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Comunidade engajada! Império Serrano conclui ensaios de rua celebrando Conceição Evaristo

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Após o temporal, surge o arco-íris, e o pote de ouro parecia estar concentrado na Avenida Ministro Edgar Romero, em Madureira. Foi ali, na quadra do Império Serrano, que a escola realizou seu último ensaio de rua, na noite da última quarta-feira. Mesmo depois da grande chuva que caiu sobre a cidade do Rio de Janeiro poucas horas antes do ensaio, o Reizinho de Madureira manteve sua agenda e mostrou o empenho de sua comunidade, que compareceu e festejou o fim da temporada de ensaios de 2026.

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Fotos: Bianca Faria/CARNAVALESCO

Com um dos enredos mais emocionantes do ano, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves, a escola traz uma homenagem à escritora Conceição Evaristo, celebrando sua obra, a “escrevivência”, e a resistência das mulheres negras com “Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu”. Com muita celebração e alegria, a escola compartilhou ao longo do ano diversos momentos de conexão e troca com a homenageada, e não poderia ser diferente nos últimos momentos antes do grande dia. Acompanhando todo o processo, Conceição Evaristo falou do tamanho da emoção de ter sua história contada no maior espetáculo a céu aberto do mundo.

“Para mim é uma emoção muito grande perceber o tamanho do poder da literatura. Eu acho que, quando a literatura atinge o povo, ela sai dos lugares ditos consagrados; é porque o povo percebe a literatura como direito. Então, para mim, está sendo essa experiência: viver a literatura como direito no meio do povo”, expressou lindamente a autora.

Após um grande ensaio técnico na Sapucaí, os componentes voltaram animados, e a escola seguiu corrigindo os últimos detalhes para o desfile oficial, que acontece no dia 14 de fevereiro, na Passarela do Samba. O intérprete oficial da escola, Vitor Cunha, reforçou que o último ensaio foi apenas de ajustes e refinamento, e que o Carnaval acontece, de fato, na avenida.

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“A diretoria é incansável, fazendo aquilo que pode e o que não pode com pouca verba, pessoas ajudando, carro de som daqui também fazendo aquele show com a bateria do mestre Sopinha. E agora é esperar: carnaval acontece na avenida, tudo pode acontecer. O Império Serrano está pronto para vir para as cabeças no Grupo Especial. A gente já tem o que a gente quer, agora é só refinar. É só terminar o resto das fantasias, que estão praticamente prontas; o barracão está lindo, maravilhoso. O trabalho do pessoal do barracão também é fundamental, incansável. Só agradecer a todos que participaram direta e indiretamente dessa confecção do carnaval do Império Serrano para 2026″.

Quarta escola a desfilar no sábado de carnaval, o Império Serrano levará para a avenida um desfile construído a partir de referências históricas e culturais de Evaristo, traduzidas em suas alegorias, coreografias, fantasias e no canto da comunidade, que vai buscar conduzir, em perfeita harmonia, a narrativa proposta pelo enredo.

COMISSÃO DE FRENTE

Formada apenas por mulheres, a comissão da verde e branco traz, em sua coreografia, passos firmes e bem marcados, com giros, movimentos de braços e trocas de posição, deixando clara e compreensível para o público a proposta da dança. As integrantes cantam alto e firme, parecendo colocar para fora toda a força da história de Conceição, além de trazerem objetos representativos na coreografia, como baldes e panos. Itens que fazem parte da encenação, como o balde sendo erguido à cabeça em determinados momentos, ganham protagonismo quando representam trejeitos de lavadeiras, sacudindo, batendo e “torcendo” o pano.

A coreografia pode ser vista no momento em que é cantado: “Não é fácil emergir nesse contraste/Benevuto, a maldade não quer me ver sorrir/No refúgio desses becos e vielas/De mãos dadas com Sabela/Eu só quero ser feliz/O Rio que me acolheu me ensinou também a florir/Vi muita gente de lá no rosto negro do povo daqui”.

A comissão traz também uma figura central, uma bailarina que está sempre à frente ou no meio das demais e que provavelmente representa a figura homenageada. Quando é cantado “Sou eu quem dá voz à caneta que silencia o fuzil. Me torno imortal no Livro Brasil. Malungo! Que Negro-Estrela possa ser reconhecido. Sem o choro de um futuro interrompido. Por todo preto, escreviver!”, a dançarina que representa Conceição Evaristo ergue um grande lápis e um livro para o público, com as demais ao redor, reafirmando a importância da literatura na história da autora e do povo preto.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Criados no chão imperiano, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Machado e Maura Luiza, vai defender o pavilhão com um bailado sincronizado, de quem sabe o que está fazendo e busca os quarenta pontos do quesito. O casal apresenta uma dança clássica e atemporal, marcada pelos passos rápidos de Matheus e pelo gingado e expressividade de Maura, que demonstra isso no trecho “É kizomba de preta literatura…”, em que a porta-bandeira executa passos fortes que remetem a danças afro, representando a ancestralidade do povo e da literatura preta.

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Em meio à ansiedade para o grande dia, o casal falou sobre o ensaio técnico e a expectativa para a Sapucaí: “Graças a Deus, fizemos um excelente ensaio técnico, tenho certeza plena disso. Em uma hora a gente entregou muito. Estamos trabalhando, está tudo lindo, perfeito e dentro do planejado. E agora é só esperar o desfile, a gente já está pronto para o desfile”, contou Matheus Machado.

A dupla também garantiu que a única surpresa será a fantasia, preferindo manter a dança dentro do modelo clássico de mestre-sala e porta-bandeira. “Eu não sou muito de surpresa, a gente ensaia bastante e ficar gravando duas coreografias na cabeça não dá. A surpresa é só a fantasia mesmo, que é lindíssima, inclusive”, falou o mestre-sala.

Com 14 anos de experiência como segunda porta-bandeira, Maura falou da ansiedade para o desfile. “Vamos fazer uma apresentação digna do que o Império merece. Fizemos um bom ensaio técnico, vamos ajustar o que precisa ser ajustado, porque a gente quer melhorar sempre a nossa apresentação. Eu estou bem ansiosa e com pensamento positivo de que vai dar tudo certo”, disse Maura Machado.

O último ensaio demonstrou que o casal tem segurança e confiança para buscar os quarenta pontos do quesito e está pronto para mostrar seu bailado para a comunidade e para o público presente na Passarela do Samba, no desfile oficial.

HARMONIA E EVOLUÇÃO

A escola passou alegre, cantando bem o samba, ponto inclusive destacado pelo intérprete Vitor Cunha como um dos principais fatores para a boa temporada do Império Serrano. Com os componentes passando soltos, brincando e cantando, a escola evoluiu de forma leve. O destaque vai para as alas das baianas e da velha guarda, que foram, notavelmente, as alas que passaram mais felizes, cantando e dançando, mantendo a harmonia em alta e levantando o público com sua animação, além do uso de adereços como chapéus e turbantes, que complementaram visualmente a apresentação.

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Mesmo sem o uso de tripés para a demarcação das alegorias, a escola não deixou buracos nem precisou correr. Os componentes passaram organizados e brincando Carnaval, sob os olhares atentos dos diretores de harmonia, que corrigiam as fileiras, mas não engessaram o desfile.

SAMBA

Mesmo cantando forte, o tom do canto da escola pode ser elevado para que tenha mais impacto, considerando o tamanho da Sapucaí. Com um carro de som imponente e vozes marcantes, o samba foi cantado pelos componentes e por parte do público. Entretanto, incentivos para levantar o público durante o samba fizeram falta, já que poderiam ter ajudado a elevar a frequência do canto e contribuir para a evolução.

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A bateria, comandada por Felipe Santos, mostrou estar preparada para atravessar a Sapucaí. Durante todo o aquecimento, os ritmistas mantiveram um ritmo elevado, projetando o som com intensidade para o público presente. No momento do ensaio, a bateria apresentou firmeza na execução, com intensidade sonora alta, e sustentou o desempenho ao longo do percurso.

Confiante no resultado apresentado no ensaio técnico, mestre Felipe ressaltou o empenho da bateria e afirmou que a expectativa é repetir o desempenho no desfile oficial, com o objetivo de agradar o público e alcançar uma boa pontuação para a escola.

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“Trabalhamos bastante, tivemos bastante ensaio, nos dedicamos e foi isso. Foi cansativo, mas foi prazeroso. E vamos fazer um belo trabalho, como fizemos no ensaio técnico. É o que vamos repetir no dia do valendo mesmo. Eu acho que vai dar tudo bom, vai dar tudo certo, vai ser bom, vai ser gostoso o desfile, e eu pretendo agradar o público, para a escola ganhar nota, que é o mais importante para mim e para a escola”, afirmou Felipe.

OUTROS DESTAQUES

À frente da bateria, Quitéria Chagas reinou de forma absoluta e honrou o solo sagrado, respeitando e interagindo com o público, além de mostrar seu lendário samba no pé. Ganha destaque também a ala que trazia a capa de um livro nas mãos, com a frase do samba “casa de preto também é literatura”, reafirmando a força da literatura preta no enredo. Assim como a ala das passistas, que se destacou e chamou atenção por ser majoritariamente formada por mulheres negras, assim como os musos e musas da escola, algo que demonstra que a negritude imperial está enraizada e não se restringe apenas a cumprir as necessidades do enredo.

Manguebeat, luta e espetáculo: a assinatura Bejani na comissão de frente da Grande Rio

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A comissão de frente da Acadêmicos do Grande Rio para o Carnaval 2026 carrega um dos discursos mais potentes da temporada. Sob a coreografia de Hélio e Beth Bejani, a escola aposta em um enredo marcado pela força política, cultural e social do movimento Manguebeat, transformando a abertura do desfile em um verdadeiro manifesto na Sapucaí. Para a dupla, o trabalho vai além da estética: é luta, é energia e é posicionamento.

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Beth Bejani destaca o peso simbólico do projeto e a responsabilidade de levar esse discurso para a avenida.

“Eu acho que essa comissão de frente representa um momento único na nossa carreira, porque é muito importante esse manifesto, essa luta, o movimento Manguebeat. A gente está lisonjeado em poder representar um movimento tão importante, tão representativo na questão da desigualdade social. É um enredo muito forte, um momento de luta, de garra, e a gente vai mostrar toda essa energia do mangue na avenida”.

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Já Hélio reforça que, mesmo com a experiência acumulada ao longo dos anos, cada carnaval é um recomeço.

“Muda tudo. Cada enredo é uma situação totalmente nova. Parece que a gente está recomeçando o trabalho sempre. E isso que é legal, isso que motiva, isso que é bacana no carnaval”.

Sobre a nova dinâmica da cabine espelhada, os coreógrafos explicam que o conceito já faz parte da identidade da dupla. Beth deixa claro que o foco segue sendo o espetáculo como um todo, e não apenas o olhar do jurado.

“A gente já vem há alguns anos fazendo 360, para todo o público, para que o público participe sempre dos nossos trabalhos. Para a gente isso não mudou muito. É 360 mesmo”.

O samba-enredo também foi apontado como um aliado importante na construção da coreografia. Beth e Hélio celebram a musicalidade e a fluidez da obra.

“Esse samba é maravilhoso, a gente adorou. É gostoso”.

“Para a parte coreográfica foi muito bom. Fácil de cantar, a sincronia ficou boa, dá para articular bem. É bem legal”.

Especial Barracões SP: Imperatriz da Paulicéia transformará a Avenida em congá no Carnaval de 2026

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Que lugar melhor para se exaltar um dos principais símbolos do sincretismo religioso do que um sambódromo? Será nesse espaço em que as mais variadas crenças se unem que a Imperatriz da Paulicéia desfilará no Carnaval de 2026 com o enredo “Congá, o Altar Sagrado da Minha Fé”, assinado pelos carnavalescos Leandro Santana, Fran da Vila e Francis Santos.

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Carnavalescos Leandro Santana

O congá é o nome dado ao altar dos terreiros de algumas religiões de matriz africana, onde imagens religiosas de diferentes origens se unem para algo que vai além da veneração. É um espaço físico carregado de memórias que jamais devem ser esquecidas, pois remete a um passado de duras provações, quando africanos submetidos ao cativeiro utilizavam imagens de santos católicos para poder cultuar as entidades de suas próprias crenças. O costume se mantém até hoje como forma de gratidão a esses seres sagrados, sendo um poderoso símbolo do chamado sincretismo religioso.

Planejamento de longo prazo

A Imperatriz vem se destacando, nos últimos anos, por enredos voltados à cultura brasileira. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Leandro Santana explicou que, ao chegar à escola para o Carnaval de 2026, o enredo já estava definido pela presidenta Mara como forma de exaltar a fé da agremiação, cujo elemento central tem relação direta com essa identidade cultural.

“Já era de interesse da escola abordar, em um enredo, a espiritualidade da Imperatriz, levar isso para o campo da exaltação. O enredo surge como uma vontade da própria agremiação, é um enredo interno. Quando analisamos a trajetória da Paulicéia, tanto na UESP quanto no Anhembi, percebemos uma coesão entre seus enredos e uma preocupação constante em valorizar as manifestações culturais do Brasil, o que se tornou uma identidade da escola”, contou.

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Em 2026, a Imperatriz preservará a linha de enredos culturais, que fazem parte de uma característica da escola de planejar seus desfiles a longo prazo. Desta vez, o enredo também tratará da religiosidade como elemento central de sua narrativa, transformando o congá em símbolo da identidade espiritual da agremiação.

“Essa perspectiva se manterá, mas com foco na religiosidade da própria Imperatriz, sob um viés mais afetivo. O congá, entendido como altar sagrado, é um tema presente no universo carnavalesco, mas possui especificidades em cada escola. Ao levá-lo para a Avenida, a ideia é mostrar o lado afetivo da espiritualidade da Imperatriz da Paulicéia, considerando todo o seu contexto histórico e social para falar da fé da própria escola”, completou o carnavalesco.

Leandro explicou que os direcionamentos da abordagem do enredo já estavam pré-determinados como uma iniciativa coletiva de uma equipe veterana da agremiação que compõe a Comissão de Carnaval.

“O Fran e o Francis já fazem parte da Imperatriz da Paulicéia há bastante tempo, e o caminho narrativo do enredo já estava bem construído. O meu processo foi dar embasamento a essa ideia: olhar para o que a escola tinha em mãos e sustentá-la conceitualmente do ponto de vista histórico, social e discursivo. Quando se fala em sincretismo religioso, muitas vezes existe uma visão romantizada, como se tivesse sido um processo harmônico, e sabemos que não foi assim. Foi um processo conflituoso, marcado pela resistência da população negra, o que hoje se evidencia no protagonismo dos orixás nos congás espalhados pelo Brasil”, disse.

Uma característica que demonstra o profissionalismo da Imperatriz da Paulicéia é a valorização da inspiração dos compositores. Outrora protagonistas da construção dos desfiles, os sambas passaram a se tornar submissos à sinopse na maioria das escolas. Apesar de o texto teórico ser a base da construção da letra, houve diálogo entre carnavalescos e poetas para otimizar o conteúdo que será levado aos jurados.

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“Minha preocupação foi construir um enredo com discurso coerente e respeitoso aos processos históricos que constituem o congá. A partir disso, elaboramos a sinopse e a enviamos aos compositores. Após a escolha do samba-enredo, fizemos ajustes no enredo para dialogar com a poética do samba, entendendo como ele poderia enriquecer a narrativa. Foi um trabalho de troca, sem hierarquia entre os quesitos, buscando levar o melhor conjunto possível para a Avenida”, contou Leandro.

Questionado sobre o motivo de a Imperatriz optar por essa estratégia de trabalho, o carnavalesco exaltou o caráter coletivo do processo de construção do Carnaval. “A ideia é exatamente essa. Nós trabalhamos no coletivo. Um desfile de escola de samba é pensado de forma conjunta. Não tem como cada quesito caminhar sozinho. É preciso olhar para o todo, para o que é melhor para a escola e para o espetáculo como um conjunto”, afirmou.

A complexidade histórica em torno do sincretismo religioso exige cuidados na construção narrativa do desfile. Leandro explicou que as limitações impostas pelo formato mais enxuto do Grupo de Acesso II também influenciaram as escolhas da Imperatriz da Paulicéia.

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“É um tema delicado, pois não queríamos mostrar apenas a violência e a opressão, mas também não romantizar o sincretismo como se fosse um processo harmônico. Foi um percurso conflituoso, marcado pela resistência da população negra. Como o desfile do Acesso II é mais curto, optamos por evidenciar o protagonismo dos orixás nos congás como um ato de resistência e de afirmação da religiosidade afro-brasileira”, explicou.

Imperatriz: um congá em plena Avenida

O desfile da Imperatriz da Paulicéia será dividido em dois setores. O primeiro, classificado por Leandro Santana como “pré-setor”, terá a função de contextualizar a narrativa do enredo para que o público compreenda os elementos apresentados a partir do carro Abre-alas.

“O desfile como um todo será um grande cortejo, no qual a escola apresentará na Avenida os santos que compõem o seu congá. Antes dessa procissão, faremos uma contextualização da formação histórica do congá no Brasil. O início do desfile traz elementos do sincretismo religioso e da resistência afro-diaspórica, criando a ambientação desse congá que desfila em cortejo na sequência. Esse trabalho inicial está concentrado na comissão de frente e nos elementos que antecedem o Abre-alas. Temos uma cênica de comissão de frente maravilhosa, assinada por Paulinha Penteado, que está fazendo um trabalho incrível e que desenvolve essa contextualização, evidenciando o sincretismo religioso”, detalhou.

O congá da Imperatriz passará pela Avenida por meio das alegorias e das alas, que farão referência às deidades tradicionalmente presentes nos congás em todo o Brasil. Trata-se de um setor que apresenta ao público o lado mais intimista da agremiação, revelando o orgulho da escola em relação à sua fé.

“A partir do Abre-alas, entramos na procissão dos santos que compõem o congá da escola. Essa é a parte mais afetiva do desfile. O congá é muito pessoal, pois é um altar construído de acordo com a fé e o sentimento de cada pessoa, de cada terreiro e de cada instituição. O Abre-alas faz referência a Ogum, o padroeiro da escola. É como se a Imperatriz da Paulicéia estivesse pedindo licença e saudando seu padroeiro para poder contar o enredo. Em seguida, a procissão dos orixás se desenvolve até o segundo carro, que coroa esse universo simbólico e reafirma a presença dos orixás no desfile. Quando falamos em santos, estamos nos referindo a todas as deidades: santos do catolicismo, entidades da Umbanda e orixás dos candomblés e das religiões de matriz afro-brasileira. A forma como esses santos são representados nos congás é muito íntima e emocional. Esse setor revela, na Avenida, o lado mais íntimo da escola de samba, a relação da agremiação com a sua fé. Por isso, é um segmento marcado por muito sentimento e emoção”, explicou o carnavalesco.

Trunfo enraizado na essência de ser uma agremiação

Mesmo nos grupos superiores, há escolas de samba em que a definição como grêmio cultural e social deixou de ser prioridade há muito tempo. A realidade atual da Imperatriz da Paulicéia, porém, evidencia uma agremiação que prioriza o bem-estar da comunidade ao seu redor. Atender às demandas da população permite atrair novos adeptos, que, na visão de Leandro Santana, são pilares essenciais para o sucesso na Avenida.

“Eu acredito que a Imperatriz da Paulicéia é uma escola muito organizada e comprometida com o próprio ideal. A cada ano, a comunidade compreende melhor o seu papel no Carnaval e a relação com o bairro. É uma escola atuante, com ações sociais constantes e uma quadra que funciona como espaço democrático. Ela se comporta, de fato, como um Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba, fortalecendo-se de dentro para fora, o que é a base de qualquer agremiação”, avaliou.

Quanto à produção dos desfiles, a compreensão da própria identidade tornou-se fundamental para o amadurecimento organizacional da Imperatriz nos últimos anos.

“Quando observamos os quesitos, também percebemos uma equipe de criação muito forte e organizada. Os últimos desfiles mostram consistência na produção das alegorias, no desenvolvimento dos enredos e na concepção das fantasias. A Imperatriz construiu um estilo visual robusto, elegante e limpo, que vem sendo aprimorado ano após ano, e esse processo fortalece a identidade da escola. Quando uma agremiação consolida uma forma própria de fazer Carnaval, a tendência é evoluir continuamente para entregar desfiles cada vez melhores. O trunfo da Imperatriz está justamente nisso: compreender sua identidade e lapidá-la para apresentar um desfile honesto com sua trajetória e também com o regulamento e as exigências do Carnaval de São Paulo na atualidade”, destacou Leandro.

O carnavalesco também fez questão de ressaltar uma figura fundamental da Imperatriz da Paulicéia como trunfo da escola na busca por um grande resultado no Carnaval de 2026.

“Também gostaria de destacar a bateria da escola. Hoje, a Imperatriz conta com a mestra Rafa, uma das grandes artistas do Carnaval brasileiro. Desde sua chegada, ela imprimiu uma característica musical própria à agremiação, algo realmente singular. A forma como a bateria conduz esse cortejo é muito emocionante e representa um dos pontos altos do desfile, capaz de sensibilizar não apenas a comunidade da Paulicéia, mas toda a comunidade do samba”, concluiu.

Ficha técnica

Enredo: “Congá, o Altar Sagrado da Minha Fé”
Alegorias: 2 carros + 1 tripé
Alas: 11
Diretor de barracão: Francis Santos
Diretor de ateliê: Fran da Vila

Recado de Leandro Santana para a comunidade da Paulicéia

“Eu vou dizer que é para a comunidade da Paulicéia ter consciência da sua importância e da importância do seu enredo, não só para o Carnaval, mas para a vida de cada um. Cada enredo que nós levamos para a Avenida, para além de um protocolo, para além de uma competição, carrega mensagens e discursos que temos a intenção de fazer com que toquem o íntimo de cada um. Que cada um olhe para o nosso desfile, olhe para o que a escola está fazendo na Avenida e se permita ser tocado pela nossa mensagem. Nós estamos levando um enredo que é muito afetivo e, ao mesmo tempo, carrega um discurso muito sério, sobretudo em momentos atravessados pela intolerância religiosa. É um enredo que, apesar de afetivo, carrega muita potência. Eu acredito que a comunidade da Paulicéia pode ficar muito feliz e muito orgulhosa do que vai levar para a Avenida. Tudo é feito com muito respeito, muito carinho e também com muito embasamento”.

Unidos de Vila Isabel encerra temporada de Carnaval 2026 com ensaio simbólico na Pedra do Sal

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A temporada de Carnaval 2026 da Unidos de Vila Isabel foi marcada por grandes eventos e forte mobilização da comunidade. O início do ciclo aconteceu no dia 10 de maio, com o lançamento do enredo na Pedra do Sal. Diante do sucesso, a escola voltou ao mesmo local para uma nova roda de samba, quando apresentou ao público os três sambas finalistas da disputa.

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Agora, a azul e branca retorna novamente à Pedra do Sal para realizar o último ensaio da temporada rumo ao desfile de 2026, será na próxima quarta-feira dia 4 .A roda de samba tem início às 18h e promete reunir segmentos, comunidade e público em um momento simbólico de celebração e preparação final.

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Com o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um sambista sonhou a África”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal, a Unidos de Vila Isabel levará para a Marquês de Sapucaí uma potente celebração da ancestralidade africana, dos fundamentos do samba e da trajetória de Heitor dos Prazeres. A escola será a segunda a desfilar na terça-feira, dia 17.

 

Paraíso do Tuiuti pede bênçãos a Nossa Senhora Aparecida antes do desfile oficial

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A diretoria do Paraíso do Tuiuti foi até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), para pedir bênçãos em prol do desfile oficial. Além do presidente da agremiação, Renato Thor, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Antunes e Rebeca Tito, levaram o pavilhão que vão utilizar na Marquês de Sapucaí.

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Neste Carnaval, a agremiação de São Cristóvão será a primeira escola a desfilar na terça-feira de Carnaval com o enredo “Lonã Ifá Lukumí”, do carnavalesco Jack Vasconcelos.

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Fotos: Divulgação/Tuiuti

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A voz! Wander Pires conduz a Viradouro em espetáculo de emoção sob chuva na Sapucaí

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A chuva intensa que caiu sobre a Marquês de Sapucaí não foi obstáculo para a Viradouro. Pelo contrário: serviu de cenário para um dos momentos mais marcantes do ensaio técnico da escola. Mesmo debaixo d’água, a vermelho e branco de Niterói atravessou a avenida com força, organização e um canto poderoso, arrastando a arquibancada e transformando o ensaio em um verdadeiro espetáculo popular. À frente do carro de som, Wander Pires mostrou mais uma vez por que é uma das vozes mais respeitadas do carnaval, conduzindo a escola com emoção, entrega e sensibilidade.

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A apresentação reforçou a confiança no trabalho que vem sendo desenvolvido e na força do samba, que toca diretamente o coração do intérprete. Wander falou sobre a disputa pelo título, a emoção que pretende levar para a avenida, a importância da homenagem presente no enredo e o significado desse momento em sua trajetória no carnaval:

“Eu acho que a Viradouro vai brigar muito por esse título. Muito. Vamos fazer um grande carnaval. Nós vamos pegar na emoção, no coração. Toca na minha alma. Homenagear o Sissa é maravilhoso. Para mim é um sonho, é meu sonho maior, porque ele é meu ídolo. Eu estou cantando ele, estou realizando dois sonhos: meu trigésimo segundo ano e cantando o Sissa. É maravilhoso, é muito bom. Com certeza é um dos sambas mais importantes da minha vida. Uma das gravações, um dos desfiles mais bonitos que vão ficar na minha vida. E a ala musical, com o Hugo Bruno, é essencial, maravilhosa, fazendo um trabalho maravilhoso. Parabéns, Hugo Bruno”.

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Mesmo sob chuva, a Viradouro passou leve, vibrante e pulsante, com o público cantando junto do início ao fim. A atuação de Wander Pires foi decisiva para transformar o ensaio em um momento de comunhão entre escola e arquibancada, deixando claro que a Viradouro chega para o Carnaval com ambição, emoção e um intérprete que canta com a alma.

Entre sonhos, samba no pé e emoção, escolas mirins escrevem capítulo histórico na Marquês de Sapucaí

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Por Carolina Freitas e Mariana Santos

Golfinhos do Rio de Janeiro, Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy e Petizes da Penha encantaram a Marquês de Sapucaí com samba no pé, alegria e emoção no segundo dia de desfiles das escolas mirins. Mirando o futuro, crianças e adolescentes compartilharam com o CARNAVALESCO suas inspirações, expectativas e sonhos no carnaval, em uma noite histórica: pela primeira vez, os jovens puderam ter um gostinho do prestígio de “gente grande”, ao ensaiarem no mesmo dia que as escolas do Grupo Especial. A missão gerou sentimentos mistos em cada um, mas um deles era unanime: a alegria.

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Prestígio de ensaiar no dia do Grupo Especial

A oportunidade inédita de ocupar a Sapucaí antes dos ensaios técnicos das grandes escolas trouxe nervosismo, responsabilidade e, acima de tudo, alegria. Para muitos, foi o primeiro contato com um público maior e com a grandiosidade da avenida.

Golfinhos da Guanabara

Adaílton Carvalho, o famoso “mestre Da”, mestre de bateria da Golfinhos da Guanabara, destacou a importância social e cultural do projeto.

Mestre Da Golfinhos

“É uma oportunidade de estar aqui hoje no dia do ensaio do Especial é muito grande. Essa mudança agora é para ver o que vai acontecer. Graças a Deus, o Papai do Céu já abençoou com essa chuva. A nossa juventude, nossa garotada, está na faixa etária de menos de 16 anos, e a gente veio mostrar para a sociedade que criança tem que participar. A nossa maior preocupação é que eles não errem, mas, se errarem, faz parte do trabalho. O mais importante é trazer essas crianças e mostrar que ainda existe infância, que ainda existe criança. Essas são as nossas realizações. Se é deles, deixa eles curtirem. Acho que essa é a melhor coisa da vida. É aproveitar para que essa parte cultural nossa não acabe. O horário e a possibilidade de eles estarem fazendo tudo isso é muito importante. Meu grupo está desfilando pela primeira vez aqui na Marquês de Sapucaí, e eu sou muito grato por isso. Tenho a maior satisfação em trazer eles todos os anos, sempre renovando, já na quarta, quinta geração, e isso é um prazer muito grande. O que eu espero do desfile é que tudo dê certo, que seja um desfile feliz, porque isso é trabalho, é deles, é nosso”.

No carro de som, os intérpretes mirins também ressaltaram a emoção que estavam sentindo. Sophia Russo, intérprete oficial da Golfinhos da Guanabara, deu seu relato pessoal.Cantores da Golfinhos da Guanabara. Gabriel e Sophia sao os de rosa

“Estamos aqui, em mais um ano, com um peso maior por sermos a primeira escola do domingo, antes do ensaio técnico, mas estamos muito felizes com a oportunidade. Tem muita gente aqui para nos ver, muitos olhos atentos, o que ajuda a levar a escola ainda mais para frente. É só agradecer”.

Seu parceiro de canto, Gabriel Reis, também intérprete oficial da escola, complementou: “Como a Sophia falou, é uma felicidade imensa ter essa oportunidade de vir aqui na Sapucaí, com a casa cheia, e cantar antes das escolas do Grupo Especial. É uma oportunidade que a Valéria, nossa presidente, está nos dando. É uma alegria imensa”.

Petizes da Penha

Na Petizes da Penha, o nervosismo se misturava à felicidade. O primeiro mestre-sala da escola, Henry Soares, falou sobre a emoção de pisar na avenida.

Henry e Kemelly Petizes da Penha

“Estou me sentindo um pouco nervoso, mas estou me sentindo muito feliz de passar nessa avenida linda, só com gente de bem, gente maravilhosa que vai acompanhar a minha escola esse ano”.

O jovem e estreante intérprete Davy Pietro, de apenas 9 anos, viveu sua estreia com emoção.

Em ordem Daniel Thierry Bernardo Moura e Davi Pyetro cantores da Petizes da Penha
Daniel Thierry, Bernardo Moura e Davi Pyetro, cantores da Petizes da Penha

“Estamos ansiosos e também nervosos para ver a nossa escola ganhar o título. E também queria dizer que estou muito feliz que vamos fazer homenagem ao nosso cachorrinho Orelha, que foi agredido por alguns adolescentes”.

Ao seu lado, os também estreantes cantores Bernardo Moura, de 10 anos, e Daniel Thierry, de 13, compartilharam suas expectativas.

“Estou bastante animado. Vou entregar muito e vou dar o meu melhor. Gosto bastante da Mangueira, e também canto no Salgueiro”, disse alegre Bernardo Moura.

“Estou ansioso. Vou brincar muito na avenida, vou animar o povo, porque tem que animar. Vai ficar todo mundo feliz. Eu torço para uma escola, só que ela não vai se apresentar hoje. É a Acadêmicos de Niterói. Eu amo o samba do Lula”, compartilhou muito empolgado Daniel Thierry.

Na bateria, o jovem mestre Marques Pacheco, de 16 anos, vive seu primeiro ano no comando, e dividiu conosco como está sendo a experiência.

Mestre de bateria Marques Pacheco da Petizes da Penha

“Para mim, ensaiar no dia do Especial é legal, porque dá mais visibilidade. O desfile mirim costumava ficar muito vazio. Hoje está cheio. Assim, dá mais atenção para as crianças. Confesso que estou pouco nervoso, mas vamos seguindo aí. Como mestre, é meu primeiro ano, apesar de já ter desfilado como ritmosta em várias baterias grandes do Grupo Especial. Por isso, também estou muito feliz. A Petizes me deu a oportunidade de ser mestre de bateria”.

Entre os ritmistas, Antônio Pedro, de 18 anos, chocalheiro, exaltou o trabalho do mestre.

Antonio Pedro e ritmista da Petizes da Penha

“Eu acho bacana o trabalho do mestre Marques. É incrível o que ele faz com as crianças, dá oportunidade para as pessoas aprenderem a tocar e se sobressaírem. Eu entrei na bateria há pouco tempo, mas desde que cheguei achei o trabalho incrível. A experiência no geral está sendo muito legal, ainda mais por ser a primeira vez. Estrear logo no dia em que tem ensaio das escolas é uma energia superincrível, não tem sensação melhor do que viver essa emoção. Estou ansioso para hoje. No futuro, me vejo em uma escola do Grupo Especial, tocando em algumas que eu gosto”.

Iago Souza Machado, de 19 anos, também falou sobre o momento especial.

Iago Souza ritmista da Petizes da Penha

“Estou na bateria há um ano e já desfilava antes, nessa mesma escola. Entrei com 17 para 18 anos. Acho que o mestre Pacheco, que está pela primeira vez como mestre depois de já ter passado pela diretoria, vai fazer um bom trabalho. Estou muito ansioso para o desfile, ainda mais depois do ensaio das escolas do Grupo Especial. É muito gratificante ver escolas como Beija-Flor, Imperatriz e tantas outras. Hoje estar aqui na Marquês de Sapucaí, no Palácio do Samba, é especial. Torço para o Paraíso do Tuiuti”.

Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy

No carro de som da Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy, o intérprete estreante Matheus Queiroga falou sobre seguir o legado familiar no samba.

Matheus Queiroga Vila Kennedy

“Estou um pouquinho ansioso, primeiro ano, mas confiante. É uma coisa que eu já gosto de fazer, é de família. Minhas inspirações de carnaval, eu diria meu padrinho Rodrigo Tinoco, Ito Melodia, que foi intérprete da minha escola, União da Ilha, por mais de 20 anos. Tenho o maior carinho por ele também. Meu sonho no carnaval, é ganhar um reconhecimento pelo meu trabalho. Espero estar fazendo um bom trabalho e espero ser reconhecido por isso”.

No primeiro casal da escola, Poliana Silva, de 17 anos, e Júnior Silva, de 15 anos, falaram sobre a emoção que estavam sentindo.

Poliana Silva e Junior Silva primeiro casal da Vila Kennedy

“É uma sensação muito boa, porque a gente vai desfilar e também vai poder ver outras escolas, outros casais de mestre-sala e porta-bandeira para buscar inspiração e sentir ainda mais emoção. Veremos mais referências, mais inspirações, mais truques de dança”, dividiu a porta-bandeira.

“Eu me sinto bem e feliz, porque muita gente queria estar no nosso lugar hoje, como primeiro casal. Isso dá emoção, dá felicidade, traz alegria e também futuro para nós. Não só para nós, mas para todos”, contou feliz o mestre-sala.

Inspirações que vêm da avenida

As referências de cada um deles no mundo do carnaval revelam o quanto o mundo do carnaval mirim acompanha e se inspira no mundo do carnaval em geral, revelando como as gerações futuras estão bem entrosadas com o legado desse universo.

“A minha maior referência é o meu mestre Nivaldo, o mestre Rico da Fina Batucada, e todos aqueles que fazem essa diversidade virar alegria para todos. Todos os mestres estão de parabéns, consagrados junto com seus diretores. Um salve para todos eles”, mandou Mestre Da, da Golfinhos da Guanabara: “A minha referência é o falecido Gilsinho da Portela, que infelizmente não está mais aqui. E também o meu irmão, que é intérprete oficial da Escola Mirim da Portela e que sempre me incentiva a vir aqui e fazer essa história na Sapucaí acontecer”, revelou o cantor Gabriel Reis, mostrando que se inspira nos seus antecessores.

Quem seguiu a mesma linha foi o Daniel Thierry, cantor da Petizes da Penha, que mesmo muito jovem, com apenas 13 anos, também provou que está por dentro do mundo do samba ao revelar seu ídolo no cargo: “Minha maior inspiração é o Zé Paulo Sierra”.

Luísa, primeira porta-bandeira da Golfinhos do Rio de Janeiro, citou o casal ‘Furacão’ da Mangueira: “É uma alegria muito grande todo ano estar aqui. Tenho duas inspirações, primeiro que é Matheus e Cintya da Mangueira, o segundo que é o Renan e a Débora, e um dia quero ser primeira porta-bandeira da Mangueira”.

Henry Soares, da Petizes, também revelou suas referências: “Minhas inspirações no carnaval são Daniel Werneck da Grande Rio e Matheus Oliverio da Mangueira. São os melhores para mim. Meu sonho para o futuro do carnaval é, se Deus quiser, ser o primeiro um dia de alguma escola especial. Eu gostaria muito de ser da Portela ou da Grande Rio. As escolas que eu mais amo”.

Sua parceira de dança, Kemelly Vitória, primeira porta-bandeira da Petizes da Penha, também opinou: “Minha inspiração é a Tatiana, que eu sou apaixonada nela. Eu sou Grande Rio, então ela sempre foi uma inspiração desde pequenininha. Meu sonho, no futuro, é vir desfilando em escolas maiores, vir pra Sapucaí disputando notas. E quem sabe, um dia, na Grande Rio”.

Poliana Silva relembrou sua trajetória inspirada na lendária porta-bandeira da Beija-Flor: “Eu via muito a Selminha Sorriso desfilando. Meu sonho era ser que nem ela. Eu comecei entrando na Portela, e lá comecei a ter ensaios para o cargo. Foi aí que eu conheci o Júlio. Depois tive a oportunidade de ser a segunda porta-bandeira da Vila Kennedy Mirim. Passou um tempo e eu conquistei o posto de primeira porta-bandeira. Eu agradeço muito à Tia Turquinha por estar aqui e ao Tio Bruno também, por ter me ajudado”.

Seu parceiro Júnior Silva completou: “Admiro muito um mestre-sala lá de Acari. Eu fui ao primeiro encontro e vi ele sambando. Gostei e perguntei o que era aquilo. Aí me explicaram que era mestre-sala e porta-bandeira. Foi daí que eu comecei. Depois conheci o Gallo e a Tia Estelita, que também admiro muito. Entrei para o projeto da Portela e estou lá até hoje. Já faz quatro anos”.

Mestre Marques Pacheco, mestre de bateria da Petizes da Penha, não esqueceu de exaltar quem não recebe tanto holofote como merecia: “Tem uns caras que não são muito famosos, mas para mim são os mais brabos que tem, que são o Darlan, o Celso, e dos famosos o mestre Marcão, da Tuiuti. E também tem o Ciça, entre outros”.

E na bateria da escola mirim da Vila Kennedy, o grande homenageado do carnaval, Mestre Ciça é inspiração para o jovem Mestre Enzo: “Minha inspiração é o mestre Ciça. mestre Fafá. Os dois são minha inspiração desde a infância. Meu sonho é me tornar um mestre de bateria de uma escola no Grupo Especial”, contou.

E enquanto Enzo se inspira em grandes mestres, ele também já serve de inspiração para outras pessoas. O jovem Yuan, de 14 anos, falou sobre a experiência de tocar na bateria e fez elogios ao jovem condutor.

“Toco bateria há sete anos, nessa escola mesmo. Hoje estou um pouquinho nervoso, mas estou indo. A bateria está muito boa. Trabalho muito com o mestre Enzo, ele já está há bastante tempo aqui com a gente e ele é muito bom. Eu sempre fui da bateria, nunca passei por outra ala. Antes eu tocava caixa, agora fui para o surdo. O que eu mais gosto nos ensaios é a bateria. Nossa ala também está com a roupa muito bonita”.

Olhando para o futuro

Sonhar é uma das coisas que mais fazem parte de ser jovem. Planejar o futuro e construí-lo desde os primeiros anos da vida é o que dá o gás para continuar. A prova disso é o relato de Mestre Da, que se emocionou ao falar sobre transformação de vida que teve graças a sua escola mirim, reforçando o poder de mudança e impacto social que essas instituições têm na vida dos jovens.

“Na verdade, foi o Golfinho que me resgatou, que me socializou. Eu mandava em gangue de rua, vivia na marginalidade. Em 1998, mesmo trabalhando, eu ainda tinha um lado ocioso da vida. Minha expectativa de vida era chegar até os 24 anos e hoje eu tenho 57. Sou grato até hoje. Desde 1998 venho me dedicando a esse trabalho social e cultural”.

Júnior Silva, da Vila Kennedy resumiu seu futuro em poucas palavras, mas muito determinado: “Me vejo como um grande mestre-sala. É isso”.

Poliana Silva, porta-bandeira da Vila Kennedy, vislumbrou um futuro onde é referência para gerações mais novas.

“Eu vou lembrar que, assim como eu, outras crianças vão ter a mesma oportunidade que eu tive. E eu vou estar lá na frente, vendo outras crianças tendo essa chance, evoluindo como eu evoluí”.

Sophia e Gabriel, da Golfinhos da Guanabara, sonham alto: “Esperamos um futuro muito bom, que só coisas boas aconteçam e que, futuramente, estejamos em uma escola do Grupo Especial”.

Daniel Thierry, cantor da Petizes, também não sonha baixo: “Eu me vejo cantando em uma escola do Grupo Especial, animando o povo, e com o povo sendo muito grato por mim”.

E o mestre Marques Pacheco, da Petizes, finalizou com seu maior desejo: “Me vejo como um grande mestre de bateria, no Grupo Especial. Ter um futuro próspero”.

Série Barracões: Rodrigo Almeida conta como a Em Cima da Hora irá apresentar a Pombagira e o empoderamento feminino na Sapucaí

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A chegada de Vinícius Drumond à Em Cima da Hora foi marcada por garra e protagonismo. O novo patrono foi o principal responsável pela mudança de rumo do desfile de 2026. Antes de sua chegada, a agremiação já havia anunciado um enredo em homenagem à cidade de Saquarema, na Região dos Lagos.

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No entanto, Vinícius apresentou uma nova proposta temática, prontamente acolhida pela escola e pelo carnavalesco Rodrigo Almeida.
Assim, a Em Cima da Hora levará à Marquês de Sapucaí o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagiras”, uma homenagem às Pombagiras, com foco na emancipação feminina, na resistência e no poder das mulheres.

Durante visita do CARNAVALESCO ao barracão da escola, Rodrigo Almeida comentou sobre a origem do enredo e a evolução dos preparativos.

“O enredo em homenagem às Pombagiras veio da ideia do nosso patrono, Vinícius Drumond. A gente já tinha um outro enredo, inclusive anunciado, e quando ele chega à escola traz essa ideia de fazer essa homenagem. O enredo surgiu dele”, contou o carnavalesco.

Ao aprofundar sua pesquisa, Rodrigo afirma ter compreendido o verdadeiro significado das Pombagiras, entendidas não como figuras estigmatizadas, mas como símbolos coletivos de resistência, sabedoria e poder feminino.

“O que mais chama a atenção é entender que Pombagira não é uma coisa. Pombagira é um somatório de mulheres que lutaram, que amaram, que guerrearam, que governaram, que sabiam um pouquinho a mais e foram condenadas à fogueira. O mais interessante é descobrir que essas mulheres eram empoderadas, estavam à frente do seu tempo e foram tachadas de bruxas e feiticeiras. Essa é a parte mais rica do enredo”, explicou.

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Comparando com os últimos dois carnavais, Rodrigo se mostrou confiante de que 2026 marcará um salto qualitativo da agremiação, impulsionado pela força do samba e pelo engajamento da comunidade.

“A gente vem num crescente. Há dois anos fazemos carnavais mais imponentes, mas acho que este ano casa samba, comunidade e investimento. Um bom carnaval é feito de comunidade feliz, samba bom e estrutura financeira. Tudo isso junto gera um grande desfile. Estamos com mais garra, mais vontade, a comunidade decidiu vir para a avenida, então estamos cantando muito e brincando carnaval. Essa é a grande diferença”, analisou.

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Para o carnavalesco, o grande trunfo da Em Cima da Hora será justamente essa combinação.

“Samba e comunidade. Sem esses dois elementos, você pode estar pintado de ouro, riquíssimo e belíssimo, mas não adianta. Com samba e comunidade você tem tudo. Esse vai ser o nosso trunfo, somado à energia das Pombagiras, que com certeza estarão presentes no desfile”, afirmou.

O samba-enredo tem extrapolado os limites de Cavalcanti, conquistando o público e sendo cantado para além da comunidade da escola. Rodrigo explicou o diferencial da obra.

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“O samba narra a história, mas não é descritivo em sua essência. Ele dialoga com a linguagem das Pombagiras, com os pontos populares. Quando você canta ‘Abre a roda’ ou ‘A dona da casa chegou’, são expressões que estão no imaginário coletivo das Pombagiras e das macumbas. Isso cria uma troca muito forte entre escola e público. É carnaval de macumbeiro, carnaval é de macumba, e ter Pombagira está sendo tudo”, comentou.

Reforçando o compromisso com o bem-estar dos componentes, Rodrigo também falou sobre a concepção das fantasias.

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“Acreditamos em roupas imponentes, mas sempre pensando no conforto. Não teremos nada gigantesco, porque isso atrapalha a evolução. O calor do Rio está desumano, seja com sol ou com chuva. Não dá para manter um componente preso embaixo de veludo, renda e ainda carregando um edifício nas costas. Estamos fazendo um carnaval que permita brincar, cantar e evoluir. Apostamos em samba forte, plástica bem feita e uma história bem amarrada”, explicou.

Entenda o desfile

Para homenagear as Pombagiras na Sapucaí, a Em Cima da Hora se apresentará com três alegorias e 19 alas, reunindo cerca de 1.800 componentes. O desfile terá como eixo central a figura de Maria Padilha, desde sua chegada como rainha em vida até sua consagração espiritual.

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“A gente começa narrando a chegada das Pombagiras, especialmente Maria Padilha, ao seu castelo em Sevilha, na Espanha. Tratamos da Pombagira como rainha em terra, viva. Em seguida, mostramos o imaginário coletivo dessas mulheres: a Bruxa de Évora, Joana d’Arc e outras figuras femininas poderosas da história. Toda mulher é uma Pombagira, porque Pombagira não é um termo, é um ato de ser, de se respeitar e de ser empoderada”.

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“Depois mostramos onde esses espíritos foram cultuados: o Batuque no Rio Grande do Sul, a Umbanda, o Catimbó, a Jurema, até chegar à Quimbanda, onde ela se consagra rainha espiritual. Temos uma alegoria que representa esse reino espiritual: ela foi rainha na terra e agora é rainha no plano espiritual”.

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“No último setor, oferecemos presentes às Pombagiras — flores, velas, champanhe, padês, rosas — e encerramos com um grito contra a intolerância religiosa. Desmistificamos histórias e ressignificamos imagens que estão no imaginário coletivo. É um carro que vai mexer com as pessoas de alguma forma”, concluiu Rodrigo Almeida.

Componentes da Imperatriz exaltam gestão de Cátia Drumond, vibram com Pitty e festejam o rendimento dos ensaios na Euclides Faria

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A Imperatriz Leopoldinense vive um momento de confiança e afirmação às vésperas do Carnaval 2026. Segunda escola a desfilar no domingo, a verde e branca de Ramos apresentou um ensaio marcado por canto forte, leveza e vibração coletiva, mesmo sob um forte temporal. Na concentração, componentes exaltaram a gestão da presidente Cátia Drumond, o trabalho social desenvolvido na comunidade, a identificação do intérprete Pitty de Menezes com a escola e o crescimento visível da agremiação nos ensaios de rua realizados na Euclides Faria.

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Para o Carnaval 2026, a Imperatriz levará à Marquês de Sapucaí o enredo “Camaleônico”, uma homenagem à trajetória revolucionária de Ney Matogrosso. Desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, o desfile vai celebrar mais de 50 anos de carreira do artista, destacando sua constante reinvenção, a liberdade artística, a performance transgressora e a quebra de fronteiras entre o masculino e o feminino.

Guilherme Marques, de 28 anos, analista de sistemas, desfila na Imperatriz há 13 carnavais e acompanhou diferentes fases da escola. Para ele, a atual gestão representa uma virada histórica.

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“Nesses 13 anos passei por várias gestões, desde a queda até a subida novamente. Desde que a presidente Cátia assumiu, a Imperatriz é outra escola. Acho que desde os anos 2000 a gente não via a Imperatriz tão competitiva. É uma escola que se dedica à comunidade. Teve época em que era normal ver metade de uma ala vendida; hoje, 100% é comunidade. Essa mudança é muito positiva”, comentou.

Sobre o intérprete Pitty, Guilherme ressaltou a identificação do cantor com a verde e branca.

“Eu adoro o Pitty. Ele encaixou perfeitamente na Imperatriz. Foi a voz que a escola precisava. Há anos a gente não tinha uma voz assim. É a primeira desde o Dominguinhos que mexe de verdade com a escola”, declarou.

Ao falar dos ensaios, o componente destacou o clima leve e festivo. “O ensaio é um dos melhores momentos pra gente se divertir. Não tem a pressão do desfile. A gente brinca, evolui, canta e é feliz”, relatou.

Andressa Gesteira, de 40 anos, secretária, retorna à Imperatriz após dez anos afastada por conta da gravidez. Antes da pausa, desfilou ao menos cinco carnavais e agora vive seu primeiro ano de volta à verde e branca.

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“A gestão da presidente Cátia é muito boa. Inclusive, meu filho também participa de muitas atividades da escola. A gente gosta bastante. Ela e o João Drumond estão trazendo muitas coisas boas para a comunidade”, observou.

Sobre o intérprete, Andressa foi direta: “Ele é a voz da Imperatriz e não pode sair da escola. É o cara!”, afirmou.

Ela também destacou a evolução do samba e do canto coletivo nos ensaios de rua.

“A escola cresceu muito a cada ensaio. O samba amadureceu, a ala inteira canta, as pessoas em volta da rua também cantam. O samba está na boca da escola, está muito bom mesmo”, disse.

Aposentada, de 55 anos, Elis Regis desfila há 20 anos na Imperatriz e integra um dos projetos sociais desenvolvidos pela escola, o Balé da Rainha.

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“Faço parte desse trabalho social e, este ano, foi a realização de um sonho de menina. Esse projeto da Cátia, pra mim, foi a realização de um sonho. É maravilhoso”, contou.

Sobre Pitty, Elis não poupou elogios. “Hoje, para mim, ele é o melhor intérprete de samba. Respeito todos, mas ele é o melhor. Temos muita sorte de ter o Pitty. Ele tem a cara da escola, trouxe uma nova roupagem, uma energia que a gente precisava. E com essa presidenta, veio o feminino, porque a Imperatriz é feminina. Melhor do que ela, acho que ninguém”, acrescentou.

Para Elis, os ensaios de rua dialogam diretamente com o espírito da escola e com o enredo.

“Desde que a Imperatriz passou a fazer ensaio aos domingos, trouxe essa alegria para a comunidade. É contagiante. Não tem como não vibrar. A escola é irreverência, é liberdade, é isso que a gente está fazendo”, concluiu.

Químico, de 29 anos, Bernardo Jordão desfila pela primeira vez na Imperatriz Leopoldinense, mas acompanha a escola de perto desde 2019, ainda antes do atual momento de ascensão.

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“Desde que a Cátia assumiu, a escola deu um salto enorme na parte administrativo-organizacional. Antes havia atraso de fantasia, hoje é tudo organizado. A presença na comunidade aumentou muito. A Imperatriz tem aparecido nas cabeças nos últimos anos, e isso passa muito por ela, pelo João, pelo André Bonatti, pelo Leandro Vieira e pelo Pitty. Ela montou uma equipe muito competente”, analisou.

Sobre o intérprete, Bernardo destacou a entrega de Pitty nos ensaios de rua. “Eu amo o Pitty. Ele canta com a gente no ensaio de rua, interage muito com a ala. A voz dele é incrível. Para mim, é o melhor intérprete. Mas, para não criar polêmica, coloco facilmente no top 3, e ninguém consegue argumentar contra isso. Quando ele começa a cantar, a energia da Euclides, da quadra, tudo muda. Ele é especial”, ressaltou.

Ao final da entrevista, Soraia, mãe de Bernardo e também componente da escola, completou: “Pitty é a frequência cardíaca da escola. Sem ele, a Imperatriz não funciona”.

Encerrando, o estreante reforçou o clima de confiança vivido pela verde e branca neste Carnaval.

“Hoje, como desfilante, sinto que esse samba é especial. Me lembra muito a energia do desfile do Lampião, quando a escola foi campeã. Dá essa crença de que dá para buscar mais um campeonato”, finalizou.

Daniel e Taciana conduzem a leitura do Manguebeat no ensaio técnico da Grande Rio

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A Grande Rio segue em ritmo intenso de preparação para o Carnaval 2026, ajustando os últimos detalhes para levar à Marquês de Sapucaí o enredo “A Nação do Mangue”. A proposta da escola de Duque de Caxias é celebrar o movimento cultural e musical Manguebeat, surgido no Recife nos anos 1990, estabelecendo um paralelo entre a lama dos manguezais, a resistência periférica nordestina e a realidade da Baixada Fluminense.

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Sob a assinatura do carnavalesco Antônio Gonzaga, o desfile promete unir ecologia, música e crítica social, transformando a Avenida em um verdadeiro manguezal tecnológico.

Durante a concentração da escola para o ensaio realizado neste domingo, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Daniel Werneck e Taciana Couto falou sobre a importância do enredo, a responsabilidade do quesito e os desafios impostos pelo novo formato de julgamento. A dupla será uma das principais responsáveis por traduzir em dança e simbologia toda a força do tema proposto pela tricolor caxiense.

Taciana destacou a riqueza artística do enredo e o impacto pessoal de vivenciar mais um mergulho cultural proporcionado pelo carnaval.

“Esse ano está sendo muito especial. O enredo reúne muitas influências de diversas artes. É um tema que nos permite explorar bastante e conhecer mais uma cultura. Mais uma vez, o Carnaval proporciona esse contato para a gente. Está sendo um momento incrível e uma honra falar do Manguebeat”, afirmou a porta-bandeira.

Daniel ressaltou o viés social do enredo e a mensagem que a Grande Rio pretende transmitir ao público e aos jurados.

“É um enredo muito importante para nós, porque fala sobre a desigualdade existente. A Grande Rio vem mais uma vez trazendo uma mensagem de conscientização, para que as pessoas tratem todas com igualdade, sem diferença de classe social, já que essa é uma luta constante pelos nossos direitos”, declarou o mestre-sala.

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A dupla também comentou sobre a pressão de disputar os tão sonhados 40 pontos em um dos quesitos mais técnicos e decisivos do Carnaval.

Taciana destacou o peso da responsabilidade, mas reforçou o comprometimento do casal com a escola.

“É uma responsabilidade imensa, que abraçamos com muito carinho e respeito. É mais um ano de completa dedicação do casal para alcançar um bom resultado e ajudar a escola. É difícil, pois se trata de uma responsabilidade nas costas de apenas duas pessoas, mas temos conseguido cumprir com maestria e pretendemos continuar nesse caminho de busca e evolução para trazer um resultado positivo”, explicou.

Daniel avaliou que a experiência ajuda a lidar melhor com a cobrança ao longo das temporadas.

“Já estamos acostumados com isso. Mas, de fato, é uma responsabilidade muito grande, porque são apenas duas pessoas disputando esses 40 pontos. A partir do momento em que se entende essa importância, é possível atravessar o desfile com mais tranquilidade. A cada ano existe uma proposta e um enredo diferentes, o que exige estar sempre entregando o melhor”, pontuou.

Ao abordar a construção do bailado para o desfile de 2026, Daniel falou sobre sua formação clássica e a adaptação da dança às exigências do enredo.

“Venho de uma escola marcada pela influência do mestre-sala Ronaldinho, um artista extremamente elegante e clássico. Consegui trazer um pouco desse lado para a minha formação. Tive a oportunidade de ter aulas com ele e aprender bastante. Hoje entendemos que cada enredo pede algo diferente ou um complemento a mais. Por isso, misturamos a dança do mestre-sala e da porta-bandeira com movimentos que representam o que está sendo retratado no enredo, como maracatu, coco e dança afro, que também estão enraizados na origem do nosso bailado e dialogam diretamente com o Manguebeat”, relatou.

Taciana explicou como o casal busca equilibrar tradição e inovação, respeitando os fundamentos do quesito.

“Temos conseguido encontrar o equilíbrio entre a dança tradicional do mestre-sala e da porta-bandeira, que é o que prezamos e defendemos, e o novo. Com o passar do tempo, tudo evolui, e não podemos ficar para trás. No entanto, é fundamental não perder a essência e aquilo que realmente precisa ser apresentado, que é a dança do casal. Buscamos sempre trazer movimentos dentro da temática, priorizando os fundamentos obrigatórios do quesito”, afirmou.

Outro ponto abordado foi a implementação da cabine espelhada, que exige que os casais dancem em 360 graus ao longo do desfile. Daniel avaliou a mudança como positiva para o espetáculo.

“Todos estão começando do zero. Cada casal vem com uma proposta diferente, mas entendemos que o importante é dançar em 360 graus, para todos os lados. Havia uma zona de conforto nas apresentações anteriores, mas essa mudança é válida. Tudo que agrega e engrandece o Carnaval é positivo, inclusive para o público que fica do lado oposto aos jurados, que também merece ser prestigiado com o bailado do mestre-sala e da porta-bandeira”, destacou.

Taciana finalizou ressaltando o caráter desafiador e estimulante da novidade e projetou um grande espetáculo para o público.

“É uma novidade e uma responsabilidade imensa, mas todos partem do zero. Acompanhamos o trabalho dos colegas e cada casal apresenta uma proposta diferente. As pessoas estão se adaptando e trazendo novidades para o espetáculo, o que engrandece ainda mais a festa. Ver todos se testando e se desafiando é algo muito positivo. Sair da zona de conforto é importante, e o público pode esperar um grande espetáculo da Grande Rio”, concluiu.