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Ouça o samba-enredo da Mocidade para o Carnaval 2024

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Compositores: Diego Nicolau, Paulinho Mocidade, Marcelo Adnet, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Gigi da Estiva, Lico Monteiro e Cabeça do Ajax
Participações Especiais: Márcio de Deus e W. Corrêa
Intérpretes: Tinga, Paulinho Mocidade, Diego Nicolau e Tem-Tem Jr

Eu quero um lote
Saboroso e carnudo
Desses que tem conteúdo
O pecado é devorar
É que esse mote beira antropofagia
Desce a glote, poesia
Pede caju que dá
Delícia nativa
Onde eu possa pôr os dentes
Que não fique pra semente
Nem um tasco de mordida
E aí tupi no interior do cafundó
Um quiprocó virou guerra assumida

Provou porã, Fruta do pé
se lambuzou, Tamandaré
O mel escorre, olho claro se assanha
Se a polpa é desse jeito, imagine a castanha

Por outras praias a nobreza aprovou
Nas redondezas se espalhou, tão fácil, fácil!
E Nesta terra onde tamanho é documento
Vou erguer um monumento para Seu Luiz Inácio
Nessa batalha teve aperreio
Duas flechas e no meio uma tal Cunhã Poranga
Tarsila pinta a sanha modernista, tira a tradição da pista
Vai Debret! Chupa essa manga!
É Tropicália, Tropicana, cajuína
Pela intacta retina, a estrela no olhar
Carne macia com sabor independente
A batida mais quente, deixa o povo provar

Meu caju, meu cajueiro
Pede um cheiro que eu dou
O puro suco do fruto do meu amor
É sensual, esse delírio febril
A Mocidade é a cara do Brasil

Mocidae 2024: parceria de Paulo Cesar Feital

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Compositores: Paulo Cesar Feital, Denilson do Rozario, Léo Peres, Alex Saraiça, Marcelo Casanossa, Marcelo do Rap, Carlinhos da Chacara e Nito de Souza

Me lembro de um Brasil tão atrevido,
De um tempo em que a loucura era feliz,
Os meigos canibais bebiam um bom caju amigo,
Sonhando em namorar Leila Diniz!
As praias eram campos de nudismo,
Os corpos nus em pleno desapego,
Torquato, Gil, Tom Zé, Tropicalismo,
E Oxumaré envolto em Luz del Fuego
Caetaneava a alma nordestina,
Transfusão de cajuína no meu sangue brasileiro
Zé Celso no Teatro Oficina
Rita Lee e parafina, acaju nos seus cabelos!

Então a “Gota d’agua” foi toró
“Alegria, Alegria” porre de mocororó
A caravela do invasor no litoral,
Dono da terra defendeu essa nação,
Roubaram o coração nacional,
Mas deixaram o principal, o perfume da paixão

E aí, pras bandas lá de Pirangi,
Gigantesco “anacardium”, transgrediu a Flor do Lácio,
E o cara que o plantou, confrontando o Piauí,
Coincidentemente Luís Inácio
Nas festas, nos quintais, o Existencialismo,
Responde à que hoje se destina:
A sensualidade tatuada nessa gente,
Na voz da mocidade independente!

Pisa forte nesse chão, comunidade!
Padre Miguel é a minha raiz,
“Por isso é que se diz que a Mocidade reinará”
Pode acreditar!

Mocidade 2024: parceria de Jefinho Rodrigues

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Compositores: Jefinho Rodrigues, Dudu Nobre, Marquinho Índio, Gustavo Clarão,J. Giovani, Lauro Silva, Prof.. Renato Cunha e Luciano Chuca
Intérprete: Wander Pires

VEM MORDER A CARNE, SE APAIXONAR
SENTIR O CORPO QUE TE SEDUZIU
DOCE, TRAVOSO PALADAR
TENHO O SABOR DO MEU BRASIL
MEU COLORIDO BRILHA EM CADA OLHAR
SOU TROPICÁLIA, ESTRELA EM SEU VIVER
O CARNAVAL EM POESIA
UM SHOW DE ALEGRIA, A INSPIRAÇÃO
O FRUTO DA PELE MACIA, QUE AFLORA E DEVORA O SEU CORAÇÃO.

O NATIVO ” DANÇOU” BEBERICOU
NA ALDEIA CANTOU SEUS RITUAIS
ENTORNOU MOCORORÓ, A CABEÇA DEU UM NÓ
E PROSEOU COM ANCESTRAIS

O NATIVO “DANÇOU” BEBERICOU
GRINGAIADA APORTOU, FOI INVASÃO
PÉ DE GUERRA, DEU XABU, BIGODUDO E MON AMOUR
CARAVELAS DE ACAYU NA CONTRAMÃO….

LUIZ INÁCIO PLANTOU, UM “POLVO” POTIGUAR
SERÁ QUE É NOSSO REI CAJUEIRO?
OU VEM DA RAÍZ CUNHÃ PORANGA
COROADO NA CASTANHA, AMOR VERDADEIRO
YES, NÓS TEMOS CAJUÍ QUE SÓ
NAS CORTINAS E RECEITAS DA VOVÓ
EM TÔ EM TODAS MEU BEM, NAS PARTITURAS TAMBÉM
PRA PERFUMAR O SAMBA DA VILA VINTÉM!

ESPELHO MEU “A QUE SERÁ QUE SE DESTINA”?
SER MOCIDADE, SER A “FLOR” DA CAJUÍNA

A BATIDA É A “MAIS QUENTE”, QUEM VAI QUERER?
TE FAZ ENLOUQUECER
VEM MEU AMOR SE LAMBUZAR
PEDE CAJU QUE DOU… PÉ DE CAJU QUE DÁ!

Mocidade 2024: parceria de Fabinho Ribeiro

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Compositores: Fabinho Ribeiro, Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuíca, Valtinho Botafogo

DA BOCAJUROUQUE NÃO IA ESCORRER
A FACAJUNTOU, A COLHER DEU DE COMER
A COCAJURURU
BEM QUE TENTOU BATER DE FRENTE
COM O REFRESCO DO TORÉM
QUE LÁ NA VILA A TIA VENDE
POR TROCADOS DE VINTÉM

ALGUÉM EXPLICÀJUVENTUDE
A CICA NÃO É COISA RUDE
MAS PROTEGE DE QUEM QUER A VIDA FÁCIL
E O GRINGO VIU TANTA VIRTUDE
QUE DAVA JOIAS E PALÁCIOS
PELAS GLÓRIAS CAJUEIRAS DE LUIZ INÁCIO

NÃO EMPACAJUAZEIRO
NÃO TEM JACA OU LIMOEIRO
DO SUCO EU QUERO A SOPA
DA POLPA EU QUERO O CHEIRO

AÍ DE REPENTE
A UCAJUIZOU O MEU BARATO
MACUNAIMAMENTE
FEZ A CUCAJUSTAR O PENTEADO
TOPETE DE CASTANHA
NO CORPO QUE ABOCANHA
A GELEIA DE TORQUATO

MAS A FRUTA TROPICANA
ME OLHOU JÁ DE BANDEJA
E PERGUNTOU MEIO SACANA:
“QUE QUE TU QUER DE SOBREMESA?”

CÁJUSÉ “PARRI”
CÁJUÃO CRICRI
EU SOU TUPI DE PIRANGI
E VAI TIRANDO A MÃO DAÍ
EU VIM AQUI PRA CONFUNDIR
A LÍNGUA É UM
ZIRIGUIDUM SEM FREIO
NO SABOR DA MOCIDADE
O CAJU TÁ NO RECHEIO

Mocidade 2024: parceria de Fernando Muniz

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Compositores: Fernando Muniz, Rubelt.’ Funaben, Toquinha, Carlos Cesário e Gilberto Magalhães

Sou eu brasileirinho arretado
abençoado por Deus
Fruto nativo do nordeste
Tem amarelo, vermelho e rosado

Êta fruto bom de sabor adocicado
Que no Brasil se vê por todo lado

Pequenino com os pés gigantes, eu duelei
Até hoje quem ganhou, eu não sei
Linda castanha é minha coroa
O Black Power é meu Cocar
Sou fruto tupiniquim
O meu aroma aguça o paladar
Lambuzo boca feito mel
sujo bigode, tinjo o pincel
Sou eu caju, fazendo brilhar
A estrela de Padre Miguel

Cobiçado por franceses, carimbado por Nassau
Pelo gosto de Dom Pedro que cheguei a Portugal
Ganhei o mundo, espalhei brasilidade

Mas a patente hoje é da Mocidade {Bis)
Duas flechadas, amor ao chão
Surge o pé de cajueiro entre raio e trovão
É lenda que eterniza Jacira Cunhá Poranga
Fruto da imaginação

Tem festa tropicália, tem colheita no quintal
Tem caju de todo tipo sambando no carnaval

Me leva pra casa que eu vou
adoçar a vtda e dar mais sabor
Assim como fiz com o índio
Índio que me desvendou

Me leva pra casa que eu vou
adoçar a vida e dar mais sabor
Neste samba de iaia, iaia, neste samba de ioio

Mocidade 2024: parceria de Rafael Drumond

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Compositores: Rafael Drumond, André Pimentel, Renato Duarte, Léo Galin, Luiz Neto e Vanessa Pimentel

Carnaval, delírio tropical a semear
No peito a verdejante magia
Refrescante poesia pro paladar
Na Cabaça de Tamandaré ,felicidade
Em Nativos rituais de fé ,prosperidade
Eram Frutos da fartura pelos mares da ganância
Maciez em abundância Colorindo o litoral…
Quando o Dono “perde o chão” e Europeu “véio de Guerra”
Leva a melhor nessa Terra desde os tempos de Cabral…

Polvo Potiguar na imensidão…
Ode ao pescador sob a sombra do divino…
Cajueiro Rei ,lenda de paixão…
Enraizada pelas flechas do destino…

“Castanha mátria” , tua pátria é meu quintal…
De natureza Literária que fascina…
Onde a pureza de um traço singular
Traz a doçura de um olhar pra cada sina…
Enluarada… Uma viola embriagada então chorou
Um gosto de Brasilidade
Não existe mais quente ,nossa batida…
Morena venha cá! Padre Miguel “tá só o mel” vem festejar…
Um brinde a nossa Mocidade ,razão do meu cantar ,da minha Vida…

Sabor de pecado na carne da sedução
Doce tentação ,vou te desfrutar
Pede Caju que eu te dou amor!
Pé de caju no meu samba dá

Mocidade 2024: parceria de Bachini

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Compositores: Bachini, Gilberto Monteiro, Fred Lima, Gilson Silva, Kaíque Rocha, Vinícius Amaral, Jr. Vidigal e Ronaldo Nunes
Participação especial: Valdemir Andrade

PAREI… NESSE DELIRIO TROPICAL
DIVINA OBRA SENSUAL
PERFUME ATRAENTE… INEBRIANTE
FRUTO NATIVO DO GIGANTE VARONIL
FEITO A CANÇÃO SEGUIU
OH! DOCE E JOCOSO BRASIL
FEZ PORÃ LACRIMEJAR… GAIJO SE LAMBUZAR
L’ARGENTE MANCHADO EM BOLSO CHEIO DE INTERESSE
GEROU REBULIÇO… O EUROPEU PASSOU A MÃO
E O DANADO NESSA CONTRAMÃO

SOU VILA VINTÉM… NÃO EXISTE MAIS QUENTE!
NA BOCA DESSA GENTE… LÁ VOU EU!
LEVADA DE AGUERÉ FOI A NODA QUE MARCOU
INDEPENDENTE EU SOU!

PENDURICALHO JÁ NASCIDO COROADO
COMO O REI DO BANHO DE GATO
PELAS MARGENS DO CAJU
EM PIRANGI CONQUISTOU VASTO PEDAÇO
NAS MÃOS DE LUIS INACIO UM FUTURO PROMISSOR
QUEM SERÁ? QUEM SERÁ?
CAJUEIRO MAIOR
GRITA O DELTA PARNAÍBA… MAIS UM NOVO QUIPROCÓ
SUCESSO NAS TELAS… NAS RECEITAS O SABOR…
“ALCEU” DESFRUTE “Ô, IÔ, IÔ, IÔ…”
NESSE TERREIRO O FLORESCER É MAIS BONITO
A FLECHA É CERTEIRA… VAI ALÉM DO INFINITO
O MEU CAJU VERDE E BRANCO REFLETE O BRILHO DO CÉU
DA ESTRELA GUIA DE PADRE MIGUEL

QUERO VER SUBIR NO PÉ…
PRA COMER SE LAMBUZAR…
MORDE A CARNE… CORRE O SUMO
QUE DELÍCIA… VEM PROVAR!
UM GOSTINHO EXCITANTE
FÁCIL DE SE APAIXONAR
NO QUINTAL DA MOCIDADE
PEDE CAJU QUE DÁ!

Mocidade 2024: parceria de Zé Glória

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Compositores: Zé Glória, Trivella, Chacal do Sax, Renilson, Mumu do Gás, Guilherme Karraz, Simões Feiju e Myngau.
Participação Especial: Domenil e André Baiacu

Eu sei… É de lambuzar!
Vem saborear…
Em cada lábio, um gostinho de Brasil!
É Tropicália, o nosso lema é devorar
O puro suco que ao poeta seduziu!

Suculência que inebria
Caju que se planta dá nessa antropofagia

E nas noites de Torém todo povo Tremembé
Tomou do mocororó, melou da cabeça ao pé
Mas o invasor chegou de lá
E provou do nosso mel
Pro nativo, o que era doce
Se tornou amargo fel

Caravelas ao mar, cadê? Cadê meu caju? Sumiu!
Caravelas ao mar, cadê? Cadê meu caju? Partiu!
Cabral levou acayu a pau
No Velho Mundo, essa carne virou carnaval…

Pelas bandas de cá feito nobre reinou
É raiz potiguar, lenda de pescador
Mas floresce em Parnaíba o firmamento
A batalha onde tamanho é documento!
Tua noda entranhada na cultura
O movimento “anti-heróico” nacional
À tua sombra, germinaram poesias
E o sabor de uma infância no quintal
Ê, morená, gingado que mexe com a gente…
Ê, morena tropicana envolvente!
No prazer da castanha, o sabor tem mais vida!
Não existe mais quente que nossa batida!

Tem cajuína na Vila Vintém!
Quem provou gostou! Vem provar, meu bem!
Fruto invertido, nossa identidade
Respeite, aqui é Mocidade!

Comandante da única bateria despontuada no Grupo Especial em 2023, mestre Rafa critica preparação de jurados

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Nos últimos anos, diversos amantes do carnaval mundo afora fizeram críticas ao método de julgamento da folia paulistana. O excesso de notas máximas, chamado de “chuva de dez”, tornava as apurações das escolas de samba de São Paulo monótonas em alguns quesitos. Isso tudo descontando, é claro, as discordâncias sobre determinadas notas – algo presente em concursos em toda a Terra. Os dois pontos de atrito, em alguns momentos, atingiam a mesma pessoa: Rafael Oliveira, conhecido como mestre Rafa.

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Comandante da “Bateria com Identidade” desde 2014, o comandante dos ritmistas do Rosas de Ouro revelou, em entrevista ao CARNAVALESCO, um sentimento negativo em relação às notas atribuídas ao segmento da Roseira – a despeito dos diversos prêmios conquistados ao longo de uma década inteira.

Penalização única

Das cinquenta e seis notas do quesito Bateria na apuração do carnaval de São Paulo em 2023, apenas uma não foi dez. Eduardo Tullio, julgador do segundo módulo do Anhembi, concedeu um solitário 9.9 para a Bateria com Identidade. O desconto, como não poderia deixar de ser, deixou não apenas mestre Rafa um tanto quanto incrédulo. “Não é uma sensação ruim, dá uma sensação de não estarmos na mão de pessoas qualificadas. Essa é a verdade. Não sou eu, mestre Rafa, quem estou falando: tiveram reuniões com outros comandantes e outros três ou quatro mestres de bateria levantaram e falaram que não foi justo. Eles disseram que desfilaram catorze escolas no Grupo Especial e não é possível que só a minha bateria errou”, desabafou o profissional, que apresentou, junto à azul e rosa, o enredo “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”.

A justificativa para o desconto na pontuação também foi rebatida pelo comandante dos ritmistas da Roseira. “No caso, não foi nem erro: ele nos despontuou falando da equalização. Só que há um áudio do jurado falando que não conseguia ouvir direito o agogô. Não tem essa de estar ou não ouvindo: tem que estar ouvindo e acabou. Errou o jurado, infelizmente. Vou caçar o jurado? Não, ele foi colocado ali e que tem que cuidar do e capacitar o jurado é quem fez a contratação”, disparou.

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Foto: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Ao realizar a apresentação para a segunda cabine de jurados, por sinal, o próprio Mestre Rafa sentiu algo estranho no ar. “Isso tira a cereja do bolo, porque foi um jurado que paramos na frente dele, apresentamos a bateria, viramos, abaixamos, fizemos tudo e ele mal nos olhou. Não sei qual é o tipo de instrução que ele recebe, mas ele não nos olhou. Ali eu já me senti desqualificado”, recordou-se.

Ao falar sobre um sentimento de injustiça, o comandante dos ritmistas voltou a criticar a situação. “Tínhamos seis bossas, a bateria que mais tinha bossas no carnaval paulistano, e todas grandes. Ao todo, duzentos e quarenta e poucos compassos de bossa, sendo que o regulamento pede dezesseis e um arranjo. Nós tínhamos o samba inteiro de bossas! Isso tirou a nossa cereja do bolo, mas quem passou vergonha foi quem cuida e o próprio jurado, infelizmente – repito que não é culpa dele. Várias baterias erraram, mas eu não sou jurado, sou mestre de bateria, não vou falar quais baterias erraram, mas todo mundo sabe quem errou e não foi despontuado na frente dos jurados. Nós, que não erramos e ousamos, tomamos desconto em equalização”, ratificou.

Motivação

Embora revele certo desprendimento em relação às notas, o que mais preocupa o ritmista-mor é como os comandados e a comunidade da Freguesia do Ó recebem os descontos. “Eu já estou preparado, mas… mesmo sabendo que a gente fez um bom trabalho, a minha rapazeada… qual o estímulo que eu tenho para passar para eles ensaiarem, sendo que fomos uma das três baterias que mais ensaiaram no carnaval (se não formos a que mais ensaiou), sempre fomos assim, sempre ensaiamos muito. Como eu vou pedir para ensaiaram sendo que o jurado errou?”, indagou.

Ao longo da entrevista, mestre Rafa aproveitou para questionar o conhecimento dos jurados do quesito em instrumentos musicais que não são eruditos. “Os jurados são maestros e etc, mas não são de cunho popular. Qualquer um daqueles jurados, se eu pedir para eles tocarem uma cuíca, uma caixa-de-guerra ou um repinique, eles não vão tocar porque não dominam o instrumento. Não basta ser só maestro. Pode até soar como polêmica, mas não é: é a verdade”, comentou.

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Logo depois, ao novamente destacar que descontos não são novidades para ele, o comandante aproveitou para pontuar que ele também possui o domínio da música erudita, algo que não necessariamente é recíproco da parte do corpo de jurados. “Eu já estou preparado: eu venho de uma cultura que não sou de nota dez – inclusive, toco em orquestra também, sou músico formado e qualificado e já viajei muito, não sou apenas ritmista, toquei em várias bandas e orquestras”, revelou.

Como o próprio mestre Rafa destacou, decréscimos na pontuação não são novidade para a Bateria com Identidade. De 2014 para cá, os ritmistas da Freguesia do Ó gabaritaram o quesito “apenas” quatro vezes: 2015, 2017, 2019 e 2022.

Nada de mudanças

Apesar dos supracitados descontos, o comandante revelou que não pretende mudar o premiado estilo da Bateria com Identidade. “Em 2020, também fomos pontuados, sendo que ganhamos onze prêmios da imprensa em geral. As pessoas falavam que os jurados estavam loucos, e a voz do povo é a voz de Deus. Eu trabalho ainda mais, não estou nem aí. Não sou um cara inconsequente: se a escola me autorizar, vou fazer muito mais. A gente gosta disso, é a nossa marca”, comentou. Um dos prêmios no ano citado por ele, por sinal, foi o Estrela do Carnaval, de Melhor Bateria, concedido pelo CARNAVALESCO.

O tão falado novo regulamento para o carnaval 2024 também entrou em pauta em outra resposta de mestre Rafa. No caso, a parte musical como um todo terá mudanças. “Na minha cabeça o pensamento não mudou, mas eles estão julgando o carro de som, também. Para mim não muda nada, eu gosto de fazer as bossas: se eu puder fazer oito, sendo que eu fiz seis em 2023, eu vou fazer. Mas a escola começa a ver de outra forma. Eu já vejo até, como sei lá, perseguição, outras coisas”, pontuou, de maneira contundente.

Falando em regulamento…

O comandante ponderou que, para os ritmistas, nada muda. Há um quesito em especial, que não deixa de ter forte acompanhamento dos comandados de mestre Rafa, que merece especial atenção, na visão dele. “O regulamento, na parte de bateria, é o mesmo. Já em samba-enredo, que eles querem mudar por conta das notas dos últimas anos, eu não tenho como saber. Só vou saber depois. Só acho que tem que ter pessoas capacitadas. Eu não sei nem o que pensar. Entendo que a música não pode atravessar e nem embolar. Sendo bem sincero, não sigo muito o regulamento. Não é porque eu sou ‘mala’, mas a música é exata: você não pode começar a ouvir um partido dolente e, do nada, ela virar um rock”, ironizou.

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Por fim, um protesto final. “Vamos trabalhando, só espero que a Liga-SP acerte porque o Rosas de Ouro foi muito penalizado onde não deveria ter sido. Todos estão vendo. Aí a escola cai e… está todo mundo vendo. Espero que arrume, que conserte e seja legal e o mais justo possível”, finalizou mestre Rafa.

O Rosas de Ouro ficou na décima segunda colocação do Grupo Especial de São Paulo, apenas uma posição à frente das duas que são rebaixadas para o Acesso I – apenas um décimo salvou a Roseira do descenso, que seria inédito na história da agremiação. A classificação em 2023 foi a pior desde 1975, quando a escola chegou ao pelotão de elite – menos de quatro anos depois da fundação.

Conheça Diogo da Silva, finalista do concurso de Rei Momo do Carnaval 2024

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No mundo do samba desde os sete anos de idade e há quinze na Beija-Flor de Nilópolis, Diogo Edson da Silva, produtor, modelo, bailarino e ator de 36 anos, é um dos finalistas e representará a agremiação nilopolitana na última etapa do concurso que vai coroar o Rei Momo do carnaval de 2024. Após se classificar para a final, o candidato à corte conversou com o site CARNAVALESCO e respondeu a uma série de perguntas.

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Fotos: Alexandre Macieira e Luciola Villela/Riotur

A grande final do concurso que vai definir o próximo Rei Momo acontece no dia 1º de setembro, a partir das 20 horas, na Cidade do Samba com entrada gratuita. A majestade do carnaval de 2024 vai receber um prêmio de R$ 45 mil. O segundo colocado será eleito vice-Rei Momo e receberá uma quantia de R$ 8 mil.

CARNAVALESCO: Para você, o que representa chegar na final do concurso?

Diogo: “Representa muitos sonhos – esse é mais um dos sonhos que eu tenho. O que me trouxe até aqui foi a vontade de me tornar o Rei Momo do carnaval do Rio, a fé – eu costumo dizer que a fé nos leva à realização – minha força de vontade, garra, o apoio da minha família e da minha escola de samba, que é a Beija-Flor de Nilópolis. Eles acreditaram e confiaram em mim. É de suma importância entrar no palco e ver que tenho torcida – meus amigos e familiares, minha família que é a Beija-Flor. Ver eles me aplaudindo e torcendo por mim me deu mais força para mostrar o meu samba. Agora estou indo para uma final representando a minha escola para, quem sabe, ganhar o título de Rei Momo do carnaval do Rio de Janeiro”.

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CARNAVALESCO: Coroado como Rei Momo, o que você planeja levar para o Carnaval?

Diogo: “Além de representatividade, traria toda a minha alegria, felicidade, muito samba no pé e disponibilidade e afeto com as pessoas – porque elas precisam de pessoas que levem felicidade à elas. E isso o carnaval traz, ele é muito família. Já para Nilópolis, o que mais quero é levar esse título. Se Deus quiser e os jurados me escolherem na grande final, eu representarei muito bem”.

CARNAVALESCO: Como você vai se preparar para a final?

Diogo: “Eu vou me preparar com calma e apoio da minha escola. Vou continuar fazendo as minhas aulas e tentar fazer o meu melhor”.

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CARNAVALESCO: Caso ganhe, o que você vai fazer com o prêmio de R$ 45 mil?

Diogo: “Eu tenho muitos sonhos. Com parte do prêmio eu vou terminar de arrumar a minha casa. Moro na cidade de Petrópolis, onde ocorreram as fortes chuvas e tivemos que sair da nossa casa. Agora moramos de aluguel social. Estou reformando a minha casa para sair do aluguel social”.