Dos bastidores à experiência: Alan Victor retorna ao Camarote Rio Praia com novo olhar sobre o carnaval
Se existe um nome que se tornou recorrente nos bastidores do Carnaval do Rio, esse nome é Alan Victor. Responsável pela comunicação e pela lista VIP do Camarote Rio Praia, um dos espaços mais disputados da Marquês de Sapucaí, o promoter e assessor de comunicação ocupa hoje uma posição estratégica na engrenagem que move a maior festa do planeta. Longe da passarela do samba, mas absolutamente central na dinâmica do evento, é ele quem articula encontros, constrói relações e transforma acesso em experiência.
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Alan administra um verdadeiro quebra-cabeça humano: artistas, jornalistas, influenciadores e nomes fundamentais da engrenagem do samba passam pelo seu radar. Mais do que acesso e visibilidade, seu trabalho é sobre leitura de cenário, respeito à cultura e construção de narrativas que valorizam quem sustenta o espetáculo. Não à toa, seu nome circula com naturalidade entre os bastidores mais exclusivos da folia.
Fora do Carnaval, Alan Victor também é figura-chave no mercado de comunicação e experiências. Atualmente, ele está à frente da estratégia de mais de 35 marcas dos setores de gastronomia e hotelaria, incluindo restaurantes renomados, grupos hoteleiros e grandes eventos espalhados pelo país. Nos últimos meses, foi o responsável por entregar a divulgação e lista vip de réveillons de grandes marcas hoteleiras, festas que, segundo o próprio mercado, foram sinônimo de sucesso, repercussão e casas cheias. Esse desempenho só aumentou a expectativa para seu retorno ao Carnaval, especialmente ao Camarote Rio Praia, após um período de afastamento dedicado ao crescimento pessoal e a novos projetos.
O retorno, aliás, não é qualquer retorno. Em 2026, Alan completa seu oitavo ano de atuação no Carnaval, agora em um momento diferente da carreira. Mais maduro, com uma bagagem internacional que inclui passagens por mais de 15 países, ele volta ao Rio Praia com outro olhar sobre hospitalidade, entretenimento e experiência.
“Esse tempo fora me deu uma visão muito mais ampla do que significa receber, encantar e criar experiências que realmente marcam. Viajar, observar outras culturas e outras formas de celebrar me ensinou que, apesar das diferenças, a festa sempre nasce do mesmo lugar: da necessidade humana de conexão, alegria e pertencimento”, explica.
E se o Carnaval de 2026 promete ser intenso para o público, nos bastidores a rotina do RP também segue em ritmo acelerado. Com o aumento do calendário, a demanda cresceu e muito. Pela primeira vez, o Camarote Rio Praia abrirá também durante os Ensaios Técnicos, além dos seis dias oficiais de desfiles. Um movimento que reflete a transformação do próprio Carnaval.
“Os Ensaios Técnicos ganharam um peso impressionante. Hoje, eles são tão disputados quanto as noites oficiais de desfile. O público quer viver o Carnaval por inteiro, acompanhar o processo, sentir a energia da Sapucaí antes mesmo da competição começar”, declara.
Para quem ainda pensa sobre viver o Carnaval da Sapucaí, o promoter não tem dúvidas: 2026 é o ano ideal. Segundo ele, o Rio Praia chega a um momento de maturidade, sem abrir mão da criatividade e inovação.
“Estamos vivendo um ano especial, com calendário ampliado, ideias renovadas e um público ainda mais disposto a viver o Carnaval intensamente. Quem escolhe o Rio Praia em 2026 não escolhe só um camarote, escolhe uma experiência pensada nos mínimos detalhes, com conforto, encontros especiais, boa música e a energia única da Sapucaí”, revela.
O próprio Alan também mudou. O retorno ao Carnaval acontece com programação ampliada e uma operação ainda mais complexa. Administrar uma agenda com mais de seis mil contatos, dezenas de demandas simultâneas e mensagens que não param de chegar exige jogo de cintura, resistência e, principalmente, paixão.
“É uma rotina exaustiva, intensa, com decisões o tempo todo e muitas pessoas diferentes falando com você ao mesmo tempo. Mas eu amo o que faço! Trabalhar nos bastidores do Carnaval é um privilégio enorme. Depois da folia, até tiro alguns dias de descanso, mas nunca totalmente offline”, conta.
Esse amor pelo Carnaval também se reflete na forma como Alan enxerga inovação. Para ele, evoluir é fundamental, mas sem perder a essência.
“O desafio é equilibrar novidade e identidade. O Carnaval se reinventa o tempo todo, e a gente precisa acompanhar, mas sem se desconectar do samba, da cultura e do espírito da festa. Tudo no Rio Praia passa por esse filtro. Se respeita a essência, seguimos em frente”, detalha.
No fim das contas, o que move Alan Victor não é apenas o brilho das noites na Sapucaí, mas a certeza de entregar uma experiência inesquecível. Seu desejo é simples e, ao mesmo tempo, ambicioso: que cada convidado saia do Camarote Rio Praia com a sensação de ter vivido algo único.
“Meu maior objetivo é que tudo funcione, que as pessoas sejam bem recepcionadas e aproveitem cada momento. Quem estiver no Rio Praia vai entender do que eu estou falando: um Carnaval grandioso, bem planejado e feito para ficar na memória”, enfatiza.
Nos bastidores da maior festa do mundo, enquanto os holofotes se voltam para a passarela do samba, Alan Victor segue fazendo o que sabe melhor: conectando pessoas, criando experiências e garantindo que o Carnaval continue sendo dentro e fora da avenida um espetáculo à altura da sua fama.
Série Barracões: Leandro Vieira transforma joia em manifesto de ancestralidade no desfile da União de Maricá
Na construção do Carnaval, há temas que contam histórias e há aqueles que escavam o tempo, desenterram memórias silenciadas e as devolvem à Avenida como afirmação política, estética e identitária. Em “Berenguendéns e Balangandãs”, enredo da União de Maricá para o Carnaval 2026, Leandro Vieira escolhe o segundo caminho. Criado pelo carnavalesco, o desfile transforma a joia produzida por mãos pretas em linguagem de resistência, autonomia e orgulho ancestral, reposicionando o corpo feminino negro no centro da narrativa carnavalesca.
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Em seu segundo ano na escola, Leandro explica que o enredo nasce de um processo contínuo de escuta, descoberta e entendimento do lugar simbólico que a União de Maricá ocupa no Carnaval.

“É o meu segundo ano na escola e, na verdade, como todo processo de construção, a gente vai descobrindo. Vai descobrindo junto com a escola o que é possível fazer para contribuir para a construção do imaginário da União de Maricá. Não é um processo fechado, é um processo de troca, de observação e de entendimento do que essa escola pede e do que ela pode se tornar. Acho que a União de Maricá é uma jovem escola e considero fundamental que essa jovem escola tenha um discurso de ancestralidade, principalmente hoje, fazendo parte de um grupo onde existem escolas ancestrais. Você está em um grupo que tem o Império Serrano, a Estácio de Sá, a União da Ilha e a Unidos de Padre Miguel. São todas escolas com marcas ancestrais e identitárias muito fortes. Então, acho bonito a Maricá saber onde está pisando. E, sabendo onde está pisando, considero importante que ela entre nesse contexto louvando aspectos ancestrais”, declarou.
Segundo ele, os dois carnavais que assina na escola dialogam diretamente com essa consciência.
“O carnaval do ano passado e o deste ano apontam para a construção de uma escola que demonstra que sabe que onde pisa é um território sagrado, cheio de ancestralidade. São dois enredos que demonstram reverência, respeito e uma vontade muito clara de pegar na mão dessas escolas ancestrais e construir junto algo que discursa sobre ancestralidade”, afirmou.
Dentro desse percurso, “Berenguendéns e Balangandãs” aprofunda um pensamento que já vinha sendo gestado anteriormente.
“Esse enredo aprofunda uma ideia de ancestralidade que o enredo do Seu Sete da Lira, Exu das encruzilhadas, já inicia na construção da minha cabeça. É um aprofundamento, não é uma ruptura”, explicou.
História que a história não conta
Durante a pesquisa, Leandro identificou no balangandã um objeto carregado de sentidos invisibilizados.

“O que acho mais interessante nesse enredo é que ele dialoga com a ideia da história que a história não conta, algo que eu já tinha trabalhado na Mangueira em 2019. Porque, apesar de estarmos falando de um artefato conhecido visualmente, seu significado foi esvaziado ao longo do tempo. As pessoas, em geral, têm muito mais na cabeça a ideia do balangandã como um artigo decorativo, quase turístico da Bahia. Mas conhecem pouco a história de ancestralidade que essa peça carrega, os porquês de sua existência e a finalidade real de seu uso”, afirmou.
Para Leandro, o balangandã confronta diretamente o imaginário construído sobre o corpo negro no Brasil.
“Quando a gente pega um artefato que aponta para a construção do corpo negro, mas principalmente do corpo feminino negro como lugar de luxo, de ostentação e de riqueza, estamos enfrentando uma construção histórica que sempre associou esse corpo ao flagelo, à miséria e à dor”, disse.
Ele destaca que, mesmo diante da violência da escravidão, essas mulheres construíram estratégias de autonomia.
“Apesar das amarras sociais e dos horrores da escravidão, essas mulheres conseguiram construir uma luta individual que aponta para a autonomia, para o luxo e para o acúmulo de riqueza. E isso é algo que foi sistematicamente apagado da nossa narrativa histórica. Muitas mulheres pretas, na condição de escravizadas, conquistaram a liberdade antes da Lei Áurea. O Brasil ainda não sabe que muitas alforrias foram compradas por essas mulheres que, além de se libertarem, libertaram companheiros e filhos. Imaginar que mulheres pretas, no século XIX, deixaram heranças, joias e colares de ouro é fundamental para a construção de uma ideia de orgulho e pertencimento. Ainda há muita história de afirmação para ser contada”, pontuou.
Beleza, resistência e inteligência ancestral
No desfile da União de Maricá, o balangandã surge como síntese de beleza, luxo e resistência. De acordo com o carnavalesco, a peça funcionava como um verdadeiro mecanismo de sobrevivência.

“O balangandã conta uma história de beleza, de ostentação e de riqueza, mas também de resistência. Era uma espécie de cofre que se carregava junto ao corpo, uma poupança levada consigo. São técnicas e saberes de resistência diante dos horrores da escravidão e daquilo que era imposto socialmente a essas mulheres”, contou.
E tudo isso se refletirá diretamente na estética do desfile.
“É uma estética luxuosíssima, metálica, que apresenta mulheres pretas cobertas de ouro. Uma estética que fala de poder, autonomia e afirmação”, disse.
Enredo feminino para uma escola feminina
Ao apontar o grande trunfo do enredo, Leandro destaca a identificação direta com a comunidade. Para ele, “Berenguendéns e Balangandãs” funciona como um manifesto feminino.
“Percebi nesses dois anos que a comunidade da Maricá é uma comunidade feminina. Cada vez mais mulheres formam o corpo comunitário das escolas de samba. Quando você traz um enredo que é um manifesto feminista, que aponta para empoderamento, essa ideia de resistência e autonomia não só permeia o imaginário do componente, como faz parte da história particular dele. Quando uma escola se apropria do discurso do enredo, canta com mais pertencimento. E uma escola com pertencimento tem mais vontade e mais credenciais para fazer algo grande”, destacou.
O desenho do desfile
O desfile da União de Maricá será estruturado de forma narrativa e simbólica. A abertura apresenta as negras quitandeiras, mulheres fundamentais no Brasil colonial, responsáveis por gerar a renda que possibilitou o acúmulo de joias.

Na sequência, o enredo mergulha nos antecedentes do balangandã, passando pela influência das joias portuguesas, pela expertise dos negros malês na forja do metal e pela relação do artefato com Ogum, senhor da forja. Leandro também destaca a tradição africana de se cobrir de joias.
“Há relatos como o da rainha Nzinga de Matamba, que, ao vencer uma guerra, desfilou coberta de joias de ouro e latão”, lembrou.
O terceiro setor apresenta a individualidade de cada peça que compõe o balangandã: figa, estrutura metálica, dentes de animais e pingentes ligados aos orixás.
O encerramento exalta o empoderamento feminino.
“Mulheres pretas cobertas de joias, senhoras autônomas de sua própria história. Mulheres que compraram a própria alforria, que conquistaram a liberdade com as próprias mãos”, afirmou.
Samba como ferramenta de ressignificação
No samba-enredo, Leandro vê mais uma camada de discurso político e simbólico.
“O samba da Maricá conta o enredo de uma maneira muito inteligente”, avaliou.
Entre os versos, um ganha destaque especial.
“Se eu tivesse que destacar uma frase, seria ‘claro, tinha que ser preto’. Essa frase ressignifica uma expressão racista e a transforma em afirmação de pertencimento, de inteligência, de poder e de empoderamento. Ela subverte qualquer aspecto racista que essa expressão possa carregar”, explicou.
Conheça o desfile
A União de Maricá levará para a Marquês de Sapucaí um desfile composto por três alegorias, além do tripé da comissão de frente, e cerca de 1.600 componentes, organizados em setores que constroem uma narrativa de luxo, resistência e ancestralidade.
Em 2026, a escola transforma a joia em discurso, o brilho em memória e o corpo feminino negro no centro absoluto da cena. Na Avenida, “Berenguendéns e Balangandãs” reafirma que o Carnaval também é lugar de reescrever a história preta — agora com ouro, ostentação e pertencimento.
Série Barracões: Entre frevos, cores e reconstrução, a Inocentes de Belford Roxo ganha forma para o Carnaval 2026
A visita ao barracão da Inocentes de Belford Roxo revela mais do que carros alegóricos em fase final de acabamento. O que se vê é uma escola em processo de reconstrução, com equipes trabalhando em ritmo intenso e um discurso claro de renovação para o desfile de 2026. Com fantasias já prontas e a finalização das alegorias prevista para a próxima semana, a escola avança confiante na construção do enredo que levará à Marquês de Sapucaí.
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O tema escolhido para este ano nasce de um desejo antigo da agremiação e dialoga diretamente com a cultura nordestina. Segundo o diretor de carnaval, Julinho Fonseca, a escolha foi construída de forma coletiva e estratégica.

“O enredo já era uma vontade da escola de falar do Nordeste. O nosso presidente tem um pezinho na terra e veio essa ideia junto com o carnavalesco. Foi uma pesquisa do Gabriel Melo que juntou o útil ao agradável, a escola estava precisando falar de um enredo alegre, como a cultura de Pernambuco”, explicou.
Essa alegria se traduz de forma direta no que está sendo produzido dentro do barracão. As fantasias, já concluídas, seguem uma proposta clara de leveza, conforto e impacto visual, respeitando tanto a narrativa do enredo quanto o tempo regulamentar de desfile.
“Fantasias bem leves, como diz o enredo. O pagode russo é o frevo e tem tudo a ver com a cultura. Então, fantasias e chapéus super leves para a escola evoluir e sem nada monstruoso, até porque o grupo nem permite isso. Esse tempo que a gente passa na avenida, que são 55 minutos, tem que passar bem tranquilo. A meta é a escola flutuar na avenida”, afirmou Julinho.
Durante a pesquisa do enredo, alguns desafios surgiram, especialmente na tradução simbólica do chamado “pagode russo” para a linguagem do carnaval. Para o diretor, esse processo acabou fortalecendo o projeto visual do desfile.

“Tivemos alguns contratempos, que foi a questão do pagode russo, que a gente quer associar um pouco à canção. O foco é colocar isso dentro da avenida com as fantasias, a cronologia. Vocês vão ver o desfile e conseguir imaginar a música passando na frente de vocês. A fantasia acaba trazendo um pouco do que remete ao que é dito na música, alguns trechos da canção, nas alas ”, explicou.
O samba-enredo tem papel central nessa construção. A resposta positiva da comunidade e o rendimento nos ensaios técnicos reforçam a confiança da escola no caminho escolhido:
“O pagode russo e as alas estão ajudando muito no samba. Estamos sendo eleitos como um dos melhores sambas da Série Ouro, isso é bem bacana. Fizemos o ensaio técnico da Sapucaí no último final de semana e o samba funcionou muito, mesmo com muita chuva. A resposta foi muito boa. A comunidade está muito feliz com o samba e foi um acerto mesmo dos compositores. Eles entenderam a narrativa do enredo, a sinopse”, destacou.
Para Julinho, até às adversidades climáticas acabam fortalecendo o desempenho dos componentes.

“Falando de uma parte técnica, eu acho que a chuva deixa o componente mais forte, a gente passa pela avenida com mais vontade. É um desafio para todo mundo”, completou.
Quando questionado sobre o grande trunfo do desfile, o diretor aponta para um conjunto de fatores que envolvem estética, musicalidade e surpresa.
“O maior triunfo são as alegorias e as fantasias. Por mais que sejam leves, as fantasias são volumosas. A nossa equipe de ateliê teve muito cuidado de seguir o figurino na exatidão. Na comissão de frente, eu não posso falar muita coisa, mas a gente vai ter uma surpresa muito grande. O Lobato não está medindo esforços, tudo que ele está pedindo a gente está fechando e concordando. O presidente está muito feliz com a proposta da comissão. A bateria também se junta e tem uma surpresa bem bacana. A nossa parte musical está bem ótima”, afirmou.

No barracão, as alegorias já mostram movimento e intenção cênica clara. Julinho faz questão de reforçar o momento de virada vivido pela escola.
“As alegorias estão com bastante movimento e vocês podem esperar uma Inocentes renovada, uma Inocentes virada do que aconteceu. Eu procuro prezar muito por esquecer o que passou no carnaval passado. Eu não estava aqui, mas acompanhei a escola. Vamos apagar o que aconteceu em 25 e fazer uma renovação para 2026. Podem esperar uma Inocentes imponente, uma Inocentes a ser respeitada, querendo respeitar as outras, mas vamos passar bem”, declarou.
A Inocentes de Belford Roxo levará para a avenida 1.800 componentes.
Carnaval 2026: Prefeitura apresenta megaoperação integrada para receber mais de 8 milhões de foliões no Rio
A Prefeitura do Rio apresentou, nesta quinta-feira, no Centro de Operações Rio (COR), o plano operacional para o Carnaval 2026. A coletiva reuniu secretários municipais e dirigentes de órgãos estratégicos, que detalharam as ações integradas de saúde, segurança, mobilidade, limpeza urbana, assistência social, sustentabilidade e tecnologia para garantir o funcionamento do maior espetáculo popular do mundo.
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De acordo com a Riotur, a expectativa é de que mais de 8 milhões de foliões participem do Carnaval em toda a cidade, sendo cerca de 6,8 milhões nos blocos de rua. Somente nos espaços oficiais, como Sambódromo, Intendente Magalhães, Avenida Chile, Cinelândia e Terreirão do Samba, o público deve ultrapassar 1,5 milhão de pessoas, com impacto econômico estimado em R$ 5,7 bilhões e geração de mais de 50 mil empregos.
Cidade preparada para o Maior Show da Terra
O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, ressaltou a dimensão da festa e o preparo da cidade para receber cariocas e turistas.

“O Carnaval do Rio é o maior show da Terra. A cidade inteira está integrada e preparada para receber os foliões que já estão aqui e os que ainda vão chegar. Estamos falando de milhões de pessoas ocupando diferentes pontos da cidade, com uma programação extensa e organizada”.
Na Marquês de Sapucaí, a expectativa é de 500 mil pessoas, distribuídas entre os desfiles da Série Ouro, Grupo Especial, escolas mirins e o Desfile das Campeãs. Já na Intendente Magalhães, o público estimado é de 250 mil foliões, enquanto os circuitos da Avenida Chile e Cinelândia devem reunir mais de 700 mil pessoas ao longo da programação.

Ordenamento, segurança e atuação integrada
O secretário de Ordem Pública, Marcus Belchior, explicou que o Carnaval é também um grande teste operacional para a cidade.
“Os ensaios técnicos servem tanto para as escolas quanto para a operação da cidade. É um esforço enorme, com ajustes constantes, uso de tecnologia, atuação da Guarda Municipal e integração com o Centro de Operações para garantir segurança e ordenamento”.

Marcus citou que a operação contará com 950 agentes, 60 viaturas, drones e 81 pontos de bloqueio no entorno do Sambódromo, com recomendação expressa para que o público utilize o transporte público.
Trânsito com planejamento detalhado
O presidente da CET-Rio, Luiz Eduardo, destacou que o planejamento de trânsito foi construído com base na experiência dos anos anteriores.

“Nosso planejamento é muito parecido com o dos últimos carnavais, mas sempre com ajustes finos. Trabalhamos com bloqueios progressivos, logística dos carros alegóricos e atenção especial aos moradores e trabalhadores da região”.
Já a secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, reforçou a importância do uso do transporte coletivo.
“O Carnaval tem muitas interdições imprevisíveis por conta dos blocos. Por isso, reforçamos ônibus noturnos, BRT, metrô e VLT. O transporte público é a melhor opção para quem quer curtir a festa com segurança”.

Durante o período oficial do Carnaval, o metrô funcionará 24 horas, da sexta-feira até a Quarta-feira de Cinzas.

Saúde reforçada e orientações ao folião
O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, apresentou o esquema especial de atendimento médico no Sambódromo.
“Teremos postos médicos distribuídos ao longo da Sapucaí, ambulâncias, leitos e equipes completas para atender o público. Nossa atuação começa antes do evento, segue durante os desfiles e continua após o carnaval”.

Soranz também reforçou recomendações ao público: “É fundamental beber bastante água, manter a medicação de uso contínuo, moderar o consumo de álcool, usar roupas leves e calçados confortáveis. Pequenos cuidados fazem toda a diferença para aproveitar o Carnaval com saúde”.
Limpeza urbana antes, durante e depois da festa
O presidente da Comlurb, Renato Rodrigues, destacou o papel da limpeza urbana para o sucesso do Carnaval.
“Nosso compromisso é estar presente antes, durante e depois de cada evento. No Sambódromo, teremos limpeza interna e externa 24 horas por dia, com mais de 1.300 garis atuando”.
Segundo Renato, operações semelhantes serão realizadas na Intendente Magalhães, nos blocos e nos bailes populares espalhados pela cidade.
Conservação e prevenção contra chuvas
O secretário de Conservação, Diego Vaz, lembrou que o trabalho preventivo foi essencial para garantir desfiles mesmo sob chuva intensa.
“O resultado que vimos nos ensaios técnicos, com chuva forte e pista totalmente apta, é fruto de um trabalho intenso de prevenção, limpeza de galerias, rios e canais, além do recapeamento completo da Sapucaí”.
Diego acrescentou as melhorias estruturais, como os novos dutos do sistema de som e a aplicação de essências nas galerias para reduzir odores durante os desfiles.
Proteção social e cuidado com crianças
A secretária municipal de Assistência Social, Marta Rocha, enfatizou as ações de proteção a crianças e adolescentes.
“Dispersão não é diversão. Nossa atuação é preventiva, com identificação das crianças, busca ativa e acolhimento. O uso das pulseiras facilita muito a localização dos responsáveis”.
A delegada também destacou o espaço de convivência destinado aos filhos de ambulantes durante os dias de desfile, onde terão local para se divertir enquanto os pais buscam a renda na folia.
Enfrentamento à violência contra a mulher
A secretária municipal da Mulher, Mariana Xavier, apresentou a operação especial de acolhimento e conscientização.
“Estaremos presentes todos os dias de desfile com equipes especializadas, mobilizadoras e materiais informativos. Queremos que as mulheres saibam que não estão sozinhas e que podem pedir ajuda”.

A campanha inclui adesivação de banheiros, distribuição de materiais e divulgação da plataforma Mulher.Rio.
Sustentabilidade em foco
A secretária de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, destacou a ampliação do programa Folia Verde.
“O Carnaval também é um espaço para avançarmos na agenda ambiental. Triplicamos a coleta seletiva nos últimos anos e seguimos incentivando práticas sustentáveis, com certificação de blocos e escolas”.

Monitoramento em tempo real
Encerrando a coletiva, o chefe executivo do COR, Thiago Curvello, explicou o papel da tecnologia na operação.
“Nosso foco é o monitoramento em tempo real para garantir respostas rápidas. Teremos centenas de câmeras, drones e uma sala de situação dedicada exclusivamente ao Carnaval”.


Serie Barracões: Com imponência, Bangu celebrará vida e carreira de Leci Brandão
Se recuperando de um Carnaval conturbado em 2025, quando um incêndio atingiu o barracão e a escola desfilou como hors concours, o Bangu promete reescrever sua história em 2026. Com enredo forte, carros imponentes e samba na ponta da língua, a escola celebrará a vida da cantora e deputada Leci Brandão com o enredo “As Coisas Que Mamãe Me Ensinou”, idealizado pelos carnavalescos Lino Salles, Alexandre Costa e Marcos Du Val. Em visita do site CARNAVALESCO, Alexandre Costa detalha que a escolha do enredo nasce da força da figura de Leci Brandão.
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“Nós já tínhamos esse enredo guardado há bastante tempo. E quando veio a proposta da escola de fazer um enredo forte, um enredo que desse uma sacudida no Carnaval, nós propusemos Leci Brandão. A presidência e a diretoria abraçaram, amaram o enredo, e aí fomos atrás da autorização da Leci para poder fazer — e conseguimos. Ficamos muito felizes”, disse.
Ele ressalta, ainda, que o grande trunfo do desfile é a própria cantora, sambista consagrada, deputada e ícone de lutas políticas como o combate ao racismo, a causa LGBT e o empoderamento feminino, além de ter sido a primeira mulher a integrar a Ala de Compositores da Mangueira.
“Falar de Leci Brandão é complicado, porque ela é uma mulher que fez inúmeras coisas. Vamos tentar representar o máximo possível. A gente tentou pegar um pedacinho de cada momento da vida dela para levar para a avenida. E é Leci Brandão, né? Eu acho que trunfo melhor não tem”, afirmou o carnavalesco.

Além de tema que abrirá o desfile no primeiro setor da escola, Alexandre destaca a espiritualidade de Leci como uma das grandes descobertas sobre a vida da sambista. Presente em sua obra e em sua trajetória política, esse aspecto ganha destaque no enredo. O carnavalesco revela que um caboclo foi o grande responsável por uma reviravolta na vida da artista.
“Uma das curiosidades foi quando lemos a biografia e conversamos com a família dela. A Leci começou a fazer música e, do nada, parou. A vida dela meio que estacionou. Aí ela foi apresentada ao Caboclo das Ervas, e essa entidade deu uma reviravolta na vida dela. A partir daí, ela começou a fazer mais sucesso, deu a volta por cima. Foi uma grande descoberta, algo que eu não sabia e acho que a maioria das pessoas também não sabia. Depois disso, ela foi para Angola, começou a fazer sucesso e, quando voltou, passou a lançar uma série de músicas ligadas à religiosidade”, compartilhou.
O samba-enredo
O samba potente que embalará o desfile, composto por Dudu Nobre em parceria com outros renomados compositores do Carnaval, foi abraçado pela comunidade e recebeu a melhor chancela possível: a aprovação da própria homenageada. Para o carnavalesco, a obra foi a escolha ideal para contar a história.

“O samba-enredo encaixa certinho no nosso enredo. Ele conta exatamente essa história toda da Leci. Ficamos muito felizes, a comunidade gostou muito do samba, porque é um sambão, um sambasso. E a Leci também aprovou, gostou muito, está super feliz”, contou ao CARNAVALESCO.
Plástica do desfile
Trabalho e segredo imperam no barracão, no Caju, Centro do Rio. Cola, pó de gesso, equipes em movimento e cuidado extremo com cada detalhe das esculturas marcam o ambiente. A um mês do desfile na Sapucaí, o espaço está tomado por alegorias que se destacam pelas cores, pelo brilho e por esculturas expressivas, grandes e bem-acabadas.
Alexandre Costa revela que a escola virá com alegorias maiores do que nos anos anteriores e que o abre-alas terá 23 metros de comprimento. O carro trará os pais espirituais de Leci, Ogum e Iansã, além de uma alusão aos pais carnais da artista, baseada em uma foto inédita cedida pela família. A infância, a juventude e a vida adulta da homenageada serão representadas em esculturas distribuídas pelas três alegorias que a escola levará à avenida. O carnavalesco também destaca que as alegorias e fantasias terão leitura fácil para o público.
“Eu, Lino e Marcos temos uma marca: achamos que o público precisa entender o nosso trabalho, a mensagem que queremos passar. Sempre tentamos traduzir na fantasia aquilo que queremos comunicar. As fantasias são, ao meu ver, de fácil leitura. A pessoa vai olhar e pensar: ‘essa é tal música’, ‘isso está falando de tal assunto’. A gente busca essa leitura direta. Além disso, são fantasias leves. A comunidade adorou. Mostramos protótipos, e eles amaram. Estão bem felizes”, explicou.
Conheça o desfile
Sambista que deu voz à icônica canção Zé do Caroço, deputada há 20 anos em São Paulo, primeira mulher a integrar a Ala de Compositores da Mangueira, pioneira da causa LGBT — sendo a primeira artista da MPB a se declarar lésbica publicamente nos anos 1970 — e filha de Ogum e Iansã, Leci Brandão tem um legado múltiplo a ser celebrado. Para contar essa trajetória, o Bangu levará à avenida cerca de 2.000 componentes, distribuídos em 19 alas e 3 alegorias.

Setor 1
“Nós começamos com o nascimento e a espiritualidade de Leci. Na comissão de frente, traremos a parte musical da artista, com trechos da coreografia que vem sendo apresentada nos ensaios, além de um tripé com o qual os bailarinos interagirão durante a apresentação”.

Setor 2
“No segundo setor, entramos mais profundamente na parte musical. Tramos músicas como Me Anarquiza, Mas Não Me Esquece. Também abordamos as inspirações melancólicas, já que ela conta que muitas vezes se inspirava em sua vida amorosa para compor. Essa dimensão afetiva estará presente. E Zé do Caroço, claro, não pode faltar. Escolhemos a dedo uma ala para representá-la”.

Setor 3
“No terceiro setor, fechamos com a parte política. Vamos trazer as causas mais fortes que ela defende: a causa LGBT, o combate ao racismo, as causas indígenas e femininas. Tentaremos representar da melhor forma possível essas lutas que ela abraça. Também convidamos algumas pessoas especiais que fizeram parte da trajetória dela”.
Série Barracões: União da Ilha aposta em criatividade e experiência sensorial no Carnaval 2026
A União da Ilha do Governador segue em ritmo acelerado em seu barracão, com trabalhos a todo vapor para o Carnaval 2026. O site Carnavalesco pôde acompanhar de perto a produção das alegorias, já em fase de finalização, e é possível perceber que a escola prepara surpresas visuais marcantes nos carros alegóricos. As fantasias estão prontas, e a comissão de frente promete chamar atenção pela beleza e pelo impacto estético. No galpão, o clima é de entrega total: equipes trabalham simultaneamente, enquanto o carnavalesco Marcus Ferreira acompanha cada detalhe, literalmente com a mão na massa, orientando, ajudando e ajustando o andamento da produção.
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À frente do projeto pelo segundo ano consecutivo, Marcus Ferreira aposta em um enredo que dialoga diretamente com a identidade histórica da escola: o espírito viajante, lúdico e imaginativo da Ilha. O desfile de 2026 terá como fio condutor a passagem do cometa Halley pelo Rio de Janeiro, em 1910, recortando as reações humanas, emocionais e culturais da cidade naquele momento.

Ao falar sobre a origem da ideia, Marcus revela que o enredo nasceu de um desejo antigo, guardado ao longo de sua trajetória no Carnaval:
“Todo artista tem ideias guardadas. Eu tenho a felicidade, na minha trajetória no Carnaval, de sempre buscar algo inédito, temas que dialoguem com a nossa relação com a vida, porque o Carnaval move muito os sentimentos de todos nós. O Halley já estava guardado há um tempo. Quando fiz o Caju, na Mocidade Independente de Padre Miguel, foi um marco na minha carreira, mesmo sem a colocação que imaginávamos. Foi inesquecível. Ali, eu guardei essa ideia”.
Segundo o carnavalesco, o convite para retornar à União da Ilha reacendeu essa proposta, que acabou sendo escolhida de forma coletiva pela escola, um processo pouco comum, mas que fortaleceu o vínculo com a comunidade:
“Esse ano foi diferente. Levei três ideias para a escola e deixamos a escola escolher. Nunca tinha passado por isso. Nada é mais justo do que a escola sentir esse acolhimento de escolha. E foi unânime. Todos disseram: é o Halley. A gente quer reviver essa Ilha lunática, viajante”.
O desfile será construído como uma experiência sensorial, ambientada no início do século XX, quando a ciência ainda não tinha respostas claras sobre o universo, e a passagem do cometa gerou medo, religiosidade, festa e esperança no Rio de Janeiro:
“O desfile da Ilha é sensorial. São as reações humanas cariocas de 1910 diante da passagem do cometa. O Rio transforma a dor em alegria, o medo em esperança. É uma festa fora de época, uma entrega à religiosidade, ao amor, às serenatas ao luar, à batucada”.

Marcus destaca que o samba funciona como um verdadeiro diário da passagem do cometa pela cidade:
“O samba é um grande diário desse Rio de Janeiro visto através do Halley. É o cometa olhando as reações cariocas. As pessoas ouvem o samba e falam: ‘Caramba, é o cometa contando essa história’”.
Visualmente, o desfile aposta em fantasias grandiosas, porém leves, explorando cores vibrantes e mantendo a fluidez do corpo do componente na avenida:
“As fantasias estão leves. Muito coloridas, vermelho, azul e branco, mas com muito colorido. São fantasias grandes, mas leves. Eu não gosto de cangalhas pesadas. O adereço de mão é leve, para passar a mensagem do enredo com alegria e positividade”.
Entre os grandes trunfos do desfile, o carnavalesco adianta uma abertura impactante, a presença humanizada do cometa e surpresas nas alas tradicionais:

“A comissão de frente já começa muito impactante. O cometa vem logo na abertura, rompendo esse clamor de pavor. Eu humanizei o cometa. As baianas vêm com algo tradicional, mas com uma novidade que ninguém nunca fez. Tem religiosidade, entrega”.
O encerramento promete ser um dos momentos mais emocionantes, com crianças fechando o desfile e simbolizando o futuro:
“As crianças fecham o desfile. Elas são o nosso amanhã. No ensaio técnico, eu vi crianças chorando de emoção, algo que eu nunca vivi na minha carreira. Foi muito tocante”.
Com três alegorias, dois carros alegóricos, cerca de 1.300 componentes e fantasias prontas, a União da Ilha entra na reta final confiante:

“É um Carnaval maior, mais grandioso, mais imponente. Os carros estão maiores. Estamos cuidando de tudo para chegar tranquilos à concentração. A Ilha quer ser feliz. A Ilha quer ser grandiosa”.
No barracão, cada detalhe reforça essa intenção: um Carnaval colorido, imaginativo e emocionalmente conectado à essência da escola, que promete levar para a avenida um espetáculo onde ciência, fantasia e sentimento caminham juntos.
Incêndio atinge quadra da Unidos do Jacarezinho e destrói fantasias de 12 alas às vésperas do desfile
A Unidos do Jacarezinho voltou a enfrentar momentos de tensão na madrugada desta quinta-feira. Quatro meses após o incêndio que atingiu o barracão de alegorias e adereços da escola, na Via Binário do Porto, no bairro do Santo Cristo, a quadra de ensaios da agremiação, localizada na Avenida Dom Hélder Câmara, foi novamente acometida por um incêndio.
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De acordo com nota oficial emitida pela escola, o fogo teve início durante a madrugada e foi controlado por integrantes da própria agremiação, moradores da região e pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro por volta das 3h20. Felizmente, não houve feridos.
As chamas atingiram três salas que serviam como espaço de armazenamento das fantasias que estavam sob responsabilidade do ateliê e que começariam a ser entregues aos desfilantes nesta sexta-feira (6). Ao todo, foram perdidas fantasias de 12 alas, além de adereços. As causas do incêndio ainda são desconhecidas, e todos os órgãos competentes já foram acionados para a realização da perícia.
A equipe técnica do Corpo de Bombeiros, da Unidade de Benfica, isolou a área devido ao risco de desabamento e à sobrecarga da fiação elétrica, apontada como uma possível causa do incidente.
O episódio acontece em um momento delicado para a escola, que será a primeira a desfilar na sexta-feira, dia 13, pela Série Ouro, marcando seu retorno à Marquês de Sapucaí após doze anos. Em meio às dificuldades, a Unidos do Jacarezinho agradeceu o apoio e a solidariedade recebidos dos moradores da região, do presidente Hugo Junior e dos dirigentes da Liga RJ, que estiveram no local prestando auxílio.
Nota oficial na íntegra
“É com pesar que a Unidos do Jacarezinho confirma, através desta nota oficial, que quatro meses após o incêndio ocorrido em seu barracão de alegorias e adereços, situado na Via Binário do Porto, no bairro do Santo Cristo, Zona Portuária do Rio, a sua quadra de ensaios, situada na Avenida Dom Hélder Câmara, foi acometida por um incêndio na madrugada desta quinta-feira, controlado por integrantes da escola, moradores e pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro por volta das 3h20 da manhã.
Não houve feridos. Três salas que serviam de armazenamento das fantasias recebidas pelo ateliê para início da entrega aos desfilantes nesta sexta-feira (6) foram atingidas, totalizando 12 alas perdidas e adereços. Ainda não há informações sobre as causas do incêndio. Todos os órgãos foram acionados para início da perícia. A equipe técnica do Corpo de Bombeiros – Unidade Benfica isolou a área por risco de desabamento e sobrecarga dos fios, possível causa do incêndio.
A escola será a primeira a desfilar na sexta-feira, 13, neste carnaval, quando retornará à Marquês de Sapucaí pela Série Ouro após doze anos. A agremiação agradece ao apoio e solidariedade recebidos dos moradores, do presidente Hugo Junior e dos dirigentes da Liga RJ que se fizeram presentes no local prestando toda a ajuda necessária”.
Série Barracões: Estácio de Sá une memória, resistência e fé em um desfile potente para 2026
Quem passa pelo entorno do barracão da Estácio de Sá já percebe que algo grande está sendo construído para o Carnaval 2026. Mesmo para quem observa de fora, os carros alegóricos chamam atenção pela imponência, pelo colorido intenso e pelo impacto visual. As alegorias já estão prontas, em fase final de acabamento, recebendo detalhes de pintura e ajustes finais. Dentro do galpão, o cenário confirma a expectativa: carros irradiantes, volumosos e cheios de textura, que despertam curiosidade até de quem não consegue ver tudo por completo.
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A escola aposta em um desfile denso, forte e cheio de camadas simbólicas para contar a história de Tata Tancredo da Silva Pinto, figura central na formação do carnaval carioca, da umbanda africanizada e da cultura negra no Brasil. À frente do projeto está o carnavalesco Marcus Paulo, que assina seu terceiro carnaval na Estácio e conduz o enredo com rigor acadêmico, sensibilidade artística e compromisso político.

Ao explicar como nasceu a ideia do enredo, Marcus deixa claro que a escolha é fruto de uma trajetória pessoal e intelectual profundamente conectada ao personagem homenageado:
“A ideia do enredo é uma vontade minha. O Tata Tancredo é muito conhecido na academia. Eu faço doutorado sobre a história do povo preto, sempre pesquisando carnaval e cultura afro-diaspórica. Então eu sempre tive muito contato com a história dele. Na academia, ele é celebrado, há dissertações, mestrados e artigos sobre ele”.
Além do reconhecimento acadêmico, o carnavalesco destaca a relação viva que a comunidade do Estácio mantém com Tata Tancredo.
“Aqui no Morro de São Carlos, eles falam do Tata Tancredo como se ele ainda estivesse vivo. Não falam como alguém que morreu. Parece um espírito que está sempre próximo. No início isso me causou estranheza, depois eu me acostumei. Hoje eu também acho que ele está aqui”.

Visualmente, o desfile foge da leveza predominante em outras escolas e assume um corpo mais robusto, em sintonia com a grandiosidade da trajetória do homenageado:
“É um carnaval muito volumoso. As pessoas estão muito vestidas. Tata Tancredo tem uma história muito robusta para contar. Ele escreveu mais de 30 livros, mais de 60 músicas, fundou a primeira liga de escolas de samba, fundou um bando, criou festas que marcaram o Rio de Janeiro. Isso pede volume, textura e cor”.
Durante a pesquisa, Marcus se surpreendeu com a dimensão da produção intelectual e cultural de Tata Tancredo e, principalmente, com o apagamento histórico de sua obra:
“Foi chocante perceber o quanto ele produziu e como há pouco registro disso. Um homem preto, macumbeiro, vindo do Morro de São Carlos, que escreveu tanto, compôs tanto, foi colunista durante 21 anos e quase não aparece nos registros oficiais. Isso diz muito sobre o apagamento da cultura preta”.

O samba-enredo surge como peça central para traduzir essa narrativa de resistência, fé e africanidade:
“A caneta caiu em pé. O samba traz a essência dele como religioso, como umbandista que lutou para reafirmar a africanidade dentro da umbanda. Ele viveu numa época em que havia um projeto institucional de embranquecimento da população e da cultura. Ele lutou contra isso. E o samba está passando tudo isso”.
Um dos grandes trunfos do desfile, segundo o carnavalesco, está na concepção integrada da abertura, rompendo com a ideia de uma comissão de frente isolada do restante do cortejo:
“Este ano eu fiz de tudo para que a comissão de frente faça parte do desfile. Toda a abertura, comissão, primeiro casal, primeira ala e abre-alas, tem a mesma leitura. Não é um espetáculo à parte. Quem assistir vai ver que tudo está interligado”.
Com cerca de 2.600 componentes, três alegorias e um elemento cenográfico na comissão de frente, a Estácio aposta na força de sua comunidade, que literalmente “desce o morro” para ocupar a avenida:
“A Estácio joga em casa. O Morro de São Carlos desce inteiro. A escola é grande; o desafio aqui não é colocar gente, é segurar o tempo”.
O desfile se desenvolve em setores que acompanham a vida de Tata Tancredo desde a infância em Cantagalo, passando pela chegada ao Morro de São Carlos, a fundação da primeira escola de samba, a atuação como compositor, escritor e líder religioso, até chegar ao ápice espiritual do enredo.
O encerramento promete ser um dos momentos mais marcantes da Sapucaí, com uma grande alegoria que representa o Xirê, concebida como uma instalação artística:
“Essa alegoria é o céu dos Orixás. Não aquele céu com nuvens e anjinhos. É uma encruzilhada de espíritos, um trânsito entre Orun e o mundo material. Ela tem o símbolo do infinito, porque, para a nossa religião, não existe fim. Tudo continua”.
No barracão, cada detalhe reforça a proposta de um carnaval que não busca apenas impacto visual, mas também reflexão, memória e afirmação cultural. A Estácio de Sá prepara um desfile forte, volumoso e profundamente conectado à sua origem, um cortejo que transforma história, religiosidade e resistência preta em espetáculo na avenida.
Barracões: Fugindo do estigma, Botafogo Samba Clube aposta no colorido de Burle Marx
Escolas de samba ligadas ao mundo do futebol são novidade na Sapucaí. O Botafogo Samba Clube é o primeiro dessa linha a desfilar no Grupo Ouro e encara o segundo ano na disputa por uma vaga no Grupo Especial. Para o Carnaval 2026, a ideia é quebrar o estigma e se afastar dos enredos futebolísticos ao celebrar as obras do paisagista Roberto Burle Marx.
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O enredo “O Brasil que Floresce em Arte” foi idealizado pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres, que contaram ao CARNAVALESCO que a proposta alegre e colorida já existia antes mesmo da chegada à agremiação.
“A gente tem esse enredo há algum tempo, mas ainda não tinha tido a oportunidade de colocá-lo em uma escola. Fomos chamados para o Botafogo Samba Clube e, quando entramos, criamos uma proposta bem colorida, bem alegre, bem diferente do que foi apresentado no último carnaval, porque queríamos desvincular a escola de samba do futebol. A primeira proposta que apresentamos para a escola foi justamente o enredo sobre Burle Marx. Eles aceitaram, gostaram da ideia, e a intenção foi essa: trazer um enredo bem colorido, bem diferente do último carnaval”, afirmou Alexandre.
“Na verdade, o diferencial do enredo é justamente a valorização da flora, a relação do Burle Marx com o legado que ele deixou, que é o Sítio Roberto Burle Marx. E é justamente esse colorido que faz todo o diferencial para esse desfile”, completou Raphael.
Os carnavalescos garantem que a preto e branco do Engenho de Dentro virá imponente, com esculturas bem articuladas, apontadas como o grande destaque do desfile:
“O grande trunfo é uma escola imponente, com bastante movimento nas alegorias. É o colorido. Então, todos esses pontos que estamos conversando, esse conjunto, é o diferencial que vai impactar na avenida”, disse o carnavalesco.
Plástica e fantasias
O carnaval do Botafogo Samba Clube nasce aos pés da Praça da Apoteose. No galpão, folhagens, flores e brilho ganham vida para representar as paisagens históricas de Burle Marx.
As alegorias já se mostram imponentes, mesmo ainda em montagem, já que o pé-direito baixo do galpão não permite os toques finais nas esculturas que serão adicionadas. Ainda assim, dão um gostinho do que será apresentado no segundo dia de desfiles do Grupo Ouro, em 14 de fevereiro. Segundo a dupla de carnavalescos, o desfile será leve e de fácil leitura para o público.

“O carnaval do Botafogo Samba Clube terá leitura direta. Você vai entender nitidamente quando a escola entrar na avenida. Vai saber o que é a ala do pintor, a ala das bromélias e assim sucessivamente”, explicou Raphael.
“As fantasias e alegorias casam com o samba para dar compreensão ao enredo. Haverá uma leitura bem fácil para todas as pessoas que estiverem assistindo”, disse Alexandre.
“O desfile é um teatro de arena. Você precisa entender a narrativa do enredo. Pega aquele glossário, começa a entender e reconhece uma ala dos Pampas, ala dos Pintores… Você vai abrindo a mente. É uma aula de história”, acrescentou Raphael.
Samba-enredo
O samba que será entoado na avenida foi encomendado de forma estratégica para contar essa história. A obra é assinada por Diego Nicolau, Samir Trindade, Marcelo Adnet, Fabrício Senna, Binho Simões, Maurício da Pizzaria, Gabriel Machado, Gilsinho da Vila, Rodrigo Escócia, Cláudio Emiliano, Edu Botafogo, Liane Harmonia, Denis Moraes, Tange Botafogo, Juca, Laura Romero, Piter Fogoró, Pinóquio do Cavaco e Jefferson Oliveira.

Para os carnavalescos, a escolha foi perfeita para dialogar com a plástica apresentada:
“O samba está bem amarrado para contar a história do Roberto Burle Marx, e justamente a plástica junto com o samba faz a gente ter um entendimento de tudo que será apresentado”, afirmou Alexandre.
Entenda o desfile
Burle Marx foi um artista multilinguagem: paisagista, artista plástico, pintor e designer. Foi responsável por introduzir o paisagismo modernista no Brasil, além de produzir jardins com plantas nativas, valorizando a flora nacional e a diversidade da vegetação tropical.
Autor de mais de 3 mil jardins pelo mundo, tem entre suas obras mais conhecidas o Calçadão de Copacabana, os jardins do MAM (RJ), o Parque Ibirapuera (SP) e o Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro — Patrimônio Mundial da UNESCO e tombado pelo IPHAN como patrimônio nacional.
Seu legado será retratado por meio de 3 alegorias, 20 alas e 2.500 componentes.
Setor 1
“No primeiro setor, vamos abordar o abstrato de Burle Marx, já entrando no modernismo. O abre-alas é um jardim do imaginário dele — uma alusão ao abstrato e ao modernismo, movimento por meio do qual ele começou a desenvolver esses jardins.
A comissão de frente não terá nada a ver com o que foi apresentado no ensaio técnico é uma surpresa. Também haverá um elemento cenográfico que vai impactar bastante”.

Setor 2
“O segundo setor marca a entrada no modernismo. A segunda alegoria representa as expedições que ele fez pelos biomas. Nesse setor também haverá uma ala dedicada ao Calçadão de Copacabana, uma de suas obras mais famosas”.
Setor 3
“O último setor destaca o legado de Roberto Burle Marx, que é o Sítio Roberto Burle Marx, Patrimônio Mundial da Humanidade. A terceira alegoria representa o sítio, com esse destaque na parte frontal do carro”.

