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Canto poderoso marca o ensaio técnico da Portela e eleva o patamar da escola na Sapucaí

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Por Júnior Azevedo, Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Marcos Marinho

A Portela fechou a segunda noite do último fim de semana de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí de maneira grandiosa, reafirmando sua condição de maior campeã do carnaval carioca. Volumosa, leve e segura, a escola apresentou um excelente ensaio neste sábado. O canto foi o grande protagonista da noite, impulsionado por um samba que cresce a cada apresentação e sustentado com precisão pelo carro de som e pela bateria “Tabajara do Samba”. Com uma comunidade entregue, evolução fluida e quesitos centrais bem resolvidos, a Águia Altaneira mostrou que chega renovada e competitiva para o desfile de domingo, quando será a penúltima escola a entrar na Avenida com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente da Portela se apresentou com forte impacto simbólico e corporal. Composta integralmente por corpos negros, a coreografia aposta na potência da dança como eixo narrativo, estabelecendo um diálogo direto com o universo afro-religioso proposto pelo enredo. Os movimentos são amplos, ritmados e bem desenhados, com execução segura e sincronizada, revelando domínio técnico e entendimento coletivo da proposta.

A escolha por uma coreografia intensamente dançada reforça a leitura ritualística do samba, criando uma atmosfera de invocação e reverência. Não há excesso de efeitos ou truques cênicos: a força da apresentação reside justamente na presença dos corpos em movimento, na cadência e na entrega física dos intérpretes. A comissão ocupa a pista com autoridade, sustentando energia do início ao fim da apresentação.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

O conjunto transmite potência e coerência, alinhando forma e conteúdo. A leitura do enredo é clara e direta, sem ruídos, e cumpre o papel de abrir o desfile com densidade simbólica, conectando o público ao universo espiritual e histórico que a Portela propõe para 2026.

“Organização, dedicação, empenho e muita emoção. Não vai dar errado, já deu certo. A gente sente coisas que eu, pelo menos, com 21 anos de carnaval, nunca senti; estou sentindo pela primeira vez. É indescritível estar na Portela. A ficha vai caindo aos poucos. O próximo passo é ensaiar até o desfile. Não tem resultado sem ensaio, sem trabalho. Acredito muito na disciplina dos ensaios, de você ficar catando cabelinho em ovo mesmo. A gente está pronto, mas precisa, até lá, ver cada detalhe: revendo cada roupa, cada coisa do carro, cada coisa do elenco, até o comportamento deles. A gente precisa se preservar agora, ensaiar com cuidado para, no dia, estar tudo direito”, comentou Cláudia Motta.

“A Portela, que é mãe, traz o batuque. É a primeira vez que o batuque vai desfilar na Avenida, é histórico. Isso é uma maneira de tirar a nuvem que cobre a cultura do batuque, da religião afro-gaúcha, e a Portela, muito generosa, está trazendo essa negritude e mostrando que o lugar do batuque é no Brasil inteiro. O Brasil precisa conhecer o batuque e vai se apaixonar por ele. São muitos ensaios; temos um elenco incrível trabalhando arduamente e tendo a oportunidade de se apresentar para o público. Os ensaios técnicos são duas grandes apresentações e a chance de experimentar a Avenida com público, com o público apreciando e aplaudindo o trabalho”, revelou Edfranc.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Em seu terceiro ano defendendo o pavilhão da Portela, Marlon Lamar e Squel Jorgea demonstram um grau de maturidade evidente. O casal apresenta um bailado seguro, confiante e cada vez mais entrosado, fruto de um trabalho de continuidade que se reflete na fluidez dos movimentos e na leitura precisa do quesito.

Squel mostrou que estava em uma noite inspirada. Na parte do refrão do meio, ela executou uma sequência de giros impressionante, de se perder as contas, mantendo ritmo, potência e controle absoluto da bandeira. Sua dança é expansiva, elegante e carregada de presença cênica, conduzindo a apresentação com naturalidade. Marlon responde à altura, com um bailado firme, jogo de pernas bem marcado, cortes elegantes e postura clássica, sustentando a tradição do quesito sem perder vigor.

A sintonia entre os dois é perceptível no olhar, no tempo dos movimentos e na forma como ocupam a pista. O casal explora bem os espaços ao longo do percurso e constrói uma apresentação envolvente. Apenas no último módulo, um ponto negativo: componentes que acompanhavam a comissão de frente e que, provavelmente, irão se apresentar na equipe de Cláudia Mota e Edifranc Alves se posicionaram de forma que reduziu o espaço de dança do casal. Ainda assim, a situação não comprometeu o desempenho da dupla, que manteve o controle e concluiu a apresentação com alto nível técnico.

“A emoção está transbordando. Estou desde quinta-feira sem ver meu filho; hoje, já recebi cinco vídeos dele desejando boa sorte. Graças a Deus, nós chegamos aqui, reta final, último grande passo para o grande dia, com a sensação de dever cumprido, com o coração transbordando de alegria e de orgulho. Só tenho a agradecer ao meu mestre-sala incrível, à nossa equipe, aos nossos apoios, que nos dão todo o suporte, e às nossas famílias, que não conseguem estar todas aqui, mas estão torcendo para que a gente possa passar de forma digna, para que nosso trabalho seja honrado e reconhecido”, disse a porta-bandeira.

“O casal de mestre-sala e porta-bandeira é formado por duas pessoas, e este ano não serão 40 pontos em jogo, serão 60 pontos, em uma cabine espelhada. Nós, de fato, somos atletas de alto nível e viemos nos adaptando a essa forma de julgar, até porque hoje não é apenas o jurado quem avalia: temos as pessoas dos sites, das arquibancadas, e sabemos que, a cada dia, esse público espera mais. Atualmente, existe uma cobrança física enorme, e sabemos que, quando a cabeça não aguenta, você pode dormir, acordar, dormir, acordar, e parece que não flui. Mas estamos fechados em um só propósito: honrar não apenas o nome da Portela, mas também a credibilidade, a confiança e o apoio que a escola deposita na gente. O ensaio de hoje teve um significado arrebatador, triunfante. É uma família carregada no dendê; vamos em busca da vigésima terceira estrela”, completou o mestre-sala.

SAMBA E HARMONIA

O samba-enredo da Portela se consolida como uma engrenagem fundamental do desfile. Funcional, crescente e com forte apelo coletivo, a obra empurra a escola para frente e estimula uma resposta espontânea da comunidade. O efeito é imediato: bastam alguns versos para que o corpo reaja, como no trecho “a Portela reunida carrega no dendê”, em que o balanço de ombro toma conta de quem está por perto quase involuntariamente.

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O canto foi o grande ponto alto do ensaio. Forte, contínuo e distribuído por toda a extensão da escola, sustentou a apresentação do início ao fim, sem oscilações perceptíveis. O carro de som teve papel decisivo nesse desempenho, segurando o andamento, valorizando os momentos-chave do samba e mantendo a escola conectada à melodia.

A harmonia se mostrou madura e bem trabalhada. O entrosamento entre intérprete, carro de som e bateria cria uma base sólida que permite ao componente cantar com confiança. O samba não apenas funciona: ele cresce a cada ensaio, ganhando corpo e sinalizando um grande rendimento no desfile oficial.

EVOLUÇÃO

A evolução da Portela foi marcada por leveza, alegria e fluidez. As alas desfilaram soltas, brincando com a lateralidade da pista, mantendo um bom ritmo de deslocamento e ocupação dos espaços. O clima era de prazer em desfilar, com componentes sorridentes, conectados entre si e com o samba.

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“Muito feliz. O propósito e a proposta da bateria da Portela são sempre melhorar a cada dia, e eu fui surpreendido com o que aconteceu aqui hoje. Arranjos muito firmes, bateria cantando, dançando, feliz. O andamento, do início ao fim, foi o mesmo, muito seguro nas execuções, tanto das nuances quanto das bossas, dos arranjos e das paradinhas, como preferirem, pulsando pela nossa escola. A minha avaliação é difícil: dou nota 10 para a bateria por toda a dedicação até aqui. Agora é pensar no desfile e, se Deus quiser, partir para o abraço pelo trabalho que vai ser executado no domingo que vem. Sobre o retorno de som, hoje tivemos alguns problemas técnicos durante outros ensaios, mas, para mim, não houve problema. Em alguns momentos, sinalizei que, no setor 4, próximo ao setor 6, o volume estava muito alto ali na pista, algo que rapidamente foi ajustado, com atenção e suporte. O volume abaixou e, para mim, não houve delay nem nenhum problema dentro da bateria, como infelizmente aconteceu com outras coirmãs. Graças a Deus, para mim deu certo. Agora é melhorar cada vez mais. Sei que a galera está trabalhando e se dedicando muito e acredito que, no desfile, vai estar perfeito. Para terminar, a expectativa para o desfile oficial é das melhores possíveis. É a realização de um sonho, não só meu, como da minha direção de bateria e também de toda a bateria da Portela, porque é sempre bom fazer pela nossa escola. A vibração e a energia estão 100%. Vai ser um dia histórico para todos nós”, disse mestre Vitinho.

O desenho da escola favoreceu uma progressão constante e sem buracos. A movimentação foi organizada, mas sem rigidez, permitindo que a espontaneidade do samba se manifestasse. O conjunto transmitiu a sensação de uma escola confortável na Avenida, consciente de seu tamanho e de sua força.

Pequenos ajustes ainda podem ser feitos, especialmente em momentos de maior concentração de alas, mas o saldo é positivo. A Portela mostrou uma evolução segura, solta e brincante, alinhada ao espírito do samba e ao momento vivido pela escola.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Tabajara do Samba”, sob o comando de mestre Vitinho, mais uma vez se impôs como um dos pilares do ensaio da Portela. Com andamento preciso, leitura segura do samba e impacto sonoro consistente, a bateria foi decisiva para sustentar o canto forte da escola ao longo de toda a pista, criando uma base rítmica que impulsionou a comunidade e reforçou a harmonia do conjunto.

Também merece menção a postura da diretoria durante o ensaio. A alegria e a empolgação do presidente Júnior Escafura foram visíveis do início ao fim da apresentação, acompanhando a escola com entusiasmo e envolvimento direto. A mesma entrega pôde ser observada na vice-presidente Nilce Fran, presença ativa e vibrante, enquanto a presidente de honra, Vilma Nascimento, se destacou pela elegância, vitalidade e simbologia que carrega, reafirmando sua importância histórica e afetiva para a Portela.

Outro momento de forte carga simbólica foi a presença de Tia Surica, que veio na alegoria que trazia a águia, símbolo maior da escola. A imagem da matriarca portelense associada ao principal emblema da agremiação reforçou o elo entre tradição, memória e identidade, criando uma cena de grande impacto emocional e reafirmando a conexão da Portela com suas raízes e seus pilares históricos.

Pronta para fazer história! Tuiuti confirma excelência de sua ala musical em noite brilhante do casal

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Por Marcos Marinho, Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Júnior Azevedo

O Paraíso do Tuiuti realizou um ensaio técnico consistente na Marquês de Sapucaí, marcado pela regularidade do canto conduzido por Pixulé e pela bateria de Mestre Marcão, além da noite brilhante do primeiro casal, Vinícius Antunes e Rebeca Tito. Com leitura clara do enredo, resposta positiva do público e organização de evolução ao longo da pista, a escola apresentou sinais concretos de competitividade para o desfile oficial do Carnaval 2026.

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COMISSÃO DE FRENTE

Grande destaque da temporada do Paraíso do Tuiuti rumo ao Carnaval 2026, a comissão de frente apresentou uma encenação aberta pelos eborais, entidades do Ifá afro-cubano associadas à proteção das florestas. Com pintura corporal em tons de azul, cinza e dourado, além de galhos e adornos que reforçaram a dimensão ritual da cena, os bailarinos conduziram a maior parte da movimentação coreográfica, manipulando troncos que evocam árvores e preenchendo o espaço com desenhos corporais de forte presença plástica.

No desenvolvimento dramatúrgico, a cena se aprofundou com a entrada do babalaô, que surge no centro e estende sua esteira no momento em que o refrão principal do samba o evocava. Ao redor dele, cinco componentes com figurinos coloridos, sugerindo praticantes do culto de Ifá, sentam-se para ouvi-lo e, posteriormente, integram a dança coletiva.
A narrativa ganha novo plano quando Elégua aparece do alto do elemento cenográfico, envolto em fumaça, rindo e girando como mensageiro entre os mundos espiritual e material. Na passagem do samba que menciona a expansão do Ifá para o Brasil, um menino surge ao seu lado e estende uma bandeira que une Brasil e Cuba, síntese visual direta do enredo.

A coreografia se organiza de forma espelhada nos módulos 2 e 3, justamente nas cabines espelhadas, enquanto, nos módulos 1 e 4, a orientação de cena se volta diretamente ao júri. Essa construção de diferentes planos, já eficiente na leitura frontal, ganha potência ampliada no dispositivo espelhado, onde simultaneidade e profundidade se tornam ainda mais evidentes.

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O resultado revela a assinatura de David Lima como coreógrafo que articula com destreza a proposta coreográfica com a narrativa do enredo. Desenvolvida desde o minidesfile e amadurecida ao longo dos ensaios técnicos, a comissão vem acumulando precisão corporal e refinamento de desenho, consolidando-se como um dos pontos altos do Tuiuti na temporada.

Após trajetória premiada, incluindo nota máxima e o título da Série Ouro de 2024 com a Unidos de Padre Miguel, o artista chega à escola de São Cristóvão para afirmar um percurso consistente. Pelo que se viu na Sapucaí, a comissão reúne condições concretas de disputar a pontuação máxima no desfile oficial.

“Nota dez. Nós conseguimos cumprir nosso objetivo nas três cabines, conseguimos testar o que não fizemos no sábado anterior, mexer um pouco nas passadas para sentir o clima e ver como poderíamos ajustar, e tudo funcionou nas três cabines. Arrancamos aplausos por toda a Marquês de Sapucaí. Tentamos sempre bater o mesmo tempo que será utilizado no desfile oficial, até porque ensaiamos junto com o casal, com a cabeça da escola, para acertar isso, e é o que fazemos nos ensaios de rua. Porém, o desfile oficial tem muitas surpresas, então testamos uma coisinha aqui, outra ali, que serão utilizadas, mas, no dia do desfile, vocês verão várias surpresas bem diferente”, afirmou o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Vinícius Antunes e Rebeca Tito viveram uma noite brilhante na Marquês de Sapucaí. Vestidos em azul com detalhes dourados, o casal apresentou elegância imediata e confirmou o acerto da parceria firmada para o Carnaval 2026.

Primeiro ano de Rebeca como primeira porta-bandeira do Paraíso do Tuiuti, ela, cria da escola, e estreia da dupla em dança conjunta, a apresentação revelou entrosamento raro para uma parceria ainda recente.

Vinícius, vindo da Unidos de Padre Miguel, atua como articulador da cena: ágil, domina o espaço com firulas precisas e abre caminho para que a porta-bandeira gire e exponha o pavilhão. Rebeca responde com vigor crescente, giros firmes e presença corporal mais solta ao longo da temporada, evidenciando maturidade construída no próprio processo de encontro entre os dois.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

A coreografia se inicia com apresentação solene do pavilhão, marcada por elegância e afirmação simbólica da escola. Em seguida, a dança ganha explosão rítmica, com sucessões de giros, brincadeiras corporais do mestre-sala e passagens inspiradas em ritmos latinos no refrão principal. Há momentos de troca de posição e cruzamentos que reforçam a cumplicidade cênica, sempre com Vinícius conduzindo a dinâmica e Rebeca respondendo com graça, sorriso e malemolência afinada ao enredo.

O casal executou com segurança as três apresentações para o júri, mantendo vigor constante. Destacou-se ainda a bandeirada no verso do samba que evoca o verde e amarelo do Brasil, gesto firme que sintetizou a força demonstrada ao longo do ensaio. A aposta do Tuiuti se confirmou: a dupla consolida identidade própria no Grupo Especial e pavimenta caminhos para uma excelente exibição no desfile oficial.

“O saldo foi muito positivo. Graças a Deus, Rebeca e eu temos esse discernimento de entrarmos concentrados no nosso desfile, porque sabemos que aqui a adrenalina toma conta, e isso é natural. Eu costumo dizer que, se a técnica sobrepuser a dança, não estamos fazendo direito. Entramos na avenida muito emocionados, mas pelo lado positivo. Acho que conseguimos dar vida à nossa coreografia, que já era ótima. Então, o saldo, com certeza, é muito positivo”, disse o mestre-sala.

“Estou até um pouco emocionada, porque conseguimos colocar em prática tudo o que vínhamos trabalhando durante esse tempo todo. É gratificante saber que estamos preparados para mostrar o quanto amamos a escola, o quanto nos dedicamos e apresentar uma belíssima apresentação à altura do que o Paraíso do Tuiuti merece”, completou a porta-bandeira.

SAMBA E HARMONIA

O canto do Paraíso do Tuiuti teve no intérprete Pixulé um de seus pontos de maior força no ensaio técnico. A primeira passada do samba, conduzida apenas por sua voz e pelas cordas da escola, recurso já experimentado nos ensaios de rua e no primeiro ensaio técnico, emocionou a Sapucaí ao apresentar, com clareza melódica e palavra bem articulada, o samba de 2026. O próprio cantor define a obra como a que mais gostou de interpretar, percepção que se traduz em condução segura e envolvente do canto coletivo.

A resposta da comunidade confirma a assimilação de um samba que chegou a ser alvo de críticas pelo uso de termos em iorubá. Refrões como “Iboru, Iboya, Ibosheshe / Canta, Tuiuti” e “Babá moforibalé / Babá moforibalé / Orunmilá taladê / Babá moforibalé”, ou passagens como “Ibarabô / Agô lonã, olukumi”, surgem bem pronunciados e amplamente cantados, tanto pelos componentes quanto pelo público. O resultado evidencia não apenas domínio musical, mas compromisso da harmonia da escola com a matriz cultural que sustenta o enredo.

Sustentada pela voz de Pixulé e pela pulsação da bateria de Mestre Marcão, a escola mantém a intensidade ao longo da pista. Ainda que haja leve perda de volume na metade final do percurso, o canto permanece consistente, sinal de um trabalho de harmonia construído desde os ensaios de rua iniciados em outubro. O efeito é perceptível: a Sapucaí já canta o samba com familiaridade, indicando forte comunicação entre escola, comunidade e público.

“Teve uma pequena diferença em relação ao ensaio da semana passada, quando eu declamei o samba todo e, depois, iniciamos a passada de fato. Hoje, não: declamei o samba e já entramos logo no desfile por causa do tempo, e, no desfile oficial, não será diferente. Pixulé vai declamar e já vamos entrar direto lá. A única diferença que haverá é a minha indumentária e outras surpresas que não posso revelar; só no dia do desfile mesmo que vocês vão ver. Eu acho que tudo isso que estou vivendo, o nome que estou tendo no mundo do samba, nunca pensei que iria viver. Não idealizei isso, não passava pela minha cabeça. Até porque eu sou um cara do povo, sou isso que a galera sempre vê: sou o mesmo cara na rua, no show, com a minha esposa, com meus filhos, com amigos. Eu não esperava ser ovacionado pelo público do mundo do samba. Fiquei até um pouco surpreso com isso, com a força com que o público está me abraçando. Estou muito feliz”, garantiu o intérprete Pixulé.

EVOLUÇÃO

A evolução do Paraíso do Tuiuti apresentou dois movimentos distintos ao longo do ensaio técnico. Até a passagem da comissão de frente e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira pela cabine espelhada, a escola avançou com fluidez evidente, ocupando rapidamente a pista com organização, canto forte e preenchimento lateral consistente. As primeiras alas evoluíram com energia, braços erguidos e interação constante entre componentes e público, reforçando a sensação de leveza e domínio espacial.

Após a travessia pelos módulos centrais, porém, o ritmo tornou-se mais vagaroso. A intensidade corporal e o volume de canto diminuíram, sobretudo nas alas que antecedem o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, configurando um ponto de atenção para o desfile oficial. Ainda assim, a escola preserva momentos de respiro cênico, como o jogo de luzes articulado às bossas de congas da bateria.

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Outro aspecto positivo foi a condução segura da entrada e saída do segundo recuo de bateria, realizadas com tranquilidade e sem rupturas na progressão do conjunto. A oscilação de velocidade observada pode estar relacionada ao formato mais compacto do ensaio técnico da escola, tendência que tende a ganhar maior densidade e preenchimento humano na apresentação oficial. O quadro geral indica uma evolução que cresceu ao longo da última temporada.

“É uma análise muito boa. No primeiro ensaio, o Paraíso do Tuiuti já fez um bom desfile, de bom para ótimo. Tivemos um pequeno problema de evolução na hora de parar a bateria, ainda no primeiro ensaio técnico, e hoje viemos com a meta de corrigir isso. Graças a Deus, conseguimos ajustar o que foi planejado ao longo da semana, do primeiro para o segundo ensaio. Ficamos um pouco tristes por causa da chuva à tarde, que atrapalhou bastante a vinda de alguns componentes, mas, tecnicamente, a escola, no meu modo de ver, foi nota 10. Sobre a questão da evolução, a escola evolui de maneira muito fluida até a cabine espelhada e, depois, vem um pouco mais vagarosa, sem comprometer. É uma estratégia nossa. Compactamos um pouco mais a escola e, como eu disse, o primeiro ensaio foi muito bom, de bom para ótimo, e hoje conseguimos corrigir tecnicamente o que não foi tão bom na primeira apresentação. A expectativa para o desfile oficial é a melhor possível. Graças a Deus, o planejamento de barracão está caminhando conforme o previsto. Estamos entregando as fantasias e finalizando os carros, naquela “cereja do bolo”. Mas, graças a Deus, o Paraíso do Tuiuti está pronto para o desfile da semana que vem”, comentou Leandro Azevedo, diretor de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Super Som”, comandada por Mestre Marcão, confirmou-se como um dos pilares do desempenho do Paraíso do Tuiuti no ensaio técnico. Sustentando o samba com cadência firme e pulsação envolvente, o conjunto manteve o componente em canto constante e contribuiu para ampliar a resposta da Sapucaí ao longo do percurso.

Os momentos de maior preciosidade musical surgem nas bossas, especialmente quando as congas avançam à frente da bateria e formam uma meia-lua cênica. Nesse desenho, ao lado de Marcão e do intérprete Pixulé, a rainha Mayara Lima executa coreografia já reconhecida pelo público, criando um quadro de forte impacto visual e sonoro, marcado pela incorporação de referências rítmicas da latinidade cubana presente no enredo. A reação imediata das arquibancadas,  aplausos, registros em celulares e manifestações de entusiasmo, confirma a potência do segmento.

Com samba no pé seguro e presença cênica comunicativa, Mayara mantém conexão direta com o público e reforça o protagonismo performático da bateria, consolidando o setor como um dos pontos altos da apresentação.

Imponente! Salgueiro tem canto potente, supera falha no som em ensaio com brilho também para comissão e casal

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Por Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais, Júnior Azevedo e Marcos Marinho 

O Salgueiro mostrou neste ensaio aquilo que todo mundo já sabe, mas que é sempre bom reafirmar: a Academia tem muito brio, é gigante. A Vermelha e Branca da Zona Norte ficou quase dez minutos sem som após uma falha no equipamento da Sapucaí, mas a comunidade sustentou e fez o ensaio técnico como à moda antiga, baseado no gogó do componente, pior, sem a voz do intérprete para ajudar. Não era para acontecer: o ensaio é teste para as escolas, não mais para o equipamento. Mas o Salgueiro não estava nem aí e deu uma aula de canto com garra, correção e emoção. O componente se agigantou em um ensaio no qual a comissão de frente, de muito bom gosto, assinada por Paulo Pinna, deu um brilho especial ao homenagear as icônicas bruxas de “Breazail”, da Imperatriz em 2004, e o casal Sidclei e Marcella mostrou, como sempre, dança de alto nível, com maestria e elegância. No mais, uma evolução bem cadenciada e correta da escola e uma boa recepção do público, principalmente quando percebeu a força da comunidade salgueirense.

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Com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna de pau”, o Salgueiro vai encerrar os desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2025.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografados por Paulo Pinna, os componentes mais uma vez vieram homenageando as icônicas bruxas da comissão de frente da Imperatriz no desfile de 2004. Destaque para a fantasia, belíssima, claro, não como aquela própria para o desfile, mas, para um ensaio, o Salgueiro esbanjou bom gosto, utilizando suas cores nesta versão; o verde também estava presente na parte de baixo da fantasia. Na coreografia, o deslocamento lembrava aquelas falanges espetaculares do saudoso Fábio de Mello, em uma formação que se movia como uma flecha. Na apresentação para o júri, a coreografia trouxe movimentos daquela comissão, mesclados com gestuais e passos que remetiam ao samba deste ano. No final, a surpresa: as saias se levantavam e, com o verde da parte de baixo combinado ao vermelho da saia, era perceptível a formação de várias rosas em alusão à homenageada. Apresentação igual à da semana passada, mas com a mesma beleza, qualidade e interação com o público. Ótima ideia e ótima realização.

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“Resolvemos trazer mais uma vez as bruxas pelo sucesso que teve no primeiro ensaio técnico, com uma repercussão muito boa. Pensamos em trazer alguma outra coisa também, a ideia até estava pronta, mas achamos legal reforçar porque foi um sucesso muito grande e preferimos apostar novamente, até para que as pessoas que não puderam vir pudessem ver de novo. Foi algo muito marcante. Tivemos uma falha no som que, infelizmente, atrapalha um pouco o andamento por causa da musicalidade, mas conseguimos segurar no gogó e isso não comprometeu. Mesmo assim, a gente fica um pouco tenso, porque é um problema complicado; se acontece no desfile, dá uma desestruturada. Ainda assim, conseguimos seguir com êxito e foi ótimo. Já estamos com a nossa coreografia oficial pronta para a cabine espelhada. Acho que conseguimos atingir o nosso objetivo dentro do que entendemos ser o melhor para a gente e para o nosso trabalho. Estamos confiantes e confortáveis com a cabine”, garantiu o coreógrafo Paulo Pinna.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Sidclei Santos e Marcella Alves são uma instituição do Carnaval. É incrível o entrosamento e a relação de dança que um tem com o outro. Outra relação que merece destaque especial é a de Marcella com o pavilhão. Impressiona o domínio intrínseco da porta-bandeira nos rodopios, na forma de conduzir o pavilhão sempre bem desfraldado e em todo o gestual, valorizando o maior símbolo da escola. Apostando mais uma vez em uma dança tradicional que valoriza o bailado dos dois, seja nos “pulinhos” de Sidclei, que em determinado momento encontram a porta-bandeira, seja nos giros de alta intensidade e na postura perfeita de Marcella.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

A interação rítmica com a obra também chama a atenção: cada movimento estava alinhado ao samba, às bossas e ao andamento. No trecho “Andar na Ouvidor virou caso de amor”, o mestre-sala faz um gesto de extrema delicadeza ao acariciar o rosto da porta-bandeira. Mesmo quando o som da Sapucaí apresentou problemas, a dupla iniciou a apresentação na última cabine apenas com o canto da comunidade e sustentou. Mantiveram postura e perfeição na dança mesmo quando o som voltou abruptamente, já na parte final da Sapucaí, primeiro apenas com bateria e cordas, sem a referência do canto. Ainda assim, não erraram nada. Um espetáculo de excelência técnica e muita garra.

“A gente usou os ensaios técnicos como a própria palavra diz: é ensaio, e testamos algumas coisas diferentes. Estamos ansiosos para trazer uma grande surpresa no desfile oficial. A cabine espelhada é, de fato, uma novidade que exigiu uma atenção maior na concepção coreográfica, mas já venho ensaiando desde que ela se tornou uma realidade. Então, hoje foi só vibrar com a galera, curtir esse ensaio, para que, no dia oficial, a gente consiga brigar por essa décima estrela para a nossa escola”, comentou a porta-bandeira.

“Tivemos dois ensaios. No primeiro, a pista estava totalmente seca; hoje, só o terceiro jurado estava seco. Então, a gente pôde testar a pista molhada, com lama, essas coisas. Conseguimos executar mesmo com as adversidades que a pista apresenta. De repente, no dia chove, tomara que não aconteça, mas estaremos preparados caso a pista esteja molhada. Então, foi um ensaio não de superação, mas de aprendizado”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

A escola deu uma verdadeira aula de canto, principalmente no momento mais crítico, quando o som da Avenida parou nas caixas e a escola contou apenas com a bateria ao longe e o gogó do componente, que já vinha forte antes da falha e foi fundamental para sustentar, inclusive, as apresentações do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e da comissão de frente na última cabine. Muita garra da comunidade e correção para manter o canto do início ao fim, mesmo sem o apoio dos microfones por quase dez minutos. No carro de som, Igor Sorriso e suas vozes de apoio fizeram um bom trabalho, mantendo o samba com bom astral e rendimento.

No acompanhamento das cordas, como já vinha acontecendo nos demais ensaios, a presença de um violino não atrapalhou o canto nem o desenvolvimento harmônico das outras cordas e da bateria, trazendo o tom mais clássico que a escola desejava, em sintonia com gostos estéticos e musicais de Rosa Magalhães. Os dois refrões foram bastante cantados, mas o trecho que antecede o refrão de baixo, “Mestra, você me fez amar a festa…”, foi, sem dúvida, o momento de maior explosão da escola, com o salgueirense cantando com orgulho enquanto evocava a homenageada com carinho.

“Mais uma vez foi um ensaio perfeito para a gente. Tivemos um probleminha ali no meio da avenida, na questão do som, mas eu encaro tudo isso como uma prova. A escola cantou, conseguiu manter a pegada do samba, a bateria conseguiu se manter sem o som, fazendo tudo cravado. Isso foi um teste com um resultado muito positivo para a gente. Conseguimos ver um outro lado, ter uma outra dinâmica de ensaiar cinco, seis passadas sem som, e perceber que a escola estava cantando, com uma resposta do público, e a bateria ali mantendo a pegada de andamento, de bossa, tudo cravado, mesmo sem som. Se acontecer algo no dia do desfile, espero que não aconteça, a gente já está preparado para qualquer coisa que possa vir”, disse mestre Gustavo.

“Achei melhor acontecer agora do que no dia do desfile. Como, para a gente, também é ensaio, acredito que todos os problemas sejam resolvidos até lá, de qualquer setor. Como o Gustavo falou, acho que foi importante para a gente. A galera continuou tocando, a vibração acabou aumentando, porque, na hora do desespero, você acaba puxando mais fôlego da galera. Trabalhamos andamento, trabalhamos o canto da escola também, e acho que é isso: a gente está pronto para o dia do desfile. Porque muda tudo: vem fantasia, vêm carros alegóricos… Mas, no que a gente podia fazer no ensaio técnico, acho que conseguimos entregar e estamos satisfeitos com os dois ensaios”, citou mestre Guilherme.

EVOLUÇÃO

A escola passou pela Sapucaí de forma bem cadenciada e organizada, optando por mais liberdade em vez de filas excessivamente engessadas. O salgueirense mostrou alegria e espontaneidade. Apenas algumas poucas alas apresentaram algum tipo de coreografia, todas bem integradas ao samba, sem prejudicar o andamento da escola ou limitar a liberdade dos desfilantes. Algumas alas vieram com leques, elemento muito característico de Rosa Magalhães.

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A escola não teve problemas com grandes espaços ao longo da Avenida, nem com alas emboladas. A entrada e a saída dos recuos aconteceram de forma tranquila, organizada e bem-sucedida. O controle do tempo foi eficiente, permitindo que a escola atravessasse a Avenida com tranquilidade, aproveitando bastante o final e interagindo com o público. O problema com o som não interferiu na evolução; ao contrário, pareceu dar ainda mais garra ao componente.

OUTROS DESTAQUES

No esquenta, Igor Sorriso cantou “Pega no Ganzê”, “Candaces”, “Xangô”, “Ópera dos Malandros”, entre outros, em um pot-pourri com sambas marcantes, alguns apenas com o refrão, outros com trechos maiores, como “Peguei um Ita no Norte”. A rainha Viviane Araújo causou grande frisson já na entrada da bateria, quando veio sambando em uma plataforma elevada acima dos ritmistas, que seguiu pelo desfile. No elemento alegórico à frente da escola, imagens da homenageada estavam presentes, e o mascote da agremiação, o Sabiá, vestido como um nobre antigo, vinha na parte superior da alegoria.

“Cara, semana passada a gente fez um ensaio quente para caramba. Infelizmente, a gente tinha dois grupos que não são de chão, que são de carro, e que fizeram movimentações equivocadas. Eles tinham uma coreografia que parava, depois dava uma esticada, e isso acabou acelerando um pouco o fim da escola. Hoje foi completamente diferente, tão quente quanto semana passada, e acho que foi a prova final de que o Salgueiro está na disputa do campeonato. O sistema de som da avenida pegou fogo. Essa é a informação que eu tenho aqui na frente: pegou tudo, no break, ar-condicionado, tudo. Acabou o sistema de som, ficamos uns dez minutos sem som, e a galera continuou cantando, sem atravessar, só na marcação, com a referência da bateria. O casal e a comissão se apresentaram sem som, só com o público cantando. Foi emocionante. Além disso, toda a parte técnica: hoje a gente tinha um monitoramento que me permitiu ver todos os momentos, e foi tudo de acordo, mostrando que o Salgueiro está pronto. Então, é uma avaliação superpositiva, com grande expectativa para o desfile oficial. A gente termina de entregar todas as fantasias na segunda-feira. Na verdade, elas já estão prontas há bastante tempo. Nossa logística também já está pronta. Todas as fantasias que serão entregues na Sapucaí — costeiros grandes, burrinhas, tudo, já estão aqui perto, no ponto de apoio. Esta última semana é só para os últimos arremates de alegoria, alguma pintura que danificou, alguma coisa assim. A gente finalizou o Carnaval. Segunda-feira terminamos de entregar as fantasias e estamos prontos para fechar esse trabalho, se Deus quiser, com chave de ouro”, explicou Wilsinho Alves, diretor de carnaval.

Vila Isabel pinta aquarela de sonhos em grande ensaio

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Por Luiz Gustavo, Matheus Morais, Júnior Azevedo, Marcos Marinho e Lucas Santos

A Unidos de Vila Isabel abriu a noite de ensaios técnicos no último sábado, colocando mais uma vez à prova um dos sambas mais elogiados do ano, e passou com louvor em uma apresentação quente. Marcada por um paradão no meio da avenida para um discurso de Tinga, agradecendo e chamando a força da comunidade, seguido de uma nova arrancada do samba, o ensaio mostrou uma agremiação ciente da potência que tem em mãos, entoando um ótimo samba com muita felicidade. A azul e branco também teve um casal em grande noite e uma evolução firme, mesmo com um menor tempo para cruzar toda a pista por conta da interrupção, formando um excelente conjunto pronto para dar voos altos no desfile oficial. A escola de Noel desfilará na terça-feira de Carnaval, sendo a segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí, trazendo o enredo “Macumbembê, Samborembá, sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, estreantes na agremiação.

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“Hoje, desde a comissão de frente até os meninos que estavam soltando os fogos lá na torcida, está todo mundo de parabéns. Isso foi estudado a semana inteira para a gente fazer hoje. Tudo é muito conversado, tudo é muito estudado. Só agradecer à comunidade da Vila Isabel, ao presidente Luiz Guimarães, por acreditar sempre nas nossas ideias. Quando levei a ideia do paradão para ele hoje, falou: ‘Pô, vai dar certo’. Eu falei: ‘Presidente, acredita. Acredita que vai dar certo’. E é isso. Feliz, feliz. A Vila Isabel está pronta para, na terça-feira, a gente fazer um belo desfile. Carnaval é na pista. A gente sabe disso. A gente está brigando com outras onze. E é isso. A gente vem para brigar pelo título”, garantiu Moisés Carvalho, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão comandada por Alex Neoral e Márcio Jahú trouxe uma coreografia composta por um grande terreiro com filhos de santo, as representações de Oxum e Xangô, além de um integrante interpretando Heitor dos Prazeres. Os orixás orbitavam em torno do homenageado enquanto rolavam momentos como uma gira e Heitor sambando no meio da roda. Uma coreografia enérgica, bem executada pelos componentes, com sincronismo e limpeza nos movimentos. A presença dos orixás foi mais estética do que de participação na parte coreográfica. O simbolismo de Heitor e a interpretação foram o ponto alto de uma boa apresentação.

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“Achei mais prazeroso, mais tranquilo, mais confiante. Acho que no primeiro a gente teve uma questão com a música, e isso interfere muito diretamente na comissão. Teve uma variação de ritmo, e hoje eu senti muito bem a bateria. Isso impacta positiva ou negativamente, e hoje foi uma delícia ouvir os bailarinos se entregarem. Essa proposta do Tinga de parar a escola foi incrível, isso mexe com todo mundo envolvido. Foi um desfile, para mim, pela comissão, memorável e histórico. A gente já está ensaiado, mesmo não tendo pessoas, às vezes, no ensaio, de um lado e do outro, mas eu acho maravilhoso para o espetáculo porque é respeitoso com todo mundo que está assistindo. Não fica uma coisa soberana para um jurado, algo específico e particular. A festa é para quem está aqui assistindo, para o público, é uma festa lateral, 360 graus. Eu já tinha proposto isso na minha comissão da sereia da Viradouro e fui penalizado por isso, porque virei para um lado e para o outro. Que bom que hoje em dia estão esperando que a gente espelhe, que a gente esteja reverenciando os dois lados. É muito bonito e generoso de nós, artistas do Carnaval, prestigiar ambos os lados, porque o público é igual. Eu acho que todo mundo é jurado, inclusive; todo mundo está dando nota e todo mundo quer ser campeão. A gente gosta de fazer bem o que é o enredo, que é Heitor dos Prazeres, esse mundo dele, e você vai ver, é isso mesmo. Tem bastante da coreografia, é mais ou menos o que é. Acaba que, com o figurino, tudo muda, mas a gente tem uma alegoria muito importante, então às vezes não pode mostrar tanto porque a gente fica refém da presença da alegoria, que hoje em dia é muito importante”, explicou o coreógrafo Alex Neoral.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Raphael e Dandara formam um casal que se comunica pelo olhar e tem uma troca de energia enorme durante a dança. Esses pontos foram evidenciados na excelente apresentação que fizeram neste ensaio técnico, em mais um quesito da Vila que primou pela força. Dandara exibiu um bailado muito elegante, com postura corporal ereta e bastante agilidade nos giros, enquanto Raphael explorou magistralmente os cortejos à sua porta-bandeira e deslizou na pista em seu bailado, como no refrão central, onde exibe um primoroso jogo de pernas, com muita ginga e agilidade. No final da série realizada, reverências a Oxum e Xangô, citados no refrão de cabeça, representando o fundamento e a energia presentes em um grande desempenho, numa apresentação muito alinhada com o homenageado Heitor dos Prazeres.

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“A única coisa que ficou para o desfile foi a fantasia. Tudo o que a gente tinha para experimentar, a gente experimentou. Agora fica a ansiedade para chegar o dia 17. Foi mágico. Na semana passada já tinha sido incrível. Hoje foi surreal; parece que a chuva veio só para nos ajudar, para lavar o que tinha que lavar, e a gente passar bem e testar tudo. A gente está pronto. Eu tenho a melhor equipe do mundo. Para mim, é mais especial ainda. Eu venho de uma lesão. No Carnaval de 2025, sob suspeitas de desfilar ou não, a gente passou muito bem, conseguindo todas as notas para a coirmã, a escola em que estávamos, à qual agradecemos muito por todos os anos que vivemos no Paraíso do Tuiuti. E agora, na Vila Isabel, um chão que é nosso, uma escola em que a Dandara cresceu, uma escola que acreditou no Raphael vindo lá da Cidade de Deus, me deram oportunidade. Foi aqui que eu apareci de verdade para o Grupo Especial. Hoje, retornar junto com a Dandara para viver esse momento é especial. Junto com essa equipe que eu tenho, com a nossa coreógrafa Cátia Cabral, viver esse momento com todas essas pessoas está sendo mágico”, comentou o mestre-sala.

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“Cada momento como esse é um sonho que nós estamos vivendo. O nosso sonho, o sonho de Heitor, o sonho da comunidade. Estamos em um momento em que estamos sonhando juntos. Trazer essa força da Vila Isabel, essa grandiosidade que ela tem, a comunidade que ela tem, é fantástico. Esse momento é muito importante. E, do nosso ensaio, estamos fechando agora um ciclo, nosso último ensaio oficial. Saímos com um saldo muito positivo, acreditando muito no que a gente trabalhou este ano, no que a gente pode amadurecer ainda mais neste processo com a Vila Isabel. Agora é fazer o momento tão sonhado, em que a mágica acontece, desejando que o desfile seja como a gente tem feito, com emoção, porque o trabalho está sendo entregue e que a gente possa aproveitar cada minuto”, completou a porta-bandeira.

EVOLUÇÃO

As primeiras alas pisaram com muita força na avenida, seguindo assim até o último módulo, chegando ao fim com tranquilidade mesmo com a parada durante o ensaio. A ala das baianas chamou a atenção pelo vigor e ginga com que evoluíram pela pista, além do rodar característico. Durante os dois blocos de evolução da escola, divididos pela parada para uma nova largada já no meio da pista, o avançar da Vila pela avenida foi de um ritmo enérgico e constante, com as alas quicando na Sapucaí, componentes trocando de posição, erguendo os braços, realmente desfilando e não apenas passando pelo sambódromo. Um andamento forte que não sofreu queda; pelo contrário, a parte final da escola foi uma apoteose de uma azul e branco que sambou, brincou e foi feliz em um excelente ensaio em termos de evolução. A Vila Isabel encerrou o seu ensaio com 79 minutos.

HARMONIA E SAMBA

O excelente samba da Vila Isabel passou com um andamento mais à frente do que o costumeiro, impresso pela bateria do mestre Macaco Branco. Quando o andamento estava se assentando, a escola fez a parada para o discurso do intérprete Tinga e, na relargada, o pique voltou forte e assim foi mantido até os últimos minutos de ensaio. Essa pegada, apesar de em alguns momentos valorizar menos as variações melódicas da obra, proporcionou um desempenho mais explosivo, o que impactou no canto da escola, que foi mais visceral, sem quedas durante todo o ensaio.

Na segunda metade, após a parada, o canto atingiu seu ápice nos dois refrãos e manteve ótimo rendimento nos demais versos. O refrão de cabeça levantou os componentes. Apesar dessa mudança rítmica na execução, o samba confirmou sua qualidade e suas credenciais, potencializando o canto da escola, que não apresentou alas destoando no quesito. Mais um grande desempenho de Tinga, que sabe fazer um samba render na Sapucaí como poucos, e de seus apoios.

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“Ficamos muito emocionados, muito felizes. A gente está muito feliz com a nossa comunidade. A gente conversou lá no barracão e resolveu dar esse presente para aquelas pessoas que vêm no fim da escola, que não têm oportunidade de escutar o nosso grito de guerra, o começo da escola, a emoção da escola no início de tudo. E também agradecer a esse público maravilhoso, que muitas vezes não tem oportunidade de vir no dia do desfile. Estamos felizes demais e resolvemos parar e, graças a Deus, deu tudo certo. As pessoas entenderam a nossa proposta de parar, que é só para celebrar realmente o samba. A gente é muito feliz pela nossa cultura e está muito feliz com a nossa escola e, se Deus quiser, vamos fazer um grande desfile”, afirmou o intérprete Tinga.

OUTROS DESTAQUES

A Vila Isabel esbanjou beleza em seu time de musas, liderado por Dandara Oliveira, de ligação histórica com a escola, mostrada na paixão com que desfila e se entrega na avenida. A ala de baianas, além de toda a garra demonstrada na evolução, veio muito bem vestida.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

“Ah, foi maravilhoso, graças a Deus. A bateria veio com uma pegada muito firme, muito segura, fazendo esse samba, que é maravilhoso, funcionar perfeitamente. Até porque ele é meio arredondado, né? Não tem como não fazer esse samba funcionar muito bem. Então a gente tem que ter muito cuidado para não atrapalhar o samba; é só tocar para fazer ele fluir bem na avenida. E hoje teve o paradão. O Tinga fez um discurso. A gente combinou de fazer isso esta semana. Falamos: ‘O que a gente pode fazer?’. Quando a gente faz o discurso, geralmente a escola está toda na Presidente Vargas, e lá não tem som. Que adianta fazer um discurso ali para, de repente, meia dúzia de pessoas? Tivemos a ideia de, quando a escola inteira estivesse na avenida, parar, ele fazer o discurso e a gente voltar no mesmo lugar. E, sobre a questão do retorno e do som nesse segundo ensaio técnico, para a bateria foi muito bom. A BMX está de parabéns; é uma empresa maravilhosa, que está chegando com tecnologia, com muita coisa boa e nova para valorizar cada vez mais o maior espetáculo da Terra”, explicou mestre Macaco Branco.

Conjunto alegórico marca desfile da Uirapuru da Mooca

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A Uirapuru da Mooca apresentou um desfile marcado por maturidade, segurança e bom domínio técnico. A escola conseguiu alinhar seus quesitos de forma consistente e levou para a avenida um dos melhores conjuntos alegóricos da noite, evidenciando organização e cuidado estético. Mesmo com um enredo denso e de leitura complexa, a agremiação mostrou clareza narrativa e apresentou um desfile coeso, competitivo e bem estruturado.

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A escola foi a nona a desfilar e terminou sua apresentação com 48 minutos. Levando para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”, desenvolvido por uma Comissão de Carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Rosani Garcia, representou o “Legado de Sankofá”. Sem o uso de elementos alegóricos, os bailarinos desenvolveram toda a coreografia no chão, apostando na força da movimentação corporal e na expressividade cênica.

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Como recurso visual, utilizaram elementos nas mãos e máscaras no rosto, reforçando a proposta simbólica da apresentação. As coreografias apresentadas aos módulos seguiram uma linha tradicional do quesito, com leitura clara e execução correta.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Alexander e Pamela apostou em uma apresentação baseada na técnica e na clareza de movimentos. Executando todos os passos obrigatórios previstos no regulamento, a dupla representou a Coroa Portuguesa dentro da proposta do enredo.

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Durante todo o percurso, demonstraram segurança, entrosamento e preparo, realizando apresentações consistentes em todos os módulos de julgamento.

HARMONIA

O canto da escola foi satisfatório e ganhou ainda mais força nos momentos em que a bateria executou bossas, especialmente no trecho do samba que diz “O povo é guardião do meu lugar”.

Os componentes mantiveram um canto linear e regular do início ao fim do desfile, sem grandes oscilações entre os setores.

ENREDO

O enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”, assinado por uma Comissão de Carnaval, apresentou uma temática complexa, com múltiplas possibilidades de abordagem histórica.

Durante o desfile, entretanto, a trajetória de Maria Felipa foi bem retratada, permitindo uma leitura clara e coerente da narrativa, com boa compreensão por parte do público e dos julgadores.

EVOLUÇÃO

A Uirapuru da Mooca concluiu seu desfile em 48 minutos, apresentando um andamento compacto e satisfatório.

No que diz respeito às movimentações dos componentes, a evolução foi regular, sem problemas de espaçamento ou deslocamento, mantendo a organização da escola ao longo da pista.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo, interpretado por Thiago Britto e composto por Thiago Meiners, Thiago Britto, André Valêncio, Marcel da Cohab, JB Laureano, Diego Laureano, Wil PZ, Daniel Rizzo, Sandra Aranha e Tubino, possui uma letra de fácil entendimento e alinhada à sinopse do enredo.

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No entanto, a melodia, com exceção do refrão principal, exigiu maior esforço da ala musical para envolver o público e os próprios componentes, tornando o rendimento musical mais dependente da condução do intérprete e da bateria.

FANTASIAS

Destaque para a ala das baianas, que representou as águas. No refrão principal, citadas diretamente no samba, as componentes giraram intensamente, valorizando o efeito visual das fantasias e ampliando o impacto cênico da apresentação.

As fantasias das demais alas desenvolveram o enredo de forma satisfatória, com boa leitura e acabamento adequado.

ALEGORIAS

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A Uirapuru da Mooca apresentou um dos melhores conjuntos alegóricos da noite. Com três carros levados à avenida, a escola demonstrou bom acabamento e investimento em jogos de luz, o que potencializou o impacto visual do desfile e reforçou a narrativa do enredo.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha de bateria, Acássia Amorim, desfilou com figurino nas cores da escola e demonstrou forte entrosamento tanto com a bateria quanto com o público, contribuindo para o bom rendimento do quesito.

Os destaques de chão desfilaram bastante entrosados com a bateria e com muito samba no pé durante todo o percurso.

Comissão de frente e conjunto visual são destaques no desfile da Imperador do Ipiranga

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A Imperador do Ipiranga foi a oitava escola a desfilar no Grupo de Acesso 2, no Anhembi. O desfile teve como destaque a comissão de frente, dividida em dois atos, além do conjunto visual, que detalhou corretamente a leitura do enredo. A primeira alegoria foi de fácil leitura, retratando o lado afro da história; a segunda simbolizou, de forma lúdica, as crianças. Os quesitos Alegoria e Comissão de Frente merecem um destaque maior dentro do desfile da escola. Assim como várias agremiações da noite, o quesito Evolução sofreu no final, e o time de harmonia teve que acelerar o passo para fechar o tempo em 50:44, apenas 16 segundos antes do estouro do cronômetro. A escola desfilou com o tema “Bejiróó, Onipé Doum – Ibeji”, assinado pelo carnavalesco Rômulo Roque.

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COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Diego Costa, a comissão de frente foi para a pista com o significado de “Os Ibejis, a natureza e o sincretismo no Brasil”. A coreografia consistiu em mostrar a conexão entre o céu e os erês. Em um dos atos, os bailarinos vestiam roupas na cor azul e utilizavam maquiagem. Atrás, havia mães de santo vestidas de branco, e os bailarinos, citados anteriormente, as rodeavam; em seguida, elas trocavam de roupa como se fosse mágica. Essa troca simbolizava a entrada dos erês, que alteravam a personalidade e jogavam balas para o público. Vale destacar que essa troca de figurinos deixou o público presente no Anhembi bastante efusivo.

Em outro momento, acontecia a entrada de bailarinos vestidos de pássaros, além de duas crianças caracterizadas como animais, que iam até o tripé para utilizar o balanço. Uma comissão de frente realmente bem infantil. O coreógrafo Diego Costa intercalou as apresentações: em algumas cabines, executava-se o primeiro ato; em outras, o segundo. Uma grande demonstração de criatividade do profissional.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal representou o “Sincretismo na Umbanda”. Com fantasias inteiramente vermelhas, Matheus Custódio e Dani Motta realizaram um desfile tecnicamente satisfatório. O casal pegou a pista menos molhada e conseguiu executar corretamente a coreografia e os passos necessários para buscar a nota máxima. Resta observar o que aconteceu na cabine do Setor H, pois eles ficaram parados por mais tempo do que o comum em frente ao jurado. A ver se isso será considerado. No mais, um desfile seguro dos estreantes na agremiação.

HARMONIA

Os componentes da Imperador do Ipiranga cantaram corretamente o samba. A evolução não aconteceu com tanta intensidade, mas o canto em sincronia com o carro de som foi bem executado. Vale destacar a bossa em que a bateria para e os componentes têm a missão de bater palmas. Todas as execuções foram realizadas perfeitamente, dada a dificuldade de manter palmas e canto juntos, além de acompanhar a retomada da bateria. Ficou evidente que o ensaio esteve em dia para a apresentação oficial.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

ENREDO

A Imperador do Ipiranga possui uma identidade clara de fazer carnaval: apostar em um enredo lúdico, ligado ao universo infantil, como vem fazendo nos últimos três anos. A ideia do carnavalesco Rômulo Roque foi conectar os Ibejis até chegar ao aniversário da escola. Coincidentemente, a Imperador faz aniversário no mesmo dia de São Cosme e Damião. Isso foi muito bem traduzido no desfile, principalmente no último carro.

EVOLUÇÃO

A evolução da escola foi tranquila até a saída da bateria do recuo. Após esse momento, a escola passou a observar com mais atenção o cronômetro e precisou apertar o passo. A equipe de harmonia prontamente instruiu os desfilantes a acelerar. A estratégia deu certo, mas restaram apenas 16 segundos para o estouro do tempo, com os portões fechados em 50:44. Resta ver o que os jurados irão apontar nos dois últimos módulos da pista.

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SAMBA

O estreante intérprete Hélber Medeiros foi muito bem. O cantor parecia estar há anos na escola. Brincou com o samba o tempo todo, chamou a comunidade e incorporou o enredo. Uma voz alegre que, a todo momento, buscou incendiar o Anhembi. Os arranjos feitos no carro de som, acompanhando as vozes, também merecem destaque.

FANTASIAS

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Seguindo a linha das escolas do grupo, a Imperador do Ipiranga levou para a avenida fantasias leves, com o objetivo de facilitar o canto e a evolução dos componentes. Para transmitir a alegria do tema, um colorido marcante foi utilizado nas vestimentas. Destaque para a ala 02 — “Ibejis”.

ALEGORIAS

Com o título “A África das Crianças – O Ventre e o Baobá”, o carro abre-alas foi para o Anhembi com uma estética afro nas cores dourado e azul, que compõem o pavilhão da escola. A tradicional coroa, símbolo do brasão da agremiação, também esteve presente.

Já o carro intitulado “27 de Setembro – Dia de Cosme, Damião e Doum e Aniversário da Imperador do Ipiranga!” desfilou inteiramente na cor rosa, com estética das entidades no topo da alegoria.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Só Quem É”, sob o comando do mestre Fuskão e com a fantasia “Ogãs – Os Guardiões do Ritual”, executou bossas criativas e apresentou um andamento satisfatório na pista. Destaque para o arranjo logo após o refrão do meio, quando os componentes batiam palmas em perfeita sincronia.

Canto forte anima o Anhembi, mas plástica compromete o Morro da Casa Verde

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O Morro da Casa Verde apostou em um desfile de impacto e resposta quente das arquibancadas para contar a história de devoção que atravessa o enredo “Santo Antônio de Batalha, faz de mim batalhador!”. A escola apresentou um conjunto coeso, com harmonia como um de seus principais pontos de sustentação ao longo da passagem pelo Anhembi no último sábado, quando foi a sétima a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2. Ao longo dos 49:39 de desfile, a leitura do sincretismo entre Exu, Ogum e Santo Antônio se manteve clara para o público e para as cabines de julgamento. Ainda que tenha apresentado problemas pontuais nas alegorias, como o desacoplamento do abre-alas, não houve abertura de buracos perceptíveis na pista.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, de Ana Carolina Vilela, apresentou a abertura dos caminhos a partir da figura de Exu, estabelecendo o tom ritual do desfile e introduzindo o sincretismo com Santo Antônio que orienta todo o enredo.

A encenação se deu inteiramente no chão, com proposta teatral que valorizou a força do enredo. As fantasias, com predominância de vermelho, dourado e preto, reforçaram a leitura visual ligada a Exu, além da presença de elementos como búzios.

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Foram apresentadas duas coreografias distintas, uma em cada passada do samba, ambas executadas em frente às cabines de julgamento, com interação direta com os jurados. A proposta se manteve regular ao longo do percurso, com boa repetição da estrutura coreográfica e leitura clara do conceito apresentado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal João Lucas e Juliana Souza apresentou o pavilhão dentro da leitura simbólica do setor de apresentação, com coreografias que dialogaram com a “magia de Exu” e com a abertura dos caminhos que estrutura o início do desfile. A condução da dança privilegiou giros amplos, apresentações frontais ao pavilhão e movimentos com referência a danças de matriz africana, mantendo comunicação direta com o público.

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Nas cabines, o casal recebeu boa resposta do primeiro módulo de julgamento, com sorrisos dos jurados durante as apresentações. Não houve registros de falhas técnicas aparentes.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos altos da Verde e Rosa. Desde antes da entrada oficial na pista, a escola já encontrava resposta forte do público, que se manteve pulsante ao longo de todo o percurso. As alas apresentaram canto coletivo intenso, sem oscilações perceptíveis entre setores, o que contribuiu para a construção de um clima de empolgação constante na Avenida, já observado nos ensaios.

A condução do intérprete Wantuir teve papel central na sustentação do rendimento do canto ao longo de toda a pista.

ENREDO

O desenvolvimento do enredo se estruturou a partir da abertura dos caminhos por Exu, avançando pelo sincretismo com Santo Antônio e Ogum, pela trajetória do santo entre fé e tradição popular, até a celebração da devoção no Brasil. A narrativa se manteve compreensível na Avenida, com setores visualmente conectados e leitura coerente, principalmente com o uso de cores que valorizaram a compreensão do enredo e facilitaram a identificação dos diferentes setores.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A leitura da relação de Santo Antônio com as tradições populares, bem como as simpatias ligadas ao amor e ao casamento, além de referências às festas juninas, apareceu ao longo do desfile. A transição entre os universos de Exu e do santo casamenteiro aconteceu de maneira orgânica, permitindo acompanhar com fluidez a passagem do sincretismo religioso.

EVOLUÇÃO

O desfile apresentou boa fluidez ao longo do percurso, sem registro de buracos perceptíveis na pista. Mesmo com ocorrências pontuais envolvendo desacoplamento de alegorias, a escola conseguiu manter o avanço regular dos setores, sem necessidade de recomposições improvisadas de alas para preenchimento dos espaços.

A progressão dos setores também ocorreu de forma contínua, contribuindo para a sensação de desfile “cheio” do início ao fim.

SAMBA

O samba-enredo confirmou no desfile oficial a força que já vinha sendo observada nos ensaios. Sustentou o andamento do desfile ao longo de todo o percurso. A resposta coletiva se manteve consistente, com destaque para os trechos de maior apelo popular, como os dois refrões, e as bossas bem executadas. O samba é funcional e favorece a interação entre escola e público.

A relação entre melodia, andamento da bateria do mestre Léo Bonfim e condução do intérprete contribuiu para manter o ritmo do desfile.

FANTASIAS

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As fantasias acompanharam a narrativa do enredo. O setor de apresentação exibiu leitura visual forte, com predominância de vermelho, dourado e preto, além da presença marcante de símbolos como búzios, velas, marafo e fogueira. No geral, as escolhas de cores ajudaram a marcar a transição entre os três setores do desfile, permitindo identificar com clareza onde cada setor se encerrava e o seguinte se iniciava.

As baianas, representando Pomba-Gira, integraram-se bem ao conjunto visual do setor inicial, enquanto a ala “Na Batina do Padre tem dendê” trouxe leitura divertida do sincretismo proposto. No último setor, a ala de festa junina apresentou boa identificação com a popularidade da devoção a Santo Antônio.

É válido mencionar também a ala PCD e o segundo casal, representados como noivos, que dialogaram com a narrativa do santo casamenteiro. A fantasia da bateria, apesar da boa concepção ao unir a batina ao imaginário de Santo Antônio, apresentou acabamento irregular na parte da cabeça.

ALEGORIAS

As alegorias concentraram as principais fragilidades do desfile. O abre-alas “Tronqueira de Exu” cumpriu a função de apresentar a abertura dos caminhos, com símbolos reconhecíveis ligados a Exu, mas apresentou problemas de acoplamento ao longo do percurso. O desacoplamento entre as duas partes da estrutura chamou atenção visualmente, ainda que não tenha provocado abertura de buraco, nem comprometido a evolução.

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No último carro, houve mais um problema com a estrutura acoplada e, por muito pouco, não ocorreu um choque entre as partes na altura do recuo. Além disso, neste último carro, a plástica deixou a desejar. Apresentou acabamento simples, com colagens aparentes na parte do teto da igreja, o que afetou a qualidade visual da alegoria.

OUTROS DESTAQUES

Dona Guga foi o principal destaque da escola, no último carro, cantando e dançando com intensidade e sendo aclamada em diferentes setores da Avenida. Figura histórica e símbolo do carnaval paulistano, sua presença sempre carrega forte valor representativo, especialmente por sua trajetória.

A bateria do mestre Léo Bonfim apresentou bom rendimento ao longo do percurso e dialogou diretamente com a arquibancada Monumental nas bossas, com viradas para o setor e interação que levantou o público. A rainha de bateria, Bruna Costa, teve participação presente à frente da bateria, cantando o samba ao longo do desfile.

Peruche tem comissão de frente como destaque e entra na disputa pela vaga no Acesso 1

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A Unidos do Peruche foi a sexta escola a desfilar neste sábado pelo Grupo de Acesso 2. A agremiação da Zona Norte teve como destaque a comissão de frente, além de prezar por outros pontos técnicos, o que fez com que a escola conseguisse um resultado de desfile satisfatório. A escola deve ter um ponto de atenção no quesito Evolução, pelo fato de ter acelerado os passos ao final do desfile. Mais uma vez, a pentacampeã do carnaval paulistano entra na apuração com o sonho de retornar ao Grupo de Acesso 1.

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A escola se apresentou na avenida com o tema “Oi! Esse Peruche Lindo e Trigueiro. Terra de Samba e Pandeiro, 70 Anos”, assinado pelo carnavalesco Chico Spinosa.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Carllos Alvez, a comissão de frente do Peruche representou a “Musicalidade Ancestral”. Os bailarinos desfilaram representando figuras da Antiguidade, já que o pandeiro tem origem nesse período. Todos estavam em sincronia; alguns utilizavam adereços nas mãos, enquanto outros não. Os que dançavam com os adereços davam um belo tom alaranjado à pista. Esses bailarinos, de forma muito clara, realizavam movimentos de saudação ao público e de apresentação da escola ainda no refrão principal.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

O ponto alto da coreografia foi o momento em que uma criança surgia atrás do elemento alegórico com um pandeiro. Ela entrava sambando, tocando o instrumento e, logo após, se juntava aos demais para realizar a encenação em sincronia. O elemento alegórico desfilou em tons rústicos, remetendo claramente à pré-história.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Daniel de Vitro e Taiene Caetano desfilou representando “O Mar Tenebroso”, com vestimentas predominantemente pretas. Estreantes na escola, a dupla teve um desempenho satisfatório, cumprindo os requisitos obrigatórios que o quesito exige para alcançar a nota máxima. Ambos conseguiram lidar com a pista molhada com segurança. A apresentação de Daniel e Taiene se destacou justamente pelo respeito ao que o regulamento exige.

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HARMONIA

Foi um dos destaques da escola. Apesar das mudanças repentinas que o samba sofreu após a gravação oficial, a comunidade assimilou bem e conseguiu apresentar um bom desempenho no canto. As partes mais cantadas foram os dois refrões, principalmente os versos finais do samba, que fazem alusão ao hino “Quando o repicar dos tamborins anunciar”. Ainda assim, apesar do canto forte, alguns componentes apresentaram dificuldades com a letra, o que não interferiu no desempenho do quesito. O que se viu foi um Peruche solto na pista, com a maioria dos desfilantes cantando com sorriso no rosto, dispostos a defender o pavilhão em busca do acesso ao Grupo de Acesso 1.

ENREDO

A proposta da escola foi falar sobre o instrumento pandeiro e fazer a ligação com os 70 anos da agremiação. Inicialmente, a ideia é válida, mas a conexão entre os momentos apresentados mostrou-se difícil. Até mesmo a letra do samba-enredo não cita diretamente a relação do Peruche com o pandeiro, trazendo os versos de forma fragmentada. Ainda assim, isso talvez não impacte diretamente os jurados. Trata-se de dois extremos distintos: a história de um instrumento que remonta ao período anterior a Cristo e os 70 anos da agremiação.

EVOLUÇÃO

É o quesito em que a escola precisa de maior atenção. Após o recuo da bateria, a escola precisou acelerar os passos, já que o tempo jogava contra. Com isso, alguns espaços foram criados e houve dificuldade no empurrar da segunda alegoria. Apesar disso, a escola não abriu buracos nem apresentou divisão de alas. Entre as fileiras, os componentes desfilaram corretamente. Com vestimentas leves, dançaram de um lado para o outro sem prejudicar o espaçamento.

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SAMBA

A escola contou com a estreia do intérprete Juninho Branco, que cantou o samba com empolgação durante todo o percurso na avenida. Como mencionado, a obra passou por algumas mudanças no período do pré-carnaval, inclusive após a gravação oficial. O cantor também chegou à escola apenas em novembro. Ainda assim, isso não foi um empecilho para o conjunto musical. Juninho Branco e sua ala conseguiram conduzir bem o samba do Peruche, empolgando a comunidade. Destacam-se os versos finais, que fazem alusão ao hino da escola, em sintonia com o enredo que celebra os 70 anos da agremiação. Tanto o contexto quanto o rendimento tiveram boa participação na avenida.

FANTASIAS

As fantasias da agremiação utilizaram materiais simples, mas com bom acabamento. Todos os componentes vestiram trajes leves, o que facilitou a evolução da escola. Vale ressaltar que a agremiação desfilou bastante colorida, sendo perceptível um investimento maior na fantasia da comissão de frente. O acabamento desse setor se destacou em relação ao restante da escola.

ALEGORIAS

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O abre-alas, intitulado “O Mar Tenebroso, Herança Lusitana e a Riqueza Africana”, desfilou com grande porte. O carro apresentou esculturas de grandes dimensões, movimentos e um significado forte, transmitindo claramente o clima da época das navegações entre negros e portugueses. A alegoria apresentou bom acabamento, configurando uma abertura digna de uma pentacampeã do carnaval paulistano.

A segunda alegoria simbolizou os “70 anos da Unidos do Peruche”, toda nas cores verde, azul e amarelo, remetendo ao Brasil, como a escola gosta de se denominar. O carro contou com a presença da velha-guarda e esculturas que fizeram referência a essa marca tão importante alcançada pela Filial do Samba.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, fantasiada de “Jackson do Pandeiro” e sob o comando do mestre Azeitona, executou bossas criativas em frente a todas as cabines.

Comissão de Frente é destaque em desfile da Unidos de São Lucas

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A Unidos de São Lucas apresentou um desfile consistente, coerente e fiel à proposta do enredo, mostrando clareza narrativa e bom desempenho na maioria dos quesitos. Mesmo enfrentando problemas pontuais no quesito Alegorias, a escola conseguiu sustentar um conjunto funcional, com bom canto da comunidade, comissão de frente bem resolvida e um samba-enredo de fácil assimilação. A agremiação demonstrou planejamento e segurança ao longo da pista, encerrando sua apresentação dentro do tempo regulamentar.

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A escola foi a quinta a desfilar pelo Grupo de Acesso 2 e concluiu seu desfile em 50 minutos. A Unidos de São Lucas levou para a avenida o enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, assinado pelo carnavalesco Anselmo Brito.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Jonathan Santos, apresentou um ritual de evocação de Ayan Agalu, estabelecendo desde o início uma conexão direta com o enredo. Acompanhados por um tripé, os bailarinos realizaram uma apresentação bem definida, coesa e totalmente alinhada à proposta temática da escola.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

No centro do tripé, um personagem principal se destacou ao erguer o tambor em determinado momento da apresentação, simbolizando com precisão o que era entoado na letra do samba-enredo. Combinando passos tradicionais com movimentos que dialogam com a ancestralidade africana e a história do tambor, a comissão de frente foi o ponto alto do desfile da Unidos de São Lucas.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Conforme já observado no ensaio técnico, a dupla Erick e Victoria realizou um desfile eficiente e seguro. Representando a realeza africana dentro do contexto do enredo, o primeiro casal executou com precisão todos os movimentos obrigatórios previstos no regulamento, aliando técnica, criatividade coreográfica e expressiva comunicação facial.

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A dança mostrou-se construída em total sintonia com o samba-enredo e com a narrativa proposta pela escola. Victoria, mesmo com a garoa que caiu durante o desfile no Sambódromo do Anhembi, manteve o pavilhão desfraldado durante todo o percurso, evidenciando domínio técnico e segurança.

HARMONIA

O canto da comunidade foi um dos grandes pontos positivos do desfile. A escola apresentou um canto linear, mantendo o mesmo tom do início ao fim da pista, sem oscilações perceptíveis entre os setores.

O intérprete oficial, Tuca Maia, teve papel fundamental nesse resultado. Com boa dicção e comunicação direta com os componentes, conduziu o canto de forma eficiente, facilitando a compreensão da letra do samba e incentivando a participação da comunidade ao longo de todo o desfile.

ENREDO

O enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, desenvolvido por Anselmo Brito, foi bem contado e de fácil entendimento. Ao longo da pista, a escola apresentou de forma clara a trajetória do tambor, desde suas origens africanas até sua presença nas manifestações culturais e festas populares brasileiras.

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O conjunto visual, fantasias, alegorias e samba, dialogou de maneira satisfatória, permitindo que o público compreendesse a proposta sem dificuldade. O desfile da Unidos de São Lucas foi direto, assertivo e coerente com o que foi proposto no enredo.

EVOLUÇÃO

Durante o desfile, o abre-alas apresentou um incidente que ocasionou um espaçamento exato de 12 grades entre o carro e a ala seguinte, limite máximo permitido pelo regulamento. Em função dessa ocorrência, a harmonia, em conjunto com a bateria, optou por não realizar a parada tradicional no box do recuo.

Apesar dessas adversidades, os componentes desfilaram soltos, dançando e mantendo a energia do samba. A escola concluiu sua apresentação em 50 minutos e 14 segundos, demonstrando controle do andamento e boa condução da evolução.

SAMBA-ENREDO

A Unidos de São Lucas tem um dos sambas-enredo de melhor rendimento do Grupo de Acesso 2. De fácil assimilação, o samba permite que o público acompanhe o canto já em suas primeiras passagens.

Na parte do refrão principal, em que diz “São Lucas chegou, se liga no rufar do meu tambor”, a comunidade cantou com vigor, evidenciando a força da melodia e a eficácia da letra. O samba, composto por Bruno Leite e Ricardinho Olaria, mostrou ótimo funcionamento tanto no aspecto musical quanto na interação com os componentes.

FANTASIAS

As fantasias foram funcionais e bem planejadas, permitindo que os componentes evoluíssem e dançassem com liberdade. A escola apostou claramente em um desfile de leitura fácil, coeso e organizado.

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Com bom acabamento e alinhadas ao enredo, as fantasias aparentavam leveza e conforto, contribuindo diretamente para o desempenho da evolução e da harmonia.

Vale destacar a fantasia da ala das baianas, que representava “Mãe África”. As matriarcas desfilaram vestidas em tom alaranjado, com grandes búzios em suas saias e chapéus com cabelos cacheados no topo.

ALEGORIAS

No quesito Alegorias, a escola enfrentou sua principal dificuldade da noite. O abre-alas apresentou uma falha estrutural, com a quebra da sustentação frontal, o que comprometeu o funcionamento do carro. Foi possível observar integrantes da equipe técnica atuando estrategicamente para manter a alegoria em movimento.

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Apesar do problema, a Unidos de São Lucas ousou ao levar três alegorias para a avenida, número superior ao permitido para as escolas do Grupo de Acesso 2, que podem desfilar com apenas duas. Os carros apresentaram bom acabamento e estavam de acordo com o enredo proposto.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Pepita, interagiu com as arquibancadas ao longo de todo o desfile e cantou o samba com entusiasmo e entrega, demonstrando forte conexão com a escola. A realeza da bateria vestiu-se em tons de marrom, com figurino de muito brilho, valorizando o conjunto visual do desfile.

O time de destaques de chão contribuiu de forma positiva para a evolução da escola, ocupando os espaços sempre que houve necessidade, especialmente nos momentos de maior abertura de espaço. Com figurinos luxuosos e bem acabados, os destaques representaram a escola com maestria.

Chico Spinosa fala sobre o desafio de assinar o Carnaval dos 70 anos do Peruche

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Chico Spinosa é um dos nomes mais respeitados do carnaval, com uma trajetória que une artes cênicas, televisão e grandes desfiles. Experiências diferentes dentro da arte moldaram seu olhar estético e sua assinatura visual. Isso o levou, a partir do fim dos anos 1980, a migrar definitivamente para o universo do carnaval.

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Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

No samba, construiu uma carreira sólida por agremiações do Rio de Janeiro e de São Paulo, como Salgueiro, Estácio de Sá, União da Ilha, Mocidade, Caprichosos, Nenê de Vila Matilde, Vila Maria, Tom Maior e Vai-Vai.

Em 2026, está à frente da Unidos do Peruche como carnavalesco, ano em que a escola completa 70 anos. A escola desfilou nesta madrugada de domingo, no dia 8 de fevereiro: “Nunca fiz diferença entre escolas, nem entre os acessos 1, 2, 3, sei lá, ou em bloco; acho que a expressão popular me chama. Não me importo se está no Grupo Especial ou no acesso. Lógico, vim ao acesso por causa dos amigos que estavam precisando de alguém que desse uma força para comemorar os 70 anos”, explica o artista.

Ele fez história em 2020, dentro da Vai-Vai, quando ajudou a escola a garantir o título do acesso ao Grupo 1, assegurando o retorno da escola do Bixiga ao Grupo Especial: “Assim como eu comemorei os 70 anos da Vai-Vai, os 70 anos agora na Peruche também estão sendo um prazer; no fim, estou aqui feliz”, diz Chico sobre a busca da escola pelo acesso especial.

Ele chega com seu olhar para marcar o aniversário de sete décadas de história e identidade cultural em um desfile que celebrou a memória da escola e sua comunidade na Avenida: “Sabe, sou vaidoso e gosto do meu trabalho, senão eu nem o faria. Achei que tive momentos muito bonitos aí. O abre-alas, o último carro é uma beleza que fala de uma Peruche que faz 70 anos. Também acho que o samba ajudou, gostei muito do samba”, celebra o carnavalesco.

Ao seu lado no trabalho de carnavalesco, também estava Felipe Roberto Milanes, que teve um papel importante de parceria na construção da imagem da Unidos do Peruche para o desfile do Carnaval de 2026: “Acho que esse menino vai ter um futuro e tanto lá na frente. E assistente comigo, ou entra na minha ou não dá certo. E nós nos demos bem, é porque ele entrou na minha. Sabe, sou um homem muito agitado, tenho muita coisa para fazer e quero resolver na hora; também sou encrenqueiro. O Felipe já é mais sereno”, compartilha Chico.