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Carnaval 2026: Prefeitura apresenta megaoperação integrada para receber mais de 8 milhões de foliões no Rio

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A Prefeitura do Rio apresentou, nesta quinta-feira, no Centro de Operações Rio (COR), o plano operacional para o Carnaval 2026. A coletiva reuniu secretários municipais e dirigentes de órgãos estratégicos, que detalharam as ações integradas de saúde, segurança, mobilidade, limpeza urbana, assistência social, sustentabilidade e tecnologia para garantir o funcionamento do maior espetáculo popular do mundo.

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Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

De acordo com a Riotur, a expectativa é de que mais de 8 milhões de foliões participem do Carnaval em toda a cidade, sendo cerca de 6,8 milhões nos blocos de rua. Somente nos espaços oficiais, como Sambódromo, Intendente Magalhães, Avenida Chile, Cinelândia e Terreirão do Samba, o público deve ultrapassar 1,5 milhão de pessoas, com impacto econômico estimado em R$ 5,7 bilhões e geração de mais de 50 mil empregos.

Cidade preparada para o Maior Show da Terra

O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, ressaltou a dimensão da festa e o preparo da cidade para receber cariocas e turistas.

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“O Carnaval do Rio é o maior show da Terra. A cidade inteira está integrada e preparada para receber os foliões que já estão aqui e os que ainda vão chegar. Estamos falando de milhões de pessoas ocupando diferentes pontos da cidade, com uma programação extensa e organizada”.

Na Marquês de Sapucaí, a expectativa é de 500 mil pessoas, distribuídas entre os desfiles da Série Ouro, Grupo Especial, escolas mirins e o Desfile das Campeãs. Já na Intendente Magalhães, o público estimado é de 250 mil foliões, enquanto os circuitos da Avenida Chile e Cinelândia devem reunir mais de 700 mil pessoas ao longo da programação.

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Ordenamento, segurança e atuação integrada

O secretário de Ordem Pública, Marcus Belchior, explicou que o Carnaval é também um grande teste operacional para a cidade.

“Os ensaios técnicos servem tanto para as escolas quanto para a operação da cidade. É um esforço enorme, com ajustes constantes, uso de tecnologia, atuação da Guarda Municipal e integração com o Centro de Operações para garantir segurança e ordenamento”.

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Marcus citou que a operação contará com 950 agentes, 60 viaturas, drones e 81 pontos de bloqueio no entorno do Sambódromo, com recomendação expressa para que o público utilize o transporte público.

Trânsito com planejamento detalhado

O presidente da CET-Rio, Luiz Eduardo, destacou que o planejamento de trânsito foi construído com base na experiência dos anos anteriores.

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“Nosso planejamento é muito parecido com o dos últimos carnavais, mas sempre com ajustes finos. Trabalhamos com bloqueios progressivos, logística dos carros alegóricos e atenção especial aos moradores e trabalhadores da região”.

Já a secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, reforçou a importância do uso do transporte coletivo.

“O Carnaval tem muitas interdições imprevisíveis por conta dos blocos. Por isso, reforçamos ônibus noturnos, BRT, metrô e VLT. O transporte público é a melhor opção para quem quer curtir a festa com segurança”.

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Durante o período oficial do Carnaval, o metrô funcionará 24 horas, da sexta-feira até a Quarta-feira de Cinzas.

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Saúde reforçada e orientações ao folião

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, apresentou o esquema especial de atendimento médico no Sambódromo.

“Teremos postos médicos distribuídos ao longo da Sapucaí, ambulâncias, leitos e equipes completas para atender o público. Nossa atuação começa antes do evento, segue durante os desfiles e continua após o carnaval”.

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Soranz também reforçou recomendações ao público: “É fundamental beber bastante água, manter a medicação de uso contínuo, moderar o consumo de álcool, usar roupas leves e calçados confortáveis. Pequenos cuidados fazem toda a diferença para aproveitar o Carnaval com saúde”.

Limpeza urbana antes, durante e depois da festa

O presidente da Comlurb, Renato Rodrigues, destacou o papel da limpeza urbana para o sucesso do Carnaval.

“Nosso compromisso é estar presente antes, durante e depois de cada evento. No Sambódromo, teremos limpeza interna e externa 24 horas por dia, com mais de 1.300 garis atuando”.

Segundo Renato, operações semelhantes serão realizadas na Intendente Magalhães, nos blocos e nos bailes populares espalhados pela cidade.

Conservação e prevenção contra chuvas

O secretário de Conservação, Diego Vaz, lembrou que o trabalho preventivo foi essencial para garantir desfiles mesmo sob chuva intensa.

“O resultado que vimos nos ensaios técnicos, com chuva forte e pista totalmente apta, é fruto de um trabalho intenso de prevenção, limpeza de galerias, rios e canais, além do recapeamento completo da Sapucaí”.

Diego acrescentou as melhorias estruturais, como os novos dutos do sistema de som e a aplicação de essências nas galerias para reduzir odores durante os desfiles.

Proteção social e cuidado com crianças

A secretária municipal de Assistência Social, Marta Rocha, enfatizou as ações de proteção a crianças e adolescentes.

“Dispersão não é diversão. Nossa atuação é preventiva, com identificação das crianças, busca ativa e acolhimento. O uso das pulseiras facilita muito a localização dos responsáveis”.

A delegada também destacou o espaço de convivência destinado aos filhos de ambulantes durante os dias de desfile, onde terão local para se divertir enquanto os pais buscam a renda na folia.

Enfrentamento à violência contra a mulher

A secretária municipal da Mulher, Mariana Xavier, apresentou a operação especial de acolhimento e conscientização.

“Estaremos presentes todos os dias de desfile com equipes especializadas, mobilizadoras e materiais informativos. Queremos que as mulheres saibam que não estão sozinhas e que podem pedir ajuda”.

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A campanha inclui adesivação de banheiros, distribuição de materiais e divulgação da plataforma Mulher.Rio.

Sustentabilidade em foco

A secretária de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, destacou a ampliação do programa Folia Verde.

“O Carnaval também é um espaço para avançarmos na agenda ambiental. Triplicamos a coleta seletiva nos últimos anos e seguimos incentivando práticas sustentáveis, com certificação de blocos e escolas”.

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Monitoramento em tempo real

Encerrando a coletiva, o chefe executivo do COR, Thiago Curvello, explicou o papel da tecnologia na operação.

“Nosso foco é o monitoramento em tempo real para garantir respostas rápidas. Teremos centenas de câmeras, drones e uma sala de situação dedicada exclusivamente ao Carnaval”.

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Serie Barracões: Com imponência, Bangu celebrará vida e carreira de Leci Brandão

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Se recuperando de um Carnaval conturbado em 2025, quando um incêndio atingiu o barracão e a escola desfilou como hors concours, o Bangu promete reescrever sua história em 2026. Com enredo forte, carros imponentes e samba na ponta da língua, a escola celebrará a vida da cantora e deputada Leci Brandão com o enredo “As Coisas Que Mamãe Me Ensinou”, idealizado pelos carnavalescos Lino Salles, Alexandre Costa e Marcos Du Val. Em visita do site CARNAVALESCO, Alexandre Costa detalha que a escolha do enredo nasce da força da figura de Leci Brandão.

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Carnavalesco Alexandre Costa

“Nós já tínhamos esse enredo guardado há bastante tempo. E quando veio a proposta da escola de fazer um enredo forte, um enredo que desse uma sacudida no Carnaval, nós propusemos Leci Brandão. A presidência e a diretoria abraçaram, amaram o enredo, e aí fomos atrás da autorização da Leci para poder fazer — e conseguimos. Ficamos muito felizes”, disse.

Ele ressalta, ainda, que o grande trunfo do desfile é a própria cantora, sambista consagrada, deputada e ícone de lutas políticas como o combate ao racismo, a causa LGBT e o empoderamento feminino, além de ter sido a primeira mulher a integrar a Ala de Compositores da Mangueira.

“Falar de Leci Brandão é complicado, porque ela é uma mulher que fez inúmeras coisas. Vamos tentar representar o máximo possível. A gente tentou pegar um pedacinho de cada momento da vida dela para levar para a avenida. E é Leci Brandão, né? Eu acho que trunfo melhor não tem”, afirmou o carnavalesco.

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Além de tema que abrirá o desfile no primeiro setor da escola, Alexandre destaca a espiritualidade de Leci como uma das grandes descobertas sobre a vida da sambista. Presente em sua obra e em sua trajetória política, esse aspecto ganha destaque no enredo. O carnavalesco revela que um caboclo foi o grande responsável por uma reviravolta na vida da artista.

“Uma das curiosidades foi quando lemos a biografia e conversamos com a família dela. A Leci começou a fazer música e, do nada, parou. A vida dela meio que estacionou. Aí ela foi apresentada ao Caboclo das Ervas, e essa entidade deu uma reviravolta na vida dela. A partir daí, ela começou a fazer mais sucesso, deu a volta por cima. Foi uma grande descoberta, algo que eu não sabia e acho que a maioria das pessoas também não sabia. Depois disso, ela foi para Angola, começou a fazer sucesso e, quando voltou, passou a lançar uma série de músicas ligadas à religiosidade”, compartilhou.

O samba-enredo

O samba potente que embalará o desfile, composto por Dudu Nobre em parceria com outros renomados compositores do Carnaval, foi abraçado pela comunidade e recebeu a melhor chancela possível: a aprovação da própria homenageada. Para o carnavalesco, a obra foi a escolha ideal para contar a história.

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“O samba-enredo encaixa certinho no nosso enredo. Ele conta exatamente essa história toda da Leci. Ficamos muito felizes, a comunidade gostou muito do samba, porque é um sambão, um sambasso. E a Leci também aprovou, gostou muito, está super feliz”, contou ao CARNAVALESCO.

Plástica do desfile

Trabalho e segredo imperam no barracão, no Caju, Centro do Rio. Cola, pó de gesso, equipes em movimento e cuidado extremo com cada detalhe das esculturas marcam o ambiente. A um mês do desfile na Sapucaí, o espaço está tomado por alegorias que se destacam pelas cores, pelo brilho e por esculturas expressivas, grandes e bem-acabadas.

Alexandre Costa revela que a escola virá com alegorias maiores do que nos anos anteriores e que o abre-alas terá 23 metros de comprimento. O carro trará os pais espirituais de Leci, Ogum e Iansã, além de uma alusão aos pais carnais da artista, baseada em uma foto inédita cedida pela família. A infância, a juventude e a vida adulta da homenageada serão representadas em esculturas distribuídas pelas três alegorias que a escola levará à avenida. O carnavalesco também destaca que as alegorias e fantasias terão leitura fácil para o público.

“Eu, Lino e Marcos temos uma marca: achamos que o público precisa entender o nosso trabalho, a mensagem que queremos passar. Sempre tentamos traduzir na fantasia aquilo que queremos comunicar. As fantasias são, ao meu ver, de fácil leitura. A pessoa vai olhar e pensar: ‘essa é tal música’, ‘isso está falando de tal assunto’. A gente busca essa leitura direta. Além disso, são fantasias leves. A comunidade adorou. Mostramos protótipos, e eles amaram. Estão bem felizes”, explicou.

Conheça o desfile

Sambista que deu voz à icônica canção Zé do Caroço, deputada há 20 anos em São Paulo, primeira mulher a integrar a Ala de Compositores da Mangueira, pioneira da causa LGBT — sendo a primeira artista da MPB a se declarar lésbica publicamente nos anos 1970 — e filha de Ogum e Iansã, Leci Brandão tem um legado múltiplo a ser celebrado. Para contar essa trajetória, o Bangu levará à avenida cerca de 2.000 componentes, distribuídos em 19 alas e 3 alegorias.

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Setor 1

“Nós começamos com o nascimento e a espiritualidade de Leci. Na comissão de frente, traremos a parte musical da artista, com trechos da coreografia que vem sendo apresentada nos ensaios, além de um tripé com o qual os bailarinos interagirão durante a apresentação”.

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Setor 2

“No segundo setor, entramos mais profundamente na parte musical. Tramos músicas como Me Anarquiza, Mas Não Me Esquece. Também abordamos as inspirações melancólicas, já que ela conta que muitas vezes se inspirava em sua vida amorosa para compor. Essa dimensão afetiva estará presente. E Zé do Caroço, claro, não pode faltar. Escolhemos a dedo uma ala para representá-la”.

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Setor 3

“No terceiro setor, fechamos com a parte política. Vamos trazer as causas mais fortes que ela defende: a causa LGBT, o combate ao racismo, as causas indígenas e femininas. Tentaremos representar da melhor forma possível essas lutas que ela abraça. Também convidamos algumas pessoas especiais que fizeram parte da trajetória dela”.

Série Barracões: União da Ilha aposta em criatividade e experiência sensorial no Carnaval 2026

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A União da Ilha do Governador segue em ritmo acelerado em seu barracão, com trabalhos a todo vapor para o Carnaval 2026. O site Carnavalesco pôde acompanhar de perto a produção das alegorias, já em fase de finalização, e é possível perceber que a escola prepara surpresas visuais marcantes nos carros alegóricos. As fantasias estão prontas, e a comissão de frente promete chamar atenção pela beleza e pelo impacto estético. No galpão, o clima é de entrega total: equipes trabalham simultaneamente, enquanto o carnavalesco Marcus Ferreira acompanha cada detalhe, literalmente com a mão na massa, orientando, ajudando e ajustando o andamento da produção.

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À frente do projeto pelo segundo ano consecutivo, Marcus Ferreira aposta em um enredo que dialoga diretamente com a identidade histórica da escola: o espírito viajante, lúdico e imaginativo da Ilha. O desfile de 2026 terá como fio condutor a passagem do cometa Halley pelo Rio de Janeiro, em 1910, recortando as reações humanas, emocionais e culturais da cidade naquele momento.

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Ao falar sobre a origem da ideia, Marcus revela que o enredo nasceu de um desejo antigo, guardado ao longo de sua trajetória no Carnaval:

“Todo artista tem ideias guardadas. Eu tenho a felicidade, na minha trajetória no Carnaval, de sempre buscar algo inédito, temas que dialoguem com a nossa relação com a vida, porque o Carnaval move muito os sentimentos de todos nós. O Halley já estava guardado há um tempo. Quando fiz o Caju, na Mocidade Independente de Padre Miguel, foi um marco na minha carreira, mesmo sem a colocação que imaginávamos. Foi inesquecível. Ali, eu guardei essa ideia”.

Segundo o carnavalesco, o convite para retornar à União da Ilha reacendeu essa proposta, que acabou sendo escolhida de forma coletiva pela escola, um processo pouco comum, mas que fortaleceu o vínculo com a comunidade:

“Esse ano foi diferente. Levei três ideias para a escola e deixamos a escola escolher. Nunca tinha passado por isso. Nada é mais justo do que a escola sentir esse acolhimento de escolha. E foi unânime. Todos disseram: é o Halley. A gente quer reviver essa Ilha lunática, viajante”.

O desfile será construído como uma experiência sensorial, ambientada no início do século XX, quando a ciência ainda não tinha respostas claras sobre o universo, e a passagem do cometa gerou medo, religiosidade, festa e esperança no Rio de Janeiro:

“O desfile da Ilha é sensorial. São as reações humanas cariocas de 1910 diante da passagem do cometa. O Rio transforma a dor em alegria, o medo em esperança. É uma festa fora de época, uma entrega à religiosidade, ao amor, às serenatas ao luar, à batucada”.

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Marcus destaca que o samba funciona como um verdadeiro diário da passagem do cometa pela cidade:

“O samba é um grande diário desse Rio de Janeiro visto através do Halley. É o cometa olhando as reações cariocas. As pessoas ouvem o samba e falam: ‘Caramba, é o cometa contando essa história’”.

Visualmente, o desfile aposta em fantasias grandiosas, porém leves, explorando cores vibrantes e mantendo a fluidez do corpo do componente na avenida:

“As fantasias estão leves. Muito coloridas, vermelho, azul e branco, mas com muito colorido. São fantasias grandes, mas leves. Eu não gosto de cangalhas pesadas. O adereço de mão é leve, para passar a mensagem do enredo com alegria e positividade”.

Entre os grandes trunfos do desfile, o carnavalesco adianta uma abertura impactante, a presença humanizada do cometa e surpresas nas alas tradicionais:

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“A comissão de frente já começa muito impactante. O cometa vem logo na abertura, rompendo esse clamor de pavor. Eu humanizei o cometa. As baianas vêm com algo tradicional, mas com uma novidade que ninguém nunca fez. Tem religiosidade, entrega”.

O encerramento promete ser um dos momentos mais emocionantes, com crianças fechando o desfile e simbolizando o futuro:

“As crianças fecham o desfile. Elas são o nosso amanhã. No ensaio técnico, eu vi crianças chorando de emoção, algo que eu nunca vivi na minha carreira. Foi muito tocante”.

Com três alegorias, dois carros alegóricos, cerca de 1.300 componentes e fantasias prontas, a União da Ilha entra na reta final confiante:

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“É um Carnaval maior, mais grandioso, mais imponente. Os carros estão maiores. Estamos cuidando de tudo para chegar tranquilos à concentração. A Ilha quer ser feliz. A Ilha quer ser grandiosa”.

No barracão, cada detalhe reforça essa intenção: um Carnaval colorido, imaginativo e emocionalmente conectado à essência da escola, que promete levar para a avenida um espetáculo onde ciência, fantasia e sentimento caminham juntos.

Incêndio atinge quadra da Unidos do Jacarezinho e destrói fantasias de 12 alas às vésperas do desfile

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A Unidos do Jacarezinho voltou a enfrentar momentos de tensão na madrugada desta quinta-feira. Quatro meses após o incêndio que atingiu o barracão de alegorias e adereços da escola, na Via Binário do Porto, no bairro do Santo Cristo, a quadra de ensaios da agremiação, localizada na Avenida Dom Hélder Câmara, foi novamente acometida por um incêndio.

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Foto: reprodução de internet

De acordo com nota oficial emitida pela escola, o fogo teve início durante a madrugada e foi controlado por integrantes da própria agremiação, moradores da região e pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro por volta das 3h20. Felizmente, não houve feridos.

As chamas atingiram três salas que serviam como espaço de armazenamento das fantasias que estavam sob responsabilidade do ateliê e que começariam a ser entregues aos desfilantes nesta sexta-feira (6). Ao todo, foram perdidas fantasias de 12 alas, além de adereços. As causas do incêndio ainda são desconhecidas, e todos os órgãos competentes já foram acionados para a realização da perícia.

A equipe técnica do Corpo de Bombeiros, da Unidade de Benfica, isolou a área devido ao risco de desabamento e à sobrecarga da fiação elétrica, apontada como uma possível causa do incidente.

O episódio acontece em um momento delicado para a escola, que será a primeira a desfilar na sexta-feira, dia 13, pela Série Ouro, marcando seu retorno à Marquês de Sapucaí após doze anos. Em meio às dificuldades, a Unidos do Jacarezinho agradeceu o apoio e a solidariedade recebidos dos moradores da região, do presidente Hugo Junior e dos dirigentes da Liga RJ, que estiveram no local prestando auxílio.

Nota oficial na íntegra

“É com pesar que a Unidos do Jacarezinho confirma, através desta nota oficial, que quatro meses após o incêndio ocorrido em seu barracão de alegorias e adereços, situado na Via Binário do Porto, no bairro do Santo Cristo, Zona Portuária do Rio, a sua quadra de ensaios, situada na Avenida Dom Hélder Câmara, foi acometida por um incêndio na madrugada desta quinta-feira, controlado por integrantes da escola, moradores e pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro por volta das 3h20 da manhã.

Não houve feridos. Três salas que serviam de armazenamento das fantasias recebidas pelo ateliê para início da entrega aos desfilantes nesta sexta-feira (6) foram atingidas, totalizando 12 alas perdidas e adereços. Ainda não há informações sobre as causas do incêndio. Todos os órgãos foram acionados para início da perícia. A equipe técnica do Corpo de Bombeiros – Unidade Benfica isolou a área por risco de desabamento e sobrecarga dos fios, possível causa do incêndio.

A escola será a primeira a desfilar na sexta-feira, 13, neste carnaval, quando retornará à Marquês de Sapucaí pela Série Ouro após doze anos. A agremiação agradece ao apoio e solidariedade recebidos dos moradores, do presidente Hugo Junior e dos dirigentes da Liga RJ que se fizeram presentes no local prestando toda a ajuda necessária”.

Série Barracões: Estácio de Sá une memória, resistência e fé em um desfile potente para 2026

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Quem passa pelo entorno do barracão da Estácio de Sá já percebe que algo grande está sendo construído para o Carnaval 2026. Mesmo para quem observa de fora, os carros alegóricos chamam atenção pela imponência, pelo colorido intenso e pelo impacto visual. As alegorias já estão prontas, em fase final de acabamento, recebendo detalhes de pintura e ajustes finais. Dentro do galpão, o cenário confirma a expectativa: carros irradiantes, volumosos e cheios de textura, que despertam curiosidade até de quem não consegue ver tudo por completo.

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A escola aposta em um desfile denso, forte e cheio de camadas simbólicas para contar a história de Tata Tancredo da Silva Pinto, figura central na formação do carnaval carioca, da umbanda africanizada e da cultura negra no Brasil. À frente do projeto está o carnavalesco Marcus Paulo, que assina seu terceiro carnaval na Estácio e conduz o enredo com rigor acadêmico, sensibilidade artística e compromisso político.

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Ao explicar como nasceu a ideia do enredo, Marcus deixa claro que a escolha é fruto de uma trajetória pessoal e intelectual profundamente conectada ao personagem homenageado:

“A ideia do enredo é uma vontade minha. O Tata Tancredo é muito conhecido na academia. Eu faço doutorado sobre a história do povo preto, sempre pesquisando carnaval e cultura afro-diaspórica. Então eu sempre tive muito contato com a história dele. Na academia, ele é celebrado, há dissertações, mestrados e artigos sobre ele”.

Além do reconhecimento acadêmico, o carnavalesco destaca a relação viva que a comunidade do Estácio mantém com Tata Tancredo.

“Aqui no Morro de São Carlos, eles falam do Tata Tancredo como se ele ainda estivesse vivo. Não falam como alguém que morreu. Parece um espírito que está sempre próximo. No início isso me causou estranheza, depois eu me acostumei. Hoje eu também acho que ele está aqui”.

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Visualmente, o desfile foge da leveza predominante em outras escolas e assume um corpo mais robusto, em sintonia com a grandiosidade da trajetória do homenageado:

“É um carnaval muito volumoso. As pessoas estão muito vestidas. Tata Tancredo tem uma história muito robusta para contar. Ele escreveu mais de 30 livros, mais de 60 músicas, fundou a primeira liga de escolas de samba, fundou um bando, criou festas que marcaram o Rio de Janeiro. Isso pede volume, textura e cor”.

Durante a pesquisa, Marcus se surpreendeu com a dimensão da produção intelectual e cultural de Tata Tancredo e, principalmente, com o apagamento histórico de sua obra:

“Foi chocante perceber o quanto ele produziu e como há pouco registro disso. Um homem preto, macumbeiro, vindo do Morro de São Carlos, que escreveu tanto, compôs tanto, foi colunista durante 21 anos e quase não aparece nos registros oficiais. Isso diz muito sobre o apagamento da cultura preta”.

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O samba-enredo surge como peça central para traduzir essa narrativa de resistência, fé e africanidade:

“A caneta caiu em pé. O samba traz a essência dele como religioso, como umbandista que lutou para reafirmar a africanidade dentro da umbanda. Ele viveu numa época em que havia um projeto institucional de embranquecimento da população e da cultura. Ele lutou contra isso. E o samba está passando tudo isso”.

Um dos grandes trunfos do desfile, segundo o carnavalesco, está na concepção integrada da abertura, rompendo com a ideia de uma comissão de frente isolada do restante do cortejo:

“Este ano eu fiz de tudo para que a comissão de frente faça parte do desfile. Toda a abertura, comissão, primeiro casal, primeira ala e abre-alas, tem a mesma leitura. Não é um espetáculo à parte. Quem assistir vai ver que tudo está interligado”.

Com cerca de 2.600 componentes, três alegorias e um elemento cenográfico na comissão de frente, a Estácio aposta na força de sua comunidade, que literalmente “desce o morro” para ocupar a avenida:

“A Estácio joga em casa. O Morro de São Carlos desce inteiro. A escola é grande; o desafio aqui não é colocar gente, é segurar o tempo”.

O desfile se desenvolve em setores que acompanham a vida de Tata Tancredo desde a infância em Cantagalo, passando pela chegada ao Morro de São Carlos, a fundação da primeira escola de samba, a atuação como compositor, escritor e líder religioso, até chegar ao ápice espiritual do enredo.

O encerramento promete ser um dos momentos mais marcantes da Sapucaí, com uma grande alegoria que representa o Xirê, concebida como uma instalação artística:

“Essa alegoria é o céu dos Orixás. Não aquele céu com nuvens e anjinhos. É uma encruzilhada de espíritos, um trânsito entre Orun e o mundo material. Ela tem o símbolo do infinito, porque, para a nossa religião, não existe fim. Tudo continua”.

No barracão, cada detalhe reforça a proposta de um carnaval que não busca apenas impacto visual, mas também reflexão, memória e afirmação cultural. A Estácio de Sá prepara um desfile forte, volumoso e profundamente conectado à sua origem, um cortejo que transforma história, religiosidade e resistência preta em espetáculo na avenida.

Barracões: Fugindo do estigma, Botafogo Samba Clube aposta no colorido de Burle Marx

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Escolas de samba ligadas ao mundo do futebol são novidade na Sapucaí. O Botafogo Samba Clube é o primeiro dessa linha a desfilar no Grupo Ouro e encara o segundo ano na disputa por uma vaga no Grupo Especial. Para o Carnaval 2026, a ideia é quebrar o estigma e se afastar dos enredos futebolísticos ao celebrar as obras do paisagista Roberto Burle Marx.

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Barracoes Botafogo Samba Clube Alexandre e Raphael

O enredo “O Brasil que Floresce em Arte” foi idealizado pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres, que contaram ao CARNAVALESCO que a proposta alegre e colorida já existia antes mesmo da chegada à agremiação.

“A gente tem esse enredo há algum tempo, mas ainda não tinha tido a oportunidade de colocá-lo em uma escola. Fomos chamados para o Botafogo Samba Clube e, quando entramos, criamos uma proposta bem colorida, bem alegre, bem diferente do que foi apresentado no último carnaval, porque queríamos desvincular a escola de samba do futebol. A primeira proposta que apresentamos para a escola foi justamente o enredo sobre Burle Marx. Eles aceitaram, gostaram da ideia, e a intenção foi essa: trazer um enredo bem colorido, bem diferente do último carnaval”, afirmou Alexandre.

“Na verdade, o diferencial do enredo é justamente a valorização da flora, a relação do Burle Marx com o legado que ele deixou, que é o Sítio Roberto Burle Marx. E é justamente esse colorido que faz todo o diferencial para esse desfile”, completou Raphael.

Os carnavalescos garantem que a preto e branco do Engenho de Dentro virá imponente, com esculturas bem articuladas, apontadas como o grande destaque do desfile:

“O grande trunfo é uma escola imponente, com bastante movimento nas alegorias. É o colorido. Então, todos esses pontos que estamos conversando, esse conjunto, é o diferencial que vai impactar na avenida”, disse o carnavalesco.

Plástica e fantasias

O carnaval do Botafogo Samba Clube nasce aos pés da Praça da Apoteose. No galpão, folhagens, flores e brilho ganham vida para representar as paisagens históricas de Burle Marx.

As alegorias já se mostram imponentes, mesmo ainda em montagem, já que o pé-direito baixo do galpão não permite os toques finais nas esculturas que serão adicionadas. Ainda assim, dão um gostinho do que será apresentado no segundo dia de desfiles do Grupo Ouro, em 14 de fevereiro. Segundo a dupla de carnavalescos, o desfile será leve e de fácil leitura para o público.

Detalhes Alegoria Botafogo Samba Clube 2

“O carnaval do Botafogo Samba Clube terá leitura direta. Você vai entender nitidamente quando a escola entrar na avenida. Vai saber o que é a ala do pintor, a ala das bromélias e assim sucessivamente”, explicou Raphael.

“As fantasias e alegorias casam com o samba para dar compreensão ao enredo. Haverá uma leitura bem fácil para todas as pessoas que estiverem assistindo”, disse Alexandre.

“O desfile é um teatro de arena. Você precisa entender a narrativa do enredo. Pega aquele glossário, começa a entender e reconhece uma ala dos Pampas, ala dos Pintores… Você vai abrindo a mente. É uma aula de história”, acrescentou Raphael.

Samba-enredo

O samba que será entoado na avenida foi encomendado de forma estratégica para contar essa história. A obra é assinada por Diego Nicolau, Samir Trindade, Marcelo Adnet, Fabrício Senna, Binho Simões, Maurício da Pizzaria, Gabriel Machado, Gilsinho da Vila, Rodrigo Escócia, Cláudio Emiliano, Edu Botafogo, Liane Harmonia, Denis Moraes, Tange Botafogo, Juca, Laura Romero, Piter Fogoró, Pinóquio do Cavaco e Jefferson Oliveira.

Detalhes Alegoria Botafogo Samba Clube

Para os carnavalescos, a escolha foi perfeita para dialogar com a plástica apresentada:

“O samba está bem amarrado para contar a história do Roberto Burle Marx, e justamente a plástica junto com o samba faz a gente ter um entendimento de tudo que será apresentado”, afirmou Alexandre.

Entenda o desfile

Burle Marx foi um artista multilinguagem: paisagista, artista plástico, pintor e designer. Foi responsável por introduzir o paisagismo modernista no Brasil, além de produzir jardins com plantas nativas, valorizando a flora nacional e a diversidade da vegetação tropical.

Autor de mais de 3 mil jardins pelo mundo, tem entre suas obras mais conhecidas o Calçadão de Copacabana, os jardins do MAM (RJ), o Parque Ibirapuera (SP) e o Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro — Patrimônio Mundial da UNESCO e tombado pelo IPHAN como patrimônio nacional.

Seu legado será retratado por meio de 3 alegorias, 20 alas e 2.500 componentes.

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“No primeiro setor, vamos abordar o abstrato de Burle Marx, já entrando no modernismo. O abre-alas é um jardim do imaginário dele — uma alusão ao abstrato e ao modernismo, movimento por meio do qual ele começou a desenvolver esses jardins.

A comissão de frente não terá nada a ver com o que foi apresentado no ensaio técnico é uma surpresa. Também haverá um elemento cenográfico que vai impactar bastante”.

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“O segundo setor marca a entrada no modernismo. A segunda alegoria representa as expedições que ele fez pelos biomas. Nesse setor também haverá uma ala dedicada ao Calçadão de Copacabana, uma de suas obras mais famosas”.

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“O último setor destaca o legado de Roberto Burle Marx, que é o Sítio Roberto Burle Marx, Patrimônio Mundial da Humanidade. A terceira alegoria representa o sítio, com esse destaque na parte frontal do carro”.

Série Barracões SP: guarani, X-9 Paulistana busca a ‘Terra Sem Males’ em 2026

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Bicampeã do Grupo Especial de São Paulo, a X-9 Paulistana retorna ao Grupo de Acesso II da folia paulistana em 2026. Para que a passagem pelo terceiro pelotão do Carnaval seja breve, a agremiação da Zona Norte apresentará o enredo “Yvy Marã Ei – A Busca pela Terra sem Mal”, assinado pelo carnavalesco Amauri Santos. A instituição será a quarta a desfilar no pelotão, que irá à avenida no sábado, 7 de fevereiro.

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Sempre buscando trazer informações sobre as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou Amauri, por WhatsApp, para revelar detalhes sobre a apresentação xisnoveana.

História celebrada

De acordo com o carnavalesco, a fagulha que deu origem à temática surgiu em conjunto:

“A ideia nasceu em uma conversa entre mim e o Leonardo Dahi, nosso enredista. Eu queria, mais uma vez, um enredo que falasse dos povos originários de forma positiva e que deixasse uma reflexão sobre a possibilidade de mudança para a humanidade”, comentou.

Vale destacar que a história da X-9 Paulistana é marcada por grandes desfiles com inspiração indígena. O primeiro título da agremiação veio com “Amazônia, a Dama do Universo”, em 1997, em um desfile que entrou para a história do Carnaval paulistano pela utilização, pela primeira vez, de carros alegóricos com movimentos semelhantes aos utilizados no Festival Folclórico de Parintins.

Em 2003, a história indígena do paulistano Rio Pinheiros rendeu a terceira colocação com o enredo “Pi, iê, rê Jeribatiba ou Pinheiros. A Deusa dos Rios Clama pela Preservação: Se Ela Muda o Curso, Pode Mudar Sua História”. Em 2009 (“Amazônia… Conseguimos Conquistar com o Braço Forte… do Esplendor da Hevea brasiliensis à Busca pela Terra sem Males”), 2016 (“Açaí Guardiã! Do Amor de Iaçá ao Esplendor de Belém do Pará”) e 2022 (“Arapuca Tupi – A Reconquista de uma Terra sem Dono”), a agremiação também buscou nos povos originários a inspiração para seus enredos.

A forte relação da X-9 Paulistana com temáticas indígenas também se fez presente quando a reportagem perguntou a Amauri sobre a receptividade da comunidade:

“A escola já está habituada a esse tipo de enredo. E, vivendo um momento de superação, entendemos que é hora de encontrar novos caminhos que nos levem a um lugar melhor”, comentou.

O momento de superação citado refere-se ao rebaixamento do Grupo de Acesso I em 2025 para o grupo imediatamente inferior em 2026. É a segunda vez, em um período de três anos, que a X-9 Paulistana disputará o terceiro nível do Carnaval de São Paulo — algo que não acontecia desde 1985.

Pesquisa

Ao ser perguntado sobre o levantamento de informações para a construção do enredo, Amauri voltou a citar o enredista da escola:

“O Leonardo iniciou as pesquisas e, a partir disso, fomos moldando o enredo de acordo com a nossa realidade. Ao longo do processo, fomos nos surpreendendo e nos encantando com a história. O respeito do povo guarani pelo próximo e pela natureza é algo extremamente inspirador e nos faz refletir sobre como podemos transformar o momento em que vivemos”, afirmou.

A linha cronológica do desfile também foi detalhada:

“O desfile está dividido em três momentos: o primeiro mostra a fúria de Nhanderu, o criador; o segundo representa o recomeço da humanidade; e, por fim, a peregrinação do povo guarani em busca da chamada ‘Terra sem Males’”, pontuou.

A história que será contada pela X-9 Paulistana é baseada em uma lenda guarani, resumida pelo carnavalesco. A fúria de Nhanderu teria sido motivada pelo mal que o homem fazia ao próprio homem e à natureza. Após um grande incêndio e, na sequência, uma enorme enchente, apenas os parentes mais próximos do pajé Guirapoty sobreviveram. Com a invasão do homem branco às terras originárias, o desequilíbrio ecológico e os ataques à natureza voltaram a ocorrer — e o fim, novamente, pode estar próximo, na visão do enredo. Ainda há tempo, porém, para que o Brasil se torne Yvy Marã Ei — a Terra sem Males que nomeia o enredo.

Sobre o desfile

Na entrevista, Amauri trouxe informações mais objetivas sobre o que será apresentado na avenida:

“A escola contará com dois carros alegóricos — sendo o primeiro acoplado. São 11 alas e um total de 860 componentes”, comentou.

Em relação à confecção do desfile, o carnavalesco prometeu um ponto de atenção especial:

“Utilizamos materiais variados, desde os tradicionais do carnaval atual até materiais alternativos, como cordões. Também teremos o uso da madeira de formas pouco vistas no Carnaval”, destacou.

Perguntado sobre o possível clímax do desfile, Amauri apontou a atmosfera da Zona Norte como diferencial:

“Acredito que o ponto alto será a leveza do nosso desfile. Temos um ótimo samba e uma plástica diferenciada, tratada com muito esmero, que conduz o componente a desfilar com alegria e emoção”, comentou.

Para retornar

A reportagem deixou espaço para que o carnavalesco deixasse um recado à comunidade e ao mundo do samba. Ele elogiou o trabalho da diretoria e refletiu sobre o projeto:

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“Depois de altos e baixos, a X-9 Paulistana se recompôs para voltar a apresentar um Carnaval maduro e com muito profissionalismo. Sabemos das dificuldades do grupo, mas a administração da escola, liderada pelo nosso presidente Adamastor, vem fazendo o possível e o impossível para apresentarmos o melhor espetáculo ao público e à nossa comunidade”, finalizou.

Série Barracões SP: Amizade Zona Leste promete fazer o maior carnaval de sua história

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A Amizade Zona Leste conquistou ascensão no Carnaval de 2025 ao subir do Grupo Especial de Bairros da UESP para o Grupo de Acesso 2 da Liga-SP. A direção da escola, assim como a comunidade, está muito feliz e empenhada em se consolidar e permanecer desfilando no Sambódromo do Anhembi.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Para isso, a agremiação levará para a avenida um estilo de enredo que costuma animar e despertar a curiosidade do público. Será um enredo afro, que contará a história de dois orixás bastante conhecidos e cultuados pelos brasileiros, dentro e fora das religiões de matrizes africanas.

No barracão, a escola vem desenvolvendo um projeto de fácil leitura e, de acordo com o carnavalesco Rogério Sapo, as cores predominantes no desfile serão aquelas que representam os homenageados.

Com o enredo “Xangô e Iansã – o Casal do Dendê No Ilê do Amizade”, a agremiação abrirá o sábado de carnaval no Grupo de Acesso 2. Ao CARNAVALESCO, Rogério comentou sobre o projeto do Carnaval de 2026.

Chegada do tema

O carnavalesco relatou que a ideia de um enredo religioso partiu do presidente.

“A ideia do enredo nasceu no dia do desfile das campeãs do Carnaval de 2025, o presidente teve a ideia e propôs um enredo que fosse afro religioso. Juntos chegamos a esse enredo que teve um satisfatório desenvolvimento”, relatou.

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A comunidade

Rogério contou que, em 2025, a comunidade inicialmente não abraçou o enredo e que, em 2026, o processo foi diferente.

“A escola diferente do último carnaval, abraçou esse enredo logo de cara. Os componentes vieram com tudo para esse projeto”, comentou.

As dificuldades

De acordo com o carnavalesco, a maior dificuldade vai além do enredo e do que será levado para o desfile.

“Na verdade, a dificuldade maior é de orçamento que temos neste grupo. É a questão financeira para todo o desenvolvimento. O enredo em si, o contexto dele é de fácil leitura, uma ótima compreensão e fácil de desenvolver também”, disse.

Alegorias e fantasias em cores

A escola optou por priorizar, em sua plástica, as cores que representam os orixás Xangô e Iansã.

“Estamos usando muito preto, ouro e vermelho, cores que representam nossos personagens homenageados. Também terão muitas placas”, comentou.

O resultado final

Rogério contou que, apesar do orçamento limitado, a comunidade vem se esforçando para alcançar um bom resultado.

“Mesmo com muitas dificuldades financeiras, que o grupo de Acesso 2 impõe a todas as agremiações, e mesmo com a dificuldade de abrir os desfiles do grupo, a Amizade fará o maior desfile da sua história. Nós esperamos um resultado satisfatório”, relatou.

Setor 1

“A história de Xangô desde a sua infância, até se tornar um guerreiro e um rei”

Setor 2

“Xangô se apaixona por Iansã e juntos formam o casal do dendê. Abordando também algumas particularidades de Iansã”

Ficha técnica

Duas alegorias
800 componentes
10 alas
Um elemento alegórico (comissão de frente)
Diretor de alegoria: Ali

Série Barracões SP: Unidos de São Lucas bate o tambor no Anhembi

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Quinta escola a desfilar no Grupo de Acesso II do Carnaval de São Paulo, que será realizado no dia 7 de fevereiro, no Sambódromo do Anhembi, a Unidos de São Lucas trará uma temática que colocará em evidência a musicalidade afro-brasileira pelo segundo ano consecutivo. Com o enredo “Meu tambor é ancestral, heranças e riquezas de um povo… um Brasil de festas pretas!”, a agremiação da Zona Leste conta com Anselmo Brito, estreante na escola, como carnavalesco. O CARNAVALESCO conversou com o responsável pelo desfile da Unidos de São Lucas em 2026, por WhatsApp, e traz mais detalhes sobre o que a agremiação apresentará no Sambódromo na série Barracões SP.

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Ideia e desenvolvimento

Perguntado sobre como surgiu a ideia de falar do popular instrumento musical como elemento da festividade afro-brasileira, Anselmo destacou que apenas seguiu um pedido de Adriano Freitas, mandatário são-luquense. Chamando o dirigente pelo apelido, o carnavalesco ressaltou que o desfile da agremiação já era um desejo antigo do principal nome na hierarquia da instituição:

“A ideia do enredo surgiu do presidente Nanão, pois ele já tinha um grande interesse em exaltar e celebrar o tambor como enredo”, destacou.

O carnavalesco também contou que todas as informações e histórias levantadas foram reunidas por boa parte da equipe são-luquense:

“A pesquisa foi feita em conjunto. Dela participaram o presidente, os diretores de Carnaval e um historiador. O que me chamou atenção foi o quanto o assunto em questão é rico em cultura e curiosidades. Também pensei no quanto essa temática proporcionaria uma plástica incrível. Ao longo do processo de pesquisa, não encontramos nenhuma grande dificuldade: foi um trabalho árduo, porém enriquecedor”, destacou, comentando também sobre os empecilhos que teve — ou melhor, que não teve.

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Plasticamente falando

Anselmo também detalhou pontos importantes sobre o que foi utilizado e o que será visto no Anhembi:

“Para o projeto do nosso desfile em 2026, utilizamos desde materiais com efeitos próprios, como laminados e estampados, até materiais rústicos e recicláveis — passando também por materiais mais clássicos, como veludos e pelúcias. A cromia da escola ficará por conta de cores quentes e vibrantes, como o laranja, o vermelho e o amarelo. Teremos uma grande explosão de misturas de tons e brilhos”, destacou.

O carnavalesco, inclusive, afirmou que, na visão dele, o visual será um dos grandes apogeus da instituição no Sambódromo:

“Nós teremos dois pontos altos ao longo do desfile. O primeiro deles será a plástica que apresentaremos; o segundo, a nossa comunidade, com muita força no canto do samba-enredo da Unidos de São Lucas 2026 e na dança”, comentou.

Para deixar todos ainda mais na expectativa, o profissional prometeu um grande espetáculo da agremiação da Zona Leste:

“A Unidos de São Lucas irá apresentar mais um grande espetáculo, enaltecendo a arte e a cultura no maior espetáculo da Terra: o Carnaval”, ratificou.

Falando em canto…

Ao comentar, na visão dele, qual será o grande clímax são-luquense no Anhembi em 2026, Anselmo voltou a destacar a força da comunidade. O profissional apontou que a escola, como um todo, está feliz com a escolha da temática:

“A nossa comunidade recebeu o enredo com muito entusiasmo e alegria. Esse foi o jeito da comunidade do Parque São Lucas afirmar que, assim, estamos no caminho certo”, afirmou.

Números

Ao ser perguntado sobre a ficha técnica da agremiação, Anselmo detalhou, de maneira objetiva, a volumetria da Unidos de São Lucas:

“Nós teremos três alegorias e treze alas. Temos uma equipe especial para cuidar do barracão: o presidente Nanão, eu mesmo, os diretores de Carnaval e a nossa equipe de artes”, finalizou o carnavalesco.

Ficha técnica

Alegorias: 3
Componentes: Não informado
Alas: 13
Diretor de barracão: Comissão

Cantar pra subir! União da Ilha mantém a força de seu chão no último ensaio de rua do ano

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A União da Ilha do Governador realizou, nesta quarta-feira, seu último ensaio de rua antes do desfile oficial, na Estrada do Galeão, na altura do Relógio da Cacuia. Mesmo sob forte chuva, a escola mostrou disposição e confiança para o Carnaval 2026, quando desfila pela Série Ouro na sexta-feira, 13 de fevereiro, como a sexta agremiação a entrar na Marquês de Sapucaí. Com o enredo “Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois!”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira, a Ilha aposta em um desfile vibrante, colorido e festivo, com referências lúdicas ao tempo e à passagem do Cometa Halley.

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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Sem apresentação da comissão de frente nesta noite, o ensaio concentrou as atenções no chão da escola. A “Baterilha”, comandada pelo mestre Marcelo, voltou a ser um dos grandes pilares da apresentação, sustentando o andamento com conforto, musicalidade e identidade própria. Outro destaque foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, João Oliveira e Duda Martins, que, mesmo com o aumento da intensidade da chuva ao longo do percurso, manteve um bom nível de apresentação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

João Oliveira e Duda Martins apresentaram uma dança marcada por romantismo, delicadeza e sintonia. No primeiro módulo, o casal viveu seu melhor momento da noite, com bailado mais solto e leitura clara da coreografia. Já no segundo e no terceiro módulos, a apresentação se mostrou um pouco mais contida, muito em função da chuva forte que passou a castigar o ensaio nesses trechos.

No conjunto, Duda demonstrou elegância, segurança e pleno domínio do pavilhão, conduzindo a bandeira com leveza mesmo em condições adversas. João, por sua vez, confirmou um bom trabalho de pernas no bailado cruzado e um cortejo bem executado, valorizando o diálogo com a porta-bandeira e com o público presente.

SAMBA E HARMONIA

No quesito samba e harmonia, a União da Ilha apresentou um desempenho positivo. A comunidade cantou, respondeu ao carro de som e sustentou o ensaio do início ao fim. O único ponto de atenção ficou por conta de duas alas posicionadas após a terceira alegoria, que demonstraram uma leve queda de intensidade na parte final do percurso. Ainda assim, o conjunto não comprometeu o rendimento geral.

O samba, que chegou a ser contestado em momentos da temporada, mostrou-se assimilado pela escola e funcionou na prática, muito impulsionado pela condução firme de Tem-Tem Jr. e seus companheiros de carro de som. O intérprete fez uma análise do processo vivido até este último ensaio.

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“Eu faço esse balanço desde a escolha do samba. A gente teve uma crescente muito grande. Sou feliz aqui por ter liberdade para trabalhar, e isso faz toda a diferença. A diretoria, o mestre Foca, todo mundo me dá essa condição, assim como acontece com o Marcelo. Não é à toa que a bateria e o canto vêm sendo elogiados. A Ilha escolheu esse samba pensando no enredo, no que contava melhor a história. No começo, parte do público não aceitou, mas o presidente pensou no melhor para a escola. Ajustamos o samba, fizemos alterações, e de lá para cá só vimos elogios. Hoje é crescimento, maturidade e confiança”, avaliou.

Projetando o desfile, Tem-Tem demonstrou otimismo. “A Ilha é igual ao Flamengo. Pisou na Sapucaí, tudo vira mágica. Se a gente passar certinho, com esse carnaval que o Marcus montou, com a bateria, o casal, o canto da comunidade, dá para buscar esse título com humildade e respeito. A vitória está entalada na garganta do povo insulano”, concluiu.

EVOLUÇÃO

A evolução da União da Ilha seguiu a identidade leve e brincante que marca a escola historicamente. Mesmo com a pista molhada, a agremiação manteve bom espaçamento entre as alas, deslocamento fluido e leitura organizada do desfile. A escola soube respeitar o andamento da bateria, sem correria, valorizando a alegria espontânea de seus componentes.

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O diretor de carnaval, Júnior Cabeça, destacou a trajetória crescente da escola ao longo da temporada. “A gente veio numa crescente. Pelo histórico da comunidade, eu já sabia o que esperar do chão da Ilha. A ala musical elevou muito esse samba, que hoje é uma realidade. A comunidade canta a plenos pulmões. No geral, o balanço é muito positivo. A Ilha está pronta. Agora é ajustar mínimos detalhes para, no dia 13, conquistar o público da avenida como sempre fez. Com certeza dá para sonhar com o título. O nível das fantasias e das alegorias está muito alto. Temos uma equipe de Grupo Especial e um chão histórico que faz acontecer.”

OUTROS DESTAQUES

A presença da rainha de bateria, Gracyanne Barbosa, também chamou atenção. Com carisma, simpatia e forte conexão com a comunidade, ela sambou, interagiu com o público e atendeu aos fãs com alegria, reforçando seu vínculo com a escola.

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A “Baterilha”, comandada pelo mestre Marcelo Santos, mostrou segurança e qualidade. Nota máxima no carnaval passado, ela apresentou ótimas notas, leitura inteligente do samba e manteve um ritmo constante durante todo o ensaio.

Outro ponto marcante da noite foi a permanência do público até o fim do ensaio. Mesmo debaixo de chuva intensa, torcedores e componentes seguiram cantando e incentivando a escola, criando um ambiente de comunhão e resistência que traduz bem o espírito insulano.

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