Compositores: Tuaregue, Celso Reis e Mauro Francisco Ferreira
MANGUEIRA…
VEM GLOBALIZAR SUA AQUARELA
NESSE CARNAVAL É ALCIONE
DESLUMBRANDO A PASSARELA
VINDA DE SÃO LUIZ DO MARANHÃO
A MAIOR ESTRELA DA NOSSA CANÇÃO
DIVINA HERDEIRA DOS ACORDES MUSICAIS
PRA ENSINAR SEUS IDEAIS
COM MUITA FÉ, HARMONIA E MUITO AMOR
O SONHO SE REALIZOU
A MARROM É UMA LOBA
CHEIA DE MUSICALIDADE
E UM SHOW DE SOM
DE ALTA FIDELIDADE
NESSE CENÁRIO ILUMINADO
O MOMENTO NOS LEVA
A RECORDAR O PASSADO E O PRESENTE
DESSA CANTORA POPULAR
O FUTURO SE FAZ SEMEANDO, UM AMANHÃ DE PAZ
TRILHOU UM CAMINHO PROMISSOR
CANTOU CLÁSSICOS DO JAZZ, OBRAS DE GRANDE VALOR
MATRACAS MATRAQUEIROS, VAMOS ENCANTAR MARACANÃ
O BOI FESTEIRO, NO RIO ANTIGO DE JANEIRO
TAMBOR DE CRIOULA É SENSAÇÃO
MULHERES, DANÇANDO DE PÉS NO CHÃO
É ARTE É MAGIA É TRADIÇÃO
MANGUEIRA MORA NO MEU CORAÇÃO
VEM NO TOQUE DA MANGUEIRA
A VOZ NEGRA DA MINHA VERDE E ROSA
ESTAÇÃO PRIMEIRA É MARAVILHOSA!!!
Compositores: Celso Tropical, Joel Vieira, Declar Sodreé, Jorginho Bonsucesso, Samuel Rachid e Teo Dimeriti
Intérprete: Declar Sodreé
Participação: Fernando Brandão e Bembeco
MANGUEIRA E SÃO LUIZ DO MARANHÃO
DENTRO DO MEU CORAÇÃO
FÉ, ESPERANÇA E HARMONIA
SOU A HERDEIRA DE UM SONHO PATERNAL
VEIA MUSICAL, SOPRANDO POESIAS
AQUARELA, TÃO SINGELA IMPONÊNCIA CULTURAL
BUMBA MEU BOI, DE CAZUMBÁ E LADAINHAS
NO REISADO O CORTEJO DA FOLIA
EM MANGUEIRA, MINHA BANDEIRA
MINHA HISTÓRIA VOU CONTAR
DANÇADO A COICE E PÉ NO CHÃO
TAMBOR DE CRIOULA, SÃO BENEDITO EM LOUVAÇÃO
NO RIO QUE MORA NO MAR
GRANDE CHANCE, REALIDADE
GANHEI O MUNDO, CANTANDO ENCANTEI, DOCE VIAGEM
VOZ MARCANTE NA INTERPRETAÇÃO
SENTIMENTO RETRATADO NA EXPRESSÃO
ECOA UM CANTO DE BRASILIDADE
NO PUNHO CERRADO ANCESTRALIDADE
E O HOJE BEIJANDO O AMANHA
UM PROJETO QUE HASTEIA A BANDEIRA
NA MINHA ESTAÇÃO PRIMEIRA
VEM NO TOM DA MARROM
A VOZ NEGRA EM VERSO E PROSA
VAI MEU ALERTA GERAL
NÃO DEIXE O SAMBA MORRER
‘ÁLCIONE’ VERDE E ROSA
Compositores: Rodrigo Pinho, Cacá Nascimento, Bruno Souza, Enzo Belmonte, Mama e Felipe Filósofo
Intérpretes: Cacá Nascimento e Nêgo
PAI…
ENTREGO, CONFIO, ACEITO E AGRADEÇO
ÀS RAÍZES QUE ME CONSAGROU
E GUIOU…
FORTALECENDO MINHA FÉ EM TODAS AS FORÇAS DO BEM
COLHIDAS, DO CAJUEIRO ATÉ VOCÊ, MANGUEIRA
E HOJE NÃO HÁ OUTRA MANEIRA
EM TE DIZER QUE NÃO ME ENCANTO POR MAIS NINGUÉM
AS LÁGRIMAS CORTEJAM AUTONOMIA
QUE MESMO UM CORAÇÃO DE PORCELANA
CLAMA EM OUVIR O SEU TAMBOR
Ê Ê CANTADOR
VALHEI-ME SÃO BENEDITO
VEM COROAR MEUS DELÍRIOS DE AMOR
Ê Ê CAZUMBÁ
VALHEI-ME SÃO MARÇAL
OUÇO MARANHÃO NESSE BRINCANTE CARNAVAL
O MEU OLHAR MARROM
EM TRAVESSIAS DE UM RIO ANTIGO
AMANTE DA NOITE EM CADA ESQUINA
ENSINA ESSA TAL LIBERDADE NEGRA DE CANTAR
Ó ÉBANO VERDE, NOSSO NOME RESISTÊNCIA
SOU LOBA QUE VIRA A CABEÇA NA CADÊNCIA
EU NÃO DOMINO ESSA PAIXÃO
Ó ÉBANO ROSA, O MUNDO É DE NÓS DOIS
TE DOU MINHA PALAVRA DE MULHER
POR ONDE EU ESTIVER, SEREI SEMENTE DO AMANHÃ
SEMPRE SUA VOZ GUARDIÃ
MANGUEIRA,
EU TE PROCURO PELAS MADRUGADAS
NAS EVIDÊNCIAS DE SUAS BATUCADAS
MEU VÍCIO É VOCÊ!
MANGUEIRA,
ASSIM O SAMBA ME FAZ
NÃO DÁ MAIS PRA SEGURAR
ESSA FEBRE DE TE AMAR!
Compositores: Thiago Meiners, Beto Savanna, Indio da Mangueira, Michel Pedroza, Wilson Mineiro e Julio Alves
Intérprete: Pitty de Menezes
Botei meu laguidibá no pescoço
Preta luz da inspiração
Quem abençoa guarda prece de benzer
Pra cantar sobre você, entidade da canção
Quem abençoa é o velho cajueiro
Oh! Entidade da Primeira Estação
A voz forte e grave que não falha
Instrumento de batalha
Em seu timbre, em seu tom
A mesma voz, corta os ventos de Oyá
É ponto de ladainha, é reza pra todo altar
Nazareth dos azulejos de São Luís
Da igrejinha à matriz, a sua fé
Tambor de Mina, o encanto do meu Cazumbá
Roda a saia menina pro bumba meu boi festejar
Negra cor da liberdade
Nos quilombos da cidade sob os solos de piston
Brilha e o sonho reverbera
Muda toda atmosfera, ser rainha é seu dom
Um canto maroto, estranha loucura
Meu ébano, a cura pro vício do amor
A força da mulher na voz dos brasis se eternizou
Mas tente entender, desço o morro pra dizer
Que a esperança está no surdo de primeira
Ao sambista mais novo um pedido final
Cuide das crianças de Mangueira
Onde o samba é devoção, nasci pra te defender
Quem veste verde e rosa é sentinela de Erê
Não deixo o samba morrer, defendo minha bandeira
Eu sou Mangueira, poesia guardiã
Lá no morro, a melodia dá o tom
Alcione é marrom, negra voz do amanhã
Compositores: Chacal do Sax, Alexandre Naval, Myngal, Alexandre Rivero, Clay Ridolfi, Felipe Mussili
Nasce uma estrela brilhante em cada anoitecer
Embalada em notas musicais
No meu afã, eu sou a fé e a raiz de um bem querer
Seguindo a melodia dos meus pais
Eu sou de Xangô, filha de Iansã, firma no tambor, cheguei no terreiro
Eh meu Maranhão, terra do bumbá, salve o “Ribamar”, fiel padroeiro,
Tem festa e saudação, matracas também, pandeiros!
O som faz tremer o chão
Em noite de São João
DE SAIA RODADA, GINGO A NOITE INTEIRA
BEM MALANDREADA, MULHER BRASILEIRA
O MEU PISTON DÁ O TOM
O SOM TRADUZ A CANÇÃO
MUITO PRAZER, “MARROM”
Preta, voz na madrugada
Sou loba na pele, a empoderada
Meu vício é cantar por esse país
De tantas verdades, de tantos Brasis!
Meu canto hoje te consola e o surdo te faz sambar
É verde essa ”entidade”! Oh rosa ”pra que chorar”
Subo o morro lá do alto, vejo a Estação Primeira
De primeira teu amor, fez de mim tua bandeira
Não sou qualquer uma, eu sou tua fã
Passado e presente, a voz do amanhã (sou eu)
MANGUEIRA O MEU CORAÇÃO SEMPRE TEU
A RESISTÊNCIA DO SAMBA SOU EU
NÃO LEVE A MAL O SHOW COMEÇA AGORA
EU VOU A PAZ DE DEUS NOSSA SENHORA
Compositores: William Carpete, Alex Magno, Rafael dos Santos e Flavinho Bento
NO AFÃ
DE LEVAR AO MUNDO A SUA ARTE
À SOMBRA DE UM VELHO CAJUEIRO
DESPERTOU PAIXÃO MENINA
SERIA SINA OU PARADEIRO?
MERGULHADA EM PRECES E PROCISSÕES
SE ENCANTOU COM OS PANDEIRÕES
OH NAZARETH ÉS BANHADA DE AXÉ
NUNCA FOI SORTE SEMPRE FOI FÉ
HERANÇA ANCESTRAL E PROTEÇÃO
E QUEM TE GUIA
TRÁS JUSTIÇA EM SUAS MÃOS
QUEM INDA NÃO VIU VEM VER, VEM VER
A MARACA FAZ TREMER
TAMBOR DE CRIOULA VEM DO MARANHÃO
É CANTO PRETO É BENEDITO É PÉ NO CHÃO
VIVA SÃO PEDRO, SÃO MARÇAL E SÃO JOÃO
QUEM FOI QUE NUM RIO ANTIGO
TRAZENDO SEUS SONHOS DESEMBARCOU
QUE TEVE SUA GRANDE CHANCE
E NO TEMPO DE DEUS, ENTÃO DESPONTOU
NA GINGA NO SWING E NO BLUES…
“SOUL” PRETO DE OLHOS AZUIS
ALCIONE ESTRELA TEM NOME
E A LOBA FAZ JUS
TIÊ
NÃO DEIXE O SAMBA MORRER
PRA QUÊ CHORAR
NÃO DEIXE O SAMBA ACABAR
UM GOSTOSO VENENO DE ENLOUQUECER
MANGUEIRA MEU VÍCIO É VOCÊ
A NEGRA VOZ DO AMANHÃ
VEM DA ESTAÇÃO PRIMEIRA
EM NOTAS VERDE E ROSA DE UM PISTON
EU SOU MARROM EU SOU MANGUEIRA
Compositores: Nunu da Mangueira, Paulista, Jorge Fernandes e Wilson Paulino
Na Sombra de um velho cajueiro
Foi ao som do candongueiro
E entre solos de pistões
Que nasceu paixão menina
De João Carlos e Felipa de São Luiz do Maranhão
Iansã vento soprou, Xangô seus passos guiou
Por tambores e matracas desde cedo se encantou
Ladainhas de reisado é dia de festejar
Tem folias de fofão, herança, cultura popular
Em louvor a São Pedro, a São João
São Marçal traz proteção
Aprendeu que fé vai além da religião
Quem…. “inda” não viu, tambor de Crioula do Maranhão?
Rodam saias em cortejo, canto forte, canto preto
Pés descalços, pés no chão
Num rio antigo desembarcou…..sonho canção
Noites e baladas encontrou o tom no coração
Marrom que nunca se desbota, hoje é cor da nossa escola Diva do nosso pavilhão
“Na Ginga do Amor”, “Estranha Loucura”, “Coração Brasileiro”
“Surdo” e “Pandeiro”, “Meu Vício é Você”, “Gostoso Veneno”
Pra toda uma nação que luta
Faça sol ou chuva
Pra vida melhorar
E ensina que só vale a pena o Samba
Se o anel de bamba
Tiver quem mereça usar
Eu sou Mangueira
E quem me conhece sabe
Sou verde rosa, sou Estação Primeira
Esperança que norteia
“A Voz Negra do Amanhã”
Compositores: Kátia Rodrigues, Fernando Godói, Bruno Pelé, Well Pereira e Cacá Camargo
Intérpretes: Wander Pires e Vander Filho
Mangueira, lembro de ver seu amanhã
No pé de um velho cajueiro
Predestinada de magia
No tambor crioula, terreiros que “encantaria”
Um canto forte do norte ecoou
Embalado no Afreketê!
A arte como um dom no tom Marrom
Que o Pai lhe deu
A voz da emoção emana o som
Obrigado, meu Deus!
Tem Boi Bumbá e São João
Em São Luiz do Maranhão
Sua gente, seu tesouro, seu torrão
Santo Rosário e Patuá
Na devoção de Nazareth
Nada além do que o amor
No coração de quem tem fé
Santo Rosário e Patuá
Imaculada Conceição
E a justiça de Xangô
Pra quem tem fé no coração
Com o surdo e o pandeiro
No antigo Rio de Janeiro,
“De corpo e alma a uma paixão” se entregou
No verde e rosa seu grande amor
Em ti, o futuro é ancestralidade
Os Ébanos encontram igualdade
Como em seus sonhos desejou
Venham ouvir, filhos fiéis
No Morro, a negra voz
Que faz sambistas, passistas, rainhas Desabrocharem de dentro de nós
Nas graças de Deus seguiremos cantando
Com a virgem Maria e o Espírito Santo
Te juro, Marrom, por nossa bandeira
Que o samba jamais morrerá em Mangueira
O Centro Cultural Djalma Sabiá, localizado no Andaraí, em frente à quadra do Acadêmicos do Salgueiro, recebe neste mês a exposição “Mestre Louro – O Maestro Autodidata”. A mostra reúne fotos, troféus, documentos, registros de jornais, moções e diplomas de Lourival de Souza Serra, ou simplesmente Louro, considerado um dos mais respeitados e conceituados mestres de bateria do carnaval carioca. O responsável pela curadoria, Pedro Nobre, conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e relatou como surgiu a ideia do projeto.
Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO
“Há uns dois anos, mais ou menos, eu recebi todo o legado de um dos salgueirenses mais importantes da história que foi o Djalma Sabiá, nosso presidente de honra. Um sambista marcante, autor do primeiro samba-enredo gravado no Brasil e do primeiro samba-enredo com temática africana. O Djalma Sabiá era a memória viva do dos Acadêmicos do Salgueiro. Tive o orgulho de ele, antes de morrer, me entregar todo o legado dele, me confiar esse tesouro. Isso aí, para mim, foi motivo de muita honra por essa homenagem, esse gesto de respeito que eu recebi dele. Quando eu pensei que jamais poderia receber uma outra homenagem do mesmo quilate, tão grande quanto essa do Djalma, eu sou procurado pela família do mestre Louro, irmão do Almir Guineto, uma família de artistas, e eles me entregam toda a história, todo o legado do mestre Louro também, algo que me emocionou profundamente. Acho que essas duas homenagens, dentro do Acadêmico do Salgueiro, nada para mim será maior do que isso. Então, eu resolvi fazer assim como eu fiz com o legado do Djalma, que na época fundei um centro cultural chamado ‘Onde Conta o Sabiá’. Dessa vez, decidi fazer uma exposição, intitulada de ‘Mestre Louro – O Maestro Autodidata'”, contou o curador.
Para o site CARNAVALESCO, Pedro Nobre detalhou como ocorreu o processo de curadoria do material doado pela família de Mestre Louro. Ele explicou também que o centro cultural precisou passar por reformas antes de abrir as portas para receber a exposição.
“Tudo sem verba é muito difícil, muito complicado. E graças a Deus, a vontade, o respeito e a emoção de ter recebido um legado desses, tão forte e tão importante, não só para os salgueirenses como para os sambistas em geral, eu resolvi seguir em frente mesmo assim. O Salgueiro tem um centro cultural, um imóvel que fica em frente a quadra, mas o espaço não estava em boas condições, até por estar localizado em área atacada por insetos, por cupim. Tive que fazer um tratamento nesse local para poder realizar alguma coisa dentro. Contei com o apoio de amigos e de pessoas que me prestigiaram muito para conseguir começar a fazer essa exposição ganhar vida. Recebi toda a documentação, fotos, troféus, diplomas, coisas maravilhosas do mestre Louro e fui montando. Muita coisa não estava em boas condições e tive que limpar, restaurar, alguns objetos estavam muito oxidados, mas deu tudo certo e resultou nessa maravilha de exposição”, declarou.
Nascido e criado no Morro do Salgueiro, na Zona Norte do Rio, Louro é filho de Iracy Serra, o Seu Ioiô, um dos fundadores da Academia do Samba, e de Dona Fia, integrante da ala das baianas da escola. Vindo de uma família de músicos, o seu irmão Francisco de Souza Serra, o Chiquinho, fez parte do Conjunto Nosso Samba; já o outro, Almir Guineto, integrou a primeira formação do grupo carioca Fundo de Quintal e depois seguiu em carreira solo.
A trajetória dele no Salgueiro teve início ainda aos oito anos, na ala das crianças. O começo na bateria veio como pandeirista, atuando posteriormente como cuiqueiro e tamborinista. Em 1972, estreou no posto de mestre, dividindo a função com o irmão Almir Guineto. Porém, somente no Carnaval de 1978, é que Louro assumiu o comando solo dos ritmistas. A partir daí, foram mais de duas décadas no cargo até sair da vermelha e branca da Tijuca após o desfile de 2003.
Fora da Academia do Samba, Louro recebeu um convite do então presidente da Caprichosos de Pilares, Paulo de Almeida, e comandou a bateria da azul e branca nos carnavais de 2005 e 2006. Em seguida, se transferiu para a Unidos do Porto da Pedra, onde atuou por dois desfiles até ser obrigado a se afastar do cargo por problemas de saúde. O seu falecimento ocorreu pouco tempo depois, em 14 de março de 2008, aos 58 anos, vítima de complicações causadas por um câncer no estômago.
“O Salgueiro sempre teve diretores de bateria maravilhosos, inclusive o próprio Almir Guineto foi um deles, mas nenhum teve o tamanho e a importância do mestre Louro. E as pessoas da escola sabem dessa grandeza, mas mesmo assim muitos salgueirenses chegam na exposição e ficam surpresos com a quantidade de premiações e de homenagens que ele recebeu. Isso é uma coisa que chama muito a atenção. Outra, são os títulos que ninguém sabia que o Louro tinha, como uma série de moções do Governo do Estado, da Prefeitura do Rio, do Senado Federal até mesmo do Ministério da Cultura. Tudo isto só prova que o mestre Louro, além da competência, era uma pessoa muito querida, recordista dos mais variados prêmios e honrarias”, pontuou Pedro Nobre.
Além daqueles que conviveram ou eram admiradores de Mestre Louro, a exposição busca atingir os mais novo que não tiveram a oportunidade de acompanhá-lo em vida. Por conta disso, estão previstas visitações de crianças e adolescentes ao local da mostra. A expectativa do curador é que a história do ex-comandante da bateria Furiosa sirva de inspiração para essas gerações futuras.
“O Aprendizes de Salgueiro e um grupo de crianças da Unidos de Viradouro estão com visitas programadas para conhecerem a exposição. Tenho certeza que através dessa experiência, de descobrirem mais sobre quem foi o mestre Louro, muitos desses jovens vão ter o interesse despertado para ser um grande ritmista ou diretor de bateria. Além disso, tem um colégio perto do centro cultural que vamos convidar para visitar a mostra. A ideia é que todos e todas, independente de idade, conheçam a história desse músico, compositor e um dos maiores diretores de bateria da história do carnaval carioca”, afirmou.
Mas não só de imagens, registros e objetos que pertenceram a Louro que é feita a mostra. Entre o material exposto para o público está uma peça de arte em homenagem ao saudoso diretor de bateria feita especialmente por Zeca Cabeça Branca. Trata-se de um galhardete, nas cores vermelha e branca, representando o mestre e seus ritmistas.
“O galhardete foi feito a partir de uma orientação do Pedro. Ele me contou sobre a exposição e me pediu para fazer um. Então, comecei a pensar e, se tratando de mestre Louro, tinha que ser algo com bateria. Fui bolando, fazendo tudo artesanalmente, seguindo as coordenadas que tinham sido passadas e fiz a montagem disto que está aí para todo mundo ver na exposição, assim como eu já fiz coisas parecidas para diversos contingentes do Salgueiro, como bateria, baiana, harmonia, velha guarda, compositores… E fico feliz que o meu trabalho coincidiu perfeitamente com o restante do material e a decoração”, relatou Zeca em entrevista a reportagem do site CARNAVALESCO.
Hoje com 96 anos, Zeca Cabeça Branca já desempenhou diferentes funções dentro do Acadêmicos do Salgueiro. A história dele com a Academia do Samba começou ainda em 1954, quando a agremiação tinha apenas um ano de fundação. Por essa trajetória tão extensa é que Pedro Nobre teve a ideia de propor a criação do galhardete.
“O Zeca é um salgueirense abnegado. O Salgueiro por muito tempo foi uma escola pobre, que tinha muita dificuldade para colocar o seu Carnaval na Avenida. E o Zeca era tão dedicado que ele ia para o barracão e tirava uma de carpinteiro. Era ele quem fazia as alegorias todas, em uma época que não levavam ferro, que tudo era feito na madeira com perna de três, ripa e um monte de coisas. Então, ele fazia as estruturas dos carro e também decorava. Um exemplo foi no Carnaval de 1965, na homenagem a Eneida. Ela era paraense, então tinha um carro da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Essa representação da igreja foi feita pelo Zeca e decorada por ele com mais de duas, três mil flores brancas. E o Zeca também quando o Salgueiro não tinha lugar pra ensaiar, que ensaiava no Sport Club Maxwell, quem fazia todas as arquibancadas de madeira, a iluminação era ele. Então, alguém com a propriedade e a história que ele tem só enriquece essa exposição”, justificou o curador.
A exposição “Mestre Louro – O Maestro Autodidata” está aberta ao público todas às sextas-feiras de agosto, de 18h às 21h. O Centro Cultural Djalma Sabiá fica na Rua Silva Teles, no número 79, no bairro do Andaraí, na Zona Norte do Rio. A entrada é gratuita.