ensaio para cá e hoje cantou mais, já tinha cantado muito no primeiro. A gente fez alguns ajustes nos ensaios também, então a escola vem crescendo, e é bom que cresça aos poucos e chegue e cante no desfile. Porque, às vezes, a gente faz um grande ensaio aqui, mas chega no desfile e não consegue repetir. Então eu prefiro que seja essa crescente, porque as coisas têm que acontecer no desfile. Ensaio técnico é legal, mas é só um ensaio; o que vale mesmo é o desfile”, disse o cantor.

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Além disso, a interpretação corporal dos componentes reforçou a proposta do enredo. Em diversos momentos, os integrantes dançavam com gestos e expressões que remetem diretamente à bruxaria.

Outro ponto que chama atenção é a presença de coreografias em elementos alegóricos, com componentes encenando rituais e, em determinados momentos, soltando gritos que chegam a surpreender quem está mais próximo da pista. Esses recursos ajudam a construir a atmosfera de feitiço que a Colorado pretende levar para a avenida.

EVOLUÇÃO

Na evolução, o principal ponto de atenção ficou por conta do primeiro carro, que vinha logo após o casal de mestre-sala e porta-bandeira e apresentou um deslocamento levemente torto em alguns momentos.

No geral, porém, a escola desfilou de forma organizada. Não houve erros graves ou situações que comprometam de maneira direta o quesito. O conjunto mostrou melhor controle de andamento em relação ao primeiro ensaio, fechando o tempo de forma segura.

SAMBA-ENREDO

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O samba-enredo funcionou melhor neste segundo ensaio em relação à primeira passagem. A escola mostrou mais segurança na execução da obra, com canto mais firme e resposta coletiva mais homogênea ao longo da pista.

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Ele apresentou bom rendimento; em nenhum momento houve queda. A comunidade sustentou todos os trechos, com destaque para o refrão do meio, que cresce bastante nas arquibancadas.

O intérprete Léo do Cavaco conduziu o samba com clareza, mantendo a escola ligada ao canto e à narrativa apresentada na avenida.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Acerola de Angola, mostrou mais entrega neste segundo ensaio. Os ritmistas apareceram mais animados, com recursos cênicos que dialogam com o enredo, como os gritos coletivos que antecedem retomadas do samba.

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Outro ponto interessante acontece no trecho “Vem ver, vai ferver o caldeirão”. A bateria realiza uma parada estratégica alguns compassos antes e explode exatamente na entrada do refrão. A retomada acontece com a bateria inteira voltando junta, sem alteração rítmica.

“A bateria evoluiu cada vez mais com o samba, e a nossa ideia sempre foi essa. Desde o começo, montamos o samba junto com a bateria para que ela crescesse junto, e ele está crescendo. Para o dia, a gente tem mais surpresas ainda, inclusive outros estilos de bateria”, diz o mestre.

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